Yes, we can! (or not)

Esse, foi o Obama que convenceu milh√Ķes de norte americanos, convenceu l√≠deres e povos do mundo, convenceu o comit√™ do Pr√™mio Nobel [Yes, we can!]

E esse foi o Obama que falou na COP-15 hoje de manh√£:

Muitos coment√°rios negativos ao discurso “sem sal” do Presidente Barack Obama surgiram no Twitter. Entretanto, o discurso segue a proposta para pol√≠tica externa norte-americana.
Pessoalmente, fiquei decepcionada. Esperava um discurso mais acalourado acalorado (tks Takata!), que levasse a galera ao del√≠rio! Um discurso Yes, we can! Um discurso Let’s do it! Mas n√£o… um discurso com as propostas j√° levadas anteriormente, um discurso que n√£o empolgou outros chefes de Estado, delega√ß√Ķes ou imprensa americana (que at√© onde fontes in loco informam, vaiaram o cara). Pra n√£o perder as esperan√ßas, espero que, mesmo n√£o tendo empolgado, o discurso baste. √öltimo dia de COP. Vamos ver o que vai acontecer agora.

Dia da Terra – Como est√£o as negocia√ß√Ķes sobre o clima?

ChargeGylvanNature.jpgCharge disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v455/n7214/full/455737a.html

Hoje, 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra. Para celebrar essa data, aproveitei uma pseudo-f√©rias para ir √† USP, assistir a um debate que promete analisar as negocia√ß√Ķes sobre mudan√ßas clim√°ticas, o que j√° foi feito, o que tem sido feito, o que ser√° feito para as negocia√ß√Ķes internacionais e as perspectivas nacionais em pol√≠ticas p√ļblicas.¬†
Na chegada ao debate, no IEA, j√° tive uma pequena disputa de tr√Ęnsito com uma fulana que definitivamente n√£o sabe dirigir, num Tucson. Est√° agora sentada ao meu lado. Espero que ela tenha grandes contribui√ß√Ķes para dar sobre o tema, j√° que deve ser uma pessoa muito consciente sobre suas emiss√Ķes pessoais de gases do efeito estufa.¬†
Na mesa de discuss√Ķes, apenas nomes de respeito: S√©rgio Serra, Gylvan Meira, Adriano Santhiago, Paulo Artaxo, Tercio Ambrizzi, Jos√© Eli da Veiga e Wagner Costa Ribeiro. Em discuss√£o, o encontro em Copenhagen (COP-15), o mapa do caminho de Bali (COP-14) e os trilhos formados pelos grupos de trabalho¬†AWG-KP e AWG-LCA, as pol√≠ticas p√ļblicas dos EUA, o Protocolo de Kyoto e o segundo per√≠odo de compromisso a ser assumido p√≥s 2012, G-20 e UNFCCC, entre outros.¬†
Resumo da ópera: 
+ H√° um grupo Ad Hoc discutindo o futuro do Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e o segundo per√≠odo de compromissos, que dever√° ser firmado ap√≥s 2012, quando expira o prazo para as redu√ß√Ķes de emiss√Ķes previstas pelo Protocolo.¬†
+ H√° um outro grupo Ad Hoc discutindo formas cooperativas de a√ß√£o a longo prazo (AWG-LCA) para mitigar as emiss√Ķes de GEEs.
+ Todos esperam uma defini√ß√£o dos EUA sobre as pol√≠ticas em rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas, mesmo sem terem ratificado o protocolo de Kyoto. Uma pol√≠tica de “cap and dividend”, ser√°?
+ H√° uma esperan√ßa de que o G-20 – que contempla o grupo dos pa√≠ses que deve ser respons√°vel por cerca de 82% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa do mundo at√© 2015 – proponha medidas de mitiga√ß√£o dos gases do efeito estufa al√©m dos objetivos da UNFCCC. [Minha opini√£o: n√£o vai acontecer.]
+ Infelizmente, mitiga√ß√£o parece ser a ponta do trip√© mais discutido entre os delegados da UNFCCC. Adapta√ß√£o (o que faremos quando as consequ√™ncias do aquecimento global come√ßarem a ser sentidas?) e vulnerabilidade (quais as regi√Ķes mais vulner√°veis aos efeitos do aquecimento global?) s√£o os primos pobres dessa discuss√£o.

+ No Brasil, h√° grandes discuss√Ķes sobre REDD (Redu√ß√£o das Emiss√Ķes de Desmatamento e Degrada√ß√£o ambiental), ou seja, uma pol√≠tica de incentivos para redu√ß√£o de emiss√Ķes de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento e degrada√ß√£o ambiental em pa√≠ses em desenvolvimento que fazem correta conserva√ß√£o, manejo sustent√°vel e aumento dos estoques de CO2 em florestas. [Deve-se lembrar que o Brasil est√° planejando a ado√ß√£o de uma matriz energ√©tica movida a combust√≠veis f√≥sseis (termel√©tricas), aumentando a intensidade de carbono da economia, fragilizando nossas posi√ß√Ķes na UNFCCC].

Basicamente, enquanto os delegados dos mais de 192 pa√≠ses membros da UNFCCC discutem se querem trabalhar com um plano de mitiga√ß√£o, adapta√ß√£o e vulnerabilidade com base em uma perspectiva de um aumento de 2 ou 4 graus Celsius, o Brasil insiste na pol√≠tica da responsabilidade hist√≥rica e os pa√≠ses do G-20 fingem que a crise ambiental merece menos aten√ß√£o do que a crise econ√īmica, o Planeta¬†Terra esquenta, e a fulana do Tucson dirige por a√≠ sem nenhuma responsabilidade por suas a√ß√Ķes pessoais e o aquecimento global faz suas v√≠timas.