Fala leitor: vídeo sobre as árvores da Marginal Tietê

O Rafael Tadeu comentou no post anterior sobre as árvores e as obras da Marginal Tietê e postou o link de um vídeo. Eu acho que o vídeo vale a pena ser postado e comentado, então lá vai ele.


Minhas considera√ß√Ķes

O vídeo é muito bem feito, mas do mesmo jeito que há exageros do lado do governo, também há do lado dos produtores do vídeo.

Os políticos

“melhorar a qualidade de vida”, aumentando os investimentos em transporte individual inv√©s de transporte coletivo? √Č ruim, hein?

“esverdear, o que n√£o √© mal, para a beleza da cidade, para tudo o mais” – tudo mais o qu√™, governador? Para o ambiente? Para a sa√ļde das pessoas? Para o aumento da √°rea de lazer da cidade (se √© que o parque vai poder ser visitado, inv√©s de ser como na Marginal Pinheiros)?

+ tenho alguns problemas com EIA/RIMA. Supostamente eles são a ferramenta legal que possibilita ou não a construção de uma obra no local onde há fauna e flora (originais ou não). Tenho problemas porque sei quanto tempo esses documentos demoram para ser elaborados (muito pouco) e sei quais são os tipos de pressão que uma empresa de consultoria recebe para realizá-los (muitos).

+ parque linear e ciclovia me parecem decis√Ķes t√£o boas para a marginal! O tr√Ęnsito vai provavelmente continuar, o n√ļmero de carros vai provavelmente aumentar, mas uma ciclovia √© uma alternativa para quem quer deixar o carro em casa. S√≥ espero que a ciclovia seja bem planejada e n√£o um caminho que “leve nada a lugar nenhum”.

Os produtores do vídeo

+ tenho para mim que se alguém usava o canteiro central da marginal para caminhar, como o vídeo sugere, no mínimo tinha arriscado sua vida para atravessar a pista local, o que é muito perigoso. Fora que respirar o excesso de aerosóis que deve ter na marginal não vale a caminhada.

+ cobrar do governo manejo de fauna??? Que fauna???

+ dizer que a polui√ß√£o vai aumentar e que a temperatura vai subir sem nenhum estudo cient√≠fico adequado √© uma tentativa enganosa de convencer pessoas de que a obra √© ruim. A obra √© ruim. Mas n√£o por esses motivos. E, se n√£o gosto de ser enganada pelos pol√≠ticos, tamb√©m n√£o gostaria de ser enganada pelos manifestantes e organiza√ß√Ķes civis.

E você? O que achou do vídeo? Exagerei?

O causo das obras da Marginal Tietê

O post passado, sobre as árvores da Marginal do Tietê que estão sendo derrubadas para a ampliação da via, causou alvoroço nos comentários e trouxe outros aspectos da polêmica obra.

Veja, dizer que as árvores do Tietê não são empecilho para que a obra
aconte√ßa (porque v√£o ser transplantadas, substitu√≠das e um parque linear est√° no projeto) n√£o quer dizer que a obra deva ser feita ou v√° trazer solu√ß√Ķes para o caos do tr√Ęnsito na cidade. A obra tem problemas
muito maiores do que as √°rvores que hoje ocupam a Marginal, mas n√£o s√£o
as árvores que poderiam barrar a construção ou até mesmo, não são elas que seriam um bom jeito de unir a população em torno do
problema.

O problema gira em torno de um imenso n√≥ da cidade de S√£o Paulo, j√° discutido no post anterior e referendado por alguns colegas do Twitter: o tr√Ęnsito. O tr√Ęnsito, que n√£o √© s√≥ exclusividade da cidade de S√£o Paulo mas de todos os centros urbanos de grande adensamento populacional, nasceu h√° muito tempo. Muito mesmo. Antes de qualquer um desses prefeitos, governadores e presidentes em quem n√≥s, mais jovens, tenhamos sonhado em votar. O problema do tr√Ęnsito √© derivado de uma pol√≠tica p√ļblica de ado√ß√£o dos autom√≥veis como meios de transporte e da gasolina, derivada do petr√≥leo como nosso meio de energia para movimentar esses autom√≥veis. Foi uma escolha pol√≠tica, que beneficiava algumas rela√ß√Ķes comerciais e algumas rela√ß√Ķes pessoais e sociais.

Fato √©: eu vejo duas escolhas para a resolu√ß√£o de um problema de tr√Ęnsito – uma solu√ß√£o r√°pida, barata e que a curto prazo n√£o vai mais funcionar, e uma lenta, gradual, com investimento alto em diversos setores, que deve funcionar a longo prazo.

A primeira √© f√°cil! Usa-se o espa√ßo dispon√≠vel (que j√° √© pouco e elimina o canteiro central), faz-se t√ļneis, viadutos, pontes, outro andar de marginal, sei l√°! Qualquer solu√ß√£o que busque aumentar a √°rea para aumentar o fluxo de carros. Essa alternativa funciona por um tempo: tempo suficiente para outros carros invadirem as ruas, a frota aumentar, e tudo ficar insuport√°vel de novo – que parece ser a sa√≠da adotada pela prefeitura e governo do Estado de S√£o Paulo.

A segunda √© muito mais dif√≠cil. Requer educa√ß√£o da popula√ß√£o, investimento em transporte p√ļblico de qualidade e em ciclovias, alternativas inteligentes para o transporte de suprimentos para a cidade, principalmente os atualmente feitos por caminh√Ķes, solu√ß√Ķes para per√≠odos de feriados e f√©rias, AL√ČM DE obras que facilitem o transporte de carros nos dias de semana.

Para a segunda escolha, n√£o bastam investimentos em dinheiro, mas investimentos no social, no ambiental e no econ√īmico, que permeiem outros setores que n√£o s√≥ o de transportes. A log√≠stica da cidade deveria ser realinhada como um todo, para permitir um fluxo mais eficiente de abastecimento e de transporte de res√≠duos. As pessoas deveriam ter a disposi√ß√£o um transporte p√ļblico de qualidade, com pontualidade e pre√ßos justos, que servisse toda a cidade com efici√™ncia. As ruas e avenidas deveriam ser pensadas de modo a permitir um fluxo r√°pido para quem usa transportes p√ļblicos e tamb√©m para permitir o uso de bicicletas. Projetos espec√≠ficos para facilitar o escoamento de pessoas em per√≠odos de f√©rias e feriados deveriam ser estudados e implementados. 

Mesmo com um imenso investimento financeiro por parte do governo, nada disso seria √ļtil se as pessoas que ocupam a cidade n√£o forem educadas para usar transporte p√ļblico sem preconceitos, para pensarem duas vezes antes de tirarem seus autom√≥veis de casa e andarem a p√© ou de bicicleta, para se educarem para o tr√Ęnsito defensivo e n√£o ofensivo.

Para isso, tamb√©m √© necess√°rio investimento na √°rea de seguran√ßa. E, nesse sentido, talvez fossem necess√°rios menos investimentos na √°rea de sa√ļde. E a qualidade de vida de todos aumentaria muito.

Sinto que sonhei… E voc√™? Acha que isso √© poss√≠vel, ou s√≥ fazendo uma nova S√£o Paulo?

O causo das árvores da Marginal Tietê

At√© onde vale a pena “brincar” com a natureza em detrimento do progresso? 

Com essa pergunta, do @interney, lá no Twitter, é que eu tiro o pó desse teclado, as aranhas desse mouse e recomeço a blogar.

A pergunta do Sr. Edney era um chamado para a leitura de um post do Cris Dias, sobre as obras na marginal do Tiet√™. Para a constru√ß√£o de 23 Km de extens√£o de cada um dos lados da via, al√©m de novas pontes e viadutos (aqui), o canteiro central, que abriga hoje cerca de 4589 √°rvores adultas, deixar√° de existir. Dessas √°rvores, 935 ser√£o transplantadas. As demais, algumas j√° condenadas, outras n√£o, ser√£o ou est√£o sendo derrubadas (aqui e aqui).

Minha discuss√£o sobre esse assunto come√ßou l√° no twitter. Eu escrevi “dizer que as √°rvores da marginal s√£o “natureza” √© discut√≠vel.” E √© mesmo. As √°rvores da marginal est√£o bem longe de ser um exemplo de mata ciliar, que √© um tipo de mata original da v√°rzea de rios. Ali√°s, o rio tamb√©m n√£o √© mais o mesmo faz tempo. Assim como o Pinheiros, do qual j√° escrevi um pouco aqui, perdeu seus meandros ao longo dos anos, e foi perdendo cada vez mais a mata original, dando lugar n√£o s√≥ a marginal, mas tamb√©m a pr√©dios comerciais e residenciais. 

Rio_tiete.jpg

Fonte da fotografia: Wikipedia

Dizer que as √°rvores da marginal s√£o sumidouros de carbono tamb√©m n√£o √© verdade. √Ārvores adultas ret√™m uma quantidade m√≠nima de carbono. √Ārvores jovens, das que est√£o sendo prometidas pelo governo em substitui√ß√£o as que ser√£o cortadas agora, essas sim podem contribuir para a diminui√ß√£o da concentra√ß√£o de g√°s carb√īnico (mas s√≥ um pouquinho… 15 mil √°rvores ret√™m apenas algumas toneladas de carbono e n√£o podem ser responsabilizadas por nada em termos de aquecimento global).

Uma quest√£o interessante dessa hist√≥ria toda √© a permeabilidade da via. Fato √© que uma √°rea de asfalto n√£o absorve nada de √°gua de chuva. A troca da √°rea de gramado e √°rvores para maior √°rea asfaltada, sem d√ļvida trar√° problemas de permeabiliza√ß√£o de √°gua. Mas acredito que j√° existam t√©cnicas na engenharia civil capazes de auxiliar o escoamento de √°gua (a verificar).

Agora, h√° uma outra coisa interessante nessa hist√≥ria. Fiz ainda a pouco uma perguntinha no Twitter: View image

Qual é, na sua opinião, o maior problema da cidade de São Paulo, hoje em dia?

Tive at√© agora 10 respostas. Nove delas, relacionadas √† transporte: uma sobre √īnibus fretado (@clauchowi), dois sobre transporte p√ļblico (@carloshotta e @nelas) e seis sobre tr√Ęnsito e mobilidade urbana (@djmisscloud, @UREU, @dbonis, @robertaavila, @docouto, @Joao_Gil). Tamb√©m tive uma resposta sobre desigualdade social e mis√©ria (@kekageorgino). 

Qualquer obra que permita maior fluxo de carros, menos congestionamento e maior mobilidade podem ajudar e muito, n√£o s√≥ o bem-estar das pessoas que usam as marginais, como o meio ambiente. Menos tr√Ęnsito = menos tempo de carros ligados = menos emiss√£o de poluentes. Dizer que as obras da marginal n√£o v√£o ajudar em nada √© precipitado. Dizer que √© melhor manter o canteiro central em detrimento da melhoria do fluxo de ve√≠culos, √© um pouco duvidoso.

Restam duas d√ļvidas. A primeira sobre o paisagismo da √°rea: vai ficar s√≥ concreto e asfalto ou vai sobrar verde para alegrar os olhos do paulistano? A segunda: at√© onde vale a pena brincar com a natureza em busca do progresso?

Fala leitor: Recicoleta

Este post √©, na verdade, um coment√°rio do leitor Paulo Ribeiro a um outro post, o “D√° pra reciclar embalagem TetraPak?”
Devido a import√Ęncia do tema e √†s buscas sobre esse assunto no Rastro de Carbono, com a autoriza√ß√£o do Paulo, vou publicar o coment√°rio dele aqui.
Fala leitor!
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recicloteca.JPG
Somos uma unidade para recebimento exclusivo de embalagens longa vida (leite, suco, massa de tomate, achocolatado, milho, outros) no RJ e ES.
Trabalhamos na conscientização, sensibilização e comercialização destas embalagens.
Nossa finalidade √© aumentar a coleta destas embalagens e sensibilizar a popula√ß√£o sobre a reciclagem, evitando sua destina√ß√£o inadequada para aterros sanit√°rio e lix√Ķes.
Recebemos as embalagens em qualquer quantidade, solto ou prensado, armazenamos e depois enviamos para o reciclador.
Pagamos um preço justo e igual para todos os envolvidos neste trabalho, além de dar todo apoio e ferramentas ( big bags, folhetos, faixas, palestras) que ajudem na divulgação deste trabalho.
Estamos tamb√©m fazendo um trabalho de responsabilidade social, no qual podemos incluir igrejas, escolas, projetos sociais, associa√ß√Ķes, e outros, que √© a troca de embalagens por caixa de leite, telhas ecol√≥gicas feitas a partir dos res√≠duos das embalagens longa vida, cadernos, canetas, e outros.
Visite nosso site www.recicoleta.com.br e saiba mais sobre este projeto.
Divulgamos também para a população o trabalho dos envolvidos neste projeto no site www.rotadareciclagem.com.br . Onde a pessoa coloca seu endereço e no mapa aparecem todas as cooperativas, comércios e pontos de entrega voluntária que trabalham com as embalagens longa vida próximo aquele endereço.
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Então é isso! Se você mora no Espírito Santo ou no Rio de Janeiro, colabore com esse projeto enviando suas caixinhas, divulgando a Recicoleta, se voluntariando ou usando sua criatividade para ajudar o Paulo!
Se voc√™ tem alguma d√ļvida sobre esse projeto, escreva para o Paulo, l√° pelo site da Recicoleta!
E, se você tem um projeto parecido e quer divulgá-lo aqui, sinta-se à vontade para usar esse espaço!

E o que me resta é bem pouco

Post de alerta para o Dia da Mata Atl√Ęntica

Alvorada l√° no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
( a alvorada )

Rodoanel.png
Fonte fotografia
centro_imigrantes.png
Fonte fotografia

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Fonte fotografia

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos t√£o sem vida
E O QUE ME RESTA √Č BEM POUCO
OU QUASE NADA, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida

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M√ļsica: Alvorada, Cartola.

Pegada 24 – Eu tenho uma d√ļvida!

Ent√£o… complementando o post abaixo, me ocorreu mais uma coisa!
75_xixinobanho.jpg
Se 75% das pessoas j√° desbebem no banho, que raios de economia vai ser essa?

Durante o banho, lavar a salada antes ou depois da calcinha?

Devemos √† √ćndia e ao Paquist√£o gratid√£o eterna pela inve√ß√£o do que para mim √© o principal artefato dos banheiros urbanos da atualidade: o vaso sanit√°rio. Claro… n√£o como o conhecemos atualmente, mas, l√° pelos idos de 2.500 a.C., latrinas ligadas a um sistema de corrente de √°gua podiam ser usadas, desde que as pessoas estivessem de c√≥coras.
Coube aos egípcios o aprimoramento do sistema Рa partir de 2.100 a.C, já se podia descomer sentado! Uma perfeição que só foi ultrapassada mil anos depois, quando o sistema sentar + dar descarga foi aprimorada pelos povos do oriente.
No Ocidente? Pasmem… no Ocidente a coisa desandou. Gregos e troianos se entendiam pelo menos em uma coisa: descomer ao ar livre. J√° os para os romanos, que deviam mesmo gostar de mostrar suas obras, tudo era feito em grandes banheiros p√ļblicos – que tamb√©m serviam de local para promo√ß√£o de banquetes e debates! Sensacional! Em Roma, o sistema era bem parecido com o usado no Egito: sentado com fluxos de √°gua para levar tudo embora. Pena que com a queda do Imp√©rio Romano, os grandes debates e banquetes foram se extinguindo, assim como o uso coletivo do banheiro.
A popularização do vaso sanitário Europa afora só seu deu em 1668, a partir da França, quando um decreto determinou que deveria existir pelo menos um banheiro em cada casa. Em 1778, o inglês Joseph Bramah criou um vaso sanitário acoplado a uma descarga hídrica, que por muitos anos ficaria restrito à alguns usos.
lavar salada.JPG
Mas o que isso tem a ver com calcinha e salada? Bom, todo mundo sabe que esse neg√≥cio de descomer e desbeber em qualquer lugar pode ocasionar doen√ßas – no caso do desbeber n√£o pelo conte√ļdo em si, mas, assim como o descomer, pelos seres vivos que ele pode atrair – e, inclusive, seres vivos causadores de doen√ßas.
A √ļltima campanha do S.O.S. Mata Atl√Ęntica sobre economia de √°gua √© uma loucura! Para economizar √°gua vamos fazer o qu√™? Deixar de lavar o carro com tanta frequ√™ncia? Trocar a v√°lvula hidra do vaso sanit√°rio por um sistema inteligente de dois volumes? Diminuir o tempo do banho? Recolher √°gua da chuva? N√£o lavar a cal√ßada? Fechar a torneira para escovar os dentes, lavar os cabelos ou ensaboar a lou√ßa? Aproveitar a √°gua da m√°quina de lavar para lavar o quintal? N√£o!!!!
A bola da vez √© FAZER XIXI NO BANHO (porque, aparentemente, √© uma a√ß√£o que todos podem fazer)! √ďbvio, segundo o site, no come√ßo do banho, sen√£o fica cheiro, n√©? Resta saber como ficam os respingos nos azulejos! E o mal cheiro no ralo? Meu banho √© ultra r√°pido – geralmente desligo o chuveiro para me ensaboar e para lavar o cabelo – n√£o vai dar pra diminuir o cheiro!
Fora isso, segundo o gráfico apresentado acima, é possível economizar água no banho lavando roupa íntima e salada. Salada? Como assim, Bial? Antes ou depois da calcinha?
Mas, n√£o paramos por a√≠! Apesar da aparente perfei√ß√£o t√©cnica dos criadores e diretores Eduardo Lima, Jo√£o Linneu, Fabio Fernandes, Henrique Lima, Julio Zukerman e F√°bio Sim√Ķes (comentado nos mais conceituados blogs de publicidade – aqui e aqui), aparentemente √© razo√°vel fazer xixi na chuva (na fazenda, ou numa casinha de sap√™ tamb√©m?) e embaixo de √°rvores (e viva a cultura greco-romana!) – como pode ser visto no gr√°fico abaixo (se bem que n√£o peguei a ideia de como fazer xixi na chuva gasta √°gua (ser√° que devemos pedir pra S√£o Pedro fazer parar de chover naqueles minutinhos fat√≠dicos?):
chuva e arvore.JPG
Deixo a bola pra voc√™s… mas quando eu acho que tem gente que deveria parar de ajudar o planeta, √© dessas e outras que eu me refiro. S√≥ espero que ningu√©m saia por a√≠ sugerindo que voltemos √†s fossas s√©pticas – l√° n√£o se gasta nem uma gota de √°gua!
Fazer xixi no banho? T√ī fora!
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Informa√ß√Ķes hist√≥ricas: Fernando Dannemann
Mais sobre o tema: De repente
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UPDATE
No orkut, tem mais discuss√£o sobre esse post rolando na comunidadePediatria radical.

Dia da Terra – Como est√£o as negocia√ß√Ķes sobre o clima?

ChargeGylvanNature.jpgCharge disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v455/n7214/full/455737a.html

Hoje, 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra. Para celebrar essa data, aproveitei uma pseudo-f√©rias para ir √† USP, assistir a um debate que promete analisar as negocia√ß√Ķes sobre mudan√ßas clim√°ticas, o que j√° foi feito, o que tem sido feito, o que ser√° feito para as negocia√ß√Ķes internacionais e as perspectivas nacionais em pol√≠ticas p√ļblicas.¬†
Na chegada ao debate, no IEA, j√° tive uma pequena disputa de tr√Ęnsito com uma fulana que definitivamente n√£o sabe dirigir, num Tucson. Est√° agora sentada ao meu lado. Espero que ela tenha grandes contribui√ß√Ķes para dar sobre o tema, j√° que deve ser uma pessoa muito consciente sobre suas emiss√Ķes pessoais de gases do efeito estufa.¬†
Na mesa de discuss√Ķes, apenas nomes de respeito: S√©rgio Serra, Gylvan Meira, Adriano Santhiago, Paulo Artaxo, Tercio Ambrizzi, Jos√© Eli da Veiga e Wagner Costa Ribeiro. Em discuss√£o, o encontro em Copenhagen (COP-15), o mapa do caminho de Bali (COP-14) e os trilhos formados pelos grupos de trabalho¬†AWG-KP e AWG-LCA, as pol√≠ticas p√ļblicas dos EUA, o Protocolo de Kyoto e o segundo per√≠odo de compromisso a ser assumido p√≥s 2012, G-20 e UNFCCC, entre outros.¬†
Resumo da ópera: 
+ H√° um grupo Ad Hoc discutindo o futuro do Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e o segundo per√≠odo de compromissos, que dever√° ser firmado ap√≥s 2012, quando expira o prazo para as redu√ß√Ķes de emiss√Ķes previstas pelo Protocolo.¬†
+ H√° um outro grupo Ad Hoc discutindo formas cooperativas de a√ß√£o a longo prazo (AWG-LCA) para mitigar as emiss√Ķes de GEEs.
+ Todos esperam uma defini√ß√£o dos EUA sobre as pol√≠ticas em rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas, mesmo sem terem ratificado o protocolo de Kyoto. Uma pol√≠tica de “cap and dividend”, ser√°?
+ H√° uma esperan√ßa de que o G-20 – que contempla o grupo dos pa√≠ses que deve ser respons√°vel por cerca de 82% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa do mundo at√© 2015 – proponha medidas de mitiga√ß√£o dos gases do efeito estufa al√©m dos objetivos da UNFCCC. [Minha opini√£o: n√£o vai acontecer.]
+ Infelizmente, mitiga√ß√£o parece ser a ponta do trip√© mais discutido entre os delegados da UNFCCC. Adapta√ß√£o (o que faremos quando as consequ√™ncias do aquecimento global come√ßarem a ser sentidas?) e vulnerabilidade (quais as regi√Ķes mais vulner√°veis aos efeitos do aquecimento global?) s√£o os primos pobres dessa discuss√£o.

+ No Brasil, h√° grandes discuss√Ķes sobre REDD (Redu√ß√£o das Emiss√Ķes de Desmatamento e Degrada√ß√£o ambiental), ou seja, uma pol√≠tica de incentivos para redu√ß√£o de emiss√Ķes de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento e degrada√ß√£o ambiental em pa√≠ses em desenvolvimento que fazem correta conserva√ß√£o, manejo sustent√°vel e aumento dos estoques de CO2 em florestas. [Deve-se lembrar que o Brasil est√° planejando a ado√ß√£o de uma matriz energ√©tica movida a combust√≠veis f√≥sseis (termel√©tricas), aumentando a intensidade de carbono da economia, fragilizando nossas posi√ß√Ķes na UNFCCC].

Basicamente, enquanto os delegados dos mais de 192 pa√≠ses membros da UNFCCC discutem se querem trabalhar com um plano de mitiga√ß√£o, adapta√ß√£o e vulnerabilidade com base em uma perspectiva de um aumento de 2 ou 4 graus Celsius, o Brasil insiste na pol√≠tica da responsabilidade hist√≥rica e os pa√≠ses do G-20 fingem que a crise ambiental merece menos aten√ß√£o do que a crise econ√īmica, o Planeta¬†Terra esquenta, e a fulana do Tucson dirige por a√≠ sem nenhuma responsabilidade por suas a√ß√Ķes pessoais e o aquecimento global faz suas v√≠timas.

22 de mar√ßo – Dia Mundial da √Āgua

468x60banner.gifwww.worldwaterday09.info

O Dia Mundial da √Āgua foi institu√≠do pela Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas em 1992, no Rio de Janeiro, durante a Eco-92. O dia 22 de mar√ßo foi escolhido para as comemora√ß√Ķes, e deve estar em conflu√™ncia com os objetivos da Agenda-21, principalmente com o cap√≠tulo 18, que fala sobre o desenvolvimento e o manejo dos recursos h√≠dricos.

Este ano, o tema para discuss√Ķes no dia mundial da √°gua √© “Transboundary water: shared water, shared opportunities“, que, em uma tradu√ß√£o pessoal, seria “√°guas que cruzam fronteiras: dividindo √°gua, dividindo oportunidades”.

“Whatever we live upstream or downstream, we are all in the same boat.”

Segundo a ONU, em 60 anos, aconteceram mas de 200 acordos internacionais para uso e divisão de águas que cruzam fronteiras e apenas 37 casos nos quais houve violência, mostrando que a cooperação, não o conflito são mais comuns nestes casos.

√Āgua √© um bem natural, do qual dependemos para sobreviv√™ncia direta e indireta. Precisamos de √°gua para manter pr√°ticas agr√≠colas, pecu√°ria. Precisamos de √°gua em ind√ļstrias, para nosso lazer e higiene pessoal.

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Tsiribihina River, Madagascar. Photo: Swiatek Wojtkowiak. Clique aqui para ver mais fotos como esta.

De toda a água existente no planeta, apenas 2,5% são água doce. Destas, 68,9% (climate change permit) estão em geleiras e coberturas de neve permanentes (como no Himalaia, por exemplo); 29,9% estão em aquiferos (como no Aquifero Guarani); 0,3% está em lagos e rios (e apenas esse tanto é renovável); e 0,9% estão em outros (como solo, nos seres vivos, etc.).

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 Distribuição de água no mundo. Imagem por Shiklomanov. Disponível em UNESCO.
No Brasil encontra-se 12% da água doce do mundo. Por isso mesmo há necessidade de uma gestão de recursos hídricos exemplar. Segundo a ANBA, o país apresentará este mês, na Turquia, seu plano de manejo, que inclui o gerenciamento conjunto das bacias hidrográficas (na qual participam governos municipais, estaduais e federal, usuários, universidades, ONGs, etc, além de outros planos de caráter regional.
Dividindo água, dividindo oportunidades me faz lembrar de dizer que dividir não é desperdiçar, e que devemos planejar o consumo consciente de água, mesmo estando em um país privilegiado em relação à disponibilidade de água doce. Portanto, algumas dicas:
+ Não lave calçadas, quintais, carros, etc. sem antes pensar na real necessidade disso. Pense antes em alternativas que ajudem a evitar o desperdício.
+ Feche torneiras enquanto escova os dentes, ensaboa louças ou roupas.
+ Desligue o chuveiro enquanto estiver se ensaboando.
+ Conserte o mais rápido possível torneiras que ficam pingando. 
+ Olhe atentamente sua conta de √°gua e verifique se n√£o h√° nenhum gasto que lhe pare√ßa absurdo nos √ļltimos meses. Isso pode significar que voc√™ tem um vazamento s√©rio.
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Saiba mais:
Em inglês:
Em português:

Cintura de pl√°stico

Ontem eu estava cozinhando (eu adoro cozinhar) e me vi cercada por pl√°sticos. Era o pl√°stico que embalava as vagens, o pl√°stico em embalava as cenouras, o pl√°stico da garrafa de leite, uma sacolinha que eu nem consegui identificar de onde veio, duas sacolas que os feirantes usaram para colocar os sacos de vagem e cenoura, que depois eu coloquei na minha sacola de r√°fia, mas j√° era tarde demais.
E isso me fez lembrar da sopa de pl√°stico do Giro do Pac√≠fico Norte, que eu publiquei, at√īnita, h√° um pouco mais de um ano atr√°s.
Consegui os endereços da pessoa que fotografou aquela tartaruga, não se preocupe se você não se lembra, vou colocá-la novamente aqui. E, descobri que além da dita fotografia conhecidíssima, também existem outras, que ajudam a contar uma história.
O fotógrafo em questão é um herpetologista, Dino Ferri, que na época trabalhava no Audubon Nature Institute, em New Orleans.
Imagine-se no lugar deste pesquisador. Conta Ferri que em um dia normal de trabalho, chegou um garotinho com uma caixa na m√£o. Ele tinha resgatado aquela tartaruga na praia e queria saber informa√ß√Ķes sobre ela, gostaria que o aqu√°rio do instutito cuidasse dela.
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A tartaruga, identificada como uma “snapping turtle“, foi submetida a uma s√©rie de exames que mostravam como um pequeno c√≠rculo de pl√°stico, provavelmente de uma embalagem de refrigerante, poderiam interferir no crescimento do animal. As imagens eram chocantes.
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Exames de raio-X mostravam que nossa pequena tartaruga era uma fêmea e estava gravidíssima. Os ovos podem ser vistos nesta imagem como esferas brancas na parte posterior do animal, espremidos no espaço anterior ao anel plástico. Muitos ovos (como compete a uma tartaruga de respeito).
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A capacidade de reprodu√ß√£o de indiv√≠duos de uma esp√©cie diz muito sobre a sa√ļde da esp√©cie como um todo. Esp√©cies que conseguem gerar descendentes f√©rteis continuam na luta pela sobreviv√™ncia. As que n√£o conseguem, se extinguem. Se um organismo consegue se reproduzir, as chances de que os descendentes deles carregem caracter√≠sticas que os possibilita sobreviver de modos in√≥spitos, como com um anel pl√°stico envolta do corpo pode ser boa.
Infelizmente, nenhum dos filhotes sobreviveu.
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Use pl√°sticos conscientemente. Evite quando poss√≠vel. D√™ a destina√ß√£o adequada para o seu lixo. N√£o jogue lixo em vias p√ļblicas, praias, lix√Ķes ilegais.
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Imagens por Dino Ferri.
Saiba mais:
Brontossauros em meu jardim

Best life