(Mexendo em casa de marimbondos…) Mulheres x Ciências Exatas

Essa veio via EurekAlert…
University of Wisconsin – Milwaukee

Levantando as razões pelas quais muitas meninas evitam ciências e matemática

O trabalho da pesquisadora da UWM é dirigido a acabar com o êxodo das mulheres nas carreiras “STEM” (Science, Technology,  Engineering, and Mathematics)


Nadya Fouad, psicóloga vocacional e Distinguished Professor na UWM, é uma das autoras de um novo estudo sobre o que leva as meninas a se afastarem das ciências e da matemática, durante seus estudos.(Foto de Alan Magayne-Roshak, UWM)


A maior parte dos pais e vários professores acreditam que, se meninas no primeiro e segundo graus escolares não demonstram interesse algum em ciências ou matemática, pouco se pode fazer acerca disto.
Uma nova pesquisa feita por uma equipe que inclui psicólogos vocacionais na Universidade de Winsconsin-Milwaukee (UWM) indica que a auto confiança instilada pelos pais e professores é mais importante para que as meninas aprendam ciências e matemática do que seu interesse inicial.
Muito embora o interesse seja, certamente, um fator que motiva as meninas mais velhas a estudar e obter uma graduação nessas disciplinas, se deveria dar mais atenção a dar confiança em suas habilidades, durante os primeiros estágios de seus estudos, diz a Distinguished Professor Nadya Fouad. Ela é uma dos autores de uma pesquisa de três anos direcionada a identificar os apoios e as barreiras que conduzem as meninas a se interessarem ou não por ciência e matemática durante seus estudos.
“O relacionamento entre autoconfiança e interesse é estreito”, diz Fouad. “Se elas sentem que podem fazê-lo, isso alimenta seu interesse”.
Esta é uma questão de alta prioridade para membros de organizações tais como a National Science Foundation (NSF) — Fundação Nacional de Ciências — e o National Research Council — Conselho Nacional de Pesquisas — que estão preocupados com o número rapidamente declinante de mulheres nas, assim chamadas, carreiras “STEM”  (science, technology, engineering and math) —(ciências, tecnologia, engenharia e matemática).
Muitos jovens estudantes, particularmente meninas, vêem matemática e ciências como “difíceis” e não freqüentam uma aula a mais do que o estritamente necessário, sem perceber que estão se afastando de boas oportunidades nos cursos superiores e carreiras.
A pesquisa patrocinada pela NSF – o mais detalhado estudo sobre este tópico – foi fundo para identificar os fatores específicos que poderiam acabar com o interesse.
“Nos últimos 20 anos, houve todo um trabalho para incentivar o interesse das meninas. Mas eu não acho que seja esse o problema”, diz Fouad, cuja pesquisa encontrou indícios de que os níveis de autoconfiança em tarefas relacionadas com matemática e ciências são menores para meninas do que para meninos.
Complexidade
O estudo rastreou meninas e meninos no ensino médio e no segundo ano de faculdade em Milwaukee e em Phoenix, com o objetivo principal de localizar quando as barreiras para as meninas aparecem e qual é sua influência. Os co-autores incluem Phil Smith, Professor Emérito de Psicologia Educacional da UWM e Gail Hackett, Vice-Reitor na Universidade de Missouri–Kansas City.
O estudo descobriu que autoconfiança não é o único fator importante para as meninas. Os resultados apontam uma questão mais complexa, diz Fouad. Para começo de conversa, não se pode msiturar matemática e ciências em um mesmo saco, ao se projetar intervenções, porque os pontos de apoio e as barreiras para cada disciplina não são os mesmos.
“Também existem diferenças em cada nível de desenvolvimento e outras diferenças entre os gêneros”, diz ela. Isso significa que as intervenções têm que ser moldadas para cada subgrupo específico.
No geral, no entanto. o apoio dos pais e suas expectativas aparecem como o mais forte ponto de apoio em ambos os assuntos e gêneros para os estudantes do ensino médio. Para as meninas, também é um estímulo poderoso professores que estimulem os alunos e as experiências positivas com estes.
O estudo confirma que os velhos estereótipos demoram a morrer. Tanto meninas como meninos percebem que os professores acham que os meninos são mais fortes em matemática e ciências. Para os meninos, isto é um estímulo, enquanto que para as meninas, isto é uma barreira.
As principais barreiras para todas as faixas etárias e disciplinas eram a ansiedade perante os exames e a dificuldade do assunto. Mas mesmo estas eram diferentes para meninos e meninas. Além disso, os gêneros formavam suas percepções subjetivas de matemática e ciências com base nas barreiras e pontos de apoio, mas freqüentemente chegavam a visões diferentes.
No fim das contas, e a percepção, mais do que a realidade, que afeta as escolhas acadêmicas e de carreira de uma pessoa, diz Fouad.
Alvo escolar
Esta é a mensagem que se tira de suas mais de duas décadas de trabalho. Ela própria na quarta geração de professoras universitárias, Fouad estuda avaliações vocacionais interculturais, desenvolvimento de carreiras de mulheres e minorias, e os fatores que levam essas pessoas a escolher certas carreiras.
Ela e Smith estavam entre as primeiras equipes de pesquisadores a apoiarem empiricamente um modelo que identificava o papel proeminente da autoconfiança e expectativa de resultados na predição dos interesses por carreiras.
O próximo passo do estudo da NSF sobre as meninas, matemática e ciências, é examinar o rlacionmento entre as barreiras e os pontos de apoio, e a partir daí, incluir as mulheres que não estão trabalhando nesses campos, a despeito de terem a formação acadêmica em matemática ou ciências. Fouad recebeu financiamentos da UWM para este projeto e acaba de receber meio milhão de dólares para se focalizar nas mulheres na engenharia.
Em âmbito nacional, 20 % dos formandos em engenharia são mulheres, diz ela, mas somente 11 % dos engenheiros são mulheres. Sua pesquisa irá explorar esta lacuna.
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Observação do tradutor: esses dados se referem às condições nos EUA e eu acredito que, no Brasil, os dados sejam ligeiramente diferentes, bem como os “pontos de apoio e barreiras” mencionados no artigo. Eu também gostaria de receber alguns comentários de nossas cientistas sobre o assunto, com suas visões pessoais.>/p>

Discussão - 2 comentários

  1. Regina Pinto de Carvalho disse:

    Falo do ensino superior, onde tenho observado que nos cursos de Matematica e Quimica temos um percentual de mulheres maior que em Fisica (20% ou menos), tanto entre estudantes como entre professores / pesquisadores. Isso torna o ambiente da Fisica muito hostil para as mulheres.
    Em Ciencias Biologicas, onde os professores dizem que o percentual de mulheres e de 50%, percebi que este nao passa de 40%. Porem, essa quantidade ja e suficiente para que o ambiente seja tranquilo para as mulheres.

  2. maria disse:

    algo está errado quando “difícil” é barreira. quando tiver filhos, espero que vejam (e se não virem, espero conseguir mostrar) o difícil como potencialmente interessante, instigante, desafiador.

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