Promovendo Mulheres e Meninas na Ciência em 2022

Hoje, dia 11 de fevereiro, √© o Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia. Estamos celebrando mundialmente as conquistas, descobertas e a import√Ęncia feminina na Ci√™ncia, tentando corrigir a desigualdade de g√™nero das oportunidades na Ci√™ncia, e inspirando as meninas a virarem cientistas. Desde 2015 as Na√ß√Ķes Unidas declararam o 11 de fevereiro para esta t√£o merecida e necess√°ria celebra√ß√£o mundial. Os desafios s√£o muitos, desde diminuir barreiras sociais, estere√≥tipos e at√© atualizar as pr√≥prias din√Ęmicas institucionais da academia. O dia de hoje √© um excelente lembrete da necessidade de se fortalecer e incentivar a atividade feminina na Ci√™ncia e Tecnologia.

No ano passado vimos como as mulheres cientistas est√£o sendo vitais para o combate √† pandemia de coronav√≠rus e para o avan√ßo das medidas protetivas contra transmiss√£o viral. A Science Advances publicou em 2021 um editorial falando a import√Ęncia de se apoiar a presen√ßa das mulheres na academia cient√≠fica durante e depois da pandemia. Eles elencaram algumas formas de se incentivar a entrada e a perman√™ncia das mulheres na Ci√™ncia: ajudar as mulheres cientistas quando eles come√ßam fam√≠lia como oferecer creche a todas as m√£es na academia, dar sal√°rio equivalente ao masculino e o mesmo financiamento pra se come√ßar um laborat√≥rio, repensar o per√≠odo probat√≥rio para permitir e melhor acomodar a licen√ßa maternidade, oferecer mentoria de outros cientistas, manter op√ß√Ķes de teletrabalho (aulas remotas e confer√™ncias online) mesmo depois da pandemia, e incentivar parcerias e colabora√ß√Ķes cient√≠ficas na academia.

Este ano est√£o saindo novas publica√ß√Ķes promovendo e discutindo as contribui√ß√Ķes cient√≠ficas das mulheres nas mais diversas √°reas como na Paleontologia e nas Neuroci√™ncias. Atualmente estamos vendo uma melhora no ambiente acad√™mico nacional e internacional, o qual est√° cada vez mais sens√≠vel √†s demandas e especificidades femininas. Por√©m, h√° muito ainda no que se avan√ßar, principalmente na abertura de novas vagas, aumento do financiamento e disponibilidade de mais vagas em creches. E, por isso, temos que juntar for√ßas para ajudar a promover as mudan√ßas sociais necess√°rias para oferecer as plenas condi√ß√Ķes par atrair e manter mais mulheres na Ci√™ncia. Ent√£o, feliz Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci√™ncia!

 

Dia de Darwin 2021 e os 150 anos do “Descend√™ncia do Homem”

√Č chegado o Darwin Day 2021, a grande celebra√ß√£o internacional da biografia, publica√ß√Ķes e legado de Charles Robert Darwin. Hoje, dia 12/2/21, Darwin faz 212 anos. E daqui 12 dias seu livro ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem e Sele√ß√£o em Rela√ß√£o ao Sexo‚ÄĚ (1871) completa 150 anos de publica√ß√£o, 12 anos depois do sesquicenten√°rio do ‚ÄúOrigem das esp√©cies‚ÄĚ. ¬†No ‚ÄúDescend√™ncia‚ÄĚ (12 letras), Darwin aborda as semelhan√ßas morfol√≥gicas, comportamentais e psicol√≥gicas entre humanos e n√£o-humanos como evid√™ncia da ancestralidade comum, e discute a import√Ęncia da sele√ß√£o sexual para a evolu√ß√£o de algumas caracter√≠sticas compartilhadas. Darwin deixa claro que as diferen√ßas que existem entre n√≥s e os outros animais s√£o de grau e n√£o de tipo, e que todos os humanos vieram de um ancestral comum africano. Trata-se ent√£o de um dia, um m√™s e um ano muito especiais para o evolucionismo, especialmente aplicado ao ser humano.

Nos √ļltimos 12 anos aqui no MARCO EVOLUTIVO, temos celebrado ininterruptamente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days em 2018, 2019 e em 2020. Por conta da pandemia muitos eventos no Brasil e no mundo todo est√£o sendo realizados online, o que facilita muito a participa√ß√£o e a dissemina√ß√£o das ideias e do legado de Darwin. Ent√£o busque online por Darwin Day 2021 e aproveite. Veja a discuss√£o sobre Evolu√ß√£o Humana promovida pela Sociedade Brasileira de Gen√©tica.

No ‚ÄúDescend√™ncia‚ÄĚ Darwin ressalta que epidemias, assim como guerras, s√£o um importante fator de sele√ß√£o fazendo com que a popula√ß√£o humana n√£o realize todo seu potencial de multiplica√ß√£o. Seguindo esses primeiros passos de se abordar os surtos de doen√ßas evolutivamente, especialmente num livro sobre a evolu√ß√£o do corpo e do comportamento humano, alguns psic√≥logos evolucionistas contempor√Ęneos t√™m continuado essa linha durante a atual pandemia de COVID-19 causada pelo novo coronav√≠rus. Temas como as tend√™ncias evolu√≠das de se evitar cont√°gio por pat√≥genos, as respostas comportamentais e psicol√≥gicas a amea√ßas, coopera√ß√£o e cuidado em tempos de crise de sa√ļde, entre outros, est√£o sendo abordados te√≥rica e empiricamente no momento. Veja Seitz et al. (2020), Arnot et al., (2020), Dezecache et al. (2020), Troisi (2020), e Ackerman et al. (2020).

Um tema comum nessas novas publica√ß√Ķes √© o descompasso temporal evolutivo (evolutionary mismatch) entre o ambiente ancestral, para o qual boa parte das nossas tend√™ncias est√° adaptada, e o ambiente atual, que preserva cada vez menos semelhan√ßa com as condi√ß√Ķes ancestrais. Se o descompasso entre o ambiente de adapta√ß√£o evolutiva ancestral e o contexto moderno urbanizado, p√≥s-industrial e tecnol√≥gico pr√©-pandemia j√° era considerado pouco representativo do modo de vida ca√ßador coletor ancestral, levando a v√°rios problemas como o sedentarismo, obesidade, solid√£o e estresse cr√īnico, esse descompasso s√≥ aumentou durante a atual pandemia de COVID-19. A pandemia de COVID-19 est√° sendo referida como o grande descompasso evolutivo.

O conceito evolutivo do descompasso √© importante pois mostra que as adapta√ß√Ķes n√£o s√£o absolutas, mas sim relativas a um ambiente espec√≠fico. Quem conhece o tamanho do ambiente natural dos grandes felinos entende porque eles est√£o sempre andando para l√° e para c√° em seus recintos no zool√≥gico. Assim como os le√Ķes, os humanos tamb√©m v√£o tender a querer se comportar como se ainda estivessem em sua fam√≠lia estendida tribal rodeados de parentes e amigos, alta intera√ß√£o social di√°ria, alimenta√ß√£o comunal, deslocamento di√°rio e entretenimento em grupo ao redor da fogueira √† noite.

Ao longo dos anos fomos criando substitutos como a televis√£o, cinema, o telefone, internet, email, v√≠deo chamadas, realidade virtual, educa√ß√£o √† dist√Ęncia, esteira de corrida/caminhada, aplicativos de escolha de parceiros, pornografia, os document√°rios de natureza, etc. Mas, ainda assim, quanto mais perto do contexto original maior √© o apelo psicol√≥gico, como de reencontrar a fam√≠lia no restaurante ou os amigos na escola/universidade ou no bar √† noite, o futebol com os amigos no final de semana, a atividade f√≠sica na academia de gin√°stica, a socializa√ß√£o nos cultos religiosos, e as oportunidades de se encontrar novos parceiros sexuais nas boates e discotecas.

Porém, durante a pandemia essa resistência de se deixar a vida moderna mais virtual/online ainda, que é compreensível e prevista à luz dos descompassos evolutivos, está colocando a sociedade e a espécie inteira em perigo. São justamente a escola/universidade, o restaurante, o bar, a igreja, a academia, as boates e discotecas que estão sendo identificados como locais com eventos de super-espalhamento do novo coronavírus (suprespreading events) que poderiam ser evitados visto que os indivíduos oportunisticamente decidem se expor ao perigo.

Mais do que nunca teremos que utilizar e disseminar os vários substitutos virtuais  para manter os mínimos níveis de estimulação e atuação social, os quais ajudam a manter a sanidade corporal e mental (apesar de eles também levarem a alguns prejuízos). Então, nesse dia de Darwin é importante participar dos vários eventos online, e entender a problemática dos descompassos evolutivos para tentar ao máximo minimizar mortes evitáveis decorrente da irresponsabilidade epidemiológica de alguns poucos.

 

 

 

 

Mulheres cientistas no combate à pandemia

Come√ßamos o primeiro ano 21 do S√©culo XXI com muitos desafios e, incrivelmente, algumas raz√Ķes para celebrar. Por√©m, reinicio as postagens no MARCO EVOLUTIVO pedindo um minuto de sil√™ncio em respeito aos mais de 235 mil mortos pelo SARS-COV-2 causados da COVID-19 no Brasil at√© ent√£o, e aos mais de 2,371 milh√Ķes que se tem not√≠cia no Mundo todo at√© ent√£o. Se nos EUA 40% das mortes por COVID-19 poderiam ter sido evitadas caso Trump tivesse levado a pandemia e √† ci√™ncia √† s√©rio, no Brasil governado por Bolsonaro essa porcentagem deve ser ainda maior, infelizmente. At√© porque, um estudo pre-registrado mostrou que decretar a obrigatoriedade do uso de m√°scaras √© a solu√ß√£o mais efetiva, justa, socialmente respons√°vel para diminuir a transmiss√£o do novo coronav√≠rus.

Nesse 11 de fevereiro estamos no Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia. Trata-se de uma celebra√ß√£o mundial enfatizando a imensa import√Ęncia das mulheres na Ci√™ncia, apontando formas de se corrigir a desigualdade de g√™nero das oportunidades na Ci√™ncia, e inspirando as meninas a seguirem este trajeto profissional. Durante desastres e crises de sa√ļde p√ļblica, sempre s√£o as mulheres que mais sofrem devido ao fechamento das creches e escolas e o decorrente aumento da j√° carregada dupla jornada de trabalho, pessoal e profissional. Portanto, o poder p√ļblico e a sociedade precisam se mobilizar para proteger as mulheres ainda mais durante essa pandemia. Apesar disso, um estudo em 8 pa√≠ses com 21.649 participantes mostrou que as mulheres s√£o as que mais entendem a seriedade da pandemia e mais respeitam e seguem as medidas sanit√°rias de sa√ļde p√ļblica que evitam o aumento na transmiss√£o do coronav√≠rus; elas fazem mais distanciamento social, usam mais m√°scara, e assim, protegem a si mesmas e √† toda a sociedade. Temos muito o que agradec√™-las.

Então, nada mais apropriado do que o tema desse ano do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ciência, pois celebra as mulheres cientistas à frente do combate à pandemia da COVID-19, seu papel crucial desde a descoberta do primeiro coronavirus humano, passando pelo sequenciamento do genoma do novo coronavírus até a elaboração e testagem das vacinas. Da Ciência básica à aplicada, as mulheres cientistas tem contribuído para o rápido avanço no conhecimento e nas medidas protetivas contra a COVID-19. Portanto, a Ciência precisa de mais mulheres porque o mundo precisa de mais Ciência para lidar com os novos desafios fruto da progressiva devastação ambiental.

Quase t√£o antiga quanto meu √ļltimo post, essa pandemia do novo coronav√≠rus est√° mostrando claramente que n√£o h√° futuro para humanidade sem respeito, dissemina√ß√£o, financiamento, vagas e estabilidade para a Ci√™ncia e cientistas. At√© porque, a Ci√™ncia √© a √ļnica forma de produ√ß√£o de conhecimento que pode gerar aplica√ß√Ķes cotidianas como as vacinas beneficiando a todos, inclusive aqueles que negam os ineg√°veis avan√ßos da Ci√™ncia. Temos algumas dezenas de meses de pandemia pela frente ainda, mas nunca √© tarde para parar, ouvir, entender e seguir as recomenda√ß√Ķes cient√≠ficas sobre as melhoras formas de se evitar a pandemia. Basta seguir as v√°rias publica√ß√Ķes cient√≠ficas (como essa sobre a import√Ęncia do uso de m√°scaras), os v√°rios informes de Sociedades Cient√≠ficas (como a de Infectologia), e os v√°rios divulgadores de ci√™ncia nacionais (como o Atila Iamarino) e internacionais (como o pessoal do SciShow) com atualiza√ß√Ķes e recomenda√ß√Ķes sobre a pandemia de COVID-19.

Nesse sentido gostaria de ressaltar o excelente trabalho sendo realizado pelo Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. Liderado pela cientista Ana de Medeiros Arnt do Instituto de Biologia, o grupo tem publicado desde o come√ßo da pandemia muita informa√ß√£o embasada cientificamente em forma de texto, √°udio e v√≠deo sobre COVID-19. Trata-se de conte√ļdo e did√°tica de primeira no momento em que mais precisamos da Ci√™ncia em nossas vidas. Ent√£o, nada mais √≥bvio do que o ScienceBlogs Brasil se juntar ao grupo e se hospedar no Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. Tal jun√ß√£o ocorreu em abril de 2020 e estamos muito satisfeitos por poder engrossar o coro do jornalismo, da divulga√ß√£o, da dissemina√ß√£o, da populariza√ß√£o, e da educa√ß√£o n√£o-formal cient√≠fica no Brasil.