Fala leitor: vídeo sobre as árvores da Marginal Tietê

O Rafael Tadeu comentou no post anterior sobre as árvores e as obras da Marginal Tietê e postou o link de um vídeo. Eu acho que o vídeo vale a pena ser postado e comentado, então lá vai ele.


Minhas considera√ß√Ķes

O vídeo é muito bem feito, mas do mesmo jeito que há exageros do lado do governo, também há do lado dos produtores do vídeo.

Os políticos

“melhorar a qualidade de vida”, aumentando os investimentos em transporte individual inv√©s de transporte coletivo? √Č ruim, hein?

“esverdear, o que n√£o √© mal, para a beleza da cidade, para tudo o mais” – tudo mais o qu√™, governador? Para o ambiente? Para a sa√ļde das pessoas? Para o aumento da √°rea de lazer da cidade (se √© que o parque vai poder ser visitado, inv√©s de ser como na Marginal Pinheiros)?

+ tenho alguns problemas com EIA/RIMA. Supostamente eles são a ferramenta legal que possibilita ou não a construção de uma obra no local onde há fauna e flora (originais ou não). Tenho problemas porque sei quanto tempo esses documentos demoram para ser elaborados (muito pouco) e sei quais são os tipos de pressão que uma empresa de consultoria recebe para realizá-los (muitos).

+ parque linear e ciclovia me parecem decis√Ķes t√£o boas para a marginal! O tr√Ęnsito vai provavelmente continuar, o n√ļmero de carros vai provavelmente aumentar, mas uma ciclovia √© uma alternativa para quem quer deixar o carro em casa. S√≥ espero que a ciclovia seja bem planejada e n√£o um caminho que “leve nada a lugar nenhum”.

Os produtores do vídeo

+ tenho para mim que se alguém usava o canteiro central da marginal para caminhar, como o vídeo sugere, no mínimo tinha arriscado sua vida para atravessar a pista local, o que é muito perigoso. Fora que respirar o excesso de aerosóis que deve ter na marginal não vale a caminhada.

+ cobrar do governo manejo de fauna??? Que fauna???

+ dizer que a polui√ß√£o vai aumentar e que a temperatura vai subir sem nenhum estudo cient√≠fico adequado √© uma tentativa enganosa de convencer pessoas de que a obra √© ruim. A obra √© ruim. Mas n√£o por esses motivos. E, se n√£o gosto de ser enganada pelos pol√≠ticos, tamb√©m n√£o gostaria de ser enganada pelos manifestantes e organiza√ß√Ķes civis.

E você? O que achou do vídeo? Exagerei?

Dia da Terra – Como est√£o as negocia√ß√Ķes sobre o clima?

ChargeGylvanNature.jpgCharge disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v455/n7214/full/455737a.html

Hoje, 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra. Para celebrar essa data, aproveitei uma pseudo-f√©rias para ir √† USP, assistir a um debate que promete analisar as negocia√ß√Ķes sobre mudan√ßas clim√°ticas, o que j√° foi feito, o que tem sido feito, o que ser√° feito para as negocia√ß√Ķes internacionais e as perspectivas nacionais em pol√≠ticas p√ļblicas.¬†
Na chegada ao debate, no IEA, j√° tive uma pequena disputa de tr√Ęnsito com uma fulana que definitivamente n√£o sabe dirigir, num Tucson. Est√° agora sentada ao meu lado. Espero que ela tenha grandes contribui√ß√Ķes para dar sobre o tema, j√° que deve ser uma pessoa muito consciente sobre suas emiss√Ķes pessoais de gases do efeito estufa.¬†
Na mesa de discuss√Ķes, apenas nomes de respeito: S√©rgio Serra, Gylvan Meira, Adriano Santhiago, Paulo Artaxo, Tercio Ambrizzi, Jos√© Eli da Veiga e Wagner Costa Ribeiro. Em discuss√£o, o encontro em Copenhagen (COP-15), o mapa do caminho de Bali (COP-14) e os trilhos formados pelos grupos de trabalho¬†AWG-KP e AWG-LCA, as pol√≠ticas p√ļblicas dos EUA, o Protocolo de Kyoto e o segundo per√≠odo de compromisso a ser assumido p√≥s 2012, G-20 e UNFCCC, entre outros.¬†
Resumo da ópera: 
+ H√° um grupo Ad Hoc discutindo o futuro do Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e o segundo per√≠odo de compromissos, que dever√° ser firmado ap√≥s 2012, quando expira o prazo para as redu√ß√Ķes de emiss√Ķes previstas pelo Protocolo.¬†
+ H√° um outro grupo Ad Hoc discutindo formas cooperativas de a√ß√£o a longo prazo (AWG-LCA) para mitigar as emiss√Ķes de GEEs.
+ Todos esperam uma defini√ß√£o dos EUA sobre as pol√≠ticas em rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas, mesmo sem terem ratificado o protocolo de Kyoto. Uma pol√≠tica de “cap and dividend”, ser√°?
+ H√° uma esperan√ßa de que o G-20 – que contempla o grupo dos pa√≠ses que deve ser respons√°vel por cerca de 82% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa do mundo at√© 2015 – proponha medidas de mitiga√ß√£o dos gases do efeito estufa al√©m dos objetivos da UNFCCC. [Minha opini√£o: n√£o vai acontecer.]
+ Infelizmente, mitiga√ß√£o parece ser a ponta do trip√© mais discutido entre os delegados da UNFCCC. Adapta√ß√£o (o que faremos quando as consequ√™ncias do aquecimento global come√ßarem a ser sentidas?) e vulnerabilidade (quais as regi√Ķes mais vulner√°veis aos efeitos do aquecimento global?) s√£o os primos pobres dessa discuss√£o.

+ No Brasil, h√° grandes discuss√Ķes sobre REDD (Redu√ß√£o das Emiss√Ķes de Desmatamento e Degrada√ß√£o ambiental), ou seja, uma pol√≠tica de incentivos para redu√ß√£o de emiss√Ķes de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento e degrada√ß√£o ambiental em pa√≠ses em desenvolvimento que fazem correta conserva√ß√£o, manejo sustent√°vel e aumento dos estoques de CO2 em florestas. [Deve-se lembrar que o Brasil est√° planejando a ado√ß√£o de uma matriz energ√©tica movida a combust√≠veis f√≥sseis (termel√©tricas), aumentando a intensidade de carbono da economia, fragilizando nossas posi√ß√Ķes na UNFCCC].

Basicamente, enquanto os delegados dos mais de 192 pa√≠ses membros da UNFCCC discutem se querem trabalhar com um plano de mitiga√ß√£o, adapta√ß√£o e vulnerabilidade com base em uma perspectiva de um aumento de 2 ou 4 graus Celsius, o Brasil insiste na pol√≠tica da responsabilidade hist√≥rica e os pa√≠ses do G-20 fingem que a crise ambiental merece menos aten√ß√£o do que a crise econ√īmica, o Planeta¬†Terra esquenta, e a fulana do Tucson dirige por a√≠ sem nenhuma responsabilidade por suas a√ß√Ķes pessoais e o aquecimento global faz suas v√≠timas.

Meio ambiente e educação 3 РO mapa dos maiores emissores de GEE

Um dos posts mais visitados do Rastro de Carbono é o que fala sobre os países que mais emitem CO2 no mundo.

Sempre √© necess√°rio lembrar que quando se fala em emiss√£o de CO2, estamos na verdade falando sobre carbono equivalente. O c√°lculo do carbono equivalente leva em considera√ß√£o os efeitos causados por cada um dos gases do efeito estufa (sim, s√£o diferentes, cada um com um potencial diferente) e permite comparar os poss√≠veis danos causados por cada um deles, como se fossem g√°s carb√īnico. Assim, por exemplo, uma √ļnica mol√©cula de metano tem um potencial 23 vezes maior do que o g√°s carb√īnico, portanto, se consideramos que o carbono equivalente do g√°s carb√īnico √© 1, o do metano √© 23.

Sabendo disso, podemos comparar as emiss√Ķes de gases do efeito estufa por pa√≠s, por cada habitante, e saber quais s√£o os pa√≠ses mais emissores. Al√©m da tabela que pode ser vista aqui, agora h√° uma ferramenta bastante interessante – um mapa! √Č importante dizer que eu n√£o chequei se os dados da tabela e do mapa s√£o iguais, mas devem dar dimens√Ķes bastante aproximadas do problema.

Mapa.png

O mapa √© bastante din√Ęmico e pode ser usado potencialmente apenas pelo site http://www.breathingearth.net/.

Quando se passa o mouse sobre cada pa√≠s, no canto inferior esquerdo do mapa aparecem dados de geografia populacional e, na √ļltima linha, a informa√ß√£o CO2 emitted per person, ou seja, carbono equivalente emitido por pessoa, por ano – em toneladas! Vale a pena visitar o site e, porque n√£o, fazer um projeto com os alunos, em parceria com as disciplinas Ci√™ncias, Geografia e Ingl√™s.

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CO2, todo mundo emite