Physics News Update nº 872

POR DENTRO DA PESQUISA CIENTÍFICA ― ATUALIZAÇÃO DAS NOTÍCIAS DE FÍSICA

PHYSICS NEWS UPDATE

O Boletim de Notícias de Pesquisas do Instituto Americano de Física, n° 872 de 17 de setembro de 2008, por Philip F. Schewe, James Dawson e Jason S. Bardi

AS ÁRVORES DA CALIFÓRNIA NÃO ESTÃO MAIS ABRSORVENDO TANTO CO2

As florestas não estão mais absorvendo tanto dióxido de carbono como no passado e a culpa pode ser do combate a incêndios. O combate a incêndios florestais encoraja o crescimento de árvores menores e, como resultado, reduz significativamente a capacidade geral da floresta de armazenar carbono, de acordo com um novo estudo feito pelos cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine.

Os pesquisadores, que estudaram as florestas da Califórnia, descobriram que, embora o número de árvores por acre tenha aumentado no período de sessenta anos, entre 1930 e 1990, a armazenagem de carbono diminuiu em cerca de 26%. Esta mudança na natureza das florestas, com um maior número de árvores menores, em detrimento das árvores maiores, parece ter sido causada pela assídua supressão de incêndios pela intervenção humana, disseram os pesquisadores. Usando de registros detalhados, os cientistas compararam as florestas tais como eram na década de 1930, com as florestas dos anos 1990, e descobriram que a “densidade dos caules” das florestas aumentou, o que poderia parecer que aumentaria a capacidade de uma floresta em armazenar carbono.

Na verdade, o fator “árvores menores” pesa mais do que o de “floresta mais densa” porque uma grande árvore retém uma quantidade de carbono desproporcionadamente maior, concluiram o pesquisadores. Mudanças climáticas ou, ao menos, o vasto aumento na quantidade de dióxido de carbono lançado na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, durante a era industrial, mudou o foco de atenção dos cientistas para a capacidade das plantas, especialmente das árvores, em capturar e armazenar o excesso de CO2. As árvores não são os únicos reservatórios de carbono (os oceanos armazenam enormes quantidades de CO2), mas são freqüentemente citadas como um indicador chave na luta para estabilizar os gases de efeito estufa na atmosfera.

Esse estudo, publicado na edição do mês passado de Geophysical Research Letters, se refere somente à Califórnia, porém Aaron Fellows, um dos autores do estudo, acredita que o mesmo se aplica a qualquer outro tipo de floresta de coníferas secas (“evergreen”) da região Oeste dos EUA.
OCEANOS MAIS QUENTES, FURACÕES MAIS FORTES.

Uma das mais antigas previsões das pesquisas acerca do aquecimento global é que eventos climáticos extremos se tornarão cada vez mais freqüentes. Porém, em um sistema complexo como o clima da Terra, é difícil ligar eventos individuais em temdências e ligar essas tendências ao aquecimento global.  Um dos debates mais intensos na comunidade científica tem sido a toria que o aquecimento global tem contribuido para causar eventos climáticos mais fortes, tais como furacões e ciclones.

Uma nova pesquisa da Universidade do Estado da Flórida  reforça  a argumentação de que os piores ciclones tropicais estão ganhando força e estabelece uma ligação entre este fato e um oceano aquecido pelo aquecimento global.  A pesquisa, ralizada por uma equipe liderada pelo geógrafo  da FSU James Elsner,  é baseada em uma teoria de “motor-calórico” apresentada pelo cientista  do MIT, Kerry Emanuel, em 2005. Essa teoria, em sua forma mais simples, diz que, a medida em que os mares ficam mais quentes, o oceano tem mais energia que pode ser convertida em ventos de ciclone tropical, o que torna os furacões mais fortes.  (Emanuel, em uma recente publicação, modificou muito de seu trabalho que predizia que as máquinas calóricas dariam azo a mais furacões, porém observou que o aquecimento global ainda pode ter um papel no aumento da intensidade dos furacões, o que é o foco da pesquisa de Elsner).

Elsner e sua equipe observaram os 30 anos de dados e se focalizaram nas tempestades que chegaram mais perto da intensidade máxima, ou foram tão fortes quanto podiam ser nas condições ambientais dadas. Eles descobriram que os ciclones tropicais estão ficando mais fortes, particularmente os sobre os Oceanos Atlântico Norte e Índico. As velocidades dos ventos nas tempestades mais fortes aumentaram de uma média de 140 milhas por hora (cerca de 226 km/h) para 156 mph (cerca de 252 km/h) em 2006.   Durante esse período, a temperatura do oceano, na média global da região onde se formam os ciclones tropicais, aumentou de 82,7 para 83,3  graus Fahrenheit (de 28,17 ºC para 28,5ºC).  “Observando somente os cilcones tropicais mais fortes, onde a relação entre tempestades e clima é mais proeminente, somos capazes de observar as tendências de aumento das intensidades das tempestades que tanto a teoria como os modelos previram que estariam lá”. disse Elsner. A pesquisa foi publicada em uma recente edição de Nature.

MAIS BICICLETAS, MENOS ACIDENTES COM BICICLETAS.

Em um estudo que parece, a primeira vista, contraintuitivo, pesquisadores da Universidade de New South Wales, em Sydney, Austrália, revisaram estudos de segurnça de 17 países e 68 cidades da  Califórnia,  e descobriram que, quanto mais pessoas usam bicicletas em uma comunidade, menos há colisões com motoristas de outros veículos.  “Parece que os motoristas ajustam seu comportamento na prsença de númeors crescentes de pessoas andando de bicicleta porque eles esperam ou têm experiências com  mais pessoas pedalando”, diz Julie Hatfield, uma expert em ferimentos da universidade.  Com um  número menor de acidentes, as pessoas passam a perceber as bicicletas como veículos mais seguros, de modo que mais pessoas passam a andar de bicicleta, o que, por sua vez, torna isso mais seguro”, diz ela.  “Aumentar o número de ciclistas significa que mais motoristas podem se tornar ciclistas e, desta forma, se tornarem mais conscienciosos e mais simpatizantes para com os ciclistas” disse ela. Experts em segurança  afirmaram que a diminuição de acidentes que surge com o aumento do número de ciclistas é independente de melhorias na legislação de proteção aos ciclistas e de melhorias na infraestrutura, tais como ciclovias.

Os estudos de segurança revisados vieram da Austrália, Dinamarca, Holanda, 14 outros países europeus e 68 cidades na Califórnia. Embora a revisão tenha se focalizado no ciclismo, parece que a regra de “quanto mais, mais seguro” se aplica igualmente a pedestres, diz Hatfield.
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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

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