Magnetar!

Illustration of a magnetar
IIlustração de um magnetar

[Traduzido daqui: Giant eruption reveals ‘dead’ star]

 

16 de junho de 2009

Uma enorme erupção chegou à Terra, após uma viagem de milhares de anos através do espaço. Ao estudar essa explosão com os observatórios espaciais XMM-Newton e Integral da Agência Es­­pa­cial Européia (ESA), os astrônomos desco­briram uma estrela “morta” de um tipo raro: os magnetares.

O jato de raios-X emitidos pela explosão che­garam à Terra em 22 de agosto de 2008 e acionaram um sensor automático do satélite Swift da NASA. Apenas doze horas depois, o XMM-Newton “zerou” no alvo e começou a coletar a radiação, o que permitiu o mais detalhado estudo es­pectral do decaimento da radiação da explosão de uma estrela que se trans­formou em um magnetar.

A emissão de raios-X durou por mais de quatro meses, durante os quais cen­tenas de jorros menores foram medidos. Nanda Rea da Universidade de Ams­terdam, que liderou a equipe de pesquisa, explica: “Os magnetares nos per­mitem estudar condições extremas da matéria que não podem ser reproduzidas na Terra”.

Os magnetares são os objetos mais intensamente magnetizados do universo. Seus campos magnéticos são cerca de 10 bilhões de vezes mais fortes do que o da Terra. Se um magnetar surgisse magicamente à meia distância da Terra para a Lua, seu campo magnético apagaria os dados de todos os cartões de crédito na face da Terra.

Estima-se que este magnetar em particular, conhecido como SGR 0501+4516, fique a cerca de 15.000 anos-luz de distância, e ele era desconhecido até que suas emissões o denunciaram. Uma explosão ocorre quando a configuração ins­tável do campo magnético impele para fora a crosta do magnetar, permitindo que a matéria se espalhe pelo espaço em uma erupção vulcânica exótica. Essa matéria interage com o campo magnético que pode, ele próprio, mudar sua con­figuração, o que libera ainda mais energia. E é aqui que entra em cena o Integral.

Integral observations
Observação do Integral

Apenas cinco dias após a grande erupção, o Integral detec­tou raios-X altamente energéticos que vinham da explosão, em uma faixa de energia além daquela visível pelo XMM­Newton. Foi a primeira vez que uma emissão transitória de raios-X foi detectada durante a explosão. Ela desapareceu em 10 dias e, provavelmente, foi gerada com a mudança da configuração magnética.

Explosões de magnetares podem atingir a Terra com a mes­ma energia de uma erupção solar, muito embora eles este­jam longe de nós, enquanto o Sol está bem próximo. Existem duas teorias sobre como se formam os magnetares. Uma diz que são os pequenos núcleos rema­nescentes da explosiva morte de uma estrela altamente magnética. No entanto, essas estrelas altamente magnéticas são muito raras – apenas umas poucas são conhecidas em nossa galáxia. A outra supõe que, durante a morte de uma es­trela comum, seu pequeno núcleo é acelerado, criando um dínamo que reforça seu campo magnético, o que a tranforma em um magnetar.

Atualmente a maior parte dos astrônomos está a favor da primeira hipótese, mas ainda não há uma prova conclusiva. “Se pudéssemos apenas encontrar um magnetar em um aglomerado de estrelas altamente magnéticas, isso seria a prova”, argumenta Rea.

Até agora, somente 15 magnetares ao todo são conhecidos em nossa galáxia. O SGR 0501+4516 é o primeiro novo repetidor de raios-Gama suaves, um dos dois tipos conhecidos de magnetares, descoberto após um ano de buscas. De forma que os astrônomos continuam a procurar por outros mais, esperando pela próxima erupção gigante. No que toca ao recém-descoberto SGR 0501+4516, a equipe terá a oportunidade de voltar e observá-lo novamente no ano que vem com o XMM-Newton. Agora que eles sabem para onde olhar, esperam detectar o objeto em um estado mais pacífico – em lugar de uma explosão – de forma a poderem estudar a calmaria que se segue à tempestade.

Artigo publicado:

“The first outburst of the new magnetar candidate SGR 0501+4516” por N.Rea, G.L. Israel, R. Turolla, P. Esposito, S. Mereghetti, D. Gotz, S. Zane, A. Tiengo, K. Hurley, M. Feroci, M. Still, V. Yershov, C. Winkler, R. Perna, F. Bernardini, P. Ubertini, L. Stella, S. Campana, M. van der Klis, P.M. Woods, publicado ontem na versão online de Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.


Discussão - 1 comentário

  1. Igor Santos disse:

    “Uma explosão ocorre quando a configuração ins­tável do campo magnético impele para fora a crosta do magnetar”
    o.O
    ‘Tá píula!
    Quando eu acho que nada mais me impressiona, vem uma dessas.

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