Feliz Bicenten√°rio de Alfred R. Wallace

Come√ßamos este ano novo de 2023 aqui no MARCO EVOLUTIVO j√° celebrando neste 8 de janeiro o bicenten√°rio do nascimento de Alfred Russel Wallace (1823-1913). Acad√™micos do mundo todo est√£o relembrando as aventuras e descobertas de Wallace, o explorador naturalista, ge√≥grafo e antrop√≥logo ingl√™s que co-descobriu a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural junto ao Darwin. Seu legado e originalidade est√£o sendo finalmente amplamente discutidos e divulgados de modo que n√£o se trata mais de caracteriz√°-lo como um mero pesquisador √† sombra de Darwin. Wallace merece ser reconhecido como um evolucionista de peso, pai da biogeografia, especialista em especia√ß√£o, colora√ß√£o animal, cartografia, descobridor de v√°rias esp√©cies (da palmeira pia√ßava at√© o sapo voador da Indon√©sia passando pela ave do para√≠so), e grande aprendiz e pensador interdisciplinar que contribuiu em diversos temas como glaciologia, epidemiologia, astrobiologia e pol√≠ticas p√ļblicas.

Desde 2013 quando das comemora√ß√Ķes do centen√°rio de seu falecimento, j√° ocorre um esfor√ßo internacional para lan√ßar luz sobre as contribui√ß√Ķes e legado acad√™mico da Wallace. ¬†Tanto que na √©poca foi inaugurado um grande quadro de Alfred Wallace na escadaria do Museu de Hist√≥ria Natural de Londres, reparando assim uma injusti√ßa hist√≥rica, visto que at√© ent√£o apenas a est√°tua de Darwin figurava por l√°. E j√° em 2010 foi criado o ‚ÄúWallace Correpondence Project‚ÄĚ reunindo num reposit√≥rio e disponibilizando online um enorme n√ļmero de correspond√™ncias de Wallace. E em 2012 foi criado o Wallace Online com todos as publica√ß√Ķes a manuscritos do autor. Aos poucos, sua relev√Ęncia cient√≠fica vai sendo disseminada e reconhecida.

De fam√≠lia humilde, Wallace teve que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar a fam√≠lia. Atuou como construtor e agrimensor passando bastante tempo ao ar livre, e acabou desenvolvendo, como autodidata, seu interesse por cartografia, hist√≥ria natural, bot√Ęnica, geologia e astronomia na livraria da fam√≠lia. Mesmo sem ter educa√ß√£o formal, chegou a dar aulas de topologia, cartografia e desenho, mas acabou virando explorador profissional se mantendo da coleta e venda de esp√©cimes para museus e colecionadores particulares. Ao longo de sua vida Wallace explorou diversos pa√≠ses como o Reuni Unido, Fran√ßa, Su√≠√ßa, Col√īmbia, Venezuela, Malta, Egito, √ćndia, Sri Lanka, Mal√°sia, Singapura, Indon√©sia, Timor Leste, EUA, Canad√°, e tamb√©m o Brasil.

Sua primeira grande expedi√ß√£o foi no Brasil (Belem-PA) aos 25 anos de idade. Ficou 4 anos no Par√° (1848-1852) e, por um tempo, esteve junto com outro naturalista de renome, Henry Walter Bates, o descobridor do mimetismo batesiano. No Brasil, Wallace se encantou com a imensid√£o sublime da floresta tropical e com a beleza rara dos p√°ssaros e borboletas locais. Ele observou como os rios Amazonas, Negro e Madeira funcionavam como barreiras geogr√°ficas recortando a fauna local como limites naturais. Esse isolamento geogr√°fico poderia contribuir para a forma√ß√£o de diferentes esp√©cies. Descobriu e descreveu v√°rias esp√©cies novas, incluindo a palmeira pia√ßava, e aprendeu com os ribeirinhos e ind√≠genas locais seus v√°rios usos. Ele tamb√©m fez anota√ß√Ķes etnogr√°ficas sobre os costumes e rituais de tribos amaz√īnicas, e descreveu pinturas rupestres de Monte Alegre (PA).

Wallace deu muito azar ao retornar para a Europa, pois seu navio pegou fogo e naufragou perdendo a maioria do que havia anotado e coletado nos dois √ļltimos anos. Felizmente, ap√≥s 10 dias √† deriva em botes, ele e a tripula√ß√£o foram resgatados por um cargueiro rumo √† Inglaterra. Ficou inicialmente arrasado mas mesmo assim n√£o desanimou das explora√ß√Ķes futuras. Apesar do ocorrido e de ter perdido muita coisa no naufr√°gio, Wallace ainda conseguiu publicar artigos e livros sobre macacos e palmeiras da Amaz√īnia, por exemplo.

    

Foi no Arquip√©lago Malaio em que passou mais tempo (1854-1862) explorando os detalhes da natureza e das tribos locais, o que impulsionou suas maiores contribui√ß√Ķes. L√° coletou cerca de 125 mil esp√©cimes, uns 5 mil novos, incluindo o sapo voador e a ave do para√≠so. Em Born√©u, ele fez umas das primeiras observa√ß√Ķes natural√≠sticas de orangotangos em seu habitat natural contribuindo novamente para a primatogia.

Suas observa√ß√Ķes biogeogr√°ficas no arquip√©lago o levaram a descobrir uma divis√£o natural que separa a fauna asi√°tica da fauna australiana, hoje conhecida como a Linha de Wallace. Em homenagem √†s suas descobertas, as ilhas pr√≥ximas a essa regi√£o do arquip√©lago Malaio s√£o chamadas coletivamente por ‚ÄúWallacea‚ÄĚ. L√° Wallace escreveu os artigos evolutivos de maior relev√Ęncia, descrevendo descend√™ncia comum, especia√ß√£o e a sele√ß√£o natural. Ap√≥s anos de observa√ß√£o natural√≠stica e leitura de Malthus e de Lyell, entre outros, ele teve o insight da sele√ß√£o natural num momento febril com mal√°ria. E depois mandou uma carta a Darwin comunicando suas descobertas evolutivas, o que fez com que Darwin finalmente tornasse p√ļblico seus longos estudos evolutivos numa publica√ß√£o conjunta em 1858.

Wallace era contra a escravidão, anti-eugenia, anti-vivissecção, anti-militarização e anti-imperialismo e anti-terraplanismo. Ele chegou até a ganhar uma aposta de terraplanista provando a curvatura da água de um canal usando um telescópio e duas estacas na mesma altura da água, mas separadas em 10 km. Wallace era a favor dos direitos das mulheres ao voto, era também um conservacionista contrário à introdução de espécies exóticas, ao desmatamento das florestas tropicais e da erosão do solo, e ainda era um socialista a favor da reforma agrária. Wallace foi o primeiro presidente da Sociedade pela Nacionalização de Terras e permaneceu no cargo por 30 anos.

Entretanto, ao final da vida ele se tornou mais antropoc√™ntrico e religioso se envolvendo com hipnose e espiritismo. Apesar de acertadamente n√£o considerar as popula√ß√Ķes tribais como intermedi√°rias entre os grandes s√≠mios e os humanos civilizados, Wallace chegou a erroneamente achar que na evolu√ß√£o humana, ao contr√°rio do que ocorrera com as outras esp√©cies, houve interven√ß√£o divina para aumento da capacidade cerebral. Al√©m disso, ele acreditava em frenologia e, por suspeitar das autoridades e dos interesses dos m√©dicos, ele chegou a se juntar ao movimento anti-vacina da var√≠ola da √©poca. Ele achava que a vacina iria interferir no balan√ßo natural dos organismos e que a vacina n√£o era segura. Mesmo estando no lado errado da hist√≥ria nestes √ļltimos assuntos, ele conseguiu que, no caso das vacinas, novos procedimentos de seguran√ßa fossem recomendados; e por conta do seu antropocentrismo, conseguiu mostrar em seus livros sobre Astrobiologia que n√£o havia vida inteligente criando canais de irriga√ß√£o em Marte.

Por n√£o ser parte da aristocracia inglesa, Wallace teve que batalhar muito mais para conseguir sua bagagem acad√™mica autodidata e para fazer com que suas descobertas fossem valorizadas. Desde ent√£o seu legado naturalista explorador e te√≥rico interdisciplinar est√° cada vez mais divulgado e apreciado, chegando a ganhar diversas medalhas de m√©rito acad√™mico. Desejo que os pontos fortes de sua biografia e seu legado cient√≠fico nos sirvam de inspira√ß√£o nesta celebra√ß√£o internacional dos 200 anos de Alfred Russel Wallace. Assista document√°rios sobre as expedi√ß√Ķes de Wallace aqui e aqui.¬†

150 anos do livro A Descendência do Homem e a Seleção Sexual de Darwin

Neste dia de 24 de fevereiro há exatos 150 anos foi publicado em Londres com dois volumes de 450 páginas o The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex de Charles Darwin. O livro foi um marco para o estudo da evolução humana e aqui no MARCO EVOLUTIVO não poderíamos deixar de celebrar esta data. Originalmente a ideia de Darwin era apenas ter um capítulo sobre humanos em seu livro The variation of animals and plants under domestication de 1866, mas como o livro já estava grande ele resolveu fazer em separado um pequeno ensaio sobre nossa ancestralidade primata e a seleção sexual, o que acabou crescendo e virando os dois volumes do The Descent of Man em 1871. Neste livro Darwin finalmente pode desenvolver tudo o que ele se referiu ao final do Origem das Espécies quando disse que, por conta da evolução por seleção natural, no futuro muita luz seria lançada sobre a origem dos humanos e nossa psicologia e história.

Intuitivamente sempre nos parece que a diferen√ßa psicol√≥gica entre humanos e outros primatas √© enorme, tanto que at√© o Alfred Wallace abandonou a explica√ß√£o evolucionista ao se tratar da mente humana por achar pouco poss√≠vel de que toda nossa capacidade intelectual tenha evolu√≠do naturalmente em contextos tribais aparentemente pouco exigentes por grandes intelig√™ncias. Muito do The Descent √© uma reposta ao desafio de Wallace. Darwin argumenta que todas as nossas caracter√≠sticas psicol√≥gicas podem ser encontradas em algum grau em outras esp√©cies, incluindo capacidades para a m√ļsica, a beleza, e a moralidade. √Č por isso que numa carta a Wallace Darwin diz que a evolu√ß√£o humana era o maior e mais interessante problema para o naturalista.

Outra no√ß√£o popular na √©poca era a de que toda a exuberante beleza na natureza teria sido magicamente criada para satisfazer os humanos que seriam o √°pice da evolu√ß√£o. Gra√ßas a Darwin e anos de pesquisa subsequente, hoje sabemos que a evolu√ß√£o n√£o tem √°pice e que somos t√£o √ļnicos e t√£o especiais quanto cada uma das outras esp√©cies. No The Descent Darwin argumenta que a beleza sonora e visual encontrada no mundo animal evoluiu naturalmente pelo processo de sele√ß√£o sexual. Indiv√≠duos mais vistosos e sonoros eram preferidos na busca por um parceiro sexual, o que ao longo de muitos ciclos de sele√ß√£o, d√° origem a cada vez mais beleza.

A evolução dos armamentos como chifres era mais facialmente explicada pela competição entre machos o que deixara as armas mais eficientes e maiores. Mas para explicar a evolução da beleza era necessário perceber que as fêmeas das outras espécies também têm senso estético e que a variação nesse senso estético era a pressão social favorecendo a evolução dos ornamentos animais. Portanto, para Darwin a beleza do pavão ou da ave do paraíso não necessariamente precisa indicar uma qualidade de sobrevivência, basta ela ser agradável o suficiente para as fêmeas da espécie que a ornamentação poderia evoluir sendo um fim em si mesma.

Atualmente como parte das celebra√ß√Ķes do sesquicenten√°rio do The Descent, diversas iniciativas tentam resgatar o que Darwin acertou e o que Darwin errou no livro, e todos o desdobramento mais atuais nos dois t√≥picos centrais do livro: evolu√ß√£o humana e sele√ß√£o sexual. O livro A Most Interesting Problem: What Darwin‚Äôs Descent of Man Got Right and Wrong about Human Evolution apresenta uma releitura da perspectiva atual de cada cap√≠tulo relativo ao ser humano. Est√° sendo muito bem avaliado e me pareceu muito interessante tanto para quem quer se atualizar sobre evolu√ß√£o humana quanto para quem quer se aprofundar nas hip√≥teses do The Descent. Em Darwin, sexual selection, and the brain Micheal Ryan faz uma revis√£o das v√°rias linhas de pesquisa relacionadas √† ideia da Darwin sobre a evolu√ß√£o da beleza sendo um fim em si mesma. Em Darwin‚Äôs closet: the queer sides of The descent of man (1871), Ross Brooks ressalta como Darwin integrou a ideia de varia√ß√£o individual nos assuntos da sele√ß√£o sexual o que foi fundamental para o nascimento da sexologia moderna. No Peri√≥dico Evolutionary Human Sciences existem uma compila√ß√£o de artigos celebrando os 150 anos do The Descent, por enquanto com 3 artigos e com promessa de outros mais por vir.

Claro que como todo livro, o The Descent tem v√°rias limita√ß√Ķes e vieses de √©poca, mas nele Darwin deixou claro que as origens evolutivas dos humanos podem sim ser desvendadas. E nesse sentido enquanto um programa de pesquisa a ser desenvolvido, Darwin deu uma inestim√°vel contribui√ß√£o √† evolu√ß√£o humana. E, se percebermos como aspectos morfol√≥gicos, biogeogr√°ficos, interespecificamente comparativos, mas tamb√©m psicol√≥gicos e comportamentais est√£o integrados, o The Descent pode ser considerado bem moderno. Isto porque, de l√° para c√°, ainda s√£o poucos bi√≥logos focando na psicologia e no comportamento, e pouco psic√≥logos focando na evolu√ß√£o. Felizmente as √°reas est√£o cada vez mais se integrando e talvez um dia cheguemos ao grau de integra√ß√£o que o pr√≥prio Darwin expressou 150 atr√°s.

Feliz Darwin Day 2020 Brasil!!!

No dia 12 de fevereiro de 1809 nascia Charles R. Darwin. Aquele menino curioso, travesso, colecionador de besouros, e nada muito estudioso, virou um jovem explorador e ca√ßador de p√°ssaros. Mas o que ele fez depois de abandonar a faculdade de medicina o colocou no caminho para um futuro de muito impacto. Ao combinar geologia, com hist√≥ria natural e demografia, com observa√ß√Ķes cuidadosas, expedi√ß√£o ao redor do mundo, coletas de esp√©cimes e f√≥sseis, experimentos caseiros, muita leitura, reflex√£o, e troca de cartas com especialistas, Darwin, seus livros e descobertas, se tornaram o pilar da Biologia moderna, que por sua vez, ancora para as Ci√™ncias Humanas. Nesse Darwin Day de 2020, estamos comemorando os 211 anos de Darwin e os 161 anos do seu livro seminal “A Origem das Esp√©cies”. Trata-se da maior celebra√ß√£o mundial da Ci√™ncia e da Raz√£o inspirada na vida e obra de Darwin, continuando a tamb√©m merecida comemora√ß√£o de ontem do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ci√™ncia.

No MARCO EVOLUTIVO, celebramos anualmente o Dia de Darwin come√ßando em 2008, passando pelo Bicenten√°rio em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela D√©cada de Darwin Days em 2018 e at√© 2019.darwin day 2020 Me alegra muito ver o crescimento de celebra√ß√Ķes do Darwin Day no Brasil mesmo sendo num per√≠odo de f√©rias de ver√£o pr√©-carnaval. E como as abordagens se diversificaram, alguns celebram no dia 12 (UFU,¬†UFSC, MZ-USP), outros na semana inteira ou m√™s de fevereiro¬†(MZ-USP), outros em mar√ßo com o in√≠cio das aulas da gradua√ß√£o e p√≥s (Unesp Botucatu, FMVZ-USP). Tem muita programa√ß√£o imperd√≠vel. O importante √© aumentar o conhecimento, vislumbre e engajamento sobre o evolucionismo darwinista no Brasil. Afinal somos ainda a √ļnica esp√©cie do sistema solar que j√° descobriu a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural.

Darwin dia do orgulh ateuHoje tamb√©m √© celebrado o Dia do Orgulho Ateu no Brasil. Nada mais apropriado do que comemorar a liberdade das amarras da religi√£o no dia de nascimento do naturalista brit√Ęnico para quem apoiar a evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural era como confessar um assassinato. Isso porque, com Darwin, as explica√ß√Ķes criacionistas n√£o s√£o mais necess√°rias para explicar a origem e diversifica√ß√£o dos seres vivos. Apesar de parecer que Darwin tornou de vez desnecess√°ria a cren√ßa religiosa, o que ele possibilitou, muito pelo contr√°rio, √© uma explica√ß√£o materialista evolutiva tanto para a origem e diversifica√ß√£o das esp√©cies e suas adapta√ß√Ķes corporais quanto suas adapta√ß√Ķes mentais. E assim, at√© a propens√£o para religiosidade e/ou seus subcomponentes afetivos-cognitivos tamb√©m podem ser explicadas evolutivamente. Os poss√≠veis valores adaptativos ancestrais da religiosidade podem ser desde refor√ßar o tribalismo, promover assimila√ß√£o cultural alheia, capa livro the biological evolution of religious mind and behaviormotivar expans√£o territorial e conflitos entre grupos, controlar a fidelidade, sexualidade e reprodu√ß√£o feminina, fomentar sexualidade mais conservadora, oferecer prop√≥sitos de vida al√©m dos de cuidado parental, ativar o efeito placebo de auto-cura, oferecer conforto e esperan√ßa frente ao medo da morte, entre outros. As pesquisas sobre esse tema est√£o florescendo nas √ļltimas d√©cadas, e assim que as evid√™ncias forem se acumulando saberemos quantos e quais desses valores adaptativos s√£o os mais embasados para explicar a evolu√ß√£o da propens√£o para desenvolver a capacidade da religiosidade/espiritualidade. Veja exemplos aqui e aqui¬†(livro da imagem).

Ent√£o, ao inv√©s dos religiosos ficarem chateados por Darwin ter explicado os seres vivos, incluindo a origem primata dos humanos, nos termos materialistas sem a interfer√™ncia de qualquer divindade mitol√≥gica, eles deveriam tamb√©m celebrar o Darwin Day, pois o evolucionismo pode explicar a exist√™ncia de sua pr√≥pria tend√™ncia a religiosidade/espiritualidade. Sabemos que n√£o √© manifesto na natureza a exist√™ncia de qualquer divindade criadora minimamente inteligente ou bondosa, visto a extin√ß√£o das esp√©cies, as crueldades que indiv√≠duos fazem uns com os outros, os √≥rg√£os vestigiais, os erros de design de v√°rios √≥rg√£os, suas disfun√ß√Ķes, as doen√ßas heredit√°rias, entre outras. Por√©m, a capacidade para se ter as experi√™ncias e tecer os racioc√≠nios religiosos tem sua realidade embasada na pr√≥pria evolu√ß√£o da mente humana. DARWIN-DAY-mobilizacao 2020√Č por isso que esses racioc√≠nios religiosos s√£o antigos, universais e experienciados subjetivamente como ver√≠dicos, intuitivos, profundos e poderosos, pois s√£o parte evolu√≠da de longa data da mente humana, e n√£o porque esse ou outro ser mitol√≥gico m√°gico local realmente exista invis√≠vel e antropomorficamente. Contra-intuitivamente, a pura f√© religiosa √© mais prova do alcance e poder da evolu√ß√£o biol√≥gica do que da exist√™ncia de qualquer suposta divindade. A evolu√ß√£o da f√© leva √† ‘f√©’ na evolu√ß√£o.

Muitas capacidade mentais foram recrutadas e reorganizadas para compor a religiosidade. Soeling & Voland (2002) elencaram as capacidades do misticismo, da √©tica, do racioc√≠nio mitol√≥gico, e da tend√™ncia para realizar rituais.paternicity taxonomy Dentro das capacidades para o misticismo, al√©m das tend√™ncias para a contempla√ß√£o transcendental, existem as tend√™ncias de pensamento essencialista, e de superativa√ß√£o da capacidade de identificar agentes intencionais (antropomorfiza√ß√£o). Veja tamb√©m van Leeuwen & van Elk (2019)¬†para um modelo mais recente. Na revis√£o da literatura sobre biopsicologia do antropomorfismo (Varella, 2018), mostrei como essa superativa√ß√£o da detec√ß√£o da intencionalidade √© profundamente enraizada e evolu√≠da da mente humana (junto com outros primatas pr√≥ximos). error management theory tableEla tem a fun√ß√£o protetora por nos fazer ver inten√ß√£o onde n√£o tem para n√£o deixarmos de ver onde tem, especialmente em contextos de vulnerabilidade. Foi melhor para nossos ancestrais pr√©-hist√≥ricos se assustar com o vento mexendo a moita do que n√£o se assustar quando o tigre-dente-de-sabre estava escondido na moita. Como no geral os religiosos tem mais medo da morte¬†do que os n√£o religiosos (mas a coisa √© mais complicada do que isso) faz sentido eles verem agente intencional onde existem apenas processos astron√īmicos, f√≠sico-qu√≠micos, e biopopulacionais transgeracionais.

Animal Tool Behavior bookSomado a isso, os humanos (junto com outros primatas pr√≥ximos) projetam e fazem ferramentas que nos ajudam na sobreviv√™ncia e reprodu√ß√£o h√° muito tempo pra essa capacidade mental de projetista/engenheiro tamb√©m fazer parte intr√≠nseca da mente humana. E isso tamb√©m explica o qu√£o intuitivo √© o falacioso ‘argumento do design’ usado por criacionistas e adeptos do, tamb√©m pseudocient√≠fico, design inteligente. Achar piamente que para se produzir algo funcional e complexo √© preciso sempre de um projetista inteligente, apesar de ‘fazer sentido’ intuitivamente, n√£o √© prova da plausibilidade da teologia natural, mas sim do car√°ter evolu√≠do da nossa capacidade cognitiva de imaginar, reconhecer e produzir ferramentas e outros artefatos.

Atualmente temos o desafio de promover e intensificar o ensino de evolução em várias faixas etárias entre os humanos. orangutan criationism Futurama.S06E09.HDTV_.XviD-FEVER-02.07.33Mas no futuro quando conseguirmos nos comunicar melhor com as outras espécies (e impedirmos sua extinção por degradação de habitat) teremos que também enfrentar o criacionismo dos gorilas e orangotangos, e o design inteligente dos corvos e macacos-prego. Não só porque isso está em parte devidamente profetizado na série Futurama (S06E09), mas porque esses e outros animais também tem as mesmas capacidades de entender propósitos e metas em outros, e de produzir ferramentas. Penso que uma boa maneira de lidar com isso é reafirmar a realidade do sentimento religiosos e a intuitividade profunda dos raciocínios intencionais e projetistas como produtos legítimos da evolução biológica.
Desejo um ótimo Darwin Day em 2020 para todas as tribos!

FELIZ DARWIN DAY 2016 BRASIL

Darwin day osasco 2016√Č chegado o seu, o meu, o nosso Dia de Darwin! Hoje, dia 12 de fevereiro, Charles Robert Darwin faria 207 anos, ent√£o no mundo todo est√£o sendo rememorados e comemorados sua obra e seu legado cient√≠fico para a humanidade. Isso porque seu livro mais influente “A Origem das Esp√©cies” foi publicado em 1859, no ano em que ele comemorava 50 anos, ent√£o hoje tamb√©m estamos comemorando os 157 anos desse que foi o livro que mudou a hist√≥ria das ci√™ncias naturais e acabou influenciando tamb√©m exatas e humanas. Aqui no MARCO EVOLUTIVO incentivamos e comemoramos essa data desde em 2008, 2009 (Bicenten√°rio – Ano de Darwin), 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, at√© 2015.

O segredo de como a Revolu√ß√£o Darwiniana nos deu uma nova vis√£o de mundo est√° em identificarmos os pilares do mundo aristot√©lico que ela ajudou a quebrar. Encontramos essa ideia no livro de 2015 “From Aristotle’s Teleology to Darwin’s Genealogy: The Stamp of Inutility” de Marco Solinas, um historiador italiano que vir√° √† FEUSP dar uma disciplina condensada de p√≥s-gradua√ß√£o de 22 a 26 de fevereiro 2016, a convite do
Prof. N√©lio Bizzo. Os pilares do mundo Aristot√©lico,¬†segundo Solinas, s√£o o Fixismo (o mundo e as esp√©cies n√£o mudam), Essencialismo (cada esp√©cie teria Teleology to Darwin's Genealogyqualidades √ļnicas e descont√≠nuas), e a Teleologia aristot√©lica (tudo e todos estavam perfeitamente adaptados funcionalmente para a manuten√ß√£o das rela√ß√Ķes existentes). Eu torno expl√≠cito a adi√ß√£o do Antropocentrismo (os humanos s√£o qualitativamente superiores em import√Ęncia aos outros seres vivos e s√£o o centro das aten√ß√Ķes) como um quarto pilar aristot√©lico, o qual Solinas comenta, mas n√£o chega a elevar a condi√ß√£o de pilar. ¬†Assim temos esse ‘quadr√ļpede’ aristot√©lico que sobreviveu s√©culos chegando ao fim gra√ßas¬†√†s marteladas de Darwin em cada uma das¬†suas bases.

Darwin, que era um naturalista (n√£o confundir com naturista!), rompe com o fixismo ao perceber que, assim como com a geologia, as condi√ß√Ķes e os seres vivos estavam em constante mudan√ßa lenta e gradual; tornou-se um trasformacionista (n√£o confundir com transformista!). Darwin rompe com o essencialismo ao aplicar o pensamento populacional e perceber que a varia√ß√£o individual n√£o √© um mero ru√≠do, mas sim a mat√©ria prima para a sele√ß√£o; assim percebeu que s√£o as popula√ß√Ķes que evoluem e n√£o o indiv√≠duo, ent√£o tornou-se um populacionista (n√£o confundir com populista!). Darwin ent√£o rompe com a teleologia panadaptacionista e perfeccionista de Arist√≥teles ao chamar aten√ß√£o para as muitas imperfei√ß√Ķes e inutilidades dos seres vivos, como os √≥rg√£os vestigiais, justamente o que dever√≠amos observar se um processo demogr√°fico cego e autom√°tico como a sele√ß√£o natural estivesse atuando; tornou-se um selecionista (n√£o confundir com seletista). Darwin day osasco endere√ßoE finalmente Darwin rompe com o antropocentrismo ao perceber que o ser humano n√£o √© o √°pice da evolu√ß√£o,¬† pois esta √© multirramificada e sem metas ou rumo, ent√£o n√£o existem seres superiores nem inferiores; torna se um indiv√≠duo humilde perante a biodiversidade.

Enquanto voc√™ n√£o enfrentar e demolir cada um dos pilares do mundo pr√©-darwinista voc√™ vai ter alguns mal-entendidos sobre evolu√ß√£o biol√≥gica e n√£o vai sentir todo o peso e poder da Revolu√ß√£o Darwinista. Nada melhor do que um bom Darwin Day cheio de atra√ß√Ķes para abra√ßarmos de vez seu legado.

Em Osasco, o N√©lio Bizzo e eu estaremos hoje 12/02 na Escola de Artes “Antonio Savi”/Biblioteca Municipal “Monteiro Lobato” de Osasco a partir das 18h30 assistindo e discutindo um document√°rio, tudo organizado pela Secretaria do Meio Ambiente e Borbolet√°rio Municipal. O Darwin Day em Osasco tem entrada gratuita, o evento ser√° transmitido ao vivo atrav√©s das m√≠dias sociais. Note que o endere√ßo correto √© o Rua Tenente Avelar Pires de Azevedo n¬ļ 360

darwin day brasil mzusp 2016Em S√£o Paulo, teremos Darwin Day no Museu de Zoologia da USP e no Museu Catavento.

No MZUSP, que foi recentemente reaberto ao p√ļblico com uma excelente exposi√ß√£o, a programa√ß√£o vai de hoje 12/02 at√© dia 19/02 com √≥timas palestras, oficinas, jogos e exposi√ß√Ķes. Vale muito a pena conferir.

darwin day no catavento 2016No Catavento – Espa√ßo Cultural da Ci√™ncia em Sampa, no nov√≠ssimo Museu do Amanh√£ no Rio de Janeiro e no Sesi Tiradentes – Centro Cultural Yves Alves em Tiradentes, Minas, a MOSTRA VERCI√äNCIA DIA DE DARWIN vai exibir o epis√≥dio “Darwin no Brasil” uma produ√ß√£o da BBC de 1978 sobre a viagem a bordo do HMS Beagle e vinda de Darwin ao Brasil entre outros v√≠deos.

No Catavento ser√£o sess√Ķes √†s 12h e as 14h hoje 12/02 e amanh√£ 13/02.

No Museu do Amanhã será a tarde inteira de sábado dia 13/02 das 13 às 19h com uma palestra e cinco vídeos. Imperdível para os cariocas.

O Prof Gast√£o Galv√£o dar√° a palestra¬†A import√Ęncia da pesquisa de Darwin e a vinda dele ao Brasil”. Depois vir√£o os document√°rios:

13h20 ‚Äď “A viagem de Charles Darwin ‚Äď Epis√≥dio Darwin no Brasil‚ÄĚ (50min)DArwin day 2016 tiradentes

14h20 ‚Äď Darwin e a √°rvore da vida (60min)

15h30 ‚Äď Macacos geniais (60min)

16h40 ‚Äď Grandes brit√Ęnicos: Darwin (50min)

17h40 ‚Äď O jardim de Darwin (60min)

No Sesi Tiradentes ser√£o duas¬† exibi√ß√Ķes de v√≠deo: Darwin e a √Ārvore da Vida (√†s 18h00) e A Viagem de Charles Darwin (√†s 20h00).

Em Bel√©m do Par√°, o pessoal do Lagen do ICB da Universidade Federal do Par√° organiza o seu 1¬ļ Darwin Day desde ontem. Hoje a partir das 14h ter√£o ainda duas palestras imperd√≠veis: uma sobre a Teoria Evolutiva ministrada pelo Prof J√ļlio Pieczarka, e outra sobre EVODEVO ministrada pelo Prof Igor Schneider.darwin day belen 2016

Outros locais como o IB-USP e a USP Ribeir√£o
provavelmente ter√£o as comemora√ß√Ķes do Darwin Day em alguns meses. √Č lindo demais ver o¬†Darwin Day¬†se difundindo pelo pa√≠s. Convido as outras universidades a organizarem o seu Darwin Day e ampliarem essa tend√™ncia mundial evolucionista. Aproveitem!

Fechamos ent√£o com a grava√ß√£o do III Darwin Day de USP de Ribeir√£o Preto do ano passado que teve 5 horas de dura√ß√£o e palestras e discuss√Ķes muito interessantes e instigantes.

 

Brasil, Feliz DARWIN DAY 2015!

darwin_day 2015Feliz 2015 a todos! Come√ßamos o ano j√° celebrando os 206 anos de Charles R. Darwin como fazemos desde 2008 aqui no MARCO EVOLUTIVO. Neste dia 12 de fevereiro, o famoso ‚ÄúDARWIN DAY‚ÄĚ, o mundo inteiro est√° promovendo eventos e reflex√Ķes sobre a vida, obra e todo o legado de Darwin.ontogenese de Darwin

‚ÄúH√° uma grandeza nessa vis√£o da vida‚ÄĚ, disse Darwin ao contemplar as implica√ß√Ķes da mudan√ßa de paradigma iniciada por ele. Ap√≥s muitas leituras, cartas, viagens, coletas, experimentos, descobertas e dilemas, Darwin se viu na obriga√ß√£o avisar o mundo simplesmente que a Natureza est√° nua!

m√£e naturezaAssim como no conto de fadas ‚ÄúA roupa nova do Rei‚ÄĚ de Hans Andersen, a maioria na √©poca de Darwin estava mais preocupado em validar sua pr√≥pria e merecida superioridade frente aos outros seres do que encarar os fatos humildemente. Afinal, s√≥ os inteligentes conseguem ver a roupa nova do rei, n√£o √© mesmo? Darwin, ao abandonar o antropocentrismo criacionista, foi como aquela crian√ßa que fez o favor de mostrar a todos que somos t√£o especiais quanto qualquer outra esp√©cie, e que toda a efici√™ncia, funcionalidade, complexidade e apar√™ncia de intencionalidade no projeto dos seres vivos √© fruto do mecanismo cego seletivo e n√£o da intru√ß√£o premeditada de um criador.

darwin day brasil 2015 s√£o caetano√Č claro que o gosto amargo que se sente com a possibilidade de conceber que se esteve muito errado ainda hoje impede muitos de perceber a Natureza nua mais como um nu art√≠stico do que como uma pornografia fajuta. Por isso, junte cruriosidade, coragem e humildade e descubra tamb√©m a beleza e grandeza da verdade nua e crua da Evolu√ß√£o Biol√≥gica.

Esse ano no Brasil teremos √≥timos eventos. Hoje √† noite √†s 20h no Universidade Municipal de S√£o Caetano do Sul, SP o grande¬†Prof. N√©lio Bizzo dar√° uma palestra intitulada ‚ÄúO que pensam os jovens sobre evolu√ß√£o?‚ÄĚ.

Em sampa, teremos amanh√£ (13/02/2015) o II Darwin Day no IB da USP com o tema ‚ÄúCombatendo a anti-Ci√™ncia com Educa√ß√£o‚ÄĚ. O evento ser√° transmitido ao vivo online nesse link.
darwin day brasil 2015 IB USP

Em breve será divulgado os detalhes do III Darwin Day da USP de Ribeirão Preto na página deles do Facebook. Abaixo segue o vídeo do evento passado do quel tive a honra de participar.

Assistam tamb√©m o document√°rio curto da BBC ‚ÄúDarwin’s Struggle: The Evolution Of The Origin Of Species‚ÄĚ, √© muito bom. Tenham todos mais um √≥timo Dia de Darwin!!

Feliz Dia de Lamarck e Hamilton!!!

Hoje, dia 1¬ļ de agosto, estamos comemorando um dia evolutivamente marcante! Nessa mesma data nasceram dois gigantes evolucionistas que foram fundamentais para nosso melhor entendimento dos seres vivos.

Jean-Baptiste Lamarck comemora hoje 268 anos! Nascido em 1744, o naturalista frances, al√©m de cunhar os termos ‚ÄúBiologia‚ÄĚ para o estudo dos seres vivos, e ‚ÄúInvertebrados‚ÄĚ para os animais sem vertebra, foi um dos primeiros a aceitar que as esp√©cies podiam mudar, ou seja evoluir, e ainda prop√īs um mecanismo para essa mudan√ßa. Ele descobriu e classificou alguns milhares de esp√©cies. Teve mais de 220 esp√©cies nomeadas em sua homenagem. Faleceu aos 85 anos em 1829. Descubra qual foi seu verdadeiro erro no MARCO EVOLUTIVO e mais sobre sua vida na Wiki.

 

 

Willian Donald Hamilton comemoraria hoje 76 anos! Nascido em 1936, o bi√≥logo evolucionista brit√Ęnico, al√©m de ser um dos proponentes iniciais da teoria da Rainha Vermelha para evolu√ß√£o da reprodu√ß√£o sexuada, revolucionou a biologia evolutiva com a Regra de Hamilton (C < r x B) ao explicar a evolu√ß√£o de comportamentos altru√≠stas dando as bases para a Sociobiologia e¬†para o ponto de vista do gene na evolu√ß√£o. Ganhou 10 pr√™mios cient√≠ficos. Ele faleceu aos 63 anos em 2000, e gostaria que, ap√≥s sua morte, fosse mandado ao Brasil para ter seu corpo devorado pelo besouro carniceiro do g√™nero Coprophanaeus. Descubra o porqu√™ na Wiki.

Ambos teóricos evolucionistas foram pioneiros em seu tempo e trouxeram grandes mudanças em como vemos a evolução das espécies. Lamarck mostrou que apenas leis naturais são suficientes para a transformação das espécies. E Hamilton mostrou que os beneficiados dos comportamentos altruístas são os genes e não o indivíduo ou a espécie. Vamos celebrar e relembrar esses dois pilares do evolucionismo. Feliz dia de Lamarck e Hamilton!!

Seleção Sexual, de Parentesco, Natural, Artificial e Social

O papel e a import√Ęncia das f√™meas t√™m mudado muito, n√£o s√≥ em nossa sociedade, mas tamb√©m nas pr√≥prias teorias evolutivas. Ap√≥s 141 da publica√ß√£o do livro¬†‘A Descend√™ncia do Homem e a Sele√ß√£o Sexual’, em que Darwin introduz a import√Ęncia e as implica√ß√Ķes evolutivas da escolha da f√™mea, pesquisadores rediscutem o papel das f√™meas na sele√ß√£o sexual e sua abrang√™ncia para incluir aspectos n√£o diretamente relacionados com a reprodu√ß√£o.

MARCO EVOLUTIVO traz diretamente do futuro, do dia 19 de agosto de 2012, um n√ļmero especial do peri√≥dico Philosophical Transactions of the Royal Society B: biological Sciences. Intitulado “Sele√ß√£o sexual, conflito social e a perspectiva feminina”, o n√ļmero conta com 11 artigos que giram em torno da competi√ß√£o social feminina.

Enquanto alguns sugerem expandir o escopo da sele√ß√£o sexual para incluir todas as formas de competi√ß√£o entre f√™meas, outros prop√Ķem incluir a sele√ß√£o sexual dentro de algo maior chamado de sele√ß√£o social, outros ainda querem substitu√≠-la completamente por esta. Num sentido mais amplo, a sele√ß√£o social √© tida simplesmente como, a sele√ß√£o resultante das intera√ß√Ķes intraespec√≠ficas sociais. Tudo surgiu quando alguns pesquisadores n√£o conseguiram ver como parte da sele√ß√£o sexual algo que n√£o fosse diretamente ligado √† reprodu√ß√£o, como domin√Ęncia social, por exemplo. Da√≠ inventaram essa tal sele√ß√£o social.

Sinceramente, pra mim essa discuss√£o √© decepcionante. Primeiro, assim como a sele√ß√£o natural n√£o parou no Darwin, a sele√ß√£o sexual tamb√©m evoluiu. O fato de o Dariwn n√£o ter valorizado a ornamenta√ß√£o da f√™mea, nem a competi√ß√£o entre f√™meas, n√£o significa que hoje n√£o saibamos que todas as op√ß√Ķes ocorrem: competi√ß√£o entre machos, entre f√™meas, entre macho e f√™meas, escolha da f√™mea e do macho. E pra isso n√£o precisamos inventar outro conceito.

Segundo, o simples fato da existência da consagrada competição intrasexual, ou seja, luta direta e indireta ritualizada, mostra que seleção sexual não é só sobre sexo, ou apenas coisas diretamente relacionadas à cópula. Ela envolve até as coisas indiretamente relacionadas ao sexo.

Agora, só há evolução, se há reprodução, seja direta, via filhos, ou indireta, via filhos de parentes. Então, a meta final evolutiva, não é só sobreviver (seleção natural), nem só socializar (seleção social), essas atividades são apenas meios para o fim da reprodução (seleção sexual e seleção de parentesco). Mesmo assim, muitos evolucionistas eminentes, como era o caso do próprio Ernst Mayr, consideram a seleção sexual apenas algo menor dentro da seleção natural e de parentesco.

Terceiro, o simples fato de Darwin ter colocado a origem do homem em processos naturais, deixa turva a distin√ß√£o entre sele√ß√£o natural e sele√ß√£o artificial. N√£o h√° nada de mais artificial no ser humano (e nem no que ele faz) do que em qualquer outro animal. Pra mim, tudo isso mostra que n√£o adianta criarmos ou eliminarmos tais conceitos de sele√ß√Ķes se n√£o percebermos que estamos misturando duas coisas. Uma √© ‘quem faz a sele√ß√£o?’: a natureza, o homem, a sociedade ou a f√™mea. Outra coisa √©, ‘visando a que? sobreviv√™ncia, reprodu√ß√£o direta ou reprodu√ß√£o indireta.

Quanto √† √ļltima quest√£o, a coisa √© tranquila, por mim, deixaria a sobrevi√™ncia com a sele√ß√£o natural, a reprodu√ß√£o direta com a sexual e a indireta com a de parentesco.
Para a primeira questão podemos simplificar em dois grupos de atores seletivos: os físicos, os quais são, em geral, mais inertes, não coevoluem com aquilo que selecionam, no sentido de não possuir conflito de interesses; e os biológicos, os quais são direcionais e reativos, pois sempre coevoluem com o que selecionam.

Alguns fatores f√≠sicos s√£o sim alterados em resposta a uma sele√ß√£o condicionada por ele, √© o caso da constru√ß√£o de nicho, em que todo animal (n√£o s√≥ o ser humano) altera seu meio de acordo com suas necessidades, afrouxando algumas press√Ķes seletivas e criando outras. Mas essas press√ßoes nunca ‘revidam’ ou ‘perseguem’ evolutivamente aqueles que selecionam, n√£o t√™m uma agenda pr√≥pria. Os fatores seletivos biol√≥gicos podem vir de outras esp√©cies (como predadores, parasitas, gripes, presas ou domestica√ß√£o) ou ser intraespec√≠ficos. A import√Ęncia da din√Ęmica intraespec√≠fica √© grande, pois veja: ao ca√ßar uma capivara, a on√ßa n√£o s√≥ vence um indiv√≠duos de outra esp√©cie, como sai na frente, naquele dia, na competi√ß√£o por comida com os indiv√≠duos da sua pr√≥pria esp√©cie.

As intera√ß√Ķes intraespec√≠ficas podem ser afiliativas, aversivas ou neutras, de cunho sexual ou n√£o, pra ambos os sexos. O grande desafio ent√£o, √© expandir o entendimento atualizado sobre os conceitos e n√£o criar novos termos tapa-buraco. Assim como existe competi√ß√£o intrassexual (macho-macho e claro tamb√©m f√™mea-f√™mea), existe competi√ß√£o intersexual, entre macho e f√™mea, e ainda existe tamb√©m coopera√ß√£o intrassexual (macho-macho e f√™mea-f√™mea). Assim como existe sele√ß√£o intersexual (f√™mea escolhe macho, e tamb√©m macho escolhe f√™mea), existe sele√ß√£o intrasexual (macho escolhe macho e f√™mea escolhe f√™mea). Tudo isso influenciando a evolu√ß√£o de armamentos (agress√Ķes diretas e indiretas, incluindo piadas ofensivas, bulling e fofoca) e ornamentos (diretos ou indiretos, incluindo piadas positivas, altru√≠smo e recomenda√ß√£o/indica√ß√£o de pessoas).

Al√©m disso, as intera√ß√Ķes sociais dentro da esp√©cie podem ser afiliativas, aversivas ou neutras, de cunho sexual ou n√£o, pra ambos os sexos, sendo parente ou n√£o! Ou seja, existe sim toda uma gama de interrela√ß√Ķes entre sele√ß√£o sexual e de parentesco que deve ser mais bem explorada, afinal ambas s√£o reprodu√ß√£o.
Bom, espero ter ajudado pra abrir o leque de op√ß√Ķes e esclarecer que essa onda de fazer caricatura de conceitos cl√°ssicos, for√ßando a barra em aplic√°-los apenas¬†em casos espec√≠ficos para ent√£o abrir caminho para conceitos ditos ‘mais abrangentes’ (que fazem a mesma coisa no final), t√° por fora.

Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante

Era impossível ficar ao lado de nosso querido César Ades, que nasceu no Cairo, Egito, e não ser levado por seu entusiasmo contagiante. Conheci o César em 2003 no XX Enconto anual de Etologia (EAE) em Natal, em meu terceiro ano de graduação eu ainda não havia encontrado minha área de pesquisa. Lá depois de uma brilhante palestra sobre todos os EAEs anteriores eu estava mais do que cativado pela Etologia, principalmente voltada para os humanos. Ele autografou meu livro de resumo e me desejou um futuro brilhante.

Em meu √ļltimo ano de gradua√ß√£o fiz um trabalho sobre a consci√™ncia animal e se n√£o fosse um texto do C√©sar ter me tocado e me motivado n√£o teria tirado da nota m√°xima.

Em 2004, ao final de meu bacharelado na Unesp de Bauru com Sandro Caramaschi, ex-aluno do Prof. César, fui conversar com ele para estudar possibilidade de um mestrado. Eu estava super nervoso, mas ele me deixou bem a vontade e no decorrer da conversa percebemos que estávamos em sentidos contrários: ele era um psicólogo mais voltado para o comportamento dos outros animais e eu um biólogo interessado no ser humano. Então, ele me indicou a Profa Vera Bussab que acabou sendo minha orientadora de mestrado e de doutorado no Bloco F do IP-USP, inaugurado pelo César enquanto diretor do Instituto anos antes.

Sua disciplina de p√≥s sobre Comunica√ß√£o Animal me forneceu bases s√≥lidas para um estudo comparativo da musicalidade humana. Cada aula com ele era uma maravilha, ambiente descontra√≠do, informa√ß√Ķes precisas e conex√Ķes muito bem elaboradas.

Fora as belas homenagens oficiais a ele realizadas pelo Instituto de Psicologia da USP, muitas palavras relevantes e tocantes foram colocadas aqui na nossa Série Especial do ScienceBlogs Brasil em homenagem ao César, o Grande ao meu ver.

Eu (depois de ficar uma semana e meia fora do ar devido a uma fratura e cirurgia no braço dois dias após seu falecimento) gostaria de acrescentar algo que julgo muito louvável sobre ele. César Ades era tão entusiasmado e curioso por conhecimento que ele não conseguia se conter em apenas dar aulas, fazer pesquisas, publicar, orientar, ter cargos administrativos, organizar eventos, ele também fazia e valorizava a divulgação científica.

Ao ser esse acad√™mico generalista digno de um Da Vinci moderno, a divulga√ß√£o cient√≠fica n√£o poderia passar em branco. Ele deu diversas entrevistas tais como a brilhante ‚ÄėPsicologia e Biologia ‚Äď Entrevista com C√©sar Ades‚Äô, e a ‚ÄėEntrevista: C√©sar Ades estuda a evolu√ß√£o do comportamento animal‚Äô. Escreveu e deu v√°rias contribui√ß√Ķes para a Ci√™ncia Hoje Crian√ßa como explicando a import√Ęncia da limpeza nos animais em ‚ÄėT√° limpo!‚Äô. Ele deu v√°rias palestras e tamb√©m participou de v√°rias comemora√ß√Ķes do Dia de Darwin. Esse ano, C√©sar compareceu ao Catavento Cultural para participar de um talk show com o Prof N√©lio Bizzo. Como sempre tudo bem descontra√≠do e informativo. Ele sempre frisava na import√Ęncia de Darwin enquanto o primeiro psic√≥logo evolucionista. Sua import√Ęncia como divulgador √© crucial e assim como todas suas outras caracter√≠sticas ir√° continuar inspirando gera√ß√Ķes de pesquisadores e admiradores.

Uma de suas mais atuais metas era a de reunir etólogos eminentes da América Latina para um simpósio debatendo origens, desafios e perspectivas futuras da área, de modo a gerar um livro em conjunto sobre as experiências em cada país e a semente de uma aliança Latino-Americana de Etologia. Reuniremos esforços para realizar essa grande ideia junto a alunos e profs.

Um dos mais tocantes comentários sobre o César pra mim foi o do Prof. Fernando Ribeiro quando queria destacar uma virtude dele.

“Quem o v√™ hoje, e encanta-se com seu entusiasmo, conhece o mesmo C√©sar Ades de 40 anos atr√°s. E foi esse entusiasmo que escolhi, a fim de destacar uma de suas virtudes, ao cumpriment√°-lo, na ocasi√£o de sua indica√ß√£o para o Instituto de Estudos Avan√ßados, quando disse a ele: Fui percorrendo suas marcas, a intelig√™ncia, a erudi√ß√£o, o car√°ter… mas como me impus uma escolha, fiquei com o entusiasmo, sem o qual a intelig√™ncia n√£o se acende, a erudi√ß√£o n√£o se atinge, o car√°ter n√£o se transmite. Sim, porque C√©sar Ades √©, e sempre foi, um professor. Sua extrovers√£o e a expressividade com que se comunica constituem sua face vis√≠vel”

Fique agora com os dois vídeos de uma entrevista de César Ades concedida ao programa Trajetória da TV USP em 2011 e com o vídeo mais recente do César Ades no Dia de Darwin. Assim um pouco dele e seu entusiasmo sempre viverá em nós de modo a podermos contagiar toda uma outra geração com suas idéias e atitudes.

Dia de Darwin 2012

Fim do Mundo na Cabeça

O fim do mundo n√£o foi inventado pelos Maias, Astecas, Profetas ou cometas. Ele sempre existiu e mora dentro de nossas mentes. Trata-se da manifesta√ß√£o mais genu√≠na de nosso pluralismo de estrat√©gias comportamentais contingentes √† disponibilidade de fatores s√≥cio-ambientais. Explico, d√°-se mais valor imediato para o recurso mais raro, nossa mente est√° sempre alerta √† disponibilidade de recursos, logo se falta o amanh√£ todo recurso estocado deve ser consumido agora. E tem-se a euforia do √ļltimo dia.

Quanto mais pessoas acharem que o mundo vai acabar dessa vez, mais √≥bvio ele passa a ser e mais pistas se tem para ajustar a estrat√©gia de aloca√ß√£o de recursos imediatista. Ent√£o, sendo assim a quest√£o n√£o passa mais a ser quando ou como o mundo vai acabar, mais sim quais conseq√ľ√™ncias o fim do mundo trar√°. Todo fim do mundo, como sempre, levanta quest√Ķes: reprodutivas, competitivas, paliativas e contemplativas. Basicamente o eixo condutor √© o do dilema entre estrat√©gias ‚Äėr√°pido e rasteiro‚Äô e ‚Äėcalmo e certeiro‚Äô. Seres vivos que se reproduzem cedo, vivem pouco e tem prole grande devotando pouco cuidado parental s√£o estrategistas r de ‚Äėr√°pidos‚Äô, enquanto aqueles que tardam a se reproduzir, vivem muito, tem prole pouco numerosa e devotam muito cuidado parental s√£o os estrategistas k de ‚Äėkalmos‚Äô.

N√≥s humanos s√≥ tememos o fim do mundo porque temos medo da morte. A morte s√≥ surgiu quando do aparecimento do sexo, pois seres de reprodu√ß√£o assexuada n√£o morrem nunca. Logo, um fim do mundo sem sexo √© a morte s√≥ pra quem se reproduz sexuadamente. Muitos seres vivos na hora H dos finalmentes, ao final da ‚Äėsaideira‚Äô da vida s√≥ pensam e fazem uma coisa, sexo. No final do mundo para os salm√Ķes a palavra de ordem √© ficar vermelh√£o e se acasalar. Alguns insetos j√° fecundados s√≥ pensam em botar os ovos no momento da morte. Da√≠ que percebemos que n√£o se trata de sobreviv√™ncia dos mais adaptados, mas sim de reprodu√ß√£o diferencial.

A deple√ß√£o de recursos √© um ponto alto da histeria de massas. Sempre de um desastre natural h√° um frenezi pelos √ļltimos valiosos recursos. Ent√£o temos um contexto para competi√ß√£o, manipula√ß√£o e viol√™ncia. A competitividade aparece sempre em que se investe mais em acasalar agora do que se poupar para investir na prole. √Č claro que a competi√ß√£o por parceiros e recursos n√£o √© um fim em si, mas sim um meio para alcan√ßar melhores condi√ß√Ķes e oportunidades reprodutivas.

√Č claro que no fim das contas h√° sempre um arrependimento e uma nostalgia. No leito de morte a maioria das pessoas acha que devia ter trabalhado menos, ser e fazer aquilo que sempre quis, gostar mais e passar mais tempo com os parentes e amigos, perdoado mais as pessoas. Ent√£o, do fim surge possibilidades de releituras e recome√ßos alternativos. Pena que no caso da esp√©cie humana a coisa esteja ficando tarde demais para um arrependimento e um recome√ßo mais sustent√°vel.

Sabendo que somos os descendentes dos sobreviventes de 5 grandes extin√ß√Ķes em massa, das quais boa parte da biodiversidade da Terra sumiu do mapa, podemos nos sentir com sorte. Entretanto, a sorte a posteriori √© uma ilus√£o, assim como extraterrestres, gnomos, deuses e democracia. Mas ainda assim existe beleza em ver tanta gente ganhando dinheiro com o desespero alheio, e tudo o mais acontecendo conforme as previs√Ķes comportamentais, ao sermos t√£o fr√°geis enquanto sociedade autodestrutiva.

Ent√£o, n√£o deixe que essa nova onda de datas do fim do mundo te acerte em cheio na sua propens√£o cognitiva para o imediatismo e aproveite o momento para rever seus conceitos. Vida longa ao fim do mundo.

Este post fez parte nos √ļltimos minutos do t√©rmino da blogagem coletiva,¬†‚Äú2012: O √öltimo Carnaval?‚ÄĚ e espero contribua para a discuss√£o.

Blogagem coletiva Fim do Mundo

Feliz Dia de Darwin 2012

Simplesmente são 203 anos para o aniversariante mais célebre de hoje, Charles Darwin. Todo dia 12 de fevereiro, comemoramos no mundo todo o Darwin Day, uma celebração sobre Evolução, Ciência e Humanismo. Também comemoramos no Brasil o Dia do Orgulho Ateu. Como podem imaginar, não se trata de tietagem vazia, mas sim de uma homenagem mais que merecida para o cientista que em sua vida e obra levantou temas e posturas muito avançadas, abrangentes e revolucionárias.

Darwin hoje representa para nós acima de tudo Coragem. Valentia para se questionar e mudar, evoluir no pensamento. De caçador de animais e degustador de animais exóticos, passou a defender o respeito para com os animais e condenar as práticas de crueldade. Já que não faz muito sentido ser contrário ao trabalho escravo, o que ainda acontece em muitos lugares do Brasil e do mundo, e não se questionar sobre como tratamos os animais. De religioso e estudante para ser pastor anglicano, virou pesquisador em História Natural e abandonou a crença em deus. Não faz muito sentido acreditar num papai noel, mesmo depois de descobrir que não existe mágica, apenas truques, efeito placebo, auto-engano e tribalismo.

Sem essa coragem para abandonar esse nosso antropocentrismo terrorista nunca conseguiremos construir uma realidade mais universalmente justa e respeitosa. O antropocentrismo terrorista, que ao pregar que o ‘homem’ √© o √°pice, quase divino e, por tanto, est√° autorizado a usar e abusar das outras culturas, etnias, esp√©cies e ecossistemas, est√°, n√£o s√≥ est√° destruindo a si mesmo, mas levando tudo o mais junto para o buraco.

Tenha a coragem de aceitar o desafio proposto por Darwin. Veja a si mesmo como t√£o especial quanto qualquer outra esp√©cie seja bonita e fofinha ou feia e venenosa, sinta-se conectado a todas elas, pois todos somos parentes e, ent√£o veja a beleza de se orgulhar de suas bact√©rias da flora intestinal. N√£o tenha medo de cultivar d√ļvidas, despir a curiosidade de tabus e dogmas, experimente beber do experimentar e testar possibilidades alternativas. E ent√£o permita que as reflex√Ķes nesse dia de Darwin evoluam em voc√™.

Nesse vídeo veremos uma mensagem do idealizador da celebração mundial do Darwin Day, Robert Stephens.