Darwin Day 2026 e os 50 anos da Nova Síntese Evolutiva
É chegado o nosso Darwin Day do ano! Neste 12 de fevereiro de 2026, celebramos o Dia de Darwin, o aniversário de 217 anos de Charles Robert Darwin. Ele foi o cientista que transformou profundamente a Biologia e diversos campos do saber ao articular evidências variadas em sua teoria da evolução biológica fundamentada na descendência comum, na seleção natural e sexual, no gradualismo e na diversificação das espécies. O Darwin Day é uma celebração mundial que reconhece o legado de Darwin à ciência e convida à reflexão sobre como a teoria evolutiva segue iluminando nossa percepção do mundo e auxiliando no enfrentamento dos desafios contemporâneos.
Aqui no MARCO EVOLUTIVO comemoramos anualmente o Dia de Darwin desde 2008, passando pelo Bicentenário de Darwin e 150 anos do ‘Origem da Espécies’ em 2009, e por 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, pela Década de Darwin Days no Blog em 2018, 2019, 2020, pelo sesquicentenário do “A Descendência do Homem a Seleção Sexual’ em 2021, pelo sesquicentenário do ‘A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais’ em 2022, 2023, 2024, 2025.

Neste Darwin Day estamos comemorando os 51 anos da publicação do livro “Sociobiologia: a Nova Síntese” de Edward Wilson (1975), e 50 anos da publicação do “O Gene Egoísta” de Richard Dawkins (1976). Ambos os livros formam a grande divulgação pública das explicações evolutivas e adaptativas para o comportamento social dos animais ao abordarem cooperação, acasalamento, agressão, territorialidade, conflitos pais e filhos entre outros. Foi um período muito produtivo pois aproximou mais efetivamente o comportamento social da genética de populações e da dinâmica adaptativa da seleção natural. Os etólogos puderam finalmente afastar noções vagas e imprecisas sobre as adaptações servirem para o ‘bem da espécie’ ou ‘perpetuação da espécie’, e puderam abraçar noções de benefício genético abrangente e um maior rigor em termos de custos e benefícios das adaptações psicocomportamentais.

O próprio Darwin identificou corretamente o que a Helena Cronin (1991) chamou de o “problema da formiga”: como era possível a evolução de castas estéreis de formiga com morfologia e comportamentos próprios sem que elas mesmas deixassem seus descendentes? No Origem das Espécies (1859), em seu capítulo sobre as possíveis objeções à Teoria da Seleção Natural, Darwin escreveu sobre “uma dificuldade específica, que a princípio me pareceu insuperável e, na verdade, fatal para toda a minha teoria. Refiro-me aos indivíduos neutros ou fêmeas estéreis nas comunidades de insetos: pois esses indivíduos neutros frequentemente diferem muito em instinto e estrutura tanto dos machos quanto das fêmeas férteis, e, no entanto, por serem estéreis, não podem propagar sua espécie.” De forma geral, este era o problema evolutivo do altruísmo: como é possível evoluir alguma tendência comportamental que beneficia outros em detrimento de si mesmo?
Este paradoxo evolutivo das castas estéreis dos insetos sociais foi plenamente resolvido só em 1964 com a formalização da seleção de parentesco por William Hamilton, o qual nasceu no mesmo dia que Lamarck. Ele demonstrou que por compartilharmos mais as nossas versões dos genes com nossos parentes era possível evoluir tendências altruísticas para ajudar a sobrevivência e a reprodução dos parentes. E quanto mais próximos os parentes, maiores seriam os benefícios de se sacrificar por eles. Isso explicou a existência de castas estéreis em insetos sociais, visto que as operárias são proximamente aparentadas à rainha. A aptidão evolutiva, que antes era operacionalizada em número de filhos que sobrevivem à idade reprodutiva, passou a ser entendida de forma a abranger, além dos próprios filhos, todo o número de sobrinhos, primos, netos e filhos de outros parentes próximos que chegassem à idade reprodutiva (aptidão abrangente, ou do inglês, inclusive fitness).
A partir desse avanço teórico foi possível acrescentar a explicação evolutiva para o amor parental e para muitos comportamentos, como o fato das abelhas morrerem após ferroar um possível inimigo da colmeia, que não faziam sentido pensando apenas a reprodução própria do indivíduo. A mesma lógica também lançou luz sobre o conflito entre pais e filhos, como no caso do desmame, pois apesar de proximamente relacionados geneticamente ainda existem 50 % de diferenças genéticas entre eles na maioria dos casos. George Williams foi outro grande evolucionista que ajudou a dar as bases da síntese sociobiológica.
Nos livros cinquentenários “Sociobiologia” e “Gene Egoísta” este avanço explicativo sobre o altruísmo foi amplamente demonstrado e interligado com outros avanços da época como o altruísmo reciproco (como o ‘uma mão lava a outra’), investimento parental, sinalização custosa etc. Assim, em meados de década de 1970, estes livros finalmente ajudaram a devidamente incluir o comportamento animal no mesmo arcabouço teórico da Síntese Moderna da Evolução, das décadas de 1930-40. Ambos livros ajudaram a alicerçar o estudo do comportamento social em modelos matemáticos e na genética de populações, transformando a etologia social em uma ciência quantitativa e preditiva. Desta Nova Síntese Evolutiva surgiram novas disciplinas como a Ecologia Comportamental, a Psicologia Evolucionista, a Memética, por exemplo.
Sim, pois no último capítulo do “Gene Egoísta”, Dawkins introduziu o conceito de memes, que são unidades culturais coesas que se replicam de mentes em mentes por aprendizado social (imitativo) na ‘sopa primordial’ das tradições socioculturais. Décadas depois a noção de memes foi aplicada ao que hoje conhecemos como os memes de internet, em que uma cena ou expressão facial conhecida é reinterpretada em outro contexto distinto, mas com reação semelhante, o que é engraçado e nos faz compartilhar até viralizar enquanto unidade cultural de replicação.
Enquanto Dawkins foi da replicação genética para a replicação cultural no final de seu livro, no ano anterior Wilson foi das sociedades animais à sociedade humana ao final do “Sociobiologia”. Apesar de ser um especialista de formigas, Wilson conseguiu apresentar alguns insights de como poderíamos entender os comportamentos sociais humanos pelas lentes sociobiológicas. A Sociobiologia humana cultivou a interdisciplinaridade, por incluir informações paleontropológicas, históricas, etnográficas, interculturais, adaptativas e comparativas com outras espécies. Ele mostrou a importância de se considerar tanto as bases biológicas quanto os contextos socioecológicos e históricos. Porém, estava longe de ser a palavra final ou o entendimento mais profundo e avançado sobre os humanos na época. As editoras e a imprensa inflaram muito a importância dos livros gerando uma percepção que seriam a palavra final sobre o comportamento humano que substituiria as explicações das ciências sociais. O que não é verdade.
É claro que o fato de ambos livros ligarem evolução aos seres humanos deixou muitos criacionistas chateados. Por terem colocado humanos na mesma dinâmica evolutiva comportamental das outras espécies incomodou pessoas antropocêntricas que acham humanos superiores aos outros animais. Por terem focado muito nos genes como unidades fundamentais de evolução e não no indivíduo deixou chateados os que queriam protagonismo ao indivíduo. Por terem focado as influências genéticas e evolutivas no comportamento animal incluindo os humanos (natureza humana) deixou chateados muitos que acreditavam no mito da tabula rasa, em que tudo é aprendido e nada é herdado ou instintivo. Muitos não tinham embasamento biológico para captar a profundidade da mensagem dos livros e passaram a rotulá-los como mero determinismo genético ou fatalismo biológico. Tanto é que muitos acharam que “O Gene Egoísta” era sobre os genes do egoísmo e não um livro sobre a evolução do altruísmo. Muitos achavam que a Sociobiologia e a perspectiva do gene egoísta eram meras racionalizações para justificar atrocidades sociais, como as realizadas no passado em nome do darwinismo social e da eugenia.
Apesar da polêmica, da recepção conturbada e da difamação infundada, as críticas científicas recebidas fizeram com que a área progredisse e se diversificasse. Hoje sabemos que além do fato dos genes serem praticamente imortais e fundamentais para a evolução, existe outras formas menos estáveis de herança, como a herança epigenética, citológica, comportamental e cultural, que também influenciam o processo evolutivo.
O fato de termos herdado propensões comportamentais não quer dizer que todos vamos nos comportar igualmente, ou que não temos escolha nem capacidades inibitórias. O fato de termos inclinações comportamentais evoluídas não nos impede de aprender nem nos ajustar social e ecologicamente. Hoje a Genética Comportamental e a Sociogenômica já demostraram que temos sim centenas de genes cada um com efeitos pequenos que influenciam, junto com os efeitos ambientais, em como somos, pensamos e nos comportamos. Apesar de termos predisposições genéticas, temos até certo ponto a capacidade de melhorarmos como somos mediante mudanças de contextos e hábitos de vida.
Diante de todo avanço científico proporcionado pela ampla divulgação da solução de antigos paradoxos evolutivos comportamentais era de se esperar que toda graduação em Biologia tivesse comportamento animal como disciplina obrigatória, que toda graduação das Ciências Humanas e Sociais tivesse as bases biológicas do comportamento humano em seu contexto comparativo como disciplina obrigatória, pelo menos antropologia e psicologia. Mas, mesmo depois de 50 anos e muitos avanços subsequentes, são poucas as universidades que oferecem cursos sobre a biologia comportamental e ainda precisa avançar muito a compreensão, aceitação e integração do comportamento animal nos currículos universitários.
Isso porque hoje sabemos que as abordagens evolutivas nos ajudam a entender desafios contemporâneos como a pandemia e a crise ecoclimática. Além disso, hoje sabemos que interculturalmente e controlando para religião e orientação política, a aceitação da evolução humana está relacionada a menor homofobia, transfobia, racismo e xenofobia (Syrapulous et al., 2022), ao contrário do que os críticos imaginavam. Então, neste Darwin Day 2026, vamos todos abrir a mente e nos atualizar lendo livros sobre a evolução do comportamento humano, como o Manual de Psicologia Evolucionista.
6 anos de MARCO EVOLUTIVO e Feliz 2014
Feliz 2014 a todos seguidores, leitores e fãs do MARCO EVOLUTIVO! Iniciamos esse ano novo comemorando o singelo fato de que em novembro de 2013 completamos não UM, nem DOIS, TRÊS, QUATRO ou CINCO, mas sim 6 anos de existência. Agradeço muito todos os comentários, elogios e críticas recebidos e também aos mais de cem novos seguidores no Facebook que tivemos no ano passado, já estamos com 368. Continuem sempre acessando e compartilhando links do blog com os amigos.
Em 2013, grandes acontecimento acabaram freando um pouco a escrita no blog. O ano passado foi meu primeiro ano completo como professor universitário, então tive bastante trabalho, ministrei muitas aulas e por isso estou muito realizado. Estou desde abril como professor substituto no Departamento de Processos Psicológicos Básicos do Instituto de Psicologia da UnB e venho ministrando a disciplina de Introdução a Psicologia para graduandos dos mais variados cursos. Estou gostando muito da UnB e de morar em Brasília.
No ano passado também me casei com a mulher da minha vida, a Jaroslava Varella Valentova, Antropóloga Tcheca. Estamos muito felizes e realizados morando juntos, alternando entre a vida no Brasil e na República Tcheca. Enfrentamos o desafio de desenvolver uma cerimônia matrimonial humanista evolutivamente relevante com conteúdos de Psicologia, Biologia e Antropologia que ficou bem interessante e agradou a todos. Afinal, a ciência tem muito a dizer sobre o amor e as parcerias românticas.
Mesmo com apenas 5 postagens, de janeiro de 2013 até janeiro de 2014 o MARCO EVOLUTIVO quase 15 mil visitas. Tivemos mais de 12 mil visitas no Brasil, 682 de Portugal e 534 dos EUA. As outras visitas foram de Angola, Moçanbique, Reino Unido, Índia, México, Espanha, França, República Tcheca, Canadá, Alemanha, Cabo Verde, Japão, Filipinas, Colômbia, Irlanda, Argentina, Chile, Suíça e Equador, todos com 10 ou mais visitas.

Os 5 posts mais lidos de 2013 foram: 1-“Lamarck – A Verdadeira Idéia Errada”, 2-“O sexo chimpanzé e o conflito de gerações”, 3- “Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista”, 4-“Seleção Sexual, de Parentesco, Natural, Artificial e Social”, e 5-“Festival de Vídeos: Evolução da Sexualidade Humana I”. O destaque do ano passado foi a comemoração dos Cem anos Sem Alfred Russel Wallace, quando celebramos a vida e a obra desse evolucionista esquecido por muitos.
O presente evolutivo desse começo de ano vem também em forma de celebração. Em 2013, fez 50 anos da famosa publicação de Nikolaas Tinbergen Sobre os Objetivos e Métodos da Etologia, onde ele descreve as famosas Quarto Questões de Tinbergen para o estudo do comportamento animal.
Então aí vai um número especial do Human Ethology Bulletin inteiro em homenagem ao meio século do paper On Aims and Methods do Tinbergen, que está bem interessante.
E aí vai ainda um artigo também em comemoração às 4 perguntas de Tinbergen que faz um retrospecto e atualização interessantes.
Fiquem com o vídeo do CrashCourse Biology sobre comportamento animal onde as quatro questões são abordadas de forma descontraida.
Parabéns Mendel pelos 190 anos e pelo legado!
Hoje, dia 20 de junho, estamos comemoramos os 190 anos de Gregor Johann Mendel, considerado pai da genética, mas com uma vida bem longe de uma celebridade. O Pai da Genética é famoso, mas pouco conhecido.
Então nossa intrépida equipe de jornalistas do MARCO EVOLUTIVO viajou até o Mendel Museum no seu Mosteiro Agostiniano em Brno, na República Tcheca, para trazer a você, em primeira mão, mais do que sopa de letrinha sabor ervilha.
Muitos acham que ele nasceu em dia 22 de julho de 1822, mas esse foi o dia em que foi batizado. Muitos acham que ele nasceu na Áustria, mas sua cidade de nascença e seu mosteiro estão na República Tcheca, que é considerada o Berço da Genética. Naquele época, a atual Hynčice, cidade natal, era Heizendorf, a atual Brno era Brünn, e a atual região da República Tcheca era parte do Império Austro-Húngaro e a língua oficial era o alemão.
Filho de dona Rosina e seu Anton Mendel, humildes camponeses, Johann Mendel sempre gostou de estudar. Até antes de completar 18 anos ele já ganhava a vida dando aulas particulares para outros alunos. Depois estudou Matemática, Física, Filologia, Filosofia prática e teórica, e Ética no Instituto de Filosofia de Olomouc, também Rep. Tcheca. Aos 21 anos seguiu os estudos ao ingressar no Mosteiro Agostiniano em Brno, onde incorporou o primeiro nome, Gregor.
No Monsatério teve mestres que o incentivaram muito nos estudos, o Abade Cyril František Napp foi um deles. Ele foi quem construiu a avançada estufa pra época, com 30 metros por 6 de largura, que ofereceu as condições excelentes para os experimentos de Mendel.
Aos 24 anos concluiu um curso de estudos agrícolas de frutas e vinicultura no Instituto Filosófico em Brno. Aos 29 anos o Abade Napp mandou e bancou os estudos de Mendel na Universidade de Viena, na Áustria. Lá ele estudou mais Física, Matemática e História Natural e teve aulas como Física Experimental, Anatomia e Fisiologia de Plantas e aulas práticas de utilização do microscópio.
Aos 32 anos com a estufa acabada de construir, Mendel colocou na prática seus conhecimentos ao estudar plantas, como feijões, chicória, plantas frutíferas, uva e principalmente ervilhas, nas quais descobriu as famosas Leis de Mendel. Ele também criou camundongos e abelhas, desenvolveu seu próprio tipo de apiário e ainda criou uma linhagem de abelha que se mostrou muito agressiva e teve que ser eliminada. Ele também sabia muito de astronomia e também de metereologia.
Dos 32 aos 42, trabalhou em seus cuidadosos experimentos com ervilhas (Pisum sativum). Aos 40 Mendel leu uma tradução em alemão do ‘Origem da Espécies’ de Darwin sublinhou e anotou em várias partes da obra. Ajudou a criar a Sociedade Austríaca de Meteorologia e foi co-fundador da Sociedade de Ciência Natural de Brno.
Aos 63 anos, 1865 apresentou o seu trabalho experimental em ervilhas em uma palestra intitulada “Experimentos sobre a hibridização de plantas” nas reuniões de fevereiro e março da Sociedade de Ciência Natural de Brno. Em 1866, Mendel publicou no jornal da Sociedade de de Ciência Natural de Brno sua palestra, o trabalho que fazer dele o Pai da Genética. Ele distribuiu cópias de seu manuscrito para vários cientistas, que foi ignorado por todos. Apesar de ter sido considerado sempre um ótimo professor, ele fracassou duas vezes em concurso para ser professor da Universidade de Viena.
Mendel percebeu que não herdamos as características físicas (hoje o fenótipo), mas sim os elementos, fatores particulados (hoje chamados de genes). E sua genialidade foi perceber esses fatores hereditários trabalham aos pares, nos gametas eles estão separados e na fertilização eles se unem em novas combinações. Apartir daí foi fácil perceber que alguns fatores dominavam outros ao gerarem as características físicas abrindo caminha para a genética moderna. Suas descobertas pioneiras foram ignoradas até o começo do seculo XX depois de sua morte em 1884 quando ficou consagrado.
É claro que assim que redescobertas muitos acharam contraditórias as idéias de herança particulada com a fluidez gradual da variação populacional necessária para o primeiro passo da Seleção Natural. Os mutacionistas iniciais não era Darwinistas por mais que fossem Evolucionistas. O próprio Darwin por ter abandonado o pensamento essencialista e valorização a variação individual acabou criando uma teoria de herança baseada na mistura de características, algo que para ele faria mais sentido com sua teoria.
Somente na década de 1940 que com o surgimento da Genética de Populações pode haver conciliações entre os geneticistas e os darwinistas. Eles concordaram que a evolução é gradual, que o principal motor da evolução é a seleção natural, que a hereditariedade é “dura” ou seja particulada, que o mesmo tipo de mecanismos genéticos é responsável pela variação fenotípica continua e discreta, que a macroevolução é a acumulação dos processos microevolutivos e a especiação é um processo de genética de populações.
Mendel morreu em 6 de janeiro 1884. Depois de uma vida posterior muito ocupada com a administração do monastério. Ele foi enterrado três dias depois, no Cemitério Central, em Brno. Em um obituário da Sociedade para a Promoção da Natureza, Agricultura e Geografia de 1884, n º 1 foi lido: “Suas experiências com híbridos de plantas abriu uma nova era.” Hoje, sabemos que ele realmente inaugurou toda uma gama possibilidades para explicar muitos fenômenos hereditários (híbridos, mutantes, clones, variação, efeitos ambientais no genoma, etc) e para o desenvolvimento de várias tecnologias de analise do DNA, como para solucionar crimes, por exemplo. Homenagem mais que merecida.
No mundo todo estão sendo celebradas suas realizações pioneiras para entendermos as questões fundamentais da hereditariedade. Pelo menos de três ganhadores do Prêmio Nobel vão dar palestras no Museu de Mendel mantido pela Universidade de Masaryk em Brno. Acesse o site das celebrações e façam a visita online ao Museu do Mendel.
Evolucionismo de Grande Alcance
Darwin anteviu que num futuro distante sua teoria iria transbordar do círculo da biologia e atingir outras esferas como a área de Humanidades. A cada dia estamos mais perto de concretizar essa revolução Darwinista e perceber que o evolucionismo, por ser um tema transversal integrador, permeia todos os assuntos. Um bom exemplo disso é o surgimento de uma revista online evolutivamente relevante chamada “Evolution:This View of Life Magazine”. Com o nome inspirado nas palavras de Darwin em que ao comentar sobre evolucionismo disse que há uma grandeza nessa visão da vida.
Criada em outubro de 2011, a revista online gera e agrega conteúdo evolucionista relacionado às seguintes áreas: Biologia, Palentologia, Cultura, Saúde, Artes, Tecnologia, Religião, Política, Mente, Economia e Educação. Mesmo com menos de um ano de existência essa revista já é um marco evolutivo na divulgação do evolucionismo em todo seu alcance interdisciplinar. Várias entrevistas foram filmadas via internet com pesquisadores de cada uma dessas área acima. A revista é fruto de uma parceria do The Evolution Institute com o Consórcio EvoS, com financiamento da National Scince Fundation.
Por trás da “Evolution:This View of Life Magazine” está David Sloan Wilson, professor de Biologia e Antropologia na Universidade de Binghamton no EUA. Ele tem se esforçado para expandir a influência da evolução em diversas áreas, como no ensino superior com o EvoS, nas políticas públicas com The Evolution Institute, nas cidades com o The Binghamton Neighborhood Project e na religião com o Evolutionary Religious Institute. É claro que como ele é fiel ao grupo dos selecionistas de grupo acaba usando a revista para se promover e promover sua área. Atualmente ela é o palco para discussões acadêmicas sobre o novo livro do Edward Wilson e a relevância da seleção de grupo. Felizmente cada uma das 11 áreas acima tem seu editor próprio o que garante uma certa pluralidade para a revista.
O surgimento da revista é mais inspirador. Um aluno da pós-graduação o EvoS na Universidade de Binghamton, chamado Robert Kadar, inspirado e motivado pelas leituras do Conciliência do Edward O. Wilson e do Evolution for Everyone do David S. Wilson vislumbrou a idéia dessa revista para catalizar a conciliência entre todas as áreas do conhecimento por meio do evolucionismo para todos.
Assim como a Evolution:This View of Life Magazine surgiu, uma nova geração de estudantes, vários biólogos, psicólogos e outros estão começando blogs de ciência engrossando o caldo da divulgação científica e evolucionista brasileira. Temos muito o que fazer num país com maioria religiosa e de pouca instrução. Ajude você também a promover a conciliação das áreas do saber.
Homenagem ao César Ades amanhã no CRP 06
Nosso querido César Ades receberá uma homenagem póstuma solene em cerimônia do Conselho Federal de Psicologia amanhã dia 27 de junho às 17h. Trata-se de um reconhecimento oficial para sua imensa contribuição para o desenvolvimento da profissão de Psicólogo no Brasil, passado, presente e futuro. Na ocasião, o presidente do CFP, Humberto Verona, inaugurará uma placa em memória aos serviços prestados por César Ades à Psicologia Brasileira.
A cerimônia ocorrerá no auditório do Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (CRP 06), em Pinheiros, São Paulo. (veja o mapa abaixo). Toda a solenidade será transmitida ao vivo pelo site do CFP e em espaços de projeção disponibilizados nos Conselhos Regionais de Psicologia de todo país e em salas de aula de cursos de Psicologia que aderirem à atividade.
Durante a homenagem, e como parte das atividades de comemoração dos 50 anos de regulamentação nacional da Psicologia, o CFP lançará o

“Prêmio Monográfico César Ades: Desafios para o futuro da Psicologia”. O prêmio visa estimular nos estudantes e profissionais da área uma reflexão acerca do futuro da profissão.
Os textos acadêmicos inscritos para concorrer ao prêmio, tanto na modalidade psicólogo como a de estudante, deverão estar dentro de três subtemas: As Políticas Públicas e o Futuro da Psicologia; Contribuições da Psicologia na Construção do Conhecimento no Século XXI; e A Psicologia Latino-Americana: Desafios e Possibilidades. Mais informações sobre o Prêmio Monográfico César Ades e inscrições poderão ser acessadas em: http://premiocesarades.cfp.org.br
Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante
Era impossível ficar ao lado de nosso querido César Ades, que nasceu no Cairo, Egito, e não ser levado por seu entusiasmo contagiante. Conheci o César em 2003 no XX Enconto anual de Etologia (EAE) em Natal, em meu terceiro ano de graduação eu ainda não havia encontrado minha área de pesquisa. Lá depois de uma brilhante palestra sobre todos os EAEs anteriores eu estava mais do que cativado pela Etologia, principalmente voltada para os humanos. Ele autografou meu livro de resumo e me desejou um futuro brilhante.
Em meu último ano de graduação fiz um trabalho sobre a consciência animal e se não fosse um texto do César ter me tocado e me motivado não teria tirado da nota máxima.
Em 2004, ao final de meu bacharelado na Unesp de Bauru com Sandro Caramaschi, ex-aluno do Prof. César, fui conversar com ele para estudar possibilidade de um mestrado. Eu estava super nervoso, mas ele me deixou bem a vontade e no decorrer da conversa percebemos que estávamos em sentidos contrários: ele era um psicólogo mais voltado para o comportamento dos outros animais e eu um biólogo interessado no ser humano. Então, ele me indicou a Profa Vera Bussab que acabou sendo minha orientadora de mestrado e de doutorado no Bloco F do IP-USP, inaugurado pelo César enquanto diretor do Instituto anos antes.
Sua disciplina de pós sobre Comunicação Animal me forneceu bases sólidas para um estudo comparativo da musicalidade humana. Cada aula com ele era uma maravilha, ambiente descontraído, informações precisas e conexões muito bem elaboradas.
Fora as belas homenagens oficiais a ele realizadas pelo Instituto de Psicologia da USP, muitas palavras relevantes e tocantes foram colocadas aqui na nossa Série Especial do ScienceBlogs Brasil em homenagem ao César, o Grande ao meu ver.
- Um memorial ao Cesar Ades
- Sobre o falecimento de César Ades.
- Ao mestre, com carinho
- Uma homenagem ao mestre César Ades
Eu (depois de ficar uma semana e meia fora do ar devido a uma fratura e cirurgia no braço dois dias após seu falecimento) gostaria de acrescentar algo que julgo muito louvável sobre ele. César Ades era tão entusiasmado e curioso por conhecimento que ele não conseguia se conter em apenas dar aulas, fazer pesquisas, publicar, orientar, ter cargos administrativos, organizar eventos, ele também fazia e valorizava a divulgação científica.
Ao ser esse acadêmico generalista digno de um Da Vinci moderno, a divulgação científica não poderia passar em branco. Ele deu diversas entrevistas tais como a brilhante ‘Psicologia e Biologia – Entrevista com César Ades’, e a ‘Entrevista: César Ades estuda a evolução do comportamento animal’. Escreveu e deu várias contribuições para a Ciência Hoje Criança como explicando a importância da limpeza nos animais em ‘Tá limpo!’. Ele deu várias palestras e também participou de várias comemorações do Dia de Darwin. Esse ano, César compareceu ao Catavento Cultural para participar de um talk show com o Prof Nélio Bizzo. Como sempre tudo bem descontraído e informativo. Ele sempre frisava na importância de Darwin enquanto o primeiro psicólogo evolucionista. Sua importância como divulgador é crucial e assim como todas suas outras características irá continuar inspirando gerações de pesquisadores e admiradores.
Uma de suas mais atuais metas era a de reunir etólogos eminentes da América Latina para um simpósio debatendo origens, desafios e perspectivas futuras da área, de modo a gerar um livro em conjunto sobre as experiências em cada país e a semente de uma aliança Latino-Americana de Etologia. Reuniremos esforços para realizar essa grande ideia junto a alunos e profs.
Um dos mais tocantes comentários sobre o César pra mim foi o do Prof. Fernando Ribeiro quando queria destacar uma virtude dele.
“Quem o vê hoje, e encanta-se com seu entusiasmo, conhece o mesmo César Ades de 40 anos atrás. E foi esse entusiasmo que escolhi, a fim de destacar uma de suas virtudes, ao cumprimentá-lo, na ocasião de sua indicação para o Instituto de Estudos Avançados, quando disse a ele: Fui percorrendo suas marcas, a inteligência, a erudição, o caráter… mas como me impus uma escolha, fiquei com o entusiasmo, sem o qual a inteligência não se acende, a erudição não se atinge, o caráter não se transmite. Sim, porque César Ades é, e sempre foi, um professor. Sua extroversão e a expressividade com que se comunica constituem sua face visível”
Fique agora com os dois vídeos de uma entrevista de César Ades concedida ao programa Trajetória da TV USP em 2011 e com o vídeo mais recente do César Ades no Dia de Darwin. Assim um pouco dele e seu entusiasmo sempre viverá em nós de modo a podermos contagiar toda uma outra geração com suas idéias e atitudes.
Dia de Darwin 2012
George C. Williams (1926 – 2010) Grande Evolucionista





“In twenty or thirty years, medical students will be learning about natural selection, about things like balance between unfavorable mutations and selection. They will be learning about the evolution of virulence, of resistance to antib
iotics by microorganisms, they will be learning about human archaeology, about Stone Age life, and the conditions in the Stone Age that essentially put the finishing touches on human nature as we now have it. These same ideas then will be informing the work of practitioners of medicine, and the interactions between doctor and patient. They’ll be guiding the medical research establishment in a fundamental way, which isn’t true today. At the rate things are going, this is inevitable. These ideas ought to reach the people who are in charge — the doctors and the medical researchers — but it’s even more important that they reach college students, especially future medical students, and patients who go to the doctor.”

Quais os benefícios evolutivos e psicológicos da Dança e da Música?







Origem das Espécies em Reggae
Hoje veremos uma iniciativa de homenagem a Darwin pelo Origem das Espécies muito interessante e inusitada. Dois acadêmicos, Prof Mark Pallen e doutorando Dom White, ambos da Birmingham University, tiveram a idéia de criar um novo estilo musical: o Genomic Dub. E nesse novo estivo eles fizeram reggae music do Origem das Espécies!!
O Genopmic Dub é uma empreitada série a com muito objetivos dentre os quais celebrar a vida e obra de Dariwn bem como os recentes sucessos
na área da Genômica e da Biologia Evolutiva. Em sua página The Genomic Dub Collective, Pallen & White mostram como essa iniciativa pode integrar cultura e ciência criando um movimento que estimula o interesse geral pela ciência.
O álbum The Origin of Species in Dub eles incluíram trechos do Origem capítulo por capítulo e exploraram a temática da evolução humana na áfrica e o legado de Darwin. Abaixo veremos os 12 vídeos disponíveis essa incrível iniciativa científica e musical capaz de libertar nossa mente.
E pra fechar esse post descobri hoje que o apelido de infância de Charles Darwin era “Bobby”, algo bem reggae!!
150 anos de ‘A Origem das Espécies’ Uma Celebração

Começaremos com a programação de evento em São Paulo. Do dia 23 ao dia 27/11 sempre das 17h30 às 19h ocorrerá no Instituto de Biociências da USP o “150 anos de ‘A Origem das Espécies’: Uma Celebração”. Trata se de uma programação gratuita e imperdível de palestra, mesa-redonda, documentário e apresentação musical.
Na segunda, dia 23 o Prof. Dr. Nélio Bizzo, um dos maiores historiadores de Darwin no Brasil e autor do livro “Darwin: do Telhado das Américas à teoria da Evolução” e do livro “Evolução dos Seres Vivos” dará a palestra intitulada “Do ‘Big Species Book’ ao ‘Origin of Species’: O que mudou na obra publicada de Darwin?”
Na terça, dia 24 haverá uma mesa redonda em que o Prof. Cesar Ades falará sobre “Uma reflexão sobre o capítulo ‘Instintos'”. O Prof. Dr. João Morgante falará sobre “Wallace no ‘Origem'” e o Prof. Dr. Sasndro de Souza falará sobre as “Predições de Darwin”.
Na quarta e quinta, dias 25 e 26 haverá a apresentação do documentário da BBC “Charles Darwin e a árvore da vida” de nosso amigo Sir David Attenborough, seguido de comentários dos professores Dr. Diogo Meyer, um dos autores do livro “Evolução o sentido da Biologia” e a Dra. Maria Prestes.
Na sexta, dia 27 para encerramento haverá um recital de Música Oitocentista. Veja aqui a programação detalhada do evento do IB da USP.
No sábado, dia 28 haverá no Museu de Zoologia da USP, como continuação do ciclo de palestras da Exposição “Darwin: Evolução para Todos”, terá outra palestra do Prof. Dr. Nélio Bizzo intitulada “Charles Darwin: o postilhão dos Andes”. Aproveite que a semana do marco evolutivo sesquicentenário do Origem das Espécies só está começando.






