Carros particulares: os grandes vilões!…

Salve, Pessoal!
Este artigo foi motivado pelos artigos postados pela Maria Guimarães no “Ciência e Idéias”, ontem, com os títulos «“Declaração de São Paulo” define metas para melhorar a qualidade do ar e dos transportes urbanos na América Latina» e «Manifesto por cidades humanas».
O assunto é de grande importância e – por que não dizer – urgência. Os níveis de poluição nos grandes centros urbanos e a contaminação da atmosfera, em geral, são questões que não podem ser mais “empurradas com a barriga”. Os efeitos já estão se fazendo sentir!
O que me deixa avesso, são certas afirmações simplistas, mentirosas em essência, e que, em lugar de procurar soluções realmente adequadas, se preocupam mais em achar “bodes expiatórios”. Senão vejamos alguns trechos pinçados do primeiro dos artigos em causa.
Já começa o texto com a seguinte afirmação:

Boa parte da poluição do ar é causada por carros particulares. As conseqüências são sérias e vão desde mudanças climáticas globais até mortes e internações.

“Boa parte”, quanto? Exatamente, quanto? Qual o índice de emissão de poluentes “per capita” para os carros particulares? E qual é a parte correspondente aos ônibus e caminhões desregulados? Qual é o índice “per capita” destes? Notem o recurso retórico de começar a segunda frase logo após a expressão “carros particulares”, fazendo uma velada associação às “sérias conseqüências”. Vejam o mesmo trecho, refraseado:

Os carros particulares são responsáveis por boa parte da poluição do ar. As conseqüências são sérias e vão desde mudanças climáticas globais até mortes e internações.

O conteúdo é o mesmo, mas a “apelação” emocional diminui bastante. As conseqüências são causadas pela poluição, não pelos carros somente. Claro que os carros são uma das fontes de poluição, mas o problema a enfrentar é a poluição em si, não o uso de carros particulares.
O texto, mais abaixo, prossegue:

Grande parte da poluição do ar se deve ao crescimento da frota de veículos.

Indiscutível! Mas com a frase inicial, ainda na cabeça, o leitor associa “frota de veículos” com “carros particulares”, o que é, simplesmente, mentira! O número de veículos de transporte coletivo e de cargas cresce igualmente, em virtude da maior demanda por meios de transporte para pessoas e de mercadorias para essas pessoas (mas o crescimento desordenado das conurbações é solenemente ignorado – claro! Carros não votam, pessoas, sim. E o número de eleitores pedestres é bem maior do que o de “motorizados”).
Outra “agulhada politicamente correta” aparece mais abaixo:

A proliferação de pequenos coletivos como as peruas são um problema sério, pois acabam por dividir o trânsito (e a emissão de poluentes) em veículos menores e mais “sujos”. A primeira medida, portanto, é limpar os veículos — tanto em termos de regulagem e tecnologia como do combustível utilizado.

Opa! E o motivo da “proliferação dos pequenos coletivos”? Não é algo que mereça atenção? Esse “transporte alternativo” (eufemismo para “van”, no Rio, e “perua”, em Sampa) começou a operar em locais onde o Serviço Público de transporte não ia. De repente, perceberam que, mesmo nas rotas servidas pelos Transportes Públicos, havia espaço para os “piratas”. Isto, certamente, é um dado relevante; mas que “passa batido”: vamos “limpar os veículos”… Só não esqueçam de começar pelos ônibus legalizados e caminhões. E pelas “viaturas oficiais”, a começar pelas latas velhas com as quais “equipam” as polícias (para quem não sabe: no Estado do Rio de Janeiro, as polícias recebiam veículos reprovados nos controles de qualidade das fábricas – portanto, mais baratos…) A perua clandestina (toda amarrada com arame e com um “kit-gás” clandestino) polui. Mas a ambulância (também caindo aos pedaços, porque jamais viu uma revisão), também. Dos ônibus que parecem equipados com geradores de fumaça, eu nem vou falar…
A questão dos combustíveis é realmente relevante. O Brasil tem tecnologia de ponta nesse setor: só resta passar do discurso de campanha para a prática (mas será que isso realmente interessa à Petrobrás?… O Brasil exporta, a preço vil, o excedente de gasolina, para custear a importação de Diesel — aliás, outro dado pouco conhecido: nosso combustível para aviação é dos mais baratos do mundo! Por que? Produção excedente…)
Desde a “crise do petróleo” da década de 1970, a Petrobrás sabia que um dispositivo combinando o óleo de mamona com o GLP poderia substituir o Diesel, sem necessidade de regulagem diferente do motor. Mas o GLP já é pouco para o consumo dos botijões domésticos e, gás natural canalizado, custa caro para implantar…
A matriz do transporte, no Brasil, é de um total absurdo. As cargas e passageiros são transportados, preferencialmente, pelos meios mais caros: aéreo e rodoviário. Isso, no país com a maior malha de aquavias interiores… Mas, construir uma hidroelétrica em Sete Quedas, tudo bem. Construir eclusas para a navegação… ah!… isso fica muito caro!… A navegação no São Francisco só sobrexiste por motivos turísticos. E pensar que ele foi uma das vias de penetração da colonização do Brasil-Colônia… Inventar uma absurda “transposição das águas do São Francisco” para resolver (será?…) o problema de meia-dúzia de municípios nordestinos, pode. Abrir canais para ligar as bacias fluviais, não.
Só para dar um exemplo de como, no Brasil, “o carro anda na frente dos bois”, na época em que eu residi em Corumbá-Ladário, MS, mandar uma encomenda do Rio para Corumbá por via aérea, não só era mais rápido: era mais barato do que pela ferrovia! Dá para entender?…
Continuando a pinçar o texto:

Mas ônibus movidos a combustíveis mais limpos, como gás natural ou biodiesel, não resolvem o problema de poluição se estão presos no trânsito, afirma Schipper. “A mobilidade sustentável é o que resolve o problema”. Segundo ele, a ênfase em combustíveis limpos traz o problema de aumentar sua demanda. A solução é reduzir a necessidade de combustível, explicou.

Explicou o problema, mas não indicou uma solução. Mais pessoas, mais coletivos, mais combustível, mais tráfego, mais engarrafamentos, mais combustível desperdiçado, mais poluição. Qualquer um pode ver isso. E a solução?

Lloyd Wright, da Fundação Viva, em Quito (Equador)[…] acredita que vias para pedestres, ciclovias e transporte público são soluções muito mais efetivas do que depender de um tipo de combustível. Mas ele avisa que essas soluções só serão adotadas pelo público se oferecerem velocidade, comodidade e segurança.

Sim… E carregar algumas sacolas de compras a pé, ou penduradas no guidom da bicicleta são uma excelente solução… para a mãe dele! E uma ciclovia Seropédica – Centro do Rio é uma excelente alternativa para a Avenida Brasil – para quem não se importa de pedalar 120 km de ida e 120 km de volta, todo dia… Fácil! Você acorda às três da madruga, monta no “camelo” e sai pedalando… lá pelas 9, você está pronto para bater o ponto (e cair duro de cansaço no trabalho)… lá pelas cinco da tarde, você acorda, bate o ponto de novo, pega o “camelo” (se é que ele ainda está onde você deixou…) e chega em casa lá pelas 11 da noite… e cai na cama, sem tomar banho, porque, no dia seguinte, você tem que acordar às três da madruga… Ora, faça-me o favor!!!…
Existe uma linda ciclovia, no Rio, que liga Copacabana ao Centro da Cidade. Se há meia dúzia de pessoas que a usam, regularmente, para ir e voltar do trabalho, eu vou ficar muito surpreso…
Triste é um longo trecho que se segue:

Mas para realmente solucionar o problema, é preciso ousar. Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, contou sobre as mudanças feitas na capital colombiana. Segundo ele, a questão do transporte transcende questões científicas e técnicas. “As cidades têm que refletir que os seres humanos são sagrados”, diz. Elas têm que ser planejadas para promover igualdade social e bem-estar. Até agora foi dada prioridade à mobilidade dos carros mais do que à felicidade das crianças. E segundo ele, para sermos felizes precisamos caminhar. De outra forma sobrevivemos, como um passarinho sobrevive numa gaiola.
Peñalosa chega a considerações mais filosóficas do que políticas. Segundo ele, precisamos rever nossos ideais de felicidade. Talvez ter um carro possante e andar a 200 Km/h numa auto-estrada não traga tanta felicidade quanto passear numa bicicleta velha por uma ciclovia às margens de um rio. Acima de tudo, ele defende que as cidades devem contribuir para a igualdade de qualidade de vida entre as pessoas. Para o ex-prefeito, é impossível tomar decisões sobre transporte sem definir que tipo de cidade se quer. Sua proposta é construir cidades para as pessoas, que privilegiem o espaço público para pedestres.
É esse o rumo que ele tomou durante sua gestão de Bogotá: tornar a cidade mais agradável para pessoas do que para carros. Por isso, vagas para estacionamento perderam espaço para calçadas alargadas. Se os recursos são escassos, a prioridade vai para calçamento de vias para pedestres e bicicletas; se falta espaço, o que não cabe são os carros. É esta a visão de Peñalosa. E andar de bicicleta, não porque seja simpático ou divertido. Mas porque é um direito do cidadão deslocar-se de forma barata sem correr risco de vida.

Ou seja: quem tem um automóvel é um bandido, que merece cadeia ou coisa pior. O Sr. Peñalosa é um grande demagogo! Esse discurso (supostamente, de cunho muito social e humanista) agrada àqueles que não têm recursos para comprar um carro (muito mais numerosos…); mas o trânsito em Bogotá é famoso por ser uma m****.
Este tipo de atitude é de um maniqueísmo imbecil: onde há carros, não cabem pessoas; onde há pessoas, não cabem carros. Quem anda de carro não é “gente”, portanto… Não paga impostos (sobre o veículo, sobre os combustíveis, sobre a “indústria de multas de trânsito”, mais aqueles embutidos no preço do carro – que, no Brasil, são mais do que a metade do preço final do carro – e nos custos de manutenção). Garanto que o Sr. Peñalosa não dispensou nenhum recurso oriundo dessas fontes para suas obras de “humanização” de Bogotá… Non olet…
E esse maniqueísmo imbecil ainda impõe outras provações aos “malditos” motoristas particulares. “Uso de cinto de segurança obrigatório”. Se fosse, realmente, pela preocupação com os ocupantes dos veículos, não deveria ser permitido transportar passageiros em pé nos ônibus. Ou será que isso foi resultado do lobby das Seguradoras que sabem que a maior parte dos acidentes ocorre em velocidades abaixo dos 60 km/h (acima disso o cinto é mais perigoso do que protetor). Junte os lucros das seguradoras (que não fazem seguro para passageiros de ônibus urbanos), à “indústria de multas” e uma maciça propaganda enganosa pela mídia (que recebe bom dinheiro pela propaganda veiculada), e temos mais uma “lenda urbana” criada.
“Lombadas eletrônicas”, “Pardais” com velocidades ridiculamente baixas, localizados nos pontos estratégicos (no vale entre uma descida e uma subida, por exemplo, ou logo após à saída de um túnel), funcionando em horários onde nem alma penada está na rua (quanto mais a polícia, para lhe proteger de um assalto…), estacionamentos públicos com um número ridículo de vagas e taxas absurdas, e quem tem prioridade no planejamento urbano ainda é o pedestre! É mesmo?… E quanto ao acesso ao coletivo para deficientes e idosos?… E os pontos de ônibus que servem a trocentas linhas – onde o ônibus ou para no meio da rua, ou “passa batido”?… E a fiscalização dos transportes concedidos?
Querem um exemplo dessa última? Eu dou… O órgão estadual do RJ autorizou, há mais de um ano, a cobrança da passagem Niterói-Araruama em um valor superior a R$ 12,00. Atualmente, a concessionária monopolista (Auto Viação 1001) está cobrando R$ 8,00 pela passagem, a título de “promoção” (quando o valor foi fixado, a passagem custava, “na promoção”, R$ 5,00). Agora, me conte com base em que foi fixado esse valor superior a R$ 12,00, quando a mesma companhia pode cobrar R$ 11,00 pela passagem Araruama-Rio, que passa pelo pedágio mais caro do Brasil (via Lagos) e pela Ponte Rio-Niterói????
Se eu for ao Rio com minha mulher, sai mais barato a gasolina (nem vou argumentar que meu carro é adaptado para GNV… é covardia…) do que a passagem (conte as passagens de ônibus urbano no Rio). Só que eu nunca vou de carro: a casa da minha sogra não tem garagem e eu não sou louco de tentar ir de carro ao Centro do Rio. Só se meu carro tivesse a capacidade de virar supositório…
Pois é, Maria… Eu concordo com você:

Que tal ir trabalhar a pé ou de bicicleta, mesmo que demore um tanto mais? Você deixaria de poluir o ar, economizaria tempo e dinheiro com academia e ficaria mais saudável.
Eu adoraria, pena que nem sempre é possível.

Mude de “nem sempre” para “quase nunca” e eu assino em baixo também!

Discussão - 6 comentários

  1. Maria Guimarães disse:

    vamos lá.1. “Boa parte da poluição do ar é causada por carros particulares” – o valor per capita não tem a menor importância, já que um grande problema é justamente o aumento desenfreado da frota de carros. Frederico Bussinger, secretário de transportes de São Paulo, apresentou dados interessantes. a cidade tem cerca de 22 mil veículos de transporte coletivo e 5 milhões de carros particulares. da poluição total da cidade, cerca de 70% se deve a veículos – mais ou menos 50% para os particulares e 20% para os coletivos. estes estão em processo de renovação da frota, então as emissões serão ainda menores; os carros vão continuar como estão.2- “Grande parte da poluição do ar se deve ao crescimento da frota de veículos” – eu quis dizer carros particulares sim. a comparação aqui é entre particulares e coletivos, e os dados apresentados na conferência mostram isso mesmo que eu disse. não discutiu caminhões de carga, então sobre isso não posso falar.3- “Opa! E o motivo da “proliferação dos pequenos coletivos”?” – concordo totalmente. o palestrante não pôs as peruas como vilãs – o problema é justamente que cria-se um ciclo vicioso: a deficiência de transporte abre espaço pra elas, o que por sua vez reduz a urgência de se melhorar o sistema oficial de transporte coletivo. as prefeituras têm que encarar o problema e organizar o transporte de forma integrada. 4- “será que isso realmente interessa à Petrobrás?… ” – a Petrobras foi um dos financiadores da conferência de que falo. Ildo Sauer, da Petrobras, falou brevemente na sessão de abertura. ele mencionou como focos de atividade da empresa: a produção de biocombustíveis; um plano de investimento para remover enxofre dos combustíveis; um programa nacional de racionalização do uso de derivados de petróleo (que inclui substituir diesel por biodiesel em caminhões e ônibus); um projeto para etiquetagem de veículos, de forma que sairiam da fábrica com seu consumo definido -assim a gente compraria carros sabendo qual o seu impacto em emissões; gás natural (ele disse que um fracasso da PB foi não ter conseguido inserir gás natural na frota de transporte público).5- “A matriz do transporte, no Brasil, é de um total absurdo.” – concordo completamente. e os trens???6- “Explicou o problema, mas não indicou uma solução.”- não existe solução geral. a embarq, que o palestrante representou, justamente vive de traçar estratégias de transporte urbano estudadas para cada caso. de forma geral, a solução é conseguir que o transporte público funcione. como é o caso em experiências bem-sucedidas que mencionei, curitiba e bogotá.7- “Sim… E carregar algumas sacolas de compras a pé, ou penduradas no guidom da bicicleta são uma excelente solução… ” – você não leu a frase toda, que você mesmo copiou: “para pedestres, ciclovias e transporte público”. não sei pôr o “transporte público” em negrito. claro que ir ao supermercado de ônibus não é muito confortável, mas a sugestão não é que carros deixem de existir – mas que sejam usados só quando realmente necessário. eu tenho um bagageiro bem prático na minha bicicleta. quando carrego coisas, não costuma ser no guidom. soluções precisam de boa vontade e criatividade, joão! e sarcasmo não ajuda – você sabe muito bem que o trajeto seropédica-centro do rio seria melhor feito de trem, não bicicleta. por isso ninguém sugere “vamos derrubar tudo e construir ciclovias”. transporte público (em negrito) é ônibus, metrô, trem- só que bem planejado para que seja rápido, seguro e cômodo.8- “Existe uma linda ciclovia, no Rio, que liga Copacabana ao Centro da Cidade. Se há meia dúzia de pessoas que a usam, regularmente, para ir e voltar do trabalho, eu vou ficar muito surpreso…” – era legal ver um levantamento, quem sabe você se surpreendia. mas enfim, se fosse um pouco mais difícil ir de carro (se tivesse que pagar, ou se não tivesse onde estacionar) mais pessoas iriam de bicicleta. eu fiz doutorado nos eua, e não dava pra ir pra universidade de carro. não tinha onde parar a não ser que você fosse rico. tinha dias que não dava a menor vontade de pegar bicicleta ou ir a pé – chuva, frio… mas a gente encarava, pegava o ônibus se preciso, e ficávamos todos mais saudáveis – pessoas e ar.9- “Ou seja: quem tem um automóvel é um bandido, que merece cadeia ou coisa pior” – não. mas quem vai até a padaria da esquina de carro, ou nem pensa duas vezes antes de entrar em seu carro, fechar a janela e ligar o ar condicionado é um egoísta e contribui para o fim deste nosso mundo.10- “mas o trânsito em Bogotá é famoso por ser uma m****.” – de quando é este seu dado – antes ou depois da gestão do peñalosa? e o que importa aqui não é se o trânsito é bom – mas se os ônibus funcionam, se quem vai trabalhar sem usar seu carro consegue de forma simples e eficaz.11- “Mude de “nem sempre” para “quase nunca” e eu assino em baixo também!” – será mesmo? eu vou começar num trabalho novo e já investiguei como ir de ônibus. é minha primeira opção, espero que dê certo. enfim, como tenho a estranha mania de ter fé na vida estou torcendo para que essa conferência dê frutos concretos e esse teu “quase nunca” mude. em breve.

  2. João Carlos disse:

    Então, vamos lá:1 – Não é só o aumento da frota de carros. É, também, a obsolecência de grande parte da frota (quem não tem dinheiro para comprar carro novo, compra o que pode…). Mais de metade da frota de “veículos automotores de vias terrestres” (para usar o termo oficial) é de coisas obsoletas e, o que é pior, sem manutenção alguma!. Os caminhões são menos “visíveis” porque, geralmente, trafegam à noite nas cidades. Generalizações são sempre perigosas, como bem diz o Malcolm Gladwell no artigo que eu traduzi sobre generalizações. Já que a preocupação é com a poluição gerada, que tal – por exemplo – financiar a colocação de catalisadores nos carros que não dispõem disso, dando um prazo semelhante ao da renovação da frota de coletivos? Depois disso, cair de pau com a fiscalização, apreendendo em retirando de circulação as sucatas ambulantes – sem esquecer de indenizar o proprietário. Que tal permitir, tal como as deduções permitidas no Imposto de Renda, permitir o abatimento das despesas comprovadas com a manutenção do carro no valor do IPVA? Alguém se atreveu a propor estas medidas? Dou minha cara a tapa…2 – Realmente, não vem ao caso, uma vez que os caminhões não deixam de ser “transporte coletivo”, só que de carga, não de passageiros. Provavelmente, os dados incluem isso.3 – Pois é… O palestrante “não pôs as peruas como vilãs”. Mas elas poluem tanto ou mais do que os carros particulares. Sem contar o “nó” que elas dão no tráfego, que prejudica terrivelmente o fluxo de todos os veículos. Concordo integralmente, em gênero, número, grau, caso e declinação com você: a urgência maior é em racionalizar os serviços de transporte coletivo! No final do artigo (e desculpe a grosseria), eu afirmei que não vou ao Centro do Rio de carro; eu vou de metro e ando (andando, eu chego mais rápido do que tomando outro coletivo, mesmo que seja para cruzar a Avenida Rio Branco da Praça Mauá à Cinelândia). Não deveria ser assim! Eu sou favorável a soluções radicais, tais como a criação de “áreas de transbordo”, onde o cidadão deixasse seu carro estacionado (por uma taxa mínima) e tomasse um coletivo. No Centro das Megalópoles, apenas coletivos e taxis especialmente habilitados para isso (motores particularmente não-poluentes). Uma solução como a apresentada pela Sílvia, em seu Blog, seria, realmente, uma beleza: bicicletas públicas! Pena que – como eu observei – toda a população da Suécia cabe, com sobras, na conurbação do Rio de Janeiro (São Paulo, não vale… é covardia…)4 – Eu não discuto as declarações do Ildo Sauer. Esses programas da Petrobrás existem – como eu insinuei – desde a crise do petróleo de 1970. Só que não saem do lugar! Por que? Talvez o Ildo Sauer não possa tornar públicos os motivos… Muita coisa (importante) que a Petrobrás constatou, não é divulgada; por exemplo: no afã de achar petróleo no NE, a Petrobrás descobriu diversos aquíferos que poderiam diminuir grandemente os problemas da seca… Nunca subestime: a) o poder do lobby das “Sete Irmãs”; b) a capacidade dos governos brasileiros (de todos os matizes) de mentir e omitir…5 – Os trens são a segunda modalidade de transporte mais barata. E o que fizeram com as ferrovias brasileiras? Viraram sucata… à excessão da Vale do Rio Doce (o que comprova que a solução é correta). “Transporte intermodal” (leia-se “contêineres”) são largamente usados no Primeiro Mundo. Aqui, a soja de Mato Grosso do Sul vai para Santos e Paranaguá de caminhão… Alguém, em sã consciência, levaria grãos da Polônia para Marselha de caminhão? A distância é parecida… Sem contar que as ferrovias brasileiras ainda são movidas a Diesel (apesar do potencial hidroelétrico…). As aquavias inteirores sequer entram nos cômputos (apesar do excelente resultado com a aquavia do Tietê – mas o Estado de São Paulo é um país diferente…)6 – Curitiba e Bogotá são bons exemplos. Se lá deu certo, há de haver soluções para as outras conurbações. O grande problema é querer aplicar fórmulas que deram certo em um lugar, e aplicar em outros, onde não são adequados. Exemplo clássico: metro, no Rio de Janeiro. Onde não é rocha viva, é areal ou terrento pantanoso. Funcionar, funciona muito bem. Mas o custo de construção é proibitivo. Pinçado do artigo de seu Blog: «Um projeto em análise em Curitiba é o metrô cutting cover, explicou o Diretor de Negócios da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) Clodualdo Pinheiro Júnior. É uma tecnologia mais barata do que o metrô convencional, porque as escavações se limitam a 7 metros de profundidade. Em cima dessa vala é posta uma tampa, sobre a qual se propõe a instalação de jardins e ciclovias.» Ou ruas – por que não? Ruas arborizadas, com muitas vagas para estacionamento de carros particulares…7 – O sarcasmo foi intencional, Maria, para salientar um aspecto que passa despercebido a muitos, dispostos a importar idéias. Mais uma vez, eu cito a observação da Silvia sobre as bicicletas públicas em Estocolmo. Nem precisava ir tão longe: na Ilha de Paquetá, na Baía da Guanabara, só se anda de bicicleta. Veículos, só uma ambulância, um carro de polícia e uns dois caminhões de lixo (o transporte de cargas é feito por charretes tracionadas por cavalos. Mas Paquetá tem uma população fixa de cerca de 2.000 habitantes e uma flutuante de até 50.000 (nas férias e feriadões).No Rio, está funcionando razoavelmente bem um sistema de integração metro-ônibus (o chamado “Expresso”). Eu me vali dele o tempo todo, no mês passado. Só que – para os efeitos desta discussão – o engarrafamento crônico da Rua das Laranjeiras põe tudo a perder…8 – Talvez eu me surpreenda, mesmo (concedo). Entretanto, se fosse um pouco mais difícil ir de carro (se tivesse que pagar, ou se não tivesse onde estacionar) mais pessoas iriam de bicicleta. Já é!. Só que – pela falta de segurança (locais onde deixar as bicicletas – fora o perigo de tê-la roubada no Aterro do Flamengo) – as pessoas vão de ônibus e metro, mesmo… O grande problema do Rio de Janeiro é que o Centro da Cidade é um elo de ligação entre as Zonas Sul e Norte. As particularidades topográficas do Rio de Janeiro são um pesadêlo. O Jaime Lerner (que consertou Curitiba) fez um plano para o Rio, no final da década de 1980, que previa vias expressas (as famosas “Linhas” coloridas). E o que você ouve falar das únicas duas realmente construídas, a Vermelha e a Amarela? Que não são lugares seguros para trafegar… Aí, entra o fator “segurança pública” que não depende das Prefeituras.9 -Mais uma vez, concordo, sem reservas. Mas o velho brocardo jurídico: “abusus non tolit usus”, também se aplica. Eu sou fumante (tabagista, para ser preciso – e não me orgulho disso). Mas nunca me passou pela cabeça fumar dentro de um coletivo, ou em um ambiente fechado, ou simplesmente mal ventilado. Mas a persegução que estão movendo aos fumantes, também está me irritando. Fumar faz mal: respirar poluição também. Mas o fumante é que é “anti-social”…10 – Concedo que minha informação pode estar desatualizada. Mas não retiro uma só palavra do que disse sobre a argumentação demagógica do Sr. Peñalosa.11 – Eu raramente ia trabalhar de carro. Havia casos onde eu tinha que fazer três baldeações e andar um bom trecho a pé. Mas isso eu fazia por opção, não por imposição. Por isso, eu aceitei seu convite. Mas o fato é que grande parte das pessoas que usam um carro para ir trabalhar, não têm outra opção.

  3. Maria Guimarães disse:

    concordo com você em muita coisa. mas no seu discurso o que transparece é o mau humor, que não ajuda. claro, as opções são ruins, o transporte público não foi priorizado até agora pelas administrações. tem que priorizar, tem que achar soluções. e tem, sim, que conscientizar as pessoas. eu gostaria de saber quantas pessoas que têm carro consideram a idéia de se locomover – mesmo que em situações esporádicas – de outra forma. aposto que muito poucas!

  4. João Carlos disse:

    Maria, eu sou um velho rabugento… Eu detesto atitudes do tipo “daddy knows better” e explicações embromativas do tipo: “para sua própria segurança…” (como, por exemplo, limitar os saques de dinheiro nas caixas automáticas dos bancos, após as 22:00h, sob o falso pretexto de que é para “evitar sequestro relâmpago” – eu sempre disse a minha mulher e meus filhos que a única coisa que você só pode fazer à noite, é olhar as estrelas…)Eu sou gordo, militar, tabagista e vascaíno. Dá para imaginar o quanto eu tenho que aturar de preconceitos contra os estereótipos?…eu gostaria de saber quantas pessoas que têm carro consideram a idéia de se locomover – mesmo que em situações esporádicas – de outra forma. aposto que muito poucas! Talvez você tenha uma grata surpresa, como eu posso ter com a ciclovia Copacabana-Centro… Como eu estou morando fora da cidade do Rio de Janeiro há 12 anos, talvez eu tenha uma falsa impressão, causada pelas visitas apressadas que eu faço a minha cidade natal. Mas a maior parte das pessoas que eu conheço, lá, não vão trabalhar de carro, se o trabalho for no Centro (eu – por acaso – nunca tive essa sorte). A impressão que me fica, é que a grande maioria dos que vão ao Centro de automóvel, é de gente que mora em locais remotos e procura o Centro da Cidade para fazer compras ou resolver problemas pessoais.Aqui, em Araruama, o transporte público urbano é uma piada de péssimo gosto. É tão ruim que os “piratas” nem se dão ao trabalho de usar vans (leia: peruas): usam carros comuns de passeio (geralmente do tipo “sucata ambulante”). As vans (peruas) ficam restritas ao transporte intermunicipal (devidamente oficializadas como “transporte alternativo”) e – é claro – em todas as cidades da Região dos Lagos, o transporte coletivo urbano e intermunicipal é monopólio da mesma empresa (“Salineira”), e o de distâncias mais longas da “1001” (e não me surpreenderia nada descobrir que são a mesma empresa, com nomes diferentes…)Você diz que é necessário conscientizar as pessoas. Eu refuto – em parte – dizendo que é necessário, antes, conscientizar os governos a oferecer um transporte público de boa qualidade. Dispondo disso, só os idiotas anti-sociais iriam preferir usar seus próprios carros. Para esses, os rigores da Lei.

  5. Maria Guimarães disse:

    concordo com você. e vai ver eu que generalizei. em são paulo, custo a lembrar de gente que considera a opção de não ir de carro.e aqui em rio claro, já recebi olhares de “que lunática” porque sempre que possível faço minhas coisas de bicicleta e deixo o carro em casa.

  6. Anonymous disse:

    caro João Carlos.É CLARO que ninguem está sugerindo que as pessoas pedalem 120 kms de seropedica ao centro todos os dias. O simples fatos de existirem pessoas que precisam percorrer 120 kms já é um sinal de que há algo errado na forma como as pessoas vem o transporte. A presenca de ciclovias deve atender usuários que percorram até 30 kms por viagem com no maximo 1 hora de tempo de translado. Se isso se tornasse uma realidade, o que é muito dificil com carros baratos (sim, sao baratos pois qualquer um pode ter um fiat 91 caindo aos pedacos) e combustivel barato (sim, tambem sao baratos pois os motoristas preferem consumir boa parte do seu orcamento com isso do que com pagando transporte publico). Mas quando esses recursos comecarem a encarecer ou acabarem vamos ter que caminhar para o modelo chines de carregar compras de supermercado em bicicletas sim.Atenciosamente,Daniel

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

Skip to content

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM