Alpiste cura diabetes!!! Só que não!!!!

Recebi de uma leitora preocupada uma apresentação de Power Point que alega que alpiste cura diabetes, pressão alta, artrite, gota, feiura, etc, etc.

Oi, Igor,

Estive a ver no seu site e Você sabe alguma coisa sobre esta história da alpista fazer bem aos diabetes? Estive a ver no seu site e não encontrei nada!

Abraços,

Patrícia Salgado

Minha regra geral √©: se veio num arquivo .pps, provavelmente n√£o √© verdade. E tal possibilidade diminui progressivamente com a quantidade de cores e exclama√ß√Ķes adicionadas.

Considerando que o primeiro quadro da apresenta√ß√£o l√™ “¬°¬°¬°¬°¬°¬°¬°ALPISTE!!!!!!!!”, eu j√° eliminaria qualquer chance de credibilidade do texto. Mas vamos analisar de toda forma, eu me divirto com isso.

(Peço desculpas antecipadas por incluir ipsis literis o texto nojentamente escrito.)

Recentemente cientistas investigadores da Universidade Nacional Aut√īnoma do M√©xico analisaram o grande poder aliment√≠cio do alpiste, devido aos grandes benef√≠cios que acarreta √†s aves,

√ďqu√™i. Para voc√™, qual a primeira coisa que chama aten√ß√£o aqui?

Para mim √© a presen√ßa da palavra “aves”, que torna qualquer compara√ß√£o com mam√≠feros, com uma diferen√ßa evolutiva de pelo menos 300 milh√Ķes de anos, totalmente irrelevante.

A segunda coisa é a presença do nome de uma universidade. Uma alegação testável!

Mexendo um pouco na p√°gina da dita cuja – unam.mx -, achei o seguinte:

Alpiste

Phalaris canariensis L.

Gramineae

(…)

Comentarios.

Planta introducida de la cual no se detectaron antecedentes de uso medicinal, ni estudios químicos o farmacológicos que corroboren su efectividad.

Ou, em bom portugu√™s: “Planta introduzida (n√£o-nativa) na qual n√£o se detectou antecedentes de uso medicinal, nem estudos qu√≠micos ou farmacol√≥gicos que corroborem sua efic√°cia.”

Se voc√™ n√£o √© familiar com o “trombone triste”, clique neste link e ou√ßa (s√£o cinco segundos s√≥).

Pois é. Na página da universidade citada logo no começo do spam é facilmente encontrado que não só não existem registros de uso medicinal tradicional como também não existem estudos que apoiem tal uso que não era feito. Que lindo.

Mas, mais sobre isso daqui a pouco. Continuando.

E depois de muitas experiências baseadas em método científico descobriram que o alpiste possui uma proteína incrívelmente poderosa, a qual tem seus aminoácidos estáveis o que induz a uma maior eficiência alimentícia no organismo.

Que proteína? Cadê o nome? Falou até em método científico mas não deu o nome da proteína?

Isoleucina, leucina, triptofano, lisina, metionina, fenilalanina, treonina e valina. Esses s√£o os oito amino√°cidos essenciais para a nossa vida. N√£o existe um mais eficiente que outro nem eles formam prote√≠nas mais poderosas que outras. Por mais que palavrinhas safadas como (sic) “incr√≠velmente” estejam presentes no texto (como eu costumo dizer, quem acentua adv√©rbios de modo n√£o tem o m√≠nimo de vis√£o do futuro).

A parte que eu mais gosto do trecho acima √© “maior efici√™ncia aliment√≠cia”. Visto que “aliment√≠cia” significa “que serve para alimentar“, pode-se concluir que o autor do spam acha que nosso corpo √© um restaurante. Que gracinha.

O alpiste √© uma planta gram√≠nea da fam√≠lia das po√°ceas, herb√°cea. √Č origin√°ria do Mediterr√Ęneo, mas cultivada comercialmente em v√°rias partes do mundo para usar a semente na alimenta√ß√£o de p√°ssaros dom√©sticos.

E da√≠? Como veremos mais adiante, alpiste seria uma panaceia (a cura de todos os males, agora sem acento!) e essas √ļltimas informa√ß√Ķes acima de nada ajudam, nem como evid√™ncias nem como situador – pois se voc√™ n√£o sabe o que √© alpiste, saber de onde vem e a qual fam√≠lia pertence n√£o vai ser de grande ajuda.

Palavrinhas safadas, novamente. Em nada ajudam e s√≥ servem para criar um ar de ^sabedoria^, incluindo no texto informa√ß√Ķes completamente in√ļteis por√©m com ar cient√≠fico, chegado at√© a usar o termo “m√©todo cient√≠fico” mais acima.

“Tirando leite do pau”, uma imagem irrelevante para o texto, em homenagem.

O alpiste é uma das sementes mais poderosas da Terra;

√Č o He-Man do mundo vegetal.

sua capacidade de recarga enzim√°tica √© imensa e seu conte√ļdo proteico √© ainda maior. Um copo de leite enzim√°tico de alpiste Tem mais prote√≠na que dois ou tr√™s kilos de carne mas com amino√°cidos est√°veis, isto √©, que viajam de uma maneira segura e indestrut√≠vel at√© o nosso organismo.

Bem, vamos ver a alega√ß√£o acerca da prote√≠na. Segundo uma medi√ß√£o neste link (em PDF) da PUC do Rio Grande do Sul, 100 gramas de “carne bovina magra, assada” cont√™m 30,4g de prote√≠na total.

De acordo com a tabela nuticional (em PDF) da Comissão de Desenvolvimento de Alpiste de Saskatchewan (pois é, também me surpreendi), cem gramas de alpiste contam com 21,67g de proteína.

Usando uma recente descoberta da Universidade de Desde Sempre chamada “regra de tr√™s”, concluo que dois ou tr√™s quilos de carne equivaleriam a um copo de alpiste, desde que esse copo comportasse, respectivamente, pelo menos 2,8 e 4,2 quilos de alpiste puro, sem √°gua. √Č MUITO ALPISTE!!!

Eu n√£o sei o que o autor considera “recarga enzim√°tica”, mas qualquer enzima que o alpiste contenha vai ser demolido com for√ßa pelo nosso √°cido estomacal (mas sobre √°cidos l√° embaixo). Quanto ao trecho “amino√°cidos est√°veis, isto √©, que viajam de uma maneira segura e indestrut√≠vel at√© o nosso organismo” eu s√≥ consigo pensar que ele est√° a cantar as virtudes da casca do alpiste, que n√£o deixa o gr√£o se desintegrar. Mas aquele “isto √©” ali me deixa um pouco desconfort√°vel, visto que aquela n√£o √© a defini√ß√£o de “amino√°cido est√°vel”.

Veja bem, os aminoácidos são naturalmente estáveis, sendo os ácidos alifáticos os mais estáveis de todos, incluindo dois (glicina e alanina) que produzimos naturalmente, sem a necessidade de comermos ração de passarinho.

Mais palavrinhas safadas.

As enzimas que o alpiste proporciona t√™m um imenso poder para desinflamar nossos √≥rg√£os, especialmente o f√≠gado, os rins e o p√Ęncreas, o que torna o alpiste um fabuloso regenerador pancre√°tico, isto √©, acaba com a diabete em poucas semanas,

Voc√™ entendeu o que essa frase a√≠ quis dizer? Vou traduzir usando analogias automotivas para deixar mais claro: “a cor da gasolina tem um imenso poder para limpar os filtros do condicionador de ar, especialmente os que resfriam o para-brisas e o desemba√ßador do vidro traseiro, o que torna a cor marrom um fabuloso regenerador a√©reo, ou seja, seus dentes v√£o ficar mais branco em uma semana”.

Ficou mais claro agora? O autor deu um pequeno salto de “viram que alpiste √© bom para p√°ssaros” usando o tradicional “eu n√£o sei ler tabelas nutricionais” e chegou milagrosamente em “s√≥ n√£o ganhei ainda o Nobel de Medicina porque sou muito modesto”.

Fora que “regenerador pancre√°tico” me soa muito parecido com “capacitor de fluxo”. Mas a√≠ √© s√≥ implic√Ęncia minha, porque eu s√≥ gosto de coisas que fazem sentido.

Ai, ai… Tem muito mais ainda.

elimina também a cirrose ao aumentar o controle de hepatócitos do fígado e de passagem, claro, o desinflama,

Sabe o que elimina cirrose? Transplante. Cirrose é, literalmente, uma cicatriz no fígado. O tecido do órgão é substituído por uma cicatriz, da mesma forma que acontece no queixo de menino que não sabe brincar. Se você já levou pontos alguma vez, sabe que essa marca jamais vai ser eliminada pelo aumento do controle do num-sei-o-que, seja lá o que isso signifique.

E inflamação no fígado não é cirrose, é hepatite. Sujeito aí faltou à primeira aula de fisiopatologia.

recarrega os rins de enzimas, favorecendo uma saudável diurese que elimina o excesso de líquidos no corpo,

Minha resposta:

“O crime √© uma doen√ßa… tipo cirrose ou hepatite (n√£o sei a diferen√ßa). Minhas balas de alpiste s√£o a cura (quando eu recarrego os rins, que s√£o as pistolas).”

por isso o alpiste é um lutador incansável contra a hipertensão…

Hein!? Como foi que chegou aí? Acho que a minha cópia veio com algumas páginas coladas.

é uma maravilha, por conter a enzima lipasa que elimina rapidamente a gordura do organismo, seja nas veias, nas artérias, ou simplesmente dos depósitos de gordura, por isto é um importante remédio contra a obesidade

Não, não contém.

Próxima!

e gera grandes e potentes resultados como promotor de corte e tonicidade muscular.

Mesmo que tivesse, n√£o geraria. Como n√£o tem, n√£o gera dobrado.

E eu que n√£o quero um neg√≥cio promovendo “corte muscular” em mim. J√° me bastam as facas daqui de casa.

Indicado para hipercolesterinemia e prevenção da arteriosclerose;

Indicado por quem? Pelo pps? Porque pela Medicina não é.

diur√©tico: √ļtil em situa√ß√Ķes nas quais se requer um aumento da diurese, tais como infec√ß√Ķes genito-urin√°rias (cistite),

Cistite é uma inflamação na bexiga (é também uma inflamação da bexiga, oxe). Não sei como é no autor, mas meus genitais ficam um pouco mais para fora.

E agora, com vocês, uma lista de doenças!

hiperazotemia (abund√Ęncia de sust√Ęncias nitrogenadas no sangue), hiperuricemia, gota, hipertens√£o arterial, edemas, sobrepeso acompanhado de reten√ß√£o de l√≠quidos, gastrite e ulcus (√ļlcera, sobretudo √ļlcera do est√īmago).

TA DA! [muitas palmas]

O que mais gosto da lista, al√©m do fato da aparente falta de necessidade em listar coisas aleat√≥rias e desconexas, √© o uso da palavra ulcus, latim para √ļlcera.

√Č demulcente (emoliente, relaxa e abranda as partes inflamadas).

Mas é para cabelos secos ou oleosos?

Nas Canárias além de aperitivo é considerado um bom remédio para os males da urina, pedras, rins e bexiga, e refrescante para os calores.

Você não odeia quando sua urina adoece? E quantas vezes nós não saímos no meio da noite em busca de uma farmácia aberta para comprarmos remédios para pedras? Eu não gosto de ver pedras sofrerem, sempre achei de mal gosto o começo de Super-Homem IV, que mostra Lex Luthor quebrando pedras a marretadas.

Pelo menos √© “refrescante para os calores”. Todos eles.

Também é utilizado externamente para eczemas.

Essa parte é interessante (não só pela imagem que acompanha, que pode facilmente ser um recorte de uma imagem pornográfica de uma desbarrigada sensualizando) porque fala de uso externo e, em seguida, ensina o modo de consumo Рvia oral.

Como consumi-lo: apenas deixar de molho cinco colheres de alpiste à noite e pela manhã eliminar a água em que ficou de molho, por as cinco colheres de alpiste embebido no liquidificador, enchê-lo com água pura e bater,

ENCHER O LIQUIDIFICADOR? Que receita fabulosa! Quanta atenção aos detalhes!

Naquela mesma p√°gina da universidade mexicana, onde tem dizendo que nunca se encontrou prova de efic√°cia, em um link que citei l√° em cima, encontrei isso aqui:

Etnobotánica y antropología.

La presión alta, en el Distrito Federal, se trata entre otras muchas formas como sigue: se prepara un cocimiento con los frutos, se cuela y se toma como agua de tiempo sin endulzar, solamente por una semana.

Traduzindo: a forma tradicional de consumir alpiste é cozendo-o, coando-o e consumindo-o somente por uma semana. Para tratar pressão alta.

Uai!? E tem que tomar depois de cozinhar? Não era só deixar de molho? E cadê a diabetes? Cadê? Cadê diabetes?

E o que o autor do spam quer? Matar todos n√≥s de super dosagem? Porque no √ļnico lugar onde ele cita o tempo do ^tratamento^ ele fala em “semanas”.

Bah. Tem mais.

o resultado ser√° um leite bem espumoso de suave sabor que √© basicamente uma inje√ß√£o a favor da sa√ļde m√°xima e da forma desej√°vel do corpo, toma-se um copo grande em jejum e outro bem antes de dormir.

Quando eu escrevi esse outro texto, minha intenção era fazer uma paródia justamente de spams desse nível; textos escritos por alguém que mal sabe separar parágrafos, sem revisão e sem senso de ridículo (ou de responsabilidade, mas eu ainda prefiro aplicar a Navalha de Hanlon).

Uma inje√ß√£o a favor da sa√ļde m√°xima e da forma desej√°vel do corpo. √Č tudo o que eu quero agora.

√Č claro que se voc√™ quiser tom√°-la nas refei√ß√Ķes ajuda muit√≠ssimo, no entanto, nunca deve faltar em jejum pela manh√£ e antes de dormir.

Se ajuda muit√≠ssimo, por que a recomenda√ß√£o inicial j√° n√£o √© “se entupa desse caldo amargo e seboso o dia inteiro” desde o come√ßo? QUEM VOC√ä EST√Ā TENTANDO MATAR, SEU SPAMMEIRO SEM CORA√á√ÉO??

Nunca acrescente nem fruta nem a√ß√ļcar, isto est√° proibido

Pausa para citar uma frase do √ļnico fil√≥sofo s√©rio e √ļnico profeta real, Aleister Crowley: “fazes o que queres, pois tudo √© da Lei”.

Continuando:

Nunca acrescente nem fruta nem a√ß√ļcar, isto est√° proibido pois o a√ß√ļcar refinado √© um veneno que mata as enzimas e tudo que √© bom dos alimentos, j√° que √© muito √°cido e nada vivo sobrevive na acidez do a√ß√ļcar refinado.

Amig√£o, enzimas n√£o s√£o vivas, frutas n√£o cont√™m a√ß√ļcar refinado nem este √© veneno, nem √°cido.

A frase √© t√£o filhadaputa que √© at√© dif√≠cil contar quantas coisas est√£o erradas. Por exemplo, se frutas tivessem um veneno que mata “tudo que √© bom dos alimentos”, por que ent√£o seria uma das coisas mais recomendadas por m√©dicos e nutricionistas?

E dizer que a√ß√ļcar refinado, que √© 100% sucrose, n√£o pode √© o mesmo que dizer que sucrose n√£o pode, n√£o √©?

Volte ali na tabela da associa√ß√£o saskatchewense e procure (terceira tabela do lado esquerdo) por “sucrose”. J√° adianto: √© quase 70% do total de a√ß√ļcares no alpiste.

Quanto à acidez, é sabido que esta é medida pela quantidade de H+ ou OH- que uma solução apresenta.

Aquela palavra novamente: “solu√ß√£o”. A√ß√ļcar, at√© onde eu lembre, n√£o √© uma solu√ß√£o, portanto, n√£o pode ser √°cido (ou b√°sico, ou qualquer outra coisa – √© como tentar medir a temperatura de um som).

At√© em solu√ß√Ķes a glucose praticamente n√£o doa nenhum √≠on (numa solu√ß√£o a 10%, menos de uma em cem mil mol√©culas perde um H) e, devido a isso, n√£o altera o pH de coisa nenhuma.

De quando em vez, eu preparo um refrigerante de gengibre (que eu chamo “gengibrerante”) aqui em casa e um dos ingredientes principais √© a√ß√ļcar. Outro que n√£o pode faltar √© fermento biol√≥gico, cujos organismos s√£o os respons√°veis por peidar g√°s carb√īnico na minha bebida, numa prova viva de que a√ß√ļcar n√£o mata. Ou ser√° que s√≥ mata o que n√£o √© vivo?

Falando em √°cidos, o do est√īmago √© bem forte, beirando o pH 1 (quanto menor o pH, mais √°cida a solu√ß√£o). O “√°cido” inexistente do a√ß√ļcar “mata” as coisas boas do alpiste mas o real, inexor√°vel e intranspon√≠vel √°cido clor√≠drico n√£o?

Eu achei tamb√©m em alguns lugares (n√£o muito confi√°veis, mas √© sempre bom usar fogo contra fogo) que alpiste cont√©m √°cidos salic√≠lico e ox√°lico. Mas n√£o, esses √°cidos s√£o do bem, s√≥ o que mata √© o √°cido imagin√°rio do a√ß√ļcar.

Consumir leite de alpiste é uma injeção ou vacina bem forte contra a diabete e qualquer enfermidade gerada por níveis ácidos do corpo,

Esse sujeito (ou sujeita, para ser justo – algumas mulheres conseguem ser burras assim tamb√©m) iguala “inje√ß√£o” a “vacina”. Da√≠ voc√™ tira o n√≠vel intelectual da pessoa. Confunde um m√©todo mec√Ęnico de inser√ß√£o de material com rem√©dio.

Outra coisa: diabetes n√£o √© “gerada por n√≠veis √°cidos do corpo”. Uma coisa que cure um precisaria de muito malabarismo fisiol√≥gico e farmacoqu√≠mico para curar outro.

portanto, é necessário consumir pelo menos dois ou três copos de leite de alpiste diários para assegurar uma figura delgada e um corpo bem sadio, que, claro, conduza a uma mente sã.

Quando for usar a locu√ß√£o “pelo menos”, tenha um valor m√≠nimo bem definido. E se o m√≠nimo forem tr√™s copos, diga logo no come√ßo que s√£o tr√™s e n√£o “um em jejum e outro antes de dormir”, porque isso contabiliza dois. E se beber alpiste conduz a uma mente s√£, acho que o autor est√° se abstendo do leitinho.

E voc√™ notou que tudo isso, toda essa enrolada e inven√ß√£o, depois de tantas imagens, tantas cores, tantos remetentes bloqueados e tantas falsas promessas, eis que surge a inten√ß√£o real do autor? Ele odeia gordos e acha que ser magro e ter a “figura delgada” √© a √ļnica forma aceit√°vel para um ser humano e a √ļnica maneira de ter “um corpo bem sadio” (n√£o sabia que ser sadio vinha em gradua√ß√Ķes).

O nome disso é GORDISMO. Sabe quem mais odiava gordos? Hitler.

Mas que figura delgada! Você deve se entupir de alpiste, não é? Hitler ama você.

Mas ainda me pergunto, ser√° que esse suco do alpiste tamb√©m cura o c√Ęncer de es√īfago que sua casca pode causar? SER√Ā?

Não, não cura. Assim como também não cura diabetes nem cirrose nem nada alegado no spam. Deixe o alpiste para os passarinhos e vamos comemorar num churrasco.

Finalizo esta análise com o recado final do próprio spammeiro: Compartilhe.

P.S. N√£o resisti, precisava colocar esse gif.

Balas de alpiste recarregando seu mijo!

Outros spams destruídos:

Como reconhecer um spam;

Spam dos batons com chumbo;

Spam do camar√£o e da vitamina C;

Spam dos absorvente internos que causam c√Ęncer;

Spam do benzeno em condicionadores de ar de automóveis;

Spam da Doença de Chagas em feijão;

Spam sazonal da gripe suína;

A falsa cura do c√Ęncer desmentida mais rapidamente que eu j√° vi.

Profiss√Ķes do futuro – psican√°lise de sistemas

Psicanalista de sistemas: profissional cuja fun√ß√£o principal √© analisar personalidades e identific√°-las como um transtorno mental espec√≠fico; respons√°vel por planejar e coletar informa√ß√Ķes junto aos usu√°rios, a fim de implantar o n√ļmero de sess√Ķes computacionais por semana; desenvolve tratamentos a partir da psican√°lise de coleta de informa√ß√Ķes, estudando fluxos de consci√™ncia e necessidades de regress√Ķes para propor altera√ß√Ķes de personalidade virtuais, e elabora terapias; implanta mem√≥rias e mant√©m sugest√Ķes, observando defici√™ncia, racionalidade e solu√ß√£o de problemas psicol√≥gicos e eletr√īnicos; elabora manuais de comportamento de m√°quinas.

“Estou compilando sua personalidade”

A psican√°lise de sistemas √© a atividade que tem como finalidade a realiza√ß√£o de sess√Ķes de terapia/compila√ß√£o a fim de encontrar o melhor caminho racional para que a informa√ß√£o possa ser rotulada e executada. Os psicanalistas de sistemas estudam os diversos sistemas existentes entre a inf√Ęncia (tabula rasa – templates), personalidade (instinto animal – libraries), sincronicidade (n√£o-causal ‚Äď conflitos de sistema) e o tratamento final (psicoterap√™utico – execu√ß√£o).

“Todo diagn√≥stico deve ser livre!”

Os profissionais da √°rea s√£o preparados e treinados em procedimentos operacionais padronizados, dotados de conhecimentos do transtorno e tratamento, descrevendo softwares (id), que s√£o executados em hardwares (ego) operados por usu√°rios (superego).

A partir de então a psicanálise de sistemas é uma profissão cujas responsabilidades concentram-se na análise dos arquétipos computacionais e na administração do inconsciente coletivo da Nuvem.

Os comportamentos e personalidades dos usu√°rios e sistemas s√£o desenvolvidos a partir de solu√ß√Ķes que ser√£o padronizadas e transcritas da forma que o paciente possa ser diagnosticado enquanto o programa roda ao fundo.

“Voc√™ precisa reiniciar suas preconcep√ß√Ķes.”

Assim como existe um n√ļmero de pai-nossos e ave-marias relacionado para cada pecado, para cada tipo transtorno existe um n√ļmero de semanas de sess√Ķes.

Símbolos e termos musicais Рuma simplificação didática

Dia desses minha m√£e me ligou perguntando o que exatamente significava a express√£o carreira solo, quando em refer√™ncia a um m√ļsico e, como me √© pouco caracter√≠stico, eu entendi rapidamente o motivo da d√ļvida. Vamos l√° (respirem fundo agora).

Solo, em portugu√™s, significa: “Por√ß√£o de superf√≠cie terrestre; Revestimento sobre o qual se anda; Parte superficial da terra que se pode cultivar ou onde podem crescer plantas; Terreno”.

J√° em italiano, a lingua franca da m√ļsica (de onde obtemos a pr√≥pria express√£o “lingua franca”), solo √© a palavra que designa “sozinho”. Logo, em m√ļsica, “carreira solo” n√£o diz respeito a um deslocamento em velocidade sobre uma superf√≠cie mas a uma escolha profissional solit√°ria, em contraponto a uma “carreira coletiva”. Ou seja, o sujeito tocava/cantava numa banda, saiu e passou a se apresentar sob seu pr√≥prio nome.

Ent√£o, torna-se completamente entend√≠vel que surjam d√ļvidas caso n√£o se esteja familiarizado com as ra√≠zes latinas dos termos musicais.

√Č bom, no entanto, notar que apesar da maior parte dos termos usados em m√ļsica formal serem derivados do italiano, h√° exce√ß√Ķes quando em portugu√™s, que √© em espanhol, e quando em ingl√™s, que √© em franc√™s. Como √© o caso do s√≠mbolo acima; clave e clef, respectivamente.

Outro bom exemplo √© a nota√ß√£o que chamamos de “sem√≠nima”, uma aglutina√ß√£o do italiano semiminima, ou “metade de uma m√≠nima” (que, por ter metade, j√° n√£o √© mais t√£o m√≠nima), que em ingl√™s tem duas vers√Ķes: quarter note, ou “quarto de nota”, designando a metade de uma metade de uma nota que chamamos de semibreve, ou metade de uma breve, que √© a nota mais longa poss√≠vel (fazendo de “quarter note” o quarto de uma nota que n√£o √© a maior), e; crotchet, derivado do franc√™s crochet (de onde tiramos “croch√™”, artesanato t√™xtil semelhante √† renda), que utiliza o termo noire (preta) para a mesma nota, enquanto reserva croche para metade daquela.

A nossa m√≠nima (duas vezes uma sem√≠nima, metade de uma semibreve e um quarto de uma breve), √© conhecida em franc√™s por blanche, ou “branca”. Ent√£o, uma branca equivale a duas pretas. No entanto, a pausa de uma branca √© uma semipausa (demi-pause), um termo descritivo denotando metade de uma pausa de ronde, ou “redonda”. A pausa da preta, por outro lado, √© denominada soupir, ou “suspiro”. Existe ainda o “meio suspiro” (demi-soupir), que √© a pausa do croche, de onde deriva o nosso “colcheia”, enquanto a mesma nota em italiano √© chamada de croma, ou “tremida”, devido, talvez, √† possibilidade de uso em mudan√ßas r√°pidas e curtas, que emulam um tipo de vibra√ß√£o. O que n√£o deve ser confundido com tremolo, que designa vibra√ß√£o de altern√Ęncia de amplitude e n√£o crom√°tica.

círculos das quintas Рo SI da escala cromática

Ali√°s, a palavra “crom√°tica”, como em “escala crom√°tica”, apesar de ser t√£o derivada do Latim quanto croma, n√£o diz respeito a cores, mas ao sistema temperado, que n√£o deriva de tempero no sentido de condimento, mas de temperamento, no sentido de harmonia, pois a escala crom√°tica organiza e divide as notas em conjuntos harm√īnicos chamados oitavas, que n√£o devem ser confundidas com as sem√≠nimas, que correspondem a oitavos das breves, nem com as eighth notes (literalmente, “oitavos de nota”), que s√£o as nossas colcheias e as cromas dos italianos. √Č interessante tamb√©m ressaltar que o “harm√īnico” dos conjuntos acima descritos √© diferente do “harm√īnico” das ondas que formam as notas em si, sendo este definido como “sub-frequ√™ncias do sinal compostas por m√ļltiplos inteiros da fundamental”.

O caso mais confuso, todavia, é o da nossa breve, que, como já aludido, é a nota que menos pode ser descrita como sendo breve.

Na l√≠ngua original (para todos os fins e efeitos, italiano √© a base da l√≠ngua musical original), ela √© conhecida por breve porque era, em tempos medievais, realmente a mais breve das notas, sendo precedida pela longa (duas breves) e pela maxima (ou duplex longa, equivalente a duas longas). Atualmente, por outro lado, as maiores foram extintas das nota√ß√Ķes musicais deixando-as com tal designa√ß√£o completamente equivocada. Mas isso s√≥ √© v√°lido em portugu√™s e italiano (e no russo, que mant√©m a grafia antiga, –Ď—Ä–Ķ–≤–ł—Ā).

duas semínimas

Em espanhol, ela se chama cuadrada, para se diferenciar de sua metade (nossa semibreve) chamada redonda. Ambos, como a maioria das nota√ß√Ķes em espanhol, derivados do franc√™s, onde a palavra carre√©, ademais, √© tamb√©m um sin√īnimo de “pra√ßa”.

Em ingl√™s, a nota de maior valor nominal √© a whole note, ou “nota inteira” que √©, na verdade, metade da maior nota poss√≠vel, que passou a ser chamada double whole note, ou “dobro da nota inteira”.

Concluindo: em notação musical geral, deve-se usar um substantivo em italiano.
A não ser quando uma língua como português usa um termo em espanhol ou em inglês é usado o mesmo que em francês.
Ou ent√£o quando se usa um adjetivo denotando a cor da nota. Menos quando se fala em escala crom√°tica. Ou quando em italiano, onde croma √© sin√īnimo de vibra√ß√£o, de onde vem o portugu√™s “colcheia”, que j√° deriva de franc√™s mas que √© diferente da vibra√ß√£o tremolo.
√Č tamb√©m aceit√°vel utilizar refer√™ncias ao formato ou subdivis√£o aritm√©tica das notas, dependendo do idioma, menos no caso de “oitava”, que n√£o √© nem a metade de 1/4 nem o formato do d√≠gito 8, mas uma subdivis√£o c√≠clica do sistema temperado, mas nunca condimentado, apenas harm√īnico, mas n√£o matematicamente, apenas agradavelmente.

D√° para notar o motivo da d√ļvida, n√£o √©?

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