Feliz Dia de Darwin 2023!

√Č chegada a hora do nosso Darwin Day! Hoje, 12 de fevereiro de 2023, estamos celebrando os 214 anos de ningu√©m menos que Charles Robert Darwin (1809-1882). Foi ele, o ge√≥logo e naturalista, que reuniu diversas fontes de evid√™ncias apontando para o processo evolutivo dos seres vivos. Com os mecanismos da sele√ß√£o natural e da sele√ß√£o sexual, ele prop√īs uma explica√ß√£o natural e unificada para diversidade, similaridade e manuten√ß√£o dos seres vivos, incluindo o ser humano, ao longo da hist√≥ria do planeta Terra.

Nada mais apropriado do que celebrarmos o anivers√°rio de Darwin, sua biografia, descobertas e legado neste¬†Darwin Day¬†de 2023. O Dia de Darwin √© uma celebra√ß√£o internacional que visa nos inspirar a refletir e agir seguindo os princ√≠pios de bravura intelectual, curiosidade, pensamento cient√≠fico e busca pela verdade como demonstrados por Charles Darwin. Ent√£o temos que aproveitar esta celebra√ß√£o para nos ajuda apreciar a natureza evolu√≠da dos seres vivos, nossa origem primata humilde, e para buscarmos as atualiza√ß√Ķes do conhecimento evolutivo fruto do legado darwinista.

Aqui no¬†MARCO EVOLUTIVO temos, nos √ļltimos 15 anos, continuamente celebrado o¬†Dia de Darwin¬†come√ßando em¬†2008, passando pelo¬†Bicenten√°rio de Darwin e 150 anos do ‚ÄėOrigem da Esp√©cies‚Äô em 2009, e por¬†2010,¬†2011,¬†2012,¬†2013,¬†2014,¬†2015,¬†2016,¬†2017, pela¬†D√©cada de Darwin Days no Blog em 2018,¬†2019,¬†2020,¬†pelo sesquicenten√°rio do ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem a Sele√ß√£o Sexual‚Äô em 2021, e pelo sesquicenten√°rio do ‚ÄėA Express√£o das Emo√ß√Ķes no Homem e nos Animais‚Äô em 2022. Neste 2023 n√£o seria diferente.

Darwin nos mostrou a beleza e o insight profundo de ver as rela√ß√Ķes entre as esp√©cies como as de parentescos fam√≠lias numa grande √°rvore da vida. N√£o somos id√™nticos aos nossos pais; assim como as pessoas, as esp√©cies s√£o √ļnicas, mas as esp√©cies irm√£s tendem a ser mais parecidas entre si do que as esp√©cies primas. √Č uma √≥tima met√°fora, pois ainda mostra que da mesma forma que um galho conforme cresce vai mudando, as esp√©cies tamb√©m v√£o mudando ao longo das gera√ß√Ķes (anag√™nese), e quando h√° uma bifurca√ß√£o √© quando ocorre o evento de especia√ß√£o, o surgimento de novas esp√©cies (cladog√™nese). E quando um galho seca √© como um evento de extin√ß√£o para as esp√©cies daquele ramo. De forma geral a evolu√ß√£o biol√≥gica pode ser representada como um eterno crescimento, bifurca√ß√£o, fus√£o (simbiose) e perecimento dos ramos da vida, todos tendo um mesmo tronco distante em comum.

Em 1857, numa carta para Huxley, Darwin escreveu que ‚ÄúA hora vir√°, creio eu, embora n√£o viva para ver, quando tivermos √°rvores geneal√≥gicas muito justas de cada grande reino da natureza.‚ÄĚ Darwin estava certo, e todos n√≥s hoje podemos vislumbrar e explorar a maior √°rvore dos seres vivos j√° organizada. O site OneZoom mostra numa estrutura fractal continua os relacionamentos de parentescos de 2,2 milh√Ķes de esp√©cies, de bact√©rias at√© o urso de √≥culos sul-americano. Al√©m de fotos, as folhas t√™m cores indicando se a esp√©cie est√° extinta ou em risco de extin√ß√£o. √Č claro que al√©m da truta, do cogumelo amanita, da maconha, do lobo, o ser humano √© uma das esp√©cies mais procuradas.

Darwin estudou a evid√™ncia de anatomia comparativa entre humanos e outros grande primatas sem rabo para prever que os humanos muito provavelmente evolu√≠ram na √Āfrica. Em 1871, Darwin escreveu que “Em cada grande regi√£o do mundo os mam√≠feros vivos est√£o intimamente relacionados com as esp√©cies extintas da mesma regi√£o. √Č, portanto, prov√°vel que a √Āfrica tenha sido anteriormente habitada por grandes primatas extintos, parentes pr√≥ximos do gorila e do chimpanz√©; e como essas duas esp√©cies s√£o agora as aliadas mais pr√≥ximas dos humanos, √© talvez mais prov√°vel que nossos primeiros progenitores tenham vivido no continente africano do que em qualquer outro lugar.”

Darwin estava certo: n√£o s√≥ os nossos ancestrais mais antigos desde a separa√ß√£o do ramo comum com os Chimpanz√©s e Bonobos s√£o encontrados na √Āfrica, mas tamb√©m a √°rvore geneal√≥gica humana usando dados gen√©ticos remonta √† √Āfrica. No ano passado foi publicada a maior √°rvore unificada da humanidade feita por meio de genomas atuais e ancestrais mostrando a riqueza de dispers√Ķes e intercruzamentos das popula√ß√Ķes. Talvez se todos conseguirmos perceber toda a humanidade e todos os outros seres vivos como literalmente nossos parentes ‚Äėde sangue‚Äô talvez diminuiremos com as guerras, abusos e maus-tratos ainda t√£o persistentes na atualidade.

Seguimos em frente nos Darwin Days, sempre disseminando os insights, as previs√Ķes, descobertas e legado de Darwin bem como as novas descobertas, as quais muitas apoiam as previs√Ķes do naturalista de revolucionou a biologia e a humanidade. Neste ano tivemos o Darwin Day da Sociedade Brasileira de Gen√©tica na UFES com exposi√ß√Ķes, palestras e mesas redondas. Estamos tento o Darwin Day do Museu de Zoologia da USP com v√°rias atra√ß√Ķes para os adultos e as crian√ßas. E ainda teremos o Darwin Day da UFJF em 24 de mar√ßo. Muitos outros evento ainda v√£o surgir, ent√£o aproveitem!

Ideais digitais e sustentáveis neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência 2023

No dia 11 de fevereiro celebramos mundialmente as descobertas, conquistas e a import√Ęncia feminina na Ci√™ncia, visando corrigir a desigualdade de g√™nero das oportunidades na Ci√™ncia, e inspirando as meninas a virarem cientistas. Hoje √© o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci√™ncia, iniciado em 2015 pela UNESCO. Temos que aproveitar o dia de hoje para incentivar e divulgar as iniciativas que fortalecem a atua√ß√£o feminina na Ci√™ncia e Tecnologia.

Neste ano de 2023 a ONU levanta o tema inova√ß√£o tecnol√≥gica digital visando equidade de g√™nero e educa√ß√£o digital. O aumento do acesso √† tecnologia e educa√ß√£o digital nas meninas e mulheres tem o potencial de gerar mais inova√ß√£o e solu√ß√Ķes criativas aos grandes desafios atuais globais, sejam humanit√°rios ou de sustentabilidade ecol√≥gica. A ONU tamb√©m est√° focada este ano na import√Ęncia das meninas e mulheres na Ci√™ncia com rela√ß√£o √†s metas de desenvolvimento sustent√°vel da Agenda 2030. O tema √© IDEAS: Inove, Demonstre, Eleve, Avance e Sustente.

Muito ainda precisa avan√ßar para que meninas e mulheres encontrem seu lugar ao sol na Ci√™ncia. Um estudo publicado na Nature em 2022 descobriu que √© menos prov√°vel que mulheres acabem virando coautoras de publica√ß√Ķes de pesquisa ou patente em grupos de pesquisa do que homens. Mesmo quando elas publicam, suas contribui√ß√Ķes s√£o menos reconhecidas, ou at√© mais desconhecidas para a comunidade cient√≠fica do que as contribui√ß√Ķes masculinas.

Da mesma forma, uma revis√£o sistem√°tica no Academic Medicine em 2022 mostrou que mulheres tendem a reportar receber menos mentoria, menor produtividade acad√™mica, menos satisfa√ß√£o com a carreira, e maiores barreiras √† progress√£o de carreira. Uma publica√ß√£o neste 2023 da √°rea da Limnologia apontou que as mulheres cientistas est√£o menos presentes nas confer√™ncias, nas premia√ß√Ķes, no corpo editorial de peri√≥dicos e das sociedades cient√≠ficas.

√Č por essas e outras raz√Ķes que convido a todas as pessoas a celebrarem juntas este t√£o necess√°rio Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci√™ncia de 2023.

Feliz Bicenten√°rio de Alfred R. Wallace

Come√ßamos este ano novo de 2023 aqui no MARCO EVOLUTIVO j√° celebrando neste 8 de janeiro o bicenten√°rio do nascimento de Alfred Russel Wallace (1823-1913). Acad√™micos do mundo todo est√£o relembrando as aventuras e descobertas de Wallace, o explorador naturalista, ge√≥grafo e antrop√≥logo ingl√™s que co-descobriu a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural junto ao Darwin. Seu legado e originalidade est√£o sendo finalmente amplamente discutidos e divulgados de modo que n√£o se trata mais de caracteriz√°-lo como um mero pesquisador √† sombra de Darwin. Wallace merece ser reconhecido como um evolucionista de peso, pai da biogeografia, especialista em especia√ß√£o, colora√ß√£o animal, cartografia, descobridor de v√°rias esp√©cies (da palmeira pia√ßava at√© o sapo voador da Indon√©sia passando pela ave do para√≠so), e grande aprendiz e pensador interdisciplinar que contribuiu em diversos temas como glaciologia, epidemiologia, astrobiologia e pol√≠ticas p√ļblicas.

Desde 2013 quando das comemora√ß√Ķes do centen√°rio de seu falecimento, j√° ocorre um esfor√ßo internacional para lan√ßar luz sobre as contribui√ß√Ķes e legado acad√™mico da Wallace. ¬†Tanto que na √©poca foi inaugurado um grande quadro de Alfred Wallace na escadaria do Museu de Hist√≥ria Natural de Londres, reparando assim uma injusti√ßa hist√≥rica, visto que at√© ent√£o apenas a est√°tua de Darwin figurava por l√°. E j√° em 2010 foi criado o ‚ÄúWallace Correpondence Project‚ÄĚ reunindo num reposit√≥rio e disponibilizando online um enorme n√ļmero de correspond√™ncias de Wallace. E em 2012 foi criado o Wallace Online com todos as publica√ß√Ķes a manuscritos do autor. Aos poucos, sua relev√Ęncia cient√≠fica vai sendo disseminada e reconhecida.

De fam√≠lia humilde, Wallace teve que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar a fam√≠lia. Atuou como construtor e agrimensor passando bastante tempo ao ar livre, e acabou desenvolvendo, como autodidata, seu interesse por cartografia, hist√≥ria natural, bot√Ęnica, geologia e astronomia na livraria da fam√≠lia. Mesmo sem ter educa√ß√£o formal, chegou a dar aulas de topologia, cartografia e desenho, mas acabou virando explorador profissional se mantendo da coleta e venda de esp√©cimes para museus e colecionadores particulares. Ao longo de sua vida Wallace explorou diversos pa√≠ses como o Reuni Unido, Fran√ßa, Su√≠√ßa, Col√īmbia, Venezuela, Malta, Egito, √ćndia, Sri Lanka, Mal√°sia, Singapura, Indon√©sia, Timor Leste, EUA, Canad√°, e tamb√©m o Brasil.

Sua primeira grande expedi√ß√£o foi no Brasil (Belem-PA) aos 25 anos de idade. Ficou 4 anos no Par√° (1848-1852) e, por um tempo, esteve junto com outro naturalista de renome, Henry Walter Bates, o descobridor do mimetismo batesiano. No Brasil, Wallace se encantou com a imensid√£o sublime da floresta tropical e com a beleza rara dos p√°ssaros e borboletas locais. Ele observou como os rios Amazonas, Negro e Madeira funcionavam como barreiras geogr√°ficas recortando a fauna local como limites naturais. Esse isolamento geogr√°fico poderia contribuir para a forma√ß√£o de diferentes esp√©cies. Descobriu e descreveu v√°rias esp√©cies novas, incluindo a palmeira pia√ßava, e aprendeu com os ribeirinhos e ind√≠genas locais seus v√°rios usos. Ele tamb√©m fez anota√ß√Ķes etnogr√°ficas sobre os costumes e rituais de tribos amaz√īnicas, e descreveu pinturas rupestres de Monte Alegre (PA).

Wallace deu muito azar ao retornar para a Europa, pois seu navio pegou fogo e naufragou perdendo a maioria do que havia anotado e coletado nos dois √ļltimos anos. Felizmente, ap√≥s 10 dias √† deriva em botes, ele e a tripula√ß√£o foram resgatados por um cargueiro rumo √† Inglaterra. Ficou inicialmente arrasado mas mesmo assim n√£o desanimou das explora√ß√Ķes futuras. Apesar do ocorrido e de ter perdido muita coisa no naufr√°gio, Wallace ainda conseguiu publicar artigos e livros sobre macacos e palmeiras da Amaz√īnia, por exemplo.

    

Foi no Arquip√©lago Malaio em que passou mais tempo (1854-1862) explorando os detalhes da natureza e das tribos locais, o que impulsionou suas maiores contribui√ß√Ķes. L√° coletou cerca de 125 mil esp√©cimes, uns 5 mil novos, incluindo o sapo voador e a ave do para√≠so. Em Born√©u, ele fez umas das primeiras observa√ß√Ķes natural√≠sticas de orangotangos em seu habitat natural contribuindo novamente para a primatogia.

Suas observa√ß√Ķes biogeogr√°ficas no arquip√©lago o levaram a descobrir uma divis√£o natural que separa a fauna asi√°tica da fauna australiana, hoje conhecida como a Linha de Wallace. Em homenagem √†s suas descobertas, as ilhas pr√≥ximas a essa regi√£o do arquip√©lago Malaio s√£o chamadas coletivamente por ‚ÄúWallacea‚ÄĚ. L√° Wallace escreveu os artigos evolutivos de maior relev√Ęncia, descrevendo descend√™ncia comum, especia√ß√£o e a sele√ß√£o natural. Ap√≥s anos de observa√ß√£o natural√≠stica e leitura de Malthus e de Lyell, entre outros, ele teve o insight da sele√ß√£o natural num momento febril com mal√°ria. E depois mandou uma carta a Darwin comunicando suas descobertas evolutivas, o que fez com que Darwin finalmente tornasse p√ļblico seus longos estudos evolutivos numa publica√ß√£o conjunta em 1858.

Wallace era contra a escravidão, anti-eugenia, anti-vivissecção, anti-militarização e anti-imperialismo e anti-terraplanismo. Ele chegou até a ganhar uma aposta de terraplanista provando a curvatura da água de um canal usando um telescópio e duas estacas na mesma altura da água, mas separadas em 10 km. Wallace era a favor dos direitos das mulheres ao voto, era também um conservacionista contrário à introdução de espécies exóticas, ao desmatamento das florestas tropicais e da erosão do solo, e ainda era um socialista a favor da reforma agrária. Wallace foi o primeiro presidente da Sociedade pela Nacionalização de Terras e permaneceu no cargo por 30 anos.

Entretanto, ao final da vida ele se tornou mais antropoc√™ntrico e religioso se envolvendo com hipnose e espiritismo. Apesar de acertadamente n√£o considerar as popula√ß√Ķes tribais como intermedi√°rias entre os grandes s√≠mios e os humanos civilizados, Wallace chegou a erroneamente achar que na evolu√ß√£o humana, ao contr√°rio do que ocorrera com as outras esp√©cies, houve interven√ß√£o divina para aumento da capacidade cerebral. Al√©m disso, ele acreditava em frenologia e, por suspeitar das autoridades e dos interesses dos m√©dicos, ele chegou a se juntar ao movimento anti-vacina da var√≠ola da √©poca. Ele achava que a vacina iria interferir no balan√ßo natural dos organismos e que a vacina n√£o era segura. Mesmo estando no lado errado da hist√≥ria nestes √ļltimos assuntos, ele conseguiu que, no caso das vacinas, novos procedimentos de seguran√ßa fossem recomendados; e por conta do seu antropocentrismo, conseguiu mostrar em seus livros sobre Astrobiologia que n√£o havia vida inteligente criando canais de irriga√ß√£o em Marte.

Por n√£o ser parte da aristocracia inglesa, Wallace teve que batalhar muito mais para conseguir sua bagagem acad√™mica autodidata e para fazer com que suas descobertas fossem valorizadas. Desde ent√£o seu legado naturalista explorador e te√≥rico interdisciplinar est√° cada vez mais divulgado e apreciado, chegando a ganhar diversas medalhas de m√©rito acad√™mico. Desejo que os pontos fortes de sua biografia e seu legado cient√≠fico nos sirvam de inspira√ß√£o nesta celebra√ß√£o internacional dos 200 anos de Alfred Russel Wallace. Assista document√°rios sobre as expedi√ß√Ķes de Wallace aqui e aqui.¬†

Dia de Darwin 2022 e 150 anos do ‘Express√£o das Emo√ß√Ķes’

No dia de hoje, 12 de fevereiro de 2022, h√° 213 anos nascia Charles Robert Darwin, o naturalista que explicou em termos naturais a variedade e as semelhan√ßas dos seres vivos e revolucionou a forma como entendemos a natureza e nosso lugar nela. Por isso estamos celebrando o Darwin Day de 2022, o momento do ano em que consideramos a vida, as descobertas e o legado da Charles Darwin. Neste dia buscamos inspirar a todos a ver os seres vivos e suas rela√ß√Ķes atuais e ancestrais da forma naturalista e evolu√≠da que Darwin concebeu. Al√©m disso, enfatizamos tamb√©m as constantes revis√Ķes e atualiza√ß√Ķes do conhecimento biol√≥gico e evolutivo fruto do legado darwinista. Ent√£o, o Dia de Darwin √© sempre muito emocionante!

Nos √ļltimos 13 anos aqui no MARCO EVOLUTIVO, temos devidamente celebrado o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio de Darwin e 150 anos do ‚ÄėOrigem da Esp√©cies‚Äô em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days no Blog em 2018, 2019, 2020 e pelo sesquicenten√°rio do ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem a Sele√ß√£o Sexual‚Äô em 2021. Assim como no ano passado, este ano ser√° muito especial pois estaremos comemorando os 150 anos de outra publica√ß√£o darwiniana, o livro ‚ÄúA Express√£o das Emo√ß√Ķes no Homem e nos Animais‚ÄĚ (1872).

O que era para ser um cap√≠tulo do livro anterior ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem e a Sele√ß√£o em Rela√ß√£o ao Sexo‚ÄĚ (1871) cresceu tanto que precisou ser considerado como uma nova obra em si mesma. O ‚ÄėExpress√£o da Emo√ß√Ķes‚Äô foi publicado dia 26 de novembro de 1872, e foi o primeiro a usar fotografias. No livro, Darwin tra√ßa um programa de pesquisa evolucionista e comparativo para as ci√™ncias do comportamento. Sim, Darwin, que j√° havia estudando Geologia, por exemplo, com o surgimento das montanhas e dos at√≥is, Zoologia com sua vasta publica√ß√£o sobre cracas, e Bot√Ęnica com seus experimentos de poliniza√ß√£o de orqu√≠deas, tamb√©m se debru√ßou sobre o comportamento animal, humano e n√£o-humano. Darwin pesquisou meticulosamente v√°rias emo√ß√Ķes e os movimentos corporais relacionados, incluindo ainda varia√ß√Ķes vocais e algumas rea√ß√Ķes fisiol√≥gicas, como arrepio e rubor. Darwin usou observa√ß√Ķes e question√°rios entre outras metodologias.

Por quest√£o de sa√ļde, Darwin passou muito tempo praticamente em isolamento social em casa com a fam√≠lia, mas nem assim parou com sua curiosidade e aten√ß√£o a detalhes e padr√Ķes. Isso porque ele passou a observar tamb√©m o comportamento dos animais de estima√ß√£o e dos seus filhos em toda a sua expressividade emocional e ent√£o, com a ideia de ancestralidade comum em mente, passou a entender as semelhan√ßas e querer cada vez mais aplicar evolu√ß√£o ao comportamento. Enfim, ele mostrou em seu livro que as express√Ķes das emo√ß√Ķes s√£o em grande parte compartilhadas entre os animais, incluindo os humanos. Ao perceber a continuidade filogen√©tica da expressividade emocional Darwin foi pioneiro no estudo Psicol√≥gicos informado pela Evolu√ß√£o biol√≥gica. Ele √© considerado por muitos o primeiro psic√≥logo evolucionista.

 

Com o agravamento da pandemia causada pela variante √Ēmicron, os eventos no Brasil e no mundo inteiro est√£o sendo realizados de forma online facilitando a participa√ß√£o, e o fato de muitos ficarem gravados ajuda demais na dissemina√ß√£o do legado de Darwin e das subsequentes atualiza√ß√Ķes. Cada vez mais institui√ß√Ķes e grupos est√£o se juntando √† celebra√ß√£o internacional do Dia de Darwin e oferecendo gratuitamente palestras e discuss√Ķes sobre os mais variados temas biol√≥gicos e evolutivos. Ent√£o, se na √©poca de Darwin ficar em casa n√£o era desculpa para n√£o aprender, agora com v√°rios eventos online, ficou bem mais f√°cil aproveitar os v√≠deos do Darwin Day para expandir os conhecimentos.

Este Darwin Day 2022 √© uma oportunidade excelente para aprendermos mais sobre os seres vivos e sobre n√≥s mesmos. Pois como o pr√≥prio Darwin escreveu no pref√°cio do ‚ÄėA Descend√™ncia do Homem‚Äô: ‚ÄúIgnor√Ęncia mais frequentemente leva √† confian√ßa do que o conhecimento: √© aqueles que sabem pouco, e n√£o aqueles que sabem muito, que positivamente afirmam que este [origem dos humanos] ou outro problema nunca ser√° resolvido pela ci√™ncia‚ÄĚ.

Feliz Darwin Day 2022!

Promovendo Mulheres e Meninas na Ciência em 2022

Hoje, dia 11 de fevereiro, √© o Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia. Estamos celebrando mundialmente as conquistas, descobertas e a import√Ęncia feminina na Ci√™ncia, tentando corrigir a desigualdade de g√™nero das oportunidades na Ci√™ncia, e inspirando as meninas a virarem cientistas. Desde 2015 as Na√ß√Ķes Unidas declararam o 11 de fevereiro para esta t√£o merecida e necess√°ria celebra√ß√£o mundial. Os desafios s√£o muitos, desde diminuir barreiras sociais, estere√≥tipos e at√© atualizar as pr√≥prias din√Ęmicas institucionais da academia. O dia de hoje √© um excelente lembrete da necessidade de se fortalecer e incentivar a atividade feminina na Ci√™ncia e Tecnologia.

No ano passado vimos como as mulheres cientistas est√£o sendo vitais para o combate √† pandemia de coronav√≠rus e para o avan√ßo das medidas protetivas contra transmiss√£o viral. A Science Advances publicou em 2021 um editorial falando a import√Ęncia de se apoiar a presen√ßa das mulheres na academia cient√≠fica durante e depois da pandemia. Eles elencaram algumas formas de se incentivar a entrada e a perman√™ncia das mulheres na Ci√™ncia: ajudar as mulheres cientistas quando eles come√ßam fam√≠lia como oferecer creche a todas as m√£es na academia, dar sal√°rio equivalente ao masculino e o mesmo financiamento pra se come√ßar um laborat√≥rio, repensar o per√≠odo probat√≥rio para permitir e melhor acomodar a licen√ßa maternidade, oferecer mentoria de outros cientistas, manter op√ß√Ķes de teletrabalho (aulas remotas e confer√™ncias online) mesmo depois da pandemia, e incentivar parcerias e colabora√ß√Ķes cient√≠ficas na academia.

Este ano est√£o saindo novas publica√ß√Ķes promovendo e discutindo as contribui√ß√Ķes cient√≠ficas das mulheres nas mais diversas √°reas como na Paleontologia e nas Neuroci√™ncias. Atualmente estamos vendo uma melhora no ambiente acad√™mico nacional e internacional, o qual est√° cada vez mais sens√≠vel √†s demandas e especificidades femininas. Por√©m, h√° muito ainda no que se avan√ßar, principalmente na abertura de novas vagas, aumento do financiamento e disponibilidade de mais vagas em creches. E, por isso, temos que juntar for√ßas para ajudar a promover as mudan√ßas sociais necess√°rias para oferecer as plenas condi√ß√Ķes par atrair e manter mais mulheres na Ci√™ncia. Ent√£o, feliz Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci√™ncia!

 

150 anos do livro A Descendência do Homem e a Seleção Sexual de Darwin

Neste dia de 24 de fevereiro há exatos 150 anos foi publicado em Londres com dois volumes de 450 páginas o The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex de Charles Darwin. O livro foi um marco para o estudo da evolução humana e aqui no MARCO EVOLUTIVO não poderíamos deixar de celebrar esta data. Originalmente a ideia de Darwin era apenas ter um capítulo sobre humanos em seu livro The variation of animals and plants under domestication de 1866, mas como o livro já estava grande ele resolveu fazer em separado um pequeno ensaio sobre nossa ancestralidade primata e a seleção sexual, o que acabou crescendo e virando os dois volumes do The Descent of Man em 1871. Neste livro Darwin finalmente pode desenvolver tudo o que ele se referiu ao final do Origem das Espécies quando disse que, por conta da evolução por seleção natural, no futuro muita luz seria lançada sobre a origem dos humanos e nossa psicologia e história.

Intuitivamente sempre nos parece que a diferen√ßa psicol√≥gica entre humanos e outros primatas √© enorme, tanto que at√© o Alfred Wallace abandonou a explica√ß√£o evolucionista ao se tratar da mente humana por achar pouco poss√≠vel de que toda nossa capacidade intelectual tenha evolu√≠do naturalmente em contextos tribais aparentemente pouco exigentes por grandes intelig√™ncias. Muito do The Descent √© uma reposta ao desafio de Wallace. Darwin argumenta que todas as nossas caracter√≠sticas psicol√≥gicas podem ser encontradas em algum grau em outras esp√©cies, incluindo capacidades para a m√ļsica, a beleza, e a moralidade. √Č por isso que numa carta a Wallace Darwin diz que a evolu√ß√£o humana era o maior e mais interessante problema para o naturalista.

Outra no√ß√£o popular na √©poca era a de que toda a exuberante beleza na natureza teria sido magicamente criada para satisfazer os humanos que seriam o √°pice da evolu√ß√£o. Gra√ßas a Darwin e anos de pesquisa subsequente, hoje sabemos que a evolu√ß√£o n√£o tem √°pice e que somos t√£o √ļnicos e t√£o especiais quanto cada uma das outras esp√©cies. No The Descent Darwin argumenta que a beleza sonora e visual encontrada no mundo animal evoluiu naturalmente pelo processo de sele√ß√£o sexual. Indiv√≠duos mais vistosos e sonoros eram preferidos na busca por um parceiro sexual, o que ao longo de muitos ciclos de sele√ß√£o, d√° origem a cada vez mais beleza.

A evolução dos armamentos como chifres era mais facialmente explicada pela competição entre machos o que deixara as armas mais eficientes e maiores. Mas para explicar a evolução da beleza era necessário perceber que as fêmeas das outras espécies também têm senso estético e que a variação nesse senso estético era a pressão social favorecendo a evolução dos ornamentos animais. Portanto, para Darwin a beleza do pavão ou da ave do paraíso não necessariamente precisa indicar uma qualidade de sobrevivência, basta ela ser agradável o suficiente para as fêmeas da espécie que a ornamentação poderia evoluir sendo um fim em si mesma.

Atualmente como parte das celebra√ß√Ķes do sesquicenten√°rio do The Descent, diversas iniciativas tentam resgatar o que Darwin acertou e o que Darwin errou no livro, e todos o desdobramento mais atuais nos dois t√≥picos centrais do livro: evolu√ß√£o humana e sele√ß√£o sexual. O livro A Most Interesting Problem: What Darwin‚Äôs Descent of Man Got Right and Wrong about Human Evolution apresenta uma releitura da perspectiva atual de cada cap√≠tulo relativo ao ser humano. Est√° sendo muito bem avaliado e me pareceu muito interessante tanto para quem quer se atualizar sobre evolu√ß√£o humana quanto para quem quer se aprofundar nas hip√≥teses do The Descent. Em Darwin, sexual selection, and the brain Micheal Ryan faz uma revis√£o das v√°rias linhas de pesquisa relacionadas √† ideia da Darwin sobre a evolu√ß√£o da beleza sendo um fim em si mesma. Em Darwin‚Äôs closet: the queer sides of The descent of man (1871), Ross Brooks ressalta como Darwin integrou a ideia de varia√ß√£o individual nos assuntos da sele√ß√£o sexual o que foi fundamental para o nascimento da sexologia moderna. No Peri√≥dico Evolutionary Human Sciences existem uma compila√ß√£o de artigos celebrando os 150 anos do The Descent, por enquanto com 3 artigos e com promessa de outros mais por vir.

Claro que como todo livro, o The Descent tem v√°rias limita√ß√Ķes e vieses de √©poca, mas nele Darwin deixou claro que as origens evolutivas dos humanos podem sim ser desvendadas. E nesse sentido enquanto um programa de pesquisa a ser desenvolvido, Darwin deu uma inestim√°vel contribui√ß√£o √† evolu√ß√£o humana. E, se percebermos como aspectos morfol√≥gicos, biogeogr√°ficos, interespecificamente comparativos, mas tamb√©m psicol√≥gicos e comportamentais est√£o integrados, o The Descent pode ser considerado bem moderno. Isto porque, de l√° para c√°, ainda s√£o poucos bi√≥logos focando na psicologia e no comportamento, e pouco psic√≥logos focando na evolu√ß√£o. Felizmente as √°reas est√£o cada vez mais se integrando e talvez um dia cheguemos ao grau de integra√ß√£o que o pr√≥prio Darwin expressou 150 atr√°s.

Dia de Darwin 2021 e os 150 anos do “Descend√™ncia do Homem”

√Č chegado o Darwin Day 2021, a grande celebra√ß√£o internacional da biografia, publica√ß√Ķes e legado de Charles Robert Darwin. Hoje, dia 12/2/21, Darwin faz 212 anos. E daqui 12 dias seu livro ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem e Sele√ß√£o em Rela√ß√£o ao Sexo‚ÄĚ (1871) completa 150 anos de publica√ß√£o, 12 anos depois do sesquicenten√°rio do ‚ÄúOrigem das esp√©cies‚ÄĚ. ¬†No ‚ÄúDescend√™ncia‚ÄĚ (12 letras), Darwin aborda as semelhan√ßas morfol√≥gicas, comportamentais e psicol√≥gicas entre humanos e n√£o-humanos como evid√™ncia da ancestralidade comum, e discute a import√Ęncia da sele√ß√£o sexual para a evolu√ß√£o de algumas caracter√≠sticas compartilhadas. Darwin deixa claro que as diferen√ßas que existem entre n√≥s e os outros animais s√£o de grau e n√£o de tipo, e que todos os humanos vieram de um ancestral comum africano. Trata-se ent√£o de um dia, um m√™s e um ano muito especiais para o evolucionismo, especialmente aplicado ao ser humano.

Nos √ļltimos 12 anos aqui no MARCO EVOLUTIVO, temos celebrado ininterruptamente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days em 2018, 2019 e em 2020. Por conta da pandemia muitos eventos no Brasil e no mundo todo est√£o sendo realizados online, o que facilita muito a participa√ß√£o e a dissemina√ß√£o das ideias e do legado de Darwin. Ent√£o busque online por Darwin Day 2021 e aproveite. Veja a discuss√£o sobre Evolu√ß√£o Humana promovida pela Sociedade Brasileira de Gen√©tica.

No ‚ÄúDescend√™ncia‚ÄĚ Darwin ressalta que epidemias, assim como guerras, s√£o um importante fator de sele√ß√£o fazendo com que a popula√ß√£o humana n√£o realize todo seu potencial de multiplica√ß√£o. Seguindo esses primeiros passos de se abordar os surtos de doen√ßas evolutivamente, especialmente num livro sobre a evolu√ß√£o do corpo e do comportamento humano, alguns psic√≥logos evolucionistas contempor√Ęneos t√™m continuado essa linha durante a atual pandemia de COVID-19 causada pelo novo coronav√≠rus. Temas como as tend√™ncias evolu√≠das de se evitar cont√°gio por pat√≥genos, as respostas comportamentais e psicol√≥gicas a amea√ßas, coopera√ß√£o e cuidado em tempos de crise de sa√ļde, entre outros, est√£o sendo abordados te√≥rica e empiricamente no momento. Veja Seitz et al. (2020), Arnot et al., (2020), Dezecache et al. (2020), Troisi (2020), e Ackerman et al. (2020).

Um tema comum nessas novas publica√ß√Ķes √© o descompasso temporal evolutivo (evolutionary mismatch) entre o ambiente ancestral, para o qual boa parte das nossas tend√™ncias est√° adaptada, e o ambiente atual, que preserva cada vez menos semelhan√ßa com as condi√ß√Ķes ancestrais. Se o descompasso entre o ambiente de adapta√ß√£o evolutiva ancestral e o contexto moderno urbanizado, p√≥s-industrial e tecnol√≥gico pr√©-pandemia j√° era considerado pouco representativo do modo de vida ca√ßador coletor ancestral, levando a v√°rios problemas como o sedentarismo, obesidade, solid√£o e estresse cr√īnico, esse descompasso s√≥ aumentou durante a atual pandemia de COVID-19. A pandemia de COVID-19 est√° sendo referida como o grande descompasso evolutivo.

O conceito evolutivo do descompasso √© importante pois mostra que as adapta√ß√Ķes n√£o s√£o absolutas, mas sim relativas a um ambiente espec√≠fico. Quem conhece o tamanho do ambiente natural dos grandes felinos entende porque eles est√£o sempre andando para l√° e para c√° em seus recintos no zool√≥gico. Assim como os le√Ķes, os humanos tamb√©m v√£o tender a querer se comportar como se ainda estivessem em sua fam√≠lia estendida tribal rodeados de parentes e amigos, alta intera√ß√£o social di√°ria, alimenta√ß√£o comunal, deslocamento di√°rio e entretenimento em grupo ao redor da fogueira √† noite.

Ao longo dos anos fomos criando substitutos como a televis√£o, cinema, o telefone, internet, email, v√≠deo chamadas, realidade virtual, educa√ß√£o √† dist√Ęncia, esteira de corrida/caminhada, aplicativos de escolha de parceiros, pornografia, os document√°rios de natureza, etc. Mas, ainda assim, quanto mais perto do contexto original maior √© o apelo psicol√≥gico, como de reencontrar a fam√≠lia no restaurante ou os amigos na escola/universidade ou no bar √† noite, o futebol com os amigos no final de semana, a atividade f√≠sica na academia de gin√°stica, a socializa√ß√£o nos cultos religiosos, e as oportunidades de se encontrar novos parceiros sexuais nas boates e discotecas.

Porém, durante a pandemia essa resistência de se deixar a vida moderna mais virtual/online ainda, que é compreensível e prevista à luz dos descompassos evolutivos, está colocando a sociedade e a espécie inteira em perigo. São justamente a escola/universidade, o restaurante, o bar, a igreja, a academia, as boates e discotecas que estão sendo identificados como locais com eventos de super-espalhamento do novo coronavírus (suprespreading events) que poderiam ser evitados visto que os indivíduos oportunisticamente decidem se expor ao perigo.

Mais do que nunca teremos que utilizar e disseminar os vários substitutos virtuais  para manter os mínimos níveis de estimulação e atuação social, os quais ajudam a manter a sanidade corporal e mental (apesar de eles também levarem a alguns prejuízos). Então, nesse dia de Darwin é importante participar dos vários eventos online, e entender a problemática dos descompassos evolutivos para tentar ao máximo minimizar mortes evitáveis decorrente da irresponsabilidade epidemiológica de alguns poucos.

 

 

 

 

Mulheres cientistas no combate à pandemia

Come√ßamos o primeiro ano 21 do S√©culo XXI com muitos desafios e, incrivelmente, algumas raz√Ķes para celebrar. Por√©m, reinicio as postagens no MARCO EVOLUTIVO pedindo um minuto de sil√™ncio em respeito aos mais de 235 mil mortos pelo SARS-COV-2 causados da COVID-19 no Brasil at√© ent√£o, e aos mais de 2,371 milh√Ķes que se tem not√≠cia no Mundo todo at√© ent√£o. Se nos EUA 40% das mortes por COVID-19 poderiam ter sido evitadas caso Trump tivesse levado a pandemia e √† ci√™ncia √† s√©rio, no Brasil governado por Bolsonaro essa porcentagem deve ser ainda maior, infelizmente. At√© porque, um estudo pre-registrado mostrou que decretar a obrigatoriedade do uso de m√°scaras √© a solu√ß√£o mais efetiva, justa, socialmente respons√°vel para diminuir a transmiss√£o do novo coronav√≠rus.

Nesse 11 de fevereiro estamos no Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia. Trata-se de uma celebra√ß√£o mundial enfatizando a imensa import√Ęncia das mulheres na Ci√™ncia, apontando formas de se corrigir a desigualdade de g√™nero das oportunidades na Ci√™ncia, e inspirando as meninas a seguirem este trajeto profissional. Durante desastres e crises de sa√ļde p√ļblica, sempre s√£o as mulheres que mais sofrem devido ao fechamento das creches e escolas e o decorrente aumento da j√° carregada dupla jornada de trabalho, pessoal e profissional. Portanto, o poder p√ļblico e a sociedade precisam se mobilizar para proteger as mulheres ainda mais durante essa pandemia. Apesar disso, um estudo em 8 pa√≠ses com 21.649 participantes mostrou que as mulheres s√£o as que mais entendem a seriedade da pandemia e mais respeitam e seguem as medidas sanit√°rias de sa√ļde p√ļblica que evitam o aumento na transmiss√£o do coronav√≠rus; elas fazem mais distanciamento social, usam mais m√°scara, e assim, protegem a si mesmas e √† toda a sociedade. Temos muito o que agradec√™-las.

Então, nada mais apropriado do que o tema desse ano do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ciência, pois celebra as mulheres cientistas à frente do combate à pandemia da COVID-19, seu papel crucial desde a descoberta do primeiro coronavirus humano, passando pelo sequenciamento do genoma do novo coronavírus até a elaboração e testagem das vacinas. Da Ciência básica à aplicada, as mulheres cientistas tem contribuído para o rápido avanço no conhecimento e nas medidas protetivas contra a COVID-19. Portanto, a Ciência precisa de mais mulheres porque o mundo precisa de mais Ciência para lidar com os novos desafios fruto da progressiva devastação ambiental.

Quase t√£o antiga quanto meu √ļltimo post, essa pandemia do novo coronav√≠rus est√° mostrando claramente que n√£o h√° futuro para humanidade sem respeito, dissemina√ß√£o, financiamento, vagas e estabilidade para a Ci√™ncia e cientistas. At√© porque, a Ci√™ncia √© a √ļnica forma de produ√ß√£o de conhecimento que pode gerar aplica√ß√Ķes cotidianas como as vacinas beneficiando a todos, inclusive aqueles que negam os ineg√°veis avan√ßos da Ci√™ncia. Temos algumas dezenas de meses de pandemia pela frente ainda, mas nunca √© tarde para parar, ouvir, entender e seguir as recomenda√ß√Ķes cient√≠ficas sobre as melhoras formas de se evitar a pandemia. Basta seguir as v√°rias publica√ß√Ķes cient√≠ficas (como essa sobre a import√Ęncia do uso de m√°scaras), os v√°rios informes de Sociedades Cient√≠ficas (como a de Infectologia), e os v√°rios divulgadores de ci√™ncia nacionais (como o Atila Iamarino) e internacionais (como o pessoal do SciShow) com atualiza√ß√Ķes e recomenda√ß√Ķes sobre a pandemia de COVID-19.

Nesse sentido gostaria de ressaltar o excelente trabalho sendo realizado pelo Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. Liderado pela cientista Ana de Medeiros Arnt do Instituto de Biologia, o grupo tem publicado desde o come√ßo da pandemia muita informa√ß√£o embasada cientificamente em forma de texto, √°udio e v√≠deo sobre COVID-19. Trata-se de conte√ļdo e did√°tica de primeira no momento em que mais precisamos da Ci√™ncia em nossas vidas. Ent√£o, nada mais √≥bvio do que o ScienceBlogs Brasil se juntar ao grupo e se hospedar no Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. Tal jun√ß√£o ocorreu em abril de 2020 e estamos muito satisfeitos por poder engrossar o coro do jornalismo, da divulga√ß√£o, da dissemina√ß√£o, da populariza√ß√£o, e da educa√ß√£o n√£o-formal cient√≠fica no Brasil.

 

Feliz Darwin Day 2020 Brasil!!!

No dia 12 de fevereiro de 1809 nascia Charles R. Darwin. Aquele menino curioso, travesso, colecionador de besouros, e nada muito estudioso, virou um jovem explorador e ca√ßador de p√°ssaros. Mas o que ele fez depois de abandonar a faculdade de medicina o colocou no caminho para um futuro de muito impacto. Ao combinar geologia, com hist√≥ria natural e demografia, com observa√ß√Ķes cuidadosas, expedi√ß√£o ao redor do mundo, coletas de esp√©cimes e f√≥sseis, experimentos caseiros, muita leitura, reflex√£o, e troca de cartas com especialistas, Darwin, seus livros e descobertas, se tornaram o pilar da Biologia moderna, que por sua vez, ancora para as Ci√™ncias Humanas. Nesse Darwin Day de 2020, estamos comemorando os 211 anos de Darwin e os 161 anos do seu livro seminal “A Origem das Esp√©cies”. Trata-se da maior celebra√ß√£o mundial da Ci√™ncia e da Raz√£o inspirada na vida e obra de Darwin, continuando a tamb√©m merecida comemora√ß√£o de ontem do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia.

No MARCO EVOLUTIVO, celebramos anualmente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days em 2018 e at√© 2019.darwin day 2020 Me alegra muito ver o crescimento de celebra√ß√Ķes do Darwin Day no Brasil mesmo sendo num per√≠odo de f√©rias de ver√£o pr√©-carnaval. E como as abordagens se diversificaram, alguns celebram no dia 12 (UFU,¬†UFSC, MZ-USP), outros na semana inteira ou m√™s de fevereiro¬†(MZ-USP), outros em mar√ßo com o in√≠cio das aulas da gradua√ß√£o e p√≥s (Unesp Botucatu, FMVZ-USP). Tem muita programa√ß√£o imperd√≠vel. O importante √© aumentar o conhecimento, vislumbre e engajamento sobre o evolucionismo darwinista no Brasil. Afinal somos ainda a √ļnica esp√©cie do sistema solar que j√° descobriu a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural.

Darwin dia do orgulh ateuHoje tamb√©m √© celebrado o Dia do Orgulho Ateu no Brasil. Nada mais apropriado do que comemorar a liberdade das amarras da religi√£o no dia de nascimento do naturalista brit√Ęnico para quem apoiar a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural era como confessar um assassinato. Isso porque, com Darwin, as explica√ß√Ķes criacionistas n√£o s√£o mais necess√°rias para explicar a origem e diversifica√ß√£o dos seres vivos. Apesar de parecer que Darwin tornou de vez desnecess√°ria a cren√ßa religiosa, o que ele possibilitou, muito pelo contr√°rio, √© uma explica√ß√£o materialista evolutiva tanto para a origem e diversifica√ß√£o das esp√©cies e suas adapta√ß√Ķes corporais quanto suas adapta√ß√Ķes mentais. E assim, at√© a propens√£o para religiosidade e/ou seus subcomponentes afetivos-cognitivos tamb√©m podem ser explicadas evolutivamente. Os poss√≠veis valores adaptativos ancestrais da religiosidade podem ser desde refor√ßar o tribalismo, promover assimila√ß√£o cultural alheia, capa livro the biological evolution of religious mind and behaviormotivar expans√£o territorial e conflitos entre grupos, controlar a fidelidade, sexualidade e reprodu√ß√£o feminina, fomentar sexualidade mais conservadora, oferecer prop√≥sitos de vida al√©m dos de cuidado parental, ativar o efeito placebo de auto-cura, oferecer conforto e esperan√ßa frente ao medo da morte, entre outros. As pesquisas sobre esse tema est√£o florescendo nas √ļltimas d√©cadas, e assim que as evid√™ncias forem se acumulando saberemos quantos e quais desses valores adaptativos s√£o os mais embasados para explicar a evolu√ß√£o da propens√£o para desenvolver a capacidade da religiosidade/espiritualidade. Veja exemplos aqui e aqui¬†(livro da imagem).

Ent√£o, ao inv√©s dos religiosos ficarem chateados por Darwin ter explicado os seres vivos, incluindo a origem primata dos humanos, nos termos materialistas sem a interfer√™ncia de qualquer divindade mitol√≥gica, eles deveriam tamb√©m celebrar o Darwin Day, pois o evolucionismo pode explicar a exist√™ncia de sua pr√≥pria tend√™ncia a religiosidade/espiritualidade. Sabemos que n√£o √© manifesto na natureza a exist√™ncia de qualquer divindade criadora minimamente inteligente ou bondosa, visto a extin√ß√£o das esp√©cies, as crueldades que indiv√≠duos fazem uns com os outros, os √≥rg√£os vestigiais, os erros de design de v√°rios √≥rg√£os, suas disfun√ß√Ķes, as doen√ßas heredit√°rias, entre outras. Por√©m, a capacidade para se ter as experi√™ncias e tecer os racioc√≠nios religiosos tem sua realidade embasada na pr√≥pria evolu√ß√£o da mente humana. DARWIN-DAY-mobilizacao 2020√Č por isso que esses racioc√≠nios religiosos s√£o antigos, universais e experienciados subjetivamente como ver√≠dicos, intuitivos, profundos e poderosos, pois s√£o parte evolu√≠da de longa data da mente humana, e n√£o porque esse ou outro ser mitol√≥gico m√°gico local realmente exista invis√≠vel e antropomorficamente. Contra-intuitivamente, a pura f√© religiosa √© mais prova do alcance e poder da evolu√ß√£o biol√≥gica do que da exist√™ncia de qualquer suposta divindade. A evolu√ß√£o da f√© leva √† ‘f√©’ na evolu√ß√£o.

Muitas capacidade mentais foram recrutadas e reorganizadas para compor a religiosidade. Soeling & Voland (2002) elencaram as capacidades do misticismo, da √©tica, do racioc√≠nio mitol√≥gico, e da tend√™ncia para realizar rituais.paternicity taxonomy Dentro das capacidades para o misticismo, al√©m das tend√™ncias para a contempla√ß√£o transcendental, existem as tend√™ncias de pensamento essencialista, e de superativa√ß√£o da capacidade de identificar agentes intencionais (antropomorfiza√ß√£o). Veja tamb√©m van Leeuwen & van Elk (2019)¬†para um modelo mais recente. Na revis√£o da literatura sobre biopsicologia do antropomorfismo (Varella, 2018), mostrei como essa superativa√ß√£o da detec√ß√£o da intencionalidade √© profundamente enraizada e evolu√≠da da mente humana (junto com outros primatas pr√≥ximos). error management theory tableEla tem a fun√ß√£o protetora por nos fazer ver inten√ß√£o onde n√£o tem para n√£o deixarmos de ver onde tem, especialmente em contextos de vulnerabilidade. Foi melhor para nossos ancestrais pr√©-hist√≥ricos se assustar com o vento mexendo a moita do que n√£o se assustar quando o tigre-dente-de-sabre estava escondido na moita. Como no geral os religiosos tem mais medo da morte¬†do que os n√£o religiosos (mas a coisa √© mais complicada do que isso) faz sentido eles verem agente intencional onde existem apenas processos astron√īmicos, f√≠sico-qu√≠micos, e biopopulacionais transgeracionais.

Animal Tool Behavior bookSomado a isso, os humanos (junto com outros primatas pr√≥ximos) projetam e fazem ferramentas que nos ajudam na sobreviv√™ncia e reprodu√ß√£o h√° muito tempo pra essa capacidade mental de projetista/engenheiro tamb√©m fazer parte intr√≠nseca da mente humana. E isso tamb√©m explica o qu√£o intuitivo √© o falacioso ‘argumento do design’ usado por criacionistas e adeptos do, tamb√©m pseudocient√≠fico, design inteligente. Achar piamente que para se produzir algo funcional e complexo √© preciso sempre de um projetista inteligente, apesar de ‘fazer sentido’ intuitivamente, n√£o √© prova da plausibilidade da teologia natural, mas sim do car√°ter evolu√≠do da nossa capacidade cognitiva de imaginar, reconhecer e produzir ferramentas e outros artefatos.

Atualmente temos o desafio de promover e intensificar o ensino de evolução em várias faixas etárias entre os humanos. orangutan criationism Futurama.S06E09.HDTV_.XviD-FEVER-02.07.33Mas no futuro quando conseguirmos nos comunicar melhor com as outras espécies (e impedirmos sua extinção por degradação de habitat) teremos que também enfrentar o criacionismo dos gorilas e orangotangos, e o design inteligente dos corvos e macacos-prego. Não só porque isso está em parte devidamente profetizado na série Futurama (S06E09), mas porque esses e outros animais também tem as mesmas capacidades de entender propósitos e metas em outros, e de produzir ferramentas. Penso que uma boa maneira de lidar com isso é reafirmar a realidade do sentimento religiosos e a intuitividade profunda dos raciocínios intencionais e projetistas como produtos legítimos da evolução biológica.
Desejo um ótimo Darwin Day em 2020 para todas as tribos!

Feliz Darwin Day 2019 Brasil com 210 anos de Darwin e 160 do “Origem”

Darwin Day torradaApesar de tudo isso que t√° a√≠, 2019 tem sim algum motivo para comemora√ß√£o. Nesse 12 de fevereiro de 2019 estamos comemorando os 210 anos do meu, do seu, do nosso eterno bom velhinho Charles Robert Darwin.¬†S√£o in√ļmero eventos ocorrendo no mundo inteiro. Trata-se de uma celebra√ß√£o internacional da vida e obra de Darwin, os 160 anos da Origem das Esp√©cies, bem como da Ci√™ncia e da Raz√£o, dois pilares de sustenta√ß√£o da modernidade que andam¬†imprudentemente cada vez mais desacreditados e desconsiderados. Um dia depois do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia, hoje tamb√©m √© celebrado o Dia do Orgulho Ateu e a biografia de Darwin nos ensina que √© preciso muita coragem, curiosidade e honestidade intelectual para eclodir do conforto da religi√£o e encarar o mundo real de peito aberto. Em 12 de fevereiro de 1809 tamb√©m nascia Abraham Lincoln que lutou contra a escravid√£o, assim como Darwin e sua fam√≠lia. √Č de not√≥rio saber que Darwin quando esteve no Brasil rejeitou a escravid√£o, disse nunca mais na vida voltar a visitar um pa√≠s escravocrata, e at√© torceu para o Brasil seguir o exemplo do Haiti e fazer uma revolta contra os colonizadores.

evolution of the parasiteO que Darwin pensaria do Brasil do s√©culo XXI? Onde empresas privadas por gan√Ęncia e puro descaso destroem bacias hidrogr√°ficas inteiras envenenando seu ecossistema e toda sua biodiversidade e popula√ß√£o, onde √°reas de conserva√ß√£o ambiental est√£o sem recursos e sendo amea√ßadas, onde governantes cada vez mais rejeitam a laicidade do estado e a teoria evolutiva, onde cada vez menos se faz para combater o trabalho escravo, chegando at√© a ilus√≥ria nega√ß√£o da exist√™ncia da escravid√£o em nosso pa√≠s, onde as terras ind√≠genas continuam a ser invadidas e nossos nativos dizimados. Darwin velho na velha Rio de JaneiroAcho que Darwin at√© sentiria saudade do antigamente que ele outrora rejeitou assim que visse o quanto poder√≠amos estar avan√ßados enquanto civiliza√ß√£o, mas s√≥ que n√£o. Com mais mulheres na pol√≠tica e na ci√™ncia muitos desses e outros desafios estariam solucionados.

Aqui no MARCO EVOLUTIVO, celebramos anualmente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio¬†em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, e at√© a D√©cada de Darwin Days em 2018. Nesse per√≠odo de mais de uma d√©cada vi muitos cientistas se empolgarem pelo Darwin Day e come√ßarem a divulgar, prestigiar e at√© organizar eventos alinhados com as celebra√ß√Ķes internacionais. Afinal, com um legado desse n√£o d√° pra n√£o se engajar de vez, ainda mais em tempos sombrios como os atuais, talkei.

-charles-darwin-surrealism-paintingDarwin, além de ser a razão do meu blogar anual, é simplesmente a pessoa que viabilizou a real integração entre matéria e propósito, forma e função, ancestral e atual, adaptado e vestigial, individual e populacional, armamento e ornamento, domesticado e selvagem, animal e humano, corporal e emocional, geológico e biológico, vegetal e animal, sobrevivência e reprodução. Por isso que o Darwin Day iniciado no mundo em 1995 veio para ficar.

S√≥ nos resta colar e lotar pessoal ou virtualmente nas v√°rias celebra√ß√Ķes desse ano, algumas j√° ocorreram, outras est√£o ocorrendo agora e outras v√£o ocorrer depois do come√ßo do ano letivo ou at√© no segundo semestre. Voc√™ que √© do Rio de Janeiro, fique de olho no Darwin Day na Livraria Travessa Ipanema com 3 √≥timos palestrantes e no Museu do Amanh√£ com o incr√≠vel Ver Ci√™ncia. Em Botucatu, fique ligado no Darwin Day Unesp, sempre com √≥tima programa√ß√£o.¬†Em Ribeir√£o Preto, fique ligado no Darwin Day RP na USP,¬†sempre muito bom. Em Osasco, tem celebra√ß√£o sempre interessante e descontra√≠da no segundo semestre no Borbolet√°rio municipal.¬†Em Uberl√Ęndia, se ligue no Darwin Day da UFU de Umuarama, que promete. Em Bel√©m, fique ligado no DNA & Darwin Day da LAGEN na UFPA. Em Alagoas, o pessoal do GESEB na UFAL j√° celebrou seu Darwin Day.

darwin day 2019 mesa sele√ß√£o sexual Jarka e Marco no MZ-uspEm S√£o Paulo, haver√° o Darwin Day da Veterin√°ria na FMVZ da USP com programa√ß√£o excelente o dia inteiro, e que poder√° ser acompanhado¬†online pelo IPTV USP. Haver√°, tamb√©m em S√£o Paulo,¬†a tradicional e famosa Semana de Darwin no Museu de Zoologia da USP com programa√ß√£o excelente a semana inteira. Ser√£o 4 mesas redondas com √≥timos convidados, todas iniciando √†s 19h: uma hoje, dia 12/02, sobre Os 160 anos do Origem das Esp√©cies, uma amanh√£, dia 13/02, sobre Sele√ß√£o Sexual onde estarei junto com a Profa Dra. Jaroslava V. Valentova, minha esposa, uma dia 14/02 sobre Genes e Cultura, e a √ļltima dia 15/02 sobre Cultura e Cogni√ß√£o. Tenho muito orgulho de ter sido convidado a palestras duas vezes no Darwin Day do Borbolet√°rio de Osasco, uma vez no de Ribeir√£o Preto, uma no da Unesp de Botucatu e agora no do Muzeu de Zoologia da USP. Espero que cada vez mais institui√ß√Ķes comecem a celebrar esse Dia de Darwin (ou at√© essa Semana de Darwin) e a brilhantar esse dia num momento t√£o sombrio do nosso pa√≠s e do mundo.

Desejo a todos um Dia de Darwin bem subversivo, produtivo, desconstruído e evoluído.

Fique com um Darwin Day especial do Stated Clearly sobre Darwin e Seleção Sexual.