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*Eu nem sei mais quantos anos eu tenho.

Quer dizer, eu sei o ano em que nasci e ainda sei fazer contas, mas minha idade? Nem ideia.

Apesar das aparências, minha excelente e admirada esposa é mais velha que eu, mas eu aparentemente testemunhei e lembro de coisas que aconteceram antes dela nascer.

Talvez eu seja um daqueles, como o personagem de Cameron Crowe em Quase Famosos [1], cujos pais atribuem uma idade errada, por algum fim ou outro. Isso explicaria porque eu sempre fui quase um palmo mais alto que meus colegas de classe, comecei a me barbear aos doze e tive meus primeiros cabelos brancos aos vinte (existe uma foto minha aparentemente aos dois meses de idade mamando sentado no colo da minha m√£e. Sentado. Aos dois meses. Aparentemente).

Tento continuar n√£o sendo convencional.

Tento continuar não sendo convencional. Só me casei depois de casado.

H√° cinco anos que tenho um emprego fixo que n√£o envolve carregar instrumentos, exige farda e hor√°rios previs√≠veis. H√° cinco anos tamb√©m que blogo, que n√£o envolve nada do citado e √© meu escape mental e plataforma criativa agora que n√£o sou mais ‚Äėm√ļsico‚Äô.

√Č bem certo que j√° tratei de mais temas e j√° me fez conhecer expressivamente por mais gente escrevendo que tocando, mas ainda sinto falta. Penso em montar uma produtora apenas como fachada para ter um est√ļdio bom em casa. Vejamos.

Aprendi bastante. Especialmente aprendi (acho/espero) como reconhecer uma informação e como certificá-la, o que me levou a saber identificar de quem devo desconfiar automaticamente (o peso das evidências falam por si).

Neste t√≥pico, n√£o sei se voc√™s conhecem, mas existe uma competi√ß√£o esportiva (nem tanto, mas √© t√£o esportiva quanto qualquer outra competi√ß√£o automobil√≠stica) envolvendo tratores que puxam uma esp√©cie de mega-arado com um mecanismo que o finca mais no ch√£o quanto maior for a dist√Ęncia percorrida (neste v√≠deo d√° para ter uma ideia mais ou menos). Depois de passar pela fase do ‚Äúeu sei tudo‚ÄĚ adolescente e a do ‚Äús√≥ sei que nada sei‚ÄĚ dos vinte e poucos anos (e apenas recentemente me dando conta de que as pessoas n√£o mudam ‚Äď e isso vale tamb√©m para suas ideias e conceitos), me sinto hoje em dia um pouco como num tractor pull, onde quanto maior √© a dist√Ęncia que percorro rumo √† ilumina√ß√£o intelectual que tanto almejo, maior √© tamb√©m o atrito com o ch√£o da rotina cerebral que tenta me fazer n√£o sair do lugar. E, por conseguinte, mais fuma√ßa eu solto (novamente, vide v√≠deo linkado).

Dez anos separam as duas realidades. DEZ!

Dez anos separam as duas realidades. DEZ!

Mas, como j√° dizia o velho, “nostalgia era melhor antigamente”. Minha vida vai muito bem hoje em dia para eu sentir falta de um passado que provavelmente n√£o aconteceu (ou do qual eu n√£o participei efetivamente).

Minha cota de amigos já está mais que preenchida (o que a invalida como cota, eu acho, mas ênfases nem sempre fazem sentido sob escrutínio etimológico), já estou devidamente casado, já consigo respirar por uma noite inteira e estou até comendo salmão uma vez por semana, preparado na minha panela profissional. Só preciso agora diminuir este bucho imenso.

De projetos ainda estou cheio e agora eles incluem várias outras mídias e temas. Mas não vou dizer agora para não estragar a surpresa (ou decepcionar quem estiver aguardando por algo que provavelmente nunca vai acontecer).

N√£o que eu esteja reclamando. Quem l√™ meia linha do que escrevo sabe que j√° fa√ßo disso um estilo de vida. Estou apenas tentando refletir e manter uma tradi√ß√£o viva. Ali√°s, a melhor grafia seria ^tradi√ß√£o^, com as minhas personalizadas aspas ir√īnicas. Mais para mim do que para os leitores, vero, j√° que o pouco que escrevo no anivers√°rio deste faz algum sentido fora da minha cabe√ßa.

Bu!

Bu!

Ah! Hoje também é aniversário de Robert Downey, Jr. e Cazuza. De nada.

[1] ‚Äď S√≥ que ao contr√°rio. No filme semi-autobiogr√°fico, William √© bem mais novo que seus colegas e estranha o fato de n√£o ter entrado ainda na puberdade apesar dos seus supostos 13 anos. Ele tem, na verdade, 11 anos.

* – Se um dia eu escrever um livro a capa al√©m de ser roxa e amarela (para se destacar bem nas prateleiras) ser√° tamb√©m desprovida de letras ou imagens. E a primeira p√°gina j√° deve come√ßar no meio de uma est√≥ria qualquer. E, √© por isso que nenhuma editora ainda concordou em me lan√ßar…

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