Yes, we can! (or not)

Esse, foi o Obama que convenceu milh√Ķes de norte americanos, convenceu l√≠deres e povos do mundo, convenceu o comit√™ do Pr√™mio Nobel [Yes, we can!]

E esse foi o Obama que falou na COP-15 hoje de manh√£:

Muitos coment√°rios negativos ao discurso “sem sal” do Presidente Barack Obama surgiram no Twitter. Entretanto, o discurso segue a proposta para pol√≠tica externa norte-americana.
Pessoalmente, fiquei decepcionada. Esperava um discurso mais acalourado acalorado (tks Takata!), que levasse a galera ao del√≠rio! Um discurso Yes, we can! Um discurso Let’s do it! Mas n√£o… um discurso com as propostas j√° levadas anteriormente, um discurso que n√£o empolgou outros chefes de Estado, delega√ß√Ķes ou imprensa americana (que at√© onde fontes in loco informam, vaiaram o cara). Pra n√£o perder as esperan√ßas, espero que, mesmo n√£o tendo empolgado, o discurso baste. √öltimo dia de COP. Vamos ver o que vai acontecer agora.

Troco toalhas por √°rvores

O que voc√™ acha de uma campanha que busca plantar 1 bilh√£o de √°rvores por ano? √Č loucura? √Č imposs√≠vel? N√£o tem lugar? Nem dinheiro? N√£o tem apoio, investimento, vontade pol√≠tica, volut√°rios? Pois bem… A Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas, atrav√©s do PNUMA (Programa das Na√ß√Ķes Unidas para o Meio Ambiente) lan√ßou a iniciativa mas o objetivo deles n√£o √© mais plantar um bilh√£o de √°rvores… √© plantar SETE bilh√Ķes de √°rvores!

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Como? Encorajando crian√ßas, jovens, adultos, idosos, comunidades, cidades, empresas, ind√ļstrias, sociedade civil e governos a assumirem o compromisso de plantar quantas √°rvores conseguirem. Pode ser uma? Pode! As pessoas e institui√ß√Ķes p√ļblicas ou privadas assinantes devem buscar um ambiente a ser reflorestado e estudar esp√©cies nativas daquele ambiente. Tamb√©m se responsabilizam por sair em busca de recursos para colocar a a√ß√£o em pr√°tica! Como faz pra participar? Basta preencher esse formul√°rio de comprometimento e atualizar as informa√ß√Ķes constantemente para o PNUMA monitorar o plantio e o crescimento das √°rvores!

A id√©ia √© da Professora Wangari Maathai, queniana, bi√≥loga, Pr√™mio Nobel da Paz em 2004 e fundadora do Movimento Cintur√£o Verde. A funda√ß√£o da Professora Maathai j√° plantou mais de 30 milh√Ķes de √°rvores em 12 pa√≠ses africanos desde 1977 e agora serve de exemplo para o plantio de 7 bilh√Ķes de √°rvores no mundo todo.

Tem iniciativa acontecendo no Brasil? Tem! A Accor Hospitality, sob as marcas Sofitel, Pullman, Novotel, Mercure, Suitehotel, Ibis, all seasons, Etap Hotel, Formule 1 e Motel 6 contribuir√° para o plantio de 3 milh√Ķes de √°rvores em sete diferentes regi√Ķes florestais do mundo e uma delas √© o Brasil, na regi√£o da Bacia do S√£o Francisco, atrav√©s da Nordesta Reflorestamento e Educa√ß√£o! Outros locais contemplados s√£o o sudoeste da Fran√ßa, com o Programa Forestavenir da Forestour no Senegal, na zona de Le Niayes, na Tail√Ęndia, atrav√©s do Plant a Tree Today (PATT).

Em Minas Gerais, na região próxima ao Parque Nacional da Serra da Canastra, na cidade de Vargem Bonita, por exemplo, o trabalho da Nordesta já começou. Já foram plantadas mais de 3.000 árvores em propriedades como a da Pousada da Limeira, antigamente área de mineração intensa. Até o final desse ano, serão 90.000 árvores. O plantio deve acontecer em dezembro e janeiro, época de chuva, quando a terra está apta para receber as mudas. Atualmente, as mudas habitam o viveiro da Universidade Federal de Lavras.

Mas, de onde a Accor está tirando os investimentos para esse projeto? Essa é a parte mais legal e que dá nome a esse post. Os clientes dos hotéis são convidados a não disporem suas toalhas para lavar todos os dias (como já acontecem em vários lugares) e assumem eles próprios o compromisso da ação. A cada cinco toalhas não lavadas, 50% do dinheiro economizado vai para o plantio das árvores lá, do ladinho de uma das nascentes do Velho Chico. O Plant for the Planet fica inserido dentro do Programa Earth Guest que a Accor desenvolve desde 2006, buscando a preservação dos recursos naturais da Terra.

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A Accor me convidou para ver o local onde as √°rvores ser√£o plantadas e para conhecer um pouco mais da Serra da Canastra e da nascente do S√£o Francisco. A viagem foi espetacular, as pessoas, ainda mais. Espero poder voltar l√° em dezembro para ajudar no plantio.

Destino: Porto de Galinhas

Eu vou pra Maracangalha eu vou 
Eu vou de uniforme branco eu vou 
Eu vou de chap√©u de palha eu vou 
Eu vou convidar An√°lia eu vou

Se Anália não quiser ir eu vou só
Eu vou só eu vou só
Se Anália não quiser ir eu vou só
Eu vou só
Eu vou só sem Anália
Mas eu vou

Maracangalha – Dorival Caymmi

Pois √©… n√£o √© exatamente para Maracangalha que o Carlos Hotta vai. √Č para Porto de Galinhas, convidado pelo pessoal do Porto cai na rede. A a√ß√£o – na minha opini√£o, uma das poucas na blogosfera que eu achei inteligente de fato – pretende promover Porto de Galinhas como destino tur√≠stico. O projeto √© uma parceria da Secretaria de Turismo de Ipojuca, a Associa√ß√£o de Hot√©is de Porto e Galinhas, a EMPETUR e a SETUR/PE. 

Simples e eficiente. Depois da a√ß√£o, vai ser colocar no buscador “porto de galinhas” que qualquer cidad√£o vai dar de cara com pelo menos 45 man√©s posts falando sobre as belezas do lugar, dicas, passeios interessantes, compras, comida, etc, etc, etc.

A An√°lia aqui que vos fala vai. Claro. TOTALMENTE penetra. O Carlos podia levar um acompanhante e, por alguma conjun√ß√£o dos astros que n√£o posso explicar, ele me escolheu! Vou ter que comer alface, fazer reciclagem, tomar banho gelado e andar a p√© o resto do ano para compensar a emiss√£o de carbono dessa viagem? Fato (mas n√£o vai adiantar nada porque eu j√° fa√ßo essas coisas – aparte do banho gelado – merda. Mas √© Porto de Galinhas. De gra√ßa. Com mergulho, paintball, passeio de jangada… Entende o dilema?

Dizem por a√≠ que vai ter mais gente. Mas quem se importa? Repito. √Č Porto de Galinhas.

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Do site IMDb. , o que eu imagino que seja o comportamento estranho dos pro-bloggers ao tomar “sol”- “Mas, tem Wi-fi?” – pena que nenhum deles deve se parecer com o Bill Compton. .

A ação pretende, claro, que cada blogueiro dê sua opinião acerca do assunto que domina escreve. Supostamente, eu não teria que me preocupar com isso, mas, quem disse que eu resisto? Vou dar meus pitacos como bióloga e eco-consciente, CLARO.

Antes da viagem, tudo o que eu e os outros viajantes precisarão saber é como ser um viajante consciente. Para isso, sugiro a todos a leitura atenta desse guia, que está lá no blog dos amigos Viajantes Conscientes que, por um motivo bem pequeninho, fofinho e que deve estar pintando na área por esses dias, não vai poder comparecer, nem pelo sorteio (Ah, sim! Tem mais cinco vagas na história).

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Do blog Porto Cai na Rede. “Valorize o artesanato produzido por pessoas da comunidade local” √© uma das dicas para ser um viajante consciente.

Vou mandar notícias de lá. Porto de Galinhas deve ser um destino excelente para quem deseja conhecer um local preocupado com turismo de qualidade, sem deixar de lado o cuidado com o meio ambiente e as beleza naturais do lugar. Observarei e contarei. Ao que tudo indica, recomendarei.

Esse domingo √© dia de…

Fórmula 1!

Não, esse não é assunto desse blog, mas não dá pra deixar de comentar a não largada do Rubens Barrichello. Muito menos ainda comentar o pódio de Giancarlo Fisichella em sua super Force India.

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Créditos: Site oficial da F1.

Projeto Ciclo Faixa!
A Prefeitura de S√£o Paulo em parceria com a CET, inauguraram nesse domingo a Ciclo Faixa. Diferentemente da ciclo via, que √© uma faixa reservada para o tr√Ęnsito de bicicletas todos os dias da semana, a ciclo faixa √© uma via para lazer, reservada apenas em per√≠odos determinados. Em S√£o Paulo, a ciclo faixa ter√° 5 Km, ligando os Parques do Ibirapuera e do Povo e funcionar√° apenas aos domingos, das 7 da manh√£ ao meio-dia. 
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A ciclo faixa ainda √© um projeto piloto, e funciona num hor√°rio bastante restrito – ainda mais aos domingos, que as pessoas costumam acordar mais tarde -, mas tem grande potencial para se tornar um projeto permanente e, porque n√£o, mais extenso (em quilometragens e em tempo para uso). 
Alguns relatos mostram que o projeto ainda precisa ser aperfei√ßoado – hoje, h√° locais onde os ciclistas tem que descer da bicicleta para continuar o percurso e outros onde √© necess√°rio andar pela cal√ßada. Eu por aqui, sem bicicleta por aqui, tor√ßo para que n√£o hajam abusos dos motoristas (que s√£o pra l√° de conhecidos e denunciados pelos ciclitas), nem abusos dos ciclitas (que j√° se mostraram para mim desrespeitosos tanto para pedestres quanto para motoristas). – Claro, “motoristas” e “ciclistas” nessa frase, n√£o devem ser entendidos como generaliza√ß√Ķes, obviamente os motoristas desrespeitosos e os ciclitas mal educados s√£o seres n√£o queridos por suas “classes”.
Marina Silva no PV!
Hoje Marina Silva formalizou oficialmente sua filiação ao Partido Verde, após uma vida no Partido dos Trabalhadores
A senadora pelo PT-AC, Marina Silva, assim como muitos brasileiros, mostrava-se h√° muito tempo descontente com a atua√ß√£o do PT nas quest√Ķes ambientais. J√° no ano passado, Marina Silva pediu demiss√£o do cargo de Ministra do Meio Ambiente por causa das press√Ķes sofridas por conta do PAC e os licenciamentos ambientais associados √†s obras. 
Marina Silva com a Executiva do PV, no dia 25 de agosto de 2009.
Pelo menos na lista de discuss√£o dos Sciblings, Marina Silva como pr√© candidata √† presid√™ncia em 2010 j√° rendeu dezenas de e-mails, seja por conta de sua filia√ß√£o ao PV, seja por conta de sua cren√ßa religiosa. 
Do meu lado, espero ver as cartas na mesa e as propostas de todos os candidatos antes de tomar uma posi√ß√£o e, embora seja f√£ da hist√≥ria de vida e luta de Marina Silva, ainda acredito muito pouco que ela tenha apoio suficiente na c√Ęmara e no senado para governar como presidente – o que dificultaria nossa vida de brasileiros (ainda mais) por pelo menos quatro anos.
Exploração pré-sal!
Hoje tamb√©m esteve no palco das decis√Ķes o an√ļncio das novas regras para a distribui√ß√£o das rendas da explora√ß√£o do petr√≥leo e g√°s natural no pr√© sal. 
A exploração de petróleo e gás natural nessa região, localizada nos litorais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo deve tomar ainda mais corpo pois parece ir na contra-mão das novas estratégias de produção de energia no mundo, que, até a COP-15, em Copenhagen e após essa reunião que deve definir o futuro do protocolo de Kyoto devem fazer os países optarem ainda mais por energias limpas e renováveis.
Ainda do ponto de vista ambiental, a explora√ß√£o do pr√©-sal dever√° emitir cinco vezes mais g√°s carb√īnico do que  os campos de extra√ß√£o normais, segundo o Ministro Carlos Minc.
Saiba mais:
Ciclo faixa
Marina Silva
Pré sal

Todo mundo pode – IBAMA

Vi esse v√≠deo do IBAMA na TV. Gostei e divulgo. 

Bate na tecla que eu sempre falo. As a√ß√Ķes pessoais parecem pouco, mas √© o que de mais simples podemos fazer por n√≥s mesmos, na nossa casa, no nosso trabalho – podemos fazer mais? Fato! Mas as a√ß√Ķes pessoais simples √© o que podemos fazer mesmo sem tempo, sem dinheiro, sem sentir.

N√£o h√° desculpas em n√£o fazer. E a desculpa de “eu fa√ßo mas meu vizinho n√£o faz ent√£o vou deixar de fazer” tamb√©m n√£o vale.

Necessário é ver todo mundo fazendo a sua parte e divulgando como é fácil.

O causo das obras da Marginal Tietê

O post passado, sobre as árvores da Marginal do Tietê que estão sendo derrubadas para a ampliação da via, causou alvoroço nos comentários e trouxe outros aspectos da polêmica obra.

Veja, dizer que as árvores do Tietê não são empecilho para que a obra
aconte√ßa (porque v√£o ser transplantadas, substitu√≠das e um parque linear est√° no projeto) n√£o quer dizer que a obra deva ser feita ou v√° trazer solu√ß√Ķes para o caos do tr√Ęnsito na cidade. A obra tem problemas
muito maiores do que as √°rvores que hoje ocupam a Marginal, mas n√£o s√£o
as árvores que poderiam barrar a construção ou até mesmo, não são elas que seriam um bom jeito de unir a população em torno do
problema.

O problema gira em torno de um imenso n√≥ da cidade de S√£o Paulo, j√° discutido no post anterior e referendado por alguns colegas do Twitter: o tr√Ęnsito. O tr√Ęnsito, que n√£o √© s√≥ exclusividade da cidade de S√£o Paulo mas de todos os centros urbanos de grande adensamento populacional, nasceu h√° muito tempo. Muito mesmo. Antes de qualquer um desses prefeitos, governadores e presidentes em quem n√≥s, mais jovens, tenhamos sonhado em votar. O problema do tr√Ęnsito √© derivado de uma pol√≠tica p√ļblica de ado√ß√£o dos autom√≥veis como meios de transporte e da gasolina, derivada do petr√≥leo como nosso meio de energia para movimentar esses autom√≥veis. Foi uma escolha pol√≠tica, que beneficiava algumas rela√ß√Ķes comerciais e algumas rela√ß√Ķes pessoais e sociais.

Fato √©: eu vejo duas escolhas para a resolu√ß√£o de um problema de tr√Ęnsito – uma solu√ß√£o r√°pida, barata e que a curto prazo n√£o vai mais funcionar, e uma lenta, gradual, com investimento alto em diversos setores, que deve funcionar a longo prazo.

A primeira √© f√°cil! Usa-se o espa√ßo dispon√≠vel (que j√° √© pouco e elimina o canteiro central), faz-se t√ļneis, viadutos, pontes, outro andar de marginal, sei l√°! Qualquer solu√ß√£o que busque aumentar a √°rea para aumentar o fluxo de carros. Essa alternativa funciona por um tempo: tempo suficiente para outros carros invadirem as ruas, a frota aumentar, e tudo ficar insuport√°vel de novo – que parece ser a sa√≠da adotada pela prefeitura e governo do Estado de S√£o Paulo.

A segunda √© muito mais dif√≠cil. Requer educa√ß√£o da popula√ß√£o, investimento em transporte p√ļblico de qualidade e em ciclovias, alternativas inteligentes para o transporte de suprimentos para a cidade, principalmente os atualmente feitos por caminh√Ķes, solu√ß√Ķes para per√≠odos de feriados e f√©rias, AL√ČM DE obras que facilitem o transporte de carros nos dias de semana.

Para a segunda escolha, n√£o bastam investimentos em dinheiro, mas investimentos no social, no ambiental e no econ√īmico, que permeiem outros setores que n√£o s√≥ o de transportes. A log√≠stica da cidade deveria ser realinhada como um todo, para permitir um fluxo mais eficiente de abastecimento e de transporte de res√≠duos. As pessoas deveriam ter a disposi√ß√£o um transporte p√ļblico de qualidade, com pontualidade e pre√ßos justos, que servisse toda a cidade com efici√™ncia. As ruas e avenidas deveriam ser pensadas de modo a permitir um fluxo r√°pido para quem usa transportes p√ļblicos e tamb√©m para permitir o uso de bicicletas. Projetos espec√≠ficos para facilitar o escoamento de pessoas em per√≠odos de f√©rias e feriados deveriam ser estudados e implementados. 

Mesmo com um imenso investimento financeiro por parte do governo, nada disso seria √ļtil se as pessoas que ocupam a cidade n√£o forem educadas para usar transporte p√ļblico sem preconceitos, para pensarem duas vezes antes de tirarem seus autom√≥veis de casa e andarem a p√© ou de bicicleta, para se educarem para o tr√Ęnsito defensivo e n√£o ofensivo.

Para isso, tamb√©m √© necess√°rio investimento na √°rea de seguran√ßa. E, nesse sentido, talvez fossem necess√°rios menos investimentos na √°rea de sa√ļde. E a qualidade de vida de todos aumentaria muito.

Sinto que sonhei… E voc√™? Acha que isso √© poss√≠vel, ou s√≥ fazendo uma nova S√£o Paulo?

Resenha: Prós e contras da globalização

A coisa que acredito ser a mais dif√≠cil nessa hist√≥ria toda de tentar “viver verde” √© buscar o local em detrimento do global.¬†Dessa maneira, pregar sobre consumir e produzir localmente em um mundo globalizado √© uma tarefa √°rdua, mas n√£o imposs√≠vel. E n√£o √© s√≥ isso. Governo, institui√ß√Ķes p√ļblicas e privadas, pessoas como n√≥s, dever√≠amos, em termos ambientais, pensar cada vez mais em melhorar nosso local inv√©s de incentivar a busca insana de empregos, produtos, estilos de vida no exterior. Maluco? Imposs√≠vel?

Recusar que vivemos em um mundo globalizado é negar o óbvio. Temos cada vez mais os poderes dos países, a cultura, a economia, o meio ambiente, todos eles moldados por fluxos de  ideias originadas nos mais diversos cantos do planeta, vindos das mais inesperadas fontes. Regional ou globalmente, todos tem voz, através de mídias sociais, TV, sites, rádio e órgãos oficiais dos governos, como ONU, UNFCCC, UE, G-20, OMC, ANSA, FRANSA, entre outros grupos. São ouvidos aquelas ideias que conseguem atender os interesses da maioria Рclaro, vale ressaltar que esses interesses nem sempre são sadios.

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Pensadores da globaliza√ß√£o s√£o divididos em dois grupos, os c√©ticos e os globalistas que tem vis√Ķes bem diferentes, desde os conceitos da globaliza√ß√£o at√© as novas ordens mundiais estabelecidas pelo fen√īmeno. Em algumas ocasi√Ķes, os pensadores c√©ticos, por exemplo, acreditam que a globaliza√ß√£o vai fortalecer os Estados e a identidade nacional, principalmente porque est√£o o tempo todo submetidos √†s novas ideias e propostas que v√™m de fora. Os globalistas, por outro lado, acham que a globaliza√ß√£o vai aumentar o multilateralismo, desgastando a soberania das Na√ß√Ķes, bombardeadas por movimentos r√°pidos de pessoas, capitais, conhecimentos e culturas. Esse debate e suas posturas, todas contradit√≥rias, podem ser entendidas no livro Pr√≥s e contras da globaliza√ß√£o, por David Held e Anthony McGrew.

Ainda n√£o h√° uma corrente de pensadores que conseguem sintetizar o melhor dos dois mundos, c√©ticos e globalistas. Em termos ambientais, penso que devemos aproveitar as tecnologias e conhecimentos globais para melhorar a vida das pessoas dentro dos pr√≥prios pa√≠ses. √Č economicamente mais vi√°vel produzir milhares de produtos na China porque l√° a m√£o de obra √© abundante e barata mas, em se tratando de sustentabilidade onde o cen√°rio √© dividido pelos planos econ√īmicos, sociais e ambientais, produtos chineses respondem s√≥ um em tr√™s quesitos.¬†

Produtos locais, por outro lado, podem fortalecer a economia local, respeitar o ambiente e as pessoas que consome e produzem o produto. Podem, mas isso n√£o √© 100% verdade. Entretanto, √© mais f√°cil fiscalizar e exigir das institui√ß√Ķes e dos governantes quando estamos perto do que est√° acontecendo. Estar longe s√≥ traz um sentimento de passividade da maioria da popula√ß√£o. No Brasil, √© o que vemos na Amaz√īnia e em Bras√≠lia.

Prós e contras da globalização, David Held e Anthony McGrew, 2001 é da Editora Jorge Zahar e foi uma cortesia para este blog.

Dia da Terra – Como est√£o as negocia√ß√Ķes sobre o clima?

ChargeGylvanNature.jpgCharge disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v455/n7214/full/455737a.html

Hoje, 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra. Para celebrar essa data, aproveitei uma pseudo-f√©rias para ir √† USP, assistir a um debate que promete analisar as negocia√ß√Ķes sobre mudan√ßas clim√°ticas, o que j√° foi feito, o que tem sido feito, o que ser√° feito para as negocia√ß√Ķes internacionais e as perspectivas nacionais em pol√≠ticas p√ļblicas.¬†
Na chegada ao debate, no IEA, j√° tive uma pequena disputa de tr√Ęnsito com uma fulana que definitivamente n√£o sabe dirigir, num Tucson. Est√° agora sentada ao meu lado. Espero que ela tenha grandes contribui√ß√Ķes para dar sobre o tema, j√° que deve ser uma pessoa muito consciente sobre suas emiss√Ķes pessoais de gases do efeito estufa.¬†
Na mesa de discuss√Ķes, apenas nomes de respeito: S√©rgio Serra, Gylvan Meira, Adriano Santhiago, Paulo Artaxo, Tercio Ambrizzi, Jos√© Eli da Veiga e Wagner Costa Ribeiro. Em discuss√£o, o encontro em Copenhagen (COP-15), o mapa do caminho de Bali (COP-14) e os trilhos formados pelos grupos de trabalho¬†AWG-KP e AWG-LCA, as pol√≠ticas p√ļblicas dos EUA, o Protocolo de Kyoto e o segundo per√≠odo de compromisso a ser assumido p√≥s 2012, G-20 e UNFCCC, entre outros.¬†
Resumo da ópera: 
+ H√° um grupo Ad Hoc discutindo o futuro do Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e o segundo per√≠odo de compromissos, que dever√° ser firmado ap√≥s 2012, quando expira o prazo para as redu√ß√Ķes de emiss√Ķes previstas pelo Protocolo.¬†
+ H√° um outro grupo Ad Hoc discutindo formas cooperativas de a√ß√£o a longo prazo (AWG-LCA) para mitigar as emiss√Ķes de GEEs.
+ Todos esperam uma defini√ß√£o dos EUA sobre as pol√≠ticas em rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas, mesmo sem terem ratificado o protocolo de Kyoto. Uma pol√≠tica de “cap and dividend”, ser√°?
+ H√° uma esperan√ßa de que o G-20 – que contempla o grupo dos pa√≠ses que deve ser respons√°vel por cerca de 82% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa do mundo at√© 2015 – proponha medidas de mitiga√ß√£o dos gases do efeito estufa al√©m dos objetivos da UNFCCC. [Minha opini√£o: n√£o vai acontecer.]
+ Infelizmente, mitiga√ß√£o parece ser a ponta do trip√© mais discutido entre os delegados da UNFCCC. Adapta√ß√£o (o que faremos quando as consequ√™ncias do aquecimento global come√ßarem a ser sentidas?) e vulnerabilidade (quais as regi√Ķes mais vulner√°veis aos efeitos do aquecimento global?) s√£o os primos pobres dessa discuss√£o.

+ No Brasil, h√° grandes discuss√Ķes sobre REDD (Redu√ß√£o das Emiss√Ķes de Desmatamento e Degrada√ß√£o ambiental), ou seja, uma pol√≠tica de incentivos para redu√ß√£o de emiss√Ķes de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento e degrada√ß√£o ambiental em pa√≠ses em desenvolvimento que fazem correta conserva√ß√£o, manejo sustent√°vel e aumento dos estoques de CO2 em florestas. [Deve-se lembrar que o Brasil est√° planejando a ado√ß√£o de uma matriz energ√©tica movida a combust√≠veis f√≥sseis (termel√©tricas), aumentando a intensidade de carbono da economia, fragilizando nossas posi√ß√Ķes na UNFCCC].

Basicamente, enquanto os delegados dos mais de 192 pa√≠ses membros da UNFCCC discutem se querem trabalhar com um plano de mitiga√ß√£o, adapta√ß√£o e vulnerabilidade com base em uma perspectiva de um aumento de 2 ou 4 graus Celsius, o Brasil insiste na pol√≠tica da responsabilidade hist√≥rica e os pa√≠ses do G-20 fingem que a crise ambiental merece menos aten√ß√£o do que a crise econ√īmica, o Planeta¬†Terra esquenta, e a fulana do Tucson dirige por a√≠ sem nenhuma responsabilidade por suas a√ß√Ķes pessoais e o aquecimento global faz suas v√≠timas.

Meio ambiente e educação 3 РO mapa dos maiores emissores de GEE

Um dos posts mais visitados do Rastro de Carbono é o que fala sobre os países que mais emitem CO2 no mundo.

Sempre √© necess√°rio lembrar que quando se fala em emiss√£o de CO2, estamos na verdade falando sobre carbono equivalente. O c√°lculo do carbono equivalente leva em considera√ß√£o os efeitos causados por cada um dos gases do efeito estufa (sim, s√£o diferentes, cada um com um potencial diferente) e permite comparar os poss√≠veis danos causados por cada um deles, como se fossem g√°s carb√īnico. Assim, por exemplo, uma √ļnica mol√©cula de metano tem um potencial 23 vezes maior do que o g√°s carb√īnico, portanto, se consideramos que o carbono equivalente do g√°s carb√īnico √© 1, o do metano √© 23.

Sabendo disso, podemos comparar as emiss√Ķes de gases do efeito estufa por pa√≠s, por cada habitante, e saber quais s√£o os pa√≠ses mais emissores. Al√©m da tabela que pode ser vista aqui, agora h√° uma ferramenta bastante interessante – um mapa! √Č importante dizer que eu n√£o chequei se os dados da tabela e do mapa s√£o iguais, mas devem dar dimens√Ķes bastante aproximadas do problema.

Mapa.png

O mapa √© bastante din√Ęmico e pode ser usado potencialmente apenas pelo site http://www.breathingearth.net/.

Quando se passa o mouse sobre cada pa√≠s, no canto inferior esquerdo do mapa aparecem dados de geografia populacional e, na √ļltima linha, a informa√ß√£o CO2 emitted per person, ou seja, carbono equivalente emitido por pessoa, por ano – em toneladas! Vale a pena visitar o site e, porque n√£o, fazer um projeto com os alunos, em parceria com as disciplinas Ci√™ncias, Geografia e Ingl√™s.

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Outro texto que pode interessar:
CO2, todo mundo emite

Resenha: Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse?

Assim que vi a disponibilidade desse livro, pensei: preciso resenh√°-lo – os leitores do blog v√£o gostar, ainda mais o p√ļblico mais jovem, que tamb√©m √© o p√ļblico-alvo do livro. Escrevi para a Editora Autores Associados, e devorei o livro em poucas horas.
O prólogo é fantástico! Traz trechos do discurso de uma menina de 12 anos, chamada Severn Suzuki, na Eco-92.

Nesse momento pensei comigo: o livro vai arrasar! Mas, para minha surpresa, ele tomou um caminho bem inesperado, diferente das minhas expectativas. Isso definitivamente não me motivou inicialmente, mas agora, depois de alguns dias pós-leitura, estou percebendo o livro de outra maneira.
desenvolvimentosustentavel.jpgDesenvolvimento sustent√°vel: que bicho √© esse? √©, inconscientemente (ou n√£o) dividido em duas partes. A primeira, informa sobre acidentes nucleares, crescimento populacional, subdesenvolvimento, PIB versus IDH, civiliza√ß√Ķes maia e da Ilha de P√°scoa, sobre danos √† camada de oz√īnio, sobre escassez de √°gua e aquecimento global.
A segunda parte, l√° pela metade do livro, vai finalmente falar sobre desenvolvimento sustent√°vel, sobre a origem do termo, resili√™ncia, protocolo de Kyoto. Escorrega ao dar uma justificativa em com base em entropia e evolu√ß√£o darwiniana (n√£o, a extin√ß√£o da esp√©cie humana n√£o √© prevista pela termodin√Ęmica, nem por Darwin – pelo menos n√£o como diz o livro). Nas dez √ļltimas p√°ginas, indica um caminho do meio, que n√£o √© nem muito otimista, nem muito pessimista em rela√ß√£o ao desenvolvimento econ√īmico, social e ambiental (embora eu tamb√©m discorde um pouquinho sobre ser a educa√ß√£o a √ļnica salva√ß√£o para a pobreza e a exclus√£o social – mas disso eu escrevo quando estiver resenhando o livro do Yunus).
O que para mim desmotivou durante a leitura foi que o livro d√° informa√ß√Ķes e dados sobre diferentes vis√Ķes sobre o assunto, mas ele mesmo n√£o toma partido de nada, n√£o se define, n√£o defende nem ataca. Exp√Ķe a Ci√™ncia, os paradoxos existentes entre diferentes vertentes de pensamento, equilibra as informa√ß√Ķes em uma balan√ßa. E isso me incomodou porque nem sempre d√° para equilibrar as informa√ß√Ķes, porque h√° mais controv√©rsia em um lado e um pouco mais de clareza nas hip√≥teses em outro, porque os paradoxos n√£o s√£o assim t√£o mal resolvidos. H√° mais em cada ponto levantado, outras ideias, outros argumentos, outras hip√≥teses que poderiam ter sido discutidas.
Hoje, alguns dias depois da leitura, o que me fez de fato gostar do livro s√£o exatamente os pontos que me desmotivaram no primeiro momento. Por qu√™? Porque com esse tipo de abordagem fica excelente para o professor problematizar quest√Ķes, buscar o conhecimento pr√©vio dos alunos acerca do tema, motiv√°-los para o debate aberto, sem pr√©-julgamentos ou defini√ß√Ķes.
O livro, ao n√£o expor uma opini√£o, faz com que os alunos PENSEM, DISCUTAM, PROBLEMATIZEM.
Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse? é da Editora Autores Associados e foi uma cortesia para este blog.