Catharine Macaulay

(1731?-1791)

Retrato: Jonathan Spilsbury, published by John Spilsbury, after Katharine Read
mezzotint, published September 1764. National Gallery of London

PDF – Catharine Macaulay

Por Camila Kulkamp ‚Äď Doutoranda no Programa de P√≥s-gradua√ß√£o em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, integrante do projeto Uma Fil√≥sofa por M√™s e do Grupo Christine de Pizan. Bolsista Capes – Lattes

Catharine Macaulay (1731?-1791), ou bem, Catharine Sawbridge, que √© o seu nome de batismo, nasceu em Olantigh, no condado de Kent, localizado no sudeste da Inglaterra. A m√£e de Macaulay faleceu quando ela ainda era crian√ßa, deixando-a aos cuidados do pai, com mais uma irm√£ e dois irm√£os. Existe d√ļvida sobre o dia exato que Macaulay nasceu, algumas fontes afirmam que foi no dia vinte e tr√™s de mar√ßo, outras no dia dois de abril de 1731, e Mary Hays (1803) afirma que foi no ano de 1733.

Macaulay veio de uma família abastada, teve uma educação doméstica na companhia de uma governanta e junto à vasta biblioteca do seu pai. Ela foi uma leitora voraz, aprendeu muito de forma autodidata, e chegou a dizer, na sua primeira obra publicada, que adorava as histórias que exibiam a liberdade em seu estado mais elevado. A sua educação teve foco em história Greco-romana e nos ideais republicanos, o que contribuiu mais tarde na sua vida para que fosse reconhecida como uma fervorosa defensora da liberdade.

Da inf√Ęncia de uma menina solit√°ria e obstinada, pulamos para a fase adulta, quando, em 1760, com vinte e nove anos, Macaulay casou com um m√©dico escoc√™s chamado George Macaulay, que tamb√©m trabalhou como tesoureiro no Hospital Brownlow Lying-in e colaborou com publica√ß√Ķes na London Medical Society. George ficou vi√ļvo em 1760 e no mesmo ano engatou em novo casamento com Catharine Macaulay, de quem era quinze anos mais velho. Richard Baron, ministro ingl√™s, panflet√°rio Whig e editor de livros, chegou a dizer que Catharine Macaulay, ‚Äúapesar de letrada‚ÄĚ, era uma esposa dedicada e afetuosa e que George era grande devoto de sua mulher (HILL, 1999).

O casal convivia com pessoas ilustres como o j√° citado Richard Baron, Samuel Johnson, Thomas Hollis e Elizabeth Montagu. Montagu foi uma escritora inglesa e patrona das artes, que ficou conhecida por fundar e liderar, junto com outras mulheres, a¬†Blue Stockings Society [Sociedade das Meias Azuis], em 1750, um sal√£o de discuss√£o liter√°ria feminino, que tamb√©m aceitava homens em suas reuni√Ķes e que estimulava o debate sobre a educa√ß√£o e a coopera√ß√£o m√ļtua entre homens e mulheres. Outro fato interessante √© que Montagu era irm√£ de Sarah Scott, membra do Blue Stockings, escritora reconhecida pela obra¬†A Description of Millenium Hall and the Country Adjacent [Uma descri√ß√£o do Millenium Hall e do pa√≠s adjacente] (1762) ou apenas Millenium Hall, uma utopia direcionada especialmente ao p√ļblico feminino. Contudo, a amizade entre essas mulheres estava assentada em bases fracas, Montagu e Scott, em cartas, criticaram a ousadia de Macaulay em publicar a sua primeira obra e em casar-se pela segunda vez (HILL, 1992).

Macaulay teve dois irm√£os e uma irm√£. O irm√£o mais novo entrou para igreja, outra irm√£ teve um casamento com um homem de elite. J√° o irm√£o mais velho, John Sawbrigde, foi um parlamentar ingl√™s na C√Ęmara dos Comuns entre 1768 e 1780, com quem Macaulay compartilhou muitas lutas pol√≠ticas relacionadas ao partido Whig, de tend√™ncias liberais e republicanas, que fazia oposi√ß√£o ao partido conservador Tory. Macaulay tamb√©m era pr√≥xima de v√°rios dissidentes de tend√™ncia republicana da sua √©poca e foi reconhecida como uma radicalista do s√©culo XVIII por, dentre outros motivos, defender reformas radicais no sistema pol√≠tico e eleitoral.

Macaulay e George Macaulay tiveram uma filha, Catharine Sophia, nascida em vinte e cinco de fevereiro de 1765, e permaneceram juntos por seis anos, at√© a morte de George, em 1766. Sabemos pelas cartas encontradas recentemente, em 1992, de Sophia e Macaulay, que as duas mantiveram um relacionamento afetuoso e pr√≥ximo, e que Sophia sofreu bastante com as longas viagens e com o estado de sa√ļde fr√°gil de sua m√£e, o que questiona rumores de que Macaulay foi uma m√£e fria e negligente.

Sabe-se que a sa√ļde de Macaulay j√° n√£o estava t√£o boa em 1977. Cogita-se que ela j√° n√£o apresentava boa sa√ļde desde quando se mudou para Bath. Por este motivo, Macaulay decidiu viajar com a sua amiga Elizabeth Arnold para o sul da Fran√ßa, que era o destino mais recomendado pelos m√©dicos da √©poca, mas a fil√≥sofa acabou ficando em Paris, aproveitando a vida cultural da cidade e conhecendo ali Benjamin Franklin, Jacques Turgot, Madame Geoffrin e Madame du Boccage.

Aos quarenta e sete anos, Macaulay casou novamente, em 1778, com o irm√£o da sua amiga Elizabeth Arnold, William Graham, passando a morar em Leicester, na Inglaterra. Graham, mais novo que ela, era difamado por ser tamb√©m irm√£o de um m√©dico, Dr. James Graham, conhecido por prescrever rem√©dios n√£o convencionais e que, segundo Karen Green (2020), foram utilizados para o tratamento da sa√ļde de Macaulay. A grande exposi√ß√£o dela nos meios intelectuais e pol√≠ticos, aliada √† m√° reputa√ß√£o do irm√£o do seu marido e o fato dele ter apenas vinte e um anos na data do casamento, fizeram com que Macaulay e Graham fossem objeto de fofoca. Macaulay passou a receber cr√≠ticas p√ļblicas em jornais e coment√°rios maliciosos em cartas. Ainda assim, o prest√≠gio de Macaulay, para muitas pessoas, n√£o foi abalado.

Com o seu segundo marido, Macaulay viajou para os Estados Unidos em 1784, visitando nove estados. L√° ela manteve grande e afetuosa amizade com a escritora pol√≠tica, poeta e historiadora Mercy Otis Warren (1728-1814), uma intelectual nascida em Massachusetts, que fez parte da lideran√ßa da Revolu√ß√£o Americana e que tamb√©m criticou as pol√≠ticas coloniais brit√Ęnicas (cf. Davies, 2005). Posteriormente, em 1805, Warren publicou o livro History of the Rise, Progress and Termination of the American Revolution [Hist√≥ria da ascens√£o, progresso e t√©rmino da Revolu√ß√£o Americana] e passou a ser lembrada como a primeira mulher norte-americana a publicar um livro de n√£o-fic√ß√£o.

Durante a viagem, o casal tamb√©m conheceu e se hospedou com George e Martha Washington, no edif√≠cio de Mount Vernon, em Virg√≠nia. Existem registros de troca epistolar entre Macaulay e George Washington, desde 1786. No ano de 1789, ela o felicita por ser o primeiro presidente atuando sob a nova constitui√ß√£o. Em 1790, Washington responde a Macaulay, agradecendo a parabeniza√ß√£o, e informando sobre a estabiliza√ß√£o da situa√ß√£o pol√≠tica e o crescimento econ√īmico do pa√≠s. Macaulay respondeu Washington, revendo alguns posicionamentos sobre o melhor sistema pol√≠tico que havia defendido em obras anteriores.

Foram sessenta anos de uma vida intensa, que terminou em 22 de junho de 1791, na vila de Binfield, na regi√£o de Berkshire, na Inglaterra. Pouco se sabe sobre o falecimento dessa fil√≥sofa, que diziam ter uma sa√ļde fr√°gil, e que mesmo assim viajou por v√°rios pa√≠ses e escreveu muitos livros, panfletos, tratados e cartas, apresentados nos t√≥picos a seguir.

Obras

Macaulay publicou o primeiro volume da sua primeira obra, intitulada A History of England¬†from the Accession of James I to that of the Brunswick Line [A Hist√≥ria da Inglaterra desde a ades√£o de Jaime I at√© a Linha Brunswick], em 1763. Os volumes dois, tr√™s, quatro e cinco foram publicados em 1765, 1767, 1768 e 1771, respectivamente. Durante o per√≠odo entre a publica√ß√£o dos volumes cinco e seis, Macaulay escreveu o volume um da obra A History of England from the Revolution to the Present Time [A Hist√≥ria da Inglaterra desde a Revolu√ß√£o at√© os Tempos Atuais]. Entretanto, conforme a explica√ß√£o de Hill (1992), a autora percebeu que n√£o daria conta de ir al√©m dos fatos hist√≥ricos do ano de 1733. Por isso, voltou a publicar a sequ√™ncia dos volumes da obra anterior, agora com um novo t√≠tulo, A History of England from the Accession of James I to the Revolution [A Hist√≥ria da Inglaterra desde a ades√£o de Jaime I √† Revolu√ß√£o]. Assim, os volumes seis e sete foram publicados dez anos depois, em 1781, e o volume oito em 1783. A publica√ß√£o de mais de tr√™s mil e quinhentas p√°ginas sobre quase todo o s√©culo XVII da hist√≥ria inglesa foi muito prestigiada pelo p√ļblico e Macaulay ficou imediatamente famosa.

Esses volumes abarcam, principalmente, os fatos hist√≥ricos e pol√≠ticos ingleses entre 1603 e 1689, que perpassam o reinado de Jaime I, Carlos I, a Guerra Civil Inglesa com a luta dos Comuns contra o absolutismo, a ascens√£o e decl√≠nio do Lorde Protetor Oliver Cromwell, a instaura√ß√£o da Rep√ļblica e as cont√≠nuas dissolu√ß√Ķes do parlamento, o retorno da dinastia Stuart com Carlos II, a fuga de Jaime II para Fran√ßa e a forma√ß√£o da monarquia parlamentarista com a Declara√ß√£o de Direitos (Bill of Rights) em 1689, limitando os poderes de Maria II e Guilherme de Orange.

Macaulay ainda escreveu, em 1778, A History of England from the Revolution to the Present Time in a Series of Letters to a Friend [A História da Inglaterra da Revolução ao tempo presente em uma série de cartas a um amigo], volume na forma de uma série de cartas destinadas ao Reverendo Thomas Wilson, onde buscou explicar os fatos históricos entre 1688 até 1733, em tom menos formal e conversacional. Sua intenção era popularizar esses importantes fatos da história inglesa.

Deve-se notar que o fil√≥sofo e historiador David Hume publicou entre 1754 e 1762 a obra Hist√≥ria da Inglaterra, da invas√£o de J√ļlio C√©sar √† Revolu√ß√£o de 1688, um best-seller da sua √©poca, com seis volumes. George Macaulay chegou a enviar uma c√≥pia da Hist√≥ria escrita por sua esposa para Hume ler, com os seus cumprimentos. Diferente de Macaulay, Hume acreditava no convencionalismo da autoridade fundada nos costumes, algo considerado por Macaulay como insuficiente para assegurar a justi√ßa e a liberdade de um povo. A Hist√≥ria de Macaulay, ao menos os primeiros volumes, foram tomados como uma interpreta√ß√£o Whig que fazia uma contraposi√ß√£o ao que Macaulay considerava ser um argumento pol√≠tico conservador de Hume.

Durante esses anos de escrita e publica√ß√£o dos volumes de Hist√≥ria da Inglaterra, Macaulay publicou, em 1767, a obra Loose Remarks on Certain Positions to be found in Mr. Hobbes‚Äôs Philosophical Rudiments of Government and Society, with a Short Sketch of a Democratical Form of Government, In a Letter to Signor Paoli [Observa√ß√Ķes soltas sobre certas posi√ß√Ķes a serem encontradas nos Rudimentos filos√≥ficos do governo e da Sociedade, do Sr. Hobbes, com um breve esbo√ßo de uma forma democr√°tica de governo, em uma carta ao Signor Paoli].

Macaulay criticou o conservadorismo pol√≠tico de Thomas Hobbes e delineou os princ√≠pios de uma rep√ļblica democr√°tica com um sistema bicameral formado pelos representantes do povo e pelo senado, com uma necess√°ria rota√ß√£o de representantes, para impedir a corrup√ß√£o. Macaulay defendeu tamb√©m uma lei agr√°ria para impedir o ac√ļmulo excessivo de propriedade privada e o crescimento da aristocracia rural, tendo em vista o problema da desigualdade econ√īmica e pol√≠tica.

Em contraposi√ß√£o ao pensamento mon√°rquico de Hobbes, Macaulay construiu uma ‚Äúconcep√ß√£o mais moralizada da natureza da autoridade pol√≠tica‚ÄĚ (GREEN, 2020) ao criticar a tese de Hobbes sobre a car√™ncia de sociabilidade da natureza humana e da necessidade de uma monarquia absolutista. Segundo a fil√≥sofa, os seres humanos s√£o aptos para viver em sociedade, pois possuem a capacidade de desenvolver a raz√£o e conhecer as verdades morais imut√°veis. Os seres humanos n√£o nascem sabendo utilizar a raz√£o, mas nascem com os meios necess√°rios para desenvolv√™-la atrav√©s da educa√ß√£o. A potencialidade em desenvolver a raz√£o √© o que sustenta a sociabilidade humana e a autoridade pol√≠tica justa.

Ademais, dentre outras reflex√Ķes, Macaulay criticou o entendimento de Hobbes acerca do pacto contratual entre o povo e o monarca. A fil√≥sofa entende que um contrato √© sempre um pacto entre duas partes, de forma igualmente vinculativa, e que n√£o se pode cogitar a dissolu√ß√£o de uma das partes em benef√≠cio da outra parte ou, como Hobbes prop√Ķe, o poder absoluto do monarca sobre o povo. Macaulay argumenta que, quando uma parte do contrato, o povo, dissolve-se, ent√£o a sua obriga√ß√£o √© nula para com o governante. Deste modo, o povo pode anular o contrato quando o governante n√£o cumpre com as suas obriga√ß√Ķes. Macaulay ainda exp√Ķe que um contrato n√£o pode existir sem estabelecer as vontades dos contratantes; que um contrato com vontades supostas ou hipot√©ticas n√£o √© vinculativo e, por fim, que n√£o √© racional abrir m√£o do seu direito natural ao fazer um contrato sem propor vantagens a serem desfrutadas.

Em 1770 Macaulay publica Observations on a Pamphlet entitled ‚ÄúThoughts on the Cause of the Present Discontents‚ÄĚ [Observa√ß√Ķes sobre um panfleto intitulado ‚ÄúPensamentos Sobre a Causa do Atual Descontentamento‚ÄĚ], obra em que critica o panfleto pol√≠tico de autoria de Edmund Burke, publicado tamb√©m em 1770. Burke se posicionara, neste panfleto, no sentido de que os partidos pol√≠ticos, especialmente de tend√™ncia aristocr√°tica, representam o meio mais efetivo para o parlamento exercer controle sobre o poder executivo. Macaulay, por sua vez, afirma que Burke escreve com grande eloqu√™ncia, mas suas palavras carregam um veneno capaz de destruir toda virtude e entendimento pol√≠tico que ainda existe na na√ß√£o inglesa, isso porque, de acordo com ela, a inten√ß√£o de Burke √© apoiar o partido aristocr√°tico, fundado e apoiado sobre o princ√≠pio corrupto do auto interesse, impedindo as reformas necess√°rias para extinguir os v√≠cios presentes no governo. Contra Burke, Macaulay entende ser necess√°rio uma rota√ß√£o maior dos representantes eleitos.

Ao comentar ironicamente sobre Observa√ß√Ķes de Macaulay em carta particular, Burke a chamou de ‚Äúnossa virago republicana‚ÄĚ. Virago √© um termo utilizado, muitas vezes de forma pejorativa, para denominar uma mulher que tem a apar√™ncia ou o comportamento semelhante ao g√™nero masculino. Karen Green (2016) enxerga nesse t√≠tulo atribu√≠do a Macaulay uma express√£o das dificuldades que ela viria a enfrentar por ser mulher num meio intelectual masculino e excludente. √Č de se notar que, em outras cartas, Burke fez chacotas perversas sobre diversas mulheres intelectuais da sua √©poca, como Mary Wollstonecraft.

Macaulay publicou, em 1774, A Modest Plea for the Property of Copyright [Um Apelo Modesto em prol da Propriedade de Direitos Autorais], uma obra pouco comentada na sua trajet√≥ria liter√°ria e que trata da prote√ß√£o dos autores atrav√©s da aplica√ß√£o dos direitos autorais. Em 1775, escreveu An Address to the People of England, Scotland and Ireland on the Present Important Crisis of Affairs [Discurso ao Povo da Inglaterra, Esc√≥cia e Irlanda sobre a Atual e Importante Conjuntura de Crise], onde criticou a pol√≠tica de taxa√ß√£o inglesa sobre a col√īnia norte-americana e dois Atos aprovados pelo Parlamento Brit√Ęnico: fechar o porto de Boston e mudar o governo de Quebec.

Perdidas todas as tentativas de reconcilia√ß√£o com a Gr√£-Bretanha, em 1776, ocorria a Revolu√ß√£o Americana com a independ√™ncia das treze col√īnias, que se tornaram estados federados unidos pela sua primeira constitui√ß√£o pol√≠tica. Macaulay defendeu a independ√™ncia americana para o p√ļblico europeu e manteve contato epistolar com v√°rios radicais norte-americanos, como¬†Benjamin Franklin¬†, Richard Henry Lee, Benjamin Rush, Samuel Adams, John e¬†Abigail Adams.

Em 1783, publicou seu grande tratado filos√≥fico, intitulado Treatise on the Immutability of Moral Truth [Tratado sobre a Imutabilidade da Verdade Moral], o qual abordarei no pr√≥ximo t√≥pico. Em 1790, Macaulay publicou seu grande livro sobre a educa√ß√£o de meninas e meninos, The Letters on Education with Observations on Religions and Metaphysical Subjects [As Cartas sobre Educa√ß√£o com Observa√ß√Ķes sobre Religi√Ķes e Assuntos Metaf√≠sicos], que tamb√©m abordarei mais adiante.

Quando, em 1790, Burke publicou Reflex√Ķes sobre a Revolu√ß√£o na Fran√ßa, Macaulay respondeu, no mesmo ano, com Observations on the Reflections of The Right Hon. Edmund Burke on the Revolution in France [Observa√ß√Ķes sobre as Reflex√Ķes do Exmo. Edmund Burke sobre a Revolu√ß√£o na Fran√ßa]. Nessa obra, Macaulay defendeu a legitimidade da Revolu√ß√£o Francesa e da Assembleia Nacional, al√©m de criticar novamente aspectos conservadores da filosofia de Burke e Hobbes. Assim escreveu Macaulay: ‚Äú(…) √© a sabedoria, e n√£o a loucura da Assembleia Nacional, que ofende os seus inimigos; e for√ßa at√© mesmo o Sr. Burke a contradizer, neste caso, a regra que ele estabeleceu‚ÄĚ (MACAULAY, 1790, p. 8). A regra de Burke da qual Macaulay fala √© de que os monarcas n√£o devem ser depostos em raz√£o da m√°-conduta, mas somente quando a sua conduta for t√£o criminosa que coloque em risco a seguran√ßa do povo.

A prefer√™ncia e admira√ß√£o de Macaulay, ao longo dos anos, foi mudando do sistema de governo estadunidense para o franc√™s, apesar de pontuar que a experi√™ncia pol√≠tica estadunidense representa um exemplo sem paralelo para a hist√≥ria da humanidade. Ademais, por causa do seu fr√°gil estado de sa√ļde, cogita-se que Macaulay tenha desistido de fazer uma edi√ß√£o norte-americana da sua Hist√≥ria da Inglaterra, e tamb√©m de escrever um livro sobre a Revolu√ß√£o Americana.

O Tratado sobre a Imutabilidade da Verdade Moral

Em A Treatise on the Immutability of Moral Truth [O Tratado sobre a Imutabilidade da Verdade Moral] (1783), Macaulay apresenta uma defesa da sua complexa metaf√≠sica teol√≥gica contra as opini√Ķes c√©ticas, voluntaristas e os defensores da filosofia do livre-arb√≠trio que ganhavam cada vez mais apoio na sua √©poca. Os principais pontos discutidos no livro versam sobre a liberdade humana, a quest√£o do mal e a benevol√™ncia divina. Por se tratar de uma obra extensa, apresentarei somente a sua tese principal, qual seja, a defesa dos ‚Äúprinc√≠pios da raz√£o natural‚ÄĚ (MACAULAY, 1783, p. viii) ou verdades morais racionais, que podem ser descobertos atrav√©s do uso da raz√£o, sendo, portanto, independentes da vontade de Deus ou das voli√ß√Ķes humanas.

Macaulay define a sua doutrina como a ‚Äúdoutrina da necessidade moral‚ÄĚ e se contrap√Ķe ao voluntarismo, uma perspectiva em que a verdade moral √© determinada pela vontade de Deus; ao subjetivismo, onde o que determina a vontade s√£o, por exemplo, as paix√Ķes e os afetos; e ao ceticismo, que, no entender de Macaulay, √© originado do conflito das faculdades humanas e do medo diante dos atributos morais da deidade. Os principais alvos da cr√≠tica de Macaulay s√£o o Dr. William King, que escreveu uma teologia voluntarista em De origine mali [Um Ensaio sobre a Origem do Mal] (1702), e o Lorde Bolingbroke, com sua filosofia c√©tica e de√≠sta estabelecida em The Philosophical works of the late Right Honorable Henry St. John, Lord Viscount Bolingbroke [As Obras Filos√≥ficas do Falecido Honor√°vel Henry St. John, Lorde Visconde Bolingbroke] (1754). Macaulay n√£o cita, mas aqui tamb√©m poder√≠amos adicionar o subjetivismo da filosofia de David Hume e o ego√≠smo moral em Thomas Hobbes. O posicionamento te√≥rico de Macaulay √© caracterizado como intelectualista (GREEN, 2020), no sentido de que os atos de Deus, com a sua intelig√™ncia e bondade infinita, est√£o em conformidade com as verdades morais eternas, e os seres humanos, criaturas finitas e de intelig√™ncia limitada, aperfei√ßoam-se moralmente quando escolhem agir conforme os princ√≠pios da raz√£o natural, aproximando-se do comportamento e da intelig√™ncia divina.

√Č nesse sentido que a educa√ß√£o √© importante para o desenvolvimento das virtudes humanas, pois √© atrav√©s do entendimento dos princ√≠pios da raz√£o natural que podemos cultivar um comportamento virtuoso, o que traz benef√≠cios n√£o apenas para os indiv√≠duos mas tamb√©m para o coletivo. E o sistema pol√≠tico democr√°tico defendido por Macaulay necessita de mecanismos que estimulem o povo a agir segundo as verdades morais imut√°veis. A doutrina da necessidade moral fundamenta as bases epistemol√≥gica e metaf√≠sica da concep√ß√£o educacional de Macaulay (O‚ÄôBRIEN, 2009) e aparece na terceira parte da sua obra Cartas sobre Educa√ß√£o, onde ela discute o tipo de educa√ß√£o necess√°ria para este cultivo, o que ser√° melhor explicitado no t√≥pico seguinte.

As Cartas sobre Educação

Em Letters on Education with Observations on Religions and Metaphysical Subjects [Cartas sobre Educa√ß√£o com Observa√ß√Ķes sobre Religi√Ķes e Assuntos Metaf√≠sicos] (1790), Macaulay escreve uma s√©rie de cartas ficcionais para uma mulher chamada Hort√™ncia, onde discute variados assuntos. O livro √© divido em tr√™s partes. Na parte I, que cont√©m vinte e cinco cartas, Macaulay discorre acerca dos cuidados maternais, amamenta√ß√£o, alimenta√ß√£o e lazer; os livros adequados para a leitura das crian√ßas, dan√ßa, m√ļsica, bordado e costura; a indu√ß√£o de h√°bitos de independ√™ncia e for√ßa moral na inf√Ęncia; as necess√°rias qualidades de um tutor; da simpatia como fonte de toda virtude humana, etc. Macaulay tamb√©m define algumas quest√Ķes impr√≥prias para a educa√ß√£o das crian√ßas, como hist√≥rias de terror, a aplica√ß√£o de puni√ß√Ķes violentas, a excessiva severidade na educa√ß√£o das crian√ßas, a indulg√™ncia indiscriminada em rela√ß√£o aos erros, etc.

Na parte II, que cont√©m treze cartas, Macaulay escreve sobre a educa√ß√£o dom√©stica e nacional; a experi√™ncia educacional dos antigos, como em Atenas, Esparta e Roma; o dever do governo na constru√ß√£o da civiliza√ß√£o; e exp√Ķe sua opini√£o sobre as casas penais, casas de corre√ß√£o e sobre a caridade. Na parte III, com dezoito cartas, Macaulay retoma debates, j√° expostos em seu Tratado, sobre a liberdade, a origem do mal e os atributos morais de Deus.

Retomo a primeira parte da obra, onde Macaulay explica que a cultura do ser artificial, que ela chama de ‚Äúhomem social‚ÄĚ, √© muito complexa, pois existem muitos fins importantes a serem perseguidos e males a serem evitados. O ‚Äúhomem social‚ÄĚ pode ser moldado pela educa√ß√£o, pois os v√≠cios e virtudes n√£o s√£o atributos da natureza, mas constru√ß√Ķes sociais. Os seres humanos, enquanto seres finitos em sua intelig√™ncia, mesmo podendo desenvolver a raz√£o e os poderes da imagina√ß√£o, ainda produzem mis√©rias no mundo, at√© mesmo para os animais de outras esp√©cies. Entretanto, Macaulay entende que essa n√£o √© uma consequ√™ncia necess√°ria e que a produ√ß√£o do mal ocorre por causas incidentais. Por isso, √© necess√°rio cultivar a educa√ß√£o e a excel√™ncia das faculdades humanas para assegurar a busca da felicidade.

Os princ√≠pios e regras sobre a educa√ß√£o de Macaulay s√£o fundados nas suas observa√ß√Ķes metaf√≠sicas. Para remediar erros e irregularidades que surgem de um sistema √©tico mal embasado, a moral deve ser ensinada com base nos princ√≠pios racionais imut√°veis. Na terceira parte da obra, Macaulay levanta a discuss√£o j√° apresentada no seu Tratado e defende a necessidade do ensino dos princ√≠pios imut√°veis:

‚ÄúPara tirar do sentimento p√ļblico uma li√ß√£o que deixa uma marca profunda no car√°ter humano, e para corrigir quaisquer irregularidades e at√© enormidades que surgem de sistemas incorretos da √©tica, devemos ter o primeiro cuidado de ensinar a virtude sobre princ√≠pios imut√°veis, e evitar a confus√£o que deve surgir ao confundir as leis e os costumes da sociedade com as obriga√ß√Ķes baseadas nos princ√≠pios corretos da equidade‚ÄĚ (MACAULAY, 1790, p. 200-201).

Um sistema educacional fundado em um sistema √©tico guiado por princ√≠pios racionais imut√°veis impede irregularidades que derivam da falta de conex√£o entre todas as no√ß√Ķes de certo e errado. Nesse sentido, Macaulay tamb√©m faz uma defesa da educa√ß√£o p√ļblica, que ela considera que, quando bem planejada, pode evitar o aumento dos crimes, expandir a boa moral e gerar vantagens pol√≠ticas para a felicidade p√ļblica e privada.

Os opositores da educa√ß√£o p√ļblica afirmavam que se tratava de um dano √† liberdade, uma medida autorit√°ria que feria o direito inalien√°vel e natural da autoridade parental sobre o desenvolvimento dos seus filhos(as). Macaulay entende que √© um absurdo opor um direito natural a qualquer medida pol√≠tica que seja para aumentar a felicidade de uma sociedade, como o combate √† corrup√ß√£o e o esp√≠rito pequeno que permeiam os governos. Apesar de fazer essa defesa e de afirmar que o dever mais importante de um governo √© garantir a educa√ß√£o, Macaulay temia que nenhum governo fosse confi√°vel no sentido de garantir esse tipo de sistema p√ļblico educacional, sustentado por impostos cobrados de acordo com a posi√ß√£o social de cada cidad√£o. E por causa disso, de forma amb√≠gua, a fil√≥sofa considera que a educa√ß√£o dom√©stica e parental, com responsabilidade e dedica√ß√£o, seria a melhor via para o desenvolvimento das crian√ßas.

Macaulay continua a obra fazendo uma defesa da racionalidade e da educa√ß√£o das mulheres, com base no argumento de que n√£o cabe falar sobre v√≠cios e virtudes exclusivos do sexo masculino. Existe apenas uma regra de direito para a conduta dos seres racionais, mulheres e homens, formados do mesmo material, organizados da mesma maneira e sujeitos a leis da natureza similares. A verdadeira sabedoria pode ser alcan√ßada por ambos, pois ela leva ao caminho da felicidade, que nunca pode ser atingido atrav√©s da ignor√Ęncia. Ainda, Macaulay entende que o desfrute da vida vindoura depende do n√≠vel de aprimoramento das virtudes que tivemos neste mundo, e isso n√£o pode ser exclusividade dos homens. Mulheres tamb√©m devem ter a oportunidade de aperfei√ßoar a sua sabedoria e desfrutar desse estado futuro de recompensas e puni√ß√Ķes.

Segundo Macaulay, todos os v√≠cios e imperfei√ß√Ķes que dizem ser inerentes ao sexo feminino, n√£o s√£o de nenhuma maneira derivados de causas sexuais, mas da educa√ß√£o e da situa√ß√£o. Tal posi√ß√£o aparece, por exemplo, na famosa obra Letters to his son [Cartas para seu Filho], do Lorde Chesterfield (1694-1773), que afirma que as mulheres s√£o apenas crian√ßas, mas com uma estatura maior, e que nunca conheceu uma mulher que conseguisse raciocinar por vinte e quatro horas seguidas. Sobre os estudos acerca da educa√ß√£o na sua √©poca, Macaulay afirma que existem muitos preconceitos fr√≠volos em rela√ß√£o √† educa√ß√£o das mulheres, mesmo sabendo que n√£o h√° uma educa√ß√£o que n√£o tenha ajudado a aperfei√ßoar o ser humano, eliminando da mente o erro e aumentando a utilidade do conhecimento adquirido. Ela nota que muitas pessoas acompanham um argumento at√© certo ponto, para n√£o ferir o embasamento dos seus preconceitos.

Entre os defensores exaustivos da diferen√ßa sexual, Macaulay cita Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que no Em√≠lio (1762) afirma que a mulher foi feita especialmente para agradar e ser subjugada pelo homem, com base na lei da natureza, Que o sexo feminino, consequentemente, tem um intelecto inferior ao masculino, e que a Natureza, tentando equalizar as diferen√ßas, deu √†s mulheres gra√ßas atrativas e insinuativas. Macaulay critica Rousseau no sentido de que ele contraditoriamente defende a ideia de uma ‚ÄúNatureza confusa‚ÄĚ, uma Natureza que define caracter√≠sticas superiores ao sexo masculino, mas que retrocede em suas inten√ß√Ķes ao sujeitar o sexo masculino a uma influ√™ncia feminina que gera caos e desordem no mundo. No entender de Macaulay, para remediar essa obje√ß√£o, Rousseau criou uma pessoa moral da uni√£o dos sexos, o que seria uma contradi√ß√£o, na medida em que √© o orgulho e a sensualidade, e n√£o a raz√£o, que fundamentam a perspectiva de Rousseau, transformando o g√™nio masculino em um licencioso pedante. Afinal, qual seria a racionalidade e o prop√≥sito da sabedoria divina ao criar algo confuso assim?

Macaulay denuncia a situa√ß√£o da educa√ß√£o das mulheres da sua √©poca, que lhes fazia tender √† corrup√ß√£o e √† debilidade dos poderes da mente e do corpo. Se os princ√≠pios e a natureza da virtude s√£o mal ensinados aos meninos, para as meninas, s√£o apenas long√≠nquos mist√©rios. Todos os ensinamentos que enobrecem o ser n√£o s√£o apresentados √†s mulheres. Ao contr√°rio, uma falsa no√ß√£o de beleza e delicadeza, mais os v√≠cios da vaidade, inveja, aliados √† ignor√Ęncia, formam os elementos prezados na educa√ß√£o das mulheres. De acordo com Karen Green, ‚Äúembora a ret√≥rica feminista n√£o fosse central em suas hist√≥rias e panfletos anteriores, ela estava totalmente convencida de que a sujei√ß√£o das mulheres aos homens n√£o era compat√≠vel com os princ√≠pios racionais da justi√ßa‚ÄĚ (GREEN, 2020).

Mary Wollstonecraft (1759-1797), filósofa inglesa, leu e foi influenciada pela obra de Macaulay. Em seu livro Reivindicação dos Direitos da Mulher (2016), publicado originalmente em 1792, Wollstonecraft cita Macaulay, com as seguintes palavras:

‚ÄúA palavra ‚Äėrespeito‚Äô traz a sra. Macaulay a minha lembran√ßa. Sem d√ļvida, uma das mais talentosas mulheres que este pa√≠s j√° apresentou; e, no entanto, morreu sem que se prestasse o devido respeito a sua mem√≥ria. A posteridade, contudo, ser√° mais justa e lembrar√° que Catharine Macaulay foi um exemplo de qualidades intelectuais que se supunham incompat√≠veis com a fragilidade de seu sexo‚ÄĚ (WOLLSTONECRAFT, 2016, p. 138).

Mesmo sabendo que Wollstonecraft admirava esta obra de Macaulay, at√© recentemente n√£o haviam evid√™ncias de que Macaulay e Wollstonecraft se conheceram. Bridget Hill (1995), no entanto, apresenta cartas, recentemente encontradas, e que foram trocadas entre as duas fil√≥sofas, apenas seis meses antes do falecimento de Macaulay. Wollstonecraft escreveu para Macaulay para enviar a segunda edi√ß√£o da sua obra, Reivindica√ß√£o dos Direitos¬†dos¬†Homens, em uma Carta para o muito Honor√°vel Edmund Burke; ocasionada por suas Reflex√Ķes sobre a Revolu√ß√£o Francesa (1790), bem como para prestar sua grande admira√ß√£o pela fil√≥sofa.

Em todos esses sentidos, Macaulay foi e continua sendo uma filósofa para não ser esquecida. Que ouçamos Mary Wollstonecraft, duzentos e trinta anos depois, e façamos justiça à obra de Catharine Macaulay.

Referências

 

DAVIES, Kate (2005). Catharine Macaulay and Mercy Otis Warren, Oxford: Oxford University Press.

DONNELLY, Lucy Martin (1949). ‚ÄúThe Celebrated Mrs Macaulay,‚Ä̬†William and Mary Quarterly, 6 (2): 172‚Äď207.

GREEN, Karen (2015). A Moral Philosophy of Their Own? The Moral and Political Thought of Eighteenth-Century British Women. TheMonist, 98, 89-101.

GREEN, Karen (2012). When is a contract theorist not a contract theorist? Mary Astell and Catherine Macaulay as critics of Thomas Hobbes. In: Feminist interpretations of Thomas Hobbes. ‚ÄďPennsylvania State University.¬†

GREEN, Karen (2016). Reassessing the Impact of the ‚ÄúRepublican Virago‚ÄĚ. Redescriptions, Vol. 19, N¬ļ. 1

GREEN, Karen (2020). Catharine Macaulay, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2020 Edition), Edward N. Zalta (ed.). Disponível em: < https://plato.stanford.edu/archives/sum2020/entries/catharine-macaulay/>.

GREEN, Karen; WEEKES, Shannon (2013). Catharine Macaulay on the Will, History of European Ideas, 39:3, 409-425.

HAYS, Mary (1803). Female Biography, or, Memoirs of illustrious and celebrated women, of all ages and countries: alphabetically arranged. Philadelphia: Printed for Birch and Small, 1803. Disponível em: < https://archive.org/details/femalebiography04haysgoog/page/166/mode/2up>.

HILL, Bridget (1992). The Republican Virago: The Life and Times of Catharine Macaulay, Historian. Oxford: Clarendon Press.

HILL, Bridget (1995). The links between Mary Wollstonecraft and Catharine Macaulay: new evidence, Women’s History Review, 4:2, 177-192

HILL, Bridget (1999). Daughter and Mother; some new light on Catharine Macaulay and her family. British journal for eighteenth-century, studies 22, p.35-49.

LOOSER, Devoney (2010).¬†Catharine Macaulay¬†: The ‚ÄėFemale Historian‚Äô in Context.¬†√Čtudes √Čpist√©m√®¬†[En ligne], 17¬†|¬†2010, mis en ligne le¬†01 avril 2010, consult√© le¬†04 f√©vrier 2022.¬†Dispon√≠vel em: <http://journals.openedition.org/episteme/666¬†;¬†DOI¬†: https://doi.org/10.4000/episteme.666>.

MACAULAY, Catharine (1767).¬†Loose Remarks on certain positions to be found in Mr Hobbes‚Äôs ‚ÄúPhilosophical rudiments of government and society,‚ÄĚ with a short sketch of a democratical form of government, In a letter to Signor Paoli, London: T. Davies, in Russell-street, Covent Garden; Robinson and Roberts, in Pater-noster Row; and T. Cadell, in the Strand.

MACAULAY, Catharine (1770). Observations on a Pamphlet entitled ‚ÄúThoughts on the Cause of the Present Discontents‚ÄĚ, 4th edition, London: Printed for Edward and Charles Dilly.

MACAULAY, Catharine (1775). Address to the People of England, Scotland, and Ireland on the Present Important Crisis of Affairs, London: Dilly.

MACAULAY, Catharine (1783). A Treatise on the Immutability of Moral Truth, London: A. Hamilton.

MACAULAY, Catharine (1790). Observations on the Reflections of the Right Hon. Edmund Burke, on the Revolution in France, in a Letter for the Right Hon. The Earl of Stanhope, London: C. Dilly.

MACAULAY, Catharine (1790). Letters on Education. With observations on religious and metaphysical subjects, London: C. Dilly.

MCDONALD, Lynn (1998). Women theorists in Society and politics. Wilfrid Laurier University Press.

O’BRIEN, Karen (2009). Women and Enlightenment in Eighteenth-Century Britain, Cambridge: Cambridge University Press.

REUTER, Martina (2007). ‚ÄúCatharine Macaulay and Mary Wollstonecraft on the Will,‚ÄĚ in¬†Virtue, Liberty and Toleration. Political Ideas of European Women 1400‚Äď1800, J. Broad and K. Green (eds.), Dordrecht: Springer, pp.149‚Äď169.

‚ÄúTo George Washington from Catharine Sawbridge Macaulay Graham, June 1790,‚Ä̬†Founders Online,¬†National Archives, Dispon√≠vel em: <https://founders.archives.gov/documents/Washington/05-05-02-0380>.

WOLLSTONECRAFT, Mary (2016). Reivindicação dos direitos da mulher. São Paulo: Boitempo.

Obras de Catharine Macaulay

MACAULAY, Catharine (1763‚Äď83).¬†The history of England from the accession of James 1. to that of the Brunswick line, 8 volumes, London: Printed for the author and sold by J. Nourse, J. Dodsley and W. Johnston. (Volumes 5‚Äď8 are titled¬†The history of England from the accession of James 1. to the Revolution, London: C Dilly.)

MACAULAY, Catharine (1767).¬†Loose Remarks on certain positions to be found in Mr Hobbes‚Äôs ‚ÄúPhilosophical rudiments of government and society,‚ÄĚ with a short sketch of a democratical form of government, In a letter to Signor Paoli, London: T. Davies, in Russell-street, Covent Garden; Robinson and Roberts, in Pater-noster Row; and T. Cadell, in the Strand.

MACAULAY, Catharine (1769). Loose Remarks on certain positions to be found in Mr Hobbes’ Philosophical Rudiments of Government and society with a short sketch of a democratical form of government in a letter to Signor Paoli by Catharine Macaulay. The Second edition with two letters one from an American Gentleman to the author which contains some comments on her sketch of the democratical form of government and the author’s answer, London: W. Johnson, T. Davies, E. and C. Dilly, J. Almon, Robinson and Roberts, T. Cadell.

MACAULAY, Catharine (1770).¬†Observations on a Pamphlet entitled ‚ÄúThoughts on the Cause of the Present Discontents‚ÄĚ, 4th edition, London: Printed for Edward and Charles Dilly.

MACAULAY, Catharine (1774). A Modest Plea for the Property of Copy Right, Bath: R. Cruttwell.

MACAULAY, Catharine (1775). Address to the People of England, Scotland, and Ireland on the Present Important Crisis of Affairs, London: Dilly.

MACAULAY, Catharine (1778). History of England from the Revolution to the Present Time in a Series of Letters to a Friend, Bath: R. Cruttwell.

MACAULAY, Catharine (1783). A Treatise on the Immutability of Moral Truth, London: A. Hamilton.

MACAULAY, Catharine (1790). Observations on the Reflections of the Right Hon. Edmund Burke, on the Revolution in France, in a Letter for the Right Hon. The Earl of Stanhope, London: C. Dilly.

MACAULAY, Catharine (1790). Letters on Education. With observations on religious and metaphysical subjects, London: C. Dilly.

Literatura Secund√°ria

BECKWITH, Mildred Chaffee (1953). ‚ÄėCatharine Macaulay: Eighteenth-Century Rebel‚Äô, Ph.D. Diss. (Ohio State University).

BOOS, Florence (1976). ‚ÄúCatharine Macaulay‚Äôs¬†Letters on Education¬†(1790): An early feminist polemic,‚Ä̬†University of Michigan Papers in Women‚Äôs Studies, 2 (2): 64‚Äď78.

BOOS, Florence, and William Boos (1980). ‚ÄúCatharine Macaulay: Historian and political reformer,‚Ä̬†International Journal of Women‚Äôs Studies, 3 (6): 49‚Äď65.

COFFEE, Alan (2019). ‚ÄúCatharine Macaulay,‚ÄĚ in¬†The Wollstonecraftian Mind, Sandrine Berg√®s, Eileen Hunt Botting, and Alan Coffee (eds.) London: Routledge, pp.198‚Äď210.

DAVIES, Kate (2005). Catharine Macaulay and Mercy Otis Warren: The Revolutionary Atlantic and the Politics of Gender. Oxford and New York: Oxford University Press, 2005.

DONNELLY, Lucy-Martin (1949). ‚ÄėThe Celebrated Mrs Macaulay‚Äô, William and Mary Quarterly, 6, 172‚Äď207;

EGER, Elizabeth; PELTZ, Lucy (2008). Brilliant Women: 18th-Century Bluestockings, London: National Portrait Gallery.

FOX, Claire Gilbride (1968). Catharine Macaulay, an eighteenth-century Clio. Winterthur Portfolio 4: 129-42.

GARDNER, Catherine (1998). ‚ÄúCatharine Macaulay‚Äôs¬†Letters on Education: Odd but Equal,‚Ä̬†Hypatia, 13 (1): 118‚Äď137.

GARDNER, Catherine (2000). ‚ÄúCatharine Macaulay‚Äôs¬†Letters on Education: What Constitutes a Philosophical System,‚ÄĚ in¬†Rediscovering Women Philosophers: Philosophical Genre and the Boundaries of Philosophy, Boulder, Colorado: Westview Press, pp.17‚Äď46.

GEIGER, Marianne B. (1986). Mercy Otis Warren and Catharine Macaulay: Historians in the Transatlantic Republican Tradition, Ph.D. Dissertation, New York University.

GREEN, Karen (2011). Will the real Enlightenment historian please stand up? Catharine Macaulay versus David Hume. In Hume and the Enlightenment edited by Stephen Buckle and Craig Taylor. London: Pickering & Chatto, 29‚Äď51.

GREEN, Karen (2012a). Liberty and Virtue in Catharine Macaulay‚Äôs Enlightenment Philosophy. Intellectual History Review, 22:3, 411‚Äď26.

GREEN, Karen (2012b). When is a Contract Theorist not a Contract Theorist? Mary Astell and Catharine Macaulay as Critics of Thomas Hobbes. In Feminist Interpretations of Thomas Hobbes, edited by Nancy Hirschmann and Joanne Wright. State Park: Pennsylvania State University Press, 169‚Äď89.

GREEN, Karen (2014). A History of Women‚Äôs Political Thought in Europe, 1700‚Äď1800. Cambridge: Cambridge University Press.

GREEN, Karen (2015). A Moral Philosophy of their Own? The Moral and Political Thought of Eighteenth-Century British Women. The Monist, 98:1, 89‚Äď101.

GREEN, Karen (2017). ‚ÄúLocke, Enlightenment, and Liberty in the Works of Catharine Macaulay and her Contemporaries.‚ÄĚ In Women and Liberty, 1600‚Äď1800, edited by Jacqueline Broad, and Karen Detlefsen, 82‚Äď94. Oxford: Oxford University Press.

GREEN, Karen (2018). ‚ÄúCatharine Macaulay as Critic of Hume.‚ÄĚ In Rethinking the Enlightenment, edited by Martin Lloyd, and Geoff Bowden, 113‚Äď130. Lanham, M.A: Lexington Books.

GREEN, Karen (2018). ‚ÄúCatharine Macaulay‚Äôs Enlightenment Faith and Radical Politics.‚ÄĚ History of European Ideas 44: 35‚Äď48.

GREEN, Karen (2019). The Correspondence of Catharine Macaulay. Oxford New Histories of Philosophy. New York: Oxford University Press.

GREEN, Karen. (2021) Catharine Macaulay and the concept of ‚Äúradical enlightenment‚ÄĚ, Intellectual History Review, 31:1, 165-180.

GREEN, Karen, and Shanon Weekes (2013). Catharine Macaulay on the will. European History of Ideas, 39:3, 409‚Äď25.

GUNTHER-CANADA (2003), ‚ÄúCultivating Virtue: Catharine Macaulay and Mary Wollstonecraft on Civic Education,‚Ä̬†Women and Politics, 25(3): 47‚Äď70.

GUNTHER-CANADA (2006), ‚ÄúCatharine Macaulay on the Paradox of Paternal Authority in Hobbesian Politics,‚Ä̬†Hypatia, 21(2): 150‚Äď173.

GUNTHER-CANADA, Wendy (1998), ‚ÄúThe Politics of Sense and Sensibility: Mary Wollstonecraft and Catherine Macaulay Graham on Edmund Burke‚Äôs¬†Reflections on the Revolution in France,‚ÄĚ in¬†Women Writers and the Early Modern Political Tradition, H. Smith (ed.), Cambridge: Cambridge University Press, pp.126‚Äď147.

HAY, Carla H (1994). ‚ÄúCatharine Macaulay and the American Revolution.‚Ä̬†The Historian¬†56, no. 2: 301‚Äď16.

HICKS, Philip (2002). ‚ÄúCatharine Macaulay‚Äôs Civil War: Gender, History, and Republicanism in Georgian Britain.‚Ä̬†Journal of British Studies¬†41, no. 2: 170‚Äď98.

HILL, Bridget (1999). ‚ÄėDaughter and Mother: Some New Light on Catharine Macaulay and her Family‚Äô, British Journal for Eighteenth-Century Studies, 22, 35‚Äď49.

HILL, Bridget (1992). The Republican Virago: The Life and Times of Catharine Macaulay, Historian, Oxford: Clarendon Press.

HILL, Bridget (1995). ‚ÄúThe Links between Mary Wollstonecraft and Catharine Macaulay: new evidence,‚Ä̬†Women‚Äôs History Review, 4 (2): 177‚Äď92.

HILL, Bridget; HILL, Christopher (1967). ‚ÄúCatharine Macaulay and the Seventeenth Century,‚Ä̬†The Welsh History Review, 3: 381‚Äď402.

HILTON, Mary (2007).¬†Women and the Shaping of the Nation‚Äôs Young: Education and Public Doctrine in Britain 1750‚Äď1850. Aldershot: Ashgate.

HUTTON, Sarah (2005). ‚ÄúLiberty, Equality and God: The Religious Roots of Catharine Macaulay‚Äôs Feminism,‚ÄĚ in¬†Women, Gender and Enlightenment, S. Knott and B. Taylor (eds.), Basingstoke: Palgrave Macmillan, pp.538‚Äď550.

HUTTON, Sarah (2007). ‚ÄúVirtue, God and Stoicism in the thought of Elizabeth Carter and Catharine Macaulay,‚ÄĚ in¬†Virtue, Liberty and Toleration: Political Ideas of European Women 1400‚Äď1800, J. Broad and K. Green (eds.), Dordrecht: Springer, pp.137‚Äď148.

HUTTON, Sarah (2009). ‚ÄúThe Persona of the Woman Philosopher in Eighteenth-Century England: Catharine Macaulay, Mary Hays, and Elizabeth Hamilton,‚Ä̬†Intellectual History Review, 18 (3): 403‚Äď12.

LETZRING, Monica (1976). ‚ÄúSarah Prince Gill and the John Adams-Catharine Macaulay Correspondence,‚Ä̬†Proceedings of the Massachusetts Historical Society, 88: 107‚Äď111.

LOOSER, Devoney (2003). ‚Äú‚ÄėThose Historical Laurels which Once Graced My Brow are Now in The Wane‚Äô: Catharine Macaulay‚Äôs Last Years and Legacy.‚Ä̬†Studies in Romanticism¬†42, no.¬† 2: 203-225.

O’BRIEN, Karen (2009). ‚ÄúCatharine Macaulay’s Histories of England: Liberty, Civilisation and the Female Historian.‚ÄĚ Chapter. In¬†Women and Enlightenment in Eighteenth-Century Britain, 152‚Äď72. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. doi:10.1017/CBO9780511576317.005.

POCOCK, J. G. A. (1998). ‚ÄúCatharine Macaulay: patriot historian,‚ÄĚ in¬†Women writers and the early modern British political tradition, H. Smith (ed.), Cambridge: Cambridge University Press, pp.243‚Äď258.

RODRIGUES, Ana Patr√≠cia (2007). O despertar da consci√™ncia c√≠vica feminina: identidades e valores femininos na literatura proto-feminista do s√©culo XVIII. Revista Interac√ß√Ķes, N¬ļ. 5, PP. 46-59.

SCHNORRENBERG, Barbara B. (1979). ‚ÄúThe Brood-hen of Faction: Mrs. Macaulay and Radical Politics, 1765‚Äď75,‚Ä̬†Albion, 11: 33‚Äď45.

SCHNORRENBERG, Barbara B. (1990). ‚ÄúAn Opportunity Missed: Catherine Macaulay on the Revolution of 1688,‚Ä̬†Studies in Eighteenth-Century Culture, 20: 231‚Äď40.

STAVES, Susan (1989). ‚Äú‚ÄėThe Liberty of a She-Subject of England‚Äô: Rights Rhetoric and the Female Thucydides.‚Ä̬†Cardozo Studies in Law and Literature¬†1, no. 2: 161‚Äď83.

WARREN, Mercy Otis (2009). Mercy Otis Warren: Selected Letters. Edited by Jeffrey H. Richards and Sharon M. Harris. Athens: the University of Georgia Press.

WISEMAN, Susan (2001). ‚ÄúCatharine Macaulay: history, republicanism and the public sphere,‚ÄĚ in¬†Women, Writing and the Public Sphere, 1700‚Äď1830, E. Eger, C. Grant, C. √ď Gallchoir and P. Warburton (eds.), Cambridge: Cambridge University Press,pp/181‚Äď199.

WITHEY, Lynne E. (1976). “Catharine Macaulay and the Uses of History: Ancient Rights, Perfectionism, and Propaganda, Journal of British Studies.