O fim da Dengue

Dengue só vai se acabar quando o Aedes aegypti for extinto e se o vírus não achar outro hospedeiro.
N√£o gosto de ser o arauto do terror nem o n√ļncio do p√Ęnico, mas desde que o mosquito consiga p√īr ovos, locais prop√≠cios faltar√£o jamais.
Por mais que se furem todas as latas, se virem todas as garrafas, se troque toda a √°gua de jarro por terra e se queimem todos os pneus em rodovias federais durante protestos criminosos e indecentes, n√£o vai parar de chover (pelo menos n√£o aqui em Natal, pelo menos n√£o no futuro pr√≥ximo) e √°gua n√£o vai deixar de empo√ßar (√ī palavrinha feia…).
Aqui, n√≥s temos o segundo maior parque urbano do pa√≠s (o maior natural, n√£o-reflorestado) mais milhares de √°rvores espalhadas pelos canteiros e casas urbanas e de praia. Cada uma dessas √°rvores tem milhares e milhares de folhas que, pela falta de esta√ß√Ķes bem definidas a essa pouca dist√Ęncia do equador, est√£o o tempo todo sendo repostas, o que significa o descarte das velhas em favor das novas (‚Äún√£o vou mais com meias velhas, s√≥ vou com meias novas‚ÄĚ). Cada uma dessas folhas mortas √© um potencial recept√°culo de √°gua da chuva (que, atrav√©s de impacto mec√Ęnico, derruba ainda mais folhas), se tornando tamb√©m um ber√ß√°rio para os ovos dos mosquitos (se for verdade que tampinhas de garrafa tamb√©m podem ser).
Os ovos s√£o postos acima d‚Äô√°gua e podem sobreviver na secura por mais de um ano, em condi√ß√Ķes favor√°veis (umidade, temperatura, falta de perturba√ß√Ķes, etc). Quando a chuva (ou qualquer √°gua, tanto faz, basta ser mais ou menos limpa) cai e o n√≠vel do l√≠quido sobe, o ovo cai na √°gua e choca (eu li que isso pode acontecer em meia hora) e se desenvolve, em mais ou menos uma semana, num mosquito adulto que pode viver at√© trinta dias.
Eu n√£o sei quantas vezes a f√™mea p√Ķe, mas (ainda n√£o sabendo com certeza) li que elas podem colocar at√© 200 ovos duma vez e que para produzir uma fornada elas precisam se alimentar at√© tr√™s vezes e que cada refei√ß√£o do nosso sangue (o diabo do bicho √© antropof√°gico, s√≥ gosta de sangue humano) leva de dois a sete dias para ser digerido.
Se a digestão durar em média cinco dias e a fêmea se alimentar duas vezes para gerar os ovos, são seiscentos ovos por mosquito(a).
Nem todos esses seiscentos v√£o chocar, alguns v√£o chocar na √©poca errada, alguns v√£o ser comido por lagartixas, alguns nasceram machos (s√≥ as f√™meas se alimentam de sangue para ter energia suficiente para produzir ovos, fora esse tempo, tanto elas quanto eles se alimentam de seiva e n√©ctar, como as borboletas), alguns v√£o nascer mal formados, outros n√£o v√£o encontrar as condi√ß√Ķes ideais. Ali√°s, por falar nisso, as condi√ß√Ķes ideais para o desenvolvimento das larvas se d√£o num local com alta umidade e temperatura entre 25 e 30 graus Celsius. Conhecem algum lugar assim?
Voltando para o assunto ‚Äúpo√ßas d‚Äô√°gua‚ÄĚ, quem aqui j√° subiu no telhado da pr√≥pria casa (ou conhece algu√©m que o fez) para fazer o rod√≠zio das telhas? Uma telha √© uma tigela que n√£o desenvolveu a tecnologia da borda cont√≠nua. Mas basta um empecilho (um m√≥i de poeira ou terra ou folhas ca√≠das) para tapar o escorrego e transforma-la num prato. Que fica escondido por duas outras telhas viradas para baixo.
Qual é o órgão da Prefeitura que vai passando de buraco em buraco (porque Natal está LOUCA de buracos, mais buraco que boneca de Vodu) das nossas ruas jogando água sanitária? Porque um buraco forrado com asfalto junta água bem que só. E junta muita.
Carros Fumac√™ (hoje tem muita palavra feia aqui…) s√£o √ļteis porque matam os mosquitos. Mas n√£o matam os ovos nem as larvas. E matam apenas na hora, j√° que a fuma√ßa se dissipa muito r√°pido (n√£o consegui achar um dado confi√°vel, mas fuma√ßa √© fluida, que tende a se espalhar muito r√°pido, afinando e se diluindo, perdendo a efic√°cia) e toda hora tem mosquito nascendo. Para ser eficiente MESMO, a fuma√ßa teria que jorrar vinte e quatros horas por dia, por trinta dias, o que n√£o seria muito bom para a nossa sa√ļde.
Esta semana eu fiz uma observa√ß√£o interessante. Eu trabalho num pr√©dio que fica entre duas ruas de m√£o √ļnica, uma indo, outra vindo. O bico da bomba de aerossol dos carros Fumac√™ √© fixo e aponta para o lado do passageiro (talvez para zelar pela sa√ļde do motorista que, desse jeito, n√£o fica exposto ao produto o tempo todo). Ou seja, quando est√° subindo a avenida, a fuma√ßa est√° indo para os pr√©dios aqui em frente. Quando est√° voltando pela rua de tr√°s, novamente o bico aponta para o outro lado. Se a via for m√£o-√ļnica, os pr√©dios do lado esquerdo jamais ser√£o encobertos pela n√©voa de querosene e veneno.
Os mosquitos atacam em ambos os lusco-fuscos e s√£o guiados pelo cheiro do g√°s carb√īnico que exalamos pela nossa respira√ß√£o e atrav√©s da nossa pele e pelo √°cido l√°tico produzido em nossos m√ļsculos (existem outros odores tamb√©m, mas esses dois s√£o os principais).
Depois da picada, o tempo de incubação do vírus varia entre quarenta e oito horas até quinze dias, quando ficamos doentes (mas nem toda picada transmite o vírus e às vezes são necessárias várias incidências).
Os sintomas principais s√£o: dores nos m√ļsculos e nas juntas, manchas vermelhas pelo corpo e moleza. Mas um s√≥ n√£o quer dizer nada, todos t√™m que estar presentes. S√≥ dor nas juntas pode ser Gota, manchas na pele pode ser Chanha e moleza pode ser pregui√ßa. Se os tr√™s sintomas estiverem presentes, corram (mas corram devagar) para o m√©dico ou posto de sa√ļde, bebam √°gua como se n√£o houvesse amanh√£ e DESCANSEM. Dengue n√£o tem cura, quem faz o sujeito melhorar √© seu pr√≥prio sistema imunol√≥gico que precisa de energia para detonar os invasores. N√£o desperdice.
E façam um acompanhamento, pois a sociedade precisa saber por onde o infectado andava ao ser picado, quanto tempo durou o quadro e a intensidade daquele modelo do vírus.
Novamente, √°gua e cama. Muito de cada. Porque a Dengue jamais vai acabar…
Muito pouco em comum com o artigo de hoje, mas eu podia deixar essa frase passar batida n√£o:
“N√£o h√° vida no ser que n√£o tenha capacidade de mover-se por si mesmo. Embri√Ķes n√£o s√£o portadores de vida atual. Eles n√£o t√™m direito e n√£o guardam sequer expectativa desse direito (√† vida)”
Cezar Peluso, Ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre a Lei de Biossegurança-

J√° pensou sua cidade sem eletricidade? Pague em dia, garanta energia…

J√° notaram que l√Ęmpadas incandescentes tendem a queimar mais freq√ľentemente ao serem acesas do que enquanto est√£o brilhando?
Estatisticamente isso n√£o faz muito sentido, pois os bulbos tendem a ficar acesos por centenas de vezes mais tempo do que enquanto est√£o acendendo.
Então, deve haver algum outro mecanismo atuando para que isso aconteça, certo?
N√£o necessariamente. S√≥ por eu ter come√ßado com ‚Äúj√° notaram‚ÄĚ, eu estou induzindo voc√™s, seres sociais, cooperativos e evitadores de confrontos, a concordar comigo e estimulando suas mem√≥rias a recobrar s√≥ os eventos positivos e esquecer os negativos, como todas aquelas vezes quando a l√Ęmpada queimou no meio do jantar. Mas, s√©rio, algu√©m j√° presenciou isso? Eu lembro de nenhuma ocorr√™ncia do tipo. S√≥ me recordo delas queimando ao serem ligadas.
Desta vez, existe sim o fen√īmeno e um conjunto de fatores que o propiciam. N√£o √© apenas um truque psicol√≥gico, do tipo que videntes e astr√≥logos usam quando dizem coisas do tipo ‚Äúvoc√™ √© uma pessoa forte e decisiva‚ÄĚ. Ora, todos n√≥s gostamos de nos ver maiores do que realmente somos, e gostamos de ter qualidades como Forte e Decisivo, por mais que n√£o sejamos. O adivinho experiente, no entanto, completar√° a frase com ‚Äúmas √†s vezes se sente fr√°gil e gosta que lhe digam o que fazer‚ÄĚ. Isso a√≠ cobre 100% da popula√ß√£o; os fortes, os fracos, os de decis√£o e os de cumprimento de ordem.
Mas, voltando para a explicação que quero dar.
Um filamento de l√Ęmpada incandescente funciona da seguinte forma: corrente passa atrav√©s dele, mas sofre muita resist√™ncia, o que faz o filamento esquentar (efeito an√°logo com o que ocorre quando esfregamos uma m√£o na outra e elas esquentam) at√© o ponto onde fica brilhante.
Um problema desse método é que o filamento frio tem menos resistência, logo conduz mais corrente. Se a corrente for muito alta, o fio se rompe em um ponto fraco.
Outro problema, √© que sempre que a luz acende, el√©trons super excitados (ui!) evaporam da superf√≠cie filamentosa. Saltam para fora aleatoriamente no come√ßo, mas depois v√£o preferindo uns locais (chamados “n√≥s”) a outros, fazendo o material perder massa em certas regi√Ķes, criando pontos fracos.
E al√©m disso tudo, quando a corrente passa pelo filamento, que geralmente √© helicoidal (em forma de mola), cria-se um pequeno campo eletromagn√©tico tempor√°rio (depois que fica quente demais, o campo morre, tadinho) que efetivamente mexe o fio, empurrando e puxando at√© atingir equil√≠brio. Mas isso √© bem de pouquinho, n√£o √© o suficiente para desatarrachar a l√Ęmpada do soquete, tranq√ľilize-se.
Então, temos a criação de nós frágeis quando está quente, a passagem de corrente excessiva quando está frio e um puxa-encolhe quando está ligando. Se isso não torar o sujeito na emenda, eu sei mais de nada!
Finalmente, como n√£o √© poss√≠vel falar em l√Ęmpadas sem falar n’Os Originais do Samba:
“As mariposa, quando chega o frio, fica dando volta em volta da l√Ęmpida pra se esquentar.
Elas roda, roda, roda e dispois se senta em cima dos prato da l√Ęmpida pra descansar.”
O resto da letra n√£o carece, minha fama j√° √© ruim o suficiente…
P.S. Mariposas, como outros insetos voadores de h√°bitos noturnos, se utilizam da luz da lua e das estrelas para achar o caminho de volta √† toca. Como essas coisas est√£o muito longe dos bichos, o √Ęngulo entre eles e a luz muda muito pouco, quase nada. Quando eles se deparam com uma fonte de luz mais forte que a desses marcos celestes, o sistema de navega√ß√£o deles sofre interfer√™ncia e eles tentam corrigir esse √Ęngulo, chegando cada vez mais perto da fonte luminosa. O que quase sempre acaba em choro…
Só mais uma para acabar. Vou nem botar P.S.2, que parece marca de videogame.
L√Ęmpadas incandescentes s√£o boas para manter coxinhas e queijadas quentes dentro de vitrines de padarias, pois s√£o muito pouco eficientes e geram quantidades absurdas de calor e muito pouca luz, proporcionalmente.
L√Ęmpadas flourescentes antigas (das grandes) usam reatores que tamb√©m esquentam muito, mas menos que as incandescentes, se tornando um pouco mais eficientes.
J√° as novas l√Ęmpadas econ√īmicas (ou eletr√īnicas) usam reatores menores, que geram bem menos calor e consomem bem menos energia para produzir muito mais luz.
Mas boas mesmo s√£o as l√Ęmpadas de LED. S√≥ s√£o CARAS.
Pronto, acabei.

Fal√°cias

N√£o, o nome da barreira de rocha ou terra √† beira-mar √© “fal√©sia”.
Fal√°cia √© uma afirma√ß√£o intencionalmente falsa ou err√īnea.
Quando algu√©m diz “voc√™ est√° errado porque voc√™ disse X”, quando na verdade voc√™ disse Y (seja distorcendo suas palavras ou colocando um significado diferente do pretendido, transformando sua posi√ß√£o em uma mais f√°cil de ser refutada), esse algu√©m est√° cometendo uma fal√°cia.
Se um sujeito cria uma situa√ß√£o que, falsamente, s√≥ admite duas conclus√Ķes (“ou voc√™ faz X, ou faz Y”, onde X e Y s√£o apenas duas de muitas alternativas), ele est√° cometendo uma fal√°cia. Por exemplo: “ou voc√™ fica comigo ou o mundo se acaba”. As duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo ou nenhuma das duas pode acontecer, ou uma terceira ou quarta coisa pode acontecer.
Chegam para voc√™ e dizem “isso tem que ser certo pois √© muito antigo e praticado desde sempre”. Novamente, uma fal√°cia. Se tudo o que fosse antigo fosse bom e certo, n√£o ter√≠amos antibi√≥ticos nem carros.
Generaliza√ß√£o grosseira √© o meu tipo favorito de fal√°cia. √Č algo do tipo “Mao Ts√©-Tung e L√™nin eram ateus e mataram milhares de pessoas, logo, todos os ateus s√£o truculentos e assassinos.”
Outra que eu dou o maior valor é confundir relação temporal com relação causal. Ou seja, X aconteceu antes de Y, logo Y foi causado por X.
Exemplo: espirrei e começou a chover, logo, meu espirro precipitou a chuva.
Fal√°cia? Sim! Porque por mais forte que meu espirro seja e por mais que ele tenha realmente causado a precipita√ß√£o, meu m√©todo de chegar √† essa conclus√£o foi errado. Eu posso preparar uma x√≠cara de caf√© usando um beb√™, uma piscina, uma espingarda e uma m√£e chorosa. O caf√© ser√° concluido com precis√£o, mas o processo foi falacioso…
Eu sei que ler este blogue já é muita coisa para muita gente, mas quem tiver tempo e interesse, leia isso.
E, por favor, evitem dizer coisas do tipo “voc√™ pode nem falar!” ou “voc√™ j√° foi cabeludo e, portanto, n√£o pode reclamar do meu cabelo rid√≠culo”.
Não só posso, como tenho mais propriedade do que aqueles que nunca deixaram as melenas passar das orelhas.
Outra, come√ßar uma frase com “√© l√≥gico!” nem sempre significa que a frase seja l√≥gica.
Um P.S.zinho bem r√°pido.
No Dia do Físico eu esqueci de colocar o link para o blogue do idealizador da blogagem coletiva. Na verdade, eu achei que o link estava embutido no banner, mas me enganei. Foi mal Renan.
E, para Beth, que me pediu para escrever sobre homeopatia, primeiramente, obrigado pelas palavras carinhosas, segundamente, saiba que o artigo já está encaminhado. Aquele sobre Método Científico e este de agora foram a introdução. Preciso montar uma base antes para a entrada fazer sentido.

:)

Para os que já gastaram uma boa fatia do próprio tempo na internet, o título deste artigo tem um sentido além de dois-pontos-fecha-parêntese. Com a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda, esse dois sinais gráficos viram uma carinha sorridente com dois olhinhos amigáveis.
Da mesma forma, ; ) se torna uma carinha sorridente piscando um olho, : / é uma carinha contrariada (notem a boca torta), : * é uma carinha mandando um beijo (notem a boca em formato de biquinho) e : ( é uma carinha triste.
Desenvolvendo em cima do mesmo tema, podemos criar mais das tais carinhas, por exemplo:
1 – Mais bocas;
: ]
: D
: |
2 РUtilização de narizes;
: ¬)
: -]
: -D
3 – Cabelos;
@: -)
$: -)
Q: -D
4 – Efeitos especiais;
:~( l√°grima
:D~ sorrindo e babando
]: -) chifres
=) olhos esticados
5 – E, com a ajuda de caracteres especiais, minha categoria favorita, carinhas sob medida;
¬ß:‚ÄĘP cabelo arrumado e l√≠ngua de fora
¬∂:‚ÄĘ‚ā¨ bon√© e bigode
§÷¬ß dentuço narigudo zarolho
#¦x] japonês feliz
¬ß:‚ÄĘ√ź palha√ßo
Finalmente, a minha carinha padr√£o;
=¬¶¬§√ĺ
(se vocês virem uma dessas, eu estive por perto)
Mas por que é tão fácil reconhecer essa ruma de riscos como rostos?
Lembram de prosopagnosia, a falta de habilidade em reconhecer rostos?
Pois bem, o resto de nós desenvolveu um mecanismo diametralmente oposto, onde vemos faces em quase tudo.
Na verdade, n√£o s√≥ faces, mas qualquer coisa familiar (imagens e sons principalmente). A fia√ß√£o do nosso c√©rebro evoluiu para achar padr√Ķes onde eles n√£o existem, Ordem dentro do Caos.
Esse é o mesmo dispositivo que nos faz ver cachorros, gatos, velhos conversando, carros correndo e outros formatos conhecidos em nuvens, por exemplo.
O termo que descreve o fen√īmeno √© Pareidolia (eu pronuncio “p√°rei-d√≥lia”, mas posso estar errado), um tipo de apofenia e √©, oficialmente definido como “um tipo de ilus√£o, ou erro de percep√ß√£o, envolvendo um est√≠mulo vago ou obscuro sendo percebido como algo claro e distinto”.
O mesmo efeito pode explicar as apari√ß√Ķes e avistamentos de fantasmas.
Basta uma sombra aparecer numa parede que nosso c√©rebro imediatamente vai tentar fazer sentido daquilo. √Č assim que o bichinho funciona, n√£o se zangue com ele.
E, por causa da supersensibilidade da nossa vis√£o perif√©rica, √© bem mais f√°cil “enxergar” essa apari√ß√Ķes de rabo-de-olho que olhando diretamente. N√£o vemos formatos muito bem desse jeito, mas o c√©rebro d√° um jeito bem ligeirinho nesse problema. Principalmente a noite, quando ele est√° cansado e mais suscet√≠vel a erros (estou escrevendo isso de noite, portanto mere√ßo um desconto nos eventuais erros factuais que venha a cometer).
Sabe aquelas conversas de m√ļsicas da Xuxa e de Roberto Carlos contendo mensagens sat√Ęnicas quando invertidas? Pareidolia! Nada mais que o c√©rebro tentando desesperadamente criar sentido a partir da loucura aleat√≥ria que est√° recebendo. A√≠ entra tamb√©m um vi√©s cognitivo (ou tend√™ncia de perceber uma coisa para um lado, como achar que a nossa faixa de tr√Ęnsito √© sempre mais lenta por s√≥ notarmos quando isso ocorre e ignorarmos as vezes onde estamos na que se move mais r√°pido), que desconsidera todas as passagens que se referem a filhotinhos de cachorros correndo livre pelos campos e se at√©m √†s men√ß√Ķes ao diabo, mas isso diz mais de quem escuta e interpreta as passagens tocadas ao contr√°rio do que de quem as tocou e gravou no sentido normal.
Isto aqui √© uma foto tirada da janela do meu apartamento, enquanto eu testava o tempo de exposi√ß√£o da minha c√Ęmera:
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Depois que publiquei a foto, um amigo meu notou que a formação de nuvens (ou o espaço deixado pela falta delas, na verdade) do lado esquerdo da foto parece com isso aqui.
Isso é Pareidolia para vocês!

Meu nome é Rmiga. Fo Rmiga.

Sem saber sobre o que escrever hoje (MANDEM SUGEST√ēES!), estava relendo meu arquivo de coisas legais e lembrei de uma formiga peruana, a Cephalotes atratus:
ROG
Essas formigas podem ser infectadas por nematódeos (ou vermes cilíndricos) que as fazem agir de uma maneira peculiar.
Primeiro, o ac√ļmulo dos ovos amarelados desses vermes nos abdomens escuros dos insetos fazem com qu√™ estes fiquem avermelhados:
ROG
Essas formigas vivem nas copas das √°rvores das florestas panamenhas e na Amaz√īnia peruana, e, ap√≥s a mudan√ßa de colora√ß√£o, elas passam a andar com os rabos apontados para cima:
ROG
Steve Yanoviak, pesquisador da Universidade de Arkansas (nos EUA), descobriu tamb√©m que o parasita deixa os insetos menos agressivos, os fazem parar produzir ferom√īnios de defesa (do tipo que deixa sua carne com gosto ruim, sendo cuspida antes de ser engolida) quando se sentem amea√ßados, e deixa seus exoesqueletos mais fracos (possibilitado, por exemplo, a extra√ß√£o da parte posterior do animal com maior facilidade).
E para quê isso tudo?
Nessas florestas, v√°rios p√°ssaros se alimentam de frutas parecidas com estas:
ROG
Notaram a formiga no meio?
O verme, para completar o seu ciclo, precisa passar pelo trato digestivo de um animal de sangue quente (como um p√°ssaro) para p√īr novos ovos, que ser√£o excretados, permitindo que outras formigas, ao vasculhar as fezes das aves em busca de comida para sua prole (na Natureza, o lixo de um √© o tesouro de outro), infecte uma nova gera√ß√£o com esse nematode.
E o nome disso, Meninas e Cabras, é co-evolução (eu deveria ter usado esse exemplo no dia em que estávamos jogando Master e perguntaram uma definição. Bom, fica para a próxima).

Relaxe…

Estima-se atualmente que existam sete sextilh√Ķes de estrelas no universo observ√°vel (pode ser, e √© prov√°vel, que haja mais universo al√©m de at√© onde podemos ver). Isso √© um 7 seguido de vinte e um zeros (ou 1 bilh√£o vezes mil, quatro vezes), e parece com isso:
7.000.000.000.000.000.000.000
Se voc√™ coletar cada gr√£o de areia de cada praia do planeta Terra, o que deve chegar mais ou menos na casa dos quintilh√Ķes (essa conta √© feita assim: pega-se um cent√≠metro c√ļbico de areia e conta-se o n√ļmero de gr√£os, depois multiplica-se o resultado pela quantidade de cent√≠metros c√ļbicos de areia nas praias do mundo. A Matem√°tica √© simples assim), ainda n√£o ter√° gr√£os suficientes para montar um modelo estelar do Universo vis√≠vel.
Apesar dessa grandiosidade estelar ser, certamente, mentalmente incompreesível (como este blogue às vezes se torna), e, enquanto a ponderação da escala do universo possa criar uma perspectiva intimidante no dia-a-dia do terráqueo mediano, VOCÊ não é um terráqueo médio.
Sim, nossa Terra pode ser comparável a um trisquinho de poeira num grão de areia na borda do oceano do Espaço, mas em todo o Universo existe apenas um Você.
M√ļltiplas magnitudes de gal√°xias podem ir e vir mas, de todo jeito, s√≥ pode haver um Voc√™.
O que faz de Você uma raríssima propriedade de Universo, de fato!
Portanto, pegue sua cadeira de praia e, juntos, vamos nos bronzear √† luz da nossa mutuamente incompreens√≠vel uniq√ľidade.
-Texto de Justin Jackson com intromiss√Ķes de Igor Santos-

Tchupl√©c, Tchuplim¬Ļ

Sabão é formado através da hidrólise de gorduras numa reação chamada saponificação.
Esse processo cria uma molécula longa, com duas pontas distintas: uma hidrofílica (que gosta de água) e outra hidrofóbica (que não gosta de água).
Para se manter longe da água, as pontas hidrofóbicas se agrupam, formando uma estrutura arredondada (chamada de micela), com as partes que gostam de água apontando para fora.
Essa estrutura atrai mol√©culas gordurosas (coisas que n√£o gostam de √°gua costumam se agrupar, fen√īmeno este que pode ajudar a explicar a prolifera√ß√£o das comunidades hippies), que s√£o imunes √† a√ß√£o solvente da √°gua (H2O √© uma mol√©cula polar, enquanto gorduras s√£o apolares, a√≠ n√£o se misturam). Mas como a parte de fora das micelas √© hidrof√≠lica, quando a √°gua bate, toda a composi√ß√£o √© levada embora. Gordura, √≥leo, poeira, tudo. O que for sol√ļvel em √°gua, dissolve e desaparece nela mesma, o que n√£o for, √© preso pelas mol√©culas de sab√£o e arrastado √† for√ßa para fora.
√Āgua tem uma propriedade chamada ‚Äútens√£o superficial‚ÄĚ, que faz com qu√™ pequenos insetos consigam andar sobre a √°gua (e que √© suficientemente forte para segurar um clipe de papel). O sab√£o desmancha essa tens√£o, literalmente deixando a √°gua mais molhada (de fato, diminuir a tens√£o de superf√≠cie deixa a √°gua mais fluida e mais f√°cil de se misturar com outras coisas).
O sabão é feito quando se cozinha gordura (qualquer tipo de gordura, tanto animal quanto vegetal) com soda cáustica (altamente corrosivo, especialmente quando em contato com a pele). Esse processo é descrito em mais detalhes (tanto o uso de gordura quanto a reação soda-pele) no filme Clube da Luta.
√Āgua s√≥ √© √°gua por causa da atra√ß√£o que os √°tomos de hidrog√™nio exercem entre si. Se essa atra√ß√£o n√£o existisse, s√≥ existiria √°gua em forma de vapor.
Esse mesmo fen√īmeno explica as bolhas de sab√£o.
Os √°tomos de hidrog√™nio contido nas mol√©culas da √°gua tentam a todo o custo se segurar uns nos outros (a explica√ß√£o completa envolve cargas positivas e negativas apontando pros lados e pro centro, o papel do oxig√™nio nesse misturado e resist√™ncia de liga√ß√Ķes, mas eu vou explicar isso tudo nem com a mol√©stia) e as bolhas crescem (sem perder a elasticidade, como um bal√£o que quando seca fixa mais flex√≠vel. Outra explica√ß√£o que eu n√£o vou dar.) de modo a ocupar o menor espa√ßo poss√≠vel com o volume de ar fornecido. Todos sabemos que o formato tridimensional com a menor √°rea de superf√≠cie para o maior volume √© o esfer√≥ide. √ďbvio.
Por isso que as bolhas são em forma de esfera (e não redondas, quem é redonda é pizza, que tem bordas).
A cor psicod√©lica das bolhas √© dada pela reflex√£o/refra√ß√£o luminosa, atrav√©s de intera√ß√Ķes destrutivas e construtivas causadas pela natureza dualista (onda/part√≠cula) da luz. Adivinha o que vai acontecer com esta explica√ß√£o?
¬ĻN√£o confundir com “Lupuliplin, Clapatop√ī”.

Corre√ß√Ķes

Hoje eu não escrevi com antecedência como de costume e saí cedo de casa para ir à praia e só lembrei disto aqui agora.
Nem ia escrever, mas também não queria deixar um dia em branco, minha média tem sido boa até agora.
Se isso acontecer novamente, vão lendo as entradas antigas que é sempre bom relembrar.
Por favor, leiam os comentários de Zé Pitombeira C.C. II no artigo em duas partes sobre o espectro eletromagnético.
E, pedindo novamente, quem encontrar algum erro de qualquer tipo, por favor me corrija.
Assistam ao v√≠deo que Heisenberg colocou nos coment√°rios de Depoimento que j√° me libera de ter que escrever muito sobre Mec√Ęnica Qu√Ęntica (eu ainda n√£o tive tempo de ver os v√≠deos, estou recomendando por confiar na pessoa).
Para finalizar com pelo menos alguma informa√ß√£o vinda de mim, saibam que o caf√© tem calorias negativas (desde que bebido sem a√ß√ļcar, o aumento de press√£o e de batimentos card√≠acos causados pelo consumo da cafe√≠na somados ao efeito estimulante da bebida fazem com qu√™ o corpo use mais calorias do que s√£o ingeridas) e que frio queima mais calorias que calor (o organismo aumenta o metabolismo para gerar mais calor para evitar o resfriamento dos √≥rg√£os, gastando mais energia).
Se caf√© sem a√ß√ļcar e gelado n√£o fosse t√£o horrivelmente p√©ssimo, seria mais receitado como forma de perder peso (l√≠quidos gelados usam mais energia do corpo pois precisam ser aquecidos at√© a temperatura corporal para serem processados).
E lembrem-se: jamais poderá existir um café forte (ou doce) demais.

Depoimento

Hoje eu ia tirar o dia para reclamar do aeroporto da minha cidade, que é uma das maiores vergonhas deste estado e tem como agravante ser o portal de entrada dos turistas.
Mas passaram a noite todinha ontem reclamando de mim por reclamar demais. Aí eu desconsiderei Reclamar como um tópico para hoje (não desanimem, ainda vou falar do Augusto Severo, em detalhes, com fotos).
Alternativamente, me recomendaram falar sobre a a√ß√£o e a diferen√ßa entre “produtos de beleza” (o √ļnico produto de beleza real √© a gen√©tica) como adstringentes, esfoliantes, removedores de cravos e espinhas, etc.
Estou usando o plural, mas uma s√≥ pessoa me criticou e outra s√≥ pessoa me aconselhou, esta logo ap√≥s me dizer que me admira, o que me deixou deveras contente. =¬¶¬§√ĺ
Eu achei a idéia de falar dos cosméticos ótima, mas ficará para depois.
Ontem eu vi uma banda √≥tima, cantei bastante, tomei conta do som do bar, ouvi a m√ļsica que quis, cantei com mais for√ßa ainda, fiquei feliz e satisfeito, acordei disposto, mas abandonado pelas Meninas da minha vida. Esta √ļltima n√£o √© uma nota triste, √© s√≥ um lembrete insinuante.
Eu aprendi algumas coisas novas ontem (minha meta √© aprender pelo menos um dado a mais por dia), como o fato de eu ser o √ļnico natalense que n√£o sabe dan√ßar forr√≥, descobri que existem pessoas que gostariam de ter uma sede maior por conhecimento mas n√£o t√™m tempo para pesquisar, por√©m apreciam aqueles que conseguem, aprendi que a Holanda n√£o √© um pa√≠s, mas dois distritos dos Pa√≠ses Baixos (um erro semelhante a chamar o Reino Unido de Inglaterra), que existem mais de trinta esp√©cies de p√™ra e que pessoas iguais a mim n√£o me suportam (mais um motivo para eu n√£o ter filhos). Viva a diversidade!
Agora, para vocês, um dado pouco conhecido e que talvez supra suas necessidades diárias de informação nova: O estalo de um chicote é causado pela ponta do mesmo rompendo a barreira do som.
A energia dada pelo bra√ßo do chicoteiro √© transmitida atrav√©s do chicote, que vai afinando e ficando mais leve. Para compensar pela redu√ß√£o da massa, conservando a energia introduzida, a velocidade aumenta rapidamente at√© chegar na ponta, que literalmente ultrapassa a velocidade do som (mil e duzentos quil√īmetros por hora, aproximadamente, variando com a temperatura, press√£o, umidade, etc). De Natal a Salvador em menos de uma hora.
Chicote. A primeira inven√ß√£o humana a alcan√ßar velocidades supers√īnicas.
E para os que já sabiam disso, a Lua aparenta ser maior quando está mais perto do horizonte do que quando está alta no céu por causa de uma ilusão de ótica parecida com esta:
ROG
A Lua n√£o muda de tamanho no c√©u, bem como essas duas bolas da imagem t√™m o mesmo di√Ęmetro, podem medir!
A causa desse fen√īmeno √© a falta de referencial. Com a Lua sobre nossas cabe√ßas, como a bola da imagem mais longe da parede, n√£o existe um referencial de medida. Quando este existe, d√°-se a ilus√£o idi√≥tica e nosso c√©rebro entende errado.
Chau.

Pois o teu corpo suado, com esse cheiro de ful√ī…

…tem o gosto temperado dos temp√™ro do amor.
Luiz Gonzaga e Zé Dantas, em 1950, já haviam desvendado o mistério da atração olfativa (sabor é intrinsecamente ligado ao olfato, pois na boca nós só distinguimos salgado, doce, amargo, azedo e umami, o resto vem do cheiro).
Segundo a edição 2061 (do futuro, sairá amanhã) da revista Veja:
‚ÄúOs sinais s√£o claros e surgem no c√©rebro como um vulc√£o. Subitamente nos apaixonamos por algu√©m, e tem in√≠cio uma s√©rie de rea√ß√Ķes que muitas vezes contrariam nossa condi√ß√£o de animais racionais. Ao estudarem os mecanismos do c√©rebro, os pesquisadores comparam a euforia provocada pelo fasc√≠nio por algu√©m √†quela experimentada pelos viciados em drogas. Nos dois casos, a mesma regi√£o do c√©rebro √© inundada pelo neurotransmissor dopamina, associado √† sensa√ß√£o de prazer e de recompensa. Assim como o drogado, o ser apaixonado √© capaz de contrariar o bom senso em busca de seu objeto do desejo. Ambos t√™m pensamentos obsessivos e sofrem s√≠ndromes de abstin√™ncia.‚ÄĚ
A reportagem continua dizendo que a escolha √© feita inconscientemente por n√≥s, fisicamente (‚ÄúMulheres preferem homens altos e fortes, capazes de conseguir alimento para a prole e manter os le√Ķes longe da caverna. Homens escolhem mulheres de quadris largos e seios bem torneados, o que lhes garantir√° herdeiros possantes como eles.‚ÄĚ N√£o posso negar…) e quimicamente (‚ÄúProsaico como possa parecer, o cheiro ‚Äď n√£o o dos perfumes, mas aquele que o corpo exala naturalmente ‚Äď tamb√©m serve como um filtro na escolha do parceiro ideal.‚ÄĚ).
A parte química é na verdade bioquímica, pois, segundo as pesquisas, um gene chamado MHC (sigla em inglês para Complexo Principal de Histocompatibilidade, ou compatibilidade de tecidos), que é sabidamente responsável pelo extermínio de patógenos (células causadoras de doenças), pode também ser o culpado pela nossa escolha de parceiros, através de moléculas voláteis emitida pelo tecido epitelial (ou, cheiro de suor) e pela troca de fluidos enzimáticos salivares (ou, beijo de língua).
Por se tratar primordialmente de algo que nos ajuda a combater infec√ß√Ķes e corpos estranhos, √© interessante que, em prol do melhoramento gen√©tico, n√≥s escolhamos parceiros com caracter√≠sticas diferentes e complementares √†s nossas.
A melhor maneira de fazer essa escolha, sem a necessidade de seq√ľenciamento e posterior compara√ß√£o do nosso material gen√©tico, √© ter um mecanismo que fa√ßa isso por n√≥s (sem que saibamos, para n√£o arruinar o mist√©rio da paix√£o) e que seja facilmente detectado por nossos sentidos.
Primeiro, vemos o formato do parceiro em potencial.
Se nos agrada, nos aproximamos, ficando a uma dist√Ęncia dentro do raio de cheiro do outro.
Se nos é prazeroso, testamos uma dose mais concentrada em forma de saliva.
Tato ajuda na √ļltima parte, Audi√ß√£o fica de fora, porque algu√©m tem que prestar aten√ß√£o a Dentes-de-Sabre famintos nas redondezas.
Infelizmente, nós inventamos uma maneira de esculhambar o sistema.
Anticoncepcionais.
Já que não dá mais para procriar, para quê se preocupar com a prole perfeita?
Segundo alguns estudos (cientistas estão sempre estudando mecanismos de atração sexual, já notaram isso?), contraceptivos orais (A Pílula) tendem a reverter o processo, confundindo as mulheres, fazendo-as escolher parceiros com MHC semelhante ao delas.
Mas, novamente, qual o problema nisso? Ningu√©m vai nascer mesmo…
Isso é mais um bala no meu rifle anti-cosméticos. Além de me fazerem espirrar e suar profusamente, perfumes ainda mascaram meu MHC. Ao inferno com eles!
Não sei quantos dos meus leitores seguiriam o conselho de um Nerd semiprofissional, mas evitem perfumes. Um banho bem tomado com um sabonete bom é suficiente.
O melhor aroma para você é o natural da sua pele.
Menos o de debaixo dos bra√ßos. Use um desodorante (sem perfume) pela caridade…
Ou a menos que você coma MUITO alho ou esteja tomando antibióticos.
Ou trabalhe diretamente com enxofre.
Ou como fritador de hamb√ļrgueres (huummm, hamb√ļrgueres…).
P.S. Escutem Luiz Gonzaga.

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