“Por Dentro da Ciência” do Instituto Americano de Física (14/11/08)

Inside Science News Service
14 de novembro de 2008

O que o Presidente-Eleito Obama Precisa Saber Sobre Física

Terrorismo Biológico e Nuclear, Energia e Clima estão entre os principais tópicos

Mesmo os cientistas têm dificuldades em se manter em dia com o constante influxo de novas descobertas das pesquisas. Então, como o presidente dos EUA, no meio de um nevoeiro de questões a resolver diariamente, pode esperar se manter informado sobre desenvolvimentos científicos e tecnológicos que possam ter um impacto sobre a sociedade? Richard A. Muller, um professor da Universidade da Califórnia em Berkeley,  aborda esse problema em seu novo livro, “Physics for Future Presidents” (“Física para Futuros Presidentes”). O livro se divide em cinco abrangentes áreas de tópicos que definem essencialmente as questões mais “quentes” dos dias de hoje: terrorismo, energia, nucleares, espaço e aquecimento global.   Muller acredita que qualquer um que deseje ser um líder mundial precisa ter um núcleo de conhecimento nessas áreas.

O livro de Muller é baseado em um curso que ele vem ensinando em Berkeley há anos, de forma que ele teve tempo suficiente para pensar acerca do que o líder mundial precisa saber — ao menos sobre a parte do conhecimento que diz respeito ao mundo material. Eleito o melhor curso do campus, o curso de Muller, “Physics for Future Presidents” (“Física para Futuros Presidentes”) não faz uso de equações ou de descrições matemáticas detalhadas. Em lugar disso, o curso fornece uma apreciação dentro do bom-senso, porém acurada, de certos perigos e oportunidades tecnológicos.

Por exemplo, Muller acredita que o presidente deve saber sobre níveis de radiação (que é a dose cumulativa que é importante para efeitos médicos), acerca da diferença entre explosões de fissão e fusão nuclear (as últimas são muito mais poderosas), acerca do conteúdo energético de várias substâncias (gasolina, e até biscoitos, têm mais energia por peso do que TNT), e acerca do custo relativo da eletricidade obtida através das baterias usadas em telefones celulares, computadores e automóveis. O presidente deve ser capaz de absorver de maneira inteligente as informações acerca do impacto da tecnologia humana sobre o clima e que um dia excepcionalmente quente ou frio não é um indicador do futuro do clima.

O presidente não pode se dar ao luxo de aprender sobre essas coisas, tais como o perigo da radiação, no último minuto, argumenta Muller, porque, em certas circunstâncias, cada segundo conta.  Considerem, por exemplo, a detonação de uma “bomba suja”, ou seja, uma explosão comum (não-nuclear) que espalha materiais radiativos. As baixas, destruição de coisas e até a radiação residual, provavelmente seriam muito pequenas. “O maior perigo de uma arma radiológica é o pânico e a histeria desnecessária que ela causaria. Uma “bomba suja” não é realmente uma arma de destruição em massa, mas é potencialmente uma arma causadora de pânico em massa”, afirma Muller. A alocação de recursos durante uma crise — militares, médicos, atendimentos de emergência e engenharia — necessitam de raciocínio rápido e preciso.

Muller encara a física como a “arte liberal de alta tecnologia”, na medida em que os físicos são treinados a resolver problemas em uma vasta gama de tópicos, muitos dos quais relacionados com os próprios tópicos — tais como as questões de energia e nucleares — que fazem parte do arcabouço do várias questões de segurança nacional. Provavelmente por causa disso, vários Consultores Científicos dos presidentes foram físicos.

Os Consultores Científicos vem perdendo o prestígio que já tiveram, acredita Muller, porque eles — e os cientistas em geral — são percebidos mais como um “grupo de pressão”, cuja meta é apenas obter mais verbas federais para a ciência. Um bom Consultor Científico presidencial, argumenta Muller ironicamente, não deveria “aconselhar tanto”. Em lugar disto, ela ou ele deveria agir como um sistema de alerta antecipado, informando ou instruindo o presidente (mas não fazendo “lobby”)  em questões de ciência e tecnologia e seus possíveis impactos.

Muller tem uma longa experiência em fornecer assessoria científica para o governo. Por muitos anos ele foi um membro dos “Jasons”, uma organização dos principais cientistas que realizam encontros de um mês ou mais, durante cada verão, para estudar assuntos específicos — a maior parte deles relacionados com a segurança nacional — que sejam do interesse do Pentágono ou de outras agências federais. Esse trabalho, diz Muller, ensinou a ele o valor de fazer várias perguntas idiotas e acreditar necessariamente em tudo que é dito pelos experts.

Teste seus próprios conhecimentos presidenciais sobre ciências. A revista Nature apresenta um conjunto de perguntas do curso de Muller em seus website: www.nature.com/news/specials/climatepolitics/index.html


Este texto é fornecido para a media pelo Inside Science News Service, que é apoiado pelo Instituto Americano de Física (American Institute of Physics), uma editora sem fins lucrativos de periódicos de ciência. Contatos: Jim Dawson, editor de notícias, em jdawson@aip.org.

Discussão - 1 comentário

  1. Paulo disse:

    No YouTube tem os videos das Lectures do curso “Physics for Future Presidents”. Aqui está a playlist:
    http://br.youtube.com/view_play_list?p=095393D5B42B2266
    OBS: Desculpa a demora do comentário, é que só soube deste post agora.

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