Ainda sobre o Aquecimento Global…

Salve, Pessoal!
Após um período de (festejada por alguns, eu sei…) ausência, eis que retorno a um tema que tem me incomodado muito: as grandes mudanças climáticas, em especial o “aquecimento global” e a “elevação dos níveis dos oceanos”.
Tá bem… Eu sei que a maioria das previsões sombrias são puro alarmismo, coisa de “eco-chato” delirante, etc. Mas será que, realmente, podemos nos dar ao luxo de descartar esses avisos que prenunciam catástrofes generalizadas? Será que tudo isso é só delírio? E se não for?…
Olhem só a matéria que eu encontrei no “Le Monde”

Logo teremos milhões de refugiados expulsos pelo oceano
LE MONDE | 17.12.05 | 14h03 • Atualizado em 17.12.05 | 14h03
No mês de agosto, a centena de habitantes de Lateu, no arquipélago de Vanuatu, na Oceania, entraram de maneira bastante involuntária para a história. Sua vila, às margens do Pacífico na ilhota de Tegua, foi a primeira no mundo a ser deslocada em função do aquecimento global e da subida dos níveis dos oceanos. Com as raízes dos coqueiros submersas, os ciclones e as grandes marés se encadeando em uma cadência inédita, a modesta barreira de coral de 1 metro, última linha de defesa contra as inundações, se erodiu; os mosquitos portadores de diversas doenças prosperavam nas poças de água estagnada…
Foi, portanto, necessário partir para algumas centenas de metros para o inteiror da ilha. Lateu hoje é um símbolo. Seu caso foi evocado, em 6 de dezembro, na conferência em Montreal sobre as mudanças no clima.
Hoje, Vanuatu. Amanhã, as Ilhas Tuvalu. Este será o primeiro Estado a desaparecer por causa do clima, já que a altitude média desse arquipélago não passa dos dois metros. Em 2001, o país concluiu um acordo para que os cerca de 11.000 tuvaluanos sejam acolhidos pela Nova Zelândia. Depois de amanhã, será a vez de Bangladesh, onde uma grande parte do território se situa ao nível do mar, e que já é freqüentemente atingido por inundações catastróficas. Segundo o relatório do grupo de experts intergovernamental de 2001, sobre a evolução do clima (GIEC), se os oceanos subirem 1 metro, o que provavelmente vai acontecer neste próximo século (sic), 30.000 km² de Bangladesh vão desaparecer sob as águas, ou seja, 20% de seu território. Atualmente, nesta imensa zona “alagável”, vivem 15 milhões de pessoas… Para onde irão elas?
O fenômeno dos “eco-refugiados”, como são chamdos os deslocados por mudanças climáticas, só agora começa a ser bem identificado, apesar de ter aparecido desde um relatório de 1985 do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. «Na época, a definição de “refugiados do ambiente” era extremamente abrangente», relembra Véronique Lassaily-Jacob, professora de geografia na Universidade de Poitiers e pesquisadora especializada em migrações forçadas no laboratório Migrinter. «Ela incluia todas as populações obrigadas a deixar suas residências em decorrência de uma ruptura nas condições ambientais, tais como terremotos, catástrofes industriais. Atualmente, a orientação para a definição é mais restrita aos fatos ligados a mudanças climáticas.»
Nos dias de hoje, as principais causas das migrações ambientais são as secas e a desertificação – notadamente na África Subsaariana –, bem como as inundações. Mas «existem razões fundamentadas para crer que o número de pessoas em fuga de condições ambientais insustentáveis, aumente de maneira exponencial no momento em que o mundo seja submetido aos efeitos da mudança climática», afirma Janos Bogardi, diretor do Instituto para o Ambiente e a Segurança Humana da Universidade das Nações Unidas (Bonn. Alemanha).
Além dos arquipélagos pouco elevados do Pacífico e de Bangladesh, a elevação dos mares deverá ameaçar os grandes deltas, como o do Mekong e o do Nilo, 70% da costa da Nigéria, bem como a maioria das “megacidades” do futuro. Das 21 cidades que, em 2015, deverão ter mais de 10 milhões de habitantes, se constata que 16 delas estão situadas em regiões costeiras. Mas a elevação dos níveis dos oceanos não fará apenas desaparecer os territórios: ela também tem efeitos colaterais perversos, como a salinização de terras agricultáveis e a poluição de lençóis freáticos que ainda permitem a difícil agricultura, e mesmo a vida, nas costas. O relatório do GIEC prevê, notadamente, uma redução generalizada dos rendimentos agrícolas e uma diminuição da disponibilidade de água em certas zonas que causarão migrações forçadas.
O aquecimento do planeta acentuará, igualmente, os acidentes climáticos extremos, tais como furacões e as secas. Assim, na China, o deserto de Gobi ganha mais de 10.000 km² a cada ano, um fenômeno também encontrado no Marrocos, na Tunísia e na Líbia. Quanto à temporada de furacões excepcional que fustigou o Golfo do México em 2005, ela pode muito bem ser uma amostra da norma para o século XXI. Teremos que reconstruir New Orleans a cada dez anos, no futuro?
Bem mais ao Norte, as populações Inuits vêem, a cada dia, seu ambiente, suas tradições e seu modo de vida se moficiar, em função do encurtamento da estação fria, da fonte dos gelos e do encharcamento do solo (Le Monde, 16 de novembro).
Bogardi avalia em 25 milhões o número atual de eco-refugiados – para os quais não existe status jurídico algum – e estima que esse número deve dobrar até 2010. O especialista britânico em ambiente Norman Myers adianta para 2050 uma cifra de 150 milhões de emigrantes atribuíveis ao aquecimento climático, ou seja, em torno de 1,5% da população mundial naquela época… «Todas essas estimativas têm pouca credibilidade, variando extremamente, conforme a fonte», tempera Véronique Lassaily-Jacob. «Elas têm um objetivo alarmista: criar o pânico coletivo de ver chegar hordas de refugiados do ambiente que viriam invadir os países do Norte. Mas se esquecem que essas migrações se fazem, geralmente, para o inteiror dos países de
origem e que as populações, ao menos em um primeiro estágio, colocam em prática estratégias de adaptação às transformações climáticas». Enfim, se a Holanda, habituada de longa data a lutar contra o mar, dispõe da tecnologia e do dinheiro para contemplar futuras cidades flutuantes, este certamente não será o caso de Bangladesh.
Pierre Barthélémy

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