A Saúde Pública vai mal, obrigado… (e não é no Brasil!)

Enquanto que todas as atenções do mundo científico se voltam para a inauguração do LHC, outras coisas mais comezinhas passam despercebidas… Só que o caso é sério, o risco é enorme e ninguém está dando a devida atenção à coisa.

O Times de Londres publica, em sua edição on-line, a seguinte notícia: «Os “superbugs” levam os hospitais a sua última linha de defesas». (Os “superbugs” são cepas de bactérias resistentes a todos os antibióticos conhecidos — veja, por exemplo, a terceira matéria do PressPac da ACS de 3 de setembro). Algumas são velhas conhecidas, como a popular Escherichia coli, que todos nós carregamos dentro de nossos corpos. Algumas vezes, elas se misturam à corrente sanguínea e causam infecções (tais como pneumonias) extremamente graves. Pois bem: na Grã-Bretanha, os casos de E. coli resistentes a antibióticos triplicaram entre 2000 (4%) para 12% em 2006 — em números absolutos, estamos falando de 2.400 casos em um total de 20.000. Apesar do número de casos onde “superbugs” manjados, como as MRSA, os “Estafilococos Dourados”, mencionados na matéria do PressPac, ter diminuído — graças a um maior controle, onde já se usa antibióticos fortíssimos — são as pragas do dia-a-dia que preocupam, já que sua ocorrência é mais corriqueira e a detcção de uma cepa resistente é mais difícil.

E não é só isso… A gente, aqui no Brasil, está saindo no tapa com o Ædes Ægipti por causa da dengue… Nos EUA a “praga da vez” são os “bed bugs”… nossos conhecidos percevejos. A grande mídia não noticia, mas correspondentes meus nos EUA confirmam que as infestações estão cada vez mais freqüentes e as medidas de combate, cada vez mais radicais. Imagine voltar das férias e descobrir que seu apartamento está lacrado, com todos os seus pertences enfiados em sacos plásticos (do tipo de embalar lixo) e tão saturados de inseticida que você tem que mandar todas as suas roupas (sapatos, inclusive) para a lavandeira, enquanto simplesmente joga fora o sofá… Foi o que aconteceu com um deles.

É sempre bom lembrar que a Pandemia da “Gripe Espanhola” começou no quartel de Camp Funston, Missouri, onde se misturavam galinhas e porcos, com soldados que se apresentavam para o treinamento para a 1ª Guerra Mundial. Lá, o H1N1 arrumou um jeito de se transformar de uma gripe aviária para uma gripe suína, e, uma vez que o organismo dos porcos é o mais semelhante ao humano em diversas coisas, virou a Pandemia mais mortífera que o mundo conheceu. O H5N1, por enquanto, é apenas aviário… por enquanto!

Com a “qualidade” da saúde pública do tão decantado “Primeiro Mundo” sendo a porcaria que é (não só em termos de controle de vetores — na semana passada, o EurekAlert tinha quatro ou cinco artigos criticando o uso indiscriminado de Tomografias e Ressonâncias Magnéticas para a diagnose do câncer de mama, demonstrando com dados estatísticos que não só falsos diagnósticos provocam cirurgias desnecessárias, mas o hábito de pedir um “PET Scan” acaba retardando o início do tratamento de casos precocemente detectados — em suma: a tecnologia usada indiscriminadamente está mais atrapalhando do que ajudando…), eu não tenho dúvidas de que, em breve, estaremos a braços com Pandemias totalmente fora de controle.

Isso, se uma (já prevista e até usada com tema do filme “O Dia Depois de Amanhã”) inversão da Corrente do Golfo não atolar os arrogantes “primeiro-mundistas” em metros de neve e gelo… A previsão é de que a Calota do Polo Norte atinja um novo recorde negativo neste ano…

Discussão - 3 comentários

  1. Isso sem falar nesses medicamentos que custam uma fortuna (em geral, anticorpos monoclonais contra câncer e doenças autoimunes) que estão esfolando o governo de vários países, o nosso incluso, fazendo com que os sistemas de saúde fiquem cada vez mais no vermelho. É preocupante. Abraços, Luciana.

  2. João Carlos disse:

    E, para por a cereja em cima do sundae, o EurekAlert traz hoje a seguinte matéria: “‘Dodgy dossier’ partly to blame for failure of war against malaria in the tropics”, que explica que o fracasso na luta contra a malária nas regiões tropicais, se deve, em grande parte, ao uso de sistemas totalmente inadequados, literalmente “importados” da Europa, onde as realidades geográficas, sociais e políticas são totalmente diferentes.
    Considerando que nem os percevejos eles conseguiram realmente erradicar, eu tenho cá minhas dúvidas se os outros vetores de doenças estão tão “erradicados” como querem nos fazer crer…

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