Eu geralmente n√£o falo sobre tecnologia, mas…

…tamb√©m nunca tinha visto uma micro-bateria feita com v√≠rus.
A notícia original, em inglês:
MIT engineers work toward cell-sized batteries
Só o filé da notícia, em português, tradução minha:

Engenheiros do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) desenvolveram uma maneira de, ao mesmo tempo, criar e instalar micro-baterias com metade do tamanho de células humanas.
Eles conseguiram, com sucesso, montar e testar dois dos três componentes principais de uma bateria. Uma pilha completa está a caminho.
Mais ainda, a técnica não envolve material caro e tudo é feito em temperatura ambiente.
Baterias s√£o compostas por eletrodos opostos, um c√°todo (negativo) e um √Ęnodo (positivo), separados por um eletr√≥lito (meio condutor de cargas el√©tricas). Neste trabalho, o time do MIT criou tanto o √Ęnodo quanto o eletr√≥lito.
Usando uma t√©cnica conhecida como litografia suave (ou nanoimpress√£o), os engenheiros criam v√°rias hastes com quatro ou oito milion√©simos de um metro (micrometro) de di√Ęmetro e na extremidade delas depositam v√°rias camadas de dois pol√≠meros que agem como um eletr√≥lito s√≥lido e um separador de bateria.
Durante essa etapa, entram os v√≠rus, que t√™m uma prefer√™ncia em se auto-organizar sobre as camadas de pol√≠mero, formando os √Ęnodos.
Eles fazem isso pois tiveram seus genes alterados para produzir uma coberta de prote√≠nas que captura mol√©culas de √≥xido de cobalto, formando fios ultra-finos que, juntos, formam os √Ęnodos.
O resultado final: um selo de hastes min√ļsculas, cada uma coberta com camadas de eletr√≥litos e o √Ęnodo de √≥xido de cobalto. Em seguida, o selo √© virado e a combina√ß√£o de eletr√≥lito/√Ęnodo √© transferida para uma estrutura de platina que, junto com folhas de l√≠tio, √© usada para testes.
A conclus√£o da equipe √©: o conjunto resultante de eletrodos exibe funcionalidade eletroqu√≠mica completa¬Ļ.
O próximo passo agora é desenvolver o cátodo com esse método de criação viral.
O grupo também está interessado em integrar essas baterias a organismos biológicos.

Isso aí pode vir a servir para diminuir o tamanho de implantes que necessitem de energia elétrica para funcionar, como marcapassos.
Legal!
=¬¶¬§√ĺ
¬ĻN.T. Ou seja, uma pilha que funciona.
P.S. n√£o costumo falar em tecnologia porque sou um velho rabugento.

Memória Falsa

Memória, em geral, é pouco confiável.
Segundo uma pesquisa, se eu disser, por exemplo, que celulares n√£o causam explos√Ķes em postos de gasolina e explicar o motivo e que isso √© s√≥ uma lenda urbana, amanh√£, a maioria dos meus leitores iram lembrar firmemente de uma explica√ß√£o sobre celulares e explos√Ķes e da lenda j√° fortemente enraizada e iram esquecer do conte√ļdo onde eu diria que um n√£o causa o outro.
Humm…
Como disse George Constanza, se você acreditar, não é mentira.
Uma pessoa pode elaborar uma mentira conscientemente e passar a contá-la repetidamente a ponto de passar a acreditar na própria invenção.
Semelhantemente, um sujeito pode ouvir uma estória tantas vezes que passa a achar que fez parte da ação e adquire aquilo como memória própria.
Um sonho pode ser confundido com memória (já aconteceu comigo e causou uma situação pior que filme de confusão). Nem precisa ser tão vívido, basta ter passado tempo suficiente e a lembrança vir à tona com força.
Eu li um estudo que sugeria que quanto mais velho se fica, apesar da memória piorar, a certeza de se está sempre certo aumenta. Ou seja, pessoas mais velhas tendem a achar que suas memórias essão ótimas e mais corretas quando a verdade é que elas estão mais falíveis.
Coincidentemente, enquanto escrevo isto, acabo de me dar conta de uma memória alterada minha:
No filme Os Fantasmas Se Divertem (Beetlejuice, 1988), há uma cena onde os donos da casa, já mortos, tentam assustar os novos moradores, deformando os próprios rostos (eles são fantasmas e podem fazer o que quiserem fisionomicamente).
Eu sempre achei pessoas narigudas parecidas com o que a mulher do casal (Geena Davis) se torna quando se deforma. Ela puxa o nariz para a frente e o topo da cabeça para trás:
narigudo
Ou assim achava.
Ao procurar essa foto para mostrar a um amigo que perguntava sobre narigudos, me dei conta de que quem faz isso é o homem do casal (Alec Baldwin).
A mulher, na verdade arregaça a boca e joga os olhos lá para dentro:
davis
Não sei quando deformei esse dado dentro do meu cérebro, mas faz tempo (sei que foi em algum momento entre ter visto o filme pela primeira vez e me preparar para este artigo).

beleza rara

beleza rara


Já não tão coincidentemente assim (esse tipo de coisa me acontece todos os dias, eu só estou registrando agora por estar escrevendo sobre), ontem eu estava procurando uma chave de teste para saber se meu chuveiro estava dando choque sem precisar arriscar meus elétrons e a integridade das minhas proteínas.
Enquanto procurava dentro das in√ļmeras caixas de ferramentas que tenho, ia fazendo uma imagem mental da chave dentro da caixa em que mexia, criando uma mem√≥ria da ferramenta ali dentro, quase vendo a danada.
E isso me acontece sempre!
Vou procurar algo que esteve (ou não) ali onde procuro e fico praticamente vendo o objeto procurado se materializando etereamente na minha frente, só para sumir depois da busca infrutífera.
Auto-implantação de memórias falsas podem ocorrer também devido a desinformação ou confusão.
Basta alguém entender errado uma informação ou confundir dois dados distintos e pronto, a lembrança se fixa de revestrés.
Numa discuss√£o entre duas pessoas sobre “voc√™ disse isso porque eu ouvi e eu n√£o estou doido!”, ambas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo, pois suas mem√≥rias podem estar em disson√Ęncia com a realidade, mas nenhuma est√° mentindo deliberadamente, apenas desconhecem a vers√£o real dos fatos.
A especialista em Psicologia da Memória, Memórias Falsas e Relatos de Testemunhas Oculares Elizabeth Loftus escreveu um artigo muito interessante sobre implantação de falsas memórias em suas pesquisas e o psicólogo Joseph Green da Universidade de Ohio realizou pesquisas extensas sobre hipnose e descobriu que, mais que recobrar memórias perdidas, esse método cria falsas memórias, especialmente em pessoas muito sugestionáveis.
Mais sobre memória pode ser encontrado no dicionário do cético.
E curiosidades sobre o cérebro e seu funcionamento (e coisas divertidas) podem ser achados em O Cérebro Nosso de Cada Dia.
Nosso cérebro é uma máquina fantástica, mas nem sempre. Cuidado!

Fe²

Procurando alguma relação entre deficiência de ferro e metabolismo lento (não achei entre eles, mas existem sintomas que podem ser causados por esses dois fatores independentemente), fui lembrado que esse tipo de anemia pode causar fadiga e descobri que outros sintomas incluem tonturas, sensação de frio e irritabilidade.
Ferro pode ser ferroso ou férrico.
O f√©rrico √© insol√ļvel em √°gua e tem propriedades magn√©ticas (√© atra√≠do por √≠m√£s), enquanto o ferroso √© hidrossol√ļvel e n√£o √© influenciado por campos magn√©ticos e √© o tipo de ferro encontrado em nosso sangue (portanto n√£o adianta dormir num colch√£o magn√©tico para alinhar as energias, porque o sangue n√£o vai nem saber que tem um √≠m√£ ali perto).
Quando o ferroso √© exposto ao ar (com oxig√™nio), ele oxida e vira f√©rrico, por isso que sangue quando seca na camisa fica amarelo, possibilitando o in√≠cio da vingan√ßa da fam√≠lia da v√≠tima¬Ļ (a goteira de uma torneira pingando vai, eventualmente, deixar uma mancha de ferrugem na pia, pois a √°gua com ferro dissolvido vai evaporar, expondo o material ao ar, transformando-o em ferro f√©rrico, amarelo-avermelhado, que mancha a porcelana).
A hemoglobina (prote√≠na presente nas c√©lulas sang√ľ√≠nea) cont√©m ferro ferroso dissolvido, que se liga com mol√©culas de oxig√™nio (aqui n√£o ocorre oxida√ß√£o pelo fato do ferro estar dissolvido), transportando-as por todo o corpo.
Quando com anemia (falta de ferro no sangue), o indivíduo se sente cansado devido aos órgãos não estarem recebendo suprimento suficiente.
Alimentos que contém ferro (fígado, feijão, espinafre, ovo, brócolis) devem ser consumidos conjuntamente com alimentos contendo vitamina C (frutas ácidas, pimentão, couve, ervilha), pois esta potencializa a absorção daquele.
Contrariamente, alimentos ricos em c√°lcio (leite e derivados, sardinha, castanha) devem ser consumidos separadamente, de prefer√™ncia em refei√ß√Ķes diferentes, pois c√°lcio afeta a absor√ß√£o do ferro.
Ou seja, tome café-da-manhã com leite, pão com manteiga, queijo e cereais, almoce feijão com arroz, fígado, salada de espinafre e suco de caju e jante um ovinho no pão com café (café também diminui o efeito do ferro, mas um dia sem café é um dia perdido).
√Ē fome!
¬ĻAssistam a Abril Despeda√ßado e entendam.

Receita de sorvete

1 medida qualquer de suco de fruta
1 outra medida arbitr√°ria de a√ß√ļcar (ou leite condensado, ou isso + creme de leite)
1 certo tanto de leite (ou n√£o, talvez baste a aquosidade do suco, se bem que pode ser um suco ao leite. Huumm…)
Agora, a parte importante: o preparo.
Sorvete só é sorvete (macio e molinho, de comer com a colher) porque a estrutura microscópica permanece assim; pequena demais para ser vista.
Ninguém gosta (estou extrapolando da minha própria experiência) de quebrar um dente numa pedra de gelo perdida dentro da bola gelada de gostosura e delícia.
Para que tais blocos de √°gua congelada n√£o se formem, eles precisam ser quebrados enquanto ainda s√£o pequenos¬Ļ, deixando-os do menor tamanho poss√≠vel. E isso √© feito mexendo a mistura, ou constantemente (numa sorveteira) ou vez por outra (usando o m√©todo de deixar no freezer pelo resto da noite).
Quanto mais for misturado enquanto congela, menores ser√£o os flocos de gelo. E quanto menores eles, melhor ser√° a textura do sorvete.
Mexer também acrescenta ar à massa, o que deixa a sobremesa ainda mais leve e prazerosa de se comer (dá menos trabalho, aumentando o custo-benefício).
O sorvete ainda cont√©m muito l√≠quido (na forma de solu√ß√£o de √°gua e a√ß√ļcar), que serve de liga para segurar o gelo e o ar e os peda√ßos de fruta e as outras coisas que v√£o nele
Outro método interessante é aumentar a velocidade de congelamento, pois quanto mais lento for o congelamento, mais tempo os cristais de água terão para aumentar de tamanho.
Eu vi uma receita de sorvete com nitrog√™nio l√≠quido (cento e noventa e poucos graus cent√≠grados negativos), que congela a mistura instantaneamente (nem tanto, demora um meio segundo), deixando a textura inacreditavelmente suave e ‚Äúsoltinha‚ÄĚ, como diz minha m√£e.
Fora isso, o negócio é mexer loucamente.
A mesma coisa acontece com pedra.
Quando lava endurece lentamente, grandes cristais têm tempo de se formar (como no caso do granito), mas quando esfria rapidamente, como quando dentro d’água, forma rochas ígneas com material vítreo (vidro, basicamente).

Quanto mais lentamente for o esfriamento, mais dura ser√° a rocha (assumindo materiais com composi√ß√Ķes semelhantes).
Já foi inclusive sugerido que sorvete é um tipo de rocha ígnea.
E por falar em vidro (que não é um líquido ultraviscoso como meu professor de História disse, mas um sólido amorfo, que se solidifica sem cristalizar:

a linha vermelha representa a transição de um material normal (como gelo), onde o X aponta o ponto de fusão. A linha verde representa a transição suave do vidro, onde não há ponto de fusão.

a linha vermelha representa a transição de um material normal (como gelo), onde o X aponta o ponto de fusão. A linha verde representa a transição suave do vidro, onde não há ponto de fusão.


), eu j√° achei um peda√ßo de vidro dentro do meu sorvete e fui trocar, a√≠ o balconista voltou dizendo “agora pode comer sem receio”.
?
Tirou a primeira bola do cont√™iner rotulado “cont√©m vidro”? Catucou meu sorvete? Passou numa peneira? Raios-X? C√£o farejador?
Acabei tomando (!) de todo jeito. Era sorvete de jabuticaba.
¬Ļlembrei da piada do cara que √© atropelado por um trem, se recupera, vai passear, v√™ um ferrorama numa vitrine e o destr√≥i, dizendo: “esse bicho √© perigoso, tem que matar enquanto √© novo!”

Cheiro-Verde

Lembrei!

Sinestesia (subs. fem.)
Psicol. Relação subjetiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertença ao domínio de um sentido diferente.

Eu sabia o que era sinestesia at√© ler essa defini√ß√£o no Aur√©lio. Acess√≠vel? Acho que n√£o…
Bom, explicando melhor, sinestesia é sentida quando um estímulo sensorial (um cheiro, por exemplo) causa outro diferente (uma cor).
Existem pessoas que vêem cores quando escutam certas notas musicais, outras que sentem gostos quando escutam palavras específicas, etc. A relação é sempre fixa. Se um sinesteta vê um tom de azul quando escuta uma nota ré, sempre que ouvir a mesma nota, verá a mesma cor.

Isso aqui...

Isso aqui...


…experimentado por um sinesteta…
...vira isso.

...vira isso.


Qualquer um dos sentidos pode se interligar a qual(is)quer outro(s) e até maneiras de perceber algo podem se misturar.
Exemplo mais próximo que eu tenho: um primo meu vê cada dia da semana com um tom de cor diferente (as quintas-feiras são manchadas de azul, os domingos são cinzentos).
H√° pessoas que v√™em letras e n√ļmeros com cores distintas
alfab
E outras que enxergam as palavras com a cor de uma letra predominante (geralmente a primeira letra d√° a tonalidade da palavra).
Antes de continuar, por favor notem a falta de links e corroboração. Eu estou escrevendo a maioria disto de memória (que não é 100% confiável em ocasião alguma) por já ter lido e pesquisado muito sobre o assunto, inclusive para um trabalho de faculdade.
MAS
Não tomem tudo que tem aqui como verdade. Eu não mentiria de propósito, mas posso estar enganado no que estou dizendo.
Se acharem o assunto interessante, pesquisem e procurem por fontes confi√°veis (publica√ß√Ķes com revis√£o-por-pares √© o melhor caminho).
Continuando.
H√° quem sinta o cheiro de uma textura, uma veja uma luz quando pensa em √°gua suja.
Aparentemente, limite n√£o existe. Se pode ser vivido, por ser confundido.
O mecanismo não é bem entendido, não se sabe ao certo porquê o cérebro fica ligado com os fios trocados.
Exames de resson√Ęncia magn√©tica funcional mostraram que √°reas do c√©rebro de sinestetas se confundem e respondem a est√≠mulos errados (no caso som-cor, quando uma nota √© tocada, tanto a √°rea que corresponde √† aquisi√ß√£o do est√≠mulo sonoro quanto a da vis√£o acendem).
Especula-se (hoje √© meu dia de ser vago e inconclusivo) que, al√©m da predisposi√ß√£o gen√©tica, influ√™ncia externa durante a inf√Ęncia contribui para o fen√īmeno.
Salas de alfabetiza√ß√£o em escolas geralmente exp√Ķe as letras do alfabeto nas paredes. Se um dos estudantes j√° apresentar o defeito, pode aprender a associar as letras √†s cores (como na figura acima, o A sendo vermelho, o B amarelo, etc).
Sentir gosto de presunto quando falam em presunto não é sinestesia, é condicionamento.
Só se torna sinestesia se for sempre e com a mesma intensidade, independente do tipo (peru, chester, suíno, defumado, parma, podre).
(Valeu Felipe!)
Eu tenho sinestesia adquirida (ou seja, n√£o tenho sinestesia, estou inventando moda).
Por causa da minha linha acadêmica (mexo com som, basicamente), eu desenvolvi um sistema de identificação de certos tons e ruídos que me ajudam a achar problemas mais rapidamente.
Eu associo um barulho numa caixa de som gerado por falta de aterramento, por exemplo, com o fundo da minha garganta. Um ruído muito semelhante, mas causado por interferência elétrica, está no meu céu-da-boca.
Um ru√≠do branco (barulho de TV fora-do-ar) √© uma sensa√ß√£o na l√≠ngua parecida com aquelas balas que “explodem”.
Ruído rosa, muito parecido com o branco mas com a quantidade de energia diferente (tecnicalidades) é mais pra cima, entre as bochechas.
Oitocento hertz é bem docinho enquanto 14kHz é gelado.
Não nasci com isso, nunca tive sinestesia, mas sou estranho o suficiente para conseguir fazer isso quase sempre (também sei espirrar com os olhos abertos e estou treinando para lamber meu cotovelo e morder minha testa).
Edição:
Tem um filme da BBC sobre isso, chamado Derek tastes of earwax (Derek tem gosto de cera de ouvido), deve ter no youtube.
Bom para quem sabe inglês, não sei se existe traduzido.

O que importa é a aparência

Hoje eu ia falar sobre Rorschach e suas manchas de tinta:

Isso aí é ou Mestre Splinter ou um bico de mangueira.

Isso aí é ou Mestre Splinter ou um bico de mangueira.


Mas desisti.
Lembrei que da √ļltima vez que tinha pesquisado sobre esse m√©todo, tinha ficado confuso, pois a efic√°cia √© bastante contestada e pol√™mica.
Aí eu lembrei de outro tipo de mancha, bem mais cientificamente aceitável:
Eu vejo 42.

Eu vejo 42.


Quando eu era criança, me explicaram daltonismo de um jeito que parecia que as pessoas trocavam as cores (geralmente verde e vermelho), mas não é isso que ocorre.
Um dalt√īnico n√£o acha que uma graviola √© vermelha ou uma acerola √© verde, pois enxerga as duas como tons de amarelo (ou at√© cinza). Eles podem confundir essas duas cores quando elas est√£o lado a lado, pois elas ficam muito parecidas, mas n√£o trocam de posi√ß√£o.
exemplo de deuteranopia visual

exemplo de deuteranopia visual


Existem vários tipos de cegueira cromática (vide link, não vou me aprofundar muito aqui), a total, visão monocromática (ou acromática), sendo mais rara (pessoas com esse tipo de deficiência são chamados de monocromatas).
A causa dessa situa√ß√£o √© o mal-funcionamento dos receptores (cones e bastonetes) da retina, geralmente de ordem gen√©tica e cong√™nita (desde o nascimento), mas podendo ser provocada por les√Ķes cerebrais, nos nervos, ou nos olhos (o que acaba dando no mesmo, como um vazamento na caixa d’√°gua, no cano ou na torneira, s√≥ mudando o tamanho do dano).
Quando é genético, se manifesta no cromossomo X.
Para um homem (XY) ser discromat√≥psico (√ī nome massa! Dif√≠cil da primeira vez, escorre pela l√≠ngua da segunda em diante), basta ter o X errado. Uma mulher (XX), no entanto, precisa ter os dois X’s recessivos, o que torna muito mais dif√≠cil mulheres nascerem assim, mas n√£o imposs√≠vel, como diziam quando eu era inocente (das mesmas bocas tamb√©m saia que mulheres n√£o tinham ataques card√≠acos).
Toda mulher dalt√īnica tem, necessariamente, pai dalt√īnico.
Humm…
Deu vontade de escrever sobre sinestesia.
Acho que as cores nesse teste me deram fome.
Tenho um primo que sabe que é quinta-feira pelo tom de azul que o mundo toma (acho que já disse isso).
Legal.

Cérebro congelado

N√£o s√≥ h√° in√ļmeras pesquisas sobre aquela dor de cabe√ßa que sentimos quando tomamos sorvete depressa demais (de verdade!) como existe um nome todo cheio de onda para isso: ganglioneuralgia esfenopalatina.
Esfenopalatino, até onde eu sei (e tive paciência para descobrir), é uma artéria que vai do palato (céu da boca) até o cérebro.
palato
Ganglioneuralgia √© uma dor nos nervos (neuralgia √© uma dor que se estende ao longo dos nervos e g√Ęnglio √© um aglomerado de neur√īnios).
Puxa, que preguiça.
Nunca tive tanta indisposi√ß√£o para finalizar um artigo…
Se voc√™s est√£o lendo isso √© porque eu desisti e n√£o voltei. Sen√£o, a entrada vai ser √≥tima e eu preciso me lembrar de tirar essas linhas…
A melhor maneira para curar a bicha (informação irrelevante, porque a dor dura menos de um minuto normalmente, e fazer qualquer outra coisa nesse meio-tempo só desvia a atenção, dando a impressão de que a dor sumiu mais rápido, mas até que faz certo sentido) é esfregar a língua no céu de boca, usando a fricção para esquentar a área defeituosa.
Defeituosa (temporariamente, pelo menos) porque o enc√©falo acha que est√° literalmente congelando (outra informa√ß√£o sem conte√ļdo, porque pode muito bem ser outra coisa completamente diferente, mas eu vou continuar com essa que √© legalzinha e boa de contar em jantares sociais) e manda a mensagem de dor para que o dono da cabe√ßa fa√ßa alguma coisa (como abrir a abd√īmem de um tauntaun e enfiar a cabe√ßa dentro).

Toddy Light

Hoje eu acordei com vontade de roubar re-publicar algo dos outros (novamente).
Visitando o blogue “nutricional” da Francine Lima, achei uma entrada √≥tima!
Light uma ova?
Começa com uma carta de uma consumidora esperta sobre a diferença calórica entre achocolatados, um tradicional e outro light.

Toda tabela nutricional traz o teor de nutrientes e calorias em uma determinada por√ß√£o. Numa bebida, pode ser de 200 ml. No caso do achololatado vers√£o Original, a por√ß√£o de refer√™ncia √© de 20 gramas, ou duas colheres de sopa. Para uma compara√ß√£o honesta, dois produtos semelhantes devem usar tabelas nutricionais que se baseiem numa mesma por√ß√£o. Mas a Pepsico, grupo multinacional ao qual pertence a marca Toddy, preferiu fazer diferente. Colocou no r√≥tulo do Toddy Light uma tabela baseada na por√ß√£o de 10 gramas, a metade da usada na vers√£o original. O consumidor desavisado (n√£o √© o caso da leitora em quest√£o) v√™ l√°: 37 calorias no Light contra 80 calorias no Original. E pensa: ‘nossa, o Light √© muuuuito menos cal√≥rico!’ Mas pense assim: se o cidad√£o colocar uma s√≥ colher de Toddy Original no seu leite, em vez de duas, ter√° 10 gramas de achocolatado e 40 calorias adicionadas ao do leite. Se colocar a mesm√≠ssima quantidade de Toddy Light no mesm√≠ssimo leite, ter√° 37 calorias. S√≥ tr√™s calorias a menos. Tr√™s! Ou seja, os dois produtos s√£o praticamente iguais em termos de teor cal√≥rico!

Depois a empresa tenta se justificar usando matem√°gica:

De acordo com a Portaria 27/ 1998, para considerar um produto como “com reduzido valor energ√©tico”, 100ml do produto pronto para o consumo deve apresentar diferen√ßa maior que 20 kcal/100ml e redu√ß√£o m√≠nima de 25% do valor energ√©tico total. Se o valor energ√©tico de 200ml de Toddy Tradicional preparado com leite desnatado √© 148 kcal, em 100ml temos 74 kcal. No Toddy Light, o valor energ√©tico de um copo de 200ml de leite com o achocolatado √© de 106 kcal, ent√£o em 100ml √© 53kcal. Assim, temos:
Redução calórica em valor: 21 kcal/100ml (74kcal Р53kcal)
Redução calórica em porcentagem: 28 % [100 Р(53*100 ÷ 74)]

Visitem o blogue da menina, n√£o s√≥ por recomenda√ß√£o minha (muito bom, eu recomendo! =¬¶¬§√ĺ), mas tamb√©m porque √© realmente interessante o ponto de vista dela (e a pontua√ß√£o e a gram√°tica e a concord√Ęncia).

Passeio radical

Enquanto procurava umas fotos para usar num novo projeto do qual faço parte (com o objetivo de dispersar ciências), achei isso aqui:
bicicletas
bicib
bicc
Uma montanha-russa na qual os carrinhos s√£o pedalados como bicicletas!!
Loucura assim só podia ser japonesa!
Certo?
Nem tanto.
A página onde achei isso é esta aqui.
A fonte do autor √© uma tradu√ß√£o eletr√īnica autom√°tica de uma p√°gina em japon√™s.
Mas e as fotos?
O que mais me intrigou aí foi a primeira foto, onde aparece uma criança pedalando e um carrinho com uma só pessoa, ambos muito juntos.
E se a pessoa do carrinho de tr√°s pedalar mais r√°pido? Durante uma descida, haveria uma colis√£o.
Japoneses podem ser doidos, mas lá também se pratica a arte do Processo Legal.
Decidi investigar e nem precisei de tanto tempo, gra√ßas aos links multil√≠ng√ľes do youtube achei um v√≠deo cobrindo boa parte do passeio:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=e8MjDE0-C9k]
O passeio, que parece ser divertido mesmo, é legítimo, bem como as fotos.
O problema foi a tradu√ß√£o e os √Ęngulos (e a pregui√ßa do primeiro autor), que fazem parecer que todos aqueles trilhos fazem parte do mesmo percurso, quando na verdade o passeio nos carrinhos pedalados √© numa superf√≠cie plana e todas aquelas descidas e loops fazem parte do caminho de uma montanha-russa de verdade, com seguran√ßa, espa√ßo entre os carros e tudo mais, completamente separado do primeiro.
mont
O nome do neg√≥cio √© skycycle, caso algu√©m queira mais informa√ß√Ķes, porque para mim j√° basta o que aprendi hoje.
Eu faria o passeio, a vista é bonita.
Se algum de vocês descobrir onde fica (tenho nem certeza se é no Japão mesmo), me avise.
=¬¶¬§√ĺ
p.s. n√£o √© que eu duvide de tudo, eu apenas desconfio das coisas…

Resumo OS X

Fim-de-semana.
Eu n√£o escrevo nos fins-de-semana, mas tem gente que vem aqui dar uma lidinha no que eu disse durante a semana.
Para tais indiv√≠duos, eu fa√ßo compila√ß√Ķes (√© nessa hora que voc√™s se sentem apreciados e ruborizam por eu lhes dar aten√ß√£o)!
Sem mais delongas (fora essa √ļltima frase, esta aqui e a pr√≥xima), vamos aos links.
Começando pelo começo, a antologia completa desse arrumado:
Primeira tentativa – ressaca, l√°pis, terremoto e fotos;
Segundo round – m√ļsica, pol√™mica, luz e coincid√™ncias;
Terceiro reich Рmosquitos, formigas, sabão e atração;
Quarto movimento – nomes, vid√™ncia, jogatina e alucina√ß√Ķes;
Quinto colocado Рsonar, álcool, relógios e trens.
Agora, os “novos”:
O peso (e as medidas) das coisas;
Decapodes ajudando a produzir o pr√≥prio habitat (fez sentido na minha cabe√ßa…);
Divulgação nem sempre é uma coisa boa (ou pelo menos nem sempre é bem feita);
Como fazer uma professora de prim√°rio tremer (sem precisar sacudir mecanicamente);
√Āgua suja, desmatamento, coloniza√ß√£o, idiotas e seus filmes (√© sobre o meio-ambiente n√£o, podem ler sem abuso);
Da umidade da legislação (e da aferição de medidores);
E por enquanto √© isso a√≠ mesmo…
Posso escrever muito n√£o e j√° me alcancei.
Acho que outro apanhado destes só ano que vem.

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