5 Anos de MARCO EVOLUTIVO e Feliz 2013

5 year cakeComeçamos esse feliz ano de 2013 já celebrando não UM, nem DOIS, TRÊS ou QUATRO mas sim os 5 anos que o MARCO EVOLUTIVO fez em novembro de 2012. Nosso science-canal online sobre Biologia, Evolução, sua História e Filosofia, e Comportamento Animal e Humano está com meia década de existência, e amadurecendo junto com você.
Agrade√ßo como sempre todos os coment√°rios, elogios e cr√≠ticas recebidos. Continuem sempre acessando e compartilhando links do blog com os amigos. Aqui ao lado esquerdo ¬†do post temos v√°rias op√ß√Ķes para curtir e compartilhar!

Tive um 2012 cheio de viagens pra congressos, pesquisas, orientação, palestras, minicursos e concursos, pricipalmente no segundo semestre o que tomaram todo o meu tempo para blogar. Fiquei noivo da Jaroslava Valentová, a Antropóloga Tcheca que é a mulher dos meus sonhos. Estou muito feliz que tudo está dando certo conosco e logo estaremos vivendo juntos.

Estive tamb√©m trabalhando com rep√≥rter de Ci√™ncia e Sa√ļde na Folha de S.Paulo. Gostaria de agradecer ao Reinaldo Jos√© Lopes e toda a equipe da reda√ß√£o por essa fant√°stica experi√™ncia profissional em jornalismo cient√≠fico. Para acessar todos os textos que publiquei pela Folha √© s√≥ clicar AQUI.

Fora isso participei do Boteco Behaviorista #4: “Biologia, Evolu√ß√£o e Comportamento”¬†a convite do Felipe Epaminondas. Clique para assistir ao hangout coletivo inteiro gravado no dia 2 de setembro.

De janeiro de 2012 at√© janeiro de 2013 o MARCO EVOLUTIVO teve quase 27 mil visitas. Tivemos mais de 24 mil visitas no Brasil e 1.200 de Portugal. As outras visitas foram de EUA, Angola, Reino Unido,¬†Mo√ßanbique, Espanha, M√©xico, Rep√ļblica Tcheca, Alemanha, Fran√ßa, Irlanda, Col√īmbia, Cabo Verde, Canad√°, It√°lia, Chile, Su√≠√ßa, Eslov√°quia, Argentina, Venezuela, Jap√£o, Peru, B√©lgica, Bol√≠via, Equador, Holanda, todos com 10 ou mais visitas.¬†

Cesar Ades e Marco

As palavras mais usadas antes de encontrar o MARCO EVOLUTIVO foram: ‚ÄúBiologia‚ÄĚ, ‚ÄĚSomos dominados por genes ou mal-entendidos‚ÄĚ, ‚ÄúLamarck‚ÄĚ, ‚ÄúPsicologia Evolucionista‚ÄĚ, ‚ÄúBiosseguran√ßa‚ÄĚ , ‚ÄúRevolu√ß√£o gen√īmica‚ÄĚ ‚ÄúSteven Pinker‚ÄĚ, ‚ÄúDarwin‚ÄĚ, ‚ÄúSele√ß√£o Sexual‚ÄĚ e ‚ÄúMarco Evolutivo‚ÄĚ.

Os 5 posts mais lidos de 2012 foram: 1-‚ÄúDicas de Livros em Psicologia Evolucionista‚ÄĚ, 2- 2009 o ‚ÄúANO DA BIOLOGIA‚ÄĚ, 3-“Lamarck ‚Äď A Verdadeira Id√©ia Errada”, 4-‚ÄúO sexo chimpanz√© e o conflito de gera√ß√Ķes‚ÄĚ, e 5- “Sele√ß√£o Sexual, de Parentesco, Natural, Artificial e Social”, que data de 2012. O destaque do ano passado foi o tr√°gico acidente que vitimou nosso querido C√©sar Ades, um dos pais da Etologia no Brasil e seu representante ilustre em todos os Dias de Darwin. “Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante”. C√©sar Ades foi devidamente homenageado diversas vezes por sua obra e car√°ter. Todos seguimos em frente pesquisando e divulgando Etologia inspirados e contagianos pelo seu entusiasmo.

Nesse início de 2013 o MARCO EVOLUTIVO já conta com 246 seguidores pela Página no Facebook, três vezes mais do que tinham no começo do ano passado. E já estamos contando as horas para celebrar o Dia de Darwin depois de amanhã. Não percam.

Feliz Dia de Lamarck e Hamilton!!!

Hoje, dia 1¬ļ de agosto, estamos comemorando um dia evolutivamente marcante! Nessa mesma data nasceram dois gigantes evolucionistas que foram fundamentais para nosso melhor entendimento dos seres vivos.

Jean-Baptiste Lamarck comemora hoje 268 anos! Nascido em 1744, o naturalista frances, al√©m de cunhar os termos ‚ÄúBiologia‚ÄĚ para o estudo dos seres vivos, e ‚ÄúInvertebrados‚ÄĚ para os animais sem vertebra, foi um dos primeiros a aceitar que as esp√©cies podiam mudar, ou seja evoluir, e ainda prop√īs um mecanismo para essa mudan√ßa. Ele descobriu e classificou alguns milhares de esp√©cies. Teve mais de 220 esp√©cies nomeadas em sua homenagem. Faleceu aos 85 anos em 1829. Descubra qual foi seu verdadeiro erro no MARCO EVOLUTIVO e mais sobre sua vida na Wiki.

 

 

Willian Donald Hamilton comemoraria hoje 76 anos! Nascido em 1936, o bi√≥logo evolucionista brit√Ęnico, al√©m de ser um dos proponentes iniciais da teoria da Rainha Vermelha para evolu√ß√£o da reprodu√ß√£o sexuada, revolucionou a biologia evolutiva com a Regra de Hamilton (C < r x B) ao explicar a evolu√ß√£o de comportamentos altru√≠stas dando as bases para a Sociobiologia e¬†para o ponto de vista do gene na evolu√ß√£o. Ganhou 10 pr√™mios cient√≠ficos. Ele faleceu aos 63 anos em 2000, e gostaria que, ap√≥s sua morte, fosse mandado ao Brasil para ter seu corpo devorado pelo besouro carniceiro do g√™nero Coprophanaeus. Descubra o porqu√™ na Wiki.

Ambos teóricos evolucionistas foram pioneiros em seu tempo e trouxeram grandes mudanças em como vemos a evolução das espécies. Lamarck mostrou que apenas leis naturais são suficientes para a transformação das espécies. E Hamilton mostrou que os beneficiados dos comportamentos altruístas são os genes e não o indivíduo ou a espécie. Vamos celebrar e relembrar esses dois pilares do evolucionismo. Feliz dia de Lamarck e Hamilton!!

Parabéns Mendel pelos 190 anos e pelo legado!

Hoje, dia 20 de junho, estamos comemoramos os 190 anos de Gregor Johann Mendel, considerado pai da genética, mas com uma vida bem longe de uma celebridade. O Pai da Genética é famoso, mas pouco conhecido.

Ent√£o nossa intr√©pida equipe de jornalistas do MARCO EVOLUTIVO viajou at√© o Mendel Museum no seu Mosteiro Agostiniano em Brno, na Rep√ļblica Tcheca, para trazer a voc√™, em primeira m√£o, mais do que sopa de letrinha sabor ervilha.

Muitos acham que ele nasceu em dia 22 de julho de 1822, mas esse foi o dia em que foi batizado. Muitos acham que ele nasceu na √Āustria, mas sua cidade de nascen√ßa e seu mosteiro est√£o na Rep√ļblica Tcheca, que √© considerada o Ber√ßo da Gen√©tica. Naquele √©poca, a atual Hynńćice, cidade natal, era Heizendorf, a atual Brno era Br√ľnn, e a atual regi√£o da Rep√ļblica Tcheca era parte do Imp√©rio Austro-H√ļngaro e a l√≠ngua oficial era o alem√£o.

Filho de dona Rosina e seu Anton Mendel, humildes camponeses, Johann Mendel sempre gostou de estudar. At√© antes de completar 18 anos ele j√° ganhava a vida dando aulas particulares para outros alunos. Depois estudou Matem√°tica, F√≠sica, Filologia, Filosofia pr√°tica e te√≥rica, e √Čtica no Instituto de Filosofia de Olomouc, tamb√©m Rep. Tcheca. Aos 21 anos seguiu os estudos ao ingressar no Mosteiro Agostiniano em Brno, onde incorporou o primeiro nome, Gregor.

No Monsat√©rio teve mestres que o incentivaram muito nos estudos, o Abade Cyril FrantiŇ°ek Napp foi um deles. Ele foi quem construiu a avan√ßada estufa pra √©poca, com 30 metros por 6 de largura, que ofereceu as condi√ß√Ķes excelentes para os experimentos de Mendel.

Aos 24 anos concluiu um curso de estudos agr√≠colas de frutas e vinicultura no Instituto Filos√≥fico em Brno. Aos 29 anos o Abade Napp mandou e bancou os estudos de Mendel na Universidade de Viena, na √Āustria. L√° ele estudou mais F√≠sica, Matem√°tica e Hist√≥ria Natural e teve aulas como F√≠sica Experimental, Anatomia e Fisiologia de Plantas e aulas pr√°ticas de utiliza√ß√£o do microsc√≥pio.

Aos 32 anos com a estufa acabada de construir, Mendel colocou na pr√°tica seus conhecimentos ao estudar plantas, como feij√Ķes, chic√≥ria, plantas frut√≠feras, uva e principalmente ervilhas, nas quais descobriu as famosas Leis de Mendel. Ele tamb√©m criou camundongos e abelhas, desenvolveu seu pr√≥prio tipo de api√°rio e ainda criou uma linhagem de abelha que se mostrou muito agressiva e teve que ser eliminada. Ele tamb√©m sabia muito de astronomia e tamb√©m de metereologia.

Dos 32 aos 42, trabalhou em seus cuidadosos experimentos com ervilhas (Pisum sativum). Aos 40 Mendel leu uma tradu√ß√£o em alem√£o do ‚ÄėOrigem da Esp√©cies‚Äô de Darwin sublinhou e anotou em v√°rias partes da obra. Ajudou a criar a Sociedade Austr√≠aca de Meteorologia e foi co-fundador da Sociedade de Ci√™ncia Natural de Brno.

Aos 63 anos, 1865 apresentou o seu trabalho experimental em ervilhas em uma palestra intitulada “Experimentos sobre a hibridiza√ß√£o de plantas” nas reuni√Ķes de fevereiro e mar√ßo da Sociedade de Ci√™ncia Natural de Brno. Em 1866, Mendel publicou no jornal da Sociedade de de Ci√™ncia Natural de Brno sua palestra, o trabalho que fazer dele o Pai da Gen√©tica. Ele distribuiu c√≥pias de seu manuscrito para v√°rios cientistas, que foi ignorado por todos. Apesar de ter sido considerado sempre um √≥timo professor, ele fracassou duas vezes em concurso para ser professor da Universidade de Viena.

Mendel percebeu que n√£o herdamos as caracter√≠sticas f√≠sicas (hoje o fen√≥tipo), mas sim os elementos, fatores particulados (hoje chamados de genes). E sua genialidade foi perceber esses fatores heredit√°rios trabalham aos pares, nos gametas eles est√£o separados e na fertiliza√ß√£o eles se unem em novas combina√ß√Ķes. Apartir da√≠ foi f√°cil perceber que alguns fatores dominavam outros ao gerarem as caracter√≠sticas f√≠sicas abrindo caminha para a gen√©tica moderna. Suas descobertas pioneiras foram ignoradas at√© o come√ßo do seculo XX depois de sua morte em 1884 quando ficou consagrado.

√Č claro que assim que redescobertas muitos acharam contradit√≥rias as id√©ias de heran√ßa particulada com a fluidez gradual da varia√ß√£o populacional necess√°ria para o primeiro passo da Sele√ß√£o Natural. Os mutacionistas iniciais n√£o era Darwinistas por mais que fossem Evolucionistas. O pr√≥prio Darwin por ter abandonado o pensamento essencialista e valoriza√ß√£o a varia√ß√£o individual acabou criando uma teoria de heran√ßa baseada na mistura de caracter√≠sticas, algo que para ele faria mais sentido com sua teoria.

Somente na d√©cada de 1940 que com o surgimento da Gen√©tica de Popula√ß√Ķes pode haver concilia√ß√Ķes entre os geneticistas e os darwinistas. Eles concordaram que a evolu√ß√£o √© gradual, que o principal motor da evolu√ß√£o √© a sele√ß√£o natural, que a hereditariedade √© ‚Äúdura‚ÄĚ ou seja particulada, que o mesmo tipo de mecanismos gen√©ticos √© respons√°vel pela varia√ß√£o fenot√≠pica continua e discreta, que a macroevolu√ß√£o √© a acumula√ß√£o dos processos microevolutivos e a especia√ß√£o √© um processo de gen√©tica de popula√ß√Ķes.

Mendel morreu em 6 de janeiro 1884. Depois de uma vida posterior muito ocupada com a administra√ß√£o do monast√©rio. Ele foi enterrado tr√™s dias depois, no Cemit√©rio Central, em Brno. Em um obitu√°rio da Sociedade para a Promo√ß√£o da Natureza, Agricultura e Geografia de 1884, n ¬ļ 1 foi lido: “Suas experi√™ncias com h√≠bridos de plantas abriu uma nova era.” Hoje, sabemos que ele realmente inaugurou toda uma gama possibilidades para explicar muitos fen√īmenos heredit√°rios (h√≠bridos, mutantes, clones, varia√ß√£o, efeitos ambientais no genoma, etc) e para o desenvolvimento de v√°rias tecnologias de analise do DNA, como para solucionar crimes, por exemplo. Homenagem mais que merecida.

No mundo todo est√£o sendo celebradas suas realiza√ß√Ķes pioneiras para entendermos as quest√Ķes fundamentais da hereditariedade. Pelo menos de tr√™s ganhadores do Pr√™mio Nobel v√£o dar palestras no Museu de Mendel mantido pela Universidade de Masaryk em Brno. Acesse o site das celebra√ß√Ķes e fa√ßam a visita online ao Museu do Mendel.

Quatro Anos de MARCO EVOLUTIVO e Feliz 2012

Feliz 2012 a todos nós primatas e a todos os outros seres vivos. Começamos o ano já comemorando não UM, nem DOIS, nem TRÊS, mas sim QUATRO anos (e dois meses) de MARCO EVOLUTIVO, o seu, o meu, o nosso canal online sobre evolução e comportamento humano e todos os temas correlatos, de preservação ambiental a eventos e palestras.

Depois de um 2011 conturbado com a defesa do meu doutorado e de final de ano intenso, cheio de pesquisas e viagens, estou começando esse 2012 com muita energia e grandes perspectivas futuras. Agradeço todos os comentários, elogios e críticas ao blog, tanto de novos leitores quanto dos de longa data. Continuem acessando e compartilhando com os amigos.

Os 5 textos mais lidos em 2011 foram: 1- “O sexo chimpanz√© e o conflito de gera√ß√Ķes“, 2- “Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista“, 3- “Coevolu√ß√£o e Sele√ß√£o Sexual no Caso da Vespa Tarada“, 4- “Lamarck – A Verdadeira Id√©ia Errada“, 5- “Criatividade: nossa cauda de pav√£o mental“. O posts de 2011 mais lidos foram “A beleza da competi√ß√£o feminina“, “Dance seu doutorado” e “Diferen√ßas sexuais e o darwinismo“.

De janeiro de 2011 at√© janeiro de 2012 o blog teve quase 22 mil visitas. Tivemos 20 mil visitas no Brasil e 1.000 de Portugal. As outras visitas foram de EUA, Canad√°, Mo√ßanbique,¬†Reino Unido, Espanha,¬†Angola, ¬†Fran√ßa,¬†Jap√£o, Gr√©cia, Argentina, Pol√īnia, It√°lia, Chile, Paraguai, Col√īmbia, Cabo Verde, Peru, Su√≠√ßa, Alemanha.¬†As palavras mais usadas antes de encontrar o¬†MARCO EVOLUTIVO¬†foram: ‚ÄúLamarck‚ÄĚ, ¬†“Marco Evolutivo”, ‚ÄúPsicologia Evolucionista‚ÄĚ, “Steven Pinker”,¬†“Coevolu√ß√£o”, ‚ÄúAntropocentrismo‚ÄĚ, e ‚ÄúSele√ß√£o Sexual‚ÄĚ.

De cara nova desde setembro do ano passado, o MARCO EVOLUTIVO evoluíu bastente na sua aparência e possibilidades em 2011. O destaque foi para a imagem do cérebro humano e da árvore evolutiva da interdisciplinaridade. Agora, além de já ter 84 seguidores na nova página criada no Facebook, conta também com os links para minha dissertação de mestrado e para minha tese de doutorado. Assim todos que tiverem o interesse poderão baixar cada uma e se aprofundar nos temas das diferenças individuais quando ao sexo casual e na evolução das nas nossas capacidades musicais e artísticas através da seleção sexual.

E para o presente evolutivo desse anivers√°rio veremos a palestra de David Sloan Wilson sobre Evolution for Everyone! Aproveitem!

Lamarckismo: Uma Alternativa a Altura?

Muitas pessoas já encararam (ou encaram) o Lamarckismo como um substituto à altura do Darwinismo na explicação da evolução. Mas a filósofa Helena Cronin nos deixa claro que não é bem assim e explica o porquê. Aliás, para ela Richard Dawkins mostrou brilhantemente isso no seu livro The Exended Phenotype de 1982.
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O Lamarckismo e o Darwinismo t√™m respostas fundamentalmente diferentes √† quest√£o do surgimento das respostas adaptativas. √Č a distin√ß√£o entre os modelos instrutivos e os seletivos das origens das adapta√ß√Ķes. Imaginem um chaveiro que precisa fazer uma chave adaptada a uma determinada fechadura. A maneira instrutiva √© fazer um molde da fechadura com cera e produzir uma chave sob medida, retirando do meio ambiente as informa√ß√Ķes sobre o desenho espec√≠fico que se faz necess√°rio. A maneira seletiva √© pegar um molho de chaves ao acaso e test√°-las at√© que uma delas funcione. O Lamarckismo √© uma teoria instrutiva; o Darwinismo √© uma teoria seletiva.
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O Darwinismo pode explicar com facilidade de que maneira a girafa inicialmente passou a fazer a coisa certa, adaptativa. √Č a descend√™ncia de uma longa linhagem de girafas que ‚Äď saindo de um conjunto aleat√≥rio de mudan√ßas gen√©ticas poss√≠veis ‚Äď acaba encontrando em mudan√ßas que representam um avan√ßo, mesmo que elas sejam muito pequenas. As girafas n√£o precisam encontrar a chave que finalmente abrir√° a fechadura, mas simplesmente uma chave que se aproxime um pouco disso, n√£o importando qu√£o pequena seja essa a aproxima√ß√£o. √Č o fato de as chaves adaptativas poderem ser escolhidas por incrementos que torna poss√≠vel encontrar, entre todas as chaves, uma que seja satisfat√≥ria.
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Em contrapartida, o Lamarckismo precisa explicar de que maneira a girafa, por algum meio misterioso, foi orientada a fazer a coisa certa. A teoria pressup√Ķe que um organismo responda adaptativamente porque aprende do seu meio ambiente, extrai dele informa√ß√Ķes, recebe dele ‚Äúinstru√ß√Ķes‚ÄĚ sobre qual resposta √© necess√°ria. Mas a teoria n√£o elucida como surge a habilidade de esse organismo aceitar as instru√ß√Ķes em primeiro lugar.
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Como √© que o Lamarckismo responde a esse problema? Confiando secretamente nas adapta√ß√Ķes Darwinistas, aceitando como certo que a girafa vai esticar-se e n√£o curvar-se, que seus m√ļsculos v√£o dar suporte em vez de falhar, que ela vai desenvolver gosto pelo nutritivo e n√£o pelo nocivo, que ela vai tentar evitar a dor ao inv√©s de procur√°-la. Os mecanismos lamarckistas n√£o poderiam gerar adapta√ß√Ķes; eles poderiam no m√°ximo passar pra frente, para futuras gera√ß√Ķes, as tend√™ncias √† ‚Äúaquisi√ß√£o‚ÄĚ que s√£o geradas por meios Darwinistas. Qualquer teoria instrutiva precisa, no final, basear-se num modelo seletivo ou apelar e recorrer ao projeto deliberado.
Assim, o Lamarckismo não poderia ser nunca algo mais que um anexo limitado para a teoria Darwinista. Ele nunca poderia substituir o Darwinismo como uma teoria abrangente da evolução.

Fonte
CRONIN, H. (1995). A Formiga e o Pavão: Altruísmo e Seleção Sexual de Darwin até hoje. Tradução C. Fragoso e L. C. B. de Oliveira. Campinas: Papirus, capítulo 2 РUm Mundo sem Darwin. P. 69.

Lamarck e a Evolução da Sociedade

Continuamdo em clima de Carnaval de Ciência sob o tema Lamarck venho conectar essa nossa discussão com uma acadêmica muito semelhante que aconteceu ano passado e vai continuar esse ano.
Trata-se do Ciclo “Evolu√ß√£o Darwiniana e Ci√™ncias Sociais”. Uma realiza√ß√£o do Instituto de Estudos Avan√ßados e do N√ļcleo de Economia Socioambiental (Nesa) da Faculdade de Economia, Administra√ß√£o e Contabilidade (FEA) da USP. A coordena√ß√£o coube a Jos√© Eli da Veiga, coordenador do Nesa.
Esse ciclo contou com 8 semin√°rios sempre com dois debatedores trazendo sua especificidade e seu ponto de vista para a quest√£o se a evolu√ß√£o cultura e econ√īmica seria Lamarckiana ou n√£o. O ciclo teve debates mensais, sempre com mesas h√≠bridas (um pesquisador das ci√™ncias naturais ao lado de outro das sociais). A inten√ß√£o foi que o conjunto de debates permitisse estabelecer uma esp√©cie de “estado da arte” no √Ęmbito das implica√ß√Ķes do darwinismo para as ci√™ncias sociais (e n√£o apenas para a economia).
Participaram como palestrantes os professores Ricardo Waizbort, Carlos Alberto Dória, Eleutério Prado, Cristina Possas, Eduardo Ottoni, Eliane Sebeika Rapchan, Marcelo Tsuji, Mario de Vivo, Alessandro Barghini, João Luiz Pondé, Eduardo Neves, Diogo Meyer, Mario Luiz Possas e Walter Neves.
Vídeos
O melhor de tudo √© que as grava√ß√Ķes em v√≠deos de todos os semin√°rios do ciclo e os textos de refer√™ncia de v√°rias das exposi√ß√Ķes est√£o dispon√≠veis no site do IEA. Mesmo se voc√™ perdeu pode assistir tudo inclusive as perguntas.
O balan√ßo escrito das discuss√Ķes ocorridas no Ciclo “Evolu√ß√£o Darwiniana e Ci√™ncias Sociais”, encerrado no dia 22 de novembro, estar√° no site do IEA em breve.

Lamarck РA Verdadeira Idéia Errada

Este texto faz parte do primero Carnaval de Evolu√ß√£o de blogs de Ci√™ncia lan√ßado pelo Bi√≥logo √Ātila do Transfer√™ncia Horizontal. A id√©ia de um Carnaval √© que v√°rios blogs participem, todos postando sobre um mesmo assunto. Funciona assim: cada m√™s um Blog lan√ßa um tema e todos os outros escrevem sobre ele, ent√£o o Blog que lan√ßou reuni todos os links numa postagem.
E o tema sobre evolu√ß√£o do carnaval deste m√™s √© Lamarck. Mais espec√≠ficamente: “Como seria o ser humano atualmente se Lamarck estivesse certo?”.
Ao meu ver o ser humano seria exatamente do jeito que é! Como assim?! Você pode pensar que se a herança de caracteres adquiridos fosse certa nós seriamos muito diferentes: as pessoas que perdessem qualquer membro teriam filhos também amputados, as pessoas que fizessem tatuagens teriam filhos tatuados, as pessoas que saberiam pilotar helicóptero teriam filhos pilotos, e assim vai! De qualquer forma o ser humano seria muito diferente, não é?!
Mas o que est√° impl√≠cito a√≠ √© toda uma gera√ß√£o de injusti√ßas e preconceitos com Lamarck e suas id√©ias. Primeiro, Ernst Mayr deixa claro em Uma Ampla Discuss√£o que esse nosso ran√ßo atual para com Lamarck e at√© a nossa obssessiva identifica√ß√£o de Lamark com a heran√ßa das caracteristicas adquiridas √© bem recente. √Č uma rea√ß√£o n√£o aos Lamarckistas do s√©culo 19, do qual Darwin faz parte, mas aos neo-Lamarckistas do come√ßo do s√©culo 20. “Numerosas tentativas foram feitas, ap√≥s 1850, para substituir a teoria da sele√ß√£o natural de Darwin por uma maneira melhor de se chegar √† adapta√ß√£o. As mais conhecidas dessas teorias s√£o normalmente classificadas como neo-Lamarckistas (heran√ßa dos caracteres adaquiridos) o que inclui a ortog√™nese (um princ√≠pio perfeito intr√≠nseco) e o saltacionismo.”
Foi August Weismann quem p√īs fim de uma vez por todas √†s teorias neo-Lamarckistas espalhando esse ran√ßo atual para com a heran√ßas dos caracteres adquiridos, que era a id√©ia do Lamarck que eles mais frisavam. Weismann √© uma das figuras mais importantes na hist√≥ria da biologia evolutiva. Se perguntarmos quem no s√©culo 19, depois de Darwin, teve maior impacto para a teoria evolutiva, a resposta inequ√≠voca ser√° Weismann. Por sua ampla rejei√ß√£o √† heran√ßa dos caracteres adquiridos, Weismann estabeleceu uma nova vers√£o do Darwinismo. Ele suportou sua causa por meio de tr√™s linhas de evid√™ncia: n√£o h√° mecanismo citol√≥gico que poderia efetuar uma transfer√™ncia da linhagem som√°tica para a geriminativa, por estarem separadas desde muito cedo no desenvolvimento embriol√≥gico; h√° muitas adapta√ß√Ķes que n√£o poderiam ter sido adquiridas por tal heran√ßa, como a casta de soldados das formigas e cupins; e todos casos reputados da heran√ßa dos caracteres adquiridos podem ser explicados pela sele√ß√£o.
Tudo bem, percebemos que tanto a associa√ß√£o dram√°tica entre heran√ßa dos caracteres adquiridos e Lamarck √© mais recente do que o pr√≥prio Lamarck e que foi o ilustre pouco conhecido Weismann que p√īs fim aos neo-Lamarckistas e nos legou esse asco da heran√ßa dos caracteres adquiridos. At√© o pr√≥prio Darwin usou dos caracteres adquiridos para explicar casos como a cegueira dos peixes de cavernas. Al√©m disso, introgetamos tanto esse asco que a nossa no√ß√£o de heran√ßa ficou muito focada no gene. Mas esquecemos que herdamos organelas e todo o conte√ļdo celular, herdamos anticorpos via placenta e leite, herdamos nosso idioma, heramos todos um oceano cultural em que estamos imersos e herdamos nichos alterados pelos que nos antecederam.
Atualmente mais pessoas se tocam disso e consideram a import√Ęncia da constru√ß√£o de nicho e sua heran√ßa, processo t√£o negligenciado no estudo da evolu√ß√£o. Incrivelmente foi o pr√≥prio Darwin quem come√ßou a estudar a constru√ß√£o de nicho quando no final da vida trabalhou com minhocas e percebeu que as mais jovens j√° herdavam um solo mais trabalhado pelas anteriores. Lewontin no livro Tripla H√©lice – gene, organismo e ambiente ressalta nossa vis√£o estreita da no√ß√£o de heran√ßa e aponta os caminhos da constru√ß√£o de nicho e suas implica√ß√Ķes ecol√≥gicas e evolutivas.
Percebemos que, no sentido amplo, a heran√ßa dos caracteres adquridos n√£o √© uma id√©ia errada, muito menos √© a principal id√©ia de Lamarck, j√° que Darwin tamb√©m a usou. Agora percebemos que Lamarck n√£o estava errado quando falou que os seres vivos evoluem nem quando falou da heran√ßa dos caracteres adquiridos. Da√≠ toda a import√Ęncia de se incluir comemora√ß√Ķes ao Lamarck em 2009 no Ano Internacional de Biologia. Al√©m do mais ele foi quem cunhou o nome Biologia. Tudo bem, mas ent√£o qual foi seu erro afinal?
O grande erro de Lamarck foi falar que a evolu√ß√£o era direcional e progressiva, que existia uma Grande Cadeia dos Seres dos mais simples e “menos evolu√≠dos” at√© o mais Complexo e “Evolu√≠do” Ser Vivo – o ser humano. Existem estudos detalhados mostrando as sutilezas da vis√£o Larmackista da grande cadeia dos seres como “A cadeia dos seres vivos: a metodologia e epistemologia de Lamarck”. Percebam que essa √© justamente a id√©ia de que evolu√ß√£o √© igual a progresso. E est√° t√£o arraigada que falamos tranquilamente em seres inferiores e superiores ou menos ou mais “evolu√≠dos”. E essa id√©ia √© a mais errada e mais perigosa do que a heran√ßa dos caracteres adquiridos. Pois se nos acharmos os melhores n√£o far√° falta se destru√≠rmos os outros seres menos complexos, n√£o far√° diferen√ßa se maltratarmos os seres menos “evolu√≠dos”, n√£o ser√° estranho manipularmos como se fossem objetos os seres inferiores, e tudo ser√° como exatamente est√°. Estamos polu√≠ndo, acabando com a biodiversidade, desrespeitando e maltratando os outros seres vivos como se realmente fossemos os seres mais complexos e evolu√≠dos do planeta.

Agora entendemos o porqu√™ da minha afirma√ß√£o: se Lamarck estevesse certo o ser humanos seria exatamente igual j√° √©. Pois nos achamos os mais complexos seres da Terra, os mais “evolu√≠dos”, o superior dos animais superiores. Alguns t√™m at√© a coragem de nos achar filhos de Deus, tamanho o ego√≠smo, auto-centrismo e especicismo-preconceito para com as outras esp√©cies – que apresentam.
Espero que as pessoas se toquem e comecem combater a verdadeira ideia errada, antes que seja tarde de mais.
Veja também os outros textos desde Carnaval de Ciência em Viva Lamarck.

2009 o “ANO DA BIOLOGIA”

O ano de 2005 foi considerado pela UNESCO como o “Ano Mundial da F√≠sica” em comemora√ß√£o aos trabalhos de Albert Eisten publicados em 1905. Pelo mundo todo houve comemora√ß√Ķes e tributos. Uma ampla variedade de eventos bem sucedidos permitiram que o entusiasmo dos f√≠sicos contagiasse muitas plat√©ias diferentes ao longo do mundo.

Será que a Biologia tem alguma data assim tão cientificamente importante? Mas é claro que sim!
Darwin nasceu em 1809 e 50 anos depois publicou “A Origem das Esp√©cies” em 1859. O livro que se esgotou no dia de seu lan√ßamento √© t√£o importante que ganhou em 2006 at√© um biografia pr√≥pria.

Em “A Origem das Esp√©cies de Darwin – Uma Biografia” a autora Janet Browne mostra como A Origem das Esp√©cies pode reivindicar para si o papel de maior livro cient√≠fico j√° escrito no mundo.
A revolução darwinista é ao mesmo tempo científica e filosófica, e uma não poderia ter ocorrido sem a outra. Foram os preconceitos filosóficos dos cientistas, mais do que a falta de evidências científicas, que impediu de ver como a teoria poderia realmente funcionar. Mas esses preconceitos com relação à filosofia que tinham de ser eliminados possuíam raízes profundas demais para ser deslocados pelo simples brilhantismo filosófico. Foi preciso um irresistível

desfile de fatos científicos obtidos com muita dificuldades para forçar os pensadores a levarem a sério a nova perspectiva proposta por Darwin.

Quase todo componente do sistema de cren√ßas do ser humano moderno √© afetado, de alguma maneira, por uma ou outra das inova√ß√Ķes conceituais de Darwin. Sua obra como um todo √© o fundamento de uma nova filosofia da biologia, que se desenvolve rapidamente. N√£o pode haver d√ļvida de que a maneira de pensar de toda pessoa ocidental moderna foi profundamente afetada pelo pensamento filos√≥fico de Darwin. Ent√£o, n√£o existe forma melhor de reconhecer a extraordin√°ria contribui√ß√£o de Charles Robert Darwin para a ci√™ncia moderna do que fazermos do ano de 2009 o “ANO DA BIOLOGIA”.

Al√©m disso, algo que poucos lembram, mas 1809, o ano em que Darwin nasceu, √© a data da publica√ß√£o do “Filosofia Zool√≥gica”, o livro em que Jean-Baptiste Lamarck apresentou sua teoria da evolu√ß√£o. Lamarck √© muito injusti√ßado atualmente, pois ficou conhecido como o homem que errou a teoria da evolu√ß√£o. Mas foi Lamarck quem come√ßou a usar o termo ‚ÄúBiologia‚ÄĚ para designar a ci√™ncia que estuda os seres vivos e foi ele tamb√©m que fundou os estudos de paleontologia dos invertebrados. Ele foi uma dos principais transformistas que defendiam que os seres vivos mudam ao longo do tempo, evoluem. E assim como Darwin ele tamb√©m tem uma data de vida relacionada √† data de publica√ß√£o de seu livro, pois Lamarck morreu em 1829.
Ent√£o em 2009, Darwin far√° 200 anos, o “Origem das Esp√©cies” far√° 150 anos, o “Filosofia Zool√≥gica” far√° 200 anos e Lamarck far√° 180 de falecimento. Simplesmente √© motivo de sobra para fazermos de 2009 um excelente oportunidade para promover exposi√ß√Ķes, cursos, congressos,

palestras, publica√ß√Ķes, blogs e outras atividades relacionadas com a Biologia, sua hist√≥ria e filosofia.

A Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia est√° convidando todos seus associados, historiadores, educadores e demais organiza√ß√Ķes para somar esfor√ßos para fazer do ano de 2009 o “ANO DA BIOLOGIA”. E ela se empenhar√°, colaborando com outras entidades, para desenvolver um grande n√ļmero de atividades comemorativas ao longo de 2009 de maneira que biologia evolutiva possa ser entendida de forma adequada como parte do conhecimento cient√≠fico da atualidade.

Pe√ßo para que todos aqueles seres vivos, cientistas, fil√≥sofos, historiadores, professores, alunos, principalmente aqueles dos centros acad√™micos somem esfor√ßos para divulgar e biologizar o ano de 2009. Que j√° √© no ano que vem!!! E que n√£o existem mobiliza√ß√Ķes nem manisfesta√ß√Ķes nesse sentido, al√©m da Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia.

E para aqueles que acham que temos muito tempo √© bom lembrarmos que nesse 2008 que acabamos de come√ßar vamos comemorar 150 ano que Charles Lyell e Joseph Dalton Hooker fizeram com que o artigo de Darwin e Wallace fosse apresentado no encontro da Sociedade Linnaeana em 1858. Justamente o artigo que apresentou ao mundo a Teoria da Sele√ß√£o Natural. √Č bom j√° irmos esquentando as velinhas de comemora√ß√Ķes.