Esburacando o gelo no Ártico

[ Scientists Return from Expedition to Drill Beneath Frozen Russian Lake ]

Cientistas retiram a maior amostra já colhida de sedimentos no Ártico abaixo da superfície congelada do Lago El’gygytgyn na Sibéria

Photo of the project site near the center of Lake E'gygytgyn; the lake's eastern rim is visible.

O local das perfurações fica próximo do centro do Lago El’gygytgyn; na foto, é visível a margem Leste do lago.
Crédito e imagem ampliada

28 de maio de 2009

Uma equipe de team cientistas dos Estados Unidos, Alemanha, Rússia e Áustria acaba de retornar de uma expedição de perfuração de seis meses a um lago con­ge­lado da Sibéria: Lago El’gygytgyn (“Lago E” para simplificar).

O Lago E foi criado a 3,6 milhões de anos atrás quando um meteoro com quase um quilômetro de largura atingiu a terra e formou a cratera com 20 quilômetros de diâmetro.

A equipe no local da perfuração.

A equipe internacional no local de perfuração, após alcançar o fundo rochoso abaixo do lago, em meados de abril
Crédito e imagem ampliada

Lá, os pesquisadores coletaram as mais longas amostras de núcleos de sedimentos já recolhidas na região do Ártico. Segundo os cientistas, as informações contidas nos núcleos têm uma importância sem par para a compre­ensão das mudanças climáticas no Ártico.

Núcleos extraídos de três diferentes locais perfurados por sob o congelado Lago E, têm mais de 30 vezes o compri­mento dos núcleos da camada de gelo da Groenlândia, de acordo com a geocientista Julie Brigham-Grette da Univer­sidade de Massachusetts em Amherst, a principal cientista dos EUA no projeto..

A equipe de pesquisa vai comparar esse registro do Ártico com outros registros de amostras colhidas no oceano e em terra em latitudes menores para compreender melhor as mudanças climáticas globais.

Alojamento de campanha da expedição.

Um alojamento de campanha abrigou 40 cientistas e membros do staff por quatro meses.
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Quase 3,5 ton de núcleos de sedimentos serão transportados, em condições contro­ladas de temperatura, em aviões especialmente prepa­rados da Sibéria para São Petersburgo no início de junho, e daí para um laboratório na Alemanha para serem analisa­dos por paleoclimatologistas.

As metades de núcleos catalogadas seguirão, mais tarde, para a instalação de LacCore da Universidade de Minne­sota, onde serão preservados em criogenia.

Brigham-Grette diz que a equipe recolheu um total de 385 metros de sedimentos; estes sedimentos representam um registro de aproximadamente 3,5 milhões de anos.

Paul Filmer, diretor de programa da Divisão de Ciências da Terra da Fundação Nacional de Ciências (NSF), declara: “O estudo dos sistemas de alta latitude é de grande importância para uma com­preensão do clima na Terra em todas as latitudes. O primeiro ponto de interesse é estabelecer como e por que o Ártico evoluiu de um ecossistema quente e co­ber­to por florestas para um ecossistema de permafrost entre dois e três milhões de anos atrás”. A Divisão de Ciências da Terra participou da expedição junta­mente com o Escritório de Programas Polares da NSF.

O registro contínuo coletado neste lago singular “nos proporciona um modo de observar as mudanças climáticas glaciais/inter-glaciais do passado”, explica Brigham-Grette.

“Os ciclos quentes e frios da Terra, no ultimo milhão de anos, variou a cada 100.000 anos em certas ocasiões. Antes disso, no entanto, as mudanças climá­ticas, especialmente nas altas latitudes, variou em ciclos de 41.000 e 23.000 anos. Os registros do Lago E irão mostrar o que causou essa aceleração no pro­cesso de mudança climática da Terra”.  

Vista aérea do campo na margem do lago.

Vista aérea do campo na margem do lago, 100 km ao Norte do Círculo Ártico.
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Abaixo dos sedimentos do lago, os núcleos perfurados no leito rochoso vão porporcionar aos geólogos uma rara opor­tunidade de estudar as rochas derretidas pelo im­pac­to de um meteoro, vindas de um dos locais de impacto de meteoro melhor preservados na Terra e o único formado sobre rocha vulcânica rica em silício.

A equipe recolheu aproximadamente 40 metros do início da história do lago, no quente período do Pliocene Médio. Esse período geológico, segundo Brigham-Grette, é fasci­nante por ser um possível exemplo do clima futuro.

Os resultados iniciais das perfurações ainda são limitados. Os núcleos de sedimentos não puderam ser abertos no campo por causa da natureza remota do local de perfu­ração e das más condições de transporte terrestre no local.

Cientistas trabalhando.

Cientistas trabalhando na investigação sobre a história do clima da região Ártica no passado.
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Durante as perfurações-piloto, realizadas em novembro, os cientistas recolheram 141 metros de sedimentos que exi­biam depósitos de leque aluvial e lacustres no perma­frost
na borda Oeste do lago, fora do talik (solo não con­ge­lado em uma área de permafrost).

Após a perfuração, o buraco da mesma ficou perma­nentemente dotado de instrumentos para futura monito­ração da temperatura do solo, como parte da Rede Global Terrestre para o Permafrost.

O Projeto de Perfuração do Lago El’gygytgyn é um esforço internacional financiado pelo Programa Intercontinental de Perfurações Continentais (International Continental Drilling Program= ICDP), a Divisão de Ciências da Terra e o Escri­tório de Programas Polares da Fundação Nacional de Ciên­cias dos EUA, o Ministério da Educação e Pesquisa (BMBF) da Alemanha, Alfred Wegener Institute (AWI), GeoForschungs­Zentrum-Potsdam
(GFZ), o Ramo do Extremo Oriente da Acade­mia Russa de Ciências, a Fundação Russa para Pesquisa Básica e o Ministério de Ciência e Pesquisas da Áustria.

Perfuradores russos e norte-americanos recolhendo os núcleos.

A grossa cobertura de gelo do lago foi usada como plataforma por perfuradores para recolher os núcleos.
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As principais instituições russas envolvidas incluem o Insti­tuto Nordestino Interdisciplinar de Pesquisas, o Instituto de Geologia do Extremo Oriente e o Instituto
Roshydromet de Pesquisas Árticas e Antárticas.

O sistema de perfurações profundas para as operações no Ártico foi desenvolvido pela DOSECC
Inc.; a manutenção dos núcleos ficou a cargo da Lac-Core da Universidade de Minnesota.

O projeto foi desenvolvido e organizado pelos investi­gadores principais de quatro países em colaboração: Julie Brigham-Grette
(cientista-chefe pelos EUA, Universidade de Massachusetts em Amherst), Martin
Melles (cientista­chefe pela Alemanha, Universidade de Colônia), Pavel Minyuk
(cientista-chefe pela Rússia, NEISRI Magadan) e Christian Koeberl
(cientista-chefe pela Áustria, Universidade de Vienna).


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