2009 РSua cabeça estará em Darwin ou nas estrelas?

Apesar do recente ecl√≠pce total da lua ter deixado muitos com a cabe√ßa nas estrelas (inclusive eu), o MARCO EVOLUTIVO est√° engajado a fazer com que as pessoas fiquem com a cabe√ßa em Darwin. Fico feliz que um texto deste site intitulado 2009 o “ANO DA BIOLOGIA” atraiu a aten√ß√£o do Administrador da Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia. Ele veio nos dar uma informa√ß√£o e trouxe duas boas not√≠cias e outra desanimadora.

As boas s√£o que a Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia (ABFHiB) encaminhou a proposta do “Ano Internacional da Biologia” a dois organismos internacionais, a International Union of Biological Sciences e a International Union of History and Philosophy of Science, que j√° aprovaram a iniciativa. Agora o movimento ganha for√ßa internacional. For√ßa que s√≥ cresce se inclu√≠rmos os eventos e festividades internacionais programadas para 2009, como o DARWIN 200 e o Darwin 2009, eventos dos quais ainda vamos falar muito.
No entanto, a m√° not√≠cia √© aquela que Darwin n√£o gostaria muito de ler: quando a proposta foi encaminhada para a UNESCO, a resposta recebida foi que 2009 j√° havia sido declarado o “Ano Internacional da Astronomia”. Ou seja, toda a velocidade de guepardo dos bi√≥logos para encaminhar a proposta n√£o foi p√°rio para a velocidade da luz dos astr√īnomos. Segundo a UNESCO, o ano de 2009 celebrar√° a Astronomia e suas contribui√ß√Ķes para a sociedade e a cultura globais. Destacar√° os m√©ritos da ci√™ncia e seus m√©todos. As Na√ß√Ķes Unidas elegeram 2009 o Ano Internacional da Astronomia (IYA 2009), e designou a UNESCO a ag√™ncia l√≠der nas comemora√ß√Ķes.

Completamente louv√°vel, pois √© sempre bem vinda comemora√ß√Ķes que destacam os m√©ritos e m√©todos da ci√™ncia. Ainda mais da Astronomia uma das m√£es das ci√™ncias. Assim, muitos finalmente entender√£o de uma vez por todas que Astronomia n√£o √© astrologia! Por√©m, a pr√≥pria UNESCO n√£o justificou a escolha. Ao passo que para o “Ano Internacional da Biologia” temos justificativas mais do que solenes, temos os 200 anos de Darwin, os 150 anos do “Origens das Esp√©cies”, os 200 anos do “Filosofia Zool√≥gica” de Lamarck e os 180 anos de falecimento de Lamarck.
E pensar que tem f√≠sico aplicando a Sele√ß√£o Natural ao Universo inteiro. Em que os buracos negros, sugando mat√©ria, seriam como gametas c√≥smicos se preparando para um Big-Bang pr√≥ximo. Como o nosso universo surgiu por um Big-Bang, o f√≠sico Lee Smolin, prop√īs que os Universos com mais chances de existir na competi√ß√£o com outros Universos no imensur√°vel Multiuniverso seriam aqueles com mais buracos negros. Pois deixariam mais descendentes com essas caracteristicas: maior n√ļmero de buracos negros. Espero que alguns astr√īnomos e f√≠sicos, seres com uma excelente no√ß√£o para medidas exorbitantemente gigantescas, reconhe√ßam a imensid√£o abrangida pelas id√©ias de Darwin.

 

Darwin, mesmo abatido, vai ter todas as comemora√ß√Ķes que lhe cabem. Tanto a Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia (ABFHiB) quanto outras institui√ß√Ķes v√£o organizar eventos relativos a Darwin e ao Origens das Esp√©cies. √Č o caso da S√£o Paulo Research Conference que j√° est√° com data marcada. Em agosto, nos dias 20, 21 e 22 de 2009 realizar√° o evento: Darwin e “A origem das Esp√©cies”, 150 anos depois. Mas ao contr√°rio da Teoria de Evolu√ß√£o, que centraliza tudo dando sentido na Biologia, nas comemora√ß√Ķes de 2009 n√£o exist√° uma centraliza√ß√£o de tudo, “como deveria haver” – ressalta o Administrador da ABFHiB.
Ent√£o, o “Ano Internacional da Biologia” conta, por enquanto, com o apoio da International Union of Biological Sciences e da International Union of History and Philosophy of Science, mas n√£o da UNESCO nem da Na√ß√Ķes Unidas. Que definitivamente n√£o tem a cabe√ßa em Darwin mas sim nas estrelas.

Dica de Livro РA Tripla Hélice

Nascido em 1929, geneticista renomado de Harvard e aluno do memor√°vel T. Dobzhansky, Richard Lewontin p√Ķe em xeque vis√Ķes simplistas sobre gen√©tica e evolu√ß√£o, ataca o determinismo gen√©tico e ressalta a complexidade dos processos biol√≥gicos advindos das inter-rela√ß√Ķes entre gene, organismo e ambiente. A Tripla H√©lice √© um livro curto e direto, composto de quatro cap√≠tulos, fruto de confer√™ncias que deu em Mil√£o e acrescido do √ļltimo cap√≠tulo. Escrito em linguagem simples e envolvente e oferecendo racioc√≠nios complexos seu livro permite uma leitura interessante e proveitosa para todos da √°rea biol√≥gica atentos aos modos como sua ci√™ncia vem sendo feita, patrocinada, ensinada e divulgada.

No primeiro cap√≠tulo, Gene e Organismo, Lewontin faz uma profunda an√°lise das inter-rela√ß√Ķes entre gene e organismo na forma√ß√£o do fen√≥tipo durante o desenvolvimento e condena a separa√ß√£o entre ambos. Ele ressalta os perigos das met√°foras na ci√™ncia, esclarece mal-entendidos mais comuns sobre DNA, gene e genoma e relativiza a import√Ęncia do seq√ľenciamento do genoma humano dizendo que os genes s√£o apenas uma parte, n√£o isolada do ambiente, do desenvolvimento do organismo.

Para Lewontin, a linguagem metaf√≥rica √© indispens√°vel √† ci√™ncia, por√©m √© muito perigosa j√° que √© comum confundirmos a met√°fora com o objeto de pesquisa. Por isso, endossa a frase de que ‚Äúo pre√ßo da met√°fora √© a eterna vigil√Ęncia‚ÄĚ-. O foco de sua vigil√Ęncia desse cap√≠tulo √© desconstruir a no√ß√£o pretensiosa de que √© poss√≠vel prever o organismo atrav√©s da seq√ľ√™ncia do DNA, de que o genoma humano seq√ľenciado √© saber ‚Äúo que √©‚ÄĚ ser humano, de que o DNA √© ‚Äúauto-replicante‚ÄĚ num sentido de auto-sufici√™ncia, de que o DNA sozinho ‚Äúproduz‚ÄĚ novas prote√≠nas e que em isolado a seq√ľ√™ncia do DNA √© o ‚Äúsanto graal‚ÄĚ da Biologia.

Na busca das ra√≠zes dessas concep√ß√Ķes err√īneas, Lewontin chega √† filosofia da ci√™ncia, √† etimologia e √† metodologia em gen√©tica humana. Em Descartes ele identifica nossa tend√™ncia em dar mais valor epistemol√≥gico ao objeto do que em suas inter-rela√ß√Ķes internas e externas. No debate pr√©-moderno sobre a gera√ß√£o org√Ęnica, em que pr√©-formacionistas e epigenistas buscavam explicar o desenvolvimento, ele identifica resqu√≠cios de pr√©-formacionismo na supervaloriza√ß√£o do gene como a ‚Äúcausa‚ÄĚ do organismo. At√© a origem da palavra desenvolvimento tem marcas pr√©-formacionistas, pois sua raiz √© a mesma para o processo de revela√ß√£o fotogr√°fica. Nesse sentido, o filme fotogr√°fico j√° cont√©m todos os elementos da foto e a seq√ľ√™ncia gen√©tica j√° cont√©m todas as ‚Äúinforma√ß√Ķes‚ÄĚ do organismo. Assim como no processo de revela√ß√£o, os banhos qu√≠micos d√£o as condi√ß√Ķes necess√°rias para o aparecimento da foto, o ambiente √© visto apenas como dando as condi√ß√Ķes necess√°rias, normais, para o aparecimento do organismo durante o processo de desenvolvimento ontogen√©tico.
As metodologias cient√≠ficas dispon√≠veis tamb√©m influenciam as concep√ß√Ķes err√īneas envolvendo genes e desenvolvimento. A gen√©tica humana usa muito as muta√ß√Ķes dr√°sticas como m√©todo de investiga√ß√£o da import√Ęncia de um gene no desenvolvimento. Mas apenas a minoria das muta√ß√Ķes √© do tipo dr√°stico e o efeito mutado √© facilmente tido como ‚Äúcausado‚ÄĚ apenas pelo gene mutado. A Biologia Experimental √© limitada em manipular uma causa por meio de grandes muta√ß√Ķes, o que faz com que os bi√≥logos experimentais confundam as limita√ß√Ķes metodol√≥gicas dos experimentos com as explica√ß√Ķes corretas dos fen√īmenos. E isso leva ao pensamento de que toda a diferen√ßa individual est√° nos genes.

Na verdade o desenvolvimento ontogen√©tico √© uma intera√ß√£o singular entre genes, a seq√ľ√™ncia temporal dos ambientes externos e eventos aleat√≥rios, que √© o ru√≠do do desenvolvimento. Essa intera√ß√£o singular entre gene e ambiente √© tal que o ordenamento dos fen√≥tipos n√£o apresenta nenhuma correspond√™ncia com nenhum ordenamento a priori dos gen√≥tipos e dos ambientes em separado. E essa n√£o correspond√™ncia ainda √© complexificada pelo ru√≠do do desenvolvimento.
No segundo cap√≠tulo, Organismo e Ambiente, Lewontin analisa o pensamento adaptacionista, sua origens hist√≥ricas e ressalta as inter-rela√ß√Ķes entre organismo e ambiente condenando a separa√ß√£o entre ambos e descontruindo o papel passivo do organismo frente ao ambiente. Darwin, ao inaugurar o pensamento evolucionista por meio a sele√ß√£o natural, fez uma separa√ß√£o entre processos internos e externos. A varia√ß√£o individual √© fruto de processos internos independentes e a sele√ß√£o √© fruto de processos externos independentes. Essa distin√ß√£o foi importante, pois desmistificou o holismo obscurantista entre org√Ęnico e inorg√Ęnico existente na √©poca, mas n√£o nos ajuda mais agora.
Os ecos dessa concep√ß√£o inicial s√£o encontrados em met√°foras para a adapta√ß√£o como a que o organismo prop√Ķe e o ambiente disp√Ķe, que o organismo faz conjecturas e o ambiente as refuta, ou ainda a que o ambiente lan√ßa problemas e os organismos lan√ßam solu√ß√Ķes aleat√≥rias. A id√©ia err√īnea subjacente a essas concep√ß√Ķes √© que o ambiente de um organismo √© casualmente independente dele e que as altera√ß√Ķes ambientais s√£o aut√īnomas e desconectadas com as altera√ß√Ķes na pr√≥pria esp√©cie. Para Lewontin o processo evolutivo real √© mais captado pelo processo de constru√ß√£o, o que torna mais ativa a participa√ß√£o do organismo nas suas press√Ķes seletivas.

Segundo Lewontin, n√£o existe organismo sem ambiente assim como n√£o existe ambiente sem organismo. H√° uma confus√£o cl√°ssica entre o fato da exist√™ncia do mundo f√≠sico externo ao organismo que continuaria a existir na sua aus√™ncia e a afirma√ß√£o de que os ambientes existem sem e independente dos organismos. Os ambientes n√£o s√£o simples condi√ß√Ķes f√≠sicas, s√£o os espa√ßos funcionais definidos pelas atividades dos pr√≥prios organismos. Os organismos determinam os aspectos do mundo exterior que s√£o relevantes para eles e constroem ativamente um mundo a sua volta, promovendo um processo constante de altera√ß√£o ambiental na medida em que as condi√ß√Ķes relevantes se tornam parte de seu ambiente.
No terceiro cap√≠tulo, Partes e Todos, Causas e Efeitos, Lewontin aponta as dificuldades da aplica√ß√£o das explica√ß√Ķes anal√≠tico-mecanicistas aos seres vivos, ressalta as singularidades e complexidades dos processos biol√≥gicos e integra as inter-rela√ß√Ķes de gene e ambiente com as de organismo e ambiente. O √™xito oportunista do modelo anal√≠tico de Descartes levou a uma concep√ß√£o simplista das rela√ß√Ķes entre partes e todos e entre causas e efeitos. E quando √© aplicado ao estudo dos organismos o modelo ‚Äúm√°quina‚ÄĚ apresenta dificuldades advindas da incompatibilidade entre sua simplifica√ß√£o e as caracter√≠sticas singulares dos seres vivos.
Os seres vivos possuem tamanho intermedi√°rio entre o micro-cosmo e o macro- cosmo, s√£o internamente heterog√™neos de maneiras relevantes para suas fun√ß√Ķes vitais e entram em rela√ß√Ķes causais complexas com outros sistemas heterog√™neos. Dadas essas caracter√≠sticas a separa√ß√£o entre causa e efeito se torna problem√°tica, pois o organismo √© um nexo de um grande n√ļmero de for√ßas internas e externas fracamente determinantes, sendo nenhuma dominante, e n√£o h√° um √ļnico e √≥bvio modo de dividir um organismo em ‚Äú√≥rg√£os‚ÄĚ apropriados para a an√°lise causal de fun√ß√Ķes diferentes. Al√©m disso, os processos org√Ęnicos apresentam uma conting√™ncia hist√≥rica que impede explica√ß√Ķes e generaliza√ß√Ķes universalistas.
As rela√ß√Ķes rec√≠procas entre Gene, Organismo e Ambiente, os elementos da Tripla H√©lice, s√£o ressaltadas. Os organismos n√£o est√£o codificados nos seus genes porque o ambiente em que o desenvolvimento ocorre tem que ser considerado. E o ambiente est√° codificado nos genes do organismo uma vez que as atividades do organismo √© que constr√≥i o ambiente. Ent√£o gene e ambiente causam o organismo via desenvolvimento, genes e organismos causam o ambiente via ecologia e organismo e ambiente co-evoluem causando as press√Ķes seletivas sobre os genes.
No capitulo final, Dire√ß√Ķes no Estudo da Biologia, Lewontin menospreza as alternativas ao reducionismo vindas da f√≠sica, ressalta as caracter√≠sticas √ļnicas dos sistemas vivos e fecha com um otimismo para futuras pesquisas e descobertas na Biologia. Frequentemente cientistas de diversas √°reas n√£o biol√≥gicas reconhecem que o modelo ‚Äúm√°quina‚ÄĚ fracassou para explicar a vida. O problema √© que eles assumem que uma solu√ß√£o melhor deve vir de fora como da f√≠sica, sem perceberem que o modelo falha justamente por n√£o compreender os seres vivos em seus pr√≥prios termos. As tentativas nesse sentido mais famosas s√£o a da aplica√ß√£o da teoria da cat√°strofe, da teoria do caos, e da complexidade aos organismos vivos.
Os sistemas biol√≥gicos s√£o sistemas abertos internamente heterog√™neos e hist√≥ricos. De sua caracter√≠stica aberta adv√©m a flexibilidade universal dos limites entre o interior e o exterior. E de sua heterogeneidade interna adv√©m que a forma √© requisito para entender as fun√ß√Ķes e da√≠ o perigo de fazer extrapola√ß√Ķes de exemplos convenientes para toda a Biologia, como no caso das muta√ß√Ķes dr√°sticas como modelo para compreender ‚Äúo papel‚ÄĚ dos genes.
Nos cap√≠tulos anteriores Lewontin vigilantemente ressaltou e ilustrou aspectos que para ele s√£o bem conhecidos, em algum n√≠vel da consci√™ncia, por todos os bi√≥logos. A Biologia n√£o precisa de novas leis e novos princ√≠pios explicativos, mas necessita de uma compreens√£o menos simplista e mais integrativa de seus processos segundo suas pr√≥prias caracter√≠sticas singulares. Apresentar e desconstruir os vi√©ses e as simplifica√ß√Ķes das concep√ß√Ķes sobre gene, organismo e ambiente e incorporar os novos conceitos √†s metodologias de pesquisa foram as maneira encontradas por Lewontin para que novos conhecimentos sejam incorporados √† estrutura das explica√ß√Ķes biol√≥gicas.
‚ÄúA Tripla H√©lice ‚Äď Gene, Organismo e Ambiente‚ÄĚ Richard Lewontin. S√£o Paulo: Companhia das Letras, 2002.

1,99 centenas para Darwin no Dia de Darwin

O valor de 1,99 está relacionado a ítens de baixa qualidade ou a propaganda que ilude o consumidor. Mas nesta terça feira dia 12 de Fevereiro o valor não estará associado nem baixa qualidade muito menos a propaganda enganosa. Muito pelo contrário, ele receberá sua atribuição mais honrosa: a de 1,99 centenas de anos para Charles Darwin.

Darwin nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1809 e este ano ele faz 199 anos. Não é uma data para se passar em branco. No mundo todo o dia 12/02 é celebrado como o DARWIN DAY a Global Celebration of Science and Humanity.

A Darwin Day Celebration se embasa na premissa de que a ci√™ncia, assim como a m√ļsica, √© uma linguagem internacional que fala a todas as pessoas de um modo similar. E que Charles Darwin √© um s√≠mbolo t√£o importante do pensamento moderno a ponto de merecer nosso foco na elabora√ß√£o de uma Celebra√ß√£o Global da Ci√™ncia e da Humanidade que promova uma liga√ß√£o comum entre todas as pessoas da Terra.

Desde 1995, quando foi realizado o primeiro evento ‚Äúoficial‚ÄĚ na Stanford University (EUA)por iniciativa de Robert Stephens, institui√ß√Ķes ou grupos de cientistas espalhados pelo mundo celebram o Dia de Darwin, um tributo √† obra cient√≠fica do naturalista ingl√™s e, mais amplamente, uma forma de promo√ß√£o da educa√ß√£o em ci√™ncia. Antes disso outros eventos j√° celebravam a data, como o ‚ÄúDarwin Festival‚ÄĚ,da Salem State College, de Massachusetts, que acontece desde os anos 80. E em 2008 tamb√©m ocorrer√° outro Darwin Festival em Shrewsbury.

Hoje a organiza√ß√£o Darwin Day Celebration, conta com milhares de associados e incentiva, organiza e auxilia eventos p√ļblicos de divulga√ß√£o da ci√™ncia em cerca de 13 pa√≠ses. As comemora√ß√Ķes s√£o realizadas sempre por volta do dia 12 de fevereiro. Os v√°rios eventos programados para 2008 no mundo j√° est√£o dispon√≠veis no DarwinDay.org.

Além disso, Darwin que quase foi expulso do HMS Beagle pelo comandante Fritz Roy quando criticou a escravidão no Brasil nasceu no mesmo dia e ano de Abraham Lincoln, o homem que emancipou os escravos norte-americanos. Juntos Darwin e Lincoln deixaram legados respeitáveis dignos de uma Celebração Global da Ciência e da Humanidade.

No Brasil a primeira celebração do Dia de Darwin foi realizada em 2005 no Rio de Janeiro. Uma das cidades visitadas por Charles Darwin em vida durante a viagem do HMS Beagle e agora em morte com a Exposição DARWIN: Descubra o Homem e a Teoria que Revolucionou o Mundo, de 23 de janeiro a 13 de abril no Museu Histórico Nacional.

A escolha do Rio para a primeira celebração nacional do Dia de Darwin foi bastante apropriada, por conta da polêmica gerada pela adoção, nas escolas estaduais, do ensino do criacionismo. Aliás, a celebração do Dia de Darwin não é só uma afirmação da educação de ciência e da teoria evolutiva, mas também uma manifestação contra o movimento criacionista.

Nesse 2008, no Rio de Janeiro, a Livraria da Travessa do 2¬ļ piso do shopping Leblon abrigar√°, pelo quarto ano consecutivo, a celebra√ß√£o do Dia de Darwin. No dia 14, quinta feira √†s 20h ocorrer√° um ciclo de palestras: Darwin e a viagem do Beagle com Prof. Nelio Marco Vicenzo Bizzo.

As palestras deste ciclo pretendem situar a vida e a obra de Charles Darwin e a sua influ√™ncia n√£o s√≥ sobre a biologia como tamb√©m em outras √°reas do conhecimento e na vis√£o de mundo contempor√Ęnea. O Dr. Nelio Marco Vicenzo Bizzo, professor titular da USP, apresentar√° sua vis√£o original sobre a import√Ęncia da viagem do Beagle para Charles Darwin onde os Andes aparecem como protagonistas dessa hist√≥ria no local comumente atribu√≠do √†s ilhas Gal√°pagos.
Em São Paulo, o Dia de Darwin é celebrado desde 2006 no Museu de Zoologia da USP. Os eventos contaram sempre com várias palestras

relevantes sobre diferentes aspectos do darwinismo, ministradas por ilustres professores. Os temas e palestrantes bem como as filmagens das palestras de 2007 estão disponíveis no site do MZUSP.

Essa iniciativa das grava√ß√Ķes on line √© simplesmente incr√≠vel. Ali√°s, toda a iniciativa brasileira envolvendo o Dia de Darwin desde a pioneira do Rio tem como principais idealizadores e organizadores os p√≥s-graduados pelo Museu de Zoo: Maria Isabel Landim e Cristiano Moreira. Os mesmos que participaram como coordenadores cient√≠ficos da Exposi√ß√£o Darwin no MASP. Eles est√£o de parab√©ns por todas as iniciativas e espero que a dedica√ß√£o e empolga√ß√£o deles inspire muitos outros profissionais a realizar muitos eventos, principalmente no ano que vem ‚Äď 2009 – o ANO DA BIOLOGIA.
Neste ano, o Dia de Darwin em São Paulo será celebrado no dia 16 de fevereiro sábado. Ingresso do Museu de Zoologia da USP é de R$ 2,00 (meia entrada para estudantes e idosos). Será o dia todo com palestra, mesa redonda e filme.

Pela manh√£: 11h – palestra com Nelio Bizzo (FEUSP) – “A teoria heredit√°ria de Darwin”.
Pela tarde: 14h
– mesa-redonda
M√°rio de Pinna – “Padr√Ķes na natureza e a teoria evolutiva.”
M√°rio de Vivo – “Biogeografia e a teoria evolutiva.”
Hussam Zaher – “Tempo geol√≥gico e a teoria evolutiva.”

A palestra e a mesa-redonda ser√£o transmitidas pela internet, atrav√©s do servi√ßo de IPTV da USP. Perguntas aos palestrantes podem ser encaminhadas para o email: darwin.mzusp@gmail.com (colocar “pergunta” no assunto do e-mail).

Mais tarde: 16h – Proje√ß√£o do document√°rio “Darwin nos Andes”.
Além disso haverá oficinas de Biodiversidade e Seleção Natural para as crianças.

Paulistanos esse evento é imperdível! Afinal o que são 1,99 Reais por 1,99 centenas para Darwin.
Aproveitem o Dia de Darwin no Rio de Janeiro e em São Paulo pessoal!! E os outros Estados vamos animar para as festividades biológicas desse ano e do ANO DA BIOLOGIA no Brasil.

Feliz DIA de DARWIN!

2009 o “ANO DA BIOLOGIA”

O ano de 2005 foi considerado pela UNESCO como o “Ano Mundial da F√≠sica” em comemora√ß√£o aos trabalhos de Albert Eisten publicados em 1905. Pelo mundo todo houve comemora√ß√Ķes e tributos. Uma ampla variedade de eventos bem sucedidos permitiram que o entusiasmo dos f√≠sicos contagiasse muitas plat√©ias diferentes ao longo do mundo.

Será que a Biologia tem alguma data assim tão cientificamente importante? Mas é claro que sim!
Darwin nasceu em 1809 e 50 anos depois publicou “A Origem das Esp√©cies” em 1859. O livro que se esgotou no dia de seu lan√ßamento √© t√£o importante que ganhou em 2006 at√© um biografia pr√≥pria.

Em “A Origem das Esp√©cies de Darwin – Uma Biografia” a autora Janet Browne mostra como A Origem das Esp√©cies pode reivindicar para si o papel de maior livro cient√≠fico j√° escrito no mundo.
A revolução darwinista é ao mesmo tempo científica e filosófica, e uma não poderia ter ocorrido sem a outra. Foram os preconceitos filosóficos dos cientistas, mais do que a falta de evidências científicas, que impediu de ver como a teoria poderia realmente funcionar. Mas esses preconceitos com relação à filosofia que tinham de ser eliminados possuíam raízes profundas demais para ser deslocados pelo simples brilhantismo filosófico. Foi preciso um irresistível

desfile de fatos científicos obtidos com muita dificuldades para forçar os pensadores a levarem a sério a nova perspectiva proposta por Darwin.

Quase todo componente do sistema de cren√ßas do ser humano moderno √© afetado, de alguma maneira, por uma ou outra das inova√ß√Ķes conceituais de Darwin. Sua obra como um todo √© o fundamento de uma nova filosofia da biologia, que se desenvolve rapidamente. N√£o pode haver d√ļvida de que a maneira de pensar de toda pessoa ocidental moderna foi profundamente afetada pelo pensamento filos√≥fico de Darwin. Ent√£o, n√£o existe forma melhor de reconhecer a extraordin√°ria contribui√ß√£o de Charles Robert Darwin para a ci√™ncia moderna do que fazermos do ano de 2009 o “ANO DA BIOLOGIA”.

Al√©m disso, algo que poucos lembram, mas 1809, o ano em que Darwin nasceu, √© a data da publica√ß√£o do “Filosofia Zool√≥gica”, o livro em que Jean-Baptiste Lamarck apresentou sua teoria da evolu√ß√£o. Lamarck √© muito injusti√ßado atualmente, pois ficou conhecido como o homem que errou a teoria da evolu√ß√£o. Mas foi Lamarck quem come√ßou a usar o termo ‚ÄúBiologia‚ÄĚ para designar a ci√™ncia que estuda os seres vivos e foi ele tamb√©m que fundou os estudos de paleontologia dos invertebrados. Ele foi uma dos principais transformistas que defendiam que os seres vivos mudam ao longo do tempo, evoluem. E assim como Darwin ele tamb√©m tem uma data de vida relacionada √† data de publica√ß√£o de seu livro, pois Lamarck morreu em 1829.
Ent√£o em 2009, Darwin far√° 200 anos, o “Origem das Esp√©cies” far√° 150 anos, o “Filosofia Zool√≥gica” far√° 200 anos e Lamarck far√° 180 de falecimento. Simplesmente √© motivo de sobra para fazermos de 2009 um excelente oportunidade para promover exposi√ß√Ķes, cursos, congressos,

palestras, publica√ß√Ķes, blogs e outras atividades relacionadas com a Biologia, sua hist√≥ria e filosofia.

A Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia est√° convidando todos seus associados, historiadores, educadores e demais organiza√ß√Ķes para somar esfor√ßos para fazer do ano de 2009 o “ANO DA BIOLOGIA”. E ela se empenhar√°, colaborando com outras entidades, para desenvolver um grande n√ļmero de atividades comemorativas ao longo de 2009 de maneira que biologia evolutiva possa ser entendida de forma adequada como parte do conhecimento cient√≠fico da atualidade.

Pe√ßo para que todos aqueles seres vivos, cientistas, fil√≥sofos, historiadores, professores, alunos, principalmente aqueles dos centros acad√™micos somem esfor√ßos para divulgar e biologizar o ano de 2009. Que j√° √© no ano que vem!!! E que n√£o existem mobiliza√ß√Ķes nem manisfesta√ß√Ķes nesse sentido, al√©m da Associa√ß√£o Brasileira de Filosofia e Hist√≥ria da Biologia.

E para aqueles que acham que temos muito tempo √© bom lembrarmos que nesse 2008 que acabamos de come√ßar vamos comemorar 150 ano que Charles Lyell e Joseph Dalton Hooker fizeram com que o artigo de Darwin e Wallace fosse apresentado no encontro da Sociedade Linnaeana em 1858. Justamente o artigo que apresentou ao mundo a Teoria da Sele√ß√£o Natural. √Č bom j√° irmos esquentando as velinhas de comemora√ß√Ķes.

Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista

Durante a elabora√ß√£o do Especial Psique de Psicologia Evolucionista reuni uma lista de livros da √°rea e relacionados, mas devido √†s restri√ß√Ķes editoriais s√≥ sa√≠ram alguns. Agora incluo nesse blog a lista completa de livros brevemente comentados, separados em internacional, por pesquisadores e por divulgadores.

Em inglês:

  • The Handbook of Evolutionary Psychology. Buss, D. M. (Ed.), New Jersey: Wiley, 2005, 1028 p.

Esse livro √© o Handbook mais atual e mais completo sobre a Psicologia Evolucionista. √Č fruto de uma contribui√ß√£o √ļnica de 66 autores escrevendo cap√≠tulos distribu√≠dos em partes sobre as funda√ß√Ķes da Psicologia Evolucionista, sobreviv√™ncia, acasalamento, parental e parentesco, viv√™ncia em grupo, aplica√ß√£o evolutiva a disciplinas tradicionais da Psicologia e a outras disciplinas como a Literatura e o Direito.

  • The Evolution of Mind: Fundamental Questions and Controversies Gangestad, S. W. & Simpson, J. A. (Eds.), New York, Guilford, 2007, 448 p.

Esse livro √© o livro mais atual sobre Psicologia Evolucionista, aborda temas fundamentais e controvertidos. √Č produto de um empenho colaborativo de 47 autores escrevendo cap√≠tulos curtos distribu√≠dos nas tem√°ticas: reconstru√ß√£o da evolu√ß√£o da mente humana, rastreando a evolu√ß√£o atual, nossos ancestrais mais pr√≥ximos, explicando os custos e benef√≠cios de comportamentos, modularidade da mente, o desenvolvimento como um alvo evolutivo, sele√ß√£o de grupo, mudan√ßas chaves na evolu√ß√£o da psicologia humana, evolu√ß√£o do c√©rebro, habilidade intelectual geral, cultura e evolu√ß√£o, evolu√ß√£o do acasalamento.

  • Introducing Evolutionary Psychology. Evans, D. & Zarate, O., Cambridge: Incon Books, 1999, 176 p.

Esse √© o livro mais did√°tico sobre Psicologia Evolucionista, pois √© ricamente ilustrado e assim os conceitos s√£o passados de forma descontra√≠da e eficiente. Apresenta caricatura de todos os autores e estudos cl√°ssicos da Psicologia Evolucionista. No final esclarece os mal-entendidos mais freq√ľentemente cometidos sobre esse tema e ainda oferece dicas de leituras. Aborda os temas centrais da teoria evolucionista, como as diferen√ßas entre a mente humana e de nossos parentes mais pr√≥ximos, os primatas e as diferen√ßas na psicologia de homens e mulheres.

Traduzidos: 1. Pesquisadores

  • Como a mente funciona. Pinker, S. Tradu√ß√£o L. T. Motta. 2. ed. S√£o Paulo: Companhia das Letras, 1998, 66 6 p.

√Č a mais completa explica√ß√£o sobre Psicologia Evolucionista traduzida. Apresenta detalhadamente a revolu√ß√£o da Psicologia Cognitiva e por fim sua fus√£o com a Biologia Evolucionista. O autor aborda quest√Ķes como o modo pelo qual as crian√ßas aprendem, como tomamos decis√Ķes ou enfrentamos riscos e os mecanismos por tr√°s de fen√īmenos como criatividade, sensibilidade, amor, confian√ßa. Pinker lan√ßa m√£o de pelo menos duas bases te√≥ricas, o evolucionismo de Darwin e a ci√™ncia cognitiva.

  • T√°bula rasa. Pinker, S., Tradu√ß√£o L. T. Motta. S√£o P aulo: Companhia das Letras, 2004, 672 p.

√Č a mais profunda an√°lise dos aspectos envolvidos na n√£o aceita√ß√£o de id√©ias evolucionistas pelas ci√™ncias Sociais e Humanas. Depois de resolver detalhadamente os medos por traz da resist√™ncia √† aplica√ß√£o das id√©ias Darwinistas ao ser humano ele aborda a Psicologia Evolucionista relacionada com a pol√≠tica, viol√™ncia, g√™nero, crian√ßas e artes. √Č o mais recomendado para as pessoas das √°reas de Humanas e Sociais conhecerem, sem preconceitos, a Psicologia Evolucionista.

  • A Mente Seletiva. Miller, G. Tradu√ß√£o D. Batista. Rio de Janeiro: Campus, 2001, 540 p.

√Č o melhor livro sobre a import√Ęncia da ‚Äúoutra‚ÄĚ teoria de Darwin, a sele√ß√£o sexual, para a Psicologia Evolucionista. Miller explica o grande esquecimento da teoria da sele√ß√£o sexual durante todo o s√©culo XX e aplica os conceitos modernos de sele√ß√£o sexual aos estudos atuais das adapta√ß√Ķes mentais humanas. Ele faz um contraponto e complementa a vis√£o de Pinker e aborda assuntos como a arte, a linguagem, a moralidade e a criatividade.

  • A Paix√£o Perigosa: Por que o ci√ļme √© t√£o necess√°rio quanto o amor e o sexo. Buss, D. M. Tradu√ß√£o M. Campello. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, 277p.

Buss, um dos pioneiros no mundo em Psicologia Evolucionista, oferece uma instigante e bem humorada perspectiva evolutiva sobre o ci√ļme, infidelidade, crimes passionais e desejo sexual, emo√ß√Ķes humanas poderosas e universais.

  • Anatomia do Amor: A hist√≥ria natural da monogamia, do adult√©rio e do div√≥rcio. Fisher, H. E. Tradu√ß√£o M. Lopes e M. Carbajal. Rio de Janeiro: Eureka, 1995, 430 p.

Esse livro aborda brilhantemente e interdisciplinarmente a origem, a evolu√ß√£o ancestral pr√©-hist√≥rica e o futuro da sexualidade humana, incluindo a paquera na sele√ß√£o de parceiros, a paix√£o, o amor rom√Ęntico, o adult√©rio, o div√≥rcio e o re-casamento.


  • M√£e Natureza: Uma vis√£o feminina da evolu√ß√£o . Hrdy, S. B. Tradu√ß√£o Rio de Janeiro: Campus, 2001, 704 p.

Esse livro aborda a maternidade sob as perspectivas evolutivas e comparativas, e mostra que muitas das emo√ß√Ķes que informam as decis√Ķes reprodutivas das mulheres nos dias de hoje foram moldadas em um passado distante. Ela discute as complexidades e as diferentes atitudes comumente simplificadas como instinto materno.

  • Guerra de Esperma. Baker, R. Tradu√ß√£o G. Z. Neto. Rio de Janeiro: Record, 1997, 402 p.

Esse livro aborda amplamente a sexualidade humana relacionada com a competição espermática. Ele brilhantemente usa um conto erótico sobre cada aspecto da sexualidade para situar, ilustrar e instigar o leitor. Depois aborda cientificamente assuntos como infidelidade, conflito sexual, masturbação, polução noturna, escolha de parceiros, aprendizagem sexual, prostituição e homossexualidade.

  • N√£o H√° Dois Iguais: Natureza humana e individualidade. Harris, J. R. Tradu√ß√£o R. Gouveia. S√£o Paulo: Globo, 2007, 471 p.

Nesse livro comenta e √†s vezes desconstr√≥i as teses mais aceitas pela ci√™ncia moderna. Id√©ias antigas, como o determinismo gen√©tico e a preponder√Ęncia ambiental, caem por terra, enquanto o evolucionismo √© tomado como objeto de estudo primordial no estudo da individualidade humana. Nesse caminho, a autora envereda por algumas √°reas fascinantes do conhecimento, abordando tanto os experimentos cl√°ssicos da psicologia social quanto √†s √ļltimas contribui√ß√Ķes das pesquisas em neuroci√™ncias. Praticamente nada escapa a seu olhar abrangente: g√™meos, autismo, o comportamento dos chimpanz√©s e a organiza√ß√£o social das formigas.

  • A Perigosa id√©ia de Darwin: a evolu√ß√£o e os significados da vida. Dennett, D. C. Tradu√ß√£o T. M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 1995, 612 p.

√Č o melhor livro sobre a dimens√£o filos√≥fica da evolu√ß√£o biol√≥gica e suas implica√ß√Ķes em todas as ci√™ncias, bem como para o entendimento da mente humana. O livro exp√Ķe as controv√©rsias atuais: sobre a origem da vida, a sociobiologia, a evolu√ß√£o da linguagem e da cultura e a √©tica evolutiva. Ele revela os anseios filos√≥ficos, at√© religiosos, que t√™m distorcido as disputas entre cientistas e leigos. E, de forma pol√™mica, mostra que alguns dos mais importantes pensadores contempor√Ęneos s√£o simplesmente incapazes de esconder o mal-estar diante da grande id√©ia de Darwin. Este livro explica por que √© uma id√©ia t√£o convincente, e por que promete oferecer ‚Äď e n√£o amea√ßar ‚Äď novos fundamentos para as nossas mais caras maneiras de conceber a vida.

  • A Verdade sobre Cinderela: Uma vis√£o Darwiniana do Cuidado Parental. Daly, M. & Wilson, M. Coimbra: Quarteto, 2001, 345 p.

√Č cem vezes mais prov√°vel um padrasto abusar de uma crian√ßa, ou mesmo mat√°-la, do que um pai gen√©tico. Esta descoberta assustadora foi trazida √† luz do dia por dois cientistas canadianos que profetizaram, baseados em teorias darwinianas, que a ortodoxia official, que ignora os la√ßos familiars, obscurece os perigos cada vez maiores em que incorrem as crian√ßas que vivem em fam√≠lias adoptivas. Esta amea√ßa, embora seja um tema recorrente de lendas populares por todo o mundo, tem sido escandalosamente negligenciada pelos politicos e pela m√≠dia. Mas por que ter√° o parentesco um efeito assim t√£o profundo? Numa aplica√ß√£o cl√°ssica da teoria evolucionista, Martin Daly e Margo Wilson apresentam-nos evid√™ncias de sociedades de todo o mundo para nos contarem, pelo menos, a verdade darwiniana sobre Cinderela.

2. Divulgadores

  • O Animal Moral: porque somos como somos: a nova ci√™ncia da psicologia evolucionista. Wright, R., Tradu√ß√£o L. Wyler. Rio de Janeiro: Campus, 1996, 416 p.

Apresenta a Psicologia Evolucionista traçando um paralelo interessante com a biografia de Charles Darwin. Aborda temas como sexo, romance e amor, cimento social como família e amigos, conflitos sociais e morais da história como ética e religião.

  • As origens da virtude: um estudo biol√≥gico da solidariedade. Ridley, M. Tradu√ß√£o B. Vargas. Rio de Janeiro: Record, 1996, 332 p.

Esse livro √© muito bem escrito e aborda os aspectos evolucionistas da solidariedade humana. Engloba temas como a preserva√ß√£o ambiental em bens p√ļblicos e presentes privados, sentimentos morais, tribalismo, guerra, com√©rcio, religi√£o e propriedade.

  • O que nos faz humanos: genes, natureza e experi√™ncia. Ridley, M. Tradu√ß√£o R. Vinagre. Rio de Janeiro: Record, 2004, 399 p.

Esse livro é o melhor livro sobre a superação da dicotomia inato X aprendido. Ele mostra como processos genéticos estão entrelaçados nos processos aprendidos. Brilhantemente ele mostra como a natureza ocorre via a criação abordando a biografia de doze barbudos Charles Darwin, Francis Galton, Willian James, Hugo De Vries, Ivan Pavlov, John Watson, Emil Kraepelin, Sigmund Freud, Emile Durkheim, Frans Boas, Jean Piaget, Konrad Loranz. Veja maiores detalhes: O que nos faz humanos no Científica Mente

  • Instinto Humano: como nossos impulsos primitivos moldaram o que somos hoje. Winston, R., Tradu√ß√£o M. M. Ribeiro e S. Mazzolenis. S√£o Paulo: Globo, 2006, 431 p.

Esse √© o livro escrito pelo autor da s√©rie da BBC Instinto Humano e divulgado pelo Fant√°stico por Lazaro Ramos na s√©rie com o mesmo nome. Ele faz um apanhado geral sobre os temas estudados pela Psicologia Evolucionista como: sobreviv√™ncia, desenvolvimento, sexo, fam√≠lia, sele√ß√£o sexual e risco, viol√™ncia, moralidade e espiritualidade. Winston oferece explica√ß√Ķes cient√≠ficas de modo claro a partir da elucida√ß√£o de quest√Ķes prosaicas como porque um beb√™ rec√©m-nascido sabe mamar ou porque salivamos diante de um belo prato de comida.

  • A Culpa √© da Gen√©tica. Burnham, T. & Phelan, J., Tradu√ß√£o C. I. Costa. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 240 p.

Esse livro mostra de forma acess√≠vel e bem humorada a influ√™ncia dos genes, via instintos, em nosso comportamento e inclui dicas para lidar melhor com eles em nosso ambiente atual. Aborda temas cotidianos como d√≠vidas, gordura, drogas, risco, gan√Ęncia, g√™nero, beleza, infidelidade, fam√≠lia, amigos e inimigos.


Nacional:

  • O Pensamento de Animais e Intelectuais: Evolu√ß√£o e Epistemologia. Werner, D. Florian√≥polis: Ed. Da UFSC, 1997, 195.

Esse √© o √ļnico livro nacional relacionado √† Psicologia Evolucionista. Nele √© abordada a evolu√ß√£o de diferentes formas de pensar e suas implica√ß√Ķes epistemol√≥gicas, bem como o papel de nossos vieses cognitivos em elaborar e avaliar id√©ias. S√£o discutidos temas como formas de encarar a realidade, formas elementares de pensar, senso comum, formas intelectuais de pensar e formas antropol√≥gicas de pensar. Werner, que √© antrop√≥logo, aborda a evolu√ß√£o da cogni√ß√£o sob o ponto de vista darwinista.