Uma chuveirada… de doenças



IMAGEM:

Esse refrescante jato d’água pode estar combinado com um jato de bactérias que causam sérias infecções respiratórias.

Maiores informações

Você pensa que, quando toma uma boa ducha em seu banheiro, está se
limpando e, em consequência, fica menos exposto a doenças, não é?…
Pois, bem. Um estudo divulgado pela Universidade do Colorado em Boulder
diz que não é bem assim.

Segundo o estudo,
quando você abre o chuveiro, leva pela cara uma chuva de bactérias
patogênicas que se acumulam em películas que se formam no interior do
crivo dos chuveiros.
.

Isso foi o que os pesquisadores encontraram, usando instumentos high-tech e processos laboratoriais na análise de 50 crivos de chuveiros em nove cidades de sete diferentes estados americanos, inclusive as cidades de Nova York, Chicago e Denver. Eles descobriram que cerca de 30% dos crivos abrigavam níveis significativos de Mycobacterium avium, uma espécie de patógeno ligado a doenças pulmonares que frequentemente atacam pessoas com sistemas imunológicos deficientes, mas que também pode infectar pessoas saudáveis.

O Professor Norman Pace, da UC Boulder, principal autor do estudo, disse que, apesar de não ser algo tão surpreendente encontrar essas bactérias nas redes de água públicas, a concentração observada nessas películas nos crivos dos chuveiros era cerca de 100 maior do que o normalmente esperado. Segundo ele:

— Se você abre o chuveiro e leva pela cara aquele jato inicial do chuveiro, você provavelmente está recebendo uma carga particularmente grande de Mycobacterium avium, o que não faz bem nenhum à saúde.

O estudo é publicado na edição online de hoje de Proceedings of the National Academy of Sciences. Os co-autores incluem os pesquisadores Leah Feazel,
Laura Baumgartner, Kristen Peterson e Daniel Frank, da UC Boulder e o Professor Associado de Pediatria da UC Denver Kirk Harris.

Pesquisas anteriores, realizadas no Hospital Judáico Nacional em Denver, indicaram um aumento no número de infecções pulmonares causadas pela espécies de micobactérias não relacionadas com a tuberculose, tais como a M. avium, provavelmente ligado ao fato das pessoas estarem fazendo mais uso de duchas de chuveiros do que banhos de imersão. As bactérias são espalhadas em um aerossol pelos chuveiros e são facilmente inaladas pelas pessoas.

É muito difícil medir os níveis de contaminação dos chveiros e esse estudo teve que lançar mão de técnicas tais como a polymerase chain
reaction
, ou PCR (Reação em cadeia da polimerase), nas amostras das películas colhidas para identificar as “assinaturas” de patógenos presentes.

Mais preocupante ainda foi a constatação feita pelos pesquisadores de que o cloro, não só não é eficaz contra esses tipos de bactérias, como parece “abrir o caminho” para as espécies resistentes, livrando-se de outras bactérias menos infecciosas.

Os autores do estudo dizem que não é por isso que as pessoas devem deixar de tomar banhos de chuveiro. O risco só é um pouco maior para as pessoas com algum tipo de imunodeficiência. Porém, associados a dados sobre níveis de patógenos presentes em ambientes com ar-condicionado e outros com grandes concentrações de pessoas em locais restritos, levam à conclusão de que as condições de higiene nas grandes conurbações não são nem perto do que se acreditava.

Curiosamente, o press-release do EurekAlert não faz qualquer menção a algo que me parece óbvio: limpe a porqueira do crivo do chuveiro regularmente!

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Discussão - 6 comentários

  1. Paulo Reis disse:

    As pessoas em situação de risco são as mulheres grávidas, os idosos e as pessoas cujo imunológico está debilitado.
    Algumas dessas bactérias provocam sintomas vão da fadiga a uma sensação geral de mal-estar, passando por uma tosse seca e persistente.
    Segundo o estudo, os chuveiros de metal são menos suscetíveis de abrigar a micobactéria que os de plástico.
    Para diminuir o risco de contaminação, Laura Baumgartner, da Universidade do Colorado, sugere deixar a água correr durante um minuto antes de entrar no banho.

  2. Sérgio Takamura disse:

    Bem aí é caso de dar uma chuveirada no próprio chuveiro pela nanotecnologia. Ficar sem banho por causa dos bichinhos bacteriológicos nem pensar.
    Bem fazia minha vó que mergulhava ora na banheira, ora jogava um balde d’água na cabeça. Está hoje com quase 80 anos e usa chuveiro elétrico. Será que vai morrer disso?
    Brincadeiras a parte, vejo que enquanto a tecnologia avança pró conforto e utilitarismo modernos, os contra parecem ser maiores!

  3. maria disse:

    se o problema é o jato inicial, entrar no banho com cautela deve ajudar. ligar a água, esperar que esteja na temperatura ideal, pôr o dedo e ver se está bom, molhar o pé primeiro antes de mergulhar de cabeça. macheza é anti-higiênico, pelo menos ao entrar no chuveiro!

  4. Igor Santos disse:

    Tem gente que não lava a pia, que está literalmente ao alcance das mãos, imagine uma cabeça de chuveiro.
    A única solução é tomar banho de mangueira, no jardim.

  5. Karl disse:

    Caraca!!!! Essa foi boa! Obrigado pela informação.

  6. Oi, João! Quanto tempo!
    Fiquei interessada no assunto porque um dos meus filhos foi diagnosticado como asmático recentemente e nas crises, toma imunosupressores. Fora o problema respiratório, em si. O outro tem dermatite atópica que é uma inflamação da pele auto-imune, ou seja, o próprio sistema imunológico ataca a pele. Nada grave mas é crônico. Além disso, a descamação da pele abre portas para várias infecções e tb, como no caso da asma (aliás, são doenças relacionadas e de fundo genetico) o tratamento nas crises é feito com corticóides. Ou seja, “limpar a porqueira do crivo”, pode ser bem interessante para meus filhotes!

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