A dança das algas
Cientistas da Universidade de Cambridge descobriram que algas de água doce podem formar agrupamentos estáveis nos quais elas dançam umas em torno das outras, unidas miraculosamente somente pelos fluxos de fluido que elas próprias criam. A pesquisa foi publicada hoje (20 de abril) em Physical Review Letters.
Os pesquisadores estudaram o organismo multicelular Volvox, que consiste de aproximadamente um milhar de células dispostas na superfície de uma matriz esférica, com cerca de meio milímetro de diâmetro. Cada uma das células da superfície tem dois apêndices na forma de caudas, conhecidos como flagelos, cuja vibração propele a colônia através do fluido e, ao mesmo tempo, faz com que ela gire em torno de um eixo.
Os pesquisadores descobriram que as colônias que nadam perto de uma superfície podem formar dois tipos de “estados entrelaçados”: a “valsa”, no qual as duas colônias orbitam em torno da outra, como um planeta em órbita de uma estrela, e o “minueto”, no qual as colônias oscilam para a frente e para trás como se estivessem ligadas por um elástico.
Essa descoberta abre novas perspectivas sobre como os organismos primitivos foram adquirindo maior complexidade com o tempo. Nas palavras do Professor Raymond E. Goldstein, Professor Schlumberger de Sistemas Físicos Complexos no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e autor principal do estudo: “Esses resultados chocantes e inesperados nos lembram não somente da graça e beleza da vida, mas também que fenômenos notáveis podem emergir de ingredientes simples”.
Além disso, os flagelos dos Volvox são quse idênticos aos cílios no corpo humano, cuja ação coordenada é fundamental para vários processos no desenvolvimento dos embriões, na reprodução e no sistema respiratório.
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