Mulheres, raça e classe

Esta obra também deve ser vista como um convite para que a sua leitora e o seu leitor ampliem seu olhar, ou seja, que a intersecção de opressões seja admitida como um meio para a compreensão da busca por emancipação e libertação. É essa uma das riquezas da obra: ser um auxílio na compreensão dos problemas enfrentados na atualidade.

Laíssa Ferreira

Inaugurando nossa aba “Resenhas”, Laíssa Ferreira apresenta a obra Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, publicado no Brasil em 2016 na tradução de Heci Regina Candiani.

Por meio desta análise da obra de Davis, somos convocados a pensar nas semelhanças e diferenças entre o contexto no qual o livro foi escrito e publicado (em 1981 nos Estados Unidos) e a conjuntura estamos experienciando atualmente. Para quem deseja entender o presente, já não é permitido ignorar a importância da perspectiva interseccional proposta por Davis e detalhada por Ferreira, posto que a despeito de todas as diferenças que marcam de modo especialmente injusto as vidas das mulheres negras, o livro da autora estadunidense sublinha o valor de alianças genuínas entre os polos oprimidos das variadas relações de poder instituídas na sociedade contemporânea. Isso sendo proposto a partir de uma reescrita das narrativas mais comuns sobre as experiências das mulheres negras que eram vigentes quando o livro foi escrito.

Nos momentos finais de seu texto, Ferreira destaca as potencialidades de transformação que as reflexões de Davis engendram, pois se trata aqui de um trabalho de análise de estruturas de opressão que precisam, com urgência, ser dissolvidas para que novas relações sociais se concretizem, libertas e emancipadas.  

Além de ler a resenha acessando aqui – este exercício de escrita acadêmica com duplo papel, de formação de escritoras e escritores e de divulgação de livros importantes – você também pode assistir à entrevista que Halina Leal realizou com Laíssa Ferreira, em nosso canal do YouTube.

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