Duas horas dentro de um supermercado. Infernal.

Sou uma criatura que odeia aglomera√ß√Ķes de pessoas como shoppings lotados e etc. Se eu pudesse, compraria at√© p√£es pela internet.¬†Mas como isso n√£o √© poss√≠vel, sou obrigada a gastar minha sa√ļde em caldeir√Ķes infernais chamados supermercados.

Nesta sexta-feira, sa√≠mos de casa mais cedo (Panaggio e eu), para fazer compras no supermercado mais “barato” pr√≥ximo da nossa casa: o Wal-Mart do Shopping Dom Pedro, aqui em Campinas.

Chegando lá, meu namorado e eu, encontramos vários produtos na promoção e enchemos o carrinho. Entretanto, ao passar pelo caixa, a surpresa: 4 itens com preços errados. Eu achava que o supermecado lotado era o inferno, mas foi aí que o caldeirão ferveu.

√Č direito do consumidor, caso haja discrep√Ęncia entre o valor da etiqueta e aquele passado no caixa, o pagamento do menor valor apresentado.

Um gerente do loja disse que ter√≠amos todo o nosso dinheiro gasto com aqueles produtos com pre√ßos incorretos devolvido. Mas a mo√ßa do atendimento se recusou a devolver na aus√™ncia do gerente (que nos deixou ao relento e foi resolver “coisas mais importantes que n√≥s”).

Passamos mais de uma hora para resolver o problema dos preços errados e procurando o gerente dentro do supermercado, até ele ser anunciado e mandar outro gerente no lugar para tentar resolver nosso problema.

Veja bem, quase 90% da minha compra de supermercado são produtos congelados. Eu não tenho tempo para cozinhar, portanto, eu como essas coisas todas que nós colocamos no freezer e depois esquentamos no microondas.

Depois deste tempo todo esperando um outro gerente resolver o nosso problema, adivinha o que aconteceu com a nossa comida? Derreteu, óbvio. Um calor infernal, um shopping lotado feito fila do bandejão, só podia dar nisso.

Eu passei este tempo todo buscando meu direito de consumidora e de brinde perco aquilo que paguei?

Exigimos que todas as nossas compras derretidas fossem trocadas por outras. E foram, finalmente. Junto com elas, recebemos R$16,00 que gastamos comprando coisas com preços diferentes daqueles apresentados nas prateleiras.

Sempre conferimos a nota fiscal antes de seguirmos para casa, e mesmo que a diferen√ßa seja de R$0,10, pedimos nosso dinheiro de volta. √Č um direito nosso.

Para nós que compramos um item apenas, a diferença parece pequena, mas para as pessoas que compram 100 itens com a diferença de R$0,10, são R$10,00 de prejuízo! Logo, me sinto no dever de zelar pela compra de outras pessoas, afinal, gostaria que elas fizessem o mesmo por mim.

Agora, o Mr. Wal-Mart que jura ser uma empresa preocupada com o meio ambiente, al√©m de ensacar minhas compras em outros estabelecimentos com outra sacola pl√°stica para evitar roubos (assunto para outro post) ainda me faz desperdi√ßar comida e meu precioso tempo? Fa√ßa-me um favor…

Rapidinha Curiosa da Semana: Rios Voadores

Ventos al√≠sios (que alisam a superf√≠cie terrestre) vindos do Oceano Atl√Ęntico, ficam mais √ļmidos quando passam pela floresta Amaz√īnica. Isto ocorre devido a grande quantidade de terpenos liberados pela floresta, que juntamente com a grande concentra√ß√£o de radia√ß√£o incidente na regi√£o formam n√ļcleos de condensa√ß√£o, consequentemente, nuvens!

Ao passar pela floresta, os ventos √ļmidos seguem em dire√ß√£o ao Chile e batem no imenso pared√£o da Cordilheira dos Andes. Este “choque” direciona a chuva para o interior do continente fazendo com que estas regi√Ķes tamb√©m recebam chuvas, as quais n√£o chegariam na mesma concentra√ß√£o se o relevo da Cordilheira n√£o fosse o que conhecemos atualmente e se a floresta n√£o existisse ali. Mais um ponto para a Floresta Amaz√īnica!

Mas, por que Rios Voadores?

Nesse esquema todo s√£o transportados em torno de 3000m3 de √°gua, volume maior que a vaz√£o do Rio S√£o Francisco.

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Rapidinhas de per√≠odos de prova na Unicamp, a gente v√™ por aqui. ūüėČ

Rastro de Carbono de cara nova!

Tenho certeza que todos voc√™s j√° perceberam que a rede Science Blogs Brasil ficou mais chique e digna nas √ļltimas semanas!

Para fazer jus a novidade, estreamos também de cara nova e com um plano de fundo digníssimo que ganhamos de presente da premiada artista plástica Flor Dias.

Além da arte do Photoshop e dos desenhos vetoriais, a Flor também tira fotos lindas das chamadas Bonecas Blythe.

Vocês podem conferir o trabalho dela no Flickr: www.flickr.com/hanakosu

Obrigada Flor, pelo presente!

 

 

 

Carona, quem nunca pegou?

Recentemente encontrei um “servi√ßo” que tem me ajudado muito na vida universit√°ria. A carona.

Desde décadas passadas que universitários, com grana ou não, aproveitam movimento das cidades universitárias para arranjar aquela vaguinha no carro alheio para voltar para suas cidades natal.

O fato é que as caronas facilitam muito a vida dos universitários, tanto no quesito financeiro quanto no quesito praticidade. Mas todas essas vantagens se esbarram no grande problema da segurança das cidades universitárias.

Foi pensando neste problema que um grupo de alunos aqui da Unicamp criou o Unicaronas, um site onde apenas alunos das principais universidades do país podem compartilhar suas caronas para casa.

Quem tem carro oferece caronas, quem não tem também pode se inscrever para procurar sua vaga.

As caronas s√£o pagas, mas nem se compara ao pre√ßo que pagar√≠amos para chegar de √īnibus, mesmo que a uma cidade pr√≥xima da universidade. Sem contar a comodidade de sair da porta da universidade e ser deixado no lugar combinado.

Por cima, eu por exemplo, gastaria para sair da Unicamp e chegar na casa dos meus pais:

R$20,00 e aproximadamente 2h de viagem – via transporte p√ļblico

R$40,00 e aproximadamente 40min de viagem Рvia carro próprio

Via carona eu gasto R$10,00 e 40min de viagem.

O sistema do Unicaronas é muito fácil de usar e recentemente estreou com uma cara nova: www.unicaronas.com.br. Confira se sua universidade participa da rede e aproveite a oportunidade de conhecer pessoas novas e economizar uma graninha no final do mês.

Vale lembrar que mesmo com um sistema que facilite e aumente a segurança das caronas, devemos tomar muito cuidado nas escolhas, para não cair numa fria sem volta.

‘Unicaronas √© mais amigos e menos polui√ß√£o, menos engarrafamentos e menos dores de cabe√ßa com o transporte p√ļblico med√≠ocre da sua cidade.’

twitter: @unicaronas

Parques flamejantes de inverno

A cada ano que passa, basta chegar o inverno, que os noticiários já exibem as perdas devido a seca e os consequentes incêndios ocasionados pela irresponsabilidade humana aliada à baixa umidade do ar.

Durante esta esta√ß√£o do ano, as regi√Ķes Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil s√£o as mais castigadas pelas doen√ßas respirat√≥rias e queimadas ocasionadas pela seca. Chove pouco neste per√≠odo e vai ser nesta √©poca que aquele seu vizinho que adora atear fogo em mato seco vai fazer seu ritual anual. E ele acha que tem controle sobre o fogo que ateia, mas na verdade, n√£o tem.

No ano passado, relatei em outro blog, um dos mais tristes ‚Äúincidentes‚ÄĚ ambientais brasileiros devido √† seca, o inc√™ndio no Parque Nacional da Serra da Canastra, que abriga nada mais nada menos que a Nascente do Rio S√£o Francisco. Sim, aquele que nasce no sul de Minas e des√°gua no mar l√° em Sergipe.

O Parque Nacional da Serra da Canastra tem aproximadamente 71. 525  hectares e engloba parte do território de 3 municípios:  Sacramento, São Roque de Minas e Delfinópolis no sudoeste da minha querida Minas Gerais.
O parque está localizado predominantemente no Bioma Cerrado e como tal, além da nascente do Velho Chico abriga diversas espécies de animais selvagens como:

O Veado-Campeiro, vulnerável à extinção:

O Tamanduá-Bandeira, também vulnerável quanto ao seu estado de conservação:

O Pato-Mergulh√£o, em perigo cr√≠tico de extin√ß√£o, dentre outras importantes esp√©cies da fauna brasileira. Sem contar a riqueza da flora regional, que comp√Ķe uma linda paisagem muito requisitada por turistas.

Falemos então, da vegetação daquela região.

O Cerrado apresenta duas esta√ß√Ķes do ano bem definidas: o inverno seco e o ver√£o chuvoso. Na regi√£o do parque, na ocasi√£o do inc√™ndio, n√£o chovia h√° quase dois meses e isto facilitou muito a dispers√£o dos focos de inc√™ndio.

Então no dia 26 de Agosto de 2010 surgiram os primeiros focos de incêndio no parque, e já no dia 31 mais de 40% da reserva já havia sido tomada pelo fogo. O laudo da perícia concluiu que o incêndio foi criminoso e que foram encontradas pegadas humanas formando uma trilha entre a área de origem de um dos focos e a floresta ao norte do parque.

Desde a sua criação, a Serra da Canastra sofre com a ação de fazendeiros que desejam ver a reserva fora de questão. No ano de 2006, ocorreu o maior incêndio criminoso já enfrentado pelo parque, no qual foram queimados 40.000 hectares, o que corresponde a mais da metade da unidade de conservação.

Se voc√™ pensa que atear fogo propositalmente √© demais para seu cora√ß√£o, n√£o tenha d√ļvidas de que os fazendeiros dificultam tamb√©m o reflorestamento da regi√£o, como constatei na minha visita ao parque juntamente com a Paula, no ano passado. Muitas vezes s√£o movidos pela ignor√Ęncia e falta de informa√ß√£o, sem mencionar a gan√Ęncia por ocupar imensas √°reas de floresta nativa com pastagens para o gado.

E se você acha que impedir o reflorestamento de áreas degradadas também é demais para o seu coração, saiba que no inverno de 2010, 21 incêndios invadiram áreas de conservação e todos eles são suspeitos de ação criminosa. Desses 21 parques flamejantes, 13 ainda queimavam, depois de um mês da descoberta do primeiro foco.

Estou aqui hoje, basicamente para informar sobre a import√Ęncia destes parques, n√£o s√≥ para a fauna e flora, mas para a popula√ß√£o dessas regi√Ķes, que tem seu ganha p√£o no turismo ecol√≥gico e nas pessoas que apreciam uma natureza diversa como a que possu√≠mos em nosso pa√≠s. Tamb√©m aproveito a oportunidade para chamar a nossa responsabilidade √† tona, para que n√£o tenhamos mais surpresas desagrad√°veis neste inverno.

Então, se você não deseja ver nossas belezas em grayscale, aí vão algumas algumas dicas:

  • Evite jogar bitucas de cigarro acesas na pista. Com o tempo seco, elas podem n√£o se apagar e este fogo pode resultar no que temos presenciado todos os dias na TV.
  • Se voc√™ est√° aproveitando o calor para acampar na mata, evite acender fogueiras e se voc√™ acende, fa√ßa isto em locais permitidos, e ao deixar o local, certifique-se de que ela est√° totalmente apagada.
  • N√£o solte bal√Ķes.
  • N√£o solte fogos de artif√≠cio¬†em matas.
  • N√£o coloque fogo em terrenos baldios, voc√™ pode perder o controle das chamas e elas podem chegar at√© a sua resid√™ncia.

#EstudarValeaPena

Estudar vale a pena

Hoje, dia Nacional do Estudante, o Instituto Unibanco est√° mobilizando as redes sociais brasileiras com a blogagem coletiva intitulada “Estudar Vale a Pena”, mesmo nome dado √† campanha desenvolvida pelo pr√≥prio instituto com alunos do Ensino M√©dio de escolas p√ļblicas dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, S√£o Paulo, Rio Grande do Sul e Esp√≠rito Santo.

O intuito dessa mobilização é encorajar os jovens em idade escolar a prosseguir com seus estudos através de nossos depoimentos pessoais, contando como os estudos fazem nossa vida melhor, tanto cultural como financeiramente.

No semestre passado, durante meus est√°gios em turmas do Ensino M√©dio de escolas p√ļblicas de Campinas, voltei a me encontrar com a triste realidade do ensino p√ļblico brasileiro. A desestrutura√ß√£o da escola, a falta de capacita√ß√£o dos professores e a marginaliza√ß√£o do aluno de institui√ß√Ķes p√ļblicas √© de arrancar l√°grimas dos olhos. De 7 anos para c√°, n√£o mudou nada. O des√Ęnimo que pairava/paira sobre uma turma de terceiro colegial que n√£o se sente capaz de tra√ßar um futuro brilhante para sua vida √© indescrit√≠vel.

Hoje, quero relatar a vocês a minha própria história de estudos, que se passou totalmente dentro de escolas mantidas pelo governo estadual.

Comecemos então, pela família.

Venho de fam√≠lia simples, sem condi√ß√Ķes alguma de me matricular em uma escola particular, portanto, cursei todo o Ensino Fundamental e todo o Ensino M√©dio em escolas p√ļblicas, parte em Minas Gerais, parte no estado de S√£o Paulo.

Durante o ensino fundamental, nas rodas de amigos, j√° discut√≠amos o que far√≠amos quando termin√°ssemos o ent√£o “colegial” e que rumos tomariam nossas vidas quando cheg√°ssemos no ponto em que ter√≠amos que escolher nossas carreiras, um desafio um tanto quanto dif√≠cil, para quem iria terminar o terceiro ano com 16 anos de idade.

Quando ingressei no Ensino Médio os papos das rodas mudaram, e não se ouvia falar em universidade, nem mesmo em carreira. A vontade dos meus colegas de classe era terminar aquilo logo para ser ver livres de tanta chateação, vontade que não condizia com a minha e que me fazia uma pessoa chata, tanto para os colegas quanto para os professores, que muitas vezes de deslocavam para levar apenas um formulário de simulados de vestibular: o meu.

Minha escola n√£o era melhor do que as da atualidade, eu n√£o tinha base alguma para prestar um vestibular, tanto √© que eu fazia os simulados mas n√£o acertava quase nada. 

Minha fam√≠lia continuava n√£o possuindo condi√ß√Ķes de me colocar em uma escola melhor, nem mesmo de me matricular em um curso pr√©-vestibular. Foi a√≠ que o desespero bateu e eu pensei: ser√° mesmo que estou fadada a terminar o Ensino M√©dio e fim da linha?

Então decidi arrumar um emprego. Mas eu precisava de um curso profissionalizante para um emprego que pudesse arcar com as despesas de um curso pré-vestibular e eu não podia pagar um curso profissionalizante.

Veja bem, eu arrumei um emprego para fazer um curso profissionalizante, para então ter a esperança de arrumar um emprego melhor e finalmente pagar o curso pré-vestibular.

Finalmente fiz os cursos profissionalizantes, mas n√£o arrumei um emprego melhor.

Depois de passar um ano inteiro sem estudar para o vestibular, consegui um emprego de secret√°ria na frente do cursinho mais barato da cidade, que al√©m disso, me pouparia algumas passagens de √īnibus, bastando apenas atravessar a rua. Mas o sal√°rio ainda n√£o dava para custear os estudos. O cursinho n√£o era caro, eu √© que ganhava pouco.
Foi ent√£o que eu tive a est√ļpida id√©ia de ficar sem jantar para poder economizar mais alguns.

Em suma: fiquei doente, emagreci 9Kg (que nunca foram recuperados) e n√£o passei no vestibular, arr√°!

No ano seguinte, vendo minha situa√ß√£o calamitosa, meus pais fizeram um esfor√ßo bruto no or√ßamento da fam√≠lia para pagar este cursinho e eu finalmente pude me dedicar integralmente aos estudos do vestibular. Para pagar as taxas absurdas de inscri√ß√Ķes das provas, eu vendia brigadeiros para os colegas e professores. Fa√ßo brigadeiros √≥timos, s√©rio!

Eu estudava em torno de 9 horas por dia e nos fins de semana também para passar em Ciências Biológicas. Minha cabeça só pega no tranco, amigos.

Terminei o Ensino Médio em 2004 e só entrei na universidade em 2008, quando passei nas 3 melhores universidades do país: USP, Unicamp e Unesp. Resolvi escolher a Unicamp, onde estou até então.

Hoje, as dificuldades do dia a dia universitário continuam comigo. E quem disse que iria ser fácil? Atualmente minha bolsa de Iniciação Científica não paga nem meu aluguel.
Mas posso dizer que estou a caminho da minha realização pessoal e acredito que as coisas melhoram com tempo, mas isso não significa que vai ser rápido, por isso é necessário paciência.

Sem contar as novas experiências que a universidade me proporciona, como aprender um novo idioma, viajar pelo país e para fora dele (um dia eu chego lá) para mostrar meu trabalho, sem gastar um centavo.

Sou uma pessoa imensamente feliz por ter persistido com toda esta loucura e tenho certeza que terei uma vida melhor futuramente.

O governo pode n√£o fornecer as melhores condi√ß√Ķes para que voc√™ leve a frente seus sonhos, mas se voc√™ quiser, d√° at√© para “ignor√°-las” e dar o seu jeitinho. ūüôā

SWU 2010: um post para considera√ß√Ķes futuras

No ano passado fui insider do Festival SWU e não gostei nada, nada do que vi. Este ano já estou vendo o quanto as pessoas estão se precipitando com relação a este evento, mesmo não tendo participado no ano passado, mesmo sem pagar para ver o que vai acontecer este ano.

Portanto, não vou tomar partido nenhum antes de conferir o que irá acontecer, prefiro acreditar que as coisas podem melhorar (mesmo que pouco), sem deixar de considerar a hipótese de que pode piorar ou mesmo não mudar em nada. Quero ser justa, apenas.
Por isso, quero deixar registrado aqui no Rastro de Carbono, meu post sobre o festival que presenciei no ano passado, mais alguns posts de colegas insiders e do nosso condom√≠nio Science Blogs para minhas considera√ß√Ķes futuras e minha ent√£o posi√ß√£o sobre o que ser√° o Festival SWU.
Um festival

O Festival SWU se foi e muitas pessoas esperam as considera√ß√Ķes daqueles que foram os divulgadores oficiais do movimento e do festival em si.

Existe muita informa√ß√£o passando pela minha cabe√ßa neste p√≥s-festival e eu tentarei ser o mais organizada poss√≠vel para passar minhas sensa√ß√Ķes sem que este post vire um cabar√© de cegos.

Acho que devo começar dizendo porque aceitei ser insider do movimento, colocando meu nome no tatame e o nome do Blog Radar Verde, que não é uma propriedade minha, mas é de minha responsabilidade e competência.

Enfim, aceitei ser insider do movimento SWU, por que eu estou de acordo com o Compromisso P√ļblico de Sustentabilidade e com o Plano de A√ß√Ķes de Sustentabilidade (que j√° tratarei neste post) divulgado pela organiza√ß√£o. N√£o existem super-her√≥is que nos levar√£o a sustentabilidade, tudo isso realmente come√ßa com nossas atitudes individuais.

Ninguém aqui é obrigado a conhecer meu íntimo, mas quem já o faz sabe que não sou uma pessoa que sai de casa apenas para ir a um festival, a não ser que este tenha alguma coisa relacionada à minha vida e/ou ao meu trabalho. Eu realmente levo estes assuntos como trabalho sério, afinal a vida de universitária não me permite determinadas regalias que muitos jovens tem hoje. Um festival qualquer, dispende dinheiro, todos nós sabemos que os custos dentro destes locais são altíssimos. E não adianta apedrejar o Festival por cobrar caro por bebidas e alimentação por que à qualquer show que você vá vão arrancar seu couro, relaxa.

Ficar ao lado dos meus amigos, reencontrar pessoas que não via há algum tempo e conhecer pessoas novas seriam consequências do meu trabalho e este post conta também porque fiquei apenas com as consequências do festival.

Não quero de maneira alguma culpar a agência de comunicação idealizadora do projeto #insiders #SWU, uma vez que já conhecia o trabalho deles de ante-mão, e não tive nenhum problema neste aspecto. Aliás, fiquei contente por me levarem à sério apesar da minha pouca idade e da pouca experiência que tenho com a blogagem e me tratarem com carinho, o que não acontece comigo todos os dias, exceto com pessoas deste meio que me consideram como se eu fosse alguém da sua própria família e me adotam com a maior paciência do universo.

Logo, acompanhando o evento com o olhar de quem n√£o estava l√° apenas para ver as bandas percebi que o caos estava em outros fundamentos.

Vamos l√°, vejamos se eu consigo me organizar e colocar todas as quest√Ķes que me incomodaram no Festival, utilizando como base os trechos a que dizem respeito. Estes trechos constam no Compromisso P√ļblico de Sustentabilidade do movimento SWU e seu Plano de A√ß√Ķes de Sustentabilidade, retirados destes links, respectivamente:

http://www.swu.com.br/pt/movimento-swu/swu-compromisso-publico-de-sustentabilidade/

http://www.swu.com.br/pt/swu/noticias-swu/swu-plano-de-acoes-de-sustentabilidade/

Os t√≥picos em negrito, s√£o originais dos links acima e os trechos em it√°lico s√£o as observa√ß√Ķes feitas por mim no festival:

Direitos Humanos Em todas as nossas atividades, atuamos conforme os princ√≠pios da Declara√ß√£o Universal dos Direitos Humanos e outros padr√Ķes e tratados internacionais e n√£o toleramos condi√ß√Ķes de trabalho degradantes, trabalho infantil, for√ßado ou an√°logo ao escravo.

    Ok, vamos começar por este trecho. Se você foi ao festival e ficou mais de 2 horas debaixo de um sol escaldante para ver sua banda predileta, fique tranquilo porque as pessoas que trabalharam nos estacionamentos e nas revistas passaram muito mais tempo torrando seus miolos naquele mormaço do fim de semana.

N√£o-discrimina√ß√£o N√£o aceitamos nenhuma forma de discrimina√ß√£o em fun√ß√£o de cor, sexo, op√ß√£o sexual, religi√£o, origem, classe social, idade ou condi√ß√Ķes f√≠sicas nas rela√ß√Ķes com todos os nossos p√ļblicos.

No dia 10/10, eu estava dormindo sentada em uma cadeira na sala de imprensa do Festival, esperando meus amigos terminarem de assistir os shows, quando uma senhora desesperada veio implorar para que divulgássemos o descaso com seu irmão cadeirante, que foi impedido pela organização de assistir os shows que estavam rolando naquele dia.

Espa√ßo “privilegiado” para deficientes f√≠sicos? Havia. Mas estavam abarrotados de pessoas em cima de suas pr√≥prias pernas, como se ali fosse a √°rea VIP.

Educa√ß√£o em sustentabilidade Queremos conscientizar, mobilizar e transmitir os valores da sustentabilidade a todos que estiverem de alguma forma no movimento, seja como participante, seja na organiza√ß√£o.

Educação ambiental não é horta e lixeiras coloridas não querem dizer que os valores da sustentabilidade estão sendo transmitidos. O fórum estava cheio de pessoas interessadas no assunto, mas as pessoas que realmente precisavam ser atingidas estavam lá fora, consumindo e jogando lixo para cima, como se fossem confetes.

Sem contar a proibi√ß√£o da entrada de alimentos e garrafas d’√°gua no evento, gerando um enorme desperd√≠cio de comida j√° na portaria. Consumo consciente? N√£o se viu.

Sem contar as pessoas que foram proibidas de tomar suas cervejas nas latas e foram obrigadas a passar o conte√ļdo para um simp√°tico copo descart√°vel do patrocinador. Isso vale para os refrigerantes tamb√©m.

Inclus√£o Social Em nossas contrata√ß√Ķes de servi√ßos, daremos prefer√™ncia, sempre que poss√≠vel, √† m√£o de obra local, cooperativas e micro e pequenos fornecedores, contribuindo assim para a gera√ß√£o de renda e inclus√£o social.

Não presenciei mão de obra local, mas vi várias famosas empresas de fast-food vendendo seus lanches pelo dobro do preço e pela metade do cozimento do alimento. Aliás, passei mal comendo um destes pequenos notáveis.

Ingressos caros, lanches caros, bebidas caras e o desperdício de comida. Inclusão social?

Sa√ļde e Seguran√ßa Empenhamos-nos para propiciar um ambiente saud√°vel e seguro a todos os envolvidos em nossas atividades e eventos, por meio do estabelecimento de padr√Ķes r√≠gidos de sa√ļde e seguran√ßa, da avalia√ß√£o de poss√≠veis riscos e defini√ß√£o de procedimentos para evit√°-los.

Sou uma pessoa que antes de saber onde está o palco, deve saber onde está o posto médico. E como não podia ser diferente, depois de passar mal com o participante do item anterior, fui ao posto médico. Chegando lá me deparei com um cara gorfando sua cervejinha, enquanto as enfermeiras sugeriam para ele tomar coca-cola e comer espetinho de carne.

Não sei se ia servir para muita coisa, mas eu disse a elas quais remédios sou alérgica.

Transpar√™ncia, √©tica e combate √† corrup√ß√£o O relacionamento com todos os parceiros deve ser baseado em √©tica e transpar√™ncia. Al√©m disso, repudiamos e combatemos a corrup√ß√£o em todas as suas formas e n√£o aceitamos parcerias com institui√ß√Ķes de idoneidade duvidosa.

Agora, vocês podem me dizer: Ah, mas isso
que você citou acima acontece em qualquer festival! Eu sei. E se eu tivesse me tocado que o negócio estava tombando para um festival qualquer, eu teria pulado fora. Como eu já disse anteriormente, me falta experiência, mas isso tudo me serve como aprendizado.

Faltou transpar√™ncia, todo o compromisso divulgado no site era de um festival e um movimento baseado nas pol√≠ticas sustent√°veis, mas percebam que tudo o que ocorreu foram pol√≠ticas de um festival qualquer. A Paula Signorini, em um post do Blog Rastro de Carbono me chamou a aten√ß√£o para este aspecto, que at√© ent√£o eu n√£o tinha levado em considera√ß√£o. Um evento verde n√£o precisa ser sustent√°vel, desde que isso seja colocado de maneira clara para os divulgadores e para seus participantes.

Teoricamente, todos estes t√≥picos disponibilizados pelo site do movimento SWU, deveriam ser utilizados em todas as a√ß√Ķes, inclusive no festival.

Legisla√ß√£o Ambiental Todas as nossas atividades e de nossos parceiros devem estar em conformidade com leis e regulamentos ambientais.

Bom, com a legislação ambiental até a Vale diz que está de acordo. Até Aldo Rebelo diz estar de acordo. Essa parte é fácil.

Baixo Impacto Ambiental Buscaremos sempre reduzir, compensar ou eliminar nossos impactos ambientais. Dessa forma, em todos os nossos eventos e a√ß√Ķes, buscaremos cumprir com os seguintes aspectos e metas: a) realiza√ß√£o de eventos de baixo carbono e desenvolvimento de processos para redu√ß√£o e mitiga√ß√£o das emiss√Ķes de gases poluentes; b) prefer√™ncia pelo uso de materiais reciclados ou recicl√°veis e que tenham origem certificadas de acordo com padr√Ķes s√≥cio-ambientais; c) destina√ß√£o correta dos res√≠duos; d) desenvolvimento de processos para baixo consumo de √°gua e energia; e) revitaliza√ß√£o da √°rea do festival.

Para este item, ler todos as minhas observa√ß√Ķes anteriores.
Enfim. Voc√™s podem deixar suas opini√Ķes no espacinho ali em baixo. :)

Sugiro que vocês leiam alguns textos de convidados para o fórum e de outros insiders do festival.

http://www.isabellices.com/o-que-foi-o-swu/

http://www.rockinpress.com.br/2010/10/12/a-imprensa-contra-a-imprensa-o-porque-o-rockinpress-foi-expulso-do-swu/

http://scienceblogs.com.br/rainha/2010/10/o_swu_foi_otimo_e_coerente.php

http://scienceblogs.com.br/rastrodecarbono/2010/10/evento_verde_tem_de_ser_susten.php

http://uoleo.wordpress.com/2010/10/13/o-mais-longo-e-insustentavel-dos-dias/

Prêmio Top Blogs 2011

Mais uma vez o Rastro de Carbono está concorrendo ao Prêmio Top Blogs. E este ano o Top Blog nos indicou na categoria Variedades! Existe também uma indicação feita por mim na categoria Sustentabilidade, entretanto a URL do blog está incorreta, mas assim que este problema estiver resolvido publico o link para que vocês possam votar nesta categoria também.

Portanto, você que gosta dos artigos publicados aqui e gostaria de nos ver levando este prêmio, basta clicar aqui e dar seu voto!

Uma história de amor. Entre garrafas descartáveis.

Esta semana, visitando o blog Fliperama Tilt, do Carlos Mac√™do, assisti esta hist√≥ria de amor super criativa entre duas garrafas descart√°veis, que apesar de “apaixonadas” s√£o surpreendidas pelo destino.
Achei sensacional esta idéia, que além de cativante é muito educativa.
Este curta metragem foi produzido pela Catsnake, para a comiss√£o do “Friends of the Earth” uma organiza√ß√£o que realiza um trabalho muito interessante em torno das mudan√ßas clim√°ticas, da economia verde e dos recursos naturais.

A Love Story… In Milk from Catsnake on Vimeo.

N√£o sou f√£ de hist√≥rias rom√Ęnticas, muito menos aquelas que terminam mal, mas este v√≠deo √© super v√°lido e ganhou um lugar no meu cora√ß√£o ranhetinho. ūüôā

Sacolas Oxi

Nas minhas √ļltimas visitas ao supermercado deparei-me com a novidade ambiental do momento: as sacolas oxibiodegrad√°veis. Muito prazer, mas, que raio de sacola √© voc√™?
As chamadas sacolas oxibiodegrad√°veis prometem se decompor em at√© 18 meses, por uma rea√ß√£o fotoqu√≠mica aliada √† atua√ß√£o de microrganismos. Olha que solu√ß√£o genial, ent√£o criamos um produto que “se decomp√Ķe” em menos tempo e todo mundo pode consumir √† vontade, al√ī empres√°rios espertinhos!
Este tipo de sacola é produzido desde a década de 80 no Brasil e promete minimizar os danos então causados pela sacolas comuns, como: entupimento de bueiros, impermeabilização dos solos e contaminação do lençol freático. Entretanto, recentemente foi publicado na Revista Pesquisa FAPESP um estudo mostrando que um dos tipos de plástico oxibiodegradável que circula em nosso país fragmenta-se em partículas menores, entretanto não é decomposto por microrganismos, condição necessária para que ele possa ser chamado de biodegradável. O que os olhos não vêem o ambiente não sente?
E que raio de país é este que investe em sacolas que degradam mais rápido porque sua população não é educada o suficiente para consumir sacolas comuns conscientemente e dá-las o destino correto?
Ah… educa√ß√£o brasileira, porque sempre nos esbarramos em voc√™ quando discutimos nossos problemas ambientais?
Enquanto empres√°rios re√ļnem solu√ß√Ķes milagrosas para o consumo da popula√ß√£o e os pol√≠ticos se engajam nas leis contra as sacolas pl√°sticas, nossa educa√ß√£o ambiental se resume a hortas nas escolas. Lament√°vel.
Somos inteligentes para aprender a viver com o necessário, sem precisar de alguém dizendo que só os extremos nos salvam. Sinceramente, me sinto humilhada quando alguém diz que não poderei usar sacolinhas plásticas. Minha cabeça processa da seguinte forma: você não consegue aprender a viver com sacolas plásticas, então fique sem. Como uma mãe repreendendo autoritariamente um filho, como uma autoridade qualquer me dizendo: você é desprovido de educação e incapaz.

Ok sacolinhas, a partir de hoje chamarei vocês de Oxi. Nada pessoal.

Mais sobre a pesquisa Fotodegradação e fotoestabilização de blendas e compósitos poliméricos publicada na Edição 152 РOutubro de 2008 na Revista Pesquisa FAPESP

Indico o post do Luiz Bento sobre EcoBags no Discutindo Ecologia

E também o post da Cláudia Chow no Ecodesenvolvimento: A embalagem, o lixo e o ciclo de vida