Dia de Darwin 2022 e 150 anos do ‘Express√£o das Emo√ß√Ķes’

No dia de hoje, 12 de fevereiro de 2022, h√° 213 anos nascia Charles Robert Darwin, o naturalista que explicou em termos naturais a variedade e as semelhan√ßas dos seres vivos e revolucionou a forma como entendemos a natureza e nosso lugar nela. Por isso estamos celebrando o Darwin Day de 2022, o momento do ano em que consideramos a vida, as descobertas e o legado da Charles Darwin. Neste dia buscamos inspirar a todos a ver os seres vivos e suas rela√ß√Ķes atuais e ancestrais da forma naturalista e evolu√≠da que Darwin concebeu. Al√©m disso, enfatizamos tamb√©m as constantes revis√Ķes e atualiza√ß√Ķes do conhecimento biol√≥gico e evolutivo fruto do legado darwinista. Ent√£o, o Dia de Darwin √© sempre muito emocionante!

Nos √ļltimos 13 anos aqui no MARCO EVOLUTIVO, temos devidamente celebrado o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio de Darwin e 150 anos do ‚ÄėOrigem da Esp√©cies‚Äô em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days no Blog em 2018, 2019, 2020 e pelo sesquicenten√°rio do ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem a Sele√ß√£o Sexual‚Äô em 2021. Assim como no ano passado, este ano ser√° muito especial pois estaremos comemorando os 150 anos de outra publica√ß√£o darwiniana, o livro ‚ÄúA Express√£o das Emo√ß√Ķes no Homem e nos Animais‚ÄĚ (1872).

O que era para ser um cap√≠tulo do livro anterior ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem e a Sele√ß√£o em Rela√ß√£o ao Sexo‚ÄĚ (1871) cresceu tanto que precisou ser considerado como uma nova obra em si mesma. O ‚ÄėExpress√£o da Emo√ß√Ķes‚Äô foi publicado dia 26 de novembro de 1872, e foi o primeiro a usar fotografias. No livro, Darwin tra√ßa um programa de pesquisa evolucionista e comparativo para as ci√™ncias do comportamento. Sim, Darwin, que j√° havia estudando Geologia, por exemplo, com o surgimento das montanhas e dos at√≥is, Zoologia com sua vasta publica√ß√£o sobre cracas, e Bot√Ęnica com seus experimentos de poliniza√ß√£o de orqu√≠deas, tamb√©m se debru√ßou sobre o comportamento animal, humano e n√£o-humano. Darwin pesquisou meticulosamente v√°rias emo√ß√Ķes e os movimentos corporais relacionados, incluindo ainda varia√ß√Ķes vocais e algumas rea√ß√Ķes fisiol√≥gicas, como arrepio e rubor. Darwin usou observa√ß√Ķes e question√°rios entre outras metodologias.

Por quest√£o de sa√ļde, Darwin passou muito tempo praticamente em isolamento social em casa com a fam√≠lia, mas nem assim parou com sua curiosidade e aten√ß√£o a detalhes e padr√Ķes. Isso porque ele passou a observar tamb√©m o comportamento dos animais de estima√ß√£o e dos seus filhos em toda a sua expressividade emocional e ent√£o, com a ideia de ancestralidade comum em mente, passou a entender as semelhan√ßas e querer cada vez mais aplicar evolu√ß√£o ao comportamento. Enfim, ele mostrou em seu livro que as express√Ķes das emo√ß√Ķes s√£o em grande parte compartilhadas entre os animais, incluindo os humanos. Ao perceber a continuidade filogen√©tica da expressividade emocional Darwin foi pioneiro no estudo Psicol√≥gicos informado pela Evolu√ß√£o biol√≥gica. Ele √© considerado por muitos o primeiro psic√≥logo evolucionista.

 

Com o agravamento da pandemia causada pela variante √Ēmicron, os eventos no Brasil e no mundo inteiro est√£o sendo realizados de forma online facilitando a participa√ß√£o, e o fato de muitos ficarem gravados ajuda demais na dissemina√ß√£o do legado de Darwin e das subsequentes atualiza√ß√Ķes. Cada vez mais institui√ß√Ķes e grupos est√£o se juntando √† celebra√ß√£o internacional do Dia de Darwin e oferecendo gratuitamente palestras e discuss√Ķes sobre os mais variados temas biol√≥gicos e evolutivos. Ent√£o, se na √©poca de Darwin ficar em casa n√£o era desculpa para n√£o aprender, agora com v√°rios eventos online, ficou bem mais f√°cil aproveitar os v√≠deos do Darwin Day para expandir os conhecimentos.

Este Darwin Day 2022 √© uma oportunidade excelente para aprendermos mais sobre os seres vivos e sobre n√≥s mesmos. Pois como o pr√≥prio Darwin escreveu no pref√°cio do ‚ÄėA Descend√™ncia do Homem‚Äô: ‚ÄúIgnor√Ęncia mais frequentemente leva √† confian√ßa do que o conhecimento: √© aqueles que sabem pouco, e n√£o aqueles que sabem muito, que positivamente afirmam que este [origem dos humanos] ou outro problema nunca ser√° resolvido pela ci√™ncia‚ÄĚ.

Feliz Darwin Day 2022!

150 anos do livro A Descendência do Homem e a Seleção Sexual de Darwin

Neste dia de 24 de fevereiro há exatos 150 anos foi publicado em Londres com dois volumes de 450 páginas o The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex de Charles Darwin. O livro foi um marco para o estudo da evolução humana e aqui no MARCO EVOLUTIVO não poderíamos deixar de celebrar esta data. Originalmente a ideia de Darwin era apenas ter um capítulo sobre humanos em seu livro The variation of animals and plants under domestication de 1866, mas como o livro já estava grande ele resolveu fazer em separado um pequeno ensaio sobre nossa ancestralidade primata e a seleção sexual, o que acabou crescendo e virando os dois volumes do The Descent of Man em 1871. Neste livro Darwin finalmente pode desenvolver tudo o que ele se referiu ao final do Origem das Espécies quando disse que, por conta da evolução por seleção natural, no futuro muita luz seria lançada sobre a origem dos humanos e nossa psicologia e história.

Intuitivamente sempre nos parece que a diferen√ßa psicol√≥gica entre humanos e outros primatas √© enorme, tanto que at√© o Alfred Wallace abandonou a explica√ß√£o evolucionista ao se tratar da mente humana por achar pouco poss√≠vel de que toda nossa capacidade intelectual tenha evolu√≠do naturalmente em contextos tribais aparentemente pouco exigentes por grandes intelig√™ncias. Muito do The Descent √© uma reposta ao desafio de Wallace. Darwin argumenta que todas as nossas caracter√≠sticas psicol√≥gicas podem ser encontradas em algum grau em outras esp√©cies, incluindo capacidades para a m√ļsica, a beleza, e a moralidade. √Č por isso que numa carta a Wallace Darwin diz que a evolu√ß√£o humana era o maior e mais interessante problema para o naturalista.

Outra no√ß√£o popular na √©poca era a de que toda a exuberante beleza na natureza teria sido magicamente criada para satisfazer os humanos que seriam o √°pice da evolu√ß√£o. Gra√ßas a Darwin e anos de pesquisa subsequente, hoje sabemos que a evolu√ß√£o n√£o tem √°pice e que somos t√£o √ļnicos e t√£o especiais quanto cada uma das outras esp√©cies. No The Descent Darwin argumenta que a beleza sonora e visual encontrada no mundo animal evoluiu naturalmente pelo processo de sele√ß√£o sexual. Indiv√≠duos mais vistosos e sonoros eram preferidos na busca por um parceiro sexual, o que ao longo de muitos ciclos de sele√ß√£o, d√° origem a cada vez mais beleza.

A evolução dos armamentos como chifres era mais facialmente explicada pela competição entre machos o que deixara as armas mais eficientes e maiores. Mas para explicar a evolução da beleza era necessário perceber que as fêmeas das outras espécies também têm senso estético e que a variação nesse senso estético era a pressão social favorecendo a evolução dos ornamentos animais. Portanto, para Darwin a beleza do pavão ou da ave do paraíso não necessariamente precisa indicar uma qualidade de sobrevivência, basta ela ser agradável o suficiente para as fêmeas da espécie que a ornamentação poderia evoluir sendo um fim em si mesma.

Atualmente como parte das celebra√ß√Ķes do sesquicenten√°rio do The Descent, diversas iniciativas tentam resgatar o que Darwin acertou e o que Darwin errou no livro, e todos o desdobramento mais atuais nos dois t√≥picos centrais do livro: evolu√ß√£o humana e sele√ß√£o sexual. O livro A Most Interesting Problem: What Darwin‚Äôs Descent of Man Got Right and Wrong about Human Evolution apresenta uma releitura da perspectiva atual de cada cap√≠tulo relativo ao ser humano. Est√° sendo muito bem avaliado e me pareceu muito interessante tanto para quem quer se atualizar sobre evolu√ß√£o humana quanto para quem quer se aprofundar nas hip√≥teses do The Descent. Em Darwin, sexual selection, and the brain Micheal Ryan faz uma revis√£o das v√°rias linhas de pesquisa relacionadas √† ideia da Darwin sobre a evolu√ß√£o da beleza sendo um fim em si mesma. Em Darwin‚Äôs closet: the queer sides of The descent of man (1871), Ross Brooks ressalta como Darwin integrou a ideia de varia√ß√£o individual nos assuntos da sele√ß√£o sexual o que foi fundamental para o nascimento da sexologia moderna. No Peri√≥dico Evolutionary Human Sciences existem uma compila√ß√£o de artigos celebrando os 150 anos do The Descent, por enquanto com 3 artigos e com promessa de outros mais por vir.

Claro que como todo livro, o The Descent tem v√°rias limita√ß√Ķes e vieses de √©poca, mas nele Darwin deixou claro que as origens evolutivas dos humanos podem sim ser desvendadas. E nesse sentido enquanto um programa de pesquisa a ser desenvolvido, Darwin deu uma inestim√°vel contribui√ß√£o √† evolu√ß√£o humana. E, se percebermos como aspectos morfol√≥gicos, biogeogr√°ficos, interespecificamente comparativos, mas tamb√©m psicol√≥gicos e comportamentais est√£o integrados, o The Descent pode ser considerado bem moderno. Isto porque, de l√° para c√°, ainda s√£o poucos bi√≥logos focando na psicologia e no comportamento, e pouco psic√≥logos focando na evolu√ß√£o. Felizmente as √°reas est√£o cada vez mais se integrando e talvez um dia cheguemos ao grau de integra√ß√£o que o pr√≥prio Darwin expressou 150 atr√°s.

Dia de Darwin 2021 e os 150 anos do “Descend√™ncia do Homem”

√Č chegado o Darwin Day 2021, a grande celebra√ß√£o internacional da biografia, publica√ß√Ķes e legado de Charles Robert Darwin. Hoje, dia 12/2/21, Darwin faz 212 anos. E daqui 12 dias seu livro ‚ÄúA Descend√™ncia do Homem e Sele√ß√£o em Rela√ß√£o ao Sexo‚ÄĚ (1871) completa 150 anos de publica√ß√£o, 12 anos depois do sesquicenten√°rio do ‚ÄúOrigem das esp√©cies‚ÄĚ. ¬†No ‚ÄúDescend√™ncia‚ÄĚ (12 letras), Darwin aborda as semelhan√ßas morfol√≥gicas, comportamentais e psicol√≥gicas entre humanos e n√£o-humanos como evid√™ncia da ancestralidade comum, e discute a import√Ęncia da sele√ß√£o sexual para a evolu√ß√£o de algumas caracter√≠sticas compartilhadas. Darwin deixa claro que as diferen√ßas que existem entre n√≥s e os outros animais s√£o de grau e n√£o de tipo, e que todos os humanos vieram de um ancestral comum africano. Trata-se ent√£o de um dia, um m√™s e um ano muito especiais para o evolucionismo, especialmente aplicado ao ser humano.

Nos √ļltimos 12 anos aqui no MARCO EVOLUTIVO, temos celebrado ininterruptamente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days em 2018, 2019 e em 2020. Por conta da pandemia muitos eventos no Brasil e no mundo todo est√£o sendo realizados online, o que facilita muito a participa√ß√£o e a dissemina√ß√£o das ideias e do legado de Darwin. Ent√£o busque online por Darwin Day 2021 e aproveite. Veja a discuss√£o sobre Evolu√ß√£o Humana promovida pela Sociedade Brasileira de Gen√©tica.

No ‚ÄúDescend√™ncia‚ÄĚ Darwin ressalta que epidemias, assim como guerras, s√£o um importante fator de sele√ß√£o fazendo com que a popula√ß√£o humana n√£o realize todo seu potencial de multiplica√ß√£o. Seguindo esses primeiros passos de se abordar os surtos de doen√ßas evolutivamente, especialmente num livro sobre a evolu√ß√£o do corpo e do comportamento humano, alguns psic√≥logos evolucionistas contempor√Ęneos t√™m continuado essa linha durante a atual pandemia de COVID-19 causada pelo novo coronav√≠rus. Temas como as tend√™ncias evolu√≠das de se evitar cont√°gio por pat√≥genos, as respostas comportamentais e psicol√≥gicas a amea√ßas, coopera√ß√£o e cuidado em tempos de crise de sa√ļde, entre outros, est√£o sendo abordados te√≥rica e empiricamente no momento. Veja Seitz et al. (2020), Arnot et al., (2020), Dezecache et al. (2020), Troisi (2020), e Ackerman et al. (2020).

Um tema comum nessas novas publica√ß√Ķes √© o descompasso temporal evolutivo (evolutionary mismatch) entre o ambiente ancestral, para o qual boa parte das nossas tend√™ncias est√° adaptada, e o ambiente atual, que preserva cada vez menos semelhan√ßa com as condi√ß√Ķes ancestrais. Se o descompasso entre o ambiente de adapta√ß√£o evolutiva ancestral e o contexto moderno urbanizado, p√≥s-industrial e tecnol√≥gico pr√©-pandemia j√° era considerado pouco representativo do modo de vida ca√ßador coletor ancestral, levando a v√°rios problemas como o sedentarismo, obesidade, solid√£o e estresse cr√īnico, esse descompasso s√≥ aumentou durante a atual pandemia de COVID-19. A pandemia de COVID-19 est√° sendo referida como o grande descompasso evolutivo.

O conceito evolutivo do descompasso √© importante pois mostra que as adapta√ß√Ķes n√£o s√£o absolutas, mas sim relativas a um ambiente espec√≠fico. Quem conhece o tamanho do ambiente natural dos grandes felinos entende porque eles est√£o sempre andando para l√° e para c√° em seus recintos no zool√≥gico. Assim como os le√Ķes, os humanos tamb√©m v√£o tender a querer se comportar como se ainda estivessem em sua fam√≠lia estendida tribal rodeados de parentes e amigos, alta intera√ß√£o social di√°ria, alimenta√ß√£o comunal, deslocamento di√°rio e entretenimento em grupo ao redor da fogueira √† noite.

Ao longo dos anos fomos criando substitutos como a televis√£o, cinema, o telefone, internet, email, v√≠deo chamadas, realidade virtual, educa√ß√£o √† dist√Ęncia, esteira de corrida/caminhada, aplicativos de escolha de parceiros, pornografia, os document√°rios de natureza, etc. Mas, ainda assim, quanto mais perto do contexto original maior √© o apelo psicol√≥gico, como de reencontrar a fam√≠lia no restaurante ou os amigos na escola/universidade ou no bar √† noite, o futebol com os amigos no final de semana, a atividade f√≠sica na academia de gin√°stica, a socializa√ß√£o nos cultos religiosos, e as oportunidades de se encontrar novos parceiros sexuais nas boates e discotecas.

Porém, durante a pandemia essa resistência de se deixar a vida moderna mais virtual/online ainda, que é compreensível e prevista à luz dos descompassos evolutivos, está colocando a sociedade e a espécie inteira em perigo. São justamente a escola/universidade, o restaurante, o bar, a igreja, a academia, as boates e discotecas que estão sendo identificados como locais com eventos de super-espalhamento do novo coronavírus (suprespreading events) que poderiam ser evitados visto que os indivíduos oportunisticamente decidem se expor ao perigo.

Mais do que nunca teremos que utilizar e disseminar os vários substitutos virtuais  para manter os mínimos níveis de estimulação e atuação social, os quais ajudam a manter a sanidade corporal e mental (apesar de eles também levarem a alguns prejuízos). Então, nesse dia de Darwin é importante participar dos vários eventos online, e entender a problemática dos descompassos evolutivos para tentar ao máximo minimizar mortes evitáveis decorrente da irresponsabilidade epidemiológica de alguns poucos.

 

 

 

 

Feliz Darwin Day 2020 Brasil!!!

No dia 12 de fevereiro de 1809 nascia Charles R. Darwin. Aquele menino curioso, travesso, colecionador de besouros, e nada muito estudioso, virou um jovem explorador e ca√ßador de p√°ssaros. Mas o que ele fez depois de abandonar a faculdade de medicina o colocou no caminho para um futuro de muito impacto. Ao combinar geologia, com hist√≥ria natural e demografia, com observa√ß√Ķes cuidadosas, expedi√ß√£o ao redor do mundo, coletas de esp√©cimes e f√≥sseis, experimentos caseiros, muita leitura, reflex√£o, e troca de cartas com especialistas, Darwin, seus livros e descobertas, se tornaram o pilar da Biologia moderna, que por sua vez, ancora para as Ci√™ncias Humanas. Nesse Darwin Day de 2020, estamos comemorando os 211 anos de Darwin e os 161 anos do seu livro seminal “A Origem das Esp√©cies”. Trata-se da maior celebra√ß√£o mundial da Ci√™ncia e da Raz√£o inspirada na vida e obra de Darwin, continuando a tamb√©m merecida comemora√ß√£o de ontem do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia.

No MARCO EVOLUTIVO, celebramos anualmente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days em 2018 e at√© 2019.darwin day 2020 Me alegra muito ver o crescimento de celebra√ß√Ķes do Darwin Day no Brasil mesmo sendo num per√≠odo de f√©rias de ver√£o pr√©-carnaval. E como as abordagens se diversificaram, alguns celebram no dia 12 (UFU,¬†UFSC, MZ-USP), outros na semana inteira ou m√™s de fevereiro¬†(MZ-USP), outros em mar√ßo com o in√≠cio das aulas da gradua√ß√£o e p√≥s (Unesp Botucatu, FMVZ-USP). Tem muita programa√ß√£o imperd√≠vel. O importante √© aumentar o conhecimento, vislumbre e engajamento sobre o evolucionismo darwinista no Brasil. Afinal somos ainda a √ļnica esp√©cie do sistema solar que j√° descobriu a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural.

Darwin dia do orgulh ateuHoje tamb√©m √© celebrado o Dia do Orgulho Ateu no Brasil. Nada mais apropriado do que comemorar a liberdade das amarras da religi√£o no dia de nascimento do naturalista brit√Ęnico para quem apoiar a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural era como confessar um assassinato. Isso porque, com Darwin, as explica√ß√Ķes criacionistas n√£o s√£o mais necess√°rias para explicar a origem e diversifica√ß√£o dos seres vivos. Apesar de parecer que Darwin tornou de vez desnecess√°ria a cren√ßa religiosa, o que ele possibilitou, muito pelo contr√°rio, √© uma explica√ß√£o materialista evolutiva tanto para a origem e diversifica√ß√£o das esp√©cies e suas adapta√ß√Ķes corporais quanto suas adapta√ß√Ķes mentais. E assim, at√© a propens√£o para religiosidade e/ou seus subcomponentes afetivos-cognitivos tamb√©m podem ser explicadas evolutivamente. Os poss√≠veis valores adaptativos ancestrais da religiosidade podem ser desde refor√ßar o tribalismo, promover assimila√ß√£o cultural alheia, capa livro the biological evolution of religious mind and behaviormotivar expans√£o territorial e conflitos entre grupos, controlar a fidelidade, sexualidade e reprodu√ß√£o feminina, fomentar sexualidade mais conservadora, oferecer prop√≥sitos de vida al√©m dos de cuidado parental, ativar o efeito placebo de auto-cura, oferecer conforto e esperan√ßa frente ao medo da morte, entre outros. As pesquisas sobre esse tema est√£o florescendo nas √ļltimas d√©cadas, e assim que as evid√™ncias forem se acumulando saberemos quantos e quais desses valores adaptativos s√£o os mais embasados para explicar a evolu√ß√£o da propens√£o para desenvolver a capacidade da religiosidade/espiritualidade. Veja exemplos aqui e aqui¬†(livro da imagem).

Ent√£o, ao inv√©s dos religiosos ficarem chateados por Darwin ter explicado os seres vivos, incluindo a origem primata dos humanos, nos termos materialistas sem a interfer√™ncia de qualquer divindade mitol√≥gica, eles deveriam tamb√©m celebrar o Darwin Day, pois o evolucionismo pode explicar a exist√™ncia de sua pr√≥pria tend√™ncia a religiosidade/espiritualidade. Sabemos que n√£o √© manifesto na natureza a exist√™ncia de qualquer divindade criadora minimamente inteligente ou bondosa, visto a extin√ß√£o das esp√©cies, as crueldades que indiv√≠duos fazem uns com os outros, os √≥rg√£os vestigiais, os erros de design de v√°rios √≥rg√£os, suas disfun√ß√Ķes, as doen√ßas heredit√°rias, entre outras. Por√©m, a capacidade para se ter as experi√™ncias e tecer os racioc√≠nios religiosos tem sua realidade embasada na pr√≥pria evolu√ß√£o da mente humana. DARWIN-DAY-mobilizacao 2020√Č por isso que esses racioc√≠nios religiosos s√£o antigos, universais e experienciados subjetivamente como ver√≠dicos, intuitivos, profundos e poderosos, pois s√£o parte evolu√≠da de longa data da mente humana, e n√£o porque esse ou outro ser mitol√≥gico m√°gico local realmente exista invis√≠vel e antropomorficamente. Contra-intuitivamente, a pura f√© religiosa √© mais prova do alcance e poder da evolu√ß√£o biol√≥gica do que da exist√™ncia de qualquer suposta divindade. A evolu√ß√£o da f√© leva √† ‘f√©’ na evolu√ß√£o.

Muitas capacidade mentais foram recrutadas e reorganizadas para compor a religiosidade. Soeling & Voland (2002) elencaram as capacidades do misticismo, da √©tica, do racioc√≠nio mitol√≥gico, e da tend√™ncia para realizar rituais.paternicity taxonomy Dentro das capacidades para o misticismo, al√©m das tend√™ncias para a contempla√ß√£o transcendental, existem as tend√™ncias de pensamento essencialista, e de superativa√ß√£o da capacidade de identificar agentes intencionais (antropomorfiza√ß√£o). Veja tamb√©m van Leeuwen & van Elk (2019)¬†para um modelo mais recente. Na revis√£o da literatura sobre biopsicologia do antropomorfismo (Varella, 2018), mostrei como essa superativa√ß√£o da detec√ß√£o da intencionalidade √© profundamente enraizada e evolu√≠da da mente humana (junto com outros primatas pr√≥ximos). error management theory tableEla tem a fun√ß√£o protetora por nos fazer ver inten√ß√£o onde n√£o tem para n√£o deixarmos de ver onde tem, especialmente em contextos de vulnerabilidade. Foi melhor para nossos ancestrais pr√©-hist√≥ricos se assustar com o vento mexendo a moita do que n√£o se assustar quando o tigre-dente-de-sabre estava escondido na moita. Como no geral os religiosos tem mais medo da morte¬†do que os n√£o religiosos (mas a coisa √© mais complicada do que isso) faz sentido eles verem agente intencional onde existem apenas processos astron√īmicos, f√≠sico-qu√≠micos, e biopopulacionais transgeracionais.

Animal Tool Behavior bookSomado a isso, os humanos (junto com outros primatas pr√≥ximos) projetam e fazem ferramentas que nos ajudam na sobreviv√™ncia e reprodu√ß√£o h√° muito tempo pra essa capacidade mental de projetista/engenheiro tamb√©m fazer parte intr√≠nseca da mente humana. E isso tamb√©m explica o qu√£o intuitivo √© o falacioso ‘argumento do design’ usado por criacionistas e adeptos do, tamb√©m pseudocient√≠fico, design inteligente. Achar piamente que para se produzir algo funcional e complexo √© preciso sempre de um projetista inteligente, apesar de ‘fazer sentido’ intuitivamente, n√£o √© prova da plausibilidade da teologia natural, mas sim do car√°ter evolu√≠do da nossa capacidade cognitiva de imaginar, reconhecer e produzir ferramentas e outros artefatos.

Atualmente temos o desafio de promover e intensificar o ensino de evolução em várias faixas etárias entre os humanos. orangutan criationism Futurama.S06E09.HDTV_.XviD-FEVER-02.07.33Mas no futuro quando conseguirmos nos comunicar melhor com as outras espécies (e impedirmos sua extinção por degradação de habitat) teremos que também enfrentar o criacionismo dos gorilas e orangotangos, e o design inteligente dos corvos e macacos-prego. Não só porque isso está em parte devidamente profetizado na série Futurama (S06E09), mas porque esses e outros animais também tem as mesmas capacidades de entender propósitos e metas em outros, e de produzir ferramentas. Penso que uma boa maneira de lidar com isso é reafirmar a realidade do sentimento religiosos e a intuitividade profunda dos raciocínios intencionais e projetistas como produtos legítimos da evolução biológica.
Desejo um ótimo Darwin Day em 2020 para todas as tribos!

Feliz Darwin Day Brasil 2014!

Dia de Darwin 2014

Neste dia 12 de fevereiro, como em todos os anos, estamos celebrando mais um DIA de DARWIN 2014! Hoje Charles Darwin faz 205 anos de hist√≥ria e a lenta revolu√ß√£o desencadeada por ele continua se expandindo como nunca. A teoria evolucionista n√£o parou em Darwin, nem diz respeito apenas ao tamanho de pesco√ßos das girafas. A Evolu√ß√£o tem uma import√Ęncia, um potencial e abrang√™ncia que v√£o al√©m da Biologia.

Darwin_Day sunset

A Biologia Evolutiva hoje encontra aplica√ß√Ķes em todas as √°reas do saber, umas mais que outras. Sem os conhecimentos sobre evolu√ß√£o ainda estar√≠amos perdidos em in√ļmeras perguntas sobre o mundo e n√≥s mesmos: Viemos do macaco ou dos mam√≠feros? Estamos separados da natureza ou vamos nos separar no futuro? Sobreviv√™ncia do mais bonito ou reprodu√ß√£o do mais esperto? Somos parentes das plantas ou dos fungos? As girafas se adaptam por que foram selecionadas ou foram selecionadas por necessitam se adaptar? Se tr√™s tigres nunca nascem de um le√£o, s√≥ de tigresas, ent√£o da onde veio o primeiro par de tigres? √Č poss√≠vel domesticar uma planta selvagem ou precisamos de duas? Como √© poss√≠vel que o mesmo antibi√≥tico que mata bact√©rias acaba deixando-as mais resistentes? Por que temos mais medos de cobras do que eletricidade? Por que pessoas com toxoplasmose acabam sendo mais atra√≠das para situa√ß√Ķes perigosas? Somos bondosos por termos genes ego√≠stas ou por esperamos algo em troca? Quem ensinou os beb√™s cegos a sorrirem? Se a sobreviv√™ncia √© dos mais fortes e os homens t√™m mais for√ßa f√≠sica do que as mulheres, ent√£o por que eles morrem mais cedo? Por que n√≥s do nosso grupo somos sempre melhores do que eles? Se os animais do zool√≥gico t√™m tudo o que precisam: cuidado, prote√ß√£o e alimento, por que parecem t√£o desanimados? O que as ang√ļstias de Dom Casmurro e da Cinderela nos ensinam sobre a natureza humana? Teriam a l√≠ngua Portuguesa e o Romeno um ancestral comum? Se sempre precisamos atualizar o nosso anti-v√≠rus, por que o agricultor insiste em usar o mesmo pesticida de sempre?

darwin day a celebration of science

Hoje celebramos a vit√≥ria da curiosidade livre, do pensamento cr√≠tico e cient√≠fico e do bom senso humanista. No mundo todo s√£o in√ļmeros eventos programados para a ocasi√£o do Darwin Day. No Brasil, teremos no domingo que vem dia 16 a palestra gratuita ‚ÄúQuem acredita na Evolu√ß√£o‚ÄĚ no audit√≥rio da Livraria da Travessa. N√£o fique de fora dessa comemora√ß√£o global no Dia de Darwin 2014!

Darwin Day brasil 2014

Fique com esses v√≠deos musicais pirados e inspirados sobre Darwin, sua obra e a import√Ęncia da Evolu√ß√£o.

Evolucionismo de Grande Alcance

Darwin anteviu que num futuro distante sua teoria iria transbordar do c√≠rculo da biologia e atingir outras esferas como a √°rea de Humanidades. A cada dia estamos mais perto de concretizar essa revolu√ß√£o Darwinista e perceber que o evolucionismo, por ser um tema transversal integrador, permeia todos os assuntos. Um bom exemplo disso √© o surgimento de uma revista online evolutivamente relevante chamada “Evolution:This View of Life Magazine”. Com o nome inspirado nas palavras de Darwin em que ao comentar sobre evolucionismo disse que h√° uma grandeza nessa vis√£o da vida.

Criada em outubro de 2011, a revista online gera e agrega conte√ļdo evolucionista relacionado √†s seguintes √°reas: Biologia, Palentologia, Cultura, Sa√ļde, Artes, Tecnologia, Religi√£o, Pol√≠tica, Mente, Economia e Educa√ß√£o. Mesmo com menos de um ano de exist√™ncia essa revista j√° √© um marco evolutivo na divulga√ß√£o do evolucionismo em todo seu alcance interdisciplinar. V√°rias entrevistas foram filmadas via internet com pesquisadores de cada uma dessas √°rea acima. A revista √© fruto de uma parceria do The Evolution Institute com o Cons√≥rcio EvoS, com financiamento da National Scince Fundation.

Por tr√°s da “Evolution:This View of Life Magazine” est√° David Sloan Wilson, professor de Biologia e Antropologia na Universidade de Binghamton no EUA. Ele tem se esfor√ßado para expandir a influ√™ncia da evolu√ß√£o em diversas √°reas, como no ensino superior com o EvoS, nas pol√≠ticas p√ļblicas com The Evolution Institute, nas cidades com o The Binghamton Neighborhood Project e na religi√£o com o Evolutionary Religious Institute. √Č claro que como ele √© fiel ao grupo dos selecionistas de grupo acaba usando a revista para se promover e promover sua √°rea. Atualmente ela √© o palco para discuss√Ķes acad√™micas sobre o novo livro do Edward Wilson e a relev√Ęncia da sele√ß√£o de grupo. Felizmente cada uma das 11 √°reas acima tem seu editor pr√≥prio o que garante uma certa pluralidade para¬†a revista.

O surgimento da revista é mais inspirador. Um aluno da pós-graduação o EvoS na Universidade de Binghamton, chamado Robert Kadar, inspirado e motivado pelas leituras do Conciliência do Edward O. Wilson e do Evolution for Everyone do David S. Wilson vislumbrou a idéia dessa revista para catalizar a conciliência entre todas as áreas do conhecimento por meio do evolucionismo para todos.

Assim como a Evolution:This View of Life Magazine surgiu, uma nova geração de estudantes, vários biólogos, psicólogos e outros estão começando blogs de ciência engrossando o caldo da divulgação científica e evolucionista brasileira. Temos muito o que fazer num país com maioria religiosa e de pouca instrução. Ajude você também a promover a conciliação das áreas do saber.

Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante

Era impossível ficar ao lado de nosso querido César Ades, que nasceu no Cairo, Egito, e não ser levado por seu entusiasmo contagiante. Conheci o César em 2003 no XX Enconto anual de Etologia (EAE) em Natal, em meu terceiro ano de graduação eu ainda não havia encontrado minha área de pesquisa. Lá depois de uma brilhante palestra sobre todos os EAEs anteriores eu estava mais do que cativado pela Etologia, principalmente voltada para os humanos. Ele autografou meu livro de resumo e me desejou um futuro brilhante.

Em meu √ļltimo ano de gradua√ß√£o fiz um trabalho sobre a consci√™ncia animal e se n√£o fosse um texto do C√©sar ter me tocado e me motivado n√£o teria tirado da nota m√°xima.

Em 2004, ao final de meu bacharelado na Unesp de Bauru com Sandro Caramaschi, ex-aluno do Prof. César, fui conversar com ele para estudar possibilidade de um mestrado. Eu estava super nervoso, mas ele me deixou bem a vontade e no decorrer da conversa percebemos que estávamos em sentidos contrários: ele era um psicólogo mais voltado para o comportamento dos outros animais e eu um biólogo interessado no ser humano. Então, ele me indicou a Profa Vera Bussab que acabou sendo minha orientadora de mestrado e de doutorado no Bloco F do IP-USP, inaugurado pelo César enquanto diretor do Instituto anos antes.

Sua disciplina de p√≥s sobre Comunica√ß√£o Animal me forneceu bases s√≥lidas para um estudo comparativo da musicalidade humana. Cada aula com ele era uma maravilha, ambiente descontra√≠do, informa√ß√Ķes precisas e conex√Ķes muito bem elaboradas.

Fora as belas homenagens oficiais a ele realizadas pelo Instituto de Psicologia da USP, muitas palavras relevantes e tocantes foram colocadas aqui na nossa Série Especial do ScienceBlogs Brasil em homenagem ao César, o Grande ao meu ver.

Eu (depois de ficar uma semana e meia fora do ar devido a uma fratura e cirurgia no braço dois dias após seu falecimento) gostaria de acrescentar algo que julgo muito louvável sobre ele. César Ades era tão entusiasmado e curioso por conhecimento que ele não conseguia se conter em apenas dar aulas, fazer pesquisas, publicar, orientar, ter cargos administrativos, organizar eventos, ele também fazia e valorizava a divulgação científica.

Ao ser esse acad√™mico generalista digno de um Da Vinci moderno, a divulga√ß√£o cient√≠fica n√£o poderia passar em branco. Ele deu diversas entrevistas tais como a brilhante ‚ÄėPsicologia e Biologia ‚Äď Entrevista com C√©sar Ades‚Äô, e a ‚ÄėEntrevista: C√©sar Ades estuda a evolu√ß√£o do comportamento animal‚Äô. Escreveu e deu v√°rias contribui√ß√Ķes para a Ci√™ncia Hoje Crian√ßa como explicando a import√Ęncia da limpeza nos animais em ‚ÄėT√° limpo!‚Äô. Ele deu v√°rias palestras e tamb√©m participou de v√°rias comemora√ß√Ķes do Dia de Darwin. Esse ano, C√©sar compareceu ao Catavento Cultural para participar de um talk show com o Prof N√©lio Bizzo. Como sempre tudo bem descontra√≠do e informativo. Ele sempre frisava na import√Ęncia de Darwin enquanto o primeiro psic√≥logo evolucionista. Sua import√Ęncia como divulgador √© crucial e assim como todas suas outras caracter√≠sticas ir√° continuar inspirando gera√ß√Ķes de pesquisadores e admiradores.

Uma de suas mais atuais metas era a de reunir etólogos eminentes da América Latina para um simpósio debatendo origens, desafios e perspectivas futuras da área, de modo a gerar um livro em conjunto sobre as experiências em cada país e a semente de uma aliança Latino-Americana de Etologia. Reuniremos esforços para realizar essa grande ideia junto a alunos e profs.

Um dos mais tocantes comentários sobre o César pra mim foi o do Prof. Fernando Ribeiro quando queria destacar uma virtude dele.

“Quem o v√™ hoje, e encanta-se com seu entusiasmo, conhece o mesmo C√©sar Ades de 40 anos atr√°s. E foi esse entusiasmo que escolhi, a fim de destacar uma de suas virtudes, ao cumpriment√°-lo, na ocasi√£o de sua indica√ß√£o para o Instituto de Estudos Avan√ßados, quando disse a ele: Fui percorrendo suas marcas, a intelig√™ncia, a erudi√ß√£o, o car√°ter… mas como me impus uma escolha, fiquei com o entusiasmo, sem o qual a intelig√™ncia n√£o se acende, a erudi√ß√£o n√£o se atinge, o car√°ter n√£o se transmite. Sim, porque C√©sar Ades √©, e sempre foi, um professor. Sua extrovers√£o e a expressividade com que se comunica constituem sua face vis√≠vel”

Fique agora com os dois vídeos de uma entrevista de César Ades concedida ao programa Trajetória da TV USP em 2011 e com o vídeo mais recente do César Ades no Dia de Darwin. Assim um pouco dele e seu entusiasmo sempre viverá em nós de modo a podermos contagiar toda uma outra geração com suas idéias e atitudes.

Dia de Darwin 2012

MARCO EVOLUTIVO no Facebook

O MARCO EVOLUTIVO está de cara nova! Finalmente o processo delicado de mudança de plataforma está em grande parte concluído. Essa mudança para o wordpress está dando um up na nossa home page do ScienceBlogs Brasil e em todos os blogs. Por aqui tivemos alguns contratempos técnicos, como figuras desconfiguradas, mas agora está quase tudo resolvido.

Pela primeira vez temos uma figura de fundo com o cérebro humano moldado pela Evolução e a árvore do conhecimento interdisciplinar unificada pela Evolução com o formato da primeira árvore da vida desenhada por Darwin em seu caderninho vermelho. Ambos representando aquilo que estamos mais precisando exercitar na nossa espécie. Temos agora outras novidades também como uma nova foto na estátua de Darwin no Museu de História Natural da Londres, nuvem de palavras chaves ou tags, a licença de reprodução da Creative Commons, selo da Fundação para o Pensamento Crítico, uma caixa de compartilhamento no Facebook, Twitter e Google + na lateral de cada post, bem como posts relacionados ao final de cada texto e ainda uma like box do Facebook na barra lateral.

Acabei de criar a página do MARCO EVOLUTIVO no Facebook, para o leitores e aqueles que gostam do blog curtirem e terem mais um canal de interação e divulgação de textos e vídeos. Muito mais ainda está por vir, como o novo logo do blog, lista de links e vídeos interessantes na barra lateral. Espero chegarmos aos 4 anos de MARCO EVOLUTIVO esse ano com uma estrutura ainda mais moderna e interessante e com muito mais posts e leitores.

Minha Defesa de Doutorado

 

Sei que muitos leitores est√£o aflitos com a falta de post dos √ļltimos s√©culos aqui no MARCO EVOLUTIVO. Pois √© logo isso vai mudar. Porque um evento √ļnico e evolutivo est√° por vir: minha defesa de doutorado.
Para aqueles que não sabem, depois de 4 anos (em média) de estudo da graduação ao se formar em uma universidade alguns percebem que gostam de fazer pesquisa, então fazem o mestrado que dura 2 anos (em média). Daí, alguns poucos decidem continuar a fazer ciência e entram no doutorado.
Muitos pensam que qualquer pol√≠tico ou algu√©m apenas formado em direito ou medicina √© doutor!! N√£o, doutor √© quem recebe o diploma de doutorado ap√≥s cumprir cr√©ditos assistindo aulas de p√≥s e pesquisar 4 anos (em m√©dia) algo in√©dito, qualificar para defender e defender¬†a tese. Tudo isso matriculado em um programa de p√≥s-gradua√ß√£o reconhecido pelo MEC. √Č como se fosse fazer uma nova gradua√ß√£o num tema s√≥. Imagine um trabalho de final de
 semestre que demore 8 vezes mais para ser feito e escrito, essa é a tese.
Assim como o uso popular do termo Teoria é diferente do uso científico, o termo tese não se refere a um palpite ou opinião, mas sim ao mais profundo trabalho de investigação científica, seja no aspecto teórico quanto metodológico. Claro que no final tem-se um texto do tamanho de um livro.
Meu doutorado, assim como o mestrado, foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental da USP. Devo muito à minha orientadora, Vera Bussab, a mesma no mestrado e no doutorado, por todos esses anos juntos, ela sabe. Aprendi muito com ela.

Minha tese é intitulada
“Evolu√ß√£o da Musicalidade Humana: Sele√ß√£o Sexual e Coes√£o de Grupo”.

 

Nela abordo e testo algumas explica√ß√Ķes adaptativas para a exist√™ncia das propens√Ķes musicais e art√≠sticas em nossa esp√©cie.
A defesa √© um momento p√ļblico em que o doutorando apresenta em meia hora o resumo da tese e uma banca de 5 doutores, dois internos aos programa da p√≥s, 2 externos ao programa e o orientador fazem sua argui√ß√£o, que inclui cr√≠ticas, elogios, corre√ß√Ķes, coment√°rios, coloca√ß√Ķes e sugest√Ķes futuras.
Se você se interessa pelo tema venha assistir minha defesa dia 25/08, na próxima quinta feira, às 14 horas na sala 36 do bloco F no Instituto de Psicologia da USP da São Paulo, Cidade Universitária.

A Beleza da Competição Feminina РPalestra com Maryanne Fisher

Depois de minha volta atribulada e ocupada ao Brasil voltamos √† nossa s√©rie de palestras internacionais sobre Biologia Evolutiva e Psicologia Evolucionista. Lembrando que a id√©ia dessa s√©rie √© a de complementar nossa forma√ß√£o no Brasil aumentando nossa exposi√ß√£o a id√©ias e pesquisadores internacionais sem precisar viajar. Depois de um ano no Canad√° percebi a import√Ęncia de estarmos bem mais integrados ao que europeus e norte americanos professores e alunos est√£o fazendo e sendo expostos a.

A palestra de hoje foi dada por Maryanne Fisher – professora do Departamento de Psicologia na Saint Mary’s University em Halifax, Canad√° – no final de fevereiro desse ano no ciclo de semin√°rio do Programa de Estudos Evolucionistas EvoS da Binghamton University, no ar desde 2007. Canadense, bem humorada e sag√°z Maryanne Fisher fala sobre como as mulheres competem por parceiros amorosos, que foi tema de sua tese de doutorado. Ela mostra resultados de seus estudos usando fotos do rosto de estudantes testando e dissecando as estrat√©gias de competi√ß√£o que mulheres mais adotam na busca por parceiros amorosos. Basicamente, ao contr√°rio dos homens que facilmente partem para pancadaria, as mulheres competem de forma indireta, mas n√£o menos efetiva.

 

O foco para elas n√£o √© tanto for√ßa bruta, intelig√™ncia ou riqueza, mas sim atratividade. Isso por que cada sexo compete exibindo as caracter√≠sticas valorizadas pelo sexo oposto. Ent√£o como homens valorizam mais atratividade e juventude nas mulheres do que elas nos homens, elas ir√£o competir na arena da atratividade. Da√≠ a import√Ęncia que elas d√£o aos tratamentos e produtos de beleza. Elas no geral usam duas estrat√©gicas b√°sicas: elas tanto agem e fazem acreditar que s√£o mais atraentes do que suas rivais, real√ßando a pr√≥pria apar√™ncia, quanto fazem acreditar que suas rivais s√£o menos atrativas do que elas real√ßando os defeitos alheios.
Trata-se de uma palestra de uma hora de dura√ß√£o, muito interessante, bem detalhada e bem apresentada. Inclusive Maryanne Fisher tem um blog de divulga√ß√£o cient√≠fica, o Love’s Evolver no Psyhcology Today. Nele ela aborda v√°rios assuntos relacionados ao amor, evolu√ß√£o e psicologia. L√° voc√™s encontrar√£o muitos posts interessantes e picantes, entre eles o post justamente sobre o como as mulheres competem por homens. Um assunto muito negligenciado visto que o aspecto direto da competi√ß√£o masculina atrai muito mais aten√ß√£o cient√≠fica do que o aspecto indireto da competi√ß√£o feminina. O fato √© que ambos os sexos competem por parceiros e ambos escolhem parceiros uns mais do que outros e de maneiras diferentes. Espero que aproveitem a palestra.

Maryanne Fisher – How Women Compete For Mates from EvoS on Vimeo.