Cidade da Ciência vs. Copa do Mundo

Natal, capital do Rio Grande do Norte e cidade onde moro, corre o risco de virar cidade-sede da Copa do Mundo de num-sei-quando (não sou exatamente do tipo esportivo; sou um nerd, meu esporte é informação), com um estádio a ser construído onde hoje funciona o Centro Administrativo (nome moderno para Palácio do Governo) e aparentemente custará um quarto de bilhão de contos do nosso rico dinheirinho.
Mas, como eu já disse que não ligo para esportes físicos, por quê então estaria falando de um estádio de futebol?
H√° quase exatamente dois anos, apareceu uma not√≠cia na imprensa potiguar que dizia que Natal, Cidade do Sol (slogan tur√≠stico oficial), teria uma Cidade da Ci√™ncia a ser constru√≠da em meados de 2008 com um custo estimado em 7 milh√Ķes de pilas.
Ano passado começou e (sendo passado) acabou e neca-de-pitibiriba de observatório (carro-chefe da empreitada), parque, museu, bixiga-lixa, cacete-a-quatro, etc, etc.
Em novembro, este neguinho aqui perdeu tempo noticiou o assunto (ainda no antigo Lablogatório).
Ent√£o, dia oito de janeiro deste, outra not√≠cia que j√° come√ßa otimisticamente com “come√ßaram, efetivamente, no Centro Administrativo, na BR-101, as obras de constru√ß√£o da Cidade da Ci√™ncia” mas antes do par√°grafo acabar revela que “a partir da pr√≥xima semana, quando ter√° passado esse per√≠odo de recesso de final de ano, teremos um incremento nas obras” e diz que agora vai custar treze milhas. Mais de 85% de aumento em nove meses. Nem um bucho aumenta tanto assim.
Eu passei por lá recentemente (semana passada) e não vi nenhum dos prédios antigos no chão ou qualquer outro indício de um trabalho a caminho.
Mas como não entrei, não posso dizer que o chão não está super-aplainado e bem alicerçado. Isso fica para semana que vem, quando pretendo botar o time em campo (usei essa analogia certo?) e ir visitar o sítio.
Mas que diabos o começo do artigo tem a ver com o meio?
O local.
Sim, pois com a expectativa de Natal virar reduto de anabolizados atletas fedendo jogando por quinze dias, acabou-se Cidade da Ciência, pois não há outro lugar grande e central o suficiente para acomodar outro estádio. Natal, 800mil habitantes, tem TRÊS estádios de futebol.
E por quê reformar um quando se pode construir outro pelo triplo do preço? Ou mesmo demolir um que já não serve de muita coisa e construir o novo ali.
Não, precisamos gastar vinte vezes mais e trocar a Ciência pelo Esporte.
Pensando bem, é até bom que não tenhamos algo assim aqui. Será menos dor na minha cabeça, pois o local seria certamente administrado pelo pessoal da UFRN, que não sabe diferenciar formando de Ph.D (podem perguntar ao Marco, que passou uma temporada aqui lixando isopor).

“Pra qu√™ estudar taxa de deforma√ß√£o, arrasto, aerodin√Ęmica e movimento parab√≥lico se eu posso simplesmente dar um bicudo na bola?”
– Algum jogador cujo nome acaba em ‘son’ –

1¬ļ de abril

Hoje n√£o vou falar do tradicional Dia da Mentira (algo a ver com a maneira como os franceses marcavam a passagem do ano), mas sobre os 45 anos da Ditadura Militar Brasileira.
No primeiro dia do quarto mês do ano de 1964, João Goulart foi derrubado da presidência, num episódio que deu início à ditadura militar no Brasil.
Ontem, na R√°dio Senado, ou√ßo um senador dizendo que “o dia de hoje deve ser lembrado como uma li√ß√£o de que o processo democr√°tico n√£o pode parar”.
Imediatamente me lembrei de uma hip√≥tese formulada por Ford Prefect que supunha que “os humanos devem permanecer constantemente falando porque, se suas bocas pararem de mexer, seus c√©rebros come√ßam a funcionar”.
N√£o creio que essa tenha sido a id√©ia do senador, mas foi sem d√ļvida a minha: se o processo democr√°tico parar, as coisas come√ßam a funcionar.
Tudo bem que existia censura de imprensa institucionalizada, mas hoje em dia at√© o YouTube foi tirado do ar por causa de uma apresentadora que achou ruim ser filmada fornicando numa praia p√ļblica e um jornal de Minas que foi cercado pela PF para que nenhuma edi√ß√£o saisse das prensas sem um “direito de resposta”.
programa na TV Senado foi tirado da grade de programação antes de sequer estrear.
A censura serviu pelo menos para alimentar uma gera√ß√£o de letristas razo√°veis, um mundo de dist√Ęncia dos x√°rli-br√°u-j√ļniores de hoje em dia.
Também não podíamos escolher nossos governantes.
Daqui de onde eu estou n√£o vejo muito lucro em ter esse “poder” de escolha. J√° chegamos ao ponto onde devemos escolher o “menos ruim” para termos alguma chance.
O que inevitavelmente leva a lugar nenhum, pois A vira apoiador de B, mas C ainda terá direito a X vagas no ministério de sua escolha.
Aí eu me pergunto: qualé a diferença? E eu mesmo me respondo: nenhuma!
Os militares governavam arbitrariamente, mas faziam isso abertamente, sem se esconder sob o manto da “democracia”.
Hoje nossos representantes escolhidos por voto popular também fazem o que querem, mas o fazem na surdina, sem o menor respeito pelo povo.
Essa democracia em que vivemos √© um lixo. Sou mais a ditadura…
Numa nota diferente, mas nem tanto, ontem foi um dia ruim para a política norte-riograndense; escutei o noticiário no rádio e fui ao teatro ver a orquestra.
No r√°dio, ouvi Paulinho Freire, o vice prefeito de Natal dizer que de janeiro a mar√ßo deste ano o n√ļmero nos casos de dengue diminuiu e que isso se deu por causa de Micarla, a prefeita.
Dane-se que choveu consideravelmente menos no primeiro trimestre deste ano comparado com o mesmo período do ano passado. Temos que agradecer à prefeita!
Sua inação é realmente assombrosa, não tendo tido ainda a vergonha na cara de encher pelo menos um (01) carro fumacê de veneno e mandá-lo pelas ruas.
Soube de um funcion√°rio do Conselho de Medicina do RN que ela se reuniu com o ministro da sa√ļde para conseguir verba para construir mais cinco (05) hospitais municipais. Talvez seja porque os que j√° existem s√£o regularmente interditados pelo Conselho por falta de pessoal, material e estrutura.
Aí precisamos de mais cinco.
O vice prefeito √© um rid√≠culo, que n√£o sabe a diferen√ßa entre “correla√ß√£o” e “causa”, mas a prefeita √© uma imbecil esf√©rica.
A governadora do meu estado também não fica muito atrás, mas as pessoas que ela coloca em cargos de médio-poder são ainda piores.
Como eu disse, ontem eu fui ver a Orquestra Sinf√īnica do RN com um maestro convidado.
Uma desqualificada analfabeta que foi recentemente nomeada diretora do Teatro Alberto Maranh√£o subiu para apresentar o espet√°culo.
Passou quase quinze minutos falando como Wilma de Faria era uma pessoa boa e como o secret√°rio para assuntos institucionais (ali presente, “representando” a governadora) era bonito e iria, n√£o, deveria repassar os beijos que ela, diretora, estava dando metaforicamente no rosto da governadora.
A idiota falou ainda como DOIS MILH√ēES DE REAIS haviam sido investidos no teatro nos √ļltimos cinco anos, como se isso fosse muito ou como se fosse pelo menos mais do que o governo do estado gasta em propagandas em um m√™s.
Todo esse dinheiro, porém, não impediu que a tampa da privada, ao invés de substituída, fosse reconstituida com resina epóxi e ao lado houvesse uma lixeira sem fundo, o que se torna nada além de um cilindro vazio
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Ao fim da “apresenta√ß√£o”, a diretora do TAM diz: “E agora, com voc√™s, Thomas Lawrence Toscano!”
E a orquestra? Merece alguma menção? Pelo menos por tocar naquela noite? Não creio que o maestro vá se apresentar sozinho. Aliás, ele é um convidado da OSRN.
Ap√≥s essa prova de falta de preparo da nova diretora do teatro que apresenta o convidado da atra√ß√£o da noite mas n√£o a atra√ß√£o da noite, ela fica prostrada ao lado do palco, impedindo que os m√ļsicos apare√ßam, enquanto o MC (um profissional da voz bonita, empostada e que sabe ler e apresentar um espet√°culo) conserta e diz o seu “senhoras e senhores, a Orquestra Sinf√īnica do Estado do Rio Grande do Norte”.
Neste momento, a cretina adentra a coxia e sai de m√£os dadas com o maestro, se curva em agradecimento ao p√ļblico como no fim do espet√°culo e fica estupidificadamente olhando para o representante da governadora, mandando beijos como um toureiro sob uma chuva de rosas ao fim de um dia de trabalho bem sucedido.

Carnatal em Natal

Minha vida cada vez se torna mais interessante.
Depois de adquirir sinestesia e sofrer de ataques de sonambulismo, alucina√ß√Ķes t√°teis, mem√≥rias inventadas, de aprender que meu c√©rebro s√≥ precisa cheirar caf√© para se sentir alerta e de me embriagar com a ebriedade alheia, hoje o meu c√©rebro fez “mais uma das suas”, como dizem os populares.
Daqui a pouco começa na minha cidade uma micareta, ou carnaval-fora-de-época, batizado de carnatal, um trocadilho vindo duma faísca brilhante rara de raciocínio marqueteiro (não vou colocar links, deve ser uma coisa fácil de achar por aí).
O evento ocorre exatamente no meio da cidade, na mediatriz, no epicentro, ponto zero, hub, miolo, meiinho, merm’num√™i da passagem.
Hoje eu tive que passar por l√°.
Mesmo dentro do carro lacrado, passando a uma certa velocidade, bastou o estímulo visual daquelas paredes de compensado amarelo recobrindo esqueletos de metal que dão sustentação aos camarotes e das tendas quadradas, desconfortáveis e calorentas para que eu sentisse O Cheiro.
Quem já participou de algo assim (e não é anósmico) conhece O Cheiro.
Ele est√° presente em qualquer festejo de rua que dure mais de uma hora e que aglomere mais de vinte pessoas por vinte metros quadrados.
Um aroma de algodão cru tingido com pigmentos artificiais volatilizados misturados com água e sais minerais provenientes da excreção dérmica, amargos resíduos líquidos e gasosos de grãos fermentados misturados com ptialina e ácido clorídrico com uma forte influência de nitrato morno recém expelido.
Me refiro à catinga de suor, cerveja e mijo que toma as ruas durante e após a festa.
O abad√°, uma pseudope√ßa de roupa n√£o-tratada e ridiculamente colorida que agrupa os foli√Ķes por poder aquisitivo e os permite andar, pular, se drogar e incorrer em promiscuidade dentro de um pol√≠gono irregular margeado por cordas suspensas por homens iguais, exala um bodum inigual√°vel quando em contato com suor.
Em todos os meus anos de vida jamais me deparei com algo t√£o repugnante e insuport√°vel quanto arroto de cerveja.
O líquido em si, ainda embalado, já não é tão nasalmente agradável, sendo esse o motivo que nos faz bebê-lo tão gelado (o frio diminui a exalação), mas quando semidissolvido em cuspe e suco gástrico se torna numa poção impossivelmente sebosa e revoltantemente podre.
Vou tentar não entrar muito em detalhes quanto ao cheiro de uréia curtida em calçamento quente pois ainda estou digerindo o meu almoço e quero aproveitar ao máximo o resto da energia ali contida.
Pois bem, bastou ver o local e resgatar uma memória (que infelizmente possuo) para sentir O Cheiro.
E √© exatamente por isso que estou indo passar o fim-de-semana numa praia a cento e poucos quil√īmetros daqui.
Isso e a m√ļsica. N√£o suporto ax√©-music (e como participei da primeira edi√ß√£o do evento, ainda sei decorado as imut√°veis can√ß√Ķes que embalam a festa).
Até segunda!
P.S. amanh√£ tem mais um enigma molecular na agulha, n√£o percam!

Centésimo artigo

Mantenho este blogue há três meses e meio e isto aqui é a centésima entrada.
Prolixo, eu?
Eu n√£o deveria estar escrevendo, mas eu n√£o me contenho.
Deu vontade de escrever (foi quando notei que j√° tinha 99 artigos publicados e este seria um n√ļmero duplamente redondo, mas eu n√£o ligo para n√ļmeros famosos) porque comecei a ler v√°rias coisas agora pela manh√£ sobre a Lei Seca.
A primeira coisa que me veio √† mente sobre isso (e pensei nisso hoje pela primeira vez) foi “Lei Seca √© um termo um tanto exagerado, n√©n√£o?”
De certa forma, isso sempre existiu, sempre foi proibido beber e dirigir (até onde eu lembro), apenas diminuiram o limite. Que não é zero.
Nem pode ser.
Os instrumentos de medição vêm com um certo grau de erro (problemas de calibração) que, se o limite fosse zero, as autoridades poderiam prender o vento por se locomover embriagado.
Comer um chocolate de rum (meu favorito, ainda mais pelo fato de ser sempre o que sobra dentro da caixa j√° que nenhuma outra pessoa que conhe√ßo gosta do bicho) ou um bombom de licor n√£o vai lhe jogar atr√°s das grades, atrav√©s das quais o sol aparenta nascer listrado (quando eu era pequeno eu fiz um passeio pela Fortaleza dos Reis Magos (uma fortifica√ß√£o militar do s√©culo 17 (n√£o gosto de n√ļmeros romanos) localizada na minha cidade, na esquina do mar com o rio Potengi, ponto estrat√©gico de entrada em Natal), onde me foi mostrada uma cela, cuja √ļnica fonte de ilumina√ß√£o e entrada de ar (fora a porta, obviamente), √© um buraco atunelado na parede inacreditavelmente grossa (tijolo de oito furos uma ova, l√° √© tudo PEDRA), por onde, logo cedo, em certos dias, se der sorte, um detido poderia ver o sol nascer. Quadrado), nem v√£o tomar sua carteira de motorista por causa disso.
Existe sim um limite acima de zero, se não pela bondade da polícia e dos legisladores, mas pela ciência de que os instrumentos não são perfeitos e que pessoas ainda usam antisséticos bucais com álcool.
Eu queria explicar como o baf√īmetro funciona, mas precisaria pesquisar, interpretar, desenvolver, colocar links, citar fontes, etc, etc, etc e n√£o estou afim de escrever muito hoje…
Sério.
O problema maior é a falta de policiamento e fiscalização.
Aqui existe uma blitz permanente na Via Costeira mas, no dia de um show grande por aquelas bandas na semana retrasada, eu fui na hora em que todo mundo estava indo e voltei na hora em que todo mundo estava voltando e o posto policial ali estava fechado.
Semana passada fui e voltei para uma praia semiurbana em condi√ß√Ķes semelhantes de tr√°fego e movimento e encontrei a mesma falta de policiais.
Por mais seca que a lei seja, precisamos de quem a imponha.

O fim da Dengue

Dengue só vai se acabar quando o Aedes aegypti for extinto e se o vírus não achar outro hospedeiro.
N√£o gosto de ser o arauto do terror nem o n√ļncio do p√Ęnico, mas desde que o mosquito consiga p√īr ovos, locais prop√≠cios faltar√£o jamais.
Por mais que se furem todas as latas, se virem todas as garrafas, se troque toda a √°gua de jarro por terra e se queimem todos os pneus em rodovias federais durante protestos criminosos e indecentes, n√£o vai parar de chover (pelo menos n√£o aqui em Natal, pelo menos n√£o no futuro pr√≥ximo) e √°gua n√£o vai deixar de empo√ßar (√ī palavrinha feia…).
Aqui, n√≥s temos o segundo maior parque urbano do pa√≠s (o maior natural, n√£o-reflorestado) mais milhares de √°rvores espalhadas pelos canteiros e casas urbanas e de praia. Cada uma dessas √°rvores tem milhares e milhares de folhas que, pela falta de esta√ß√Ķes bem definidas a essa pouca dist√Ęncia do equador, est√£o o tempo todo sendo repostas, o que significa o descarte das velhas em favor das novas (‚Äún√£o vou mais com meias velhas, s√≥ vou com meias novas‚ÄĚ). Cada uma dessas folhas mortas √© um potencial recept√°culo de √°gua da chuva (que, atrav√©s de impacto mec√Ęnico, derruba ainda mais folhas), se tornando tamb√©m um ber√ß√°rio para os ovos dos mosquitos (se for verdade que tampinhas de garrafa tamb√©m podem ser).
Os ovos s√£o postos acima d‚Äô√°gua e podem sobreviver na secura por mais de um ano, em condi√ß√Ķes favor√°veis (umidade, temperatura, falta de perturba√ß√Ķes, etc). Quando a chuva (ou qualquer √°gua, tanto faz, basta ser mais ou menos limpa) cai e o n√≠vel do l√≠quido sobe, o ovo cai na √°gua e choca (eu li que isso pode acontecer em meia hora) e se desenvolve, em mais ou menos uma semana, num mosquito adulto que pode viver at√© trinta dias.
Eu n√£o sei quantas vezes a f√™mea p√Ķe, mas (ainda n√£o sabendo com certeza) li que elas podem colocar at√© 200 ovos duma vez e que para produzir uma fornada elas precisam se alimentar at√© tr√™s vezes e que cada refei√ß√£o do nosso sangue (o diabo do bicho √© antropof√°gico, s√≥ gosta de sangue humano) leva de dois a sete dias para ser digerido.
Se a digestão durar em média cinco dias e a fêmea se alimentar duas vezes para gerar os ovos, são seiscentos ovos por mosquito(a).
Nem todos esses seiscentos v√£o chocar, alguns v√£o chocar na √©poca errada, alguns v√£o ser comido por lagartixas, alguns nasceram machos (s√≥ as f√™meas se alimentam de sangue para ter energia suficiente para produzir ovos, fora esse tempo, tanto elas quanto eles se alimentam de seiva e n√©ctar, como as borboletas), alguns v√£o nascer mal formados, outros n√£o v√£o encontrar as condi√ß√Ķes ideais. Ali√°s, por falar nisso, as condi√ß√Ķes ideais para o desenvolvimento das larvas se d√£o num local com alta umidade e temperatura entre 25 e 30 graus Celsius. Conhecem algum lugar assim?
Voltando para o assunto ‚Äúpo√ßas d‚Äô√°gua‚ÄĚ, quem aqui j√° subiu no telhado da pr√≥pria casa (ou conhece algu√©m que o fez) para fazer o rod√≠zio das telhas? Uma telha √© uma tigela que n√£o desenvolveu a tecnologia da borda cont√≠nua. Mas basta um empecilho (um m√≥i de poeira ou terra ou folhas ca√≠das) para tapar o escorrego e transforma-la num prato. Que fica escondido por duas outras telhas viradas para baixo.
Qual é o órgão da Prefeitura que vai passando de buraco em buraco (porque Natal está LOUCA de buracos, mais buraco que boneca de Vodu) das nossas ruas jogando água sanitária? Porque um buraco forrado com asfalto junta água bem que só. E junta muita.
Carros Fumac√™ (hoje tem muita palavra feia aqui…) s√£o √ļteis porque matam os mosquitos. Mas n√£o matam os ovos nem as larvas. E matam apenas na hora, j√° que a fuma√ßa se dissipa muito r√°pido (n√£o consegui achar um dado confi√°vel, mas fuma√ßa √© fluida, que tende a se espalhar muito r√°pido, afinando e se diluindo, perdendo a efic√°cia) e toda hora tem mosquito nascendo. Para ser eficiente MESMO, a fuma√ßa teria que jorrar vinte e quatros horas por dia, por trinta dias, o que n√£o seria muito bom para a nossa sa√ļde.
Esta semana eu fiz uma observa√ß√£o interessante. Eu trabalho num pr√©dio que fica entre duas ruas de m√£o √ļnica, uma indo, outra vindo. O bico da bomba de aerossol dos carros Fumac√™ √© fixo e aponta para o lado do passageiro (talvez para zelar pela sa√ļde do motorista que, desse jeito, n√£o fica exposto ao produto o tempo todo). Ou seja, quando est√° subindo a avenida, a fuma√ßa est√° indo para os pr√©dios aqui em frente. Quando est√° voltando pela rua de tr√°s, novamente o bico aponta para o outro lado. Se a via for m√£o-√ļnica, os pr√©dios do lado esquerdo jamais ser√£o encobertos pela n√©voa de querosene e veneno.
Os mosquitos atacam em ambos os lusco-fuscos e s√£o guiados pelo cheiro do g√°s carb√īnico que exalamos pela nossa respira√ß√£o e atrav√©s da nossa pele e pelo √°cido l√°tico produzido em nossos m√ļsculos (existem outros odores tamb√©m, mas esses dois s√£o os principais).
Depois da picada, o tempo de incubação do vírus varia entre quarenta e oito horas até quinze dias, quando ficamos doentes (mas nem toda picada transmite o vírus e às vezes são necessárias várias incidências).
Os sintomas principais s√£o: dores nos m√ļsculos e nas juntas, manchas vermelhas pelo corpo e moleza. Mas um s√≥ n√£o quer dizer nada, todos t√™m que estar presentes. S√≥ dor nas juntas pode ser Gota, manchas na pele pode ser Chanha e moleza pode ser pregui√ßa. Se os tr√™s sintomas estiverem presentes, corram (mas corram devagar) para o m√©dico ou posto de sa√ļde, bebam √°gua como se n√£o houvesse amanh√£ e DESCANSEM. Dengue n√£o tem cura, quem faz o sujeito melhorar √© seu pr√≥prio sistema imunol√≥gico que precisa de energia para detonar os invasores. N√£o desperdice.
E façam um acompanhamento, pois a sociedade precisa saber por onde o infectado andava ao ser picado, quanto tempo durou o quadro e a intensidade daquele modelo do vírus.
Novamente, √°gua e cama. Muito de cada. Porque a Dengue jamais vai acabar…
Muito pouco em comum com o artigo de hoje, mas eu podia deixar essa frase passar batida n√£o:
“N√£o h√° vida no ser que n√£o tenha capacidade de mover-se por si mesmo. Embri√Ķes n√£o s√£o portadores de vida atual. Eles n√£o t√™m direito e n√£o guardam sequer expectativa desse direito (√† vida)”
Cezar Peluso, Ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre a Lei de Biossegurança-

Recorte de jornal

-Retirado do Jornal da Assembléia-
Correção política extremada ou simples perda de tempo?
Por Jorge Peixoto
Natal, 30 de janeiro de 2008.
O Deputado Estadual Luiz Almir Filgueiras Magalhães, na tarde de ontem, encaminhou Ofício à Assembléia Legislativa do Estado pedindo, em caráter urgente e extraordinário, o pedido de votação da medida 32.833/08, que aconselha maior prudência neste período de festas carnavalescas.
Mas a que custo? Segundo o texto da medida, o bloco tradicional da Redinha, Os C√£o, ficaria proibido de sair este ano, ou pelo menos de manter a sua tradi√ß√£o de se cobrir com a abundante lama do mangue da praia da Redinha, pois os foli√Ķes ‚Äúperturbam a paz e causam polui√ß√£o visual nas ruas do bairro‚ÄĚ.
Mas não pára por aí!
O Deputado quer tamb√©m proibir, ou melhor, ‚Äúregulamentar‚ÄĚ os blocos de mela-mela do estado, quando diz que ‚Äútais blocos ofendem aos passantes, v√≠timas inocentes de uma cruel pr√°tica, deixando os cidad√£os e o Patrim√īnio P√ļblico sujos, sem o consentimento das partes‚ÄĚ. Segundo o texto do Of√≠cio, os mela-melas s√≥ poderiam ‚Äúcircular em trechos de ruas p√ļblicas ap√≥s consentimento do Governo do Estado, na forma da Secretaria de Transportes e Obras P√ļblicas (STOP), da prefeitura do munic√≠pio e, caso haja, conselho de bairro por maioria de voto. Tais trechos ser√£o fechados ao p√ļblico comum, por n√£o mais de uma (01) hora e ser√£o determinados por Conselho Extraordin√°rio, formado por parlamentares e assessores, apenas durante o evento, e todos os envolvidos nas celebra√ß√Ķes devem assinar Termo de Compromisso (…) onde deixam expl√≠cito que participam por livre e espont√Ęnea vontade e que os impede de levar adiante processo civil ou penal contra outros part√≠cipes.‚ÄĚ
Resumindo, pra brincar num mela-mela, os organizadores precisam pedir permissão ao secretário de TRANSPORTE (?), ao prefeito e deve ganhar por maioria o voto do conselho de bairro. Depois disso só se pode brincar por no máximo uma hora num local determinado pelos vereadores e seus empregados e ainda todos devem assinar um papel dizendo que não se importam de se sujar em nome da folia.
Imagine o tamanho da papelada, o tempo perdido com burocracia e, mais importante, o √īnus de tudo isso! Sim, porque nada a√≠ seria de gra√ßa.
Mas seria isso um preço baixo a pagar pelo conforto de poder sair por aí sem o risco de ser atingido por maisena? Ou um mal necessário para que todos nós possamos ir comer a nossa ginga com tapioca sem termos a nossa paz perturbada e a nossa visão poluída por seres do mangue?
A minha opini√£o √© de que isso √© uma medida rid√≠cula, um artif√≠cio para fazer n√ļmero, adicionando, antes da pr√≥xima elei√ß√£o, ao portf√≥lio de Luiz Almir.
Se ele n√£o gosta d‚ÄôOs C√£o ou de mela-mela (√© fato p√ļblico que ele gosta mesmo √© de serestas), deixe n√≥s, que gostamos, aproveitar o espet√°culo, a farra e a brincadeira em paz e pare de gastar o nosso dinheiro e o tempo da Assembl√©ia com medidas in√ļteis e descabidas!
O e-mail do Deputado é luizalmir@al.rn.gov.br
Deixo-o ouvir a sua opini√£o!
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Agora, se eu, Igor Santos, não dissesse que não existe Jornal da Assembléia nem Jorge Peixoto, que isso aí é mentira e foi inventado por mim no dia 30 de janeiro como uma brincadeira (visando estimular o pensamento crítico de alguns colegas meus), quantos acreditariam na minha palavra virtual?
Cuidado com a informação que vocês recebem, não acreditem em tudo o que lêem. Dados sem corroboração não valem de nada, por mais que pareçam fazer sentido ou sejam agradáveis e concordem com nossos pontos de vista.
E, baseado na minha experiência, se passou na TV é mentira.
Podem acreditar em mim!

18 anos de voyeurismo

Sem ter sobre o que escrever hoje, mas tentando manter a média de um artigo por dia (desde o dia 14, pelo menos), fui pesquisar (lembra quando a internet era para isso?) e descobri que hoje o Telescópio Espacial Hubble está se tornando um hominho.
Lançado em 24 de abril de 1990, o Hubble completa hoje dezoito anos (já pode ser preso!) de serviços prestados à humanidade.
O começo do projeto foi muito atabalhoado e acabou com muita coisa dando errado (o espelho do telescópio, por exemplo, tinha uma imperfeição mínima, mas que inviabilizaria a experiência; outro problema foi a falta de dinheiro depois que a Challenger explodiu), o que atrasou o lançamento em sete anos.
Uma das coisas que o Hubble ajudou a descobrir foi a taxa de expansão do universo (excitante, eu sei), além de ter tirado fotos ESPETACULARES e ter incentivado milhares de jovens a seguir carreira em astrofísica (será que todo mundo está tão animado quanto eu?).
=>ATENÇÃO<=
Interrompo este artigo para parabenizar a Defesa Civil de Natal. Ontem (eu escrevo isso de véspera) foi o dia da chuva mais bruta em MUITO tempo (cada gota era pelo menos do tamanho dum punho e caia com a força dum bufete) nesta cidade.
N√£o que esta cidade (arrodeada pelo mar, cortada por um rio que desemboca no mesmo mar e constru√≠da em cima duma duna de areia extremamente porosa e absorvente) precise de muita chuva para alagar (a m√ļsica √© do¬†Kid¬†Morangueira sobre a Rio de Janeiro,¬†mas¬†serve¬†para¬†c√°¬†tamb√©m, √© s√≥ mudar o nome dos bairros).
Só no meu caminho do trabalho pra casa caíram CINCO muros (talvez isso diga mais da qualidade dos muros do que da força da precipitação, mas pela potência da bicha, eu aposto na chuva) e vários pedaços de ruas. Esses buracos mais perigosos, do tipo que cai carro dentro, estavam todos protegidos por veículos e agentes da Defesa Civil, e os menos mortais estavam sinalizados com cavaletes, e não com o tradicional pau de pé-de-pau (um dia desses perto da minha casa tinha um que foi crescendo em quantidade de adornos e acabou como um espantalho, com camisa, chapéu e óculos).
Agora vou esperar a chuva parar para ver se a prefeitura est√° no mesmo pique e ajeita logo a buraqueira.
Retorno agora à programação normal.
=>Obrigado pela atenção.<=
Esta foto √© meio grande, mas vale a pena cada segundo esperado. Cada ponto de luz √© uma gal√°xia (notem as espirais). N√£o um planeta, n√£o uma estrela, n√£o uma constela√ß√£o, mas uma GAL√ĀXIA! Com bilh√Ķes de estrelas em cada! Veja uma escala aqui.
“O universo √© grande. Grande, mesmo. N√£o d√° pra acreditar o quanto ele √© desmesurada, inconceb√≠vel, estonteantemente enorme. Voc√™ pode achar que da sua casa at√© a farm√°cia √© longe, mas isso √© caf√© pequeno pro Universo.‚ÄĚ
-Guia do Mochileiro das Gal√°xias-
Essa √© a Nebulosa da √Āguia, um agrupamento de estrelas e poeira na constela√ß√£o da Serpente, e talvez a foto mais famosa tirada pelo telesc√≥pio.
Tudo o que o Telesc√≥pio Espacial Hubble faz e toda a informa√ß√£o acumulada por ele est√° dispon√≠vel ao p√ļblico (incluindo as fotos, que s√£o n√£o forem as fotos mais bonitas j√° batidas, eu sei mais de nada). At√© o tempo de utiliza√ß√£o dele √© gratuito e aberto a qualquer pessoa. S√≥ √© preciso entrar na fila…
E por que mandar um telescópio pro espaço? Tem lugar aqui não? Né mais fácil aqui não?
Lugar tem e √© mais f√°cil sem d√ļvida, mas aqui tem atmosfera, que faz as estrelas piscarem e dificulta medidas muito precisas. E existe tamb√©m o grande problema de um telesc√≥pio fincado na terra s√≥ apontar prum lado o tempo todo. Os no hemisf√©rio sul nunca veriam a Estrela do Norte, assim como os do outro lado nunca observariam o Cruzeiro do Sul (esses nomes n√£o foram colocados na doida). Um observador solto no espa√ßo pode olhar para todos os lados, apontar para todas as estrelas, bastando, para isso, ser mandado.
Hubble já gastou muito dinheiro (não o nosso, não diretamente pelo menos) e já passou por muito problemas, mas também nos ensinou muito sobre nossa História e nos instigou a buscar mais respostas.
Se isso n√£o tiver valido a pena, novamente, eu sei mais de nada.
HST
Parabéns, cabra!

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