O telescópio Spitzer está se aquecendo para uma nova carreira

[ RELEASE
:
09-099 
NASA’s Spitzer Telescope Warms Up to New Career ]

Por Whitney Clavin
Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, Califónia.

 

6 de maio de 2009
 


WASHINGTON – A missão original do Telescópio Espacial Spitzer da NASA está perto do fim, depois de mais de cinco anos e meio sondando o cosmos com seu aguçado olho in­fra­vermelho. Dentro de cerca de uma semana após 12 de maio, o hélio líquido, necessário pa­ra resfriar alguns instrumentos até as temperaturas de funcionamento, deve acabar.

O fim do refrigerante marcará o início de uma nova era para o Spitzer. O telescópio vai co­me­çar sua missão “quente” com dois canais de um instrumento ainda funcionando em ple­na capacidade. Algumas linhas científicas que um Spitzer mais quente vai explorar serão as mesmas e outras serão inteiramente novas.

Robert Wilson, o gerente do projeto do Spitzer no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Passadena, diz: “Nós gostamos de pensar que o Spitzer está renascendo. O Spitzer
te­ve uma vida incrível, com um desempenho acima e além de seu dever. Sua missão primária pode estar se encerrando, mas ele vai empreender novas pesquisas científicas e novas des­cobertas, com certeza, vão aparecer”. 

O Spitzer é o último dos Grandes Observatórios da NASA, um conjunto de telescópios pro­jetados para enxergar as cores visíveis e invisíveis do universo. O conjunto inclui também os Telescópios Espaciais Hubble e Chandra da NASA. O Spitzer explorou, com uma sensibili­dade sem precedentes, o lado infra­vermelho do cosmo, onde se escondem os objetos escu­ros, empoeirados e distantes.

Para que um telescópio possa detectar a luz infravermelha – essencialmente calor – vinda de frios objetos cósmicos, ele deve ter um calor próprio muito pequeno. Durante os últimos cinco anos, o hélio líquido correu pelas “veias” do Spitzer, mantendo seus instrumentos res­friados a -271°
Celsius, ou seja, menos de 3 graus acima do zero absoluto, a mais baixa temperatura teoricamente atingível. A criogenia foi projetada para durar apenas dois anos e meio, mas o projeto eficiente e a cuidadosa operação do Spitzer permitiram que ele durasse por mais de cinco anos e meio.

A nova temperatura de funcionamento “quente” do Spitzer é ainda bem congelante: -242°C, muito mais frio do que um dia de inverno na Antártica quando as temperaturas algumas ve­zes atingem -59°C. Esse aumento de temperatura significa que dois dos instrumentos a bor­do do Spitzer – seu fo­tômetro imageador multifrequência de ondas mais longas e seu es­pectrógrafo in­fra­vermelho – não estarão mais frios o suficiente para poder detectar objetos frios no espaço.

No entanto, os dois detectores de comprimentos de onda mais curtos no dispositivo de câ­mera infraver­melha do telescópio continuarão a funcionar perfeitamente. Eles ainda vão con­seguir captar o brilho de vários objetos: asteríides em nosso sistema solar, estrelas em nu­vens de poeira, discos de formação de planetas, planetas gigantes gasosos e galáxias dis­tantes. Além disso, o Spitzer ainda será capaz de enxergar através da poeira que permeia nossa galáxia e bloqueia observações na faixa da luz visível.

Michael Werner, cientista do Projeto Spitzer do JPL que trabalha com o Spitzer há mais de  30 anos, declarou: “Nós faremos pesquisas excitantes e impor­tantes com esses dois ca­nais infravermelhos. Nosso novo programa de pesqui­sas tira vantagem do que esses canais podem fazer de melhor. Vamos nos foca­lizar em aspectos do cosmo sobre os quais ainda temos muito o que aprender”.

Desde seu lançamento de Cabo Canaveral em 25 de agosto de 2003, o Spitzer fez incontá­veis descobertas na astronomia. Observações de cometas, próximos e distantes, mostrou que o material de cometas e planetas é similar por toda a galáxia. Fotos de tirar o fôlego de berçários estelares de poeira levaram a novas percepções sobre como nascem as estrelas. E o olho do Spitzer apontado para o universo mais distante, a bilhões de anos-luz, revelou centenas de buracos negros gigantes espreitando na escuridão.

Talvez as descobertas mais revolucionárias e surpreendentes do Spitzer envolvam os plane­tas que orbitam outras estrelas – os chamados exoplanetas. Os exoplanetas são, em qua­se todos os casos, próximos demais a suas estrelas-mãe para poderem ser vistos de nos­so ponto de vista na Terra.
Não obstante, os caçadores de planetas continuam a descobrí­los, buscando mudan­ças nas estrelas-mãe. Antes do Spitzer, tudo o que sabíamos acerca dos exo­pla­netas vinha desse tipo de observação indireta.

Em 2005, o Spitzer detectou os primeiros fótons vindos diretamente de um exoplaneta. Por meio de uma engenhosa técnica, agora conhecida como método do eclipse secundário, o Spitzer foi capaz de coletar a luz de um exoplaneta quente e gasoso e aprender sobre sua temperatura. Estudos espectroscópicos posteriores, mais detalhados, revelaram mais so­bre a atmosfera (ou o “clima”) em planetas semelhantes. Mais recentemente, o Spitzer teste­mu­­nhou  as mudanças no clima de um exoplaneta gasoso altamente excêntrico – uma tem­pestade de proporções colossais que nascia em uma questão de horas, antes de se dissi­par rapidamente.

“Ninguém tinha qualquer ideia se o Spitzer seria capaz de estudar diretamente os exopla­netas quando o projetamos”, disse Werner. “Quando os astrônomos planejaram as primei­ras observações, não tinhamos ideia se iam funcionar. Para nosso espanto e deleite, elas funcionaram”.

Estas são algumas poucas das realizações do Spitzer nos últimos cinco anos e meio. Os dados desse telescópio são citados em mais de 1.500 artigos cien­tíficos. E os cientistas e engenheiros esperam que as recompensas ainda conti­nuem a surgir desses anos dourados do Spitzer.

Algumas das novas linhas de pesquisa do Spitzer incluem o refinamento das estimativas da Constante de Hubble, a taxa de expansão do universo; a procura de galáxias na borda do u­niverso observável; avaliação dos asteróides poten­cialmente perigosos para a Terra, medin­do o tamanho dos asteróides; e a ca­rac­terização das atmosferas de planetas gigantes gaso­sos cuja descoberta é prevista para breve pela missão Kepler da NASA. Assim como foi na época da missão “fria” do Spitzer, esses e outros programas são selecionados através de uma competição para a qual são chamados a participar cientistas de todo o mundo.

O JPL gerencia a missão Spitzer para a Diretoria de Missões Científicas da NASA em  Wa­shington. As operações científicas são conduzidas no Centro de Ciências Spitzer no Insti­tuto de Tecnologia da Califórnia (CalTech) em Pasadena. A missão e as operações cientí­ficas são apoiadas pela
Lockheed Martin Space Systems em Denver e pela Ball Aerospace &
Technology Corp. em Boulder, Colorado. O dispositivo de câmeras infravermelhas do Spitzer foi construído pelo Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland;  o principal pesquisador dos instrumentos é Giovanni Fazio do Centro de Astrofí­sica Harvard-Smithsonian em Cambridge, Massachusetts. A Ball Aerospace & Technology Corp.
construiu o espectrógrafo infravermelho do Spitzer; seu prin­cipal pesquisador é Jim Houck da Universidade Cornell em Ithaca, N.Y. A Ball Aerospace &
Technology Corp. e a Universidade do Arizona em Tucson, construíram o fotômetro imageador mutibandas para o Spitzer; e seu principal pesquisador é George Rieke da Universidade do Arizona.

Para mais informações sobre o Spitzer, visite:

http://www.nasa.gov/spitzer

e

http://www.spitzer.caltech.edu/spitzer


Discussão - 2 comentários

  1. sombriks disse:

    “Michael Werner, cientista do Projeto Spitzer do JPL que trabalha com o Spitzer há mais de 30 anos, declarou: ”
    não seriam 3 anos?

  2. João Carlos disse:

    Segundo o press-release da NSF, são trinta anos, mesmo. A dedução lógica é que o Werner trabalha no projeto do Spitzer desde o início quando os primeiros projetos começaram a ser feitos.

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