PressPac Semanal da American Chemical Society (10/9/08)

Uma nova droga em potencial contra o vício e a “overdose” de cocaína

Os químicos relatam o desenvolvimento do que chamam da substância mais poderosa jamais descoberta para eliminar a cocaína do corpo, um avanço que pode levar ao primeiro medicamento no mundo realmente eficaz no tratamento de vício e “overdose” dessa droga proibida. Suas descobertas serão publicadas na edição de 24 de setembro do semanário Journal of the American Chemical Society.
No novo estudo, Chang-Guo Zhan e seus colegas observam que ainda não existe qualquer medicamento eficaz anti-cocaína. Uma das abordagens mais promissoras é a que se focaliza em substâncias que imitam a butirilcolinosterase (BChE), uma proteína natural do sangue que ajuda a dissolver e tornar a droga inativa, dizem os pesquisadores. Entretanto, a BChE natural é muito fraca e ineficaz para uso médico, observam os pesquisadores.
Os pesquisadores descrevem o projeto e a produção da mais potente e estável estrutura do tipo BChE jamais produzida. Nos estudos em laboratório, essa forma de BChE dissolveu, ou metabolizou, cocaína 2.000 vezes mais rápido do que a versão natural corpórea de BChE, afirmam os cientistas que também observam que a redução das taxas da droga no sangue é uma peça chave no combate à “overdose” em pessoas. A substância também foi capaz de impedir convulsões e morte, quando injetada em ratos que tinham recebido “overdoses” de cocaína, notam eles.

Chá de camomila pode auxiliar a combater as complicações da diabete

Beber diariamente chá de camomila durante as refeições pode auxiliar a prevenir as complicações da diabete, que incluem a perda da visão, danos neurológicos e aos rins — é o que relatam pesquisadores do Japão e da Grã-Bretanha. As descobertas podem levar ao desenvolvimento de uma nova droga, com base em camomila, para diabete tipo-2, que se encontra em níveis epidêmicos nos EUA e se espalhando pelo mundo inteiro, observam eles. Seu estudo foi publicado na edição de 10 de setembro da publicação bimensal da ACS Journal of Agricultural and Food Chemistry.
No novo estudo, Atsushi Kato e seus colegas observam que a camomila, também conhecida como manzanilla, tem sido usada há anos como uma espécie de panacéia para diversos problemas de ordem  médica, inclusive estresse, resfriados e cólicas menstruais. Os cientistas propuseram recentemente que o chá herbal pode, também, ser benéfico no tratamento da diabete, mas a teoria não havia sido cientificamente testada até agora.
Para verificar, os pesquisadores alimentaram com extrato de camomila um grupo de ratos diabéticos por 21 dias e compararam os resultados com um grupo de controle de animais em uma dieta normal. Os animais que receberam o suplemento de camomila mostraram uma diminuição significativa nos níveis de glicose no sangue, em comparação ao grupo de controle, relatam eles. O extrato também se mostrou um poderoso inibidor de enzimas ALR2  e de sorbitol, cujas taxas elevadas são associadas com o aumento das complicações da diabete, afirmam os cientistas.

Motor de alta performance e baixa emissão de poluentes para futuros sistemas híbridos

Antecipando a introdução de um curioso novo tipo de motor de combustão interna, pesquisadores da China relatam o desenvolvimento e uso de um novo e mais preciso modelo computadorizado para avaliar o desempenho do, assim chamado, alternador linear de pistão livre (“free-piston linear alternator” = FPLA). Seu studo sobre o FPLA, que pode fornecer um motor de baixo nível de emissão de poluentes e baixo consumo de combustível para futuros veículos híbridos elétricos, será publicado na edição de 17de setembro da publicação bimensal da ACS Energy & Fuels.
Qingfeng Li e seus colegas observam que o FPLA só tem uma peça móvel e é um motor projetado para gerar eletricidade. No dispositivo, um pistão, dentro de um cilindro, se alterna entre duas câmaras de combustão. Magnetos permanentes no pistão geram uma corrente elétrica passando através das bobinas de um alternador centralizado no cilindro. O motor pode ser acionado por vários tipos de combustível, inclusive gás natural e hidrogênio, e parece ser ideal para emprego em um mundo futuro com mudanças climáticas e escassez de combustíveis fósseis, sugerem os autores.
Seu relatório descreve o desenvolvimento de um modelo computadorizado melhorado para avaliar o desempenho do FPLA e guiar os engenheiros na construção do motor. Os resultados de suas simulações iniciais mostrou que o FPLA poderia acelerar três vezes mais rápido do que outros motores de combustão interna e queimar o combustível de maneira a minimizar a poluição atmosférica.  “É uma fonte de energia não agressiva ao meio ambiente para o futuro”, conclui o relatório.

Nano partículas em forma de flor podem levar a melhores baterias para aparelhos eletrônicos portáteis

Quer mais potência e maior duração da bateria para aquele telefone celular, laptop, ou MP-4? “Flower power” pode ser a solução. Químicos relatam o desenvolvimento de nano-partículas em formato de flores com um desempenho eletrônico superior ao dos materiais convencionais para baterias. Essas “nanoflores” podem alimentar dispositivos eletrônicos da próxima geração, dizem os cientistas na edição programada para 8 de outubro da publicação mensal da ACS Nano Letters.
Gaoping Cao e seus colegas apontam o fato de que as nanoflores não são novidade. Pesquisadores desenvolveram vários tipos de nano-partículas em formato de flores, usando diferentes materiais, inclusive óxido de manganês, o componente metálico chave nas baterias convencionais. Porém essas nanoflores das gerações mais velhas não eram adequadas para os produtos eletrônicos do futuro, que precisarão de mais potência e maior durabilidade das baterias, dizem os pesquisadores
No novo estudo, os cientistas criaram, em primeiro lugar, aglomerados de nano-tubos de carbono, filamentos de carbono puro, 50.000 vezes mais finos do que um cabelo humano, conhecidos por sua superior condutividade elétrica. Então, os cientistas depositaram óxido de manganês sobre os nano-tubos usando uma técnica simples e barata de revestimento, chamada “eletrodeposição”, obtendo aglomerados nanométricos parecidos com pequenos dentes-de-leão quando vistos em um microscópio eletrônico. O resultado final foi um sistema para baterias com uma maior capacidade de armazenagem de energia, maior vida útil e maior eficiência do que os materiais convencionais para baterias, é o que afirmam os pesquisadores.

Novos medicamentos para a esquizofrenia

Novas abordagens científicas acerca da esquizofrenia apontam para novas drogas que oferecem esperanças para milhões de pessoas que sofrem da doença — a mais séria forma de doenç mental, de acordo com um artigo previsto para a edição de 15 de setembro do semanário Chemical & Engineering News, da ACS. A esquizofrenia afeta cerca de 25 milhões de pessoas, ou cerca de 1% das pessoas adultas no mundo.
No artigo, a Editora Assistente do C&EN, Carmen Drahl, observa que os medicamentos existentes ara a esquizofrenia, os assim chamados antipsicóticos, ajudam a melhorar alguns sintomas, tais como alucinações e fala sem nexo. No entanto, eles não lidam com todos os sintomas da doença, tais como a falta de motivação e dificuldades na tomada de decisões.
Os pesquisadores, agora, estão indo além das drogas tradicionais que, geralmente, têm como alvo a neurotransmissão de dopamina, e se focalizando em novos alvos que podem atacar um espectro mais amplo de sintomas. O artigo descreve testes em animais e pessoas de várias drogas potenciais novas que têm como alvo novos focos da doença, tais como o sistema neurotransmissor de glutamato, um receptor de acetilcolina nicotínico e um canal de transmissão de sinais mediado por nucleotídeos cíclico. Essas novas substâncias parecem auxiliar a aliviar uma maior gama de sintomas, enquanto causa menos efeitos colaterais, observam os pesquisadores. “Ainda estamos tentando compreender os mecanismos básicos da esquizofrenia, o que, esperamos, pode levar a tratamentos mais eficazes que tenham como alvo características cruciais da doença”, observa um expert independente.
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O PressPac da American Chemical Society é traduzido com expressa permissão da Sociedade Americana de Química e, em alguns casos, fornece o link para os originais em inglês.
Como eu digo nas traduções do Physics News Update, correções são bem vindas.
Nota do tradutor: a versão online só foi publicada hoje!… Vamos ver quanto tempo demora para aparecer a edição prevista para amanhã (17 de setembro)



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