Patricia Hill Collins

Patricia Hill Collins

(1948)

por Dulcilei da Conceição Lima,

doutora em Ciências Humanas e Sociais pela UFABC.

Pesquisadora em Ciências Sociais e Humanas no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc РSP РLattes

Patrícia Hill Collins РPDF

Patrícia Hill Collins. Fonte: University of Maryland.

Em novembro de 2018, Patricia Hill Collins visitava o Brasil pela primeira vez a convite do Sesc SP, ocasi√£o em que ministrou uma palestra na mesa de abertura do Encontro Internacional N√≥s Tantas Outras. Naquele momento, nenhum dos seus livros havia sido traduzido para o portugu√™s, mas haviam alguns artigos: ‚ÄúComo algu√©m da fam√≠lia: ra√ßa, etnia e o paradoxo da identidade nacional norte-americana‚ÄĚ na Revista G√™nero, volume 8 de 2007, traduzido por Maria Isabel de Castro Lima; ‚ÄúEm dire√ß√£o a uma nova vis√£o: Ra√ßa, classe e g√™nero como categorias de an√°lise e conex√£o‚ÄĚ, publicado em 2015 nos cadernos Reflex√Ķes e pr√°ticas de transforma√ß√£o feminista da SempreViva Organiza√ß√£o Feminista, sob a organiza√ß√£o de Renata Moreno com tradu√ß√£o de J√ļlia Cl√≠maco; ‚ÄúAprendendo com a outsider within: a significa√ß√£o sociol√≥gica do pensamento feminista negro‚ÄĚ, traduzido por Juliana de Castro Galv√£o e publicado no volume 31 da revista Sociedade e Estado em 2016; ‚ÄúSe perdeu na tradu√ß√£o? Feminismo negro, interseccionalidade e pol√≠tica emancipat√≥ria‚ÄĚ, traduzido por Bianca Santana e publicado no volume 5 da revista Par√°grafo em 2017 e ‚ÄúO que √© um nome? Mulherismo, Feminismo Negro e Al√©m disso‚ÄĚ, traduzido por Angela Figueiredo e Jesse Ferrell, publicado no volume 51 do Cadernos Pagu em 2017.¬†

Desde 2012, grupos de feministas negras nas redes sociais, como o Feminismo Negro Interseccional (Neves, 2020), em a√ß√Ķes de tradu√ß√£o livre e solid√°ria, vertiam textos de Collins para l√≠ngua portuguesa e os distribu√≠am, gerando leituras e reflex√Ķes compartilhadas, pr√°tica comum entre feministas que transitam em blogs e comunidades nas redes sociais. A√ß√Ķes como essa colaboraram para a populariza√ß√£o no Brasil do pensamento de Patricia Hill Collins, assim como de outras intelectuais negras como bell hooks, Audre Lorde e Angela Davis.¬†

No ano seguinte √† sua primeira visita ao Brasil, chegava ao p√ļblico brasileiro a primeira edi√ß√£o em portugu√™s da principal obra de Collins: Pensamento Feminista Negro, quase trinta anos ap√≥s a publica√ß√£o original nos EUA.

Patricia Hill Collins √© natural da Filad√©lfia (EUA), nasceu em 1¬ļ de maio de 1948, filha √ļnica de Eunice Randolph Hill e de Albert Hill. √Č casada com Roger Collins, com quem tem uma filha.¬†

Os pais de Collins pertenciam a uma classe m√©dia trabalhadora, sua m√£e foi secret√°ria e o pai um trabalhador fabril veterano da Segunda Guerra Mundial. Com um estilo de vida modesto, Patricia Hill Collins fez toda sua forma√ß√£o b√°sica em escolas p√ļblicas. Foi uma estudante aplicada, trompetista, mas bastante quieta. Na primeira edi√ß√£o de Pensamento Feminista Negro a soci√≥loga relata de forma breve o seu percurso escolar, e o modo como foi pouco a pouco se tornando mais silenciosa at√© se transformar numa adolescente calada. Justifica a exist√™ncia do livro como uma busca pela reconquista de sua voz que se perdeu por for√ßa do racismo a que foi submetida nos espa√ßos institucionais que frequentou.

Foi como grande admiradora de Pauli Murray ‚ÄĒ mulher negra, reverenda e ativista que em 1938 lutou pelo direito de ingressar na Universidade da Carolina do Norte ‚ÄĒ que a jovem Patricia Hill Collins iniciou, em 1965, os seus estudos na Universidade de Brandeis (Massachusetts), onde se graduou em Sociologia. Seu interesse pela √°rea se deu por compreender a Sociologia como um campo de estudos interdisciplinar que dialoga com √°reas diversas como a Filosofia, a Educa√ß√£o e as ci√™ncias emp√≠ricas. Pela mesma raz√£o se aproximou da Sociologia do Conhecimento, onde vislumbrou a possibilidade de articular campos te√≥ricos variados. Ainda na gradua√ß√£o, tendo como base te√≥rica a Escola de Frankfurt e intelectuais judeus que discutiam e disputavam direitos ap√≥s o Holocausto, Collins come√ßou a formular a no√ß√£o de justi√ßa social que passa a mobilizar especialmente a partir da segunda edi√ß√£o de Pensamento Feminista Negro e que permear√° toda sua produ√ß√£o.¬†

Patricia Hill Collins cursou mestrado em Harvard e o doutorado também na Universidade de Brandeis. Ao longo de vinte e três anos atuou na Universidade de Cincinnati (1982 Р2005), no departamento de Estudos Afro-Americanos. Desde 2005 integra o departamento de Sociologia da Universidade de Maryland. Foi presidente da Associação Americana de Sociologia, primeira mulher negra a ocupar esse posto. Ao longo de toda sua carreira se dedicou aos estudos de raça, gênero, interseccionalidade, teoria crítica, teoria social e pensamento feminista. Foi contemplada com vários prêmios ao longo de sua carreira, sendo o mais recente em 2023, quando foi agraciada com o prêmio Berggruen Prize for Philosophy & Culture por sua contribuição no avanço de ideias que moldam o mundo.

Enquanto cursava o mestrado em Harvard, Patricia Hill Collins iniciou projetos educacionais comunit√°rios junto √† popula√ß√£o negra de Boston, ministrando aulas e colaborando na formula√ß√£o do curr√≠culo da St. Joseph¬īs School. Essa experi√™ncia foi marcante em sua trajet√≥ria, pois colaborou para o aperfei√ßoamento de sua perspectiva sobre justi√ßa social e de seu papel enquanto educadora. A soci√≥loga percebeu o qu√£o fundamental era possibilitar aos estudantes o desenvolvimento da compreens√£o cr√≠tica de sua realidade social. Acerca de sua experi√™ncia na St. Joseph¬īs, Collins nos oferece o seguinte relato:

O que me fascina √© como essa experi√™ncia fundamental na escola comunit√°ria de St. Joseph moldou as abordagens tem√°ticas e as perspectivas te√≥ricas da minha pesquisa e da minha carreira. Eu nunca pretendi ser uma professora universit√°ria, mas o alto n√≠vel que defini para mim mesma ao preparar planos de aula para alunos do ensino m√©dio em um contexto que envolvia m√ļltiplas tradi√ß√Ķes de justi√ßa social moldou o tipo de acad√™mica e professora que me tornei. St. Joseph permitiu-me explorar as conex√Ķes entre a pedagogia cr√≠tica, a pesquisa engajada e as pol√≠ticas de produ√ß√£o de conhecimento, atrasando por uma d√©cada o enfraquecimento do ethos ‚Äúpublicar ou perecer‚ÄĚ do ensino superior. Em vez disso, me colocou em caminho diferente de ser uma pesquisadora rigorosa e uma intelectual p√ļblica com um olho para as tradi√ß√Ķes de justi√ßa social. Seja da elite do HGSE, dos meus espirituosos alunos do ensino m√©dio ou de uma comunidade mais ampla de cidad√£os afro-americanos de classe trabalhadora, sedentos por an√°lises sofisticadas, mas acess√≠veis de desigualdade, aprendi que os projetos de justi√ßa social exigem processos dial√≥gicos de bolsas de estudos para prosperar (Collins, P.H. Apud Bueno, 2020, p.54).

¬†Patricia Hill Collins investiu nas ‚Äúan√°lises sofisticadas, mas acess√≠veis‚ÄĚ mencionadas em seu relato, dando in√≠cio ao que seria uma caracter√≠stica marcante em sua carreira, o trabalho intelectual que dialoga tanto com a comunidade acad√™mica quanto com a comunidade negra n√£o acad√™mica. Tal posicionamento √© reconhec√≠vel em seus artigos e livros pelo modo cuidadoso com que a autora organiza seu texto e discorre sobre sua pesquisa, conclus√Ķes, reflex√Ķes, de forma clara e did√°tica, buscando ser compreendida por um p√ļblico amplo. ¬†

A linguagem adotada por Collins é uma escolha política, mas também afetiva. No prefácio à edição brasileira, a socióloga afirma que escreveu um livro que gostaria que sua mãe pudesse ter lido e que se reconhecesse nele, de modo que a ajudasse a enfrentar melhor as intempéries da vida. Por meio do livro, Patricia Hill Collins dialoga com sua mãe e celebra sua memória. Ao fazer isso, ela estende esse fazer afetivo a todas as mulheres negras que acessam seus escritos.

Pensamento Feminista Negro

A mais significativa obra de Patricia Hill Collins, Pensamento Feminista Negro, foi publicada pela primeira vez em 1990 e teve uma segunda edi√ß√£o dez anos depois. Levaria mais dezenove anos ap√≥s a segunda edi√ß√£o para chegar traduzida ao Brasil. Collins faz quest√£o de ressaltar em textos e entrevistas que o livro √© produto de um trabalho colaborativo realizado com suas alunas e muitas outras mulheres negras de suas rela√ß√Ķes.¬†

A passagem pelo departamento de Estudos Africanos da Universidade de Cincinnati foi de suma import√Ęncia para a constru√ß√£o de Pensamento Feminista Negro, pois a partir dessa experi√™ncia, Patr√≠cia Hill Collins definiu os temas que seriam abordados no livro, e ainda teve a colabora√ß√£o de suas alunas como as primeiras leitoras e cr√≠ticas dos textos que viriam a compor a obra. Mas seus primeiros anos na universidade foram desafiadores. Assim como outras intelectuais negras do per√≠odo, a soci√≥loga enfrentou obst√°culos relacionados a baixa recep√ß√£o dos estudos sobre mulheres negras nos departamentos de estudos negros e feministas.

Segundo Gloria Hull et al. (2015), os estudos sobre mulheres negras se desenvolveram lentamente ao longo dos anos 1970 e 1980, enfrentando os obst√°culos de uma academia conservadora e as condi√ß√Ķes in√≥spitas de trabalho sob as quais atuavam intelectuais negras nas universidades (Hull et al, 2015). Pesquisas e cursos sobre mulheres, ministrados nas universidades, se debru√ßavam sobre as experi√™ncias de mulheres brancas, enquanto os estudos raciais se limitavam √†s vidas dos homens, ignorando, portanto, as mulheres negras. Racismo e sexismo interpunham s√©rios obst√°culos para que as diferentes √°reas das humanidades na academia considerassem a especificidade da realidade de mulheres negras em suas an√°lises (Hull et al., p.9).¬†Na universidade de Cincinnati, o Departamento de Estudos Feministas s√≥ viria a se abrir ao acolhimento de pesquisas interseccionais nos anos 1990, ocasi√£o na qual Patricia Hill Collins passa a integr√°-lo, o que permitiu o aperfei√ßoamento de sua concep√ß√£o sobre interseccionalidade (Bueno, 2020).

No pref√°cio √† primeira edi√ß√£o de Pensamento Feminista Negro, Collins afirma ‚Äúrecusei-me explicitamente a basear minha an√°lise em qualquer tradi√ß√£o te√≥rica √ļnica‚ÄĚ (2019, p.17). Adepta da articula√ß√£o de campos do conhecimento, a autora mobilizou tradi√ß√Ķes te√≥ricas diversas no desenvolvimento da obra, como ‚Äúa filosofia afroc√™ntrica, a teoria feminista, o pensamento social marxista, a sociologia do conhecimento, a teoria cr√≠tica e o p√≥s modernismo‚ÄĚ (2019, p.16). No pref√°cio √† segunda edi√ß√£o a autora revisa a nomenclatura para afrocentrismo e se posiciona contr√°ria ao modo com o qual os adeptos dessas ideias na contemporaneidade lidam com as quest√Ķes de g√™nero e sexualidade. Justifica por meio dessa discord√Ęncia certas altera√ß√Ķes no texto, onde reteve o sentido mais geral do termo, mas mudou outros termos. Como exerc√≠cio de ativismo intelectual, a soci√≥loga elege como centro da an√°lise as experi√™ncias e pensamentos das mulheres negras, e embora cite outras intelectuais negras como Angela Davis, bell hooks, Gloria Hull, Barbara Smith, Anne McClintock, busca n√£o dar √™nfase a certos nomes em detrimento de outros, compreendendo a produ√ß√£o intelectual de mulheres negras como resultado de uma coletividade. Justifica essa escolha da seguinte forma:

[…] essa abordagem vai contra a tend√™ncia, em vigor na produ√ß√£o acad√™mica dominante, de canonizar umas poucas mulheres negras como porta-vozes do grupo e recusar-se a ouvir qualquer outra que n√£o essas eleitas. Embora seja tentador obter reconhecimento pelas pr√≥prias conquistas, minhas experi√™ncias como a ‚Äúprimeira‚ÄĚ, ‚Äúuma das poucas‚ÄĚ e a ‚Äú√ļnica‚ÄĚ me mostraram que escolher uns poucos e us√°-los para controlar muitos pode ser eficiente para asfixiar subordinados (Collins, 2019, p.17).

No livro, a autora defende que a produ√ß√£o de conhecimento entre as mulheres negras se d√° de maneira distinta do padr√£o acad√™mico, pois pode assumir a forma de cria√ß√£o art√≠stica, como nas poesias, m√ļsicas, conta√ß√£o de hist√≥rias, louvores. A longa e rica tradi√ß√£o do pensamento de mulheres negras n√£o se encontra, portanto, somente em textos escritos e entre acad√™micas, mas em mulheres de origens e trajet√≥rias diversas, que por meio de m√ļltiplas formas manifestam o conhecimento produzido nos enfrentamentos cotidianos √†s situa√ß√Ķes de subordina√ß√£o racial, de g√™nero e de classe. Tal aprendizado adquirido na viv√™ncia dessas opress√Ķes fomenta a cria√ß√£o e transmiss√£o de um conhecimento subalternizado que se constitui, por sua vez, em uma teoria social cr√≠tica das mulheres negras. Collins define teoria social como a articula√ß√£o entre an√°lise cr√≠tica e a√ß√£o social. Na perspectiva da autora, a teoria social cr√≠tica explica as desigualdades ao mesmo tempo que as critica. √Č partindo dessa premissa que define a produ√ß√£o de conhecimento das mulheres negras como uma teoria social cr√≠tica, pela capacidade dessa produ√ß√£o em articular a cr√≠tica social junto ao ativismo, que busca corrigir as desigualdades¬†

O pensamento coletivo das mulheres negras, bem como de outros grupos oprimidos, foi forjado na oposi√ß√£o √† opress√£o e orientado a encontrar maneiras de escapar √† viol√™ncia, se opor √† injusti√ßa social e econ√īmica, buscar formas de garantir a sobreviv√™ncia em meio in√≥spito. O cerne da cr√≠tica feminista negra √©, de acordo com Collins (2019), o compromisso com a justi√ßa para as mulheres negras, mas tamb√©m para outras coletividades igualmente subalternas dentro e fora do territ√≥rio estadunidense.

Esse conjunto de ideias produzido por mulheres negras no cotidiano de sobreviv√™ncia, somado ao conhecimento acad√™mico, deve estar compromissado com a busca por formas de interven√ß√£o positiva nas vidas de tais mulheres, melhorando suas experi√™ncias. Collins acredita que o pensamento feminista negro pode oferecer √†s mulheres negras uma vis√£o alternativa √† hegem√īnica a fim de possibilitar o surgimento de uma nova identidade coletiva pautada por uma consci√™ncia forjada nesses saberes subalternizados (Collins, 2012).

Na perspectiva de Patricia Hill Collins, o pensamento feminista negro deve ser lido como uma teoria social cr√≠tica por desafiar a concep√ß√£o hegem√īnica sobre a inabilidade de grupos oriundos das classes populares em desenvolver pensamento cr√≠tico, contrariando os pressupostos de que tais grupos seriam incapazes de compreender e agir sobre sua pr√≥pria subordina√ß√£o.

Patr√≠cia Hill Collins tem o m√©rito de demonstrar em seu trabalho os m√ļltiplos caminhos que mulheres negras percorrem na constru√ß√£o de sua maneira singular de pensar e de produzir conhecimento. Tais caminhos atravessam tamb√©m muitas formas de a√ß√£o pol√≠tica, como a participa√ß√£o em protestos, atua√ß√£o em organiza√ß√Ķes comunit√°rias, campanhas eleitorais, movimentos sociais. Tal forma √ļnica de construir conhecimento √© demonstrada pela soci√≥loga por meio de sua pr√≥pria experi√™ncia de quem cresceu em meio √†s lutas pelos direitos civis nos EUA e a emerg√™ncia do movimento de mulheres negras nos anos 1970. Os eventos ocorridos naquele momento marcaram profundamente a percep√ß√£o da autora e seriam mais tarde os elementos que impulsionariam suas escolhas acad√™micas. Al√©m do ativismo e outras experi√™ncias da vida cotidiana, a produ√ß√£o cultural negra foi igualmente determinante nas formula√ß√Ķes de Collins sobre o pensamento feminista negro. A m√ļsica, a poesia, a dan√ßa, livros como O olho mais azul, de Toni Morrison, ou The Black Woman [A mulher negra], de Cade Bambara, causaram forte impacto na vida e na obra da pesquisadora.

A socióloga é taxativa ao afirmar que a singularidade da produção de conhecimento por mulheres negras produziu um feminismo igualmente singular, que não deve sua origem ao feminismo branco, mas à crescente e urgente necessidade da análise interseccional de forma a situar melhor a condição das mulheres negras na sociedade americana e no interior do ativismo negro.

Ainda dentro da discuss√£o sobre a singularidade da produ√ß√£o de mulheres negras, cabe abordar a singularidade da posi√ß√£o das intelectuais negras no universo acad√™mico da carreira sociol√≥gica. Em ‚ÄúAprendendo com a outsider within‚ÄĚ, Collins discorre sobre o modo como intelectuais negras se inserem na Sociologia. A autora define como insiders sociol√≥gicos o tipo padr√£o na sociedade, ou seja, homens brancos. A Sociologia seria, portanto, um espa√ßo configurado a partir da perspectiva da masculinidade e da branquidade. As mulheres negras sendo o outro dessa mesma sociedade, com experi√™ncias e perspectivas de mundo distintas do padr√£o hegem√īnico se constituem como outsiders. Dessa forma, ‚Äúpara se tornar um insider sociol√≥gico, as mulheres negras precisam assimilar um ponto de vista que √© bastante diferente do seu pr√≥prio‚ÄĚ (Collins, 2016, p.117). Sendo outsiders inseridas no espa√ßo sociol√≥gico hegem√īnico, essas intelectuais negras se tornam outsiders within (algo como estrangeiras de dentro).¬†

Embora como outsiders within, as soci√≥logas negras enfrentem in√ļmeros desafios, a contribui√ß√£o de Collins nessa discuss√£o reside em demonstrar como a condi√ß√£o de estrangeiras pode contribuir para o avan√ßo da pesquisa sociol√≥gica na medida em que as experi√™ncias das mulheres negras permite que elas enxerguem as anomalias nos paradigmas sociol√≥gicos hegem√īnicos como a produ√ß√£o de generaliza√ß√Ķes sobre a popula√ß√£o negra e ofere√ßam perspectivas criativas e inovadoras a partir de suas experi√™ncias como mulheres negras.

Muitas feministas negras est√£o abra√ßando o potencial criativo de seu status de outsider within e usando-o de forma s√°bia. Ao faz√™-lo, aproximam-se de si mesmas e associam suas disciplinas √† vis√£o humanista impl√≠cita de seus trabalhos ‚Äď isto √©, a liberdade tanto de ser diferente como de fazer parte da solidariedade humana (Collins, 2016, p.123).

Patricia Hill Collins crê que outros indivíduos que se enquadram no status de outsiders within, como homens negros, mulheres brancas, pessoas de outras nacionalidades, povos originários, pessoas LGBTQIA+ podem aprender muito com as estratégias e experiências das mulheres negras.

Interseccionalidade

Um dos conceitos mais caros do pensamento feminista negro é a noção de interseccionalidade. Patrícia Hill Collins tratou do assunto em vários de seus textos, vindo a escrever os livros Interseccionalidade, em co-autoria com Sirma Bilge, publicado no Brasil em 2021, e Bem mais que ideias: a interseccionalidade como teoria social crítica, lançado em português em 2022, ambos pela editora Boitempo.

A soci√≥loga busca, na hist√≥ria das mulheres negras estadunidenses, as origens da articula√ß√£o entre as categorias classe, g√™nero e ra√ßa, atribuindo √†s ativistas negras do s√©culo XIX, como Sojourner Truth, Maria W. Stewart, Ida B. Wells, Anna Julia Cooper e Mary McLeod Bethune a origem do pensamento interseccional. A atua√ß√£o dessas mulheres negras na causa abolicionista e pelos direitos das mulheres levou Collins a propor a exist√™ncia de duas ondas do feminismo negro estadunidense: a primeira no s√©culo XIX e a segunda iniciada nas √ļltimas d√©cadas do s√©culo XX at√© os dias atuais. Maria Stewart, uma das ativistas do s√©culo XIX, teria sido a primeira a afirmar a pot√™ncia da alian√ßa entre mulheres negras como propulsora de ativismo e autodetermina√ß√£o, um vislumbre do que viria a ser o feminismo negro. Entretanto, essas intelectuais e suas ideias se perderam no tempo, o que faz Collins questionar em Pensamento Feminista Negro (2019) as raz√Ķes pelas quais tal tradi√ß√£o intelectual teria sido descontinuada.

Apesar de feminismo negro e interseccionalidade serem indissoci√°veis, Collins afirma que √© um equ√≠voco atribuir a circunscri√ß√£o do conceito apenas √†s mulheres negras, pois outros grupos de mulheres, como as latinas, ind√≠genas e asi√°ticas estavam ‚ÄĒ nos anos 1970 e 1980 ‚ÄĒ igualmente envolvidas na reivindica√ß√£o da ‚Äúinter-rela√ß√£o de ra√ßa, classe, g√™nero e sexualidade em sua experi√™ncia cotidiana‚ÄĚ (Collins, 2017, pp. 8-9).

Ainda na d√©cada de 1980, h√° um tr√Ęnsito entre movimentos sociais e a academia propiciado pela inser√ß√£o de ativistas dos movimentos sociais nas universidades, especialmente nos programas dedicados aos estudos da perspectiva cr√≠tica, de mulheres, negros, sexualidade, p√≥s-coloniais e culturais. √Č nesse per√≠odo que Kimberl√© Crenshaw (1991) produz o trabalho onde elaborou o termo interseccionalidade definindo uma nomenclatura para o fen√īmeno em curso entre mulheres ativistas. A interseccionalidade, como uma ‚Äúforma de investiga√ß√£o cr√≠tica e de pr√°xis […] forjada por ideias de pol√≠ticas emancipat√≥rias de fora das institui√ß√Ķes sociais poderosas‚ÄĚ (Collins, 2017, p. 7), favoreceu a conex√£o entre esses dois campos de produ√ß√£o de conhecimento, aquele cuja produ√ß√£o √© desenvolvida por ‚Äúindiv√≠duos com menos poder, que est√£o fora do ensino superior, da m√≠dia e de institui√ß√Ķes similares de produ√ß√£o de conhecimento‚ÄĚ (Collins, 2017, p. 7) e dos espa√ßos de saber legitimados, como as universidades e institui√ß√Ķes an√°logas.

A interseccionalidade como projeto de conhecimento expandiu-se na academia desde o in√≠cio dos anos 2000 e abrange um vasto campo disciplinar das ci√™ncias humanas, ‚Äúobtendo crescente aceita√ß√£o no campo de ci√™ncias sociais t√£o diversas como a sociologia, a psicologia, a economia e a ci√™ncia pol√≠tica‚ÄĚ (Collins, 2017, p. 12). Collins afirma que essa expans√£o √© marcada pela preval√™ncia da interseccionalidade como conhecimento emancipat√≥rio em detrimento da interseccionalidade como pol√≠tica emancipat√≥ria. A autora, ainda, considera prejudicial essa cis√£o por passar ao largo de uma das principais raz√Ķes de ser da interseccionalidade, a preocupa√ß√£o com a justi√ßa social (Collins, 2022).

Na √ļltima d√©cada, os feminismos em atua√ß√£o na internet deram novo f√īlego √† interseccionalidade como pol√≠tica emancipat√≥ria, aspecto ainda pouco explorado entre te√≥ricos que a discutem. Um dos poucos trabalhos a abordar esse aspecto √© o j√° mencionado livro de Collins e Bilge, Interseccionalidade (2021). Nele, as autoras destacam a not√°vel presen√ßa do conceito de interseccionalidade nas esferas digitais, principalmente nas plataformas de m√≠dia social onde √© poss√≠vel produzir conte√ļdo. As autoras afirmam que a internet mudou o perfil do feminismo, que conta hoje com forte presen√ßa de mulheres jovens, inclusive adolescentes.

Em Bem mais que ideias: a interseccionalidade como teoria social cr√≠tica, Patricia Hill Collins argumenta que a interseccionalidade se expandiu rapidamente por muitos campos do conhecimento e vem sendo acionada tanto dentro quanto fora do ambiente acad√™mico. Afirma ainda que atualmente h√° uma disputa em torno das ‚Äúorigens da interseccionalidade, da parcialidade de sua lista crescente de categorias, se ela √© uma teoria ou uma metodologia, sobre suas liga√ß√Ķes com o trabalho em prol da justi√ßa social e at√© mesmo uma reflex√£o sobre se estamos em uma fase p√≥s-interseccionalidade‚ÄĚ (Collins, 2022, p. 39). Passando ao largo desses debates, a soci√≥loga opta nessa obra em se concentrar na potencialidade que a interseccionalidade oferece como teoria social cr√≠tica devido a posi√ß√£o privilegiada que ocupa entre a produ√ß√£o acad√™mica e a a√ß√£o social.

Imagens de controle

Outro elemento fundamental na obra de Patricia Hill Collins √© a no√ß√£o de imagens de controle. Tais imagens ‚ÄĒ que historicamente t√™m sido utilizadas como forma de cerceamento das mulheres negras ‚ÄĒ t√™m como prop√≥sito manipular a opini√£o p√ļblica a respeito das mulheres negras perpetuando sua desumaniza√ß√£o e explora√ß√£o. Algumas dessas imagens, como a Mammy e a Jezebel, podem ser associadas a estere√≥tipos femininos bem conhecidos no Brasil como a M√£e Preta e a mulata. A primeira sempre representada como uma mulher negra d√≥cil, submissa e servil. A segunda, dotada de uma sexualidade agressiva. H√° outras imagens igualmente reducionistas e perversas que destituem as mulheres negras de sua dignidade e refor√ßam a ideia de uma incapacidade intelectual.

Entretanto, Collins alerta para a distin√ß√£o entre estere√≥tipos e imagens de controle. Estere√≥tipos correspondem a concep√ß√Ķes equivocadas sobre determinados grupos sociais que padecem com os preconceitos gerados por essas vis√Ķes err√īneas, como a cren√ßa na falta de intelig√™ncia ou inclina√ß√£o de pessoas negras ao crime. A corre√ß√£o dessa distor√ß√£o se daria por meio de processos educativos que provocassem a mudan√ßa de percep√ß√£o sobre os grupos discriminados, solu√ß√£o considerada ineficaz pela soci√≥loga (Costa; Pereira, 2021).

As imagens de controle se referem √†s rela√ß√Ķes de poder e √† forma como estruturam rela√ß√Ķes sociais e interpessoais atuando no controle dos comportamentos dos grupos sociais enfocados por elas. Um dos exemplos utilizados por Collins para elucidar como funcionam as imagens de controle √© o da prostituta, o conjunto de significados pejorativos associados √†s profissionais do sexo servem como mecanismo de controle do comportamento de mulheres.

A efic√°cia das imagens de controle reside na sua natureza n√£o apenas negativa, mas tamb√©m positiva. Dessa forma, uma imagem de controle positiva sobre homens, brancos, heterossexuais pode, conforme a autora, refor√ßar sua posi√ß√£o de poder na sociedade e fix√°-los em uma masculinidade t√≥xica e dominadora, de modo que se tornam ‚Äúcontrolados pela vis√£o positiva da masculinidade branca e visam impor essa vis√£o de sua superioridade ao usar essa imagem para controlar todos/as os/as outros/as‚ÄĚ (Costa; Pereira, 2021).

Tal característica das imagens de controle, sendo tanto positivas quanto negativas, demonstra um aspecto crucial da estruturação dessa lógica: o pensamento binário. A operação desempenhada pelo pensamento binário é a de produzir categorias opostas inter-relacionadas. Dessa forma, há categorias que correspondem aos eixos dominantes e há as outras, que estão no seu oposto, ou seja, as categorias desviantes, sujeitas à discriminação, à objetificação e, por consequência, alvos de mecanismos de controle (Bueno, 2020).

Ra√ßa, classe, g√™nero e sexualidade s√£o compreendidos por Patr√≠cia Hill Collins como sistemas de opress√£o interconectados e n√£o como categorias identit√°rias. O modo como as imagens de controle s√£o manuseadas dentro desses sistemas de opress√£o √© o que alicer√ßa as pr√°ticas sociais denominadas por Collins como matriz de domina√ß√£o (Bueno, 2020). Por meio da compreens√£o desses elementos √© poss√≠vel analisar as rela√ß√Ķes de poder interseccionais e hier√°rquicas entre os grupos sociais. Dominar o entendimento sobre o modo como as imagens de controle modelam as rela√ß√Ķes de poder √© o caminho, na perspectiva da soci√≥loga, para se alcan√ßar a mudan√ßa social (Costa; Pereira, 2021).

As imagens de controle fornecem um modelo de comportamento social pelo qual devemos nos orientar. Dessa forma, confront√°-las exige o conhecimento do que as caracteriza e como operam nas rela√ß√Ķes de poder.

O processo de contestação de tais imagens e de revisão da autopercepção, favorecendo seus aspectos positivos (autodefinição e autoavaliação), é considerado por Collins (2016) como um dos elementos fundamentais da constituição do pensamento feminista negro:

Autodefini√ß√£o envolve desafiar o processo de valida√ß√£o do conhecimento pol√≠tico que resultou em imagens estereotipadas externamente definidas da condi√ß√£o feminina afro-americana. Em contrapartida, a autoavalia√ß√£o enfatiza o conte√ļdo espec√≠fico das autodefini√ß√Ķes das mulheres negras, substituindo imagens externamente definidas com imagens aut√™nticas de mulheres negras (Collins, 2016, p. 102).

Patricia Hill Collins admite que esse ponto do seu trabalho segue em desenvolvimento, de modo que ainda n√£o possui respostas para determinados aspectos de como as imagens de controle operam (Costa; Pereira, 2021).

Uma intelectual ativista

Em 2012 foi publicado o livro On intellectual activism [Sobre ativismo intelectual], a publica√ß√£o re√ļne palestras, ensaios e entrevistas que abrangem as principais abordagens da produ√ß√£o de Patr√≠cia Hill Collins. Neste trabalho a autora tamb√©m busca responder a perguntas sobre a pot√™ncia do ativismo intelectual para a justi√ßa social e como manter um ativismo intelectual frente aos obst√°culos da pol√≠tica contempor√Ęnea da produ√ß√£o de conhecimento. S√£o duas as estrat√©gias consideradas pela autora. A primeira delas se refere a falar a verdade ao poder e, a segunda, a falar a verdade ao povo.

Falar a verdade ao poder √© uma forma de ativismo intelectual que visa utilizar ideias que confrontam as rela√ß√Ķes de poder estabelecidas. Dessa forma, segundo a autora, devemos utilizar as ferramentas adquiridas no processo educacional hegem√īnico para confrontar a pr√≥pria hegemonia e as verdades impostas por grupos poderosos a grupos sociais desfavorecidos. Falar a verdade ao povo consiste em nos valermos do conhecimento adquirido para colaborar no desenvolvimento de estrat√©gias de enfrentamento ao poder.

Patricia Hill Collins se coloca como uma intelectual ativista que dedicou grande parte da sua obra a falar a verdade ao poder, mas que também dedicou parcela significativa do seu trabalho acadêmico a falar a verdade ao povo. A socióloga considera que Pensamento Feminista Negro exerce essa função de falar a verdade ao povo na medida em que valida as vivências de suas leitoras ao mesmo tempo que as coloca em contato com a experiência de outras.

Para falar a verdade ao povo, Patr√≠cia Hill Collins adotou em suas publica√ß√Ķes uma maneira clara e did√°tica de expressar suas ideias de modo a atingir um p√ļblico mais amplo para al√©m da esfera acad√™mica. A soci√≥loga atribui aos estudos afro-americanos ou negros, aos estudos sobre mulheres e √† sociologia, a obten√ß√£o de ferramentas que lhe permitiram arcar com o compromisso de dizer a verdade ao povo. A principal contribui√ß√£o de sua obra reside em inspirar as pessoas a pensarem sobre suas realidades de outro modo, de forma que possam agir sobre elas.

Publica√ß√Ķes

Patricia Hill Collins possui uma vasta produção distribuída entre livros, artigos, conferências, entrevistas, de modo que não cabe aqui relatar todo esse montante, mas listo, por ordem cronológica, os livros lançados até a data de publicação deste texto:

  1. 1990. Black Feminist Thought: Knowledge, Consciousness and the Politics of Empowerment. Routledge. [Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento, Boitempo, 2019].
  2. 1992. Race, Class and Gender: An Anthology. Cengage Learning, 1992.
  3. 1998. Fighting Words: Black Women and the Search for Justice. University of Minnesota Press.
  4. 2004. Black Sexual Politics: African Americans, Gender, and the New Racism. Routledge [Política Sexual Negra. Boitempo, 2022].
  5. 2006. From Black Power to Hip Hop: Racism, Nationalism, and Feminism. Temple University Press [Do Black Power ao Hip Hop. Perspectivas, 2023].
  6. 2009. Another Kind of Public Education: Race, the Media, Schools, and Democratic Possibilities. Beacon Press.
  7. 2012. On Intellectual Activism. Temple University Press.
  8. 2016. Co-autoria com Sirma Bilge. Polity Press. [Interseccionalidade. Boitempo, 2021].
  9. 2019. Intersectionality as Critical Social Theory. Duke University Press.[Bem mais que ideias Рa interseccionalidade como teoria social crítica. Boitempo, 2022].
  10. 2023. Lethal Intersections: Race, Gender, and Violence. Polity Press.

Referências Bibliográficas

Boitempo. Quem é Patrícia Hill Collins. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2022/03/10/quem-e-patricia-hill-collins/. Acesso em 13 nov. 2023.

Bueno, W. (2020). Imagens de controle: um conceito do pensamento de Patrícia Hill Collins. Porto Alegre: Ed. Zouk.

Collins, P. H. (2007). Como alguém da família: raça, etnia e o paradoxo da identidade nacional norte-americana.  Tradução de Maria Isabel de Castro Lima. Revista Gênero. Niterói, volume 8, n.1, p.27-52. Disponível em: https://periodicos.uff.br/revistagenero/article/view/30959/18048. Acesso em 30 mai. 2024.

_______. (2015). Em dire√ß√£o a uma nova vis√£o: Ra√ßa, classe e g√™nero como categorias de an√°lise e conex√£o. Moreno, R. (org.) Reflex√Ķes e pr√°ticas de transforma√ß√£o feminista. Tradu√ß√£o de J√ļlia Cl√≠maco. S√£o Paulo: SOF, pp.13-42.

_______. (2017). O que é um nome? Mulherismo, Feminismo Negro e Além disso. Tradução de Angela Figueiredo e Jesse Ferrell. Cadernos Pagu, n. 51. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cpa/a/P3Hpz4XQsPqSqJJLm9KH6tC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 30 mai. 2024.

_______. (2012). On intellectual ativism. Filadélfia: Temple University Press.

_______. (2012). Rasgos distintivos del pensamiento feminista negro. In Feminismos negros: Una antologia. Madrid: Traficantes de sue√Īos.

_______. (2016). Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro. Tradução de Juliana de Castro Galvão. Revista Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, jan./abr.

_______. (2019). Pensamento Feminista Negro. Tradução de Jamile Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo.

_______. (2017). Se perdeu na tradução? Feminismo negro, interseccionalidade e política emancipatória. Tradução de Bianca Santana. Parágrafo, v. 5, n. 1, pp. 7-17, jan-jun. 2017. Disponível em: <revistaseletronicas.fiamfaam.br/index.php/recicofi/article/download/559/506>. Acesso em: 10 nov. 2023.

Collins, P. H.; Bilge, S. (2021). Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. São Paulo: Boitempo.

Collins, P. H. (2022). Bem mais que ideias: a interseccionalidade como teoria social crítica.  Tradução de Bruna Barros e Jess Oliveira. São Paulo: Boitempo.

_______. (2022). Política sexual negra: afro-americanos, gênero e o novo racismo. Tradução de Ana Carolina Correia Santos das Chagas. Rio de Janeiro: Via Verita.

Costa, J. B.; Pereira, B. C. J. (2021). O feminismo negro de Patrícia Hill Collins: uma conversa sobre conhecimento, poder e resistência. Entrevista. Revista Sociedade e estado, v.36, n.3, set-dez. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/7Nm7KmJy6Vc54JmRMSMd7qD/#. Acesso em 10 mar.2024.

UNIVERSITY OF MARYLAND. Biografia: Patrícia Hill Collins. Disponível em: 

https://socy.umd.edu/facultyprofile/collins/patricia-hill. Acesso em 20 out.2023.

Crenshaw, K. (1991). Mapping the margins: Intersectionality, Identity Politcs, and Violence Against Women of Color. Stanford Law Review, n. 43, pp. 1241-1299.

Hull, G. T.; Scott, P. B.; Smith, B. (2015). All the women are white, All the blacks are men, But Some of Us Are Brave. 2a. ed. New York: Feminist Press at City University of New York.

Neves, T. (2020). Estamos em marcha! Escrevivendo, agindo e quebrando códigos. In Silva, T. Comunidades, algoritmos e ativismos digitais: Olhares afrodiaspóricos. LiteraRua: São Paulo. 

Palestra na mesa de abertura do Encontro Internacional Nós Tantas Outras:  https://www.youtube.com/watch?v=IXFMyS3MyP8. Acesso em 03 jun. 2024.