Corram! Falta pouco!

As inscri√ß√Ķes de novos blogues para o Science Blogs Brasil acaba em cinco (ou seis) dias!

Se você quer escrever para o maior condomínio do mundo de blogues científicos em língua portuguesa com a página inicial mais bonita que há, se inscreva AGORA, clicando neste link que leva para nosso blogue interno, o Raio-X, onde se encontra o formulário.

Para quem ainda est√° em d√ļvida, o maior incentivo que eu consigo imaginar √© a lista interna de emails, onde um mundo inacredit√°vel de ideias ser√° entregue todos os dias, em sua caixa de entrada.

O tempo que eu passo n√£o-blogando eu gasto lendo o que meus scibligns colegas escrevem.

Pense bem. Vale a pena.

Dia do Mol

√Č incrivelmente dif√≠cil escrever sobre o mol. At√© para mim, que n√£o tenho muito compromisso com coisas fazendo sentido.

No entanto, Kentaro (respons√°vel pela administra√ß√£o da nossa p√°gina inicial) compartilhou um dado interessante na nossa lista interna (da qual voc√™ tamb√©m pode participar, se inscrevendo aqui): um mol (6,02… x 10¬≤¬≥) √© um n√ļmero bem semelhante ao fatorial de vinte e quatro (6,20… x 10¬≤¬≥), o que imediatamente chamou a minha aten√ß√£o, j√° que 24 √© o resultado do fatorial de 4, que por sua vez √© o n√ļmero de letras no meu primeiro nome[1].

I G O R = 4 letras

4! = 24

24! ~ mol

Ou seja, eu estou a duas exclama√ß√Ķes (e uma deser√ß√£o paterna) de representar a quantidade de √°tomos em cento e noventa e quatro gramas de trimetilxantina.

24 √© o n√ļmero at√īmico do cromo, muito admirado por quem gosta de coisas brilhantes (excetuando-se o navegador, que √© uma porqueira sem tamanho).

O Chrome é uma televisão. O máximo que você pode fazer é assistir ao que ele mostra.

(Isso e “24” √© “42” escrito ao contr√°rio.)

O nome completo do n√ļmero “mol” √© “seiscentos e dois sextilh√Ķes e uns quebrados”.

Dizer que um sextilh√£o equivale a duas vezes e meia um bilh√£o n√£o √© dizer muito (como aquelas compara√ß√Ķes de telejornais que insistem em usar a dist√Ęncia daqui para a Lua como se n√≥s conhec√™ssemos intimamente a medida). Alternativamente, recomendo meu texto antigo sobre n√ļmeros grandes, 1.000.000.000 (foi um dos meus primeiros textos publicados quando eu ainda n√£o sabia que teria p√ļblico. Sejam gentis).

Eu disse que era um assunto difícil, não foi?

[1] √Č esse o tipo de informa√ß√£o que eu guardo na minha cabe√ßa.

Douglas Adams: frases aleatórias

“√Č dificilmente uma coincid√™ncia o fato de nenhuma l√≠ngua no planeta jamais ter produzido a express√£o “bonito como um aeroporto”.”

D.N.A

A latrina dos deuses (ou, a cólonização do espaço)

Detrito espacial. Delícia.

Recentemente, cientistas espaciais completaram uma an√°lise de detritos orbitais, recuperados depois de circular a Terra durante v√°rios anos, e descobriram que a maior parte deles estava revestida por uma fina pel√≠cula do que foi elegantemente descrito como “mat√©ria fecal”, proveniente do desleixo que astronautas t√™m com seu saneamento.

Isso pode resolver um dos mist√©rios da origem da vida no nosso planeta, que parece ter brotado quase que imediatamente ap√≥s o surgimento de condi√ß√Ķes favor√°veis, e n√£o ap√≥s os bilh√Ķes de anos de tentativa e erro molecular necess√°rios para o que Isaac Asimov chamou de “trabalho vision√°rio da probabilidade”.

Obviamente, formas de vida organizadas precisariam ter ocorrido apenas uma vez nesta galáxia caso a primeira civilização a desbravar o espaço fosse tão descuidada com o meio ambiente como nós somos.

Anos atrás, Hoyle e Wickramasinghe sugeriram que a vida tinha origem cósmica e não terrestre. Eles podem estar certos, embora não exatamente da maneira que imaginaram.

√Č uma ideia humilhante a de que podemos ser fruto de esgoto despejado. O primeiro cap√≠tulo do G√™nesis certamente exigiria uma revis√£o dr√°stica.

Por outro lado, se (como alguns fil√≥sofos sugerem) a Terra, de fato, abriga a √ļnica vida no Universo, esta quest√£o deplor√°vel vem sendo corrigida. Pelo menos podemos nos conformar (eu evitaria dizer ‚Äúinspirar‚ÄĚ) com o fato de que nossos descendentes j√° est√£o a caminho das estrelas.

No entanto nós certamente não iríamos reconhecê-los.

E seria indelicadeza perguntar como exatamente eles chegaram l√°.

Arthur C. Clarke, para a revista Ad Astra, edição de janeiro/fevereiro de 1999.

A NASA confirma que a urina dos primeiros astronautas era ejetada imediatamente (hoje em dia eles guardam l√≠quidos por mais tempo para criar espet√°culos luminosos bel√≠ssimos), enquanto os detritos s√≥lidos eram comprimidos e estocados para remo√ß√£o em terra, sendo liberados para o espa√ßo apenas os gases produzidos pelas fezes (se um saco libera g√°s e n√£o h√° meio para propaga√ß√£o das ondas sonoras, o peido faz barulho?). Ali√°s, o problema com dejetos intestinais √© t√£o complexo que antes dos primeiros lan√ßamentos espaciais os astronautas faziam uma dieta “pobre em res√≠duos” por at√© duas semanas antes da viagem e, algumas vezes, se submetiam at√© a enemas.

E pensar que toda criança já quis ser astronauta.

No espaço, todo dia é dia de exame de fezes!

N√£o posso, por√©m, dizer o mesmo dos russos quanto ao seu saneamento orbital. N√£o consegui achar informa√ß√Ķes oficiais negando, mas correm boatos (o que ser√≠amos sem eles?) de que os primeiros cosmonautas n√£o armazenavam lixo por muito tempo. Um dos casos mais divulgados √© o de um saco de lixo da esta√ß√£o espacial MIR que teria colidido com um sat√©lite indon√©sio, cobrindo-o de fezes.

H√° tamb√©m o caso do cosmonauta que foi proibido de usar o banheiro americano da Esta√ß√£o Espacial Internacional devido aos efeitos c√≥loncolaterais da rica dieta sovi√©tica que “aumenta os custos de armazenamento e reciclagem“.

Pois √©. O espa√ßo, que j√° foi chamado de “a fronteira final”, hoje √© pouco mais que uma cidadezinha do interior com carnaval tradicional onde foli√Ķes precisam pagar para obrar no banheiro dos outros. Com a diferen√ßa que o propriet√°rio do bojo n√£o cobra armazenagem em sua fossa s√©ptica.

Por isso, proponho, de hoje em diante, outro lema:

Espaço: a fronteira fecal.

Satélite indonésio após o incidente, segundo relatos de testemunhas.

Outra coisa que n√£o consegui confirmar: a veracidade dos fatos relatados no texto de Clarke.

Mas o mundo seria tão mais legal se fosse tudo verdade mesmo, não é?

E vocês, o que acham?

Este blogue é a favor do aborto

√Č muito f√°cil para algu√©m que n√£o tem √ļtero ser contra o aborto. Da mesma forma, √© extremamente conveniente para algu√©m j√° nascido apontar o dedo e julgar a op√ß√£o alheia.

Se uma mulher n√£o quer sofrer a viol√™ncia ao seu corpo que √© uma gravidez nem est√° mentalmente preparada para enfrentar o mundo de incertezas debilitantes que ser√° a concep√ß√£o e cria√ß√£o de outro ser humano, por que voc√™, sem √ļtero e j√° nascido, √© contra? Voc√™ se acha realmente t√£o importante assim a ponto de ditar o comportamente e o futuro de outr√©m?

Ah! Você teve um filho não-planejado e deu tudo certo? Parabéns. Você é minoria.

Sabe aquele assalto que ocorreu semana passada? Provavelmente o bandido foi fruto de um acidente e cresceu como uma criança indesejada (esclarecimento rápido: alguns já nascem ruins independente da criação. Felizmente porém, são poucos).

Talvez, uma adolescente com op√ß√Ķes seguras e n√£o-conden√°veis preferisse interromper o processo, para, em outra ocasi√£o, j√° tendo ela condi√ß√Ķes emocionais (e financeiras), levasse uma gravidez ao seu desfecho. Como ela n√£o tem o direito de escolher o destino do pr√≥prio corpo, ou corre o risco de morrer (seja tomando um rem√©dio abortivo, seja ap√≥s usar os servi√ßos de uma cl√≠nica clandestina), ou ter√° um filho com grandes possibilidades de virar marginal (link em PDF).

E, me adiantando aos xingamentos, amea√ßas e acusa√ß√Ķes gramaticalmente incorretas infanto-retro-fict√≠cias de “era bom que sua m√£e tivesse abortado voc√™”, digo aqui que, antes de ter ficado gr√°vida de mim, minha m√£e sofreu um aborto espont√Ęneo. Ent√£o, ao inv√©s de me desejar a morte no pret√©rito imperfeito, ache bom e saiba que voc√™ escapou. O mundo correu o s√©rio risco de ter dois de mim.

Saiba também que, mesmo você esperneando, agitando seus punhos cerrados ao vento e amaldiçoando a parte da humanidade que discorda da sua insignificante opinião, brasileiras fazem abortos todos os dias. Elas são muitas. Provavelmente uma é até alguém da sua família de quem você gosta bastante.

Sabe quando você está falando mal de uma pessoa sem perceber que ela está atrás de você, ouvindo tudo? Pois é. Da próxima vez que você vocalizar suas ideias quanto à temperatura do mármore do inferno destinado àquelas que abortam, lembre que você pode estar ferindo seriamente os sentimentos de alguém muito próximo a você.

Drauzio é pró, Ratzo é contra.

Acho que escolhi o lado certo.

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