Darwin Day 2026 e os 50 anos da Nova Síntese Evolutiva

É chegado o nosso Darwin Day do ano! Neste 12 de fevereiro de 2026, celebramos o Dia de Darwin, o aniversário de 217 anos de Charles Robert Darwin. Ele foi o cientista que transformou profundamente a Biologia e diversos campos do saber ao articular evidências variadas em sua teoria da evolução biológica fundamentada na descendência comum, na seleção natural e sexual, no gradualismo e na diversificação das espécies. O Darwin Day é uma celebração mundial que reconhece o legado de Darwin à ciência e convida à reflexão sobre como a teoria evolutiva segue iluminando nossa percepção do mundo e auxiliando no enfrentamento dos desafios contemporâneos.

Aqui no MARCO EVOLUTIVO comemoramos anualmente o Dia de Darwin desde 2008, passando pelo Bicentenário de Darwin e 150 anos do ‘Origem da Espécies’ em 2009, e por 20102011201220132014201520162017, pela Década de Darwin Days no Blog em 201820192020pelo sesquicentenário do “A Descendência do Homem a Seleção Sexual’ em 2021, pelo sesquicentenário do ‘A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais’ em 202220232024, 2025.

Neste Darwin Day estamos comemorando os 51 anos da publicação do livro “Sociobiologia: a Nova Síntese” de Edward Wilson (1975), e 50 anos da publicação do “O Gene Egoísta” de Richard Dawkins (1976). Ambos os livros formam a grande divulgação pública das explicações evolutivas e adaptativas para o comportamento social dos animais ao abordarem cooperação, acasalamento, agressão, territorialidade, conflitos pais e filhos entre outros. Foi um período muito produtivo pois aproximou mais efetivamente o comportamento social da genética de populações e da dinâmica adaptativa da seleção natural. Os etólogos puderam finalmente afastar noções vagas e imprecisas sobre as adaptações servirem para o ‘bem da espécie’ ou ‘perpetuação da espécie’, e puderam abraçar noções de benefício genético abrangente e um maior rigor em termos de custos e benefícios das adaptações psicocomportamentais.

O próprio Darwin identificou corretamente o que a Helena Cronin (1991) chamou de o “problema da formiga”: como era possível a evolução de castas estéreis de formiga com morfologia e comportamentos próprios sem que elas mesmas deixassem seus descendentes? No Origem das Espécies (1859), em seu capítulo sobre as possíveis objeções à Teoria da Seleção Natural, Darwin escreveu sobre “uma dificuldade específica, que a princípio me pareceu insuperável e, na verdade, fatal para toda a minha teoria. Refiro-me aos indivíduos neutros ou fêmeas estéreis nas comunidades de insetos: pois esses indivíduos neutros frequentemente diferem muito em instinto e estrutura tanto dos machos quanto das fêmeas férteis, e, no entanto, por serem estéreis, não podem propagar sua espécie.” De forma geral, este era o problema evolutivo do altruísmo: como é possível evoluir alguma tendência comportamental que beneficia outros em detrimento de si mesmo?

Este paradoxo evolutivo das castas estéreis dos insetos sociais foi plenamente resolvido só em 1964 com a formalização da seleção de parentesco por William Hamilton, o qual nasceu no mesmo dia que Lamarck. Ele demonstrou que por compartilharmos mais as nossas versões dos genes com nossos parentes era possível evoluir tendências altruísticas para ajudar a sobrevivência e a reprodução dos parentes. E quanto mais próximos os parentes, maiores seriam os benefícios de se sacrificar por eles. Isso explicou a existência de castas estéreis em insetos sociais, visto que as operárias são proximamente aparentadas à rainha. A aptidão evolutiva, que antes era operacionalizada em número de filhos que sobrevivem à idade reprodutiva, passou a ser entendida de forma a abranger, além dos próprios filhos, todo o número de sobrinhos, primos, netos e filhos de outros parentes próximos que chegassem à idade reprodutiva (aptidão abrangente, ou do inglês, inclusive fitness). A partir desse avanço teórico foi possível acrescentar a explicação evolutiva para o amor parental e para muitos comportamentos, como o fato das abelhas morrerem após ferroar um possível inimigo da colmeia, que não faziam sentido pensando apenas a reprodução própria do indivíduo. A mesma lógica também lançou luz sobre o conflito entre pais e filhos, como no caso do desmame, pois apesar de proximamente relacionados geneticamente ainda existem 50 % de diferenças genéticas entre eles na maioria dos casos. George Williams foi outro grande evolucionista que ajudou a dar as bases da síntese sociobiológica.

Nos livros cinquentenários “Sociobiologia” e “Gene Egoísta” este avanço explicativo sobre o altruísmo foi amplamente demonstrado e interligado com outros avanços da época como o altruísmo reciproco (como o ‘uma mão lava a outra’), investimento parental, sinalização custosa etc. Assim, em meados de década de 1970, estes livros finalmente ajudaram a devidamente incluir o comportamento animal no mesmo arcabouço teórico da Síntese Moderna da Evolução, das décadas de 1930-40. Ambos livros ajudaram a alicerçar o estudo do comportamento social em modelos matemáticos e na genética de populações, transformando a etologia social em uma ciência quantitativa e preditiva. Desta Nova Síntese Evolutiva surgiram novas disciplinas como a Ecologia Comportamental, a Psicologia Evolucionista, a Memética, por exemplo. Sim, pois no último capítulo do “Gene Egoísta”, Dawkins introduziu o conceito de memes, que são unidades culturais coesas que se replicam de mentes em mentes por aprendizado social (imitativo) na ‘sopa primordial’ das tradições socioculturais. Décadas depois a noção de memes foi aplicada ao que hoje conhecemos como os memes de internet, em que uma cena ou expressão facial conhecida é reinterpretada em outro contexto distinto, mas com reação semelhante, o que é engraçado e nos faz compartilhar até viralizar enquanto unidade cultural de replicação.

Enquanto Dawkins foi da replicação genética para a replicação cultural no final de seu livro, no ano anterior Wilson foi das sociedades animais à sociedade humana ao final do “Sociobiologia”. Apesar de ser um especialista de formigas, Wilson conseguiu apresentar alguns insights de como poderíamos entender os comportamentos sociais humanos pelas lentes sociobiológicas. A Sociobiologia humana cultivou a interdisciplinaridade, por incluir informações paleontropológicas, históricas, etnográficas, interculturais, adaptativas e comparativas com outras espécies. Ele mostrou a importância de se considerar tanto as bases biológicas quanto os contextos socioecológicos e históricos. Porém, estava longe de ser a palavra final ou o entendimento mais profundo e avançado sobre os humanos na época. As editoras e a imprensa inflaram muito a importância dos livros gerando uma percepção que seriam a palavra final sobre o comportamento humano que substituiria as explicações das ciências sociais. O que não é verdade. É claro que o fato de ambos livros ligarem evolução aos seres humanos deixou muitos criacionistas chateados. Por terem colocado humanos na mesma dinâmica evolutiva comportamental das outras espécies incomodou pessoas antropocêntricas que acham humanos superiores aos outros animais. Por terem focado muito nos genes como unidades fundamentais de evolução e não no indivíduo deixou chateados os que queriam protagonismo ao indivíduo. Por terem focado as influências genéticas e evolutivas no comportamento animal incluindo os humanos (natureza humana) deixou chateados muitos que acreditavam no mito da tabula rasa, em que tudo é aprendido e nada é herdado ou instintivo. Muitos não tinham embasamento biológico para captar a profundidade da mensagem dos livros e passaram a rotulá-los como mero determinismo genético ou fatalismo biológico. Tanto é que muitos acharam que “O Gene Egoísta” era sobre os genes do egoísmo e não um livro sobre a evolução do altruísmo. Muitos achavam que a Sociobiologia e a perspectiva do gene egoísta eram meras racionalizações para justificar atrocidades sociais, como as realizadas no passado em nome do darwinismo social e da eugenia.

Apesar da polêmica, da recepção conturbada e da difamação infundada, as críticas científicas recebidas fizeram com que a área progredisse e se diversificasse. Hoje sabemos que além do fato dos genes serem praticamente imortais e fundamentais para a evolução, existe outras formas menos estáveis de herança, como a herança epigenética, citológica, comportamental e cultural, que também influenciam o processo evolutivo. O fato de termos herdado propensões comportamentais não quer dizer que todos vamos nos comportar igualmente, ou que não temos escolha nem capacidades inibitórias. O fato de termos inclinações comportamentais evoluídas não nos impede de aprender nem nos ajustar social e ecologicamente. Hoje a Genética Comportamental e a Sociogenômica já demostraram que temos sim centenas de genes cada um com efeitos pequenos que influenciam, junto com os efeitos ambientais, em como somos, pensamos e nos comportamos. Apesar de termos predisposições genéticas, temos até certo ponto a capacidade de melhorarmos como somos mediante mudanças de contextos e hábitos de vida.

Diante de todo avanço científico proporcionado pela ampla divulgação da solução de antigos paradoxos evolutivos comportamentais era de se esperar que toda graduação em Biologia tivesse comportamento animal como disciplina obrigatória, que toda graduação das Ciências Humanas e Sociais tivesse as bases biológicas do comportamento humano em seu contexto comparativo como disciplina obrigatória, pelo menos antropologia e psicologia. Mas, mesmo depois de 50 anos e muitos avanços subsequentes, são poucas as universidades que oferecem cursos sobre a biologia comportamental e ainda precisa avançar muito a compreensão, aceitação e integração do comportamento animal nos currículos universitários. Isso porque hoje sabemos que as abordagens evolutivas nos ajudam a entender desafios contemporâneos como a pandemia e a crise ecoclimática. Além disso, hoje sabemos que interculturalmente e controlando para religião e orientação política, a aceitação da evolução humana está relacionada a menor homofobia, transfobia, racismo e xenofobia (Syrapulous et al., 2022), ao contrário do que os críticos imaginavam. Então, neste Darwin Day 2026, vamos todos abrir a mente e nos atualizar lendo livros sobre a evolução do comportamento humano, como o Manual de Psicologia Evolucionista.

Evolução em Mente para Enfrentar a Crise Climática neste Darwin Day 2025

Feliz Dia de Darwin para todos os seres vivos que já existiram e, por enquanto, ainda existem na Terra. Hoje, dia 12 de fevereiro de 2025 celebramos o aniversário de 216 anos de ninguém mais ninguém menos do que Charles Robert Darwin. Ele foi o cientista que revolucionou a Biologia e outras áreas do conhecimento costurando inúmeros fatos em sua Teoria da Evolução Biológica por descendência comum, seleção natural e sexual, gradualismo e multiplicação das espécies. O Darwin Day é a comemoração internacional para honrar as contribuições de Charles Darwin para a ciência e refletir sobre como o evolucionismo continua a iluminar nossa compreensão do mundo e nos ajudar a enfrentar os desafios que enfrentamos.

No MARCO EVOLUTIVO comemoramos anualmente o Dia de Darwin desde 2008, passando pelo Bicentenário de Darwin e 150 anos do ‘Origem da Espécies’ em 2009, e por 20102011201220132014201520162017, pela Década de Darwin Days no Blog em 201820192020pelo sesquicentenário do “A Descendência do Homem a Seleção Sexual’ em 2021, pelo sesquicentenário do ‘A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais’ em 20222023 e 2024.

Da mesma forma que em 2021 abordamos aspectos evolutivos do enfrentamento da pandemia de COVID-19, este ano de 2025 abordaremos a questão ambiental. Não dá mais para ignorar os graves problemas ambientais e climáticos que nós humanos geramos. Quer dizer, mais especialmente a emergência climática e ecológica gerada em grande parte pelas corporações petroleiras e pelos países e seus indivíduos mais ricos nas últimas 6 décadas.

Sim, desde as décadas de 1960-70-80 grandes empresas de petróleo, como a Exxon e a Chevron, já sabiam dos sérios riscos do aquecimento global por efeito estufa causado pela queima de combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, mas optaram por negar e desinformar o público e continuar a expandir seus negócios visando o lucro a curto prazo custe o que custar. Em alguns países elas estão começando a ser responsabilizadas juridicamente pelos problemas ambientais e suas severas consequências, mas ainda é muito pouco pois a indústria do petróleo precisa sumir do mapa o quanto antes.

As mudanças climáticas, impulsionadas pela ação humana, ameaçam ecossistemas, economias e o próprio futuro da vida no planeta. Mas, e se a mente e o comportamento humano causaram esse problemão será que entendendo a própria evolução da mente humana pode nos oferecer ideias para enfrentar esse problema? O presente evolutivo desde ano será a contribuição da Psicologia Evolucionista para enfrentarmos os graves problemas ecoclimáticos atuais. Veremos como nossos instintos evoluídos contribuíram para a crise climática e como podemos usá-los a nosso favor para construir um futuro mais sustentável.

A crise climática é um problema complexo e multifacetado do qual já se sabe as causas e consequências há várias décadas. As causas são o crescimento populacional, consumo insustentável, desigualdade socioeconômica, exploração excessiva dos recursos naturais e despejo excessivo de dejetos tóxicos e não-biodegradáveis. Anualmente, já estamos consumindo recursos e serviços naturais equivalentes a 1,75 vezes (quase o dobro) do que o planeta Terra consegue regenerar em um ano.

O aquecimento global, impulsionado pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa, tem levado a extremos climáticos, como secas, inundações, furacões e muitas ondas de calor. Após o ano de 2024 ser o mais quente da história registrada, o mês de janeiro de 2025 já é considerado o mais quente registrado até então. A poluição do ar, da água e do solo, aliada à degradação de habitats, tem trazido prejuízo à saúde e acelerado a perda de biodiversidade. Já estamos diante do sexto evento de extinções em massa em nosso planeta e as mudanças climáticas podem intensificar epidemias e pandemias. Além disso, a escassez de recursos naturais, como água potável, tem gerado conflitos e migrações em massa aumentando a vulnerabilidade social. Para evitarmos que a situação piore mais ainda temos que promover mudança de comportamento o quanto antes.

A Psicologia Evolucionista nos mostra que muitas de nossas propensões comportamentais foram moldadas seletivamente por resolver problemas adaptativos do passado caçador-coletor pleistocênico pré-agricultura. Porém, no modo de vida contemporâneo urbanizado, industrializado e massificado as inclinações evoluídas podem ser mal-adaptativas. Dado o contexto socioeconômico atual, várias capacidades evoluídas infelizmente estão contribuindo para aumentar os problemas ambientais. Já sabemos há décadas que não basta apenas avisar ou ‘conscientizar’ sobre os problemas ecológicos, pois não somos tabula rasa ou agentes ultra para mudarmos completamente nosso padrão comportamental mediante a necessidades modernas. Temos uma bagagem psicológica vertebrada, mamífera, primata e hominínea e um vasto repertório comportamental evoluído que precisa ser levado em conta para atenuarmos as causas comportamentais e promovermos soluções efetivas para emergência climática e ecológica.

A competição por recursos e status, os quais nos ambientes ancestrais eram limitados pelo modo de vida simples, hoje contribuem para a acumulação excessiva e consumismo de ostentação, os quais tem alta pegada ecológica. O autointeresse e altruísmo local que fortaleciam a tribo ancestral cheia de parentes, hoje no mundo globalizado nos faz priorizar nossas necessidades imediatas e as de nosso grupo próximo e a ignorar problemas globais, como a crise climática. O mesmo tribalismo e a imitação social que aumentava as identidades de grupo ancestrais, hoje geram resistência política a mudanças de atitude e negacionismo. O desconto temporal, que nos faz valorizar mais o presente do que o futuro, dificulta ações que beneficiariam as gerações futuras, como reduzir emissões de carbono ou conservar recursos naturais. E ainda, somos mais sensíveis a ameaças imediatas e tangíveis, como predadores ou doenças, do que a riscos lentos, distantes, invisíveis ou abstratos, como o das mudanças climáticas e da poluição.

Porém, a natureza humana nos limita, mas não nos aprisiona, do mesmo jeito que as teclas do piano limitam, mas não aprisionam o compositor. Tanto é que conseguimos superar limitações naturais ao dar um jeito de até levantar vôo! Evoluímos para ser flexíveis e adaptáveis, capazes de aprender a reutilizar nossas capacidades para fazer coisas novas. Só conseguimos fazer coisas novas por estarem ancoradas em capacidades psicológicas evoluídas. Assim, podemos usar nossos traços evoluídos a nosso favor, promovendo ações sustentáveis de maneira eficaz. Podemos alinhar o autointeresse com a sustentabilidade, destacando os benefícios pessoais de escolhas ecológicas, como isolar termicamente a casa para economizar energia de ventilador e ar condicionado.

Podemos usar nosso altruísmo local e cuidado parental para despertar atitudes e comportamentos sustentáveis ao enfatizarmos os benefícios da sustentabilidade para nosso filhos, sobrinhos e netos nas próximas gerações. Podemos usar a busca por status para promover produtos e comportamentos sustentáveis como símbolos de prestígio e reputação. Podemos usar a imitação social para que influenciadores e normas sociais disseminar práticas sustentáveis como ter menos filhos, andar menos de avião, comer menos carne vermelha e usar mais bicicleta e transporte público. Podemos usar os riscos ancestrais ao apelar para emoções como o nojo para reduzir o consumo de carne vermelha. Podemos mostrar que pessoas de comportamento mais pró-ambiental são tidas como mais altruístas e, assim, vistas como mais atraentes romanticamente para relacionamentos de curto e de longo-prazo.

A crise climática é um problema grave, mas não intransponível. As mudanças comportamentais são parte das soluções são globais como descarbonização e transição energética, economia circular e sustentável, restauração ecossistêmica, manejo sustentável de recursos naturais, regulação internacional de países e mercados, e fim do lobby petroleiro. Integrando abordagens políticas, econômicas, jurídicas, tecnológicas e comportamentais, podemos reduzir seus impactos e construir um futuro mais sustentável. A abordagem evolutiva aplicada à mente humana tem um papel crucial nesse processo, ajudando-nos a entender e a trabalhar de forma alinhada com nossa natureza humana, ao invés de irmos contra ela. Veja estes artigos científicos mostrando a importância da Psicologia Evolucionista para atenuarmos os problemas ambientais (Griskevicius, Cantú & Van Vugt, 2012; Palomo-Vélez & van Vugt, 2021; Van Vugt, Griskevicius & Schultz, 2014).

Neste Dia de Darwin 2025, celebramos não apenas a ciência, o pensamento crítico e o evolucionismo, mas também a capacidade humana de aprender, adaptar-se e evoluir usando o conhecimento científico evolutivo. Não dá para desconsiderar as propensões psicológicas evoluída se quisermos promover sustentabilidade. Espero que possamos usar essa capacidade para enfrentar os desafios ambientais e garantir um planeta sustentável e saudável para esta e as futuras gerações de todos os seres vivos atuais. E como sempre participe dos vários eventos pelo país comemorando o Darwin Day, como os 20 anos de Darwin Day no Museu de Zoologia da USP, ou o Darwin Day da Sociedade Brasileira de Genética e da recém-criada Sociedade Brasileira de Biologia Evolutiva está com uma programação fantástica também. Aproveitem!

Ideais digitais e sustentáveis neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência 2023

No dia 11 de fevereiro celebramos mundialmente as descobertas, conquistas e a importância feminina na Ciência, visando corrigir a desigualdade de gênero das oportunidades na Ciência, e inspirando as meninas a virarem cientistas. Hoje é o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, iniciado em 2015 pela UNESCO. Temos que aproveitar o dia de hoje para incentivar e divulgar as iniciativas que fortalecem a atuação feminina na Ciência e Tecnologia.

Neste ano de 2023 a ONU levanta o tema inovação tecnológica digital visando equidade de gênero e educação digital. O aumento do acesso à tecnologia e educação digital nas meninas e mulheres tem o potencial de gerar mais inovação e soluções criativas aos grandes desafios atuais globais, sejam humanitários ou de sustentabilidade ecológica. A ONU também está focada este ano na importância das meninas e mulheres na Ciência com relação às metas de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030. O tema é IDEAS: Inove, Demonstre, Eleve, Avance e Sustente.

Muito ainda precisa avançar para que meninas e mulheres encontrem seu lugar ao sol na Ciência. Um estudo publicado na Nature em 2022 descobriu que é menos provável que mulheres acabem virando coautoras de publicações de pesquisa ou patente em grupos de pesquisa do que homens. Mesmo quando elas publicam, suas contribuições são menos reconhecidas, ou até mais desconhecidas para a comunidade científica do que as contribuições masculinas.

Da mesma forma, uma revisão sistemática no Academic Medicine em 2022 mostrou que mulheres tendem a reportar receber menos mentoria, menor produtividade acadêmica, menos satisfação com a carreira, e maiores barreiras à progressão de carreira. Uma publicação neste 2023 da área da Limnologia apontou que as mulheres cientistas estão menos presentes nas conferências, nas premiações, no corpo editorial de periódicos e das sociedades científicas.

É por essas e outras razões que convido a todas as pessoas a celebrarem juntas este tão necessário Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência de 2023.

Evolução à Vista na Exposição Darwin Tocorimé

De volta à ativa e recuperado, apresento aqui no MARCO EVOLUTIVO uma das exposições sobre evolução mais interessantes e arrojadas que já vi. Começa essa semana no Rio de Janeiro na onda da Rio +20 a Exposição Darwin Tocorimé.

 

Trata-se de uma exposição científica e interativa sobre a vida e obra de Charles Darwin, sua viagem e descobertas evolutivas. Tudo feito a bordo do barco Tocorimé Pamatojari, simplesmente o maior veleiro de madeira do Brasil.

O veleiro Tocorimé já é uma famosa plataforma marítima de educação e cultura e com a Exposição Darwin Tocorimé a bordo tem a meta de velejar a costa brasileira tal qual Charles Darwin a bordo do HMS divulgando e ensinando evolução e respeito sobre a biodiversidade.

A Exposição Darwin Tocorimé também conta com um seminário sobre “Sustentabilidade em Evolução”. Serão 6 palestras sobre o tema contando com Profª Maria Isabel Landim (Museu de Zoologia da USP), curadora da exposição “Darwin no Tocorimé” e Markus Lehmann (Diretor Executivo da A4 Mares e Capitão do Tocorimé Pamatojari) no dia 15 de junho.
Dan Garrison (NASA – Diretor do Departamento de Desenvolvimento, Investigação e Aplicações Científicas) e Matthew Shirts (Editor da National Geografic Brasil e Consultor do Planeta Sustentável – Editora Abril) no dia 18 de junho.

E Frederico Brandini (Instituto Oceanográfico da USP) e Carlos Henrique Painel (Diretor da Cúpula dos Povos) no dia 19 de junho. Todas as palestras serão as 17 horas com entrada gratuita mediante a solicitação de convite pelo email info@tocorime.net.

A embarcação contando a Exposição Darwin Tocorimé ficará na Marina da Glória na cidade do Rio. Com inauguração no dia 15 de junho só para convidados, a exposição será aberta ao público nos dias 16 e 17 de junho das 9hs às 16hs e dia 19 das 14hs às 16hs.
Não perca essa oportunidade evolutiva e divulgue para seus amigos. Fique com o vídeo sobre a história do veleiro Tocorimé.

Fim do Mundo na Cabeça

O fim do mundo não foi inventado pelos Maias, Astecas, Profetas ou cometas. Ele sempre existiu e mora dentro de nossas mentes. Trata-se da manifestação mais genuína de nosso pluralismo de estratégias comportamentais contingentes à disponibilidade de fatores sócio-ambientais. Explico, dá-se mais valor imediato para o recurso mais raro, nossa mente está sempre alerta à disponibilidade de recursos, logo se falta o amanhã todo recurso estocado deve ser consumido agora. E tem-se a euforia do último dia.

Quanto mais pessoas acharem que o mundo vai acabar dessa vez, mais óbvio ele passa a ser e mais pistas se tem para ajustar a estratégia de alocação de recursos imediatista. Então, sendo assim a questão não passa mais a ser quando ou como o mundo vai acabar, mais sim quais conseqüências o fim do mundo trará. Todo fim do mundo, como sempre, levanta questões: reprodutivas, competitivas, paliativas e contemplativas. Basicamente o eixo condutor é o do dilema entre estratégias ‘rápido e rasteiro’ e ‘calmo e certeiro’. Seres vivos que se reproduzem cedo, vivem pouco e tem prole grande devotando pouco cuidado parental são estrategistas r de ‘rápidos’, enquanto aqueles que tardam a se reproduzir, vivem muito, tem prole pouco numerosa e devotam muito cuidado parental são os estrategistas k de ‘kalmos’.

Nós humanos só tememos o fim do mundo porque temos medo da morte. A morte só surgiu quando do aparecimento do sexo, pois seres de reprodução assexuada não morrem nunca. Logo, um fim do mundo sem sexo é a morte só pra quem se reproduz sexuadamente. Muitos seres vivos na hora H dos finalmentes, ao final da ‘saideira’ da vida só pensam e fazem uma coisa, sexo. No final do mundo para os salmões a palavra de ordem é ficar vermelhão e se acasalar. Alguns insetos já fecundados só pensam em botar os ovos no momento da morte. Daí que percebemos que não se trata de sobrevivência dos mais adaptados, mas sim de reprodução diferencial.

A depleção de recursos é um ponto alto da histeria de massas. Sempre de um desastre natural há um frenezi pelos últimos valiosos recursos. Então temos um contexto para competição, manipulação e violência. A competitividade aparece sempre em que se investe mais em acasalar agora do que se poupar para investir na prole. É claro que a competição por parceiros e recursos não é um fim em si, mas sim um meio para alcançar melhores condições e oportunidades reprodutivas.

É claro que no fim das contas há sempre um arrependimento e uma nostalgia. No leito de morte a maioria das pessoas acha que devia ter trabalhado menos, ser e fazer aquilo que sempre quis, gostar mais e passar mais tempo com os parentes e amigos, perdoado mais as pessoas. Então, do fim surge possibilidades de releituras e recomeços alternativos. Pena que no caso da espécie humana a coisa esteja ficando tarde demais para um arrependimento e um recomeço mais sustentável.

Sabendo que somos os descendentes dos sobreviventes de 5 grandes extinções em massa, das quais boa parte da biodiversidade da Terra sumiu do mapa, podemos nos sentir com sorte. Entretanto, a sorte a posteriori é uma ilusão, assim como extraterrestres, gnomos, deuses e democracia. Mas ainda assim existe beleza em ver tanta gente ganhando dinheiro com o desespero alheio, e tudo o mais acontecendo conforme as previsões comportamentais, ao sermos tão frágeis enquanto sociedade autodestrutiva.

Então, não deixe que essa nova onda de datas do fim do mundo te acerte em cheio na sua propensão cognitiva para o imediatismo e aproveite o momento para rever seus conceitos. Vida longa ao fim do mundo.

Este post fez parte nos últimos minutos do término da blogagem coletiva, “2012: O Último Carnaval?” e espero contribua para a discussão.

Blogagem coletiva Fim do Mundo

Feliz Dia de Darwin 2012

Simplesmente são 203 anos para o aniversariante mais célebre de hoje, Charles Darwin. Todo dia 12 de fevereiro, comemoramos no mundo todo o Darwin Day, uma celebração sobre Evolução, Ciência e Humanismo. Também comemoramos no Brasil o Dia do Orgulho Ateu. Como podem imaginar, não se trata de tietagem vazia, mas sim de uma homenagem mais que merecida para o cientista que em sua vida e obra levantou temas e posturas muito avançadas, abrangentes e revolucionárias.

Darwin hoje representa para nós acima de tudo Coragem. Valentia para se questionar e mudar, evoluir no pensamento. De caçador de animais e degustador de animais exóticos, passou a defender o respeito para com os animais e condenar as práticas de crueldade. Já que não faz muito sentido ser contrário ao trabalho escravo, o que ainda acontece em muitos lugares do Brasil e do mundo, e não se questionar sobre como tratamos os animais. De religioso e estudante para ser pastor anglicano, virou pesquisador em História Natural e abandonou a crença em deus. Não faz muito sentido acreditar num papai noel, mesmo depois de descobrir que não existe mágica, apenas truques, efeito placebo, auto-engano e tribalismo.

Sem essa coragem para abandonar esse nosso antropocentrismo terrorista nunca conseguiremos construir uma realidade mais universalmente justa e respeitosa. O antropocentrismo terrorista, que ao pregar que o ‘homem’ é o ápice, quase divino e, por tanto, está autorizado a usar e abusar das outras culturas, etnias, espécies e ecossistemas, está, não só está destruindo a si mesmo, mas levando tudo o mais junto para o buraco.

Tenha a coragem de aceitar o desafio proposto por Darwin. Veja a si mesmo como tão especial quanto qualquer outra espécie seja bonita e fofinha ou feia e venenosa, sinta-se conectado a todas elas, pois todos somos parentes e, então veja a beleza de se orgulhar de suas bactérias da flora intestinal. Não tenha medo de cultivar dúvidas, despir a curiosidade de tabus e dogmas, experimente beber do experimentar e testar possibilidades alternativas. E então permita que as reflexões nesse dia de Darwin evoluam em você.

Nesse vídeo veremos uma mensagem do idealizador da celebração mundial do Darwin Day, Robert Stephens.

Despertai para a Causa Ambiental

Por conta em parte da internet, celulares e das mídias socias, uma nova onda de redemocratização, sem precedentes, está acontecendo no mundo.

O que eram milhões de pessoas em isolado descontentes com os rumos da política, economia e suas implicações sociais e ambientais, se tornou uma massa de manifestações muito poderozas, capazes de mudanças reais.

Da Primavera Árabe à Marcha Contra a Corrupção, passando pelo Ocupai Wall Street e manifestações semelhantes na Europa, uma coisa ficou claro: precisamos engrossar mais o caldo para conseguirmos que o atual modelo econômico e de democracia, em que as decisões do mundo estão na mão de grandes corporações, evolua.

A importância da politização dos jovens é vital nesse cenário. No Brasil milhões de jovens ainda acham mais importante ir no Rock in Rio e em marchas religiosas, por exemplo. A alienação é amiga da corrupção e destruição ambiental e inimiga da revolução. Passe a reservar momentos do seu dia para extravasar sua indignação em formas que possam contagiar outras pessoas e apoiar causas social e ambientalmente relevantes.

Essa semana ocorreu o a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Terminando amanhã dia 23 ela reuniu mais de 15 mil eventos distribuídos pelo país inteiro, tiveram como foco Mudanças Climáticas Desastres Naturais, e Prevenção de Riscos. O maior evento sobre ciência do Brasil, ao focar a questão Ambiental, ajuda e muito na missão de acordar o brasileiro apático para a urgência e importância da causa.

Brasil, o país, que sediou a Eco 92, e sediará a Rio + 20 é o mesmo em que se gasta mais em estádios de futebol do que unidades de conservação, estrutura e fiscalização.

É o mesmo que quer perdoar desmatatores e desmantelar o atual código florestal, mesmo contra a opinião pública.

É o mesmo que constroi hidroelétricas na Amazônia a toque a caixa, desfigurando áreas ricas em biodiversidade e com povos indígenas, ignorando a opinião pública.

É o mesmo dá incentivo fiscal à fábricas e montadoras de carros, canaliza rios, asfalta áreas de várzea, cria mais estradas sendo que trem faria tudo mais fácil, poluindo menos e causando menos enchentes.

Não dá mais para ficarmos apáticos frente a causa Ambiental. Espero que até a Rio + 20 percebamos que sem tolerância zero para o pouco caso frente ao Meio Ambiente estaremos dando um tiro no próprio pé e destruindo nossa própria casa.

Segue abaixo a série Home, 9 vídeos legendados para o português, que ilustra bem a necessidade de agirmos para mudarmos nossas atitudes e o sistema econômico exploratório que está acabando com nossa casa, o mundo.

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