Livro grátis sobre mudanças climáticas

O Instituto de Estudos Avan√ßados da USP lan√ßa, apenas em formato digital, o livro Public Policy, Mitigation and Adaptation to Climate Change in South America, que encontra-se dispon√≠vel para download gratuito – basta clicar no nome do livro acima para ter acesso. O livro re√ļne contribui√ß√Ķes de especialistas em mudan√ßas clim√°ticas que estiveram na 3 Confer√™ncia sobre Mudan√ßas Clim√°ticas – Am√©rica do Sul, em 2007.
O livro busca explicar a din√Ęmica do clima, suas altera√ß√Ķes e varia√ß√Ķes em resposta √†s atividades humanas em quatro perspectivas: pol√≠ticas p√ļblicas e rela√ß√Ķes internacionais, mitiga√ß√£o, adapta√ß√£o e consequ√™ncias aos sistemas naturais.
Saiba mais: Agência FAPESP

Resenha: Prós e contras da globalização

A coisa que acredito ser a mais dif√≠cil nessa hist√≥ria toda de tentar “viver verde” √© buscar o local em detrimento do global.¬†Dessa maneira, pregar sobre consumir e produzir localmente em um mundo globalizado √© uma tarefa √°rdua, mas n√£o imposs√≠vel. E n√£o √© s√≥ isso. Governo, institui√ß√Ķes p√ļblicas e privadas, pessoas como n√≥s, dever√≠amos, em termos ambientais, pensar cada vez mais em melhorar nosso local inv√©s de incentivar a busca insana de empregos, produtos, estilos de vida no exterior. Maluco? Imposs√≠vel?

Recusar que vivemos em um mundo globalizado é negar o óbvio. Temos cada vez mais os poderes dos países, a cultura, a economia, o meio ambiente, todos eles moldados por fluxos de  ideias originadas nos mais diversos cantos do planeta, vindos das mais inesperadas fontes. Regional ou globalmente, todos tem voz, através de mídias sociais, TV, sites, rádio e órgãos oficiais dos governos, como ONU, UNFCCC, UE, G-20, OMC, ANSA, FRANSA, entre outros grupos. São ouvidos aquelas ideias que conseguem atender os interesses da maioria Рclaro, vale ressaltar que esses interesses nem sempre são sadios.

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Pensadores da globaliza√ß√£o s√£o divididos em dois grupos, os c√©ticos e os globalistas que tem vis√Ķes bem diferentes, desde os conceitos da globaliza√ß√£o at√© as novas ordens mundiais estabelecidas pelo fen√īmeno. Em algumas ocasi√Ķes, os pensadores c√©ticos, por exemplo, acreditam que a globaliza√ß√£o vai fortalecer os Estados e a identidade nacional, principalmente porque est√£o o tempo todo submetidos √†s novas ideias e propostas que v√™m de fora. Os globalistas, por outro lado, acham que a globaliza√ß√£o vai aumentar o multilateralismo, desgastando a soberania das Na√ß√Ķes, bombardeadas por movimentos r√°pidos de pessoas, capitais, conhecimentos e culturas. Esse debate e suas posturas, todas contradit√≥rias, podem ser entendidas no livro Pr√≥s e contras da globaliza√ß√£o, por David Held e Anthony McGrew.

Ainda n√£o h√° uma corrente de pensadores que conseguem sintetizar o melhor dos dois mundos, c√©ticos e globalistas. Em termos ambientais, penso que devemos aproveitar as tecnologias e conhecimentos globais para melhorar a vida das pessoas dentro dos pr√≥prios pa√≠ses. √Č economicamente mais vi√°vel produzir milhares de produtos na China porque l√° a m√£o de obra √© abundante e barata mas, em se tratando de sustentabilidade onde o cen√°rio √© dividido pelos planos econ√īmicos, sociais e ambientais, produtos chineses respondem s√≥ um em tr√™s quesitos.¬†

Produtos locais, por outro lado, podem fortalecer a economia local, respeitar o ambiente e as pessoas que consome e produzem o produto. Podem, mas isso n√£o √© 100% verdade. Entretanto, √© mais f√°cil fiscalizar e exigir das institui√ß√Ķes e dos governantes quando estamos perto do que est√° acontecendo. Estar longe s√≥ traz um sentimento de passividade da maioria da popula√ß√£o. No Brasil, √© o que vemos na Amaz√īnia e em Bras√≠lia.

Prós e contras da globalização, David Held e Anthony McGrew, 2001 é da Editora Jorge Zahar e foi uma cortesia para este blog.

Resenha: Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse?

Assim que vi a disponibilidade desse livro, pensei: preciso resenh√°-lo – os leitores do blog v√£o gostar, ainda mais o p√ļblico mais jovem, que tamb√©m √© o p√ļblico-alvo do livro. Escrevi para a Editora Autores Associados, e devorei o livro em poucas horas.
O prólogo é fantástico! Traz trechos do discurso de uma menina de 12 anos, chamada Severn Suzuki, na Eco-92.

Nesse momento pensei comigo: o livro vai arrasar! Mas, para minha surpresa, ele tomou um caminho bem inesperado, diferente das minhas expectativas. Isso definitivamente não me motivou inicialmente, mas agora, depois de alguns dias pós-leitura, estou percebendo o livro de outra maneira.
desenvolvimentosustentavel.jpgDesenvolvimento sustent√°vel: que bicho √© esse? √©, inconscientemente (ou n√£o) dividido em duas partes. A primeira, informa sobre acidentes nucleares, crescimento populacional, subdesenvolvimento, PIB versus IDH, civiliza√ß√Ķes maia e da Ilha de P√°scoa, sobre danos √† camada de oz√īnio, sobre escassez de √°gua e aquecimento global.
A segunda parte, l√° pela metade do livro, vai finalmente falar sobre desenvolvimento sustent√°vel, sobre a origem do termo, resili√™ncia, protocolo de Kyoto. Escorrega ao dar uma justificativa em com base em entropia e evolu√ß√£o darwiniana (n√£o, a extin√ß√£o da esp√©cie humana n√£o √© prevista pela termodin√Ęmica, nem por Darwin – pelo menos n√£o como diz o livro). Nas dez √ļltimas p√°ginas, indica um caminho do meio, que n√£o √© nem muito otimista, nem muito pessimista em rela√ß√£o ao desenvolvimento econ√īmico, social e ambiental (embora eu tamb√©m discorde um pouquinho sobre ser a educa√ß√£o a √ļnica salva√ß√£o para a pobreza e a exclus√£o social – mas disso eu escrevo quando estiver resenhando o livro do Yunus).
O que para mim desmotivou durante a leitura foi que o livro d√° informa√ß√Ķes e dados sobre diferentes vis√Ķes sobre o assunto, mas ele mesmo n√£o toma partido de nada, n√£o se define, n√£o defende nem ataca. Exp√Ķe a Ci√™ncia, os paradoxos existentes entre diferentes vertentes de pensamento, equilibra as informa√ß√Ķes em uma balan√ßa. E isso me incomodou porque nem sempre d√° para equilibrar as informa√ß√Ķes, porque h√° mais controv√©rsia em um lado e um pouco mais de clareza nas hip√≥teses em outro, porque os paradoxos n√£o s√£o assim t√£o mal resolvidos. H√° mais em cada ponto levantado, outras ideias, outros argumentos, outras hip√≥teses que poderiam ter sido discutidas.
Hoje, alguns dias depois da leitura, o que me fez de fato gostar do livro s√£o exatamente os pontos que me desmotivaram no primeiro momento. Por qu√™? Porque com esse tipo de abordagem fica excelente para o professor problematizar quest√Ķes, buscar o conhecimento pr√©vio dos alunos acerca do tema, motiv√°-los para o debate aberto, sem pr√©-julgamentos ou defini√ß√Ķes.
O livro, ao n√£o expor uma opini√£o, faz com que os alunos PENSEM, DISCUTAM, PROBLEMATIZEM.
Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse? é da Editora Autores Associados e foi uma cortesia para este blog.