Dance seu doutorado

No ritmo de defesa de doutorado e de comportamento humano art√≠stico veremos hoje formas descontraidas de se apresentar sua pesquisa de doutorado. Agrade√ßo aqui os coment√°rios no post e congratula√ß√Ķes sobre minha defesa de doutorado. Em breve, assim que minha tese sair na biblioteca virtual de teses e disserta√ß√£oes da USP, eu coloco o link aqui para todos poderem baixar.

Agrade√ßo tamb√©m os coment√°rios certeiros sobre a figura com os homin√≠deos segurando instrumentos que passa a impress√£o err√īnea da grande cadeira dos seres. √Č bom ver que os leitores est√£o cada vez mais afiados. Ao cortar o chimpanz√© da imagem inicial deixei a coisa um pouco menos destorcida. Juntos temos que acabar com essa no√ß√£o arrogante de que o ser humano √© o √°pice da cria√ß√£o, pois n√£o existem nem √°pice nem cria√ß√£o. Mais sobre a escala natura veja “Lamarck: a verdadeira id√©ia errada”.

A figura que achei mais interessante n√£o sucitou nenhum coment√°rio. Como assim apresentar a tese de doutorado em forma de dan√ßa interpretativa? Pois √©, sem mais nem menos descubro da exist√™ncia do “The ‘Dance your ¬†Ph.D’ contest”, que j√° est√° na segunda edi√ß√£o. Promovido pelo Gonzo Lab e patrocinado pela Science Magazine e agora pelo TEDx de Bruxelas, concurso premia com $500 dolares a melhor apresenta√ß√£o de trabalhos em cada uma das √°reas: de F√≠sica, Qu√≠mica, Biologia e Ci√™ncias Sociais.

Além de ser uma nova forma de fazer divulgação científica incentivando habilidades artísticas (tão desvalorizadas pela educação atual) essa competição ofereçe mais uma janela sobre o comportamento humano.

No primeiro v√≠deo, que √© da rodada do ano passado, veremos como os conflitos de interesse do comportamento de corte de galin√°ceos pode ser claramente entendido quando transposto para o comportamento humano de corte, muito por serem os mesmo conflitos em jogo. Al√©m disso vimos em “Dan√ßa: um f√©rtil campo de pesquisa evolutiva” a import√Ęncia da dan√ßa na sele√ß√£o sexual.

Male ageing and sexual conflict in the feral fowl (Dance your PhD 2010) from Rebecca Dean on Vimeo.

No segundo v√≠deo, agora de um competidor desse ano, veremos como nem sempre as pessoas tem motiva√ß√Ķes ego√≠stas quando engajam em trocas sociais.

Dance your PhD 2011 – Alexios Arvanitis (Social Exchange Theory) from Alexios Arvanitis on Vimeo.

S√£o muitos outros v√≠deos interessantes e engra√ßados, confira. As inscri√ß√Ķes est√£o abertas at√© dia 10 de outubro. Leia as dicas de como fazer um bom v√≠deos e participe.

Minha Defesa de Doutorado

 

Sei que muitos leitores est√£o aflitos com a falta de post dos √ļltimos s√©culos aqui no MARCO EVOLUTIVO. Pois √© logo isso vai mudar. Porque um evento √ļnico e evolutivo est√° por vir: minha defesa de doutorado.
Para aqueles que não sabem, depois de 4 anos (em média) de estudo da graduação ao se formar em uma universidade alguns percebem que gostam de fazer pesquisa, então fazem o mestrado que dura 2 anos (em média). Daí, alguns poucos decidem continuar a fazer ciência e entram no doutorado.
Muitos pensam que qualquer pol√≠tico ou algu√©m apenas formado em direito ou medicina √© doutor!! N√£o, doutor √© quem recebe o diploma de doutorado ap√≥s cumprir cr√©ditos assistindo aulas de p√≥s e pesquisar 4 anos (em m√©dia) algo in√©dito, qualificar para defender e defender¬†a tese. Tudo isso matriculado em um programa de p√≥s-gradua√ß√£o reconhecido pelo MEC. √Č como se fosse fazer uma nova gradua√ß√£o num tema s√≥. Imagine um trabalho de final de
 semestre que demore 8 vezes mais para ser feito e escrito, essa é a tese.
Assim como o uso popular do termo Teoria é diferente do uso científico, o termo tese não se refere a um palpite ou opinião, mas sim ao mais profundo trabalho de investigação científica, seja no aspecto teórico quanto metodológico. Claro que no final tem-se um texto do tamanho de um livro.
Meu doutorado, assim como o mestrado, foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental da USP. Devo muito à minha orientadora, Vera Bussab, a mesma no mestrado e no doutorado, por todos esses anos juntos, ela sabe. Aprendi muito com ela.

Minha tese é intitulada
“Evolu√ß√£o da Musicalidade Humana: Sele√ß√£o Sexual e Coes√£o de Grupo”.

 

Nela abordo e testo algumas explica√ß√Ķes adaptativas para a exist√™ncia das propens√Ķes musicais e art√≠sticas em nossa esp√©cie.
A defesa √© um momento p√ļblico em que o doutorando apresenta em meia hora o resumo da tese e uma banca de 5 doutores, dois internos aos programa da p√≥s, 2 externos ao programa e o orientador fazem sua argui√ß√£o, que inclui cr√≠ticas, elogios, corre√ß√Ķes, coment√°rios, coloca√ß√Ķes e sugest√Ķes futuras.
Se você se interessa pelo tema venha assistir minha defesa dia 25/08, na próxima quinta feira, às 14 horas na sala 36 do bloco F no Instituto de Psicologia da USP da São Paulo, Cidade Universitária.

Três Anos de MARCO EVOLUTIVO e Palestra de Martin Daly

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√Č com muito prazer que comemoramos n√£o UM nem DOIS, mas TR√äS anos de MARCO EVOLUTIVO nesse √ļltimo dia 28 de novembro. Foi um ano inteiro aqui no ScienceBlogs Brasil sem mudan√ßas de endere√ßo virtual, mas com mudan√ßa de endere√ßo real. Nesse ano de 2010 estive aqui no Canad√° fazendo meu doutorado sandu√≠che na McMaster University ent√£o n√£o tive como me dedicar mais ao blog. Mesmo assim foi um ano de t√≥picos importantes e interessantes.

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A maioria dos 15 posts desse terceiro ano esteve relacionando m√ļsica e dan√ßa com ci√™ncia e evolu√ß√£o das mais diferentes formas: do rap evolutivo e a m√ļsica dos genes aos valores adaptativos da dan√ßa e da m√ļsica. Outros temas como o da Medicina e Psiquiatria Darwinistas receberam grande destaque. Os cinco textos mais lidos do per√≠odo (em ordem decrescente) foram: 1- Coevolu√ß√£o e Sele√ß√£o Sexual no Caso da Vespa Tarada, 2- O sexo chimpanz√© e o conflito de gera√ß√Ķes, 3- Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista, 4- Lamarck – A Verdadeira Id√©ia Errada, seguido de 5- Psicologia Evolucionista e Natureza Humana. Os destaques fora os textos: A Ci√™ncia do Sex Appeal e Elei√ß√£o, Voz, Vit√≥ria e Pornografia que receberam alt√≠ssimas audi√™ncias por aparecerem do compilador de links U√™BA.

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No per√≠odo o blog teve mais de 33 mil visitas. Tivemos 31 mil visitas no Brasil e 1400 de Portugal, EUA e Canad√° com mais de 200 visitas cada, e Angola, Espanha, Reino Unido, Jap√£o, Irlanda com 50 ou mais visitas cada. Os pa√≠ses com mais de 10 acessos foram, em primeiro Portugal, EUA, Canad√°, Angola, Espanha, Reino Unido, Jap√£o, Irlanda, Mo√ßanbique, Fran√ßa, Alemanha, It√°lia, M√©xico, Su√≠√ßa, Argentina, Cabo Verde, Austr√°lia, (um pa√≠s n√£o reconhecido pelo google analytics!) e Col√īmbia. As palavras mais usadas antes de encontrar o MARCO EVOLUTIVO foram: “Lamarck”, “Antropocentrismo”, “Per√≠odo F√©rtil”, “Psicologia Evolucionista”, e “Sele√ß√£o Sexual”.

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E como presente evolutivo nesse terceiro anivers√°rio estou iniciando uma s√©rie de palestras internacionais de alt√≠ssimo n√≠vel sobre Psicologia Evolucionista e Biologia Evolutiva. Trarei uma compila√ß√£o √ļnica de temas importantes e professores renomados para que juntos complementemos nossa forma√ß√£o acad√™mica nacional (e nosso listening) conhecendo de perto autores internacionais e suas id√©ias. Inicio nossas palestras evolucionistas com um dos fundadores da Psicologia Evolucionista, Martin Daly e sua palestra de outubro de 2010 aqui na McMaster sobre Evolved Decision Processes and Rational Choice. Descubra de forma descontraida em 53 min que nossa racionalidade para algumas coisas e irracionalidade para outras, assim como a ilus√£o das decis√Ķes conscientes, s√£o mais bem explicadas a luz da evolu√ß√£o.

Extra Extra! Nossos Genes Est√£o na M√ļsica!

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√Č de longa data a discuss√£o de se a varia√ß√£o individual na nossa habilidade musical tem maiores componentes herdados geneticamente ou do ambiente. Muitos, caindo no erro do determinismo gen√©tico de que gene √© destino, temem que se descobrirem que alguns genes relacionados a uma facilidade de aprendizado musical isso ir√° acabar de vez com o ensino de m√ļsica nas escolas. 
Pois √© que os dotados de tais genes deveriam fazer aulas especializadas fora da escola. √ďtimo, sendo assim, como devem existir genes facilitando o aprendizado de l√≠nguas e de matem√°tica o curr√≠culo logo estar√° livre tamb√©m dessas disciplinas. Nada mais justo! Vejam como n√£o faz sentido algum temer que se busque fatores gen√©ticos ligados a habilidade musical para proteger que o ensino musical no curr√≠culo.

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Estudos em g√™meos apontam que alguns aspectos da musicalidade apresentam um grande componente heredit√°rio influenciando a varia√ß√£o individual. Um estudo (Coon & Carey, 1989) encontrou que de 44% a 90% da varia√ß√£o individual na capacidade musical se deve pelo compartilhamento gen√īmico. Outro (Drayna et al., 2001) encontrou que de 71% a 80% da varia√ß√£o individual na discrimina√ß√£o de tons se deve √† heran√ßa gen√©tica.

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Estudos gen√©ticos j√° haviam mostrado que h√° uma associa√ß√£o entre a mem√≥ria musical e polimorfismos em genes relacionados √† vasopressina (Granot et al., 2007). Ent√£o o pesquisador Ian Craig do King’s College London coletou amostras de DNA dos 40 cantores profissionais do New London Chamber Choir e de pessoas que se diziam completamente incapazes de cantar ou tocar instrumentos. Ele est√° analisando se as varia√ß√Ķes individuais no tamanho e conte√ļdo das c√≥pias do gene que codifica o receptor 1A para a vasopressina no c√©rebro e em mais 16 outros marcadores gen√©ticos co-variam com as habilidades musicais individuais. Por enquanto ele s√≥ encontrou algumas poucas diferen√ßas, mas a an√°lise ainda n√£o est√° conclu√≠da.

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Ent√£o, para atrair a aten√ß√£o da m√≠dia e do p√ļblico em geral eles contactaram o compositor Michel Zev Gordon que comp√īs a m√ļsica Allele, a primeira m√ļsica criada a partir das ‘letras’ ou bases nitrogenadas do DNA. (Iniciativas anteriores semelhantes fizeram m√ļsica a partir da freq√ľ√™cia da mol√©cula de DNA). Pois √© o DNA tem s√≥ 4 letras AGCT, e pra queles que gostam de pop song j√° sabem que 4 acordes s√£o mais do que suficientes. Ent√£o como A= l√°, G=sol, C= d√≥ T=ti, ou si em ingl√™s, d√° pra criar uma m√ļsica tranquilamente. Cada m√ļsico estava cantando sua voz contendo as notas da pr√≥pria variante do gene relacionado √† habilidade musical. Fenomenal. Veja mais detalhes abaixo no v√≠deo da NewScientist dessa semana.
Referências
Coon, H., & Carey, G. (1989). Genetic and environmental determinants of musical ability in twins. Behavior Genetics, 19(2), 183-193. 
Drayna, D., Manichaikul, A., Lange, M., Snieder, H., & Spector, T. (2001). Genetic Correlates of Musical Pitch Recognition in Humans. Science, 291 (5510), 1969 – 1972. 
Granot, R., Frankel, Y, Gritsenko, V., Lerer, E., Gritsenko, I., Bachner-Melman, R., Israel, S., & Ebstein, R. (2007). Provisional evidence that the arginine vasopressin 1a receptor gene is associated with musical memory. Evolution and Human Behavior, 28(5), 313-318. 

Quais os benef√≠cios evolutivos e psicol√≥gicos da Dan√ßa e da M√ļsica?

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Quem dan√ßa e canta seus males espanta, certo? Tudo bem, mas, evolutivamente, se esses males n√£o forem inimigos, predadores, parasitas e outros competidores e se ainda assim se isso n√£o ajudar na reprodu√ß√£o direta ou na de presentes, ent√£o nada feito. As origens evolutivas e efeitos sociais e cognitivos da m√ļsica e da dan√ßa s√£o o tema de uma entrevista muito interessante de Eduard Punset, distinto divulgador de ci√™ncia espanhol, com Lawrence Parsons, neurocientista cognitivo da Universidade de Sheffield.

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Punset e Parsons ressaltam que a m√ļsica e a dan√ßa s√£o universais, regidas por processos psicol√≥gicos em grande parte inconscientes, feitas espontaneamente em grupo e que apresentam paralelos an√°logos em comportamentos de outras esp√©cies, principalmente aves. Para Parsons a m√ļsica e a dan√ßa

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 evolu√≠ram como uma primeira forma de comunica√ß√£o n√£o verbal para promover a coes√£o social intragrupo, sincronizando e conectando emo√ß√Ķes e atividades trazendo vantagens na competi√ß√£o com outros grupos, tribos etc. Parsons segue citando que a dan√ßa e a m√ļsica s√£o bem antigos segundo pinturas rup√©stres e f√≥sseis de flautas, e que n√£o h√° celebra√ß√£o social sem m√ļsica nem dan√ßas populares em todas √©pocas hist√≥ricas.

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Ele aponta que os beb√™s j√° est√£o prontos para aprender os ritmos da pr√≥pria cultura j√° nos primeiros anos de vida: assim como com a linguagem durante o primeiro ano os beb√™s respondem brincando igualmente v√°rios modelos r√≠tmicos e de escalas musicais, mas ap√≥s um ano aproximadamente eles passam a se especializar aos sons musicais ou ling√ľ√≠sticos da pr√≥pria cultura. Atrav√©s de brincadeira musical e dan√ßada diferentes sistemas cerebrais se harmonizam eficientemente ao longo do desenvolvimento, segundo Parsons.

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O interessante é que Punset não descarta a influência da seleção sexual tanto é que na edição final ela só é citada nas reportagens entre as partes da entrevista e não na entrevista em si. Os ancestrais que andavam e dançavam de forma mais graciosa eram percebidos como mais saudáveis, criativos e inteligentes levando então a um maior sucesso reprodutivo.

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Eles falaram tamb√©m dos neur√īnios espelhos, que est√£o ativos quando fazemos algo e quando vemos algu√©m fazer algo, seja dan√ßar, tocar um instrumento ou assistir a uma competi√ß√£o esportiva. Ent√£o, seja especialista ou amador mesmo se estivermos praticando os movimentos mentalmente estamos at√© certo modo realmente aprimorando as conex√Ķes envolvidas nos movimentos. V√°rios sistemas cerebrais est√£o interagindo de forma complexa, percep√ß√£o visual e sonora √†s √°reas motoras, quase instantaneamente para gerar os movimentos da dan√ßa e isso tudo ligado ao sistema l√≠mbico nos dando prazer recompensador e ajudando na mem√≥ria.

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Eles finalizam trazendo as implica√ß√Ķes sociais e educacionais dos novos estudos neurol√≥gicos e evolutivos da m√ļsica e dan√ßa. Dizem que as artes deveriam ser ensinadas em todas as escolas, pois melhoram a mem√≥ria operacional e a capacidade executiva da aten√ß√£o e controle motor ao lidarmos com tarefas m√ļltiplas. Concluem que a m√ļsica e a dan√ßa s√£o poderosas formas de coes√£o e sincroniza√ß√£o grupal e que em sua pr√°tica contribuem numa harmoniza√ß√£o de fun√ß√Ķes cognitivas gerais.
Muito bem produzido, como sempre, o v√≠deo da entrevista est√° repleto de imagens e explica√ß√Ķes bem interessantes e cativantes, vale a pena assistirmos esse v√≠deo de 27 min e de quebra treinarmos nosso espanhol.
 

O Rap também é Evolução

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Cansado de ter que ler v√°rios livros tediosos pra aprender evolu√ß√£o e ingl√™s? Preferia ficar ouvindo um rap em alto e bom som? Pois seus problemas se acabaram!! Chegou o The Rap Guide To Evolution!!! Pois √© minha gente, depois de ouvirmos m√ļsicas sobre Darwin e evolu√ß√£o no post e nos coment√°rios de Cantando Darwin, depois de ouvirmos a vers√£o reggae de cada um dos cap√≠tulos do Origem das Esp√©cies, chegou a hora de ouvirmos o que o rap tem a nos dizer sobre evolu√ß√£o.

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Baba Brinkman √© um raper canadense fissurado em plantar √°rvores que lan√ßou seu mais novo √°lbum “The Rap Guide To Evolution”. Gra√ßas √†s conversas com um amigo bi√≥logo evolucionista e muitas leituras, ele comp√īs 16 m√ļsicas interessntes sobre v√°rios aspectos da evolu√ß√£o. At√© a Olivia Judson, a Dra Tatiana do Consult√≥rio Sexual para todas as esp√©cies, falou bem dele em sua coluna no The New York Times.
Em suas m√ļsicas ele explica a sele√ß√£o natural, desacredita o criacionismo, explica a sele√ß√£o artificial, ressalta nossa descend√™ncia comum com todos os seres vivos e afirma que todos os seres humanos s√£o africanos. Ele ainda fala sobre Psicologia Evolucionista cita autores como Leda Cosmides e Geoffrey Miller, explica a rela√ß√£o do desconto de futuro com o homic√≠dio comentando o livro de Martin Daly e Margo Wilson. Al√©m disso, ele explica mem√©tica, sele√ß√£o de grupo, sele√ß√£o sexual, DNA mitocondrial e muito mais. Tudo isso numa liguagem clara, bem humorada e f√°cil de entender.

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Gostei dele ter dedicado uma m√ļsica ao √°cido universal. Daniel Dennett refere-se a ideia de Darwin como um √°cido que corr√≥i tudo a sua volta, pois nenhum modelo instrutivo se sustenta frente ao modelo seletivo (veja o porqu√™). Ou seja complexidade e intelig√™ncia podem sugir de processos simples e burros sem nenhuma instru√ß√£o m√°gica, basta performance, feedback e revis√£o por um longo per√≠odo de tempo. No site dele voc√™s podem ouvir e baixar as m√ļsicas e ver muito mais.

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No vídeo abaixo veremos Baba Brinkman no Cambridge Darwin Festival ano passado comemorando o Ano de Darwin frente aos famosos evolucionistas. Ele canta o rap em que explica como funciona o modelo seletivo e como usando os mesmo passos da seleção natural: performance, feedback e revisão é possível aprender e aprimorar até o mais fajuto rascunho de letra de rap, porque o rap também é evolução. Divirtam-se cantando e aprendendo.

Notas e Neur√īnios

√Č com muito prazer que inicio as blogagens de 2010 diretamente do Canad√°. Dessa vez n√£o vim a um congresso. Acabei de me mudar, estou morando no Canad√° h√° uma semana. Durante todo esse ano at√© janeiro de 2011 estarei vivendo o “recheio” do meu doutorado sandu√≠che pela USP (financiando pelo CNPq) aqui na McMaster Univesity. Estou no laborat√≥rio de NeuroArts e come√ßando a entrar em contato com um rico ambiente intelectual e aprendendo muitos aspectos evolutivos, antropol√≥gicos e neurol√≥gicos das manifesta√ß√Ķes musicais entre outras artes.

E nesse clima apresento o “Notes & Neurons” do World Science Festival de 2009. Trata-se de uma √≥tima entrevista-discuss√£o-apresenta√ß√£o-documen√°rio sobre as novas descobertas da neuroci√™ncia sobre nossa musicalidade. Nessa s√©rie de cinco v√≠deos voc√™ vai ver como nosso c√©rebro decomp√Ķe as v√°rias dimens√Ķes da m√ļsica usando diferentes √°reas e depois reitegra de forma paralela as informa√ß√Ķes para termos a experi√™ncia musical. O √Ęncora √© o John Schaefer e os convidados s√£o os cientistas Jamshed Barucha da Tufts Univ., Daniel Levitin da McGill Univ., Lawrence Parsons da Univ. de Sheffield, e o m√ļsico Bobby McFerrin (“Don`t worry, be happy”) que faz interven√ß√Ķes bem interessantes.

No primeiro v√≠deo, ap√≥s o solo de Bobby eles falam um pouco do crescente interesse pelas bases neurais da musicalidade, suas quest√Ķes universais e particularidades culturais. No segundo v√≠deo, veremos que nossa musicalidade sempre inclui m√ļsica e dan√ßa, que n√£o existe uma √ļnica √°rea cerebral respons√°vel por toda a cogni√ß√£o subjascente √† nossa musicalidade, ela est√° distribuida por todo o c√©rebro e o sistema nervoso perif√©rico. Basicamente temos √°reas cerebrais envolvidas na percep√ß√£o e an√°lise auditiva, na mem√≥ria e associa√ß√Ķes, na expectativa do que vai acontecer, no movimento, na sensa√ß√£o corporal, na emo√ß√£o, e na percep√ß√£o visual.
Eles falam dos intervalos muscais que s√£o

universais como a oitava, a quinta, a quarta e a ter√ßa. Falam tamb√©m que quando falamos algo triste usamos o mesmo contorno mel√≥dico dos acordes menores que tamb√©m soam tristes, e quanto estamos com raiva fazemos um intervalo de meio tom. O interessante √© que temos muito mais facilidade de reconhecer o pacote mel√≥dico da fala pra emo√ß√Ķes negativas. J√° que evolutivamente, as consequ√™ncias das emo√ß√Ķes negativas tiveram maior chance de prejudicar a aptid√£o de nossos ancestrais. Bobby McFerrin faz √≥timas demostra√ß√Ķes de varia√ß√£o no timbre, e eles mostram varia√ß√Ķes tamb√©m no ritmo.

No terceiro v√≠deo, eles demostram diferen√ßas entre as escalas ocidentas e as escalas da m√ļsica indiana. Mostram que ter crescido em uma cultura faz com que criemos expectativas musicais t√≠picas das escalas usadas, mas ainda assim possu√≠mos uma platicidade para aprender diferentes escalas e m√ļsicas de culturas distantes. Com a crescente dissemina√ß√£o da afina√ß√£o e da harmonia ocidental atrav√©s do mundo, gra√ßas a pop music industry, corremos o risco de n√£o termos exemplos de m√ļsicas sem a influ√™ncia ocidental para estudos etnomusicol√≥gicos. Mas pensando bem, Jamshed est√° certo em dizer que sim, ainda existe uma √ļltima tribo n√£o exposta √† m√ļsica do resto do mundo, os EUA!

No quarto v√≠deo, veremos a bel√≠ssima e muito did√°tica demostra√ß√£o de Bobby McFerrin sobre as expectativas universais quanto √† escala pentat√īnica. Depois eles falam das rela√ß√Ķes entre musicalidade e linguagem, os casos de l√≠nguas tonais como o chin√™s, tudo parte de uma grande viv√™ncia social compartilhada permeando m√ļsica, dan√ßa e linguagem. E no final comentam que os beb√™s antes de nascer facilmente encorporam as escalas musicais de cada cultura. No √ļltimo v√≠deo m√ļsicos e convidados tocam juntos. Aproveitem e feliz 2010!

Origem das Espécies em Reggae

Hoje veremos uma iniciativa de homenagem a Darwin pelo Origem das Espécies muito interessante e inusitada. Dois acadêmicos, Prof Mark Pallen e doutorando Dom White, ambos da Birmingham University, tiveram a idéia de criar um novo estilo musical: o Genomic Dub. E nesse novo estivo eles fizeram reggae music do Origem das Espécies!!

O Genopmic Dub √© uma empreitada s√©rie a com muito objetivos dentre os quais celebrar a vida e obra de Dariwn bem como os recentes sucessos na √°rea da Gen√īmica e da Biologia Evolutiva. Em sua p√°gina The Genomic Dub Collective, Pallen & White mostram como essa iniciativa pode integrar cultura e ci√™ncia criando um movimento que estimula o interesse geral pela ci√™ncia.

O álbum The Origin of Species in Dub eles incluíram trechos do Origem capítulo por capítulo e exploraram a temática da evolução humana na áfrica e o legado de Darwin. Abaixo veremos os 12 vídeos disponíveis essa incrível iniciativa científica e musical capaz de libertar nossa mente.
E pra fechar esse post descobri hoje que o apelido de inf√Ęncia de Charles Darwin era “Bobby”, algo bem reggae!!

A Mente Musical

Ocorreu em Goi√Ęnia no final de maio o V Simp√≥sio de Cogni√ß√£o e Artes Musicais (SIMCAM). Um verdadeiro ponto de encontro entre humanidades e ci√™ncias em torno da musicalidade humana. Uma iniciativa anual de cinco anos da Associa√ß√£o Brasileira de Cogni√ß√£o e Artes Musicais, composta por pesquisadores brasileiros de diversas √°reas de educa√ß√£o musical at√© neuroci√™ncias da m√ļsica.

O SIMCAM sempre tem convidados internacionais, √≥timas palestras e mesas redondas, apresenta√ß√Ķes orais e de p√īsteres, al√©m de v√°rias apresenta√ß√Ķes musicais de todos os estilos e g√™neros: de m√ļsica barroca at√© eletroac√ļstica. O SIMCAM √© sempre uma √≥tima oportunidade para conhecermos melhor pesquisas e pesquisadores interessados nos v√°rios aspectos de musicalidade humana.

Nesse ano foram dois os convidados internacionais. A Katie Overy da University of Edinburgh, Reino Unido n√£o pode comparecer de √ļltima hora, mas mandou sua apresenta√ß√£o e o pdf do seu artigo a tempo de divulgar a todos suas pesquisas. Sua comunica√ß√£o girou em torno das rela√ß√Ķes entre a experi√™ncia musical e o sistema de neur√īnio espelho propondo um modelo de experi√™ncias afetivas e gestuais da m√ļsica.

O Steven Brown da McMaster University, Canad√° compareceu e falou sobre porque algumas pessoas cantam desafinado. Mostrou com suas pesquisas como a desafina√ß√£o n√£o est√° relacionada a aspectos da mem√≥ria, da percep√ß√£o mel√≥dica, nem habilidade motora e sim na habilidade imita√ß√£o vocal. Sua palestra foi muito interessante, pois al√©m de tudo mostrou v√°rias pessoas cantando desafinado, cantos de outras esp√©cies e de outras culturas, que arrancou risadas e exclama√ß√Ķes da plat√©ia.

O Steven Brown ainda veio para o Instituto de Psicologia da USP dar uma disciplina de p√≥s-gradua√ß√£o a convite meu e da minha orientadora. A disciplina foi sobre as Artes e o C√©rebro e ele abordou o estudo unificado das artes, suas origens evolutivas, os mecanismos cerebrais envolvidos na dan√ßa e m√≥dulos cerebrais relacionados a diferentes manifesta√ß√Ķes art√≠sticas. A disciplina foi muito boa, rica em conte√ļdos e discuss√Ķes. Apareceram quase 30 alunos dentre mestrandos doutorandos e professores de outras unidades.


A grande quantidade de pessoas interessadas na disciplina somada √†s centenas de pessoas que j√° participaram dos SIMCAMs mostram crescente interesse pelas pesquisas sobre artes e principalmente m√ļsica. Muitos livros atualmente est√£o sendo lan√ßados sobre o tema dentre os famosos est√£o o “Alucina√ß√Ķes musicais” do Oliver Sacks e o “This is your Brain on Music” de Daniel Levitin.

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A uni√£o interdisciplinar promovida pela Associa√ß√£o Brasileira de Cogni√ß√£o e Artes Musicais j√° at√© culminou no o primeiro livro brasileiro sobre cogni√ß√£o musical, o “Em Busca da Mente Musical”, um esfor√ßo de v√°rios autores editado pela Beatriz Ilari da UFPR. O livro conta com um capitulo escrito pelo pr√≥prio Daniel Levitin.

Abaixo veremos v√≠deo e entrevista de Oliver Sacks comentando sobre os interessantes casos neurol√≥gicos relacionados √† musicalidade, como sinestesias e amusias. E NESSE link voc√™s poder√£o assistir um document√°rio The Muscial Brain de 45 min com Daniel Levitin sobre v√°rios aspectos do c√©rebro musical desde o desenvolvimento musical em beb√™s at√© a evolu√ß√£o da musicalidade. Nesse document√°rio Levitin submete o cantor Sting do The Police ao imagiamento cerebral realizando diferentes tarefas. S√£o V√≠deos e livros imperd√≠veis para os amantes da ci√™ncia e da m√ļsica.