O Brasil Pós-Bali

Como fica o Brasil no cenário internacional após a COP-13? Qual nosso papel daqui por diante?
N√£o foi s√≥ na lidera√ßa do G-77 e na participa√ß√£o no grupo dos 15 ministros que ficaram tentando organizar o Mapa do Caminho de Bali que o Brasil atuou na COP-13. Talvez um dos mais importantes passos em defesa da manuten√ß√£o das florestas tropicas dos √ļltimos tempos tenha sido dado em Bali. Resta informar e pressionar as autoridades para que as promessas sejam cumpridas.
O FUNDO VOLUNT√ĀRIO PARA A PRESERVA√á√ÉO DA AMAZ√ĒNIA
No dia 12 de dezembro, em Bali, a ministra Marina da Silva anunciou a cria√ß√£o de um fundo para financiar o combate ao desmatamento da Amaz√īnia. O fundo seria mantido por doadores volunt√°rios como bancos, redes de supermercados, empresas a√©reas e de alimenta√ß√£o.
Segundo Tasso Azevedo, Diretor-Geral do Serviço Florestal Brasileiro, estes setores já se mostraram interessados em colaborar com o fundo voluntário. Em troca, o governo emitiria diplomas que certificariam a redução de carbono, equivalente a cada doação. Os certificados não teriam validade no mercado de carbono, não podendo ser vendidas ou negociadas. Porém abriria caminho para um possível selo que garantisse a participação no fundo e que traria competitividade à empresa.
O Fundo para Preserva√ß√£o da Amaz√īnia teria in√≠cio em mar√ßo de 2008. As cifras que rondam o projeto variam de 300 milh√Ķes a 1 bilh√£o de reais. Durante a apresenta√ß√£o em Bali, o Ministro de Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, teria se entusiasmado e negociado algo em torno de 100 milh√Ķes de d√≥lares vindos de fundos noruegueses para a causa. Ainda s√£o s√≥ especula√ß√Ķes, mas espera-se que os pa√≠ses europeus se sintam incentivados e interessados pelo Fundo e invistam maci√ßamente no Brasil.
Estima-se que para cada hectare de floresta na amaz√īnia existam 100 toneladas de carbono fixada. Esta estimativa √© subestimada, mas, a um valor de 5 d√≥lares a tonelada pode-se fazer um c√°lculo de redu√ß√£o. Este c√°lculo permitiria emitir com propriedade os tais certificados de redu√ß√£o.
Em Bali, o Brasil defendeu que deve resolver o problema do desmatamento da Amaz√īnia na esfera nacional, talvez com medo de uma poss√≠vel amea√ßa de perda de soberania do territ√≥rio. Pelo sim ou pelo n√£o, √© preciso ficar atento e informado. Sabendo da exist√™ncia do fundo, √© poss√≠vel cobrar o governo brasileiro ainda mais veementemente quanto ao problema do desmatamento.
Saiba mais:
+ Apesar dos desafios, Brasil espera acordo em Bali sobre desmatamento – √öltimo Segundo IG
+ Brasil lança em Bali fundo contra desmatamento РBBC Brasil
+ Apesar de metas n√£o-claras, confer√™ncia definiu rumo de negocia√ß√Ķes, aponta cientista do IPCC – Envolverde
+ Confer√™ncia de Bali representou ava√ßo para prote√ß√£o da Amaz√īnia – Envolverde

O Brasil em Bali

H√° um tempo atr√°s, postei aqui no blog que esperava uma not√≠cia sobre a posi√ß√£o do Brasil na 13¬™ Confer√™ncia do Clima das Na√ß√Ķes Unidas (COP 13), que ocorrer√° em Bali, entre os dias 3 e 14 de dezembro (aqui).
Na COP 13, o Brasil teria, ao meu entender, duas op√ß√Ķes: ou voltaria a ser protagonista importante nas decis√Ķes ambientais futuras, defendendo e adotando posi√ß√Ķes firmes frente ao problema do aquecimento global ou, continuaria desenvolvendo o mesmo papel de coadjuvante dos √ļltimos anos.
Hoje li uma not√≠cia no Ag√™ncia CT (link aqui) que confirmou minhas suspeitas mais temerosas. O coordenador geral de Mudan√ßa Global do Clima do Minist√©rio da Ci√™ncia e Tecnologia, Jos√© Domingos Miguez, disse que “H√° um impasse muito grande quanto ao futuro do Protocolo, ent√£o a Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU) estabelece um processo de negocia√ß√£o para tentar encontrar uma sa√≠da favor√°vel”. Trocando em mi√ļdos, que a COP 13 n√£o deve decidir t√£o cedo as propostas para p√≥s-2012 (o que n√£o significa “n√£o discutir”).
Em audi√™ncia p√ļblica, a Comiss√£o Mista sobre Mudan√ßas Clim√°ticas que se reuniu dia 21 de novembro, debateu quais as posi√ß√Ķes do Brasil quanto a tr√™s temas: o Protocolo de Quioto, projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a posi√ß√£o do Pa√≠s quanto a metas de redu√ß√£o nas emiss√Ķes de Gases do Efeito Estufa (GEEs). O que ficou decidido foi o seguinte:
1) Sobre o Protocolo de Quioto: O Brasil defende as negocia√ß√Ķes p√≥s-2012, embora entenda que esta rodada de negocia√ß√Ķes n√£o finalizar√° as discuss√Ķes, e sugere o aprofundamento das metas para os pa√≠ses Anexo I, ou seja, defende que os pa√≠ses do Anexo I aumentem ainda mais suas metas de redu√ß√£o.
2) Sobre os projetos MDL: Os pa√≠ses n√£o anexo I continuam ajudando os pa√≠ses anexo I a cumprirem suas metas de redu√ß√£o, via projetos MDL. A contrapartida dos projetos MDL √© que os pa√≠ses Anexo I que comprarem Redu√ß√Ķes Certificadas de Carbono dos pa√≠ses n√£o anexo I incentivem as a√ß√Ķes de mitiga√ß√£o nestes pa√≠ses em desenvolvimento, investindo, por exemplo, em desenvolvimento de tecnologias limpas.
3) A posi√ß√£o do Pa√≠s quanto a metas de redu√ß√£o nas emiss√Ķes de GEEs: Miguez diz que o Brasil tem uma matriz energ√©tica limpa, o que torna mais dif√≠cil a elabora√ß√£o projetos de redu√ß√£o da emiss√£o de GEEs e, em rela√ß√£o √†s metas, lembra a necessidade que o Brasil tem em crescer. Isto significa dizer que metas podem criar obst√°culos para o desenvolvimento da na√ß√£o (Onde eu ouvi isso? Ah! O Bush que disse em rela√ß√£o aos EUA!).
O que isso significa? Ao meu ver, significa que o Brasil tem uma posi√ß√£o muito fr√°gil no cen√°rio internacional e deve ficar com o papel secund√°rio no cen√°rio global de negocia√ß√Ķes clim√°ticas.
Significa que o Brasil vai ficar impondo aos pa√≠ses desenvolvidos o velho discurso do “voc√™ que poluiu, voc√™ que limpe”, embora discurse o “princ√≠pio da responsabilidade comum, mas diferenciada”
Significa que o Brasil vai deixar de lado os problemas internos (desmatamento, biocombustíveis, queimada de canaviais para colheita, metano proveniente de hidrelétricas e poluição de água e ar), uma vez que não se tem notícias da abordagem destes temas.
Miguez ainda aproveitou o ensejo para alertar o poder legislativo quanto as leis nacionais de redu√ß√£o de metas internas, como o Projeto de Lei 19/07, da C√Ęmara dos Deputados, que define como objetivo nacional a redu√ß√£o em 4%, at√© 2012, das emiss√Ķes brasileiras de gases respons√°veis pelo efeito estufa. Afinal, isso criaria uma incompatibilidade de leis, indo de encontro a uma posi√ß√£o que o Brasil defende internacionalmente.
Mudam-se as leis nacionais ou muda-se o posicionamento do Brasil no √Ęmbito mundial?
Saiba mais:
+ A reportagem completa do Agência CT
+ Os países que ratificaram o Protocolo de Kyoto
+ Link para o texto do Protocolo de Kyoto
+ Sobre a 13 COP (em inglês)

Presidente Lula homenageia brasileiros membros do IPCC

O F√≥rum Brasileiro de Mudan√ßas Clim√°ticas (FMBC) re√ļne-se na tarde de hoje, onde o presidente Luiz In√°cio Lula da Silva presidir√° a reuni√£o, que contar√° com a presen√ßa do ministro da Ci√™ncia e Tecnologia, Sergio Rezende.
No encontro ser√° prestada uma homenagem aos membros brasileiros do Painel Intergovernamental sobre Mudan√ßas Clim√°ticas da ONU (IPCC, sigla em ingl√™s), e realizado um balan√ßo das a√ß√Ķes do FBMC no ano de 2007.
O IPCC Рjuntamente com o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore Рganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2007. Este prêmio também foi comemorado pela comunidade científica nacional, uma vez que, entre os cerca de 600 autores que assinam os relatórios do IPCC, 61 são brasileiros, entre os quais estão diversos pesquisadores.
Entre esses brasileiros, destacam-se o Coordenador Geral de Mudan√ßa Global do Clima, Jos√© Domingos Miguez, e os assessores t√©cnicos Branca Americano, Mauro Santos, e Newton Parcionik (diretor do invent√°rio nacional), os pesquisadores Carlos Nobre, Di√≥genes Sala Alves, Jos√© Marengo e Volker Kirchoff, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Niro Higuchi e Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz√īnia (Inpa), Jefferson Cardia Sim√Ķes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e representante do Proantar e Carlos Clemente Cerri, do CENA/USP.
Saiba mais:
Agência CT

III Conferência Regional sobre Mudanças Climáticas

Esta semana estou participando da III Confer√™ncia Regional sobre Mudan√ßas Clim√°ticas: Am√©rica do Sul. Na sexta feira, escrevo um post mais significativo sobre minhas impress√Ķes, mas posso ir dando uma id√©ia b√°sica do que anda passando pela minha cabe√ßa por enquanto. Come√ßam assim a s√©rie de posts das “li√ß√Ķes aprendidas na dor”.
“Li√ß√Ķes aprendidas na dor I” (DOMINGO): Alguns grandes cientistas brasileiros se emprenharam no campo da pol√≠tica e das pol√≠ticas p√ļblicas. Um avan√ßo para as comunica√ß√Ķes entre a ci√™ncia e os tomadores de decis√£o, na minha opini√£o. S√≥ que quase nada do que dos cientistas dizem √© revertido em projetos de lei, ou a√ß√Ķes mais concretas. Motivo: sempre o bom e velho dinheiro.
“Li√ß√Ķes aprendidas na dor II” (SEGUNDA-FEIRA): Dos 20 modelos trazidos √† tona no Quarto Relat√≥rio do IPCC publicado este ano, v√°rios mostram cen√°rios completamente distintos para a Am√©rica do Sul (em alguns modelos vai chover muito na Amaz√īnia, em outros, haver√° uma esp√©cie de desertifica√ß√£o, com chuvas concentradas em determinadas √©pocas do ano e esta√ß√Ķes secas bem definidas). Trocando em mi√ļdos, quando os modelos s√£o levandos em considera√ß√£o todos ao mesmo tempo, existem √°reas onde ocorre uma compensa√ß√£o (na Amaz√īnia, exemplo dado acima, se somados todos os modelos, com iguais pesos, n√£o acontecer√° nada…). Para a tomada de decis√£o e pol√≠ticas p√ļblicas eficientes seriam necess√°rios modelos regionais, para a Am√©rica do Sul ou para cada pa√≠s especificamente. Ent√£o porque n√£o fazemos isso? Falta o bom e velho dinheiro.

Brasil x Mundo

Uma pequena compara√ß√£o entre as emiss√Ķes brasileiras e a m√©dia mundial de emiss√Ķes de carbono equivalente.
BRASIL
+ 75% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa (GEEs) s√£o derivadas de pr√°ticas agr√≠colas, uso de terra e florestas, incluindo desmatamentos e queimadas
+ 25% das emiss√Ķes de GEEs s√£o derivadas da queima de combust√≠veis f√≥sseis (gasolina, carv√£o, √≥leo diesel e outros derivados de petr√≥leo, g√°s natural)
MUNDO
+ 22% das emiss√Ķes de GEEs s√£o derivados de pr√°ticas agr√≠colas, uso de terra e florestas, queimadas e desmatamentos.
+ 78% das emiss√Ķes de GEEs s√£o derivados de queima de combust√≠veis f√≥sseis.
No ranking mundial das emiss√Ķes o Brasil ocupa a 5¬ļ posi√ß√£o. Se n√£o consider√°ssemos na conta as emiss√Ķes com desmatamento de florestas, ocupar√≠amos o 17¬ļ lugar.
Saiba mais:
+ O Eco
+ Agricultura e aquecimento global, Carlos Cerri

Hidrelétrica x Termelétrica

Estudos recentes realizados por Alexandre Kemenes, do Inpe, revelam que pelo menos 4 usinas hidrel√©tricas da Amaz√īnia produzem mais carbono equivalente do que uma usina termel√©trica movida a carv√£o vegetal (considerado o combust√≠vel mais poluente). As usinas estudadas foram Balbina, no rio Uatum√£ e Tucuru√≠, Samuel e Curu√°-Uana.
A usina de Balbina, a melhor estudada, teve o índice de carbono equivalente calculado e, surpreendentemente, a usina emite 10x carbono equivalente que uma usina termelétrica que produz a mesma potência (míseros 250 MW para uma área alagada de 2600 Km2).
Mas de onde vêm os gases do efeito estufa de usinas hidrelétricas?
√Āreas alagadas muito grandes e profundas constru√≠das sobre uma √°rea florestal n√£o desmatada, aliada ao clima amaz√īnico s√£o os grande fatores que fazem dos reservat√≥rios destas usinas grandes vil√Ķes. Kemenes explica que a estabilidade clim√°tica da Amaz√īnia produz extratos t√©rmicos nas diferentes profundidades do lago. Maiores temperaturas permitem maior quantidade de gases dissolvidos na √°gua.
O Processo
No fundo do lago h√° intensa atividade biol√≥gica, que torna o ambiente pobre em oxig√™nio. O ambiente an√≥xio aliado a grande quantidade de mat√©ria org√Ęnica deixada pelo n√£o-desmatamento da floresta que foi alagada, promove a a√ß√£o de bact√©rias anaer√≥bicas, que produzem altas taxas de metano (CH4) e g√°s carb√īnico (CO2).
Os lagos de alta profundidade provocam um outro fen√īmeno f√≠sico: a press√£o hidrost√°stica, que mant√©m os gases aprisionados no fundo do lago.
Os gases chegam à atmosfera por 3 caminhos distintos:
1) Naturalmente Рo aumento da concentração destes gases no fundo do lago produz bolhas de CH4 e CO2 que são lançados à atmosfera;
2) Pela atividade das turbinas das barragens Рque trazem os gases aprisionados no fundo do lago para próximo à superfície;
3) À Jusante da barragem, onde pode haver maior movimentação de águas (e por isso eliminação do extrato térmico) e diminuição da profundidade (e consequente diminuição da pressão hidrostática).
Saiba mais:
+Agência FAPESP
+Geophysical Research Letters

Divulgação de Livro On-Line

Conseq√ľ√™ncias das mudan√ßas globais para a Am√©rica do Sul
Livro cont√©m an√°lises e conclus√Ķes de encontro de 600 especialistas
Foi lan√ßada em agosto a vers√£o digital do livro “A Contribution to Understanding the Regional Impacts of Global Change in South America”, que re√ļne os trabalhos apresentados na II Confer√™ncia Regional sobre Mudan√ßas Globais: Am√©rica do Sul, evento realizado pelo IEA em novembro de 2005 com a participa√ß√£o de cerca de 600 especialistas. O volume √© organizado pelos professores Pedro Leite da Silva Dias (IEA, IAG/USP e Procam/USP), Wagner Costa Ribeiro (Procam/USP e FFLCH/USP) e Luc√≠ Hidalgo Nunes (IG/Unicamp), tem 418 p√°ginas e est√° dispon√≠vel gratuitamente em www.iea.usp.br/iea/artigos/globalchangeinsouthamerica.pdf.
O livro faz parte do trabalho de refex√£o sobre as mudan√ßas globais empreendido pelo IEA, em parceria com diversas institui√ß√Ķes, desde o final dos anos 80. O trabalho ter√° continuidade com a III Confer√™ncia Regional sobre Mudan√ßas Globais: Am√©rica do Sul, que acontecer√° de 4 a 8 de novembro, em S√£o Paulo.
CONTEXTO
As mudan√ßas globais ganharam import√Ęncia no final do s√©culo 20 e passaram a ser alvo da pol√≠tica externa de pa√≠ses e pauta de reuni√Ķes diplom√°ticas com o objetivo de controlar o aquecimento do planeta. Apesar das dificuldades pol√≠ticas, o Protocolo de Kyoto foi implementado antes da data prevista.
A ordem ambiental internacional, com todas as fragilidades que se possam apontar, come√ßa a dar sinais de aplica√ß√£o pr√°tica. “Talvez isso ocorra porque os impactos associados ao aquecimento global j√° podem ser observados; e eles passar√£o a ocorrer com maior freq√ľ√™ncia no futuro, mas de forma diferenciada pelo planeta”, destacam os organizadores do livro.
Pa√≠ses do Hemisf√©rio Sul poder√£o sofrer mudan√ßas significativas na oferta de chuva, por exemplo, que pode afetar as cadeias produtivas de alimentos: “Isso certamente gerar√° novos fluxos de migrantes do campo √† cidade, agravando ainda mais o desigual quadro social das metr√≥poles da Am√©rica do Sul”.
Al√©m disso, “parte expressiva da popula√ß√£o que mora junto √† costa ter√° que conviver com a eleva√ß√£o do n√≠vel do mar e as parcelas que vivem junto √† Cordilheira dos Andes poder√£o encontrar dificuldades para conseguir √°gua, cuja principal fonte √© o degelo lento de geleiras”.
O livro lan√ßado pelo IEA visa subsidiar o debate sobre essas quest√Ķes por parte de cientistas, empres√°rios e profissionais de √°reas relacionadas, bem como por outros setores determinantes para a discuss√£o p√ļblica dessas quest√Ķes e ado√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas pertinentes, como legisladores, jornalistas e representantes de organiza√ß√Ķes governamentais e n√£o-governamentais.
CONTE√öDO
O livro √© dividido em duas partes: “Modelagem e Mudan√ßa Clim√°tica Regional em Ecossistemas Terrestres e Aqu√°ticos” e “Impactos Sociais das Mudan√ßas Clim√°ticas Regionais”.
Na primeira parte o leitor encontrar√° textos que abordam algumas conseq√ľ√™ncias das mudan√ßas globais que j√° podem ser aferidas na Amaz√īnia, na Patag√īnia e no cerrado. Al√©m disso, conhecer√° modelos utilizados pelos pesquisadores para medir altera√ß√Ķes e projetar cen√°rios futuros decorrentes das mudan√ßas regionais resultantes do aquecimento global. Nessa parte tamb√©m est√£o inclu√≠dos os artigos sobre poss√≠veis impactos na agricultura.
Na segunda parte est√£o os trabalhos que analisam: os impactos na sa√ļde humana, no abastecimento h√≠drico em cidades e para a gera√ß√£o de energia; as rela√ß√Ķes internacionais na perspectiva de um regime internacional sobre mudan√ßas clim√°ticas; a percep√ß√£o da sociedade sobre as mudan√ßas globais; a vulnerabilidade e o risco em √°reas urbanas; e as dimens√Ķes econ√īmicas, inclusive oportunidades geradas pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto.
Ao final, encontram-se as conclus√Ķes e recomenda√ß√Ķes do evento que originou o livro, entre as quais destacam-se a incerteza em rela√ß√£o √†s conseq√ľ√™ncias das mudan√ßas globais, a necessidade da realiza√ß√£o de mais pesquisas e, principalmente, estimulo ao debate junto √† sociedade para que as altera√ß√Ķes possam ser comprendidas e assimiladas sem maiores transtornos sociais.
Fonte do texto: IEA-USP

Notícias, Notícias, Notícias

Como fiquei fora muito tempo, não vou conseguir comentar todas as notícias que ficaram pendentes estas semanas. Mas acho válido colocar os links aqui. Semana que vem, se o pessoal da Net deixar, voltaremos à programação normal.
1) Próximos passos РAgência FAPESP Р03/10/2007
2) √Ālcool em abund√Ęncia – Ag√™ncia FAPESP – 02/10/2007
3) EUA querem fixar limites volunt√°rios nas emiss√Ķes – Ag√™ncia CT – 28/09/2007
4) Nobel critica biocombustívis em novo estudo РJornal da Ciência Р28/09/2007
5) O boom da cana РAgência FAPESP Р25/09/2007
6) Brasil tem saldo positivo após 15 anos da Rio-92, diz Miguez РAgência CT Р19/09/2007
7) Oposi√ß√£o brit√Ęnica prop√īe zerar emiss√Ķes de CO2 at√© 2050 – Carbono Brasil – 18/09/2007
1)Próximos passos РAgência FAPESP Р03/10/2007
Discussão ponderada sobre as perspectivas e estratégias do uso do etanol como combustível, a estrutura necessária para pesquisa e desenvolvimentos de tecnologia para a produção, além de projeção dos impactos causados pelo uso de etanol sobre o uso de gasolina.
2)√Ālcool em abund√Ęncia – Ag√™ncia FAPESP – 02/10/2007
O aumento das vendas de ve√≠culos flex, impulsionado pelo pre√ßo do etanol frente ao petr√≥leo √© promissor e muda o cen√°rio energ√©tico do pa√≠s. A estimativa √© a expans√£o da produ√ß√£o brasileira dos atuais 430 milh√Ķes de toneladas de cana para mais de 1 bilh√£o de toneladas em 2020, com a expectativa de que o aumento da produ√ß√£o de etanol seja suficiente para que n√£o haja necessidade de aumento de √°rea plantada. Mas at√© 2020 √© esperado um aumento de 6,3 para 14 milh√Ķes de hectares cultivados, com produ√ß√£o saltando de 18 para 65 bilh√Ķes de litros por ano.
Segundo Marcos Jank, ‚ÄúHoje s√£o produzidos 8 mil litros de √°lcool por hectare de cana, comparado a 3 mil litros do etanol a partir do milho, cultivado para essa mesma finalidade nos Estados Unidos. E os estudos cient√≠ficos apontam ser poss√≠vel chegar a 14 mil litros de √°lcool por hectare com a aplica√ß√£o das tecnologias que est√£o em fase de desenvolvimento‚ÄĚ.
3) EUA querem fixar limites volunt√°rios nas emiss√Ķes – Ag√™ncia CT – 28/09/2007
A secret√°ria de Estado norte-americana, Condoleezza Rice defendeu que seja estabelecida uma meta global de longo prazo para a redu√ß√£o das emiss√Ķes de gases causadores do efeito estufa, mas pediu que os interesses nacionais de cada um sejam levados em considera√ß√£o na busca por esse objetivo. Ainda √© ego√≠sta, mas j√° √© um come√ßo.
4)Nobel critica biocombustívis em novo estudo РJornal da Ciência Р28/09/2007
Este certamente merece um post mais longo. Aguardem os próximos capítulos!
5)O boom da cana РAgência FAPESP Р25/09/2007
“Em um ano, um aumento de 12,3% na √°rea cultivada com cana-de-a√ß√ļcar e dispon√≠vel para colheita no Centro-Sul do pa√≠s. S√≥ em S√£o Paulo, respons√°vel por 68% da cana cultivada na regi√£o, o total subiu de 3,04 milh√Ķes para 3,35 milh√Ķes de hectares entre as safras 2005/2006 e 2006/2007.” As informa√ß√Ķes est√£o dispon√≠veis na internet por meio de mapas tem√°ticos com a distribui√ß√£o espacial da cana, al√©m da localiza√ß√£o de usinas e destilarias. Saiba mais: www.dsr.inpe.br/canasat
6) Brasil tem saldo positivo após 15 anos da Rio-92, diz Miguez РAgência CT Р19/09/2007
Espero fazer uma discussão melhor sobre a Conferência Rio+15 dentro em breve.
7)Oposi√ß√£o brit√Ęnica prop√īe zerar emiss√Ķes de CO2 at√© 2050 – Carbono Brasil – 18/09/2007
“O partido liberal democrata fez barulho no Parlamento Brit√Ęnico ontem ao propor que as emiss√Ķes de CO2 do Reino Unido sejam zeradas at√© 2050, considerando inclusive o fim de carros movidos a combust√≠veis f√≥sseis at√© 2040.” Vamos ver se √© s√≥ declara√ß√£o de oposi√ß√£o ou se, no governo, as coisas acontecem do mesmo modo…

Segundo invent√°rio nacional de emiss√Ķes

Durante o Seminário Internacional: Mudanças climáticas que acontece esta semana em Brasília, Newton Parcionik, assessor técnico da Coordenação Geral de Mudanças Globais do Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia falou sobre o segundo inventário brasileiros de emissão dos gases do efeito estufa, que deverá ser concluído em dezembro de 2008, e trará dados do período de 1995 e 2000.
O segundo invent√°rio √© baseado nas diretrizes atualizadas do IPCC (Painel Intergovernamental em Mudan√ßa do Clima). De acordo com Parcionik, a √°rea de maior complexidade √© justamente a que diz respeito ao uso da terra e floresta, que foi respons√°vel por 75% das emiss√Ķes brasileira registradas no primeiro invent√°rio.
“Estamos utilizando a metodologia mais refinada do IPCC para a √°rea de florestas, uma vez que pretendemos concluir os estudos por munic√≠pio”, informou. Ele explica que ser√£o utilizadas imagens de sat√©lite – cerca de 492 imagens interpretadas de observa√ß√£o – n√£o s√≥ da Amaz√īnia, mas de todos os biomas brasileiros.
Quanto √†s redu√ß√Ķes de desmatamento anunciadas nos dois √ļltimos anos pelo Governo, essas n√£o devem ser contabilizadas ainda neste invent√°rio, de forma que esse setor deve ainda continuar como um grande emissor.
Parcionik alerta, no entanto, que todo invent√°rio tem sua margem de erro, e que a tend√™ncia das emiss√Ķes brasileiras √© crescer na medida em que crescem tamb√©m a popula√ß√£o, o PIB e outras atividades econ√īmicas, mas, ainda assim, v√£o estar entre as menores do mundo (nas emiss√Ķes per capita). Veja quem s√£o os maiores emissores aqui.
Mesmo com uma diferen√ßa de oito anos entre os dados e a publica√ß√£o do segundo invent√°rio, √© essencial para a tomada de decis√Ķes pol√≠ticas a leitura atenta dos documentos. O primeiro invent√°rio brasileiro (1990-1994) leva em conta dados recolhidos antes da finaliza√ß√£o do Protocolo de Kyoto, em 1997 e √© anterior √†s metodologias aprovadas pelo IPCC e pela UNFCCC, o que torna mundo dif√≠cil a cria√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas s√©rias nos setores analisados. A publica√ß√£o do segundo invent√°rio, em 2008, certemente trar√° grandes avan√ßos na discuss√£o da mitiga√ß√£o de gases do efeito estufa no Brasil.
Via: Agência CT
Saiba mais: Protocolo de Kyoto

Mitigação e Adaptação, defende Carlos Nobre

Carlos Nobre, climatologista do Inpe, palestrou ontem no Congresso Nacional, durante o Semin√°rio Internacional “Aquecimento Global: a responsabilidade do Poder Legislativo no estabelecimento de pr√°ticas ambientais inovadoras”. Nobre defende que h√° necessidade de atua√ß√£o em duas principais √°reas: nas a√ß√Ķes de mitiga√ß√£o e nas a√ß√Ķes de adapta√ß√£o.
Segundo o pesquisador, o desenvolvimento de um mapa da vulnerabilidade do Brasil seria essencial para que as pol√≠ticas p√ļblicas sejam feitas de forma mais embasada, diminuindo os efeitos causados pelas mudan√ßas clim√°ticas locais.
N√£o podemos nos esquecer que a√ß√Ķes de adapta√ß√£o devem ser tomadas, mas as a√ß√Ķes de mitiga√ß√£o n√£o devem ser deixadas de lado. Quanto menos pensarmos em mitiga√ß√£o, maiores ser√£o os efeitos do clima sobre o planeta. Que esta mensagem tenha ganhado for√ßas nos nossos representantes!
Saiba mais:
Agência CT