Evolução Humana Facilitada

Para aqueles que acham a evolu√ß√£o humana muito complicada, distante e dif√≠cil de se entender apresento aqui um v√≠deo de 10 minutos que poder√° contribuir bastante. Este v√≠deo trata da evolu√ß√£o humana de modo simplificado, o que facilita muito o entendimento. Aborda as mitologias sobre as origens de outras culturas, a revolu√ß√£o Darwinista e os papeis de Darwin, Wallace e Huxley. Ver√£o tamb√©m os a quest√£o do elo perdido entre humanos e os ‚Äúmacacos‚ÄĚ, inclu√≠do a hist√≥ria dos Neandertais e Homo Erectus. Al√©m disso, veremos as hip√≥teses de surgimento dos humanos na √Āfrica e em v√°rios lugares ao mesmo tempo, nossas caracter√≠sticas √ļnicas e nossos parentes antepassados segundo a paleoantropologia e a gen√©tica. O famosos uso do DNA mitocondrial para tra√ßar filogenias √© explicado claramente. Assim veremos o quanto as evid√™ncias f√≥sseis e de DNA est√£o estreitamente relacionadas contando uma mesma hist√≥ria sobre nossa evolu√ß√£o.

Steven Pinker e os Palavr√Ķes

Voc√™ se acha uma pessoa desbocada, boca suja que adora falar palavr√Ķes? Pois fique sabendo que voc√™ n√£o est√° sozinho. Nesses dois v√≠deos curtos veremos Kate Bohner falando sobre o que Steven Pinker escreveu em seu √ļltimo livro The stuff of Thought a respeito do porqu√™, n√≥s seres humanos, temos o estranho h√°bito universal de xingar e falar palavr√Ķes pra caramba. Mas lembre-se sempre que explicar n√£o quer dizer¬† justificar, assim como entender n√£o √© perdoar. E no segundo v√≠deo o pr√≥prio Pinker, numa entrevista inusitada e descontra√≠da, solta o verbo e fala seus palavr√Ķes prediletos sem d√≥. Al√©m disso, fala sobre v√°rios de outros temas desconexos pra #$*+#@&$#%#. Opa! Me empolguei!

DVDs sobre Evolução

A Scientific Amecian Brasil traz um present√£o para os brasileiros com a cole√ß√£o de DVDs sobre Evolu√ß√£o feita pela PBS. Entre as comemora√ß√Ķes dos 150 da Sele√ß√£o Natural e os 150 do Origem das Esp√©cies essa s√©rie apresenta de forma did√°tica 7 v√≠deos sobre evolu√ß√£o: A Perigosa Id√©ia de Darwin, Grandes Muta√ß√Ķes, Extin√ß√Ķes, Corrida das Esp√©cies, Porqu√™ do Sexo, Big Bang da Mente e Ci√™ncia e Religi√£o.

Como bem falou o Luciano do Caapora é uma coleção excelente, mas não estamos fazendo propaganda alguma apenas dando uma dica. E não é só porque nós recomendamos e porque é uma série americana que você deve acreditar em tudo. Eles cometem alguns deslizes, por exemplo, reforçando a idéia de que o ser humano é o mais complexo ser do planeta, ideiazinha pra lá de egocêntrica. Quanto aos problemas com a religião acho que eles foram por demais coniventes com os absurdos das pessoas religiosas que assistem os Flinstones e a Família Dinossauro achando se tratar de documentários literais e realistas de que homens e dinossauros viveram juntos e felizes, ideiazinha maluca como deixa claro Sidney Harris na figura ao lado.

Além do mais, grande parte desses vídeos já está fatiada e disponível no youtube, mas sem a legenda. O vídeo sobre o Porquê do Sexo fez parte do Festival de Vídeos sobre a Sexualidade Humana I aqui no MARCO EVOLUTIVO. E parte do vídeo sobre Corrida das Espécies sobre as salamandras ultra venenosas constava na Exposição Darwin.  De qualquer forma essa série de vídeos é um bom incentivo para que criemos eventos, como apresentação de vídeos sobre evolução, somando aos eventos comemorativos do ANO DE DARWIN 2009 . Pois como o Gabriel falou no RNAmensageiro, até os religiosos estão planejando eventos comemorativos a Darwin em 2009, então você também pode organizar .

Curvando-se ao Corvo, o Pensador

√Č surpreendente o fato de que algumas aves, como os Bowerbirds, naturalmente apresentam grandes manifesta√ß√Ķes custosas e cuidadosamente ornamentadas, comportamento antes s√≥ relatado em humanos. Isso nos faz ter uma vis√£o mais humilde do ser humano. Por√©m, mais surpreendente ainda √© o corvo capaz de se reconhecer no espelho. Isso mesmo! Agora sim voc√™ vai se sentir realmente apenas mais uma esp√©cie animal.

O teste do espelho é bem simples: anestesie um animal e faça uma marca colorida (transparente ou cor da pele para o controle) num local do animal onde ela possa ser vista apenas pelo espelho, então apresente um espelho a ele. Se o animal interagir mais com o espelho é sinal que ele não se reconhece, mas se ele interagir mais com sua própria marca é sinal que ele se reconhece.

O auto-reconhecimento ao espelho √© um sinal de autoconhecimento, uma caracter√≠stica elevada e requintada. Algo como: reconhe√ßo-me, logo existo metaling√ľisticamente.

Como acompanhamos no texto Autoconhecimento em Comum, essa faculdade antes tida como exclusividade dos humanos, agora j√° √© reconhecida nos grandes primatas, golfinhos e elefantes. O que j√° era dif√≠cil de aceitar agora ficou pior. A machadada final em nosso antropocentrismo foi dada por tr√™s pesquisadores alem√£es no paper de agosto de 2008 intitulado: ‚ÄúMirror-Induced Behavior in the Magpie (Pica pica): Evidence of Self-Recognition‚ÄĚ dispon√≠vel online. Eles trouxeram a primeira evid√™ncia de autoconhecimento em aves, mais especificamente em corvos, seres conhecidamente inteligentes, capazes de resolver problemas complexos e usar ferramentas inusitadas.


Em testes iniciais, cinco corvos, ao serem apresentados ao espelho, agiram como se seu reflexo fosse outra ave, mas três deles mudaram seu comportamento e passaram a se examinar. Daí quando submetidos ao teste a mancha ao espelho, dois dos três prestaram mais atenção na própria mancha colorida do que na mancha controle. O vídeo mostra o lindo e incomodo momento do auto-reconhecimento. Resta sabermos o porquê dessa variação individual.

Esses resultados mostram que as habilidades cognitivas elaboradas respons√°veis pela no√ß√£o de si mesmo n√£o s√£o privilegio de mam√≠feros cabe√ßudos, mas evolu√≠ram independentemente em grupos taxon√īmicos que se separaram evolutivamente a 300 milh√Ķes de anos atr√°s.


E para que a intelig√™ncia dos corvos n√£o seja subestimada deixo outro v√≠deo estonteante na narra√ß√£o de Sir David Attenborough. Veja o que pode acontecer quando corvos usam os humanos no tr√Ęnsito japon√™s como ferramentas para abrirem sua comida. E se voc√™ ainda n√£o sabe usar a faixa de pedestre melhor aprender, porque eles j√° sabem.

Bowerbirds e a Arte de Seduzir I

Pense num animal que produza arte… Muito bem por considerar o ser humano mais um animal!! Mas agora pense em outro animal que produza manifesta√ß√Ķes art√≠sticas, ou seja, manifesta√ß√Ķes intencionais extra-corp√≥reas, esteticamente valorizadas, bem trabalhadas, ornamentadas, muito apreciadas e invejadas. Ser√° que existe? Lembre-se que n√£o somos o √°pice da evolu√ß√£o, nem somos os √ļnicos a ter auto-conhecimento, caracter√≠stica que compartilhamos com orangotangos, golfinhos e elefantes.

Ent√£o ser√° que at√© manifesta√ß√Ķes art√≠sticas n√£o s√£o exclusividade dos humanos? Pois ent√£o conhe√ßa os Bowerbirds, ou p√°ssaro-arquiteto, e descubra a continuidade evolutiva entre a ornamenta√ß√£o corporal e a arte, ou melhor, ornamenta√ß√£o extra-corporal. Os Bowerbirds s√£o um grupo de v√°rias esp√©cies de p√°ssaros da Austr√°lia e Nova Guin√©. Eles t√™m apenas 21 cm de altura, mas constroem ninhos de at√© 3m de v√°rios tipos e formatos que enfeitam com flores, conchas, besouros e qualquer outro objeto coloridos.
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As f√™meas ancestrais de Bowerbirds desenvolveram um incr√≠vel senso est√©tico, por isso, elas parecem favorecer ninhos robustos, sim√©tricos e bem enfeitados com cores que podem refletir inclina√ß√Ķes sensoriais. Eles realizam dan√ßas na frente desses ninhos, e quando uma parceira aparece, elas inspecionam e se gostaram¬†andam para dentro do ninho, acasalam, e a f√™mea sai para construir um outro ninho, pequeno e funcional, onde ir√° colocar seus ovos, sem qualquer participa√ß√£o do macho. Isso mesmo, tanto o macho quanto a f√™mea constroem ninho, mas s√≥ o das f√™meas serve para chocar os ovos, pois o do macho seduz as f√™meas.
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A qualidade do ninho art√≠stico, o n√ļmero de decora√ß√Ķes preferidas e as dan√ßas e cantos contribuem muito para o sucesso reprodutivo dos machos. Muitas f√™meas, de colora√ß√£o mais¬†clara, se acasalam com um √ļnico macho depois de visitar os ninhos de muitos machos. Alguns machos chegam a acasalar com 25 f√™meas em seu ‚Äúninho de amor‚ÄĚ em uma esta√ß√£o de reprodu√ß√£o. As f√™meas que acasalaram com macho de alta qualidade reduzem muito suas buscas por ninhos e acabam retornando para acasalar com o mesmo macho nos anos sucessivos. E quanto mais experiente a f√™mea fica ao longo das √©pocas de acasalamento ela passa da dar menos valor para a decora√ß√£o do ninho e mais para o canto e a dan√ßa do macho.
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O alto custo despendido na construção, confecção e decoração dos ninhos pode refletir indicadores de aptidão do macho. Além disso, os machos brigam uns com os outros, tentando destruir os ninhos alheios, e tendo que lutar para defender e manter impecável o seu ninho. Isso mostra a aptidão do macho, pois se ele é capaz de construir um ninho com 15 vezes sua altura, decorá-lo, e mantê-lo inteiro e vistoso apesar do ataque constante de outros machos, é porque a sua aptidão é muito alta, e ele trará melhores características para passar para sua prole.
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Os ornamentos extra-corp√≥reos assim como os ornamentos corp√≥reos, como penas e cores, tamb√©m evoluem por sele√ß√£o sexual. Richard Dawkins cunhou o conceito de fen√≥tipo estendido que √© o alcance total dos genes do indiv√≠duo no ambiente. Dawkins argumentou que os genes s√£o selecionados, muitas vezes, pelos efeitos que se espalham para fora do corpo e chegam ao ambiente. Ent√£o, se at√© as constru√ß√Ķes est√©ticas do Bowerbird evolu√≠ram por sele√ß√£o sexual imaginem as nossas constru√ß√Ķes est√©ticas. Veja no v√≠deo abaixo a dif√≠cil vida artistica de um Bowerbird.

Entre o dia do Psicólogo e do Biólogo, a Psicobiologia

A Psicobiologia consiste no estudo sobre as bases biológicas do comportamento e é, em grande parte, contribuição multidisciplinar de pesquisas em numerosas disciplinas, como a etologia, psicologia, neurologia, neurofisiologia, bioquímica, endocrinologia, farmacologia, psiquiatria e antropologia. Tais disciplinas vieram auxiliar significativamente o ser humano em seu esforço para compreender biologicamente os mecanismos psicológicos responsáveis pelo comportamento, como atenção, cognição, aprendizagem, memória, emoção, sensação e percepção.


√Č uma disciplina relativamente recente tendo aproximadamente 40 anos. Trata basicamente das causas proximais, visando uma integra√ß√£o da pesquisa voltada a todos os n√≠veis de organiza√ß√£o biol√≥gica dirigida ao avan√ßo de nossa compreens√£o do funcionamento do c√©rebro e do sistema nervoso durante a aquisi√ß√£o de informa√ß√Ķes do meio e express√£o do comportamento. Por√©m, enquanto as causas distais do comportamento, ou seja, seu valor adaptativo e sua hist√≥ria filogen√©tica, focos de disciplinas como a etologia, ecologia comportamental e psicologia evolucionista forem menos abordados, a psicobiologia vai carecer do sentido que abordagem evolucionista traz para a biologia.

 
Theodosius Dobzhansky (1900 -1975) afirmou em 1973 que ‚Äúnada em biologia faz sentido a n√£o ser √† luz da evolu√ß√£o‚ÄĚ. E eu digo que nada na psicobiologia far√° sentido, ou seja, ter√° seus porqu√™s distais respondidos, a n√£o ser √† luz da evolu√ß√£o. Tarefa que a etologia se prop√īs englobando tanto o estudo das causa proximais quanto das distais, para ter uma integra√ß√£o explicativa mais ampla e completa para o comportamento. Tudo isso buscando o melhor estilo interdisciplinar na aproxima√ß√£o entre a Psicologia e a Biologia.
Empreitada que faz mais sentido ainda quanto estamos na semana entre o Dia do Psicólogo dia 27 de agosto e do Dia do Biólogo, hoje dia 3 de setembro. Feliz dia do Psicólogo e do Biólogo e Feliz aproximação entre ambos.