Feliz Dia de Darwin 2023!

√Č chegada a hora do nosso Darwin Day! Hoje, 12 de fevereiro de 2023, estamos celebrando os 214 anos de ningu√©m menos que Charles Robert Darwin (1809-1882). Foi ele, o ge√≥logo e naturalista, que reuniu diversas fontes de evid√™ncias apontando para o processo evolutivo dos seres vivos. Com os mecanismos da sele√ß√£o natural e da sele√ß√£o sexual, ele prop√īs uma explica√ß√£o natural e unificada para diversidade, similaridade e manuten√ß√£o dos seres vivos, incluindo o ser humano, ao longo da hist√≥ria do planeta Terra.

Nada mais apropriado do que celebrarmos o anivers√°rio de Darwin, sua biografia, descobertas e legado neste¬†Darwin Day¬†de 2023. O Dia de Darwin √© uma celebra√ß√£o internacional que visa nos inspirar a refletir e agir seguindo os princ√≠pios de bravura intelectual, curiosidade, pensamento cient√≠fico e busca pela verdade como demonstrados por Charles Darwin. Ent√£o temos que aproveitar esta celebra√ß√£o para nos ajuda apreciar a natureza evolu√≠da dos seres vivos, nossa origem primata humilde, e para buscarmos as atualiza√ß√Ķes do conhecimento evolutivo fruto do legado darwinista.

Aqui no¬†MARCO EVOLUTIVO temos, nos √ļltimos 15 anos, continuamente celebrado o¬†Dia de Darwin¬†come√ßando em¬†2008, passando pelo¬†Bicenten√°rio de Darwin e 150 anos do ‚ÄėOrigem da Esp√©cies‚Äô em 2009, e por¬†2010,¬†2011,¬†2012,¬†2013,¬†2014,¬†2015,¬†2016,¬†2017, pela¬†D√©cada de Darwin Days no Blog em 2018,¬†2019,¬†2020,¬†pelo sesquicenten√°rio do ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem a Sele√ß√£o Sexual‚Äô em 2021, e pelo sesquicenten√°rio do ‚ÄėA Express√£o das Emo√ß√Ķes no Homem e nos Animais‚Äô em 2022. Neste 2023 n√£o seria diferente.

Darwin nos mostrou a beleza e o insight profundo de ver as rela√ß√Ķes entre as esp√©cies como as de parentescos fam√≠lias numa grande √°rvore da vida. N√£o somos id√™nticos aos nossos pais; assim como as pessoas, as esp√©cies s√£o √ļnicas, mas as esp√©cies irm√£s tendem a ser mais parecidas entre si do que as esp√©cies primas. √Č uma √≥tima met√°fora, pois ainda mostra que da mesma forma que um galho conforme cresce vai mudando, as esp√©cies tamb√©m v√£o mudando ao longo das gera√ß√Ķes (anag√™nese), e quando h√° uma bifurca√ß√£o √© quando ocorre o evento de especia√ß√£o, o surgimento de novas esp√©cies (cladog√™nese). E quando um galho seca √© como um evento de extin√ß√£o para as esp√©cies daquele ramo. De forma geral a evolu√ß√£o biol√≥gica pode ser representada como um eterno crescimento, bifurca√ß√£o, fus√£o (simbiose) e perecimento dos ramos da vida, todos tendo um mesmo tronco distante em comum.

Em 1857, numa carta para Huxley, Darwin escreveu que ‚ÄúA hora vir√°, creio eu, embora n√£o viva para ver, quando tivermos √°rvores geneal√≥gicas muito justas de cada grande reino da natureza.‚ÄĚ Darwin estava certo, e todos n√≥s hoje podemos vislumbrar e explorar a maior √°rvore dos seres vivos j√° organizada. O site OneZoom mostra numa estrutura fractal continua os relacionamentos de parentescos de 2,2 milh√Ķes de esp√©cies, de bact√©rias at√© o urso de √≥culos sul-americano. Al√©m de fotos, as folhas t√™m cores indicando se a esp√©cie est√° extinta ou em risco de extin√ß√£o. √Č claro que al√©m da truta, do cogumelo amanita, da maconha, do lobo, o ser humano √© uma das esp√©cies mais procuradas.

Darwin estudou a evid√™ncia de anatomia comparativa entre humanos e outros grande primatas sem rabo para prever que os humanos muito provavelmente evolu√≠ram na √Āfrica. Em 1871, Darwin escreveu que “Em cada grande regi√£o do mundo os mam√≠feros vivos est√£o intimamente relacionados com as esp√©cies extintas da mesma regi√£o. √Č, portanto, prov√°vel que a √Āfrica tenha sido anteriormente habitada por grandes primatas extintos, parentes pr√≥ximos do gorila e do chimpanz√©; e como essas duas esp√©cies s√£o agora as aliadas mais pr√≥ximas dos humanos, √© talvez mais prov√°vel que nossos primeiros progenitores tenham vivido no continente africano do que em qualquer outro lugar.”

Darwin estava certo: n√£o s√≥ os nossos ancestrais mais antigos desde a separa√ß√£o do ramo comum com os Chimpanz√©s e Bonobos s√£o encontrados na √Āfrica, mas tamb√©m a √°rvore geneal√≥gica humana usando dados gen√©ticos remonta √† √Āfrica. No ano passado foi publicada a maior √°rvore unificada da humanidade feita por meio de genomas atuais e ancestrais mostrando a riqueza de dispers√Ķes e intercruzamentos das popula√ß√Ķes. Talvez se todos conseguirmos perceber toda a humanidade e todos os outros seres vivos como literalmente nossos parentes ‚Äėde sangue‚Äô talvez diminuiremos com as guerras, abusos e maus-tratos ainda t√£o persistentes na atualidade.

Seguimos em frente nos Darwin Days, sempre disseminando os insights, as previs√Ķes, descobertas e legado de Darwin bem como as novas descobertas, as quais muitas apoiam as previs√Ķes do naturalista de revolucionou a biologia e a humanidade. Neste ano tivemos o Darwin Day da Sociedade Brasileira de Gen√©tica na UFES com exposi√ß√Ķes, palestras e mesas redondas. Estamos tento o Darwin Day do Museu de Zoologia da USP com v√°rias atra√ß√Ķes para os adultos e as crian√ßas. E ainda teremos o Darwin Day da UFJF em 24 de mar√ßo. Muitos outros evento ainda v√£o surgir, ent√£o aproveitem!

Feliz Bicenten√°rio de Alfred R. Wallace

Come√ßamos este ano novo de 2023 aqui no MARCO EVOLUTIVO j√° celebrando neste 8 de janeiro o bicenten√°rio do nascimento de Alfred Russel Wallace (1823-1913). Acad√™micos do mundo todo est√£o relembrando as aventuras e descobertas de Wallace, o explorador naturalista, ge√≥grafo e antrop√≥logo ingl√™s que co-descobriu a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural junto ao Darwin. Seu legado e originalidade est√£o sendo finalmente amplamente discutidos e divulgados de modo que n√£o se trata mais de caracteriz√°-lo como um mero pesquisador √† sombra de Darwin. Wallace merece ser reconhecido como um evolucionista de peso, pai da biogeografia, especialista em especia√ß√£o, colora√ß√£o animal, cartografia, descobridor de v√°rias esp√©cies (da palmeira pia√ßava at√© o sapo voador da Indon√©sia passando pela ave do para√≠so), e grande aprendiz e pensador interdisciplinar que contribuiu em diversos temas como glaciologia, epidemiologia, astrobiologia e pol√≠ticas p√ļblicas.

Desde 2013 quando das comemora√ß√Ķes do centen√°rio de seu falecimento, j√° ocorre um esfor√ßo internacional para lan√ßar luz sobre as contribui√ß√Ķes e legado acad√™mico da Wallace. ¬†Tanto que na √©poca foi inaugurado um grande quadro de Alfred Wallace na escadaria do Museu de Hist√≥ria Natural de Londres, reparando assim uma injusti√ßa hist√≥rica, visto que at√© ent√£o apenas a est√°tua de Darwin figurava por l√°. E j√° em 2010 foi criado o ‚ÄúWallace Correpondence Project‚ÄĚ reunindo num reposit√≥rio e disponibilizando online um enorme n√ļmero de correspond√™ncias de Wallace. E em 2012 foi criado o Wallace Online com todos as publica√ß√Ķes a manuscritos do autor. Aos poucos, sua relev√Ęncia cient√≠fica vai sendo disseminada e reconhecida.

De fam√≠lia humilde, Wallace teve que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar a fam√≠lia. Atuou como construtor e agrimensor passando bastante tempo ao ar livre, e acabou desenvolvendo, como autodidata, seu interesse por cartografia, hist√≥ria natural, bot√Ęnica, geologia e astronomia na livraria da fam√≠lia. Mesmo sem ter educa√ß√£o formal, chegou a dar aulas de topologia, cartografia e desenho, mas acabou virando explorador profissional se mantendo da coleta e venda de esp√©cimes para museus e colecionadores particulares. Ao longo de sua vida Wallace explorou diversos pa√≠ses como o Reuni Unido, Fran√ßa, Su√≠√ßa, Col√īmbia, Venezuela, Malta, Egito, √ćndia, Sri Lanka, Mal√°sia, Singapura, Indon√©sia, Timor Leste, EUA, Canad√°, e tamb√©m o Brasil.

Sua primeira grande expedi√ß√£o foi no Brasil (Belem-PA) aos 25 anos de idade. Ficou 4 anos no Par√° (1848-1852) e, por um tempo, esteve junto com outro naturalista de renome, Henry Walter Bates, o descobridor do mimetismo batesiano. No Brasil, Wallace se encantou com a imensid√£o sublime da floresta tropical e com a beleza rara dos p√°ssaros e borboletas locais. Ele observou como os rios Amazonas, Negro e Madeira funcionavam como barreiras geogr√°ficas recortando a fauna local como limites naturais. Esse isolamento geogr√°fico poderia contribuir para a forma√ß√£o de diferentes esp√©cies. Descobriu e descreveu v√°rias esp√©cies novas, incluindo a palmeira pia√ßava, e aprendeu com os ribeirinhos e ind√≠genas locais seus v√°rios usos. Ele tamb√©m fez anota√ß√Ķes etnogr√°ficas sobre os costumes e rituais de tribos amaz√īnicas, e descreveu pinturas rupestres de Monte Alegre (PA).

Wallace deu muito azar ao retornar para a Europa, pois seu navio pegou fogo e naufragou perdendo a maioria do que havia anotado e coletado nos dois √ļltimos anos. Felizmente, ap√≥s 10 dias √† deriva em botes, ele e a tripula√ß√£o foram resgatados por um cargueiro rumo √† Inglaterra. Ficou inicialmente arrasado mas mesmo assim n√£o desanimou das explora√ß√Ķes futuras. Apesar do ocorrido e de ter perdido muita coisa no naufr√°gio, Wallace ainda conseguiu publicar artigos e livros sobre macacos e palmeiras da Amaz√īnia, por exemplo.

    

Foi no Arquip√©lago Malaio em que passou mais tempo (1854-1862) explorando os detalhes da natureza e das tribos locais, o que impulsionou suas maiores contribui√ß√Ķes. L√° coletou cerca de 125 mil esp√©cimes, uns 5 mil novos, incluindo o sapo voador e a ave do para√≠so. Em Born√©u, ele fez umas das primeiras observa√ß√Ķes natural√≠sticas de orangotangos em seu habitat natural contribuindo novamente para a primatogia.

Suas observa√ß√Ķes biogeogr√°ficas no arquip√©lago o levaram a descobrir uma divis√£o natural que separa a fauna asi√°tica da fauna australiana, hoje conhecida como a Linha de Wallace. Em homenagem √†s suas descobertas, as ilhas pr√≥ximas a essa regi√£o do arquip√©lago Malaio s√£o chamadas coletivamente por ‚ÄúWallacea‚ÄĚ. L√° Wallace escreveu os artigos evolutivos de maior relev√Ęncia, descrevendo descend√™ncia comum, especia√ß√£o e a sele√ß√£o natural. Ap√≥s anos de observa√ß√£o natural√≠stica e leitura de Malthus e de Lyell, entre outros, ele teve o insight da sele√ß√£o natural num momento febril com mal√°ria. E depois mandou uma carta a Darwin comunicando suas descobertas evolutivas, o que fez com que Darwin finalmente tornasse p√ļblico seus longos estudos evolutivos numa publica√ß√£o conjunta em 1858.

Wallace era contra a escravidão, anti-eugenia, anti-vivissecção, anti-militarização e anti-imperialismo e anti-terraplanismo. Ele chegou até a ganhar uma aposta de terraplanista provando a curvatura da água de um canal usando um telescópio e duas estacas na mesma altura da água, mas separadas em 10 km. Wallace era a favor dos direitos das mulheres ao voto, era também um conservacionista contrário à introdução de espécies exóticas, ao desmatamento das florestas tropicais e da erosão do solo, e ainda era um socialista a favor da reforma agrária. Wallace foi o primeiro presidente da Sociedade pela Nacionalização de Terras e permaneceu no cargo por 30 anos.

Entretanto, ao final da vida ele se tornou mais antropoc√™ntrico e religioso se envolvendo com hipnose e espiritismo. Apesar de acertadamente n√£o considerar as popula√ß√Ķes tribais como intermedi√°rias entre os grandes s√≠mios e os humanos civilizados, Wallace chegou a erroneamente achar que na evolu√ß√£o humana, ao contr√°rio do que ocorrera com as outras esp√©cies, houve interven√ß√£o divina para aumento da capacidade cerebral. Al√©m disso, ele acreditava em frenologia e, por suspeitar das autoridades e dos interesses dos m√©dicos, ele chegou a se juntar ao movimento anti-vacina da var√≠ola da √©poca. Ele achava que a vacina iria interferir no balan√ßo natural dos organismos e que a vacina n√£o era segura. Mesmo estando no lado errado da hist√≥ria nestes √ļltimos assuntos, ele conseguiu que, no caso das vacinas, novos procedimentos de seguran√ßa fossem recomendados; e por conta do seu antropocentrismo, conseguiu mostrar em seus livros sobre Astrobiologia que n√£o havia vida inteligente criando canais de irriga√ß√£o em Marte.

Por n√£o ser parte da aristocracia inglesa, Wallace teve que batalhar muito mais para conseguir sua bagagem acad√™mica autodidata e para fazer com que suas descobertas fossem valorizadas. Desde ent√£o seu legado naturalista explorador e te√≥rico interdisciplinar est√° cada vez mais divulgado e apreciado, chegando a ganhar diversas medalhas de m√©rito acad√™mico. Desejo que os pontos fortes de sua biografia e seu legado cient√≠fico nos sirvam de inspira√ß√£o nesta celebra√ß√£o internacional dos 200 anos de Alfred Russel Wallace. Assista document√°rios sobre as expedi√ß√Ķes de Wallace aqui e aqui.¬†

150 anos do livro A Descendência do Homem e a Seleção Sexual de Darwin

Neste dia de 24 de fevereiro há exatos 150 anos foi publicado em Londres com dois volumes de 450 páginas o The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex de Charles Darwin. O livro foi um marco para o estudo da evolução humana e aqui no MARCO EVOLUTIVO não poderíamos deixar de celebrar esta data. Originalmente a ideia de Darwin era apenas ter um capítulo sobre humanos em seu livro The variation of animals and plants under domestication de 1866, mas como o livro já estava grande ele resolveu fazer em separado um pequeno ensaio sobre nossa ancestralidade primata e a seleção sexual, o que acabou crescendo e virando os dois volumes do The Descent of Man em 1871. Neste livro Darwin finalmente pode desenvolver tudo o que ele se referiu ao final do Origem das Espécies quando disse que, por conta da evolução por seleção natural, no futuro muita luz seria lançada sobre a origem dos humanos e nossa psicologia e história.

Intuitivamente sempre nos parece que a diferen√ßa psicol√≥gica entre humanos e outros primatas √© enorme, tanto que at√© o Alfred Wallace abandonou a explica√ß√£o evolucionista ao se tratar da mente humana por achar pouco poss√≠vel de que toda nossa capacidade intelectual tenha evolu√≠do naturalmente em contextos tribais aparentemente pouco exigentes por grandes intelig√™ncias. Muito do The Descent √© uma reposta ao desafio de Wallace. Darwin argumenta que todas as nossas caracter√≠sticas psicol√≥gicas podem ser encontradas em algum grau em outras esp√©cies, incluindo capacidades para a m√ļsica, a beleza, e a moralidade. √Č por isso que numa carta a Wallace Darwin diz que a evolu√ß√£o humana era o maior e mais interessante problema para o naturalista.

Outra no√ß√£o popular na √©poca era a de que toda a exuberante beleza na natureza teria sido magicamente criada para satisfazer os humanos que seriam o √°pice da evolu√ß√£o. Gra√ßas a Darwin e anos de pesquisa subsequente, hoje sabemos que a evolu√ß√£o n√£o tem √°pice e que somos t√£o √ļnicos e t√£o especiais quanto cada uma das outras esp√©cies. No The Descent Darwin argumenta que a beleza sonora e visual encontrada no mundo animal evoluiu naturalmente pelo processo de sele√ß√£o sexual. Indiv√≠duos mais vistosos e sonoros eram preferidos na busca por um parceiro sexual, o que ao longo de muitos ciclos de sele√ß√£o, d√° origem a cada vez mais beleza.

A evolução dos armamentos como chifres era mais facialmente explicada pela competição entre machos o que deixara as armas mais eficientes e maiores. Mas para explicar a evolução da beleza era necessário perceber que as fêmeas das outras espécies também têm senso estético e que a variação nesse senso estético era a pressão social favorecendo a evolução dos ornamentos animais. Portanto, para Darwin a beleza do pavão ou da ave do paraíso não necessariamente precisa indicar uma qualidade de sobrevivência, basta ela ser agradável o suficiente para as fêmeas da espécie que a ornamentação poderia evoluir sendo um fim em si mesma.

Atualmente como parte das celebra√ß√Ķes do sesquicenten√°rio do The Descent, diversas iniciativas tentam resgatar o que Darwin acertou e o que Darwin errou no livro, e todos o desdobramento mais atuais nos dois t√≥picos centrais do livro: evolu√ß√£o humana e sele√ß√£o sexual. O livro A Most Interesting Problem: What Darwin‚Äôs Descent of Man Got Right and Wrong about Human Evolution apresenta uma releitura da perspectiva atual de cada cap√≠tulo relativo ao ser humano. Est√° sendo muito bem avaliado e me pareceu muito interessante tanto para quem quer se atualizar sobre evolu√ß√£o humana quanto para quem quer se aprofundar nas hip√≥teses do The Descent. Em Darwin, sexual selection, and the brain Micheal Ryan faz uma revis√£o das v√°rias linhas de pesquisa relacionadas √† ideia da Darwin sobre a evolu√ß√£o da beleza sendo um fim em si mesma. Em Darwin‚Äôs closet: the queer sides of The descent of man (1871), Ross Brooks ressalta como Darwin integrou a ideia de varia√ß√£o individual nos assuntos da sele√ß√£o sexual o que foi fundamental para o nascimento da sexologia moderna. No Peri√≥dico Evolutionary Human Sciences existem uma compila√ß√£o de artigos celebrando os 150 anos do The Descent, por enquanto com 3 artigos e com promessa de outros mais por vir.

Claro que como todo livro, o The Descent tem v√°rias limita√ß√Ķes e vieses de √©poca, mas nele Darwin deixou claro que as origens evolutivas dos humanos podem sim ser desvendadas. E nesse sentido enquanto um programa de pesquisa a ser desenvolvido, Darwin deu uma inestim√°vel contribui√ß√£o √† evolu√ß√£o humana. E, se percebermos como aspectos morfol√≥gicos, biogeogr√°ficos, interespecificamente comparativos, mas tamb√©m psicol√≥gicos e comportamentais est√£o integrados, o The Descent pode ser considerado bem moderno. Isto porque, de l√° para c√°, ainda s√£o poucos bi√≥logos focando na psicologia e no comportamento, e pouco psic√≥logos focando na evolu√ß√£o. Felizmente as √°reas est√£o cada vez mais se integrando e talvez um dia cheguemos ao grau de integra√ß√£o que o pr√≥prio Darwin expressou 150 atr√°s.

Feliz Dia de Darwin 2017, Brasil

darwin day 2017√Č chegado o dia mais esperado do ano novo: hoje, 12 de fevereiro Charles Robert Darwin completaria 208 anos e sua obra prima “A Origem das Esp√©cies” completa 158 aninhos. √Č o famoso “Dia de Darwin”, momento em que celebramos sua obra e legado para a humanidade. N√≥s do MARCO EVOLUTIVO marcamos essa data em nosso calend√°rio desde 2008, passando por 2009 (Bicenten√°rio ‚Äď Ano de Darwin), 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 at√© 2016. No Brasil e ao redor do mundo (Veja o DARWINDAY.ORG) est√£o sendo mantidos e criados novos eventos para promover e disseminar o pensamento darwinista.

O pensamento darwinista ainda √© jovem, est√° s√≥ come√ßando a segunda metade do seu segundo s√©culo, ent√£o √© esperado que as pessoas v√£o ter dificuldades em compreender sua l√≥gica b√°sica. Al√©m disso, o maior inimigo do pensamento darwinista ainda √©, de longe, a mente humana primata cheia de vieses, atalhos cognitivos, e de agendas pr√≥prias de um mam√≠fero da nossa laia. Um desses becos sem sa√≠da psicol√≥gicos √© o “Erro Beethoven”, nomeado por Frans de Waal em seu livro “Eu, Primata: Por Que Somos Como Somos (2007)” [Our Inner Ape: The Best and Worst of Human Nature (2005)”.
beethoven apartment

O “Erro Beethoven” ocorre sempre que confundimos ou igualamos o processo ao seu produto e vice-versa. Os conhecidos de Beethoven ficavam chocados e incr√©dulos sempre que visitavam o compositor em seu apartamento. Ele viveu em 39 apartamentos diferentes, teve cinco pianos todos sem pernas que ficavam no ch√£o. No geral, seu ap√™ era sujo, bagun√ßado, fedido, cheio de restos de comida e partituras amassadas espalhadas. N√£o era poss√≠vel, imaginar que todas aquelas pe√ßas musicais sublimes, criativas e elegantes foram compostas ao ch√£o em meio ao um caos repulsivo. Normalmente as pessoas imaginam que o produto demonstrar√° claramente caracter√≠sticas do processo e, quanto melhor √© o produto, mais positivamente imaginamos o processo correspondente. Ocorre o mesmo problema com a Sele√ß√£o Natural: ‘j√° que somos seres bem complexos, conscientes e perfeitinhos ent√£o n√£o √© poss√≠vel que um processo cego, mec√Ęnico e sem destino tenha nos produzido.’ Ou ent√£o ocorre o contr√°rio: ‘j√° que a natureza √© selvagem e cruel – tipo cada um por si – somos naturalmente cru√©is por sermos seu produto‘ ou ent√£o ‘j√° que, na evolu√ß√£o, os genes mais ego√≠stas deixam mais descendentes, ent√£o s√≥ podemos ser naturalmente ego√≠stas mesmo’.

Qualquer pessoa que j√° foi ao barbeiro ou cabeleireiro sabe que para ter um corte novo, lindo e impec√°vel √© preciso passar pelo corte, esse processo longo, desconfort√°vel e ‘sujo’ (cheio de fios em peda√ßos pra todo lado). Qualquer pessoa que j√° ralou um queijo sabe que para ter um delicioso, soltinho e leve queijo ralaralando queijodo, tem que ralar (literalmente), √© preciso passar por esse processo cansativo, √°rduo e potencialmente perigoso. Qualquer pessoa que j√° mudou de casa sabe que para ter um novo lar, confort√°vel, acolhedor e organizado √© preciso passar pelo processo ca√≥tico, cansativo e angustiante da mudan√ßa. Como o produto √© mais saliente do que o processo acabamos imaginando o processo √† luz do produto. Mas temos que lembrar que na maioria dos casos processo e produto t√™m caracter√≠sticas distintas. Ent√£o, com a Evolu√ß√£o por Sele√ß√£o Natural √© a mesma coisa: o processo evolutivo que √© simples, desnorteado, amoral, implac√°vel e ignorante d√° origem, ap√≥s v√°rios ciclos, a seres complexos, focados, morais, funcionais e inteligentes. Totalmente poss√≠vel, nada que possa nos denegrir, pelo contr√°rio, s√≥ pode nos exaltar j√° que nossa complexidade e outras qualidades n√£o s√£o vers√Ķes pioradas vindas de um processo ainda mais complexo e melhor, mas sim as primeiras do g√™nero para cada ramos da √°rvore da vida.oficinas-darwin day mzusp 2017jpg

Esse ano no Brasil tivemos, temos e teremos v√°rios eventos Darwindaynianos. √Č muito bom ver que a lista s√≥ aumenta. No Museu de Zoologia da USP em S√£o Paulo como sempre houve a Semana de Darwin com apresenta√ß√£o de document√°rios, √≥timas palestras, oficinas e exposi√ß√£o. Hoje a programa√ß√£o vai at√© as 17 e ser√£o duas palestras na parte da tarde. O destaque vai para o jogo Ca√ßada no Museu: Edi√ß√£o especial Charles Darwin, para crian√ßada.
Darwinday osasco 2017

No Borbolet√°rio de Osasco houve do 2¬ļ Darwin Day com discuss√£o aberta sobre “Por que a vida √© assim?” no dia 10/fev contando com o Prof. Dr. N√©lio Bizzo, o Prof. Dr. Waldir Stefano, e a MsC. Carolina Yamaguchi.darwin day catavento 2017

No Catavento Cultural est√° tendo esse final de semana a “Mostra VerCi√™ncia – Dia de Darwin” com exibi√ß√£o continua de curtas-metragens com ‘o que √© evolu√ß√£o?’ e ‘como funciona a evolu√ß√£o’.

Ver ciência Rio de Janeiro museu do Amanhã 2017No Rio de Janeiro, haverá hoje a partir das 14h no Darwin Day no Museu do Amanhã exibição de dois documentários e debates mediados por Sergio Brandão, curador internacional da Mostra VerCiência.

Darwin Day Lagen UFPA 2017

Em Bel√©m do Par√° no Instituto de Ci√™ncias Biol√≥gicas da UFPA no dia 15/fev quinta-feira haver√° o 2¬ļ Darwin Day com carga hor√°ria de 10 horas, para o dia todo sobre o tema “A teoria Evolutiva precisa ser repensada?” a √≥tima discuss√£o ser√£o 7 palestras imperd√≠veis. Sobre Constru√ß√£o de Nicho, Epigen√©tica, Evolu√ß√£o Cultural, Plasticidade Fenot√≠pica, Evolu√ß√£o e Sa√ļde, Assimila√ß√£o Gen√©tica e Evo-Devo. As inscri√ß√Ķes antecipadas saem por R$10 ¬†e no dia sae por R$15, basta enviar email para o pessoal da Liga Acad√™mica de Gen√©tica lagenufpa@hotmail.com

Darwin Day UNESP - Botucatu - BrazilPela primeira vez na UNESP de Botucatu organizado com apoio da P√≥s-Gradua√ß√£o em Gen√©tica e do Instituto de Bioci√™ncias de Botucatu haver√° dia 30 de mar√ßo o Darwin Day UNESP contando com tr√™s palestras com o Prof Dr. Ricardo Waizbort falando sobre o ‘Darwinismo no Brasil’, Prof Dr. Mario de Pinna falando sobre ‘A Evolu√ß√£o da Perspectiva Evolutiva’ e Profa. Dra. Jaroslava Varella Valentova (minha esposa e m√£e da minha filha Alice) falando sobre a ‘Sele√ß√£o Sexual’. O Prof. Dr. Danillo Pinhal organizador do evento ser√° o mediador da mesa-redonda onde eu vou falar sobre Evolu√ß√£o Adaptativa, o Prof. Dr. Reinaldo de Brito falara sobre o Neodarwinismo, e o Prof Dr. Cesar Martins sobre Revolu√ß√£o Gen√īmica. Imperd√≠vel!

E todo ano o pessoal da Pós-Graduação em Biologia Comparada e em Entomologia, da USP de Riberião Preto, organiza o Darwin Day USP de Ribeirão geralmente entre abril e maio. Então fiquem ligados no face.

Fiquem com uma s√©rie de falas do saudoso bi√≥logo brit√Ęnico John Maynard Smith (1920-2004) sobre Biologia, Gen√©tica e Evolu√ß√£o.

Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante

Era impossível ficar ao lado de nosso querido César Ades, que nasceu no Cairo, Egito, e não ser levado por seu entusiasmo contagiante. Conheci o César em 2003 no XX Enconto anual de Etologia (EAE) em Natal, em meu terceiro ano de graduação eu ainda não havia encontrado minha área de pesquisa. Lá depois de uma brilhante palestra sobre todos os EAEs anteriores eu estava mais do que cativado pela Etologia, principalmente voltada para os humanos. Ele autografou meu livro de resumo e me desejou um futuro brilhante.

Em meu √ļltimo ano de gradua√ß√£o fiz um trabalho sobre a consci√™ncia animal e se n√£o fosse um texto do C√©sar ter me tocado e me motivado n√£o teria tirado da nota m√°xima.

Em 2004, ao final de meu bacharelado na Unesp de Bauru com Sandro Caramaschi, ex-aluno do Prof. César, fui conversar com ele para estudar possibilidade de um mestrado. Eu estava super nervoso, mas ele me deixou bem a vontade e no decorrer da conversa percebemos que estávamos em sentidos contrários: ele era um psicólogo mais voltado para o comportamento dos outros animais e eu um biólogo interessado no ser humano. Então, ele me indicou a Profa Vera Bussab que acabou sendo minha orientadora de mestrado e de doutorado no Bloco F do IP-USP, inaugurado pelo César enquanto diretor do Instituto anos antes.

Sua disciplina de p√≥s sobre Comunica√ß√£o Animal me forneceu bases s√≥lidas para um estudo comparativo da musicalidade humana. Cada aula com ele era uma maravilha, ambiente descontra√≠do, informa√ß√Ķes precisas e conex√Ķes muito bem elaboradas.

Fora as belas homenagens oficiais a ele realizadas pelo Instituto de Psicologia da USP, muitas palavras relevantes e tocantes foram colocadas aqui na nossa Série Especial do ScienceBlogs Brasil em homenagem ao César, o Grande ao meu ver.

Eu (depois de ficar uma semana e meia fora do ar devido a uma fratura e cirurgia no braço dois dias após seu falecimento) gostaria de acrescentar algo que julgo muito louvável sobre ele. César Ades era tão entusiasmado e curioso por conhecimento que ele não conseguia se conter em apenas dar aulas, fazer pesquisas, publicar, orientar, ter cargos administrativos, organizar eventos, ele também fazia e valorizava a divulgação científica.

Ao ser esse acad√™mico generalista digno de um Da Vinci moderno, a divulga√ß√£o cient√≠fica n√£o poderia passar em branco. Ele deu diversas entrevistas tais como a brilhante ‚ÄėPsicologia e Biologia ‚Äď Entrevista com C√©sar Ades‚Äô, e a ‚ÄėEntrevista: C√©sar Ades estuda a evolu√ß√£o do comportamento animal‚Äô. Escreveu e deu v√°rias contribui√ß√Ķes para a Ci√™ncia Hoje Crian√ßa como explicando a import√Ęncia da limpeza nos animais em ‚ÄėT√° limpo!‚Äô. Ele deu v√°rias palestras e tamb√©m participou de v√°rias comemora√ß√Ķes do Dia de Darwin. Esse ano, C√©sar compareceu ao Catavento Cultural para participar de um talk show com o Prof N√©lio Bizzo. Como sempre tudo bem descontra√≠do e informativo. Ele sempre frisava na import√Ęncia de Darwin enquanto o primeiro psic√≥logo evolucionista. Sua import√Ęncia como divulgador √© crucial e assim como todas suas outras caracter√≠sticas ir√° continuar inspirando gera√ß√Ķes de pesquisadores e admiradores.

Uma de suas mais atuais metas era a de reunir etólogos eminentes da América Latina para um simpósio debatendo origens, desafios e perspectivas futuras da área, de modo a gerar um livro em conjunto sobre as experiências em cada país e a semente de uma aliança Latino-Americana de Etologia. Reuniremos esforços para realizar essa grande ideia junto a alunos e profs.

Um dos mais tocantes comentários sobre o César pra mim foi o do Prof. Fernando Ribeiro quando queria destacar uma virtude dele.

“Quem o v√™ hoje, e encanta-se com seu entusiasmo, conhece o mesmo C√©sar Ades de 40 anos atr√°s. E foi esse entusiasmo que escolhi, a fim de destacar uma de suas virtudes, ao cumpriment√°-lo, na ocasi√£o de sua indica√ß√£o para o Instituto de Estudos Avan√ßados, quando disse a ele: Fui percorrendo suas marcas, a intelig√™ncia, a erudi√ß√£o, o car√°ter… mas como me impus uma escolha, fiquei com o entusiasmo, sem o qual a intelig√™ncia n√£o se acende, a erudi√ß√£o n√£o se atinge, o car√°ter n√£o se transmite. Sim, porque C√©sar Ades √©, e sempre foi, um professor. Sua extrovers√£o e a expressividade com que se comunica constituem sua face vis√≠vel”

Fique agora com os dois vídeos de uma entrevista de César Ades concedida ao programa Trajetória da TV USP em 2011 e com o vídeo mais recente do César Ades no Dia de Darwin. Assim um pouco dele e seu entusiasmo sempre viverá em nós de modo a podermos contagiar toda uma outra geração com suas idéias e atitudes.

Dia de Darwin 2012

Quatro Anos de MARCO EVOLUTIVO e Feliz 2012

Feliz 2012 a todos nós primatas e a todos os outros seres vivos. Começamos o ano já comemorando não UM, nem DOIS, nem TRÊS, mas sim QUATRO anos (e dois meses) de MARCO EVOLUTIVO, o seu, o meu, o nosso canal online sobre evolução e comportamento humano e todos os temas correlatos, de preservação ambiental a eventos e palestras.

Depois de um 2011 conturbado com a defesa do meu doutorado e de final de ano intenso, cheio de pesquisas e viagens, estou começando esse 2012 com muita energia e grandes perspectivas futuras. Agradeço todos os comentários, elogios e críticas ao blog, tanto de novos leitores quanto dos de longa data. Continuem acessando e compartilhando com os amigos.

Os 5 textos mais lidos em 2011 foram: 1- “O sexo chimpanz√© e o conflito de gera√ß√Ķes“, 2- “Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista“, 3- “Coevolu√ß√£o e Sele√ß√£o Sexual no Caso da Vespa Tarada“, 4- “Lamarck – A Verdadeira Id√©ia Errada“, 5- “Criatividade: nossa cauda de pav√£o mental“. O posts de 2011 mais lidos foram “A beleza da competi√ß√£o feminina“, “Dance seu doutorado” e “Diferen√ßas sexuais e o darwinismo“.

De janeiro de 2011 at√© janeiro de 2012 o blog teve quase 22 mil visitas. Tivemos 20 mil visitas no Brasil e 1.000 de Portugal. As outras visitas foram de EUA, Canad√°, Mo√ßanbique,¬†Reino Unido, Espanha,¬†Angola, ¬†Fran√ßa,¬†Jap√£o, Gr√©cia, Argentina, Pol√īnia, It√°lia, Chile, Paraguai, Col√īmbia, Cabo Verde, Peru, Su√≠√ßa, Alemanha.¬†As palavras mais usadas antes de encontrar o¬†MARCO EVOLUTIVO¬†foram: ‚ÄúLamarck‚ÄĚ, ¬†“Marco Evolutivo”, ‚ÄúPsicologia Evolucionista‚ÄĚ, “Steven Pinker”,¬†“Coevolu√ß√£o”, ‚ÄúAntropocentrismo‚ÄĚ, e ‚ÄúSele√ß√£o Sexual‚ÄĚ.

De cara nova desde setembro do ano passado, o MARCO EVOLUTIVO evoluíu bastente na sua aparência e possibilidades em 2011. O destaque foi para a imagem do cérebro humano e da árvore evolutiva da interdisciplinaridade. Agora, além de já ter 84 seguidores na nova página criada no Facebook, conta também com os links para minha dissertação de mestrado e para minha tese de doutorado. Assim todos que tiverem o interesse poderão baixar cada uma e se aprofundar nos temas das diferenças individuais quando ao sexo casual e na evolução das nas nossas capacidades musicais e artísticas através da seleção sexual.

E para o presente evolutivo desse anivers√°rio veremos a palestra de David Sloan Wilson sobre Evolution for Everyone! Aproveitem!

Simp√≥sio de Sexologia e Colet√Ęnia em Sele√ß√£o Sexual

Nesta quinta feita, dia 01/09 tem in√≠cio na UNESP de S√£o Jos√© do Rio Preto o Simp√≥sio de Sexologia promovido pelo Centro Acad√™mico de Biologia “3 de Setembro”. O evento abordar√° os estudos acerca da sexualidade, envolvendo tr√™s grandes tem√°ticas: a biol√≥gica comparativa e adaptativa; a do direito envolvendo aborto e crimes sexuais; e a informativa e de sa√ļde envolvendo orienta√ß√£o sexual, sexualidade nas universidades e DSTs. Achei muito interessante a programa√ß√£o, pois geralmente a abordagem evolutiva para a sexualidade est√° fora da Sexologia.

Durante o Simp√≥sio de Sexologia eu darei um mini-curso sobre a Evolu√ß√£o das Estrat√©gias Sexuais. Para os participantes e para todos interessados no tema eu recomendo que leiam os posts sobre sele√ß√£o sexual do MARCO EVOLUTIVO. Para descobrir sobre os padr√Ķes da sele√ß√£o sexual nos outros animais vejam:

Para descobrir influências da seleção sexual no comportamento humano vejam:

E para vejam ótimos vídeos de especialistas no assunto vejam:
 

E falando em ótimos vídeos, aqui veremos em primeira mão um vídeo colocado hoje no youtube de um podcast do Biólogo Evolucionista Tim Clutton-Brock do Museu de Zoologia da Universidade de Cambridge. Nele Clutton-Brock aborda primeiro o desafio à evolução que os ornamentos representaram pra Darwin e sua solução foi criar a Seleção Sexual. Ele separa a beleza em dois tipos: a beleza simples e funcional do design adaptativo que evoluiu por seleção natural; e a beleza exagerada, multifacetada e complexa dos ornamentos que evoluiu por seleção sexual.

Ele fala que a sele√ß√£o sexual, apesar de pensada s√≥ para formas e cores, atua em todas as formas de sistemas de sinaliza√ß√£o e envolve sons e cheiros atraentes. Para ele as aves e mam√≠feros diferem quanto aos canais de comunica√ß√£o o que pode ser evidenciado nas diferen√ßas de ornamentos. As aves s√£o em geral mais visuais e sonoras enquanto os mam√≠feros s√£o em geral mais voltados para os ornamentos olfativos. Ele borda tamb√©m que a maioria das pesquisas tem foco nas exibi√ß√Ķes masculinas, mas que atualmente os ornamentos femininos est√£o sendo mais estudados. Aborda tamb√©m o efeito da assimetria no investimento parental nas diferen√ßas sexuais nos humanos e nos benef√≠cios que as f√™meas t√™m na sele√ß√£o sexual.

Novos Blogs sobre Etologia no Brasil

Gansos me biquem! Devo estar sonhando… Mas felizmente n√£o estou!! √Č com enorme satisfa√ß√£o que sa√ļdo e apresento os mais novos blogs sobre Etologia que acabam de adentrar na Blogosfera cient√≠fica. S√£o eles o ETOLOGIA NO BRASIL criado em 29 de dezembro do ano passado e o Mais sobre Etologia criado exatamente hoje. Eu por ser s√≥cio da SBEt fico particularmente feliz e orgulhoso com a iniciativa.

Trata-se de uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Etologia (SBEt), que est√° com a p√°gina repaginada, tudo para ampliar a difus√£o dos temas e enfoques etol√≥gicos no Brasil. “O blogue √© uma esp√©cie de jornal (quase) di√°rio da SBEt, onde ser√£o veiculados assuntos bastante diversos sobre etologia no Brasil e no Mundo. Artigos interessantes, curiosidades, temas pol√™micos e dicas ser√£o veiculadas no blogue. Resultados de pesquisas, teses, disserta√ß√Ķes e monografias defendidas (ou a serem defendidas) ser√£o anunciadas no blogue. Eventos, reuni√Ķes, cursos, congressos (locais, regionais, etc) ser√£o veiculados sempre que necess√°rio.”

Para seguir os feeds dos blog o endereço é

http://etologiabrasil.blogspot.com/feeds/posts/default para o ETOLOGIA NO BRASIL e http://maisetologia.blogspot.com/feeds/posts/default para o Mais sobre Etologia

Eles tamb√©m aceitam contribui√ß√Ķes: “qualquer assunto, fotos, gr√°ficos, informa√ß√Ķes as mais diversas relacionadas √† etologia ser√£o bem-vindas.” √Č s√≥ entrar em contato pelos blogues.

Essa √© uma √≥tima iniciativa, pois al√©m de dar um maior g√°s para integrar pesquisadores da biologia do comportamento animal, “o blogue n√£o se destina somente aos s√≥cios; √© uma m√≠dia para todos os p√ļblicos que queiram saber alguma coisa sobre etologia.” E isso √© muito bom, pois muitos et√≥logos gostam e acham importante a comunica√ß√£o cient√≠fica, mas diversas decep√ß√Ķes com jornalistas acabam tolhendo suas iniciativas, da√≠ a import√Ęncia dos blogues, para n√£o existir intermadi√°rios entre o pesquisador e o pl√ļblico.

Esse Ano de Darwin ser√° particularmente importante para a biologia do comportamento, pois teremos dois grandes congressos cient√≠ficos: no primeiro semestre teremos o 46¬ļ Animal Behavior Meeting que ocorrer√° entre os dias 22 a 26 de junho e contar√° com palestra de Sir Richard Dawkins.

E no segundo semestre teremos o XXVII Encontro Anual de Etologia que ser√° na cidade de Bonito em novembro, com promessas de participa√ß√Ķes internacionais com participantes convidados da Am√©rica Latina e grandes homenagens a Charles Darwin. Ent√£o vamos ficar ligados na not√≠cias e eventos sobre Etologia e comemorarmos juntos o Ano de Darwin, o primeiro grande et√≥logo.

Feliz 2009 Primata!

Ano novo chegando e j√° vem prometendo muitos acontecimentos estelares. Hoje, 8 de janeiro, dia em que nasce o astro Elvis Presley e morre o astr√īnomo Galileu Galilei √© um bom dia para se¬†pensar no ano de 2009. Considerado por muitos, Ano Internacional da Astronomia e Ano de Darwin, o centro gravitacional da Biologia.

Est√£o previstas muitas comemora√ß√Ķes pelo mundo, muito congra√ßamento cient√≠fico de qualidade, muitos congressos internacionais ocorrer√£o no Brasil e muita ci√™ncia ser√° levada para o cotidiano do primata humano.
Gostaria de abrir o ano com uma reflexão provocadora: Para quantas pessoas não-humanas você já desejou um feliz 2009? Pois é, taí algo para se pensar. Por que, entra ano e sai ano, e não vemos muitos esforços para se estender as fronteiras da nossa consideração ética abarcando as outras espécies. Para quantos seres vivos você deseja um bom ano novo?
N√£o espero que ningu√©m mergulhe nas √°quas do mar da √Āfrica do Sul para desejar feliz ano novo para o celacanto. At√© porque como ele √© um f√≥ssil vivo, com ele o negocio √© mais pra feliz interglacial novo. Mas podemos de¬†in√≠cio come√ßar a pensa naquelas esp√©cies que est√£o mais pr√≥ximas de n√≥s, seja proximidade espacial seja filogen√©tica.
Dawkins apresenta no v√≠deo abaixo sua posi√ß√£o em favor dos direitos dos gorilas, n√£o como um cientista estudioso do comportamento animal, mas como um ser humano. E por que n√£o primata, n√©? Considera√ß√Ķes √©ticas s√£o baratas, est√£o ao alcance de todos, fazem bem pra sa√ļde e n√£o est√£o necessariamente atreladas a religi√£o. Esp√©cies n√£o s√£o essencialmente distintas, s√£o um grande cont√≠nuo de parentes. Alguns animais s√£o capazes de pensar, inclua-se nesse grupo seleto e se descubra em meio a todos eles.
Invente tente, se veja diferente num ano novo mais abrangente. Ainda h√° tempo. Feliz ano novo primata.

O sexo chimpanz√© e o conflito de gera√ß√Ķes

Os chimpanz√©s, nossos parentes mais pr√≥ximos na Terra, apresentam n√£o s√≥ uma √≥tima oportunidade para nos entendermos com um olhar mais amplo, mas tamb√©m para estudar suas pr√≥prias peculiaridades comportamentais. O in√≠cio da Primatologia foi marcado por um interesse secund√°rio no comportamento dos outros macacos e sim mais uma oportunidade comparada ao estudo do ser humano. Atualmente existe um interesse leg√≠timo no comportamento e nas peculiaridades dos outros primatas, visto que eles n√£o s√£o ‚Äúpiores‚ÄĚ do que n√≥s e muitos est√£o sofrendo amea√ßas de extin√ß√£o.

E nada mais interessante do que falarmos sobre o sexo dos nossos parentes mais próximos. As chimpanzés fêmeas não apresentam menopausa, ficando fértil por todos seus 40 anos médios de vida, ao contrário dos humanos. Então, será que os machos chimps apresentam a mesma preferência por fêmeas mais novas que homens apresentam? Foi exatamente essa questão que motivou uma pesquisa feita pelo antropólogo Martin Muller da Boston University. Ele observou a faixa etária das fêmeas mais abordadas para cópula num grupo de chimps no Kibale National Park em Uganda.
Ele obteve que, ao contr√°rio dos homens, os chimpanz√©s machos preferem f√™meas mais velhas. Os machos competem intensamente pelas f√™meas mais velhas, enquanto as mais novas t√™m que se esfor√ßar mais para atrair a aten√ß√£o. Comparado com as mais novas as f√™meas mais velhas s√£o mais abordadas, acasalam mais comumente no per√≠odo do estro, copulam com maior freq√ľ√™ncia com os machos dos altos postos da hierarquia e geram intensa disputa entre os machos na √©poca de acasalamento.
Bom, vocês perceberam que existe hierarquia entre as fêmeas sendo as mais velhas as mais dominantes, e assim elas obtêm um acesso melhor a melhores alimentos. E uma fêmea bem nutrida apresenta maior fecundidade, ou seja, maior a probabilidade de darem à luz em qualquer ciclo fértil. Então seria de se esperar que as fêmeas mais novas desenvolvessem estratégias para contornar essa influência dominante das mais velhas e também se dar bem na reprodução (duplo sentido opcional).
E foi exatamente isso que o psic√≥logo Simon Townsend da University of St Andrews e colegas obtiveram em seus estudos sobre as er√≥ticas vocaliza√ß√Ķes de c√≥pula que as f√™meas emitem, quase como gemidos sexuais. A hip√≥tese vigente dizia que essas sinaliza√ß√Ķes vocais das f√™meas funcionavam indicando sua fertilidade para os machos, incitando a competi√ß√£o de modo que quem copulava era o melhor macho, o que ganhou a competi√ß√£o. Mas eles n√£o encontraram suporte para essa hip√≥tese, pois n√£o houve rela√ß√£o entre os chamados de c√≥pula e o per√≠odo f√©rtil.
Ao inv√©s disso eles obtiveram que as f√™meas gemiam mais quando copulavam com machos de domin√Ęncia mais elevada, mas elas suprimiam as vocaliza√ß√Ķes quando f√™meas de maior domin√Ęncia estavam por perto. Essa flexibilidade estrat√©gica na emiss√£o dos chamados de c√≥pula acaba por prevenir a competi√ß√£o social, que muitas vezes √© violenta, entre as f√™meas de diferentes idades.
As f√™meas chimpanz√©s parecem estar muito mais interessadas em fazer sexo com diferentes machos sem que as f√™meas dominantes descubram para n√£o gerar confus√£o pra cima delas, do que gerar competi√ß√£o barulhenta entre os machos. N√£o esper√°vamos que o conflito de gera√ß√Ķes entre as chimps fosse originar c√≥pulas silenciosas e veladas.

Como vimos, o sexo primata pode dar muito o que falar como pode dar muito o que calar. Ali√°s, calar foi a √ļnica coisa que os humanos (crian√ßas e adultos) n√£o fizeram frente ao ato sexual chimpanz√© deste v√≠deo.