O GP de F1 e a Braskem

Hoje aconteceu o GP de F√≥rmula 1 aqui no Brasil. Grandes expectativas giravam em torno de Rubens Barrichello mas, de novo, n√£o foi dessa vez. Mesmo com toda a festinha de “secar” o Button, os acidentes das primeiras voltas, o safety car, o pneu furado do Rubinho e seu famoso azar do c√£o, fizeram do brit√Ęnico campe√£o da temporada antes mesmo da temporada acabar.

Só que quem levou pra casa o troféu do GP Brasil foram Webber, Kubica e Hamilton.

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Imagem de Rede Notícia.

Diferente dos troféus que são vistos por aí, cheios de pompa e riqueza, o troféu brasileiro foi ousado, moderno e deu para o mundo um exemplo de é possível transformar lixo em arte e beleza.

Ousadia e modernidade na forma de plástico reciclado Рuma pequena parte das prováveis toneladas de lixo produzidos durante os três dias de GP. Arte e beleza na forma de Oscar Niemeyer, um grande arquiteto moderno reconhecido aqui e no exterior, mesmo design do ano passado, com novo material.

O troféu foi produzido bem ali, no autódromo, por técnicos especiaizados da Braskem.

A Braskem √© uma petroqu√≠mica brasileira formada em 2002 pela fus√£o da Copene, Trikem, OPP, Proppet, Polialden e Nitrocarbono (empresas dos grupos Odebrecht e Mariani). Em 2007, mais uma fus√£o, dessa vez com a Ipiranga Petroqu√≠mica num neg√≥cio de bilh√Ķes de d√≥lares envolvendo a Petrobras e a Ultrapar.

A empresa produz polietileno, polipropileno, benzeno, butadieno, tolueno, xileno e isopreno, ou seja, n√£o √© nada “green”. Mas, tenta minimizar suas interven√ß√Ķes ao meio ambiente. Tenta investindo dinheiro em pesquisa e desenvolvimento para a produ√ß√£o de etileno a partir do etanol produzido pela cana-de-a√ß√ļcar. Tenta participando de promo√ß√Ķes como essa do GP brasileiro de F1 ou produzindo briquedos feitos com o pl√°stico verde (o tal do etileno de cana-de-a√ß√ļcar).

Vale a pena ficar de olho nessa empresa – vale a pena pesquisar o que de fato √© verde e o que n√£o passa de green washing por exemplo. Vale lembrar que, de cana-de-a√ß√ļcar ou n√£o, etileno √© etileno e vai poluir do mesmo jeito, causando os mesmos problemas que o pl√°stico de petr√≥leo se n√£o for adequadamente descartado e manejado. Ainda assim, parab√©ns ao Brasil pela ousadia de fazer um trof√©u que vai enfeitar de modo especial as estantes j√° cheias desses pilotos de F1. Tomara que a ideia se propague por a√≠. Quem sabe na Copa ou nas Olimp√≠adas, continuamos transformando lixo em pr√™mios?

Tem cachoeira? Tem sim senhor!

—- Bem me diziam que a terra

se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.

[…]

Mas não avisto ninguém,
só folhas de cana fina
somente ali √† dist√Ęncia
aquele bueiro de usina
somente naquela v√°rzea
um bang√ľ√™ velho em ru√≠na.

Trecho de Morte e Vida Severina – Jo√£o Cabral de Melo Neto

Porto de Galinhas √© um distrito da cidade de Ipojuca/PE. Ipojuca, do tupi-guarani Iapajuque (√Āgua escura), fica a apenas 57 Km de Recife e tem o munic√≠pio de Escada como cidade vizinha.

Segundo o Guia Quatro Rodas, de Porto de Galinhas à Escada são 42 Km e cerca de uma hora de viagem. Diga-se de passagem, 42 Km de estradas federais e estaduais, canaviais e canaviais, usinas, estrada de terra e cachoeiras.

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Caminho para Escada

Em Escada, seguindo o Rio Ipojuca, várias cachoeiras podem ser interessantes pontos de visitas, como a Cachoeira do Urubu, a Cachoeira da Purificação e a Cachoeira do Convento. Para chegar a elas, recomenda-se a contratação de um jipeiro, que pode ser feita nos próprios hotéis em Porto de Galinhas.

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Cachoeira do Urubu

Na Cachoeira do Convento fica o Restaurante Moquém, onde delicia-se com a excelente culinária típica nordestina, como o Baião de Dois e Bolinhos de Aipim. Vale muito a pena. A comida acompanha excelente forró nordestino e uma vista belíssima para a cachoeira.

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Cachoeira do convento

No caminho para as cachoeiras, prepare-se para ver casas extremamente simples e trabalhadores do corte da cana. Espere para ver crian√ßas crescendo peladas no ch√£o de terra e crian√ßas pedindo por moedas, canetas ou qualquer outra coisa que voc√™ esteja carregando. Aguarde para ver quil√īmetros e quil√īmetros de cana, sinais de fuma√ßa da queima da colheira ou das chamin√©s das usinas. Espere para ver o que 500 anos de coloniza√ß√£o fizeram a mata da zona da mata, transformando-a em zona da cana.

Saindo de S√£o Paulo // Arriving or leaving S√£o Paulo?

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Avi√£o, davipt – Flickr 

Quarta-feira passada, dia 30 de setembro de 2009, saí rumo a uma viagem espetacular, patrocinada por uma ação espetacular, chamada Porto cai na rede. (Siga @portocainarede no Twitter ou a hastag #portocainarede.)

Como sempre, eu tento diminuir ao m√°ximo meu rastro de carbono em viagens – viajar de avi√£o √© particularmente terr√≠vel, respons√°vel por uma emiss√£o de carbono monstro. Nesse caso particular, assim como considero que as emiss√Ķes de carbono para voc√™ chegar ao seu trabalho s√£o responsabilidade do seu empregador, tamb√©m considero que as emiss√Ķes de carbono de todos os participantes da a√ß√£o s√£o responsabilidade da a√ß√£o. Mas, como n√£o custa absolutamente nada colaborar, toda e qualquer emiss√£o reduzida √© ponto positivo. 

E a√≠ come√ßou minha saga para chegar ao aeroporto de Guarulhos de transporte p√ļblico.

S√£o Paulo ao Aeroporto de Guarulhos

Primeiro, como quarta-feira √© dia de trabalho, cheguei ao escrit√≥rio como sempre (de carona e de metr√ī). Arrumei uns minutos para pesquisar um caminho para o aeroporto e as dicas s√£o as que se seguem:

Pegue o metr√ī e dirija-se at√© a esta√ß√£o Tatuap√© (linha vermelha, sentido Corinthians-Itaquera). Chegando l√°, passando a catraca, siga √† esquerda, em dire√ß√£o ao Terminal Norte, Rua H. Sert√≥rio. Des√ßa a escada √† esquerda e procure pelos √īnibus Airport Bus, linhas 257 e 299. Esse √īnibus custa R$ 3,65, sai de 15 em 15 minutos das 5 √†s 23:30 horas. O √īnibus tem como parada final a Asa A, Terminal 1, do Aeroporto de Guarulhos.

Aeroporto de Guarulhos a S√£o Paulo

Na sa√≠da em frente ao Terminal 1, Asa A, fica o terminal dos √īnibus Airport Bus. H√° duas op√ß√Ķes.

Op√ß√£o 1: Os √īnibus 257 e 299 da Airport Bus s√£o os mais baratos e deixam o viajante na esta√ß√£o Tatuap√© (linha vermelha) do metr√ī. A passagem custa R$ 3,65. Se tiver alguma d√ļvida pergunte. H√° sempre um funcion√°rio atento e que fala ingl√™s para ajudar estrangeiros.
Chegando na esta√ß√£o Tatuap√©, compre a passagem de metr√ī que atualmente custa R$ 2,55.

Op√ß√£o 2: Os √īnibus executivos, tamb√©m da Airport Bus, deixam os viajantes em locais espec√≠ficos da cidade, como a Avenida Paulista, Rep√ļblica, Congonhas, etc. N√£o √© poss√≠vel descer entre o aeroporto e a parada final. Os √īnibus tem ar condicionados e custam cerca de R$ 30,00. O guich√™ para compra da passagem fica pr√≥ximo ao guarda-volumes, ap√≥s a sa√≠da do aeroporto, entre as entradas da Asa A e B.

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Arriving S√£o Paulo

To go to S√£o Paulo from Guarulhos Airport, you can take a bus terminal in the exit of Terminal 1. The Airport Bus company offers two options to S√£o Paulo.

Option 1: The buses 257 and 299 of Airport Bus Company are the cheapest way to go to S√£o Paulo. They cost 3,65 Brazilian Reais and leave the airport every 15 min. There is always  a staff member that speaks English, so it is possible ask for more informations. The buses will take you to Tatuap√© Station (red line of S√£o Paulo metro/subway). The cost of metro ticket is 2,55 Brazilian Reais. 

Option 2: The executive buses of Airport Bus leave the travellers at places such as Paulista Avenue, Rep√ļblica Square and Congonhas Airport. It is not possible to leave the buses between terminals. The buses have air conditioner and they cost about 30,00 Brazilian Reais. For this option, you need buy the ticket near to “guarda-volumes” (lockers), between the entrances of Asa A and B. 

Leaving S√£o Paulo (Guarulhos International Airport)

Take the red line of the metro/subway, towards Corinthians-Itaquera station and leave at Tatuap√© Station. After the exit, go to the left, in the direction of Terminal Norte, Rua H. Sert√≥rio (North Terminal, H. Sert√≥rio Street). Take the stairs down to the left and look for Airport Bus (lines 257 and 299). This bus cost 3,65 Brasilian Reais. They leave the Terminal Norte every 15 min, between 5 and 23 o¬īclock. The bus has a final stop at Terminal 1, Asa A of Guarulhos International Airport.

Esse domingo √© dia de…

Fórmula 1!

Não, esse não é assunto desse blog, mas não dá pra deixar de comentar a não largada do Rubens Barrichello. Muito menos ainda comentar o pódio de Giancarlo Fisichella em sua super Force India.

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Créditos: Site oficial da F1.

Projeto Ciclo Faixa!
A Prefeitura de S√£o Paulo em parceria com a CET, inauguraram nesse domingo a Ciclo Faixa. Diferentemente da ciclo via, que √© uma faixa reservada para o tr√Ęnsito de bicicletas todos os dias da semana, a ciclo faixa √© uma via para lazer, reservada apenas em per√≠odos determinados. Em S√£o Paulo, a ciclo faixa ter√° 5 Km, ligando os Parques do Ibirapuera e do Povo e funcionar√° apenas aos domingos, das 7 da manh√£ ao meio-dia. 
Ciclofaixa.png
A ciclo faixa ainda √© um projeto piloto, e funciona num hor√°rio bastante restrito – ainda mais aos domingos, que as pessoas costumam acordar mais tarde -, mas tem grande potencial para se tornar um projeto permanente e, porque n√£o, mais extenso (em quilometragens e em tempo para uso). 
Alguns relatos mostram que o projeto ainda precisa ser aperfei√ßoado – hoje, h√° locais onde os ciclistas tem que descer da bicicleta para continuar o percurso e outros onde √© necess√°rio andar pela cal√ßada. Eu por aqui, sem bicicleta por aqui, tor√ßo para que n√£o hajam abusos dos motoristas (que s√£o pra l√° de conhecidos e denunciados pelos ciclitas), nem abusos dos ciclitas (que j√° se mostraram para mim desrespeitosos tanto para pedestres quanto para motoristas). – Claro, “motoristas” e “ciclistas” nessa frase, n√£o devem ser entendidos como generaliza√ß√Ķes, obviamente os motoristas desrespeitosos e os ciclitas mal educados s√£o seres n√£o queridos por suas “classes”.
Marina Silva no PV!
Hoje Marina Silva formalizou oficialmente sua filiação ao Partido Verde, após uma vida no Partido dos Trabalhadores
A senadora pelo PT-AC, Marina Silva, assim como muitos brasileiros, mostrava-se h√° muito tempo descontente com a atua√ß√£o do PT nas quest√Ķes ambientais. J√° no ano passado, Marina Silva pediu demiss√£o do cargo de Ministra do Meio Ambiente por causa das press√Ķes sofridas por conta do PAC e os licenciamentos ambientais associados √†s obras. 
Marina Silva com a Executiva do PV, no dia 25 de agosto de 2009.
Pelo menos na lista de discuss√£o dos Sciblings, Marina Silva como pr√© candidata √† presid√™ncia em 2010 j√° rendeu dezenas de e-mails, seja por conta de sua filia√ß√£o ao PV, seja por conta de sua cren√ßa religiosa. 
Do meu lado, espero ver as cartas na mesa e as propostas de todos os candidatos antes de tomar uma posi√ß√£o e, embora seja f√£ da hist√≥ria de vida e luta de Marina Silva, ainda acredito muito pouco que ela tenha apoio suficiente na c√Ęmara e no senado para governar como presidente – o que dificultaria nossa vida de brasileiros (ainda mais) por pelo menos quatro anos.
Exploração pré-sal!
Hoje tamb√©m esteve no palco das decis√Ķes o an√ļncio das novas regras para a distribui√ß√£o das rendas da explora√ß√£o do petr√≥leo e g√°s natural no pr√© sal. 
A exploração de petróleo e gás natural nessa região, localizada nos litorais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo deve tomar ainda mais corpo pois parece ir na contra-mão das novas estratégias de produção de energia no mundo, que, até a COP-15, em Copenhagen e após essa reunião que deve definir o futuro do protocolo de Kyoto devem fazer os países optarem ainda mais por energias limpas e renováveis.
Ainda do ponto de vista ambiental, a explora√ß√£o do pr√©-sal dever√° emitir cinco vezes mais g√°s carb√īnico do que  os campos de extra√ß√£o normais, segundo o Ministro Carlos Minc.
Saiba mais:
Ciclo faixa
Marina Silva
Pré sal

Manifesto Lixo Eletr√īnico

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O Twitter est√° bombando esses √ļltimos dias com a divulga√ß√£o do Manifesto Lixo Eletr√īnico (acompanhe aqui em tempo real o que se passa por l√°).

Tudo isso por que?


  • Porque, vergonhosamente, o Brasil n√£o possui uma pol√≠tica nacional de manejo, destina√ß√£o, tratamento e reciclagem de res√≠duos s√≥lidos. Atualmente, tudo vai para o lix√£o, ou na melhor das hip√≥teses, para aterros sanit√°rios. [Em S√£o Paulo (regi√£o de Perus), por exemplo, h√° um aterro sanit√°rio que recebe dinheiro pela venda de cr√©ditos de carbono – primeiro mundo.]
  • Porque, vergonhosamente, na tentativa de produzir uma Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidos, por algum motivo desconhecido da humanidade, os deputados federais desse pa√≠s retiraram o artigo que falava especificamente sobre log√≠stica reversa e reciclagem de lixo eletr√īnico.

  • Porque os lixos eletr√īnicos apresentam em sua composi√ß√£o metais pesados como o c√°dmio, o merc√ļrio, o chumbo e o l√≠tio, que, na melhor das hip√≥teses pode causar dores de cabe√ßa infernais e, na pior, pode levar pessoas contaminadas √† morte (por c√Ęncer, por exemplo).
  • Porque, exemplos do exterior, como os EUA, mostram que os lixos eletr√īnicos, principalmente computadores e impressoras, s√£o os principais respons√°veis pela contamina√ß√£o por metais pesados dos solos dos aterros sanit√°rios.
  • Porque a reciclagem do lixo eletr√īnico √© cara, e n√£o existem empresas especializadas
    nesse processo. Geralmente, o melhor a se fazer mesmo é desmotar tudo, separar as peças e destinar cada coisa para uma empresa de reciclagem diferente, ou seja, é necessário uma pessoa para desmontar, levar o plástico para quem recicla plástico, as baterias para quem recicla baterias e assim por diante.

As boas notícias dessa história toda é que, se você não sabe o que fazer com o seu computador enquanto a lei de resíduos sólidos não vem, tem quem saiba. Em São Paulo, por exemplo, há o CDI, uma ONG com a missão espetacular de inclusão digital.

O CDI recebe computadores usados e que n√£o tem mais valor para seus doadores, recupera pe√ßas, desmonta tudo, monta computadores novos e distribui para quem precisa. As pe√ßas que n√£o servem mais ou n√£o tem mais conserto, s√£o enviadas para uma empresa certificada, que se responsabiliza pela destina√ß√£o do lixo. [Entretanto, n√£o consegui saber que empresa √© essa…].
As más notícias são:

  • Atualmente, a maioria do lixo eletr√īnico acaba mesmo parando em lix√Ķes ou s√£o
    exportados para outros países (o que é ilegal, mas acontece).
  • Poucas empresas fabricantes de computadores, impressoras, celulares, cartuchos de tinta, e outros lixos eletr√īnicos recebem de volta artigos velhos.
  • J√° existem computadores verdes, sem metais pesados e que economizam energia el√©trica, mas s√£o geralmente mais caros, como tudo o que √© verde e org√Ęnico.

Por essas e outras, assine j√° o Manifesto do Lixo Eletr√īnico, AQUI e divulgue para amigos e parentes.

By Frans Krajcberg


Frans “Vamos cuidar da sa√ļde do Planeta”
Se ontem¬†George Carlin¬†me trouxe uma mensagem de “se os seres humanos n√£o est√£o nem a√≠ pra Terra, a Terra vai ficar bem sem eles”, hoje Frans¬†Krajcberg trouxe mais. Trouxe toda a indigna√ß√£o de um senhor polon√™s que j√° viu de tudo nesta vida. Viu vida e morte quando, lutando pelo ex√©rcito russo durante a Guerra, libertou homens e viu pilhas deles em um campo de concentra√ß√£o h√ļngaro. Viu barb√°rie e absurdo quando, no Alto Amazonas, encontrou seis √≠ndios pendurados em √°rvores sendo devorados por urubus. Viu queimadas na floresta e dela tirou arte.
Arte, esta, que est√° sendo gratuitamente exposta no espa√ßo da Oca, no Ibirapuera, em S√£o Paulo, em comemora√ß√£o aos 60 anos do MAM (at√© 14 de dezembro). Arte, esta, que busca alertar e mostrar para o mundo a falta de consci√™ncia ambiental de seres que se dizem humanos. Arte, que segundo o pr√≥prio Frans, n√£o teve participa√ß√£o pol√≠tica nenhuma no s√©culo XX (apenas comercial) e cita como exce√ß√£o, Guernica, de Picasso, √ļnico quadro a retratar as barb√°ries da Guerra.
Frans é um senhor que expressa idéias melhor do que palavras. As frases, por vezes sem fim, nos fazem viajar pelos olhos cansados de ver tanta destruição ambiental. Frans deixa mais que clara a sua indignação por as pessoas geralmente não se perguntarem o que está acontecendo com o mundo. De não perceberem que algumas coisas que acontecem hoje, não aconteciam antes. Da indiferença.
Frans termina um de seus pensamentos com a seguintes frases 

Toda vez que ouço os cientistas falarem, dá medo

E, a esperança

Deus vai ajudar

Com vocês, deixo parte de uma das esculturas que mais me tomaram na Oca. Rogo para que um dia, Frans deixe de encontrar matéria-prima para sua arte.

Sobre a campanha “Meia Amaz√īnia N√£o”

Eu sei que o linguajar jur√≠dico √© meio mala, mas vejam s√≥. Sobre a campanha “Meia Amaz√īnia N√£o“: ou est√° atrasada, ou tem outros interesses.
O Projeto de Lei 6424/2005 ( o qual pode ser consultado aqui) aponta v√°rias emendas de extrema import√Ęncia para a preserva√ß√£o da Amaz√īnia, entre elas a de regulariza√ß√£o dos im√≥veis (emenda aceita), o georreferenciamento das √°reas a serem preservadas dentro de uma propriedade rural (emenda aceita), a possibilidade de venda de cr√©ditos de carbono caso haja recupera√ß√£o de √°rea degradada (emenda rejeitada), entre outros.
A proposta de emenda n√ļmero EMC 5/2007 CAPADR (Emenda Apresentada na Comiss√£o) – Wandenkolk Gon√ßalves do PSDB, √© a que preocupa a supracitada ONG Meia Amaz√īnia N√£o, j√° foi rejeitada pela Comiss√£o de Agricultura, Pecu√°ria, Abastecimento e Desenvolvimento Rural como exp√īem o parecer do relator Homero Pereira, na √≠ntegra, AQUI e sobre a vota√ß√£o AQUI.
Tr√™s observa√ß√Ķes que merecem considera√ß√£o:
1) O deputado Wandenkolk Gonçalves do PSDB do PA foi o autor da emenda que tentava diminuir o tamanho das áreas de preservação dentro de um imóvel de 80% para 50% deve ter todos os seus passos seguidos com cuidado. Entre a justificativa para tal emenda, o deputado acrescenta:

“Amaz√īnia Legal de 50% para 80%, al√©m de inibir a perspectiva de uma expans√£o econ√īmica na regi√£o, criou a obriga√ß√£o de recomposi√ß√£o florestal nas propriedades cuja reserva legal possua extens√£o inferior ao exigido, o que significa mais √īnus para o produtor rural. Acontece que, segundo o cadastro do INCRA, a √°rea ocupada por propriedades ou posses rurais na Amaz√īnia √© de, aproximadamente, 60 milh√Ķes de hectares, o que representa pouco mais de 15% do total da superf√≠cie da Regi√£o. O restante √© ocupado por terras ind√≠genas, unidades de conserva√ß√£o
ou terras devolutas.
Portanto, √© err√īneo culpar apenas os produtores rurais pelo aumento do desmatamento e das queimadas na Amaz√īnia. O problema est√° muito mais relacionado √† invas√£o, grilagem e explora√ß√£o predat√≥ria das terras p√ļblicas.
Da mesma forma, a solu√ß√£o para se reduzir as taxas de desmatamento na Amaz√īnia n√£o est√° em limitar, pura e simplesmente, a utiliza√ß√£o das terras nas propriedades rurais. Uma maior fiscaliza√ß√£o e um maior controle sobre os atos predat√≥rios em terras p√ļblicas seriam muito mais apropriados para se atingir esse
objetivo.”

– minha opini√£o pessoal: medo, medo, medo…
2) Na minha opini√£o, o real problema do Projeto de Lei 6424/2005 √© que ele prev√™ o reflorestamento e reposi√ß√£o florestas da Amaz√īnia Legal com esp√©cies ex√≥ticas e palm√°ceas.
3) Meus conhecimentos sobre projetos de lei se resumem ao que posso encontrar e acompanhar pela vota√ß√£o no Congresso Nacional, C√Ęmara dos Deputados e Senado Federal. Se existe alguma ferramenta que possibilita a “re-vota√ß√£o” das propostas de emendas, leitores, falem agora ou calem-se para sempre!
Continuo guardando minhas minhas ressalvas pessoais (e intransfer√≠veis) sobre as campanhas ambientais que rolam por a√≠ sob o nome de institui√ß√Ķes famosas e conceituadas.

Lista nacional de postos de recolhimento de óleo de cozinha

A querida Clau Chow fez um post com os links do Instituto Akatu para a lista nacional de postos de recolhimento de √≥leo de cozinha. Vale muito a pena visitar! √ďleo usado e queimado que √© recolhido deixa de poluir nossos rios e solo e pode servir como combust√≠vel para autom√≥veis.

Visite o Sustentabilidade/Ecodesenvolvimento e saiba onde há um posto perto de você.

Especialistas apresentam resultados da Conferência de Bali na Fiesp

Via Portal FIESP
Medidas voltadas √† redu√ß√£o das emiss√Ķes de gases causadores do efeito estufa assumem car√°ter mais r√≠gido. A Confer√™ncia tamb√©m deu √™nfase aos mecanismos de produ√ß√£o mais limpa e ao controle estrito do desmatamento florestal

Foi realizado hoje (23), na sede da Federa√ß√£o das Ind√ļstrias do Estado de S√£o Paulo (Fiesp), em parceria com a Brazilian Carbon Beureau (BCB), o primeiro relato p√ļblico, no Brasil, sobre os assuntos tratados durante a 13¬™ Confer√™ncia do Clima, realizada em Bali, na Indon√©sia, de 3 a 14 de dezembro de 2007.
Os especialistas Marco Antonio Fujihara (que integra o Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp), Luiz Gylvan Meira Filho e Antonio José Ludovino Lopes pontuaram os principais aspectos tratados na Conferência e o que isso significa, na prática, para a vida dos países, das empresas e dos cidadãos.
Eles foram un√Ęnimes em afirmar que as discuss√Ķes de Bali abriram novas perspectivas para um acordo global contra o aquecimento do planeta. Num acordo que, nas palavras de Luiz Gylvan Meira Filho, ‚Äúforam extremamente complexas‚ÄĚ, representantes de 190 na√ß√Ķes firmaram um pacto para a redu√ß√£o da emiss√£o de gases causadores de efeito estufa. A meta ideal, explicou Gylvan, √© reduzir 60% das emiss√Ķes globais: um objetivo bastante ambicioso, que assusta principalmente os pa√≠ses menos desenvolvidos, receosos de que as novas diretrizes ambientais limitem sua capacidade de crescimento.
Na reuni√£o [em Bali], criou-se o chamado ‚Äúmapa do caminho‚ÄĚ, um documento que apresenta basicamente duas estrat√©gias que devem convergir para um acordo global. De um lado, est√£o os pa√≠ses desenvolvidos, signat√°rios do Protocolo de Kyoto, que t√™m o compromisso de reduzir em 5,2% nas emiss√Ķes de gases de efeito estufa entre 2008 e 2012. Proje√ß√Ķes da ONU indicam que as na√ß√Ķes ainda n√£o cumprem o que foi acordado. Apesar disso, em Bali, os pa√≠ses europeus insistiram na necessidade de reduzir as emiss√Ķes para algo entre 25% e 40% at√© 2020. Tamb√©m foi enfatizada a import√Ęncia da coopera√ß√£o tecnol√≥gica entre pa√≠ses ricos e pobres, de modo que os √ļltimos possam crescer sem que isso implique em degrada√ß√£o ambiental. Do lado dos ‚Äúpa√≠ses pobres‚ÄĚ, uma das principais novidades foi a cria√ß√£o de um ‚Äúfundo de adapta√ß√£o‚ÄĚ, que ser√° gerido pelo Global Environment Fund (GEF). Os recursos para este projetos ser√£o obtidos por meio da cobran√ßa de taxas nas transa√ß√Ķes do mercado de cr√©dito de carbono.
As quest√Ķes fechadas com um certo consenso envolveram 133 na√ß√Ķes em desenvolvimento, mais a China, que aceitaram discutir a tomada de a√ß√Ķes ‚Äúmensur√°veis, report√°veis e verific√°veis‚ÄĚ de redu√ß√£o de emiss√£o de gases de efeito estufa.
Como as decis√Ķes afetam o Brasil

Especialista em mercado de carbono, Marco Antonio Fujihara assinalou que o Brasil tem perspectivas interessantes nesse campo. Uma das boas novas √© a cria√ß√£o, pelo Banco Mundial, de um Fundo de Investimentos para evitar desmatamentos. ‚ÄúOs projetos florestais ganham maior import√Ęncia‚ÄĚ, disse Fujihara, para quem os mecanismos de desenvolvimento limpo, descritos pelo artigo 12 do Protocolo de Kyoto, tamb√©m mant√™m grande relev√Ęncia.
Ele lembrou, por√©m, que segundo as novas diretrizes, o Brasil, a √ćndia e a China, principais expoentes dos pa√≠ses emergentes, talvez precisem se comprometer muito mais com a redu√ß√£o de emiss√Ķes do que vinha acontecendo at√© agora. Esse controle se dar√° por meio de controle do desmatamento, de manejo sustent√°vel, de mudan√ßas no uso do solo e no aumento do estoque de carbono florestal, entre outras medidas poss√≠veis.
Em Bali, a delega√ß√£o brasileira apresentou a proposta de um Fundo para Prote√ß√£o e Conserva√ß√£o da Amaz√īnia Brasileira. Em princ√≠pio, trata-se de um fundo de car√°ter volunt√°rio, com aporte inicial de US$ 150 milh√Ķes, operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ√īmico e Social (BNDES). A administra√ß√£o desse fundo ficar√° a cargo de um conselho consultivo, integrado por representantes dos governos federal e estaduais, entidades n√£o-governamentais, especialistas, cientistas e empres√°rios.

Previs√Ķes seguras – Sobre o encontro na FIESP

Anexo o texto da revista FAPESP sobre o encontro na FIESP. Depois escrevo as minhas impress√Ķes pessoais.
Via Agência FAPESP
Por Thiago Romero
Ag√™ncia FAPESP ‚Äď O aquecimento do sistema clim√°tico mundial foi detectado de forma inequ√≠voca. Essa √© uma importante e gen√©rica conclus√£o do quarto relat√≥rio cient√≠fico do Painel Intergovernamental sobre Mudan√ßas Clim√°ticas (IPCC), que foi reconhecida politicamente na 13¬™ Confer√™ncia das Partes da Conven√ß√£o do Clima (COP-13).
A afirmação é considerada um dos principais embasamentos teóricos do documento que deu origem ao Plano de Ação de Bali, acordo firmado por representantes de 180 países que participaram da reunião realizada em dezembro do ano passado, em Bali, na Indonésia.
Para Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador do Instituto de Estudos Avan√ßados da Universidade de S√£o Paulo (USP), que participou da COP-13, um dos pontos altos do plano √© o consenso, entre os pa√≠ses, de que a demora em reduzir as emiss√Ķes de gases do efeito estufa limitar√° significativamente a oportunidade de atingir os n√≠veis de estabiliza√ß√£o clim√°tica, aumentando o risco de impactos mais severos sobre o clima.
‚Äú√Č uma ineg√°vel vit√≥ria que os relat√≥rios cient√≠ficos do IPCC estejam influenciando decis√Ķes pol√≠ticas internacionais. Isso porque, h√° at√© pouco tempo, chefes de estado diziam serem naturais as varia√ß√Ķes clim√°ticas dos √ļltimos anos‚ÄĚ, disse durante o evento Confer√™ncia de Bali: Novas Diretrizes sobre as Mudan√ßas Clim√°ticas, realizado nesta quarta-feira (23/1) na sede da Federa√ß√£o das Ind√ļstrias do Estado de S√£o Paulo (Fiesp), na capital paulista.
O encontro debateu assuntos discutidos na COP-13, que teve o objetivo de estabelecer diretrizes para um novo acordo de combate √†s mudan√ßas clim√°ticas ap√≥s 2012, fase final do primeiro per√≠odo de acordos no √Ęmbito do Protocolo de Kyoto. Segundo Meira Filho, que foi presidente do grupo de negocia√ß√£o de dois artigos do protocolo, a quarta edi√ß√£o do relat√≥rio do IPCC influenciou claramente o Plano de A√ß√£o de Bali.
‚ÄúAs conclus√Ķes dos estudos do IPCC, que utilizou diferentes m√©todos cient√≠ficos para que as hip√≥teses fossem testadas por meio de observa√ß√Ķes do clima, foram reconhecidas explicitamente em v√°rios trechos do texto do plano‚ÄĚ, explicou.
Segundo ele, dois motivos explicam por que os cientistas do painel demoraram v√°rios anos para conseguir detectar, de forma inequ√≠voca, o aquecimento global. ‚ÄúPrimeiro porque se precisou esperar que o clima mudasse mais do que a variabilidade natural. E, segundo, porque foi preciso aperfei√ßoar os modelos para que os cientistas conseguissem reproduzir todos os efeitos relacionados a essas mudan√ßas, como a variabilidade solar e o fen√īmeno El Ni√Īo‚ÄĚ, disse Meira Filho, que foi presidente, de 1994 a 2001, da Ag√™ncia Espacial Brasileira (AEB).
Metas a longo prazo
Com base em um consenso entre os pa√≠ses representados em Bali, o Plano de A√ß√£o enfatiza a urg√™ncia em atingir metas a longo prazo referentes √† estabiliza√ß√£o da concentra√ß√£o dos gases que produzem efeito estufa na atmosfera, tamb√©m com base nos resultados do IPCC, √≥rg√£o que ganhou o Pr√™mio Nobel da Paz de 2007 ‚Äď dividido com Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos.
De acordo com o plano, essa estabiliza√ß√£o somente ocorrer√° se as emiss√Ķes globais forem reduzidas em aproximadamente 60% em rela√ß√£o ao n√≠veis emitidos em 1990. ‚ÄúEssa conta √© feita a partir do fluxo da atmosfera para os oceanos. Hoje, cerca de 2,2 bilh√Ķes de toneladas de carbono entram nos oceanos, que s√£o os maiores consumidores de di√≥xido de carbono da atmosfera‚ÄĚ, explicou Meira Filho.
Segundo ele, com a redu√ß√£o das emiss√Ķes mundiais em 60% seria poss√≠vel estabilizar em 550 partes por milh√£o a concentra√ß√£o de di√≥xido de carbono, algo considerado satisfat√≥rio. ‚ÄúMas o consenso geral de Bali aponta para a obrigatoriedade dessa redu√ß√£o das emiss√Ķes, seja l√° qual for o n√≠vel de estabiliza√ß√£o. Por isso houve um consenso rumo a medidas de mitiga√ß√£o mais intensas‚ÄĚ, apontou.
Os 60% de redu√ß√£o seriam uma esp√©cie de reconhecimento mundial dos limites do planeta. ‚ÄúO problema √© t√£o s√©rio que h√° indica√ß√Ķes de que a poss√≠vel falta dessa consci√™ncia ambiental possa gerar s√©rios conflitos entre as na√ß√Ķes‚ÄĚ, disse.
Outro ponto importante da reuni√£o em Bali foi a possibilidade de haver novas negocia√ß√Ķes entre os pa√≠ses para definir os n√≠veis m√°ximos de temperatura mundial. ‚ÄúEsse tamb√©m foi um passo importante, uma vez que recentemente a Europa, em uma reuni√£o do G8 que contou com autoridades brasileiras, fez a proposta de um pacto global visando √† limita√ß√£o do aumento da temperatura m√©dia mundial em 2¬ļC, o que foi rejeitado pelos Estados Unidos e pelo Brasil‚ÄĚ, disse Meira Filho.
Também presente na reunião da capital paulista, Antonio Ludovino Lopes, advogado especialista em direito ambiental que também participou da COP-13, disse que o evento em Bali ofereceu um mapa de caminhos que os países devem perseguir.
‚ÄúAinda n√£o sabemos se esse mapa tem tecnologia GPS [Global Positioning System] ou se ele se parece mais com os usados por antigos navegadores. Do ponto de vista jur√≠dico, esse mapa ainda precisa ter alguns espa√ßos preenchidos‚ÄĚ, disse.
Para Lopes, em Bali houve uma n√≠tida tentativa de encontrar novos caminhos jur√≠dicos entre os pa√≠ses, de acordo com as limita√ß√Ķes dos instrumentos do Protocolo de Kyoto, o que, segundo ele, gerou conclus√Ķes de grande express√£o na reuni√£o.
‚ÄúUma delas foi a implanta√ß√£o, quase que definitiva, do fundo especial para a adapta√ß√£o. Trata-se de um instrumento do Protocolo de Kyoto que prev√™ o financiamento de projetos de adapta√ß√£o ambiental em pa√≠ses em desenvolvimento‚ÄĚ, apontou.