Mary Wollstonecraft

(1759-1797)

Por Sarah Bonfim ‚Äď membra do projeto New Voices, do Grupo de Filosofia Pol√≠tica da Unicamp e doutoranda em Filosofia (Unicamp), bolsista Fapesp processo 2021/02257-5 – Lattes.

PDF – Mary Wollstonecraft

Pintura: John Williamson (previamente atribuído à British School), 1791, Walker Art Gallery, Liverpool, Inglaterra.

Vida

Mary Wollstonecraft, filha de Elisabeth e Edward, nasceu em 27 de abril de 1759, em Londres, na Inglaterra. Segunda filha de um total de seis Wollstonecraft, desde muito cedo, assume o papel de protetora. Ela protege sua m√£e das agress√Ķes de seu pai, que tinha problemas com √°lcool, e √© quem cuida dos irm√£os pequenos, papel que desempenha por grande parte da vida, principalmente com suas irm√£s, Eliza e Everina.¬†¬†

Como √© esperado de uma mo√ßa de classe m√©dia no s√©culo XVIII, Wollstonecraft frequenta uma escola para meninas, onde aprende um pouco de aritm√©tica, geografia, um pouco de franc√™s, m√ļsica e dan√ßa (Brody, 2000, p. 17). O seu desenvolvimento intelectual deve muito aos amigos que fez durante a vida. A come√ßar por Henry Clare, um reverendo Dissidente (n√£o alinhado ao Anglicanismo do rei) vizinho dos Wollstonecrafts, que percebe o interesse dela por livros e a convida para frequentar a sua biblioteca.¬†

√Č na biblioteca de Clare que Wollstonecraft tem seu primeiro encontro com grandes nomes da filosofia. Em especial, ela fica muito impressionada pelos escritos de John Locke (1632-1704) contra a tirania. No retrato do tirano feito por Locke, a jovem identifica semelhan√ßas com o comportamento de seu pai (cf. Gordon, 2020). Inspirada pela defini√ß√£o de liberdade de Locke, ela decide assumir o governo de sua pr√≥pria vida. Isso significaria tomar decis√Ķes por conta pr√≥pria ‚ÄĒ e arcar com as consequ√™ncias. A coragem dela √© extra√≠da da teoria. Nas palavras da bi√≥grafa Charlotte Gordon:

‚ÄúMary extra√≠a coragem das teorias de Locke e das obras de Rousseau, que desenvolvia um pouco mais as ideias de Locke, argumentando que a liberdade era o que mais importava, e que a obedi√™ncia e a subordina√ß√£o eram sintomas de opress√£o social.‚ÄĚ (Gordon, 2020, p. 68).¬†

Wollstonecraft desde cedo j√° possu√≠a uma lucidez sobre sua condi√ß√£o social e as opress√Ķes dela decorrentes, mesmo que ainda n√£o pudesse nome√°-las apropriadamente. Oriunda de uma fam√≠lia de classe m√©dia trabalhadora, precocemente conjecturou sobre as suas possibilidades de subsist√™ncia. Como n√£o recebeu a heran√ßa deixada pelo av√ī paterno, seu destino seria o casamento ou empregos de pouco status e baixa remunera√ß√£o. Tendo clareza do que significava o casamento para uma mulher, isto √©, estar vulner√°vel a uma s√©rie de viol√™ncias, tal como aconteceu com sua m√£e, Wollstonecraft optou por buscar um emprego. Ela decidiu deixar a casa de seus pais e partiu para Bath, onde trabalhou como acompanhante. No entanto, por conta do adoecimento da m√£e, retornou para casa. Ap√≥s a morte da m√£e, Wollstonecraft permaneceu com suas irm√£s, acompanhando-as. Ao perceber que uma delas, Eliza, estava sofrendo viol√™ncia dom√©stica do marido, Wollstonecraft fugiu com ela, deixando o cunhado e o beb√™ para tr√°s. Com o intuito de ajudar as irm√£s financeiramente e ao mesmo tempo realizar um sonho, Wollstonecraft abre sua escola em Newington Green.¬†

A localiza√ß√£o √© um pedido de Hannah Burgh, vi√ļva de James Burgh (1714-1775), educador ingl√™s que pleiteou o sufr√°gio universal e a liberdade de express√£o. Hannah financia o projeto de Wollstonecraft, que toma lugar nessa vizinhan√ßa ao norte de Londres e que tamb√©m √© morada de proeminentes figuras pol√≠ticas da √©poca como, por exemplo, Richard Price (1723-1791), que se torna um importante mentor para Wollstonecraft. Pastor Dissidente, Price tinha ideias progressistas e era um ativista pol√≠tico, sempre reivindicando cidadania completa a todos, independente do sexo ou da classe social. Nele Wollstonecraft encontra inspira√ß√£o e amizade, principalmente pelo papel que ambos atribu√≠am √† educa√ß√£o. Reciprocamente, ele acompanha de perto Wollstonecraft e o seu projeto escolar.¬†

A escola em Newington Green tem em seu quadro de funcion√°rias as irm√£s de Wollstonecraft, Everina e Eliza, e a amiga de longa data, Fanny Blood (1758-1785). Embora nenhuma delas tenha uma forma√ß√£o que as qualificasse como professoras, elas sabem ler e escrever e a educa√ß√£o √© uma maneira digna de se ganhar algum dinheiro. Wollstonecraft se considera uma boa professora, pois √© ‚Äúpaciente, razo√°vel e afetuosa‚ÄĚ (Brody, 2000, p. 46). Divide entre suas irm√£s e a fam√≠lia de Fanny o dinheiro que angaria com a matr√≠cula dos alunos. O projeto educacional de Newington Green √© o de fomentar a autonomia de pensamento bem como tratar os alunos como indiv√≠duos dotados de vontade, raz√£o e experi√™ncias. Com respeito, ternura e misturando diferentes idades e ambos os sexos, Wollstonecraft fomenta a criatividade, a integridade e a autodisciplina. Todavia, a escola n√£o se sustenta por muito tempo por dois motivos. O primeiro, a falta de engajamento de Eliza e Everina. O segundo, o casamento de Fanny, que a levou a deixar a escola e se mudar para Portugal.¬†

Fanny Blood √© uma pessoa pela qual Wollstonecraft nutre grandes sentimentos. Amigas de longa data, Wollstonecraft n√£o mede esfor√ßos para ir at√© Fanny quando sabe que a amiga est√° com problemas na gesta√ß√£o. Wollstonecraft, ent√£o, se dirige at√© Lisboa para acompanhar o parto de Fanny. Complica√ß√Ķes decorrentes do parto foram o motivo da morte de Fanny, que deixa o marido e o filho rec√©m-nascido. Muito abalada pela morte da amiga, Wollstonecraft retorna a Londres e percebe que n√£o √© poss√≠vel que a escola permane√ßa funcionando, em fun√ß√£o do mal gerenciamento de suas irm√£s durante a sua aus√™ncia. Com a perda de Fanny e o fechamento da escola, John Hewlett (1762-1844) decide ajudar Wollstonecraft e a apresenta a Joseph Johnson (1738-1809), um editor londrino que sugere que ela escreva uma obra educacional, uma vez que j√° possui experi√™ncia na √°rea com pr√°ticas originais e progressistas. Ela acata a sugest√£o e o resultado desse incentivo √© Pensamentos sobre a Educa√ß√£o das Meninas [Thoughts on the Education of Daughters], publicado por Johnson, em 1786.

Embora a publica√ß√£o marque os primeiros passos de Wollstonecraft como escritora, essa atividade ainda n√£o √© capaz de custear as d√≠vidas que ela possui com o fechamento de sua escola. Para san√°-las, aceita uma posi√ß√£o de governanta na fam√≠lia do Lorde Kingsborough, assumindo a responsabilidade pela educa√ß√£o das filhas. Aqui √© importante notar que a vaidade e a superficialidade dos costumes que ela observa na casa dessa fam√≠lia s√£o, a seu ver, raz√£o para a corrup√ß√£o de qualquer possibilidade de virtude. Em poucos meses, ela os deixa, prometendo a si mesma nunca mais ‚Äútrabalhar em situa√ß√£o t√£o degradante‚ÄĚ (Wollstonecraft apud Gordon, 2020, p. 133).¬†

√Č nesse momento que ela recebe a proposta de Johnson para dedicar-se √† editora, trabalhando como resenhista na revista Analitycal Review. Em 1787 Wollstonecraft volta a Londres, onde se dedica exclusivamente a sua escrita. Come√ßa a escrever o conto Cave of Fancy [Caverna da Imagina√ß√£o] e a colet√Ęnea de textos de apoio para a educa√ß√£o feminina intitulada The Female Reader [Leitora Feminina]. √Č nesse per√≠odo que ela lan√ßa Original Stories from Real Life [Hist√≥rias Originais da Vida Real], inspirando-se em sua viv√™ncia na casa dos Kingsborough. As vendas deste √ļltimo foram um sucesso, garantindo a Wollstonecraft a possibilidade de se sustentar apenas com a sua escrita (cf. Brody, 2000, p. 66).¬†

√Ä medida que Wollstonecraft demonstra seus talentos para a escrita, Johnson confere a ela cada vez mais responsabilidades. Uma delas √© a tradu√ß√£o de obras educacionais em outros idiomas. Mais uma vez, Wollstonecraft demonstra habilidade autodidata: aprende os idiomas sozinha e realiza tradu√ß√Ķes de obras do franc√™s e do alem√£o. Um fato curioso das tradu√ß√Ķes feitas por Wollstonecraft √© o de que ela subverte alguns dos conte√ļdos presentes nas obras. Um exemplo dado por Charlote Gordon (2020, pp. 142-3) √© o da obra Moralisches Elementarbuch nebst einer Anleitung zum n√ľtzlichen Gebrauch desselben [no portugu√™s Elementos de moralidade para o uso de crian√ßas], do alem√£o Christian Salzmann (1744-1811), no qual Wollstonecraft reescreve passagens inteiras que se referem √† defesa da aristocracia e √† educa√ß√£o das meninas. Apenas recentemente essa interven√ß√£o foi notada. Essa estrat√©gia brilhante, como nota Gordon, j√° anuncia a posi√ß√£o da fil√≥sofa desde muito jovem: a de enfrentar teses de grandes escritores.¬†

Ainda que clandestinamente, atitudes como essa s√£o fundamentais dentro de sua carreira de escritora. Para Gordon (2020, p. 144), o fato de ningu√©m ter descoberto a interven√ß√£o de Wollstonecraft fez com que ela se encorajasse ainda mais para expressar suas opini√Ķes. Assim, ela caminha a passos largos para se tornar a grande fil√≥sofa reivindicat√≥ria, tanto da Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens (1790) como da Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher (1792).¬†

Wollstonecraft, agora como autora de obras not√°veis, √© tamb√©m frequentadora de espa√ßos que permitiriam encontros com pessoas como o fil√≥sofo anarquista William Godwin (1756-1836). Obstinada em observar de perto a Fran√ßa p√≥s-revolucion√°ria, Wollstonecraft se muda para Versalhes no final do ano de 1792. Nessa mudan√ßa, ela conhece Gilbert Imlay, norte-americano com quem tem sua primeira filha, Fanny ‚ÄĒ nome dado em homenagem a sua amiga. Nesse per√≠odo s√£o escritos e lan√ßados An Historical and a Moral View about the Origin and Progress of French Revolution [Uma Vis√£o Hist√≥rica e Moral sobre a Origem e o Progresso da Revolu√ß√£o Francesa] (1794) e Letters written during short residence in Sweden, Norwegen, and Denkmark [Cartas Escritas Durante uma Breve Resid√™ncia na Su√©cia, Noruega e Dinamarca] (1795).

Em 1795 ela volta a Londres e, apesar de ter conquistado boa parte dos seus anseios intelectuais, Wollstonecraft ainda tem que lidar com muitas perdas e complica√ß√Ķes da vida ordin√°ria, como √© o caso de ser abandonada por Imlay, que a deixa sozinha com a pequena Fanny. A tristeza a leva a tentar suic√≠dio e, felizmente, isso n√£o se concretiza. Johnson se reaproxima de Wollstonecraft e a traz novamente para o c√≠rculo intelectual dos Dissidentes. √Č nesse espa√ßo que Wollstonecraft se reencontra com William Godwin e se envolve romanticamente com ele.¬†

Ao engravidar pela segunda vez em 1797 e temerosa das consequ√™ncias pr√°ticas do abandono masculino ‚ÄĒ como foi o caso com Imlay ‚ÄĒ, Wollstonecraft casa-se com Godwin. A princ√≠pio, ambos moram em casas separadas e mant√™m uma vida independente. O nascimento da beb√™, que mais tarde ficaria famosa por ser a escritora de Frankenstein sob o pseud√īnimo de Mary Shelley, acontece no come√ßo de setembro de 1797. A rec√©m-m√£e acabou sucumbindo √†s complica√ß√Ķes do parto, vindo a falecer em 10 de setembro de 1797, em Londres.¬†

Al√©m das obras mencionadas, algumas obras receberam edi√ß√Ķes in√©ditas ou revisadas postumamente por William Godwin, tais como o conto The Cave of Fancy [Caverna da Imagina√ß√£o] (1787), a colet√Ęnea de textos The Female Reader: Or Miscellaneous Pieces in Prose and Verse; Selected from the Best Writers, and Disposed under Proper Heads; for the Improvement of Young Women [A leitora feminina: ou miscel√Ęnea de trechos em prosa e verso; sele√ß√Ķes dos melhores escritores e dispostas sob t√≠tulos apropriados; para o aperfei√ßoamento de jovens mulheres] (1789) e Mary, a Fiction [Mary, uma Fic√ß√£o] (1796).

Obra

Wollstonecraft √© uma escritora vers√°til, que transita entre diversos g√™neros textuais. Cartas, panfletos, hist√≥rias infantis, manual de conduta, romance e tratado filos√≥fico s√£o alguns deles. O estilo de escrita dela tamb√©m √© marcante, pois ela n√£o poupa o uso da ironia, do cotejamento direto das obras e da primeira pessoa. √Č uma escritora autodidata, que aperfei√ßoa o of√≠cio da escrita na medida em que desenvolve os seus trabalhos. √Č, tamb√©m uma escrita apaixonada e, em geral, feita no compasso da impress√£o: Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens e Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher, foram escritos e publicados em 3 e 6 semanas, respectivamente. A fim de facilitar uma introdu√ß√£o ao pensamento de Wollstonecraft, apresento alguns trabalhos selecionados divididos em dois grandes temas: pedag√≥gicos e pol√≠ticos, com destaque para a liberdade e opress√£o. No primeiro grupo, destacam-se as sugest√Ķes de Wollstonecraft para educa√ß√£o de crian√ßas e jovens e, no segundo grupo, as impress√Ķes, cr√≠ticas e sugest√Ķes referente aos direitos das mulheres, em especial, a educa√ß√£o.

  1. Escritos pedagógicos

A primeira publica√ß√£o de Wollstonecraft √© a obra Thoughts on the Education of Daughters: with reflexions about female conduct in the more importante duties of life [Pensamentos sobre a Educa√ß√£o das Meninas: com reflex√Ķes sobre a conduta feminina nos mais importantes deveres da vida] de 1786. Nessa obra, j√° √© poss√≠vel observar a forma√ß√£o de um tema perene no trabalho de Wollstonecraft: o desenvolvimento intelectual das mulheres e a necessidade de se rever como as meninas s√£o tratadas na sociedade. O destaque da obra √© a disputa da ideia do que seria uma Dama Adequada, isto √©, qual deveria ser o modelo ideal feminino a ser difundido atrav√©s da literatura de conduta. Outras obras, tais como A Father‚Äôs Legacy to his Daughters [Legado de um pai para suas filhas], do Dr. John Gregory (1724-1773), que s√£o mais conservadoras, advertiam que o papel das mulheres era apenas o de obedecer aos seus maridos e esbanjar docilidade. Wollstonecraft n√£o concorda com essa vis√£o e acredita que seria poss√≠vel conciliar a atividade do cuidado com o desenvolvimento intelectual. Mesmo que ela adote um padr√£o conservador de literatura ‚ÄĒ como √© o caso da literatura de conduta ‚Äď ela inova ao apresentar comportamentos diferentes do que eram esperados para as mulheres, como a escrita, a leitura e a elabora√ß√£o de opini√Ķes pr√≥prias (cf. Bonfim, 2021).¬†¬†

¬†A segunda publica√ß√£o de Wollstonecraft, Original Stories from Real Life; with Conversations Calculated to Regulate the Affections and Form the Mind to Truth and Goodness [Hist√≥rias Originais da Vida Real; com Di√°logos Planejados para Regular os Afetos e Formar a Mente para a Verdade e a Bondade] de 1787, √© voltada para o p√ļblico infantil, composta por pequenas hist√≥rias que t√™m alguma li√ß√£o a ser ensinada, tal como caridade, paci√™ncia e respeito aos animais. Desde a introdu√ß√£o, Wollstonecraft deixa claro que o intuito do livro √© o de apresentar as situa√ß√Ķes forjadas que servem para que as crian√ßas aprendam atrav√©s delas, uma vez que exemplos s√£o mais eficientes para o ensino infantil do que apenas teoria. A grande inova√ß√£o de Hist√≥rias Originais da Vida Real √© ter duas meninas no centro do processo de aprendizagem, sem se limitar a ensinar-lhes ‚Äúcoisas de meninas‚ÄĚ. Wollstonecraft faz quest√£o de que suas personagens, Mary e Caroline, aprendam tudo o que deveria ser acess√≠vel a qualquer ser humano, independente do sexo biol√≥gico e de suas implica√ß√Ķes. Hist√≥rias Originais da Vida Real se manteve como uma obra essencial no aconselhamento sobre o desenvolvimento moral infantil por quase cinquenta anos (Gordon, 2020, p. 141).¬†

J√° Mary, a Fiction (1787) [Mary, uma Fic√ß√£o] √© um romance com elementos autobiogr√°ficos. A personagem principal demonstra ag√™ncia sobre suas a√ß√Ķes, bem como contraria o que √© esperado de uma mulher ‚ÄĒ sendo, por exemplo, uma figura oposta √† Sofia, personagem de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) (cf. Wollstonecraft, 2004, p. 5). Assim como em Pensamentos sobre a Educa√ß√£o das Meninas, nessa obra Wollstonecraft tamb√©m demarca a sua posi√ß√£o antag√īnica ao que era socialmente esperado das mulheres, como √© o caso do casamento e do desenvolvimento da raz√£o. Inclusive, √© por ter aprendido a refletir que a personagem Mary √© t√£o melanc√≥lica no decorrer da hist√≥ria: ela n√£o consegue compreender o motivo do casamento compuls√≥rio para as mulheres ‚ÄĒ e no caso dela, arranjado. Ela resiste em permanecer fechada em casa e busca alternativas, como viagens e intera√ß√Ķes sociais. No entanto, o romance acaba com Mary casada e dependente de seu marido. A frase que fecha o romance imagina um mundo em que h√° outras cen√°rios poss√≠veis para as mulheres: ‚Äúela pensou estar se apressando para um mundo onde n√£o ter√° de se casar nem ceder ao casamento‚ÄĚ (Wollstonecraft, 2004, p. 53)

2. Escritos políticos 

Wollstonecraft inicia a tem√°tica de equidade social na obra Vindication of the Rights of Men [Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens], de 1790. Em formato de carta, cujo remetente √© Edmund Burke e as suas Reflex√Ķes sobre a Revolu√ß√£o Francesa (1790), Wollstonecraft aborda temas como a import√Ęncia da raz√£o no governo das paix√Ķes, a virtude como sustent√°culo social e uma fervorosa oposi√ß√£o √† escravid√£o.

√Č importante destacar que a oposi√ß√£o que Wollstonecraft marca com rela√ß√£o √† Burke √© dupla, isto √©, √© de ordem est√©tica e pol√≠tica. √Č est√©tica porque ela se op√Ķe ao uso de uma ret√≥rica floreada, que Burke utiliza ao apelar para o sentimentalismo de seus leitores e n√£o √† racionalidade deles. De acordo com Wollstonecraft, a ‚Äúindigna√ß√£o‚ÄĚ que ela diz sentir ao ler a obra de Burke ‚Äúfoi despertada pelos argumentos sof√≠sticos‚ÄĚ, que a cada momento atravessavam-na, ‚Äúna forma question√°vel de sentimentos naturais e bom senso‚ÄĚ (Wollstonecraft, 1993, p. 3). Al√©m disso, √© uma oposi√ß√£o pol√≠tica porque Wollstonecraft questiona Burke sobre a defesa que ele faz de determinada organiza√ß√£o social, na qual o costume e a tradi√ß√£o funcionam como embasamento das leis.¬†

Por exemplo, em determinado ponto de Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens, ao recusar obedi√™ncia cega aos reis ‚ÄĒ defendida por Burke como uma ‚Äúconstitui√ß√£o moral [oriunda] do cora√ß√£o‚ÄĚ ‚ÄĒ Wollstonecraft argumenta que os governantes merecem respeito e n√£o devo√ß√£o de seus s√ļditos. Ela tamb√©m defende a separa√ß√£o entre a raz√£o e as paix√Ķes. As paix√Ķes de in√≠cio n√£o s√£o nem boas nem ruins, por√©m devem ser submetidas √† raz√£o a fim de garantir que colaborem no aperfei√ßoamento da virtude das pessoas (1993, p. 31). Dessa maneira, ao contr√°rio do que Burke defende, n√£o deve ser tarefa das paix√Ķes ditar a moral, mas da raz√£o.¬†

A razão, em constante aperfeiçoamento, permite que a moral fique cada vez mais adequada. Um exemplo é a escravidão. Wollstonecraft rebate Burke afirmando que, em algum momento da história, o tráfico de pessoas foi amparado pela lei e pela moral, porém, não deve mais ser tolerado de modo algum, pois não é racionalmente justificável que um ser humano seja considerado uma propriedade e que seja impedido de ser livre (cf.: 1993, p. 51). 

A questão de determinada moral que não faz mais sentido também figura nas páginas de Reivindicação dos Direitos da Mulher, onde, no entanto, como já sugere o título, ela é especificada para o caso das mulheres. Inspirada por Catharine Macaulay, Wollstonecraft argumenta que o pacto social não é justo pois não é esperado que homens e mulheres tenham a mesma conduta em termos de aperfeiçoamento das virtudes (cf. Wollstonecraft, 2016, p. 219). Em especial, ela salienta que os costumes e a tradição ditam como as mulheres deveriam se portar, não em termos de virtudes, isto é, qualidades que elevam o ser moral, mas sim em virtudes negativas que ditam comportamentos e outras qualidades efêmeras, tais como a beleza física. 

Com o objetivo de nivelar o terreno sobre o qual devem se assentar as virtudes, Wollstonecraft estabelece um princ√≠pio que serve de alicerce para o seu argumento pela equidade feminina. Raz√£o, virtude e conhecimento, para ela, s√£o as ‚Äúverdades mais simples‚ÄĚ (Wollstonecraft, 2016, p. 31) e devem ser as reguladoras do aperfei√ßoamento. Atuando de maneira conjunta, essas concep√ß√Ķes devem amparar o desenvolvimento humano ‚ÄĒ que acontece pelo interm√©dio da educa√ß√£o. Todos os seres humanos ‚ÄĒ independentemente de acidentes externos, isto √©, aspectos biol√≥gicos, geogr√°ficos e sociais ‚ÄĒ, s√£o dotados de raz√£o, e possuem a capacidade de serem virtuosos, mesmo que em diferentes graus. A humanidade como um todo pode adquirir conhecimentos que, quando acumulados, tornam-se experi√™ncia. Acontece que Wollstonecraft constata que as mulheres n√£o s√£o inclu√≠das nessa ideia de humanidade, uma vez que s√£o tratadas de modo diferente pelo Estado, pelas Constitui√ß√Ķes e pelos te√≥ricos.¬†

Se em Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens Wollstonecraft tem como oponente Edmund Burke, em Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher esse oponente √© Jean-Jacques Rousseau, especificamente sobre o que ele escreveu na obra Em√≠lio ou da Educa√ß√£o (1762). √Č fato que ela partilha de v√°rias das posi√ß√Ķes de Rousseau. No entanto, como bem define Barbara Taylor (2017), em Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher, Wollstonecraft √© mais uma ‚Äúdisc√≠pula enfurecida do que uma inimiga intelectual‚ÄĚ do genebrino (p. 216). E o motivo da f√ļria de Wollstonecraft √© o modo com que Rousseau constr√≥i a personagem Sofia, esposa de Em√≠lio, que, embora cativante, √©, de acordo com Wollstonecraft, totalmente ‚Äúinatural‚ÄĚ (2016, p. 45). Em especial Wollstonecraft tamb√©m se indisp√Ķe com o modo com o qual Rousseau trata da faculdade racional no caso das mulheres. Para ele, a capacidade de raz√£o das mulheres √© apenas de ordem pr√°tica, isto √©, seriam incapaz de abstrair e generalizar. Nas palavras dele:¬†

‚ÄúA procura das verdades abstratas e especulativas, dos princ√≠pios, dos axiomas nas ci√™ncias, tudo o que tende a generalizar as ideias n√£o √© da compet√™ncia das mulheres, seus estudos devem todos voltar-se para a pr√°tica; cabe a elas fazerem a aplica√ß√£o dos princ√≠pios que o homem encontrou, e cabe a elas fazerem as observa√ß√Ķes que levam o homem ao estabelecimento de tais princ√≠pios.‚ÄĚ (Rousseau, JJ. Em√≠lio ou da Educa√ß√£o. S√£o Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 565)¬†

Para Wollstonecraft, ao promover essa raz√£o deficiente, Rousseau forja um ser quim√©rico e afasta as mulheres da possibilidade de adquirir conhecimento, tendo como consequ√™ncia a impossibilidade de o g√™nero feminino alcan√ßar a virtude. Nesse sentido, ela afirma que a const√Ęncia e a virtude, que Rousseau alega n√£o serem da al√ßada feminina, de fato ser√£o vetadas √†s mulheres enquanto elas estiverem sujeitas a um sistema de educa√ß√£o que visa formar seres pela metade e n√£o em desenvolv√™-las como seres humanos integrais. Wollstonecraft questiona: como ‚Äúp√īde Rousseau esperar que elas [as mulheres] fossem virtuosas e constantes, quando n√£o √© permitido que a raz√£o seja o fundamento de sua virtude nem a verdade o objeto de suas indaga√ß√Ķes?‚ÄĚ (Wollstonecraft, 2016, p. 121). O erro de Rousseau √© deter-se entre os seus pr√≥prios sentimentos, que ofuscaram suas virtudes e fizeram de sua imagina√ß√£o uma faculdade f√©rtil demais. O resultado √© a manuten√ß√£o de um sistema que mais oprime do que promove as mulheres, atrasando n√£o s√≥ o desenvolvimento delas mas o da sociedade como um todo:¬†

‚ÄúTodos os erros do pensamento de Rousseau, por√©m, surgiram da sensibilidade, e as mulheres est√£o sempre prontas a perdoar a sensibilidade a seus encantos! Quando deveria ter raciocinado, ele tornou-se apaixonado, e a reflex√£o inflamou sua imagina√ß√£o, em vez de iluminar seu entendimento. At√© mesmo suas virtudes levaram-no a conclus√Ķes err√īneas; tendo nascido com uma constitui√ß√£o calorosa e uma imagina√ß√£o f√©rtil, ele foi levado pela natureza at√© o outro sexo com uma inclina√ß√£o t√£o √°vida que logo se tornou lascivo. Se tivesse dado vida a esses desejos, o fogo teria se extinguido de maneira natural, mas a virtude e uma esp√©cie rom√Ęntica de delicadeza o fizeram praticar a abnega√ß√£o; ainda assim, quando o medo, a delicadeza ou a virtude o restringiram, ele abusou de sua imagina√ß√£o e, refletindo sobre as sensa√ß√Ķes √†s quais a fantasia deu for√ßa, ele as tra√ßou com as cores mais resplandecentes e as afundou no mais profundo de sua alma.‚ÄĚ (Wollstonecraft, 2016, p. 121)

A postura cr√≠tica que Wollstonecraft assume com rela√ß√£o ao modelo feminino rousseauista permite com que ela imagine outras possibilidades para as mulheres para al√©m do espa√ßo dom√©stico, como, por exemplo, a possibilidade de se tornarem profissionais da sa√ļde, (cf. 2016, p. 228) e at√© representarem outras mulheres politicamente (cf. 2016, p. 190). Wollstonecraft busca, desde Pensamentos sobre a Educa√ß√£o das Meninas (1786), estender √†s mulheres aquilo que Rousseau defende no Em√≠lio, mas restringe aos homens. Em poucas palavras, ela tem por objetivo proporcionar √†s meninas uma educa√ß√£o que desenvolva h√°bitos de virtude e autonomia, e que seja capaz de garantir a perfectibilidade da raz√£o de todos os seres humanos, sem distin√ß√£o.¬†

A quest√£o da perfectibilidade da raz√£o √© um importante argumento tanto em Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens como em Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher. ¬†O dever de desenvolvimento da raz√£o ganha relev√Ęncia na Reivindica√ß√£o de 1792, ao partir de um quadro te√≥rico-metaf√≠sico, no qual Wollstonecraft afirma que homens e mulheres possuem uma raz√£o a desenvolver, cujo prop√≥sito deve ser a perfectibilidade, isto √©, o aperfei√ßoamento da faculdade de raz√£o. A consequ√™ncia desse aperfei√ßoamento vai desde o plano pessoal at√© o social. Por serem perfect√≠veis, os seres humanos devem se desenvolver e √© papel de um Estado que √© virtuoso garantir isonomia entre os cidad√£os ‚ÄĒ independentemente do sexo, para que esse objetivo comum seja atingido¬†

¬†Embora em Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher Wollstonecraft passe muito rapidamente sobre o papel do Estado para o desenvolvimento das virtudes dos indiv√≠duos, √© em An Historical and a Moral View of the Origin and Progress of French Revolution [Uma Vis√£o Hist√≥rica e Moral da Origem e Progresso da Revolu√ß√£o Francesa] (1794), que ela desenvolve uma tese fundacionista da sociedade, bem como extrai diagn√≥sticos sobre a condi√ß√£o na qual se encontram tanto a Fran√ßa quanto a Inglaterra ap√≥s a Revolu√ß√£o de 1789.¬† √Č nessa obra, tamb√©m, que ela p√īde se deter em explicar como as formas de governo impactam na capacidade de virtude de uma popula√ß√£o. Por exemplo, ao favorecer os mais ricos e n√£o proteger os mais pobres e vulner√°veis, para Wollstonecraft, o Estado estaria indo de encontro a um de seus princ√≠pios mais fundamentais. De acordo com ela:

‚ÄúTendo a natureza tornado os homens desiguais, dando poderes f√≠sicos e mentais mais fortes a uns do que aos outros, o objetivo do governo deveria ser destruir essa desigualdade protegendo os fracos. Em vez disso, sempre se inclinou para o lado oposto, desgastando-se por desconsiderar o primeiro princ√≠pio de sua organiza√ß√£o.‚ÄĚ (Wollstonecraft, 1993, p. 289).

O que Wollstonecraft defende √© que os governos sejam justos no trato com os seus cidad√£os, n√£o permitindo que poderes individuais impliquem na diminui√ß√£o do bem-estar geral. O papel do governo seria o de garantir que ningu√©m tivesse um poder maior do que outra pessoa baseando-se apenas em elementos heredit√°rios. E √© nessa dire√ß√£o que em Uma Vis√£o Hist√≥rica e Moral ela reitera o que j√° afirmara em Reivindica√ß√£o dos Direitos dos Homens: a faculdade da raz√£o e n√£o o costume deveria ser a base das leis civis. Comparado √† Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher, Uma Vis√£o Hist√≥rica e Moral mant√©m a ideia de que a raz√£o, e n√£o o decoro ou a tradi√ß√£o, deve guiar a mulher em suas decis√Ķes da vida privada e p√ļblica. Em suma, a raz√£o √© um tema perene que possui um papel central na literatura de Wollstonecraft, sendo a pedra angular que embasa uma perspectiva tanto do ponto de vista generificado (isto √©, do sexo biol√≥gico) quanto da esp√©cie humana.¬†

‚ÄúPara fazer com que a humanidade seja mais virtuosa e, claro, mais feliz, ambos os sexos devem agir de acordo com os mesmos princiŐĀpios; mas como isto pode ser esperado quando apenas a um deles se permite enxergar a razoabilidade desses princiŐĀpios? Para fazer com que o pacto social seja verdadeiramente equitativo e a fim de difundir esses princiŐĀpios esclarecedores, os uŐĀnicos capazes de melhorar o destino do homem, deve-se permitir aŐÄs mulheres que lancem os alicerces de sua virtude no conhecimento, o que eŐĀ muito pouco possiŐĀvel, a naŐÉo ser que sejam educadas com as mesmas atividades que os homens.‚ÄĚ (Wollstonecraft, 2016, p. 223-4)

Legado

A meu ver, a vida e a obra de Wollstonecraft se confundem, encontrando-se nos momentos de revolta e coragem. H√° um enorme senso de responsabilidade com o contexto hist√≥rico e amor √† liberdade. Wollstonecraft n√£o recebeu o merecido reconhecimento de seus pares contempor√Ęneos, permanecendo assim por todo s√©culo XIX. J√° durante o s√©culo XX, ainda que seja retomada pelas sufragistas, ela fica √† margem dos estudos acad√™micos. No Brasil, apenas em 2016 ela √© retomada como uma te√≥rica pol√≠tica, ao ter uma obra traduzida para a l√≠ngua portuguesa, a Reivindica√ß√£o dos Direitos da Mulher. Por ora, aguardamos outras tradu√ß√Ķes para o portugu√™s de suas obras para a amplia√ß√£o dos estudos.

Os escritos wollstonecraftianos ainda permanecem atuais e tanto sua obra quanto sua vida servem de inspiração para a contínua luta pelo reconhecimento dos direitos das mulheres. Que ecoem seus conselhos sobre enfrentar os desafios no caminho para a emancipação:

‚ÄúN√£o deixe que algumas pequenas dificuldades a intimidem, eu imploro; ‚ÄĒ enfrente quaisquer obst√°culos em vez de submeter-se a um estado de depend√™ncia ‚ÄĒ digo isso do fundo do cora√ß√£o. ‚ÄĒ J√° senti o peso e gostaria que voc√™ o evitasse de todas as formas.‚ÄĚ (Wollstonecraft apud Gordon, 2020, p. 88).

Referências

Obras de Wollstonecraft

Traduzidas

Wollstonecraft, M (2016). Reivindicação dos Direitos da Mulher. Tradução de Ivania Pocinho Motta. 1. ed. São Paulo: Boitempo Editorial.

Ainda n√£o traduzidas

Wollstonecraft, M (1993). A Vindication of the Right of Men and A Vindication of the Rights of Woman. Oxford: Oxford University Press.

Wollstonecraft, M (2018a). Thoughts on the Education of Daughters. Altenmuster: Jazzy Bee.

Wollstonecraft, M (2018b). Original Stories from Real Life; with Conversations Calculated to Regulate the Affections, and Form the Mind to Truth and Goodness. Altenmuster:

Jazzy Bee.

Wollstonecraft, M (2004). Mary and Maria. Nova York: Peckering and Chatto.

Wollstonecraft, M (2009). Letters written in Sweden, Norway, and Denmark. Oxford: Oxford University Press.

Sobre a vida de Wollstonecraft

Todd, J (2000). Mary Wollstonecraft: a Revolutionary Life. Nova York: Columbia University Press.

Todd, J (org.) (2003). The Collected Letters of Mary Wollstonecraft. Nova York: Columbia University Press. 

Brody, M (2000). Mary Wollstonecraft: mother of women’s rights. Oxford & Nova York: Oxford University Press. 

Godwin, W (1797). Memoirs of the author of Vindication of Rights of Woman, Londres.

Gordon, C (2020). Mulheres Extraordinárias: As Criadoras e a Criatura. Rio de Janeiro: Dark Side. 

Wolf, V (2015). ‚ÄúQuatro figuras: Mary Wollstonecraft‚ÄĚ. In: Wolf, V. O valor do riso e outros ensaios (p. 221-229). S√£o Paulo: Cosac Naify.

Sobre a obra de Wollstonecraft

Bergès, S (2013). The Routledge Guidebook to Wollstonecraft’s A Vindication of the Rights of Woman. New York: Routledge. 

Bergès, S & Coffee, A (orgs.) (2016). The Social and Political Philosophy of Mary Wollstonecraft. Oxford: Oxford University Press. 

Bergès, S. Botting, E. H. & Coffee, A (orgs.) (2019) The Wollstonecraftian Mind. New York: Routledge. 

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Halldenius, L (2015). Mary Wollstonecraft and Feminist Republicanism: independence, rights, and the experience of unfreedom. Londres: Pucking and Chatto.

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Miranda, A. R (2010). Mary Wollstonecraft e a reflexão sobre os limites do pensamento liberal e democrático a respeito dos direitos femininos (1759-1797). (Dissertação de mestrado em história) Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

Miranda, A. R (2017). Proto-feministas na Inglaterra setecentista: Mary Wollstonecraft, Mary Hays e Mary Robinson. Sociabilidade, subjetividade e escrita de mulheres. (Tese de Doutorado em História) Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

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Nunes, S. B. M. (2021). Resenha de ‚ÄúPensamentos sobre a Educa√ß√£o das Meninas‚ÄĚ. Blogs de Ci√™ncia da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia, 7, (2), pp. 11-21. Dispon√≠vel aqui. Acesso em 25 de mar√ßo de 2022.

Rodrigues, A. P. A. F (2011). O despertar da Consciência Cívica Feminina: Identidade e valores da pedagogia feminina de finais do século XVIII. (Tese de doutorado em estudos de literatura e de cultura) Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa.

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Taylor, B (2003). Mary Wollstonecraft and the feminist imagination. Cambridge: Cambridge University Press.

Taylor, N. F (2007). The Rights of Woman as Chimera: the Political Philosophy of Mary Wollstonecraft. Nova York & Londres: Routledge, 2007.

Outros materiais

The Wollstonecraft Society. Organização sem fins lucrativos. Londres. https://www.wollstonecraftsociety.org/ 

PPGFIL/UFPI. Di√°logos Filos√≥ficos com Yara Frateschi: ‚ÄúCatharine Macaulay e Mary Wollstonecraft contra Jean Jacques Rousseau‚ÄĚ. Youtube. 06 de agosto de 2021. Dispon√≠vel aqui.¬†

Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Mulheres leem Mulheres: Sarah Bonfim lê Mary Wollstonecraft. 06 de novembro de 2021. Disponível aqui. 

Boitempo. Mary Wollstonecraft e o documento fundacional do Feminismo: atualidades e limites. Debate com Eunice Ostrensky e Maria Lygia Quartim de Moraes e mediação de Sarah Bonfim. 07 de março de 2022. Disponível aqui.