Num estalar de dedos

Não vou falar sobre o estalar de dedos “Garçom, a conta!”, mas aquele de “Eu sou mais durão que você!” ou de “Mãos à obra!”.
Sempre me perguntam duas coisas sobre isso:
1 – Sabia que estalar os dedos causa artrite?
2 – O que causa o barulho de dedos estalando?
Minhas respostas para essas perguntas são mais diretas (curtas) e incisivas (grossas) do que algo que eu escreveria, portanto vou me ater ao que a ciência sabe sobre o assunto.
Clique aqui para ler o resto.

Vanilina

Ou o sabor de baunilha.
A planta é uma orquídea trepadeira, natural do México, e a baunilha em si é uma vagem que quando é colhida não tem o sabor ou olor característicos, que se desenvolvem através de um processo de cura (envelhecimento) dos grãos.

“Baunilha” é uma corruptela de vainilla, espanhol para “pequena vagem”.
Hum…
Baunilha natural é o terceiro produto alimentício mais caro do mundo (preço/quilo), vindo após trufas e açafrão (carece fonte, mas é isso mesmo, um grama desse negócio é CARO)
P.S.
Nome completo: 3-Metoxi-4-hidroxibenzaldeído
P.P.S.
Todo mundo sabe, é? Vocês estão acabando comIgor…
Vou ter que aumentar a dificuldado agora, se preparem!

Enigma molecular – 3ª fase

Quem ainda não sabe o que está acontecendo deve clicar aqui.
Quem souber o nome da molécula e de onde ela vem, diga nos comentários para ter como prova objetiva.
Que bicho é esse?
.
Já conseguiram farejar a resposta?
Resposta segunda-feira, enquanto estiver comendo um bolinho com café.
Para os que ainda não leram as respostas do enigmas anteriores, cliquem aqui.

Cavernas brasileiras: pedindo ao rato…

…para guardar o queijo.
(Já escrevi sobre isso no meu outro blogue, não quero me repetir mas quero divulgar.)

Batatas verdes venenosas

Nem sempre a diarréia coletiva movida a salada de batatas de fim de festas de aniversário está na maionese displicentemente guardada fora da geladeira por 72 horas.
Algumas vezes, as batatas são as culpadas.
Batatas esverdeadas podem conter solanina, um glicoalcalóide (parente dos alcalóides de Pasárgada) venenoso que pode causar náusea e vômito, cólicas e diarréia, arritmia cardíaca, tontura e dor de cabeça. Em casos extremos ocorre também alucinações, dormência, paralisia, febre e hipotermia.
Sempre lembrando, esses sintomas são causados pelo consumo da solanina, e não das batatas.
Quando expostas ao sol, a quantidade dessa toxina aumenta nas batatas, que não são acostumadas com luz, pois crescem dentro da terra.
Elas ficam verdes pela ação da clorofila, que nos é inócua, mas é um indicativo de que aquela batata foi exposta à luz e deve ser evitada.
Falando novamente em falta de costume, batatas não devem ser guardadas na geladeira (o chão é um lugar quente) por muito tempo.
Aliás, como regra geral, quanto mais velha for, mais solanina terá desenvolvido.
Agora, as boas notícias:
Um adulto médio teria que consumir mais de um quilo de batatas verdes para apresentar sintomas de intoxicação por solanina, contida em quantidades minúsculas entre a casca e o miolo dos tubérculos.
E se estiverem fritas, vai comer até rachar o bucho e não vai adoecer, pois aquele glicoalcalóide é removido para a gordura em temperaturas altas (dica: não beba o óleo da panela).
Tomates verdes também contêm solanina em altas doses (cem gramas de tomates verdes crus podem tem uma quantidade suficiente de toxina para causar problemas digestivos), mas ficam seguros quando maduros.
Tabaco também tem solanina (além de nicotina, outra neurotoxina extremamente nociva).
Atualização matutina: este artigo ficou meio cotó, mas eu lembro de ter escrito mais que isso. Estranho…

Fusão vs. Fissão

De todos os elementos, o átomo que tem o núcleo mais estável é o ferro (Fe), bem no meio da tabela periódica.
Se um átomo qualquer, por algum motivo, tomar um caminho que o faça se aproximar do núcleo do ferro, ele fornecerá energia.
Ou, explicando mais facilmente, se um átomo maior que o ferro, como o do urânio, diminuir de tamanho, liberará energia (processo chamado de fissão e que ocorre nos reatores nucleares das redondezas).
Alternativamente, se um átomo menor que o ferro, como o hidrogênio, aumentar de tamanho, também criará energia (processo de fusão, como o que acontece dentro de estrelas ou no novo HiPER).
Uma estrela, como o nosso Sol, quando vai envelhecendo, vai queimando hidrogênio (a matéria-prima da qual é formada), transformando-o em hélio, que depois vira berílio e assim por diante, passando por todos os elementos de números pares da tabela até chegar em 26, Ferro.
Ferro não queima, portanto esse é o estágio final de uma estrela morta que queimou até o fim (outros estágios finais de estrelas são: buracos negros, supernovas e esfera enormes de carbono, mais especificamente diamante).
Quando esses átomos pequenos se juntam, ou se fundem, eles liberam energia em forma de calor.
Similarmente, átomos muito grandes (e consequentemente instáveis) como o césio, tendem a se desmanchar, ou sofrer fissão, também irradiando energia em forma de calor.
Fissão nos tem dado bastante energia há já algum tempo pois é fácil, tem boa eficiência e é uma fonte de energia comparativamente limpa (não polui como carvão e gás, não precisa inundar nada e desde que o material gasto seja bem armazenado, não gera perigos ao meio ambiente).
Fusão, no entanto, é mais complicada (é também mais limpa e mais eficiente), pois os átomos não gostam muito de congregar e aumentar de tamanho (a combinação mais fácil é a de hidrogênio, novamente, em forma de dois tipos, ou isótopos, chamados trítio e deutério, virando hélio), pois os núcleos são invariavelmente formado por partículas com a mesma carga elétrica, que se repelem prontamente sempre que se aproximam demais, devido à força eletromagnética.
Na natureza existem quatro forças fundamentais (cinco, se contarmos o Amor); gravidade, eletromagnetismo, força nuclear fraca e força nuclear forte.
Sem entrar muito em detalhes, a força nuclear forte só passa a atuar numa distância curtíssima, anulando a força eletromagnética, que apesar de mais fraca, começa a agir em distâncias maiores.
Então, para dois núcleos de átomos se unirem, eles precisam ser colocados incrivelmente próximos uns dos outros, para que a força forte tome o controle. E isso é feito dentro de uma estrela através da igualmente inacreditável pressão a qual os elementos estão submetidos e do calor (milhões de graus!), que acelera as partículas de um jeito que elas estão o tempo todo colidindo em alta velocidade e, vez por outra, uma se prega na outra.
Eu poderia ainda tentar explicar o porquê do hidrogênio poder ser chamado de deutério ou trítio e como eles se juntam e viram hélio (tudo tem a ver com o número de prótons e neutrons em cada), mas isso é muito inútil para quem não for um físico, ou eu (não que seja útil para mim, não é, apenas me interessa muito).
Alguém curioso o suficiente pode procurar numa wikipedia da vida e confirmar numa página de um professor de física nuclear em algum lugar.
Ou então amanhã eu dou uma explicaçãozinha detalhada, mas não esperem em pé nem prendam a respiração…

Capsaicina

Encontrada em pimentas.
Desde o inócuo pimentão à traiçoeira habanero, a capsaicina é encontrada principalmente na pele que envolve as sementes dessas frutas (todas do gênero Capsicum).
Quem gostar do sabor mas não da ardência, retire os caroços antes de comer!

Existe uma escala de ardor de pimentas, chamada Escala de Scoville.
Essa molécula também é usada em pomadas para o alívio de dor nos músculos e articulações (mas não façam como eu, que confundi a informação na minha cabeça e passei uma pimenta malagueta num corte recente. Péssima idéia…).
P.S.
Pimenta, teu nome é 8-Metil-N-vanilil-trans-6-nonenamida

Explosões meteóricas!

Um objeto estranho aparece no céu.
De repente a estranheza aumenta enquanto o objeto acende.
Não só ele está agora mais brilhante como também maior.
Eis que então PÊI!
O que quer que seja aquilo explode e uma onda de choque atinge o observador, seguido instataneamente de morte por lugar-errado-hora-errada.
A coisa vinda do céu era um pedaço de pedra do tamanho de um ônibus, pesando algumas mil toneladas e viajando a uns quatrocentos quilômetros por segundo.
Um meteoro.
Quando algo assim entra na atmosfera do nosso querido planeta que é grossa como mel, quando comparada com o vácuo do espaço, começa a se deformar, como um ônibus caindo de um penhasco se deformaria ao atingir um meio mais denso, como a água ou o chão.
Essa deformação, ou compressão, esquenta o material mais do que a fricção dele com o ar.
Analogamente, se dobrarmos e desdobrarmos um clipe repetidamente, ele esquentará por causa dessa deformação até se partir na emenda.
Como o ônibus, a rocha que forma o meteoro se deforma (num processo que físicos chamam “panquecamento”) e, como o clipe, esquenta (num processo apelidado pelos físicos de “aquecimento”). Quanto mais se dobra, mais quente fica.
Sendo que pedra não é conhecida por sua maleabilidade e, eventualmente, não aguentando o estica-encolhe, começa a se desfazer.
Quando está se desfazendo, mais material é exposto e, consequentemente, mais material está agora disponível para participar da dança do panquecamento. E assim por diante.
Até que, em poucos segundos, se parte.
Por causa da energia acumulada pelo calor e pela velocidade, se parte de forma violenta.
Por definição, “explosão” é uma descarga de muito energia que ocorre muito rapidamente (uma molécula de cera de vela contém mais energia armazenada que uma de dinamite, mas não explode porque queima devagar demais).
Isso já aconteceu milhares de vezes aqui com asteróides suficientemente grandes para causar muito estrago (um desses acontecimentos famosos e relativamente recentes foi o de Tunguska em 1908) e pode acontecer novamente, daqui a vinte e oito anos, em abril de 2036.
“Sério?”, eu escuto vocês perguntando.
“Sem onda!”, vocês me lêem respondendo.
Em abril de 2029, um errante espacial de trezentos metros de diâmetro chamado Apófis vai passar tão perto da Terra que irá se espremer entre nosso pálido ponto azul e alguns dos nossos satélites (os de órbita geosíncrona).
Mas não vai nos atingir, vai só passar MUITO perto.
Porém, se passar perto demais, sua órbita será alterada e, em sete anos, quando completar outro ciclo, PRÁ!, em nós.
Legal, não?
E poderemos acompanhar tudo holograficamente do conforto dos nossos carros voadores autônomos movidos a água.

Enigma molecular – 2ª fase

Novamente, mais uma sexta, mais um enigma.
Quem souber o nome e a procedência dessa molécula, favor demonstrar nos comentários.
Hoje vou dificultar um pouco mais o meu enigma:

E aí, quente ou frio?
Resposta na segunda-feira depois da minha massagem.
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Atualização vespertina:
Esse povo tá muito sabido, já tem vinte e oito respostas…
Vou esconder os comentários até segunda-feira.

Não seja verde, vá de vermelho!

Devo adiantar que este não é um artigo de cunho político ou ecológico, mas científico.
Aparentemente, atletas que usam vermelho em seus uniformes são favorecidos por árbitros (“O estudo (…)sugere que roupas vermelhas ajudam os atletas a ter melhor desempenho.“), futeboleiros que usam vermelho convertem mais pênaltis (“De acordo com os resultados, jogadores que usavam uniformes vermelhos e encaram o goleiro durante 90% da preparação para a cobrança causaram um impacto maior e teriam mais chances de marcar o gol.“) e, agora, mulheres usando vermelho se tornam mais atraentes e fazem seus parceiros ficarem mais atenciosos a elas (“Na média, os homens disseram que gastariam mais com a mulher vestida em vermelho do que quando a mesma usava azul, verde, cinza ou branco. Os homens também se disseram mais atraídos pela mulher quando ela estava usando vermelho.“).
Como eu não pratico esportes de competição nem sou mulher, todas essas pesquisas me são inúteis, mas pode ser que alguém por aí aproveite esses dados.
Quando eu era mais novo (e coisas assim eram importantes), minha cor favorita era vermelho (quis até pintar meu quarto dessa cor, para deleite dum sujeito que trabalhava na minha casa, fanático pelo América) e sei que quando minha namorada usa vermelho eu acho ótimo (principalmente quando a cor provém de uma bata que ela usa no trabalho. Aff…), mas não sei se torceria mais para alguém ou se gastaria mais dinheiro por causa disso.
Mas eu também nunca estava prestando atenção e é para isso que existem pesquisas…
Numa notícia relacionada (porém bem antiga), o corante E128, ou Vermelho 2G, pode causar câncer e a cor dos M&M’s vermelhos vêm de um corante (carmim, ácido carmínico ou E120) produzido a base de um inseto, chamado cochonilha-do-carmim, que é cozido, seco e moído. Sem brincadeira!
Se algum de vocês se considera um vegetariano sério (Renata, estou olhando para você!), não coma M&M’s vermelhos.
P.S.
Snopes é uma página muito bem montada e otimamente documentada que serve como um excelente banco de dados para clarificação de todo tipo de lenda urbana e coisas do tipo “eu ouvi falar que” (desinformação, falácias, rumores, fofoca, etc).

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