Marguerite Porete

(? – 1310)

por Maria Simone Marinho Nogueira, professora associada 

do departamento de Filosofia e professora permanente do Programa de 

Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade da Universidade Estadual da Paraíba РLattes

PDF – Marguerite Porete

Manuscrito de Marguerite Porete, retirado de: https://commons.m.wikimedia.org/

Vida

Pouco se sabe sobre a vida de Marguerite Porete. Para alguns dados √© preciso recorrer a tr√™s fontes: os Autos do Processo da Inquisi√ß√£o, onde se l√™ que ela foi condenada √† fogueira como herege, recidiva, relapsa e impenitente (Cf. Fredericq,1889); algumas cr√īnicas da √©poca (Cf. Verdeyen, 1986) e o livro escrito por ela, O espelho das almas simples. Pelos Autos sabe-se que ela foi queimada em 1 de junho de 1310, na Pra√ßa de Gr√®ve, em Paris. Tamb√©m que era de Hainaut (na regi√£o da Picardia, que hoje encontra-se entre a Fran√ßa e a B√©lgica) e o seu nome e sobrenome, embora Sean Field (2012, p. 28) chame aten√ß√£o sobre isso, uma vez que as Atas se referem a ela como ‚ÄúMarguerite chamada a Porete‚ÄĚ e n√£o simplesmente ‚ÄúMarguerite Porete‚ÄĚ, o que n√£o indicaria uma afilia√ß√£o familiar no sentido forte do termo. De qualquer forma, foi assim que ela ficou conhecida.

Pelas Atas da Inquisi√ß√£o, igualmente, tem-se conhecimento de que n√£o se tratava do primeiro processo que ela sofria. O primeiro foi feito pelo Bispo de Cambrai, Guy de Colmieu, que pro√≠be Porete de divulgar seu livro, o que n√£o ocorre, pois ela n√£o s√≥ continua divulgando-o oralmente, como providencia mais c√≥pias e as envia para tr√™s autoridades religiosas cujos nomes encontram-se no final do seu livro (Frei John di Querayn, franciscano; Dom Franco, cisterciense, e Goffredo de Fontaines, te√≥logo da Sorbonne). J√° nas Cr√īnicas, v√™-se que ela se manteve fiel ao seu ensinamento, conduzindo-se nobremente para o pat√≠bulo, fazendo chorar muitos dos que ali estavam. Pelo seu livro tem-se acesso a algumas informa√ß√Ķes, inclusive, como anuncia na can√ß√£o de abertura, que os te√≥logos e outros cl√©rigos n√£o o entender√£o se n√£o procederem com humildade.

Talvez, o livro de Marguerite Porete seja o espelho mais cristalino de sua pr√≥pria vida, pois tudo parece girar em torno dele, desde as c√≥pias que a pr√≥pria Porete se encarrega de fazer, passando pelas muitas tradu√ß√Ķes e difus√£o que ele teve (mesmo depois de condenado), at√© as muitas refer√™ncias autorais nele encontradas. Come√ßando pelas c√≥pias, que n√£o se limitaram √†s tr√™s que enviou para as autoridades acima (pois parece que n√£o foram as √ļnicas feitas), elas revelam a condi√ß√£o financeira que Porete tinha, o que indica que ela ou pertencia √† nobreza ou vinha de uma fam√≠lia abastada, se se levar em conta os altos custos para a produ√ß√£o e reprodu√ß√£o de um livro naquela √©poca. Al√©m disso, seu n√≠vel de educa√ß√£o tamb√©m indica seu status social, pois, como escreve Barbara Newman: ‚ÄúOnde quer que ela tenha vivido, deve ter sido uma mulher de posses. Essa conclus√£o se d√°, n√£o somente por sua alfabetiza√ß√£o, sua extensa forma√ß√£o teol√≥gica e sua familiaridade com o discurso cort√™s, mas tamb√©m, materialmente, pelo custo do pergaminho‚ÄĚ (2016, p. 616).¬†

Quanto às referências autorais, sabe-se, por exemplo, que ela se dirige, muito consciente da sua escrita, aos seus ouvintes/leitores. Também que, quando reflete sobre os limites da linguagem, o faz, na maioria das vezes, em relação à sua experiência mística. Ainda, no Capítulo 52, quando ela usa a expressão preciouse marguerite, numa fala da personagem Amor, pode, ainda que discretamente, estar assinando a sua obra, ou seja, colocando ali uma marca autoral (Cf. Schwartz, 2008, n. 6, p. 102). Outro aspecto apresentado diz respeito ao nome Autora que Porete coloca em meio às personagens do livro. 

Além das marcas autorais que se pode encontrar também por meio de elementos intertextuais, a vida de Porete vai aparecendo aos poucos na sua obra. Por exemplo, quando ela aponta para o seu próprio papel como escritora (no Prólogo e sobretudo na segunda parte de O Espelho). No Prólogo, Marguerite Porete se apresenta como a que escreve o livro (como personagem) e como a autora. Além disso, ao longo da obra, fala que passou por determinados testes, aborda a questão da incompreensão por partes de alguns das palavras que escreve, remete para o conflito entre as duas igrejas (Santa Igreja, a grande e Santa Igreja, a pequena [a Instituição]) e uma série de outros elementos que podem ser lidos como marcas autorais daquela que escreve.

Por fim, ao fazer a op√ß√£o de escrever em vern√°culo (seu livro foi escrito em picardo e este texto original se perdeu, restando uma c√≥pia do escrito em m√©dio-franc√™s), Porete afasta-se da institui√ß√£o marcada pelas hierarquias e realiza o seu percurso de forma livre, alcan√ßando, tamb√©m, as pessoas que n√£o sabiam latim, mesmo considerando o pequeno n√ļmero de pessoas que sabiam ler e escrever na Idade M√©dia. Tamb√©m √© importante destacar que, apesar de haver v√°rias c√≥pias de O Espelho, em diferentes l√≠nguas, o livro circulou como an√īnimo at√© meados do s√©culo XX, quando, em 1944, Romana Guarnieri descobre e restitui a sua autoria a Marguerite Porete.

 

Contexto religioso, intelectual e cultural

O contexto intelectual, cultural e religioso onde se situa Marguerite Porete é fruto do chamado Renascimento que ocorre no século XII e que tem como algumas características o desenvolvimento das cidades, o conhecimento do Oriente em parte favorecido pelas Cruzadas, a profusão de escolas monacais, episcopais e palatinas, assim como o surgimento das universidades e os trovadores e trobairitz com sua literatura cortês. Ademais, para muitas estudiosas e estudiosos, o século XII representa o nascimento do sujeito que ganha força e definição no século XIII, sobretudo com a escrita mística feminina. Como afirma Régnier-Bohler (1990, p. 536), ao falar sobre uma expressão do eu na literatura, é no campo da espiritualidade feminina que a escrita, realmente individualizada, vai surgir, e isso ocorre a partir do século XII, tendo seu ápice nos séculos XIII e XIV.

O s√©culo XIII √© tamb√©m o per√≠odo √°ureo da Escol√°stica e todo movimento que ela inclui, seja no que diz respeito ao m√©todo, seja no que concerne aos modelos de escrita produzidos pelos professores das escolas e das universidades. Paralelo a essas coisas da escola, ocorrem dois outros acontecimentos igualmente importantes no s√©culo XIII: as Ordens Mendicantes, que ganham for√ßa, sobretudo a Dominicana e a Franciscana, respons√°veis pelas orienta√ß√Ķes espirituais das Beguinas e dos Begardos, respectivamente, e o movimento das Beguinas. Os dois movimentos est√£o na esteira do Renascimento do s√©culo XII, que faz renascer, tamb√©m, um clima de espiritualidade mais pr√≥ximo da vida apost√≥lica e, portanto, fundamentado no ideal de pobreza e de tudo que este ideal apresenta em paralelo com a institui√ß√£o religiosa.¬†

Interessante destacar, que no Concílio de Viena (1311-1312) foram condenados alguns erros das Beguinas e dos Begardos e o processo contra Marguerite Porete foi amplamente utilizado para esse fim. Importante informar, também, que o livro de Porete foi julgado por uma comissão composta por vinte e um teólogos, dentre os quais se encontravam representantes das Ordens Mendicantes. Aliás, foi um Dominicano, Guglielmo Humbert, chamado de Guglielmo de Paris, o inquisidor responsável pelo processo de Porete. 

Apesar disso, √© preciso lembrar a importante parceria que houve entre homens e mulheres no s√©culo XIII, pois, se as mulheres, por um lado, estavam afastadas dos espa√ßos de poder da igreja, n√£o tendo na maioria das vezes nem mesmo autoriza√ß√£o para pregar em p√ļblico; por outro lado, foi esta mesma igreja, com alguns dos seus religiosos, que possibilitou √†s mulheres muito da instru√ß√£o que tiveram, acesso aos livros e, principalmente, um di√°logo importante, numa coopera√ß√£o m√ļtua. Tal rela√ß√£o foi mais complexa do que se pode imaginar, e ilustra√ß√Ķes dessa coopera√ß√£o podem ser vistas no livro de Bernard McGinn (2017), O florescimento da m√≠stica: homens e mulheres da nova m√≠stica (1200-1350).

Esta parceria, ali√°s, pode ser percebida no outro acontecimento importante que ganha for√ßa, sobretudo no s√©culo XIII, o surgimento das Beguinas, j√° que Jacques (ou Tiago) de Vitry (‚Ć1240) escreve a vida daquela que pode ser considerada, como afirma McGinn, o arqu√©tipo das primeiras etapas da vida beguina, Marie de Oignies (1176-1213). Quer dizer, a vida dela, escrita por Jacques de Vitry, ‚Äúera um manifesto em favor da nova forma de vida beguina e de sua piedade m√≠stica‚ÄĚ (McGinn, 2017, p. 64). Tamb√©m √© em McGinn que se l√™: ‚ÄúSendo mulher, Maria podia pregar s√≥ pelo exemplo e pela ‚Äúpalavra de exorta√ß√£o‚ÄĚ; em Tiago, ela encontrou seu porta-voz oficial, como dizem que ela afirmou no leito de morte‚ÄĚ (Idem, p. 63).¬†

Marie de Oignies nasceu em Nivelles, na diocese de Lìege, na Bélgica, onde exatamente surge o Movimento das Beguinas a partir do final do século XII. Ele se desenvolveu nos Países Baixos (Holanda e Bélgica), mas logo se estendeu para países como França, Itália, Alemanha e Espanha. Trata-se de um movimento inserido no horizonte de renovação da vida religiosa e era feito por mulheres que buscavam novas formas de viver suas espiritualidades. 

Essas mulheres eram autossuficientes, pois viviam dos trabalhos feitos nas beguinagens, que as acolhiam independentemente das classes √†s quais pertenciam, assim como o estado civil que tinham: solteiras, casadas, vi√ļvas. Elas se encontravam unidas em ora√ß√£o, apoio aos mais necessitados (trabalho de caridade), trabalhos manuais, leitura da B√≠blia e algumas tamb√©m exerciam o ensino a outras meninas e mulheres (ler e escrever). No entanto, como esclarece Ceci Mariani, ‚Äú[…] √© um movimento que permanece marginal, fora do controle institucional, pois n√£o obedecia a uma regra aprovada‚ÄĚ (2011, p. 59).¬†

A própria Marguerite Porete, uma beguina (Cf. Field, 2012), deixa claro no seu livro, em uma amálgama de autora/escritora/personagem, como ela professa sua religião e obedece às suas regras (Cf. Cap. 137) e, ainda, como se lê no Cap. 85: 

Esta Alma tem por herança sua perfeita liberdade, cada uma das partes do seu brasão tem sua plena pureza. Ela não responde a ninguém, se ela não quiser e se não for alguém de sua linhagem. Pois um nobre não deve considerar responder a um vilão, se ele o chama ou o convida ao campo de batalha. E porque não encontra tal Alma quando a chama, seus inimigos não têm dela nenhuma resposta (Porete, 1986, pp. 6-11).

Como se percebe, o contexto em que Marguerite Porete está inserida é o proporcionado pelo Renascimento do século XII, onde ocorre o crescimento das cidades; o surgimento de novas ordens religiosas, a criação de escolas e universidades; a literatura cortês, que exerce sobre ela uma influência importante, como pode ser visto na passagem acima, com os termos herança, brasão, linhagem, nobre, vilão, batalha; e um maior desejo das mulheres por viver uma nova espiritualidade, não necessariamente dentro de uma ordem religiosa aprovada. 

Al√©m do mais, como tamb√©m se pode ler na cita√ß√£o acima, v√™-se, sobretudo nos escritos das mulheres do s√©culo XIII, como Porete, por exemplo, uma escrita de si, j√° que dados autobiogr√°ficos s√£o encontrados nesses textos e, sobretudo, por ali, na maioria das vezes, encontrar-se a reflex√£o sobre um percurso m√≠stico realizado. Neste percurso os textos m√≠sticos se tornam um espa√ßo n√£o apenas para a abordagem de temas religiosos, mas tamb√©m pol√≠tico-sociais. N√£o √† toa, a afirma√ß√£o de Peter Dronke de que as mulheres daquele s√©culo ‚Äú[…] falavam em seu pr√≥prio nome. N√£o s√£o profetisas, mas mentes apaixonadas, frequentemente angustiadas. A beleza dos seus escritos est√° relacionada √† sua vulnerabilidade‚ÄĚ (Dronke, 1986, p. 278). As afirma√ß√Ķes de Dronke podem ser encontradas n√£o s√≥ na pr√≥pria figura de Marguerite Porete, como tamb√©m na sua obra.

 

A obra

Pode-se afirmar que Marguerite Porete √© autora de um √ļnico livro, pelo menos que se tem conhecimento. Trata-se do Mirouer des simples ames/Speculum simplicium animarum [O espelho das almas simples]. Sobre o t√≠tulo mais longo, Le mirouer des simples ames anienties et qui seulement demourent en vouloir et desir d‚Äôamour [O espelho das almas simples e aniquiladas e que permanece somente na vontade e no desejo do amor], adotado na tradu√ß√£o que existe em portugu√™s feita por S√≠lvia Schwartz, 2008), esclarece Luiza Muraro:

Em 1965, Guarnieri publica uma edi√ß√£o do livro de Marguerite, tendo por base o manuscrito de Chantilly, √ļnica c√≥pia francesa que nos chegou (√© uma c√≥pia tardia, escrita em torno de dois s√©culos depois do original), sob o t√≠tulo Le mirouer des simples ames anienties et qui seulement demourent en vouloir et desir d‚Äôamour, t√≠tulo que n√£o corresponde nem √†quela da vers√£o latina, nem √†quela do original, como eu creio ter demonstrado em um artigo da revista do Centro Ruusbroec da Antu√©rpia (Muraro, 2000, p. 221).

 

Já a nova versão feita pela própria Guarnieri, juntamente com Verdeyen, de 1986, tem por base não somente o Manuscrito de Chantilly, do século XV, como também alguns manuscritos em latim (a maioria do século XIV, Vaticano, A, B, C, D e um do século XV, Vaticano F) e um manuscrito inglês do século XV, Oxford E (Cf. Verdeyen, 1986, pp. V-XIV). Este manuscrito inglês, por sua vez, está na origem da versão inglesa moderna de 1927 que outra filósofa teve acesso, Simone Weil (1909-1943) e que aparece ainda sem autoria, fazendo com que essa a atribua a um místico francês do século XIV (Cf. Weil, 1950, p. 162). 

Apesar de a autoria ter sido atribu√≠da/devolvida tardiamente a Marguerite Porete e de o livro ter sido condenado e queimado ‚ÄĒ sendo proclamado que todos, que possu√≠ssem uma c√≥pia dele, deveriam entreg√°-lo ao prior dos dominicanos de Paris sob pena de excomunh√£o ‚ÄĒ a difus√£o do livro foi, como afirma Kurt Ruh (2000, p.356), ‚Äúabsurdamente grande‚ÄĚ. As palavras de Ruh fazem todo sentido quando se sabe que do original em picardo quatro tradu√ß√Ķes foram feitas: uma para o latim, quando Porete ainda estava viva e, logo depois da sua morte, duas para o ingl√™s m√©dio e uma para o franc√™s m√©dio, demonstrando que n√£o s√≥ c√≥pias de O Espelho sobreviveram √† fogueira da Inquisi√ß√£o, como tamb√©m que essas c√≥pias tiveram uma ampla divulga√ß√£o.

Importa notar, em primeiro lugar, que o livro de Marguerite Porete, apesar de complexo na sua estrutura, parece certo, entre os estudos existentes, tratar-se de um Espelho, portanto de um g√™nero liter√°rio bastante difundido na Idade M√©dia. Segundo Bradley (1954, p. 100): ‚ÄúA palavra speculum, ‚Äėespelho‚Äô, foi muito popular na Idade M√©dia como um t√≠tulo para diferentes tipos de trabalhos, e seria quase imposs√≠vel enumerar tudo que foi escrito em diferentes pa√≠ses do s√©culo XII ao XVI sob este nome‚ÄĚ.

H√°, por exemplo, desde os espelhos de instru√ß√Ķes, obras sobre os saberes da √©poca, como o Speculum majus de Vincent de Beauvais, passando pelos Specula principis, at√© os espelhos normativos ou exemplares, como o Speculum virginum, do s√©culo XII. Marguerite Porete tinha conhecimento desta tradi√ß√£o de escritos specularis e isso se reflete n√£o apenas no t√≠tulo do seu livro, como tamb√©m no seu sentido, pois o espelho poretiano, na narrativa m√≠stica de sua autora, tem igualmente o objetivo de instruir e, para este fim, reflete-se no mesmo espelho a pr√≥pria Porete, aspectos religiosos, profanos, pol√≠ticos e sociais, como se pode ler no seguinte trecho: ‚ÄúEsta Alma professa sua religi√£o e respeita suas regras. Qual √© a sua regra? Que ela seja recolocada, pelo aniquilamento, naquele primeiro estado onde Amor a recebeu. Ela pr√≥pria passou pelo exame de sua prova√ß√£o e venceu a guerra contra todos os poderes‚ÄĚ. (Porete, 1986, pp. 1-5).

Apresentado o g√™nero do livro de Porete e seus m√ļltiplos horizontes, passa-se agora √† sua estrutura. Ele possui 140 cap√≠tulos, sendo o Cap. 1 um Pr√≥logo, antecedido por uma can√ß√£o de abertura. O Cap. 140 √© uma approbatio que se encontra nas vers√Ķes em latim e na do ingl√™s m√©dio (Cf. Verdeyen, 1986). O livro se apresenta em prosa e em verso, em forma de di√°logos e tamb√©m em tratados. Na forma dial√≥gica, Marguerite Porete exp√Ķe diferentes personagens, sendo as principais a Alma (Ame), a Dama Amor (Dame Amour) e a Raz√£o (Rasoin), que funciona como uma esp√©cie de antagonista √†s ideias das duas primeiras personagens.

O livro est√° dividido em duas partes assim√©tricas. A primeira √© composta pelos cap√≠tulos de n√ļmero 1 ao 121, e a segunda parte vai do cap√≠tulo 122 at√© o final do livro (cap√≠tulo 140). A primeira parte √© narrada em terceira pessoa e se apresenta em forma de di√°logo entre as personagens principais, sendo, grosso modo, a Alma a personifica√ß√£o da pr√≥pria Marguerite Porete, a Raz√£o representa a institui√ß√£o Igreja, e Amor expressa Deus. Outras personagens tamb√©m comparecem nesta primeira parte do Mirouer, como a Verdade (Verit√©), a Nobreza da Unidade da Alma (Noblesse de Unit√© d‚ÄôAme), a Alt√≠ssima Donzela da Paz (La Soubzhaulcee Damoyselle de Paix), a Luz da Alma (La Lumiere de l‚ÄôAme), o Longeperto (Loingpr√©s).¬†

Há outras personagens além das citadas, mas todas elas são como uma espécie de extensão das três personagens principais. Já no que diz respeito à segunda parte de O Espelho, ela é antecedida pela Canção da Alma (Icy commence l’Alme sa chason), redigida em versos e, com exceção de dois pequenos capítulos, o 133 e o 134, não há mais diálogos nem a presença de personagens. O que há é a fala de Marguerite Porete expressa em primeira pessoa. Mesmo naqueles dois capítulos supracitados as personagens que comparecem são a Alma (Ame), o Amor Divino (Amour Divine), Amor (Amour) e Alma Liberada (Ame Franche).

A canção da Alma, além de ser um louvor ao Amor, é também uma crítica à servidão, à razão, à eloquência, às obras, às virtudes e a tudo que representa a Santa Igreja, a pequena, entendida por Marguerite Porete como a instituição religiosa e, enquanto tal, incapaz de compreender o verdadeiro sentido do amor. Por isso ela questiona o que dirá a gente da religião, incluindo aí padres, clérigos, pregadores, agostinianos, carmelitas, freis menores e até as beguinas, quando ouvirem a excelência da sua divina canção, já que ela escreveu sobre o estado do amor purificado (Cf. Porete, 1986, pp. 94-103).

Terminada a primeira parte da Can√ß√£o da Alma, Porete faz sete considera√ß√Ķes nos sete cap√≠tulos seguintes (do 123 ao 129), sendo todas explicitamente referentes √† B√≠blia, apresentando uma leitura bem pr√≥pria de quem escreve. Depois dessas considera√ß√Ķes seguem os cap√≠tulos finais sobre os temas cl√°ssicos de O Espelho, como a aniquila√ß√£o; o voltar a ser o que era antes de ser; a liberdade; as marcas autorais que aparecem de forma muito mais expl√≠cita, n√£o apenas pela escrita em primeira pessoa, mas tamb√©m pelo car√°ter autobiogr√°fico do texto; assim como a cr√≠tica √† igreja enquanto institui√ß√£o, explicitando, assim, o car√°ter transgressor do livro poretiano.¬†

 

O Espelho e suas transgress√Ķes

O Espelho de Porete deixa transparecer toda a cultura assombrosamente letrada de sua escritora, o que resulta em um texto complexo onde se cruzam v√°rios saberes, como filosofia, literatura e teologia, num feixe de conhecimentos sagrados e profanos. Em meio aos temas ali tratados, um merece destaque por ser o fio condutor de todo o livro: o conceito de aniquilamento ou aniquila√ß√£o (anientissement). √Č fato que este conceito n√£o √© posto com clareza em o Espelho. Mas, de qualquer maneira, apesar de n√£o aparecerem ao longo do livro de Porete defini√ß√Ķes do que seja aquele estado, todo o livro se articula do in√≠cio ao fim na ideia de que as almas podem chegar a ser almas aniquiladas, isto √©, almas livres de todo e qualquer intermedi√°rio que impe√ßa a livre uni√£o do ser humano com Deus.¬†

O aniquilamento, por sua vez, pode ser lido de diferentes √Ęngulos no texto poretiano, desde as tr√™s mortes (do pecado, da natureza e do esp√≠rito), passando pelos setes graus ou sete estados que a alma deve percorrer, at√© a ‚Äúdepura√ß√£o‚ÄĚ da pr√≥pria linguagem por meio das ap√≥fases, estando tudo isso relacionado ao mesmo processo de aniquilamento da alma. Este processo, como um percurso, aparece ao longo de O Espelho, mas h√° alguns cap√≠tulos espec√≠ficos em que esta ideia √© apresentada, seja de forma introdut√≥ria (Pr√≥logo), seja resumida (Cap√≠tulo 61), seja melhor apresentada (Cap√≠tulo 118).¬†

O Espelho, como j√° explicitado, √© um livro de estilo exemplar, logo, a condu√ß√£o de seus leitores/ouvintes √© importante para sua autora. Assim, mesmo se tratando de um experienciar pr√≥prio e subjetivo, o texto n√£o deixa de ser um tratado mistag√≥gico, portanto, que conduz (ou ensina) outras pessoas. Sendo assim, logo no Pr√≥logo, as palavras iniciais s√£o: ‚ÄúUma Alma tocada por Deus, e despojada do pecado no primeiro estado da gra√ßa, √© elevada pelas gra√ßas divinas ao s√©timo estado da gra√ßa. Neste estado a Alma tem a plenitude da sua perfei√ß√£o por meio da frui√ß√£o divina no pa√≠s da vida‚ÄĚ (Idem, pp. 2-5, Pr√≥logo).¬†

Ainda no Pr√≥logo, mas agora o encerrando, encontramos a ‚Äúmeta‚ÄĚ de O Espelho que ajuda a entender melhor o seu in√≠cio: ‚ÄúH√° sete estados de nobre exist√™ncia, pelos quais a criatura recebe o ser, se ela se disp√Ķe a passar por todos eles, antes de chegar ao estado perfeito. Vos direi como, antes que este livro termine.‚ÄĚ (Idem, pp. 49-52, Pr√≥logo). Posto isto, Marguerite Porete vai narrando e conduzindo o/a leitor(a)/ouvinte na sua narrativa que traz muitas reflex√Ķes (Cf. Nogueira, 2020). Dentre estas, destaca-se aqui as que podem ser relacionadas √†s transgress√Ķes.

Aniquilamento: tal conceito passa, necessariamente, por tr√™s mortes e por sete est√°gios, onde aos poucos a alma vai se desprendendo de uma s√©rie de coisas at√© se esvaziar completamente da sua vontade ou do seu eu. Para que o processo de aniquilamento se realize na sua completude √© preciso abrir m√£o de determinadas coisas que a institui√ß√£o igreja considera importante, como missas, serm√Ķes, jejuns, ora√ß√Ķes (Cf. Porete, 1986, pp. 20-21) e que Marguerite Porete considera como empecilhos para se unir a Deus, pois se trata, para ela, de uma uni√£o sem intermedi√°rios (sine medio). Essa √© uma Ideia que diminui o poder da igreja enquanto mediadora entre os seres humanos e Deus.

Santa igreja, a grande e Santa igreja, a pequena: Marguerite Porete insiste na ideia de que a institui√ß√£o (Santa igreja, a pequena) n√£o tem condi√ß√Ķes para guiar as almas, pois ela age de acordo com os preceitos da Raz√£o. Esta, por sua vez, tem a vis√£o de um s√≥ olho, e isto acontece a ela e a todos que s√£o nutridos na sua doutrina, ou seja, enxergam as coisas diante dos olhos, mas sem compreend√™-las (Cf. Porete, 1986, pp. 24-27). Como afirma Porete, s√£o pessoas com boca sem palavras, olhos sem claridade, ouvidos sem audi√ß√£o, raz√£o sem raz√£o, corpos sem vida e cora√ß√£o sem entendimento (Cf. Idem, pp. 6-12). Essa √© uma vis√£o que demonstra a submiss√£o da institui√ß√£o igreja √†s Almas aniquiladas e como isso deve ser a regra a ser seguida por quem deseja uma uni√£o aut√™ntica com Deus.

O Longeperto: este parece ser o √ļnico personagem sem fala em O Espelho. Ele aparece de diferentes formas, como centelha, movimento de abertura, Trindade, como o √ļnico capaz de quebrar a clausura secreta da mais elevada pureza da Alma. Por√©m, cabe ouvir o que escreve Porete no Cap. 84 (pp. 13-14), quando aborda a queda da Alma aniquilada no abismo ‚Äúque se nomeia ‚Äėnada pensar do Longeperto‚Äô, que √© o seu mais pr√≥ximo‚ÄĚ.¬†

Quer dizer, o termo Longeperto, al√©m de demonstrar o conhecimento da literatura cort√™s e o seu uso por parte de Porete para expressar o mais perfeito amor divino, indica, tamb√©m, que ele faz parte do percurso m√≠stico poretiano, sendo ele pr√≥prio um novo nome para Deus que, como analisa McGinn (Op. Cit., p. 380), trata-se de dois adjetivos que sugerem ser Deus n√£o uma coisa, mas uma ‚Äúrela√ß√£o‚ÄĚ. Dialeticamente distante (longe) por sua infinitude e, ao mesmo tempo, pr√≥ximo (perto) pela for√ßa do desejo e pela origem (divina) do humano. (Cf., Nogueira, 2019). O uso do Longeperto termina por apresentar uma vis√£o de Deus n√£o t√£o definida, n√£o t√£o limitada, nem tampouco enquadrada num determinado modo de pensar que Porete critica.

A cr√≠tica √† Raz√£o: Com o termo Longeperto Porete foge, portanto, de uma ‚Äúsubstantiva√ß√£o‚ÄĚ de Deus, pois esta √© t√≠pica do modo de pensar da Santa igreja, a grande, movida pela Raz√£o. A raz√£o poretiana e a das Almas aniquiladas raciocinam de outro modo e, por isso, ao criticar o modo estreito, limitado e finito da Raz√£o, usando palavras como lesma, entediante, pequena, rude, bestas, asnos (Cf. Porete, Cap. 35 e 69), Marguerite Porete pode afirmar: ‚ÄúTais pessoas, que eu chamo de asnos, procuram Deus nas criaturas, nos mosteiros quando rezam, nos para√≠sos criados, nas palavras dos homens e nas Escrituras […] Acreditam que Deus esteja sujeito aos seus sacramentos e √†s suas obras‚ÄĚ (Porete, 1986, pp. 35-37 e 42-43).¬†

Quando perguntada pela Raz√£o onde ela encontra Deus, a Alma responde que ‚ÄúO encontra em todos os lugares, pois Deus √© tudo em todos os lugares‚ÄĚ (Idem, pp. 52-53). N√£o se trata de uma cr√≠tica √† faculdade da raz√£o, pois se assim o fosse, nem mesmo o texto poretiano teria sentido algum. Porete n√£o √© contra a faculdade da raz√£o, ali√°s, ela a usa muito bem. Ela apenas se posiciona de modo cr√≠tico ao que a personagem Raz√£o, criada por ela, representa, ou seja, a institui√ß√£o igreja com todo o seu poder de reprimir, por exemplo, uma espiritualidade como a de Marguerite Porete, enraizada no amor e na liberdade, e a sua incapacidade (da Raz√£o) de alargar os seus horizontes de compreens√£o.

Com a cr√≠tica √† Raz√£o, Marguerite Porete parece antecipar a cr√≠tica contempor√Ęnea que foi feita √† √©gide da bandeira iluminista; abre caminho para uma teologia feminista, j√° que age sempre de forma bastante consciente em rela√ß√£o √† sua escrita e ao direito que pensa ter para divulg√°-la; defende o direito de viver a sua espiritualidade de forma livre, uma vez que a Raz√£o (e tudo que representa) imp√Ķe modelos e limites a esta viv√™ncia; e critica, ainda que indiretamente, o fazer filos√≥fico dos escol√°sticos, enraizado na Raz√£o, e que defende em grande parte que uma mulher n√£o deve pregar ou ensinar em p√ļblico.

A escrita do Espelho. Consci√™ncia e resist√™ncia: O livro poretiano, diferente do de outras beguinas, n√£o √© um livro confessional, como A luz que flui da divindade (Flie√üendes Licht der Gottheit), de Matilde von Magdeburg, nem um livro vision√°rio, como as Vis√Ķes (Visionem) de Hadewijch da Antu√©rpia (Cf. Ruh, 2000). Tamb√©m, se se compara com outras fil√≥sofas medievais, como Hildegard von Bingen, por exemplo, Marguerite Porete jamais se utiliza da f√≥rmula de humildade.

Além dessas diferenças, O Espelho de Porete inaugura uma mística especulativa (Cf. Garí, 2005). Quer dizer, embora mantenha a forte influência exercida pelo amor cortês, trata-se de uma experiência do pensamento amplamente apoiada na teologia negativa que reconhece os limites da linguagem quando se trata de escrever sobre o que ultrapassa qualquer limite, como se pode ler no Cap. 97:

Todavia, diz esta Alma que escreveu este livro, eu era t√£o tola no tempo que eu o fiz, ou melhor, que Amor o fez por mim e a meu pedido, que eu coloquei em risco coisas que n√£o se podem fazer nem pensar, como aquele que quisesse conter o mar em seu olho, e carregar o mundo na ponta de um junco, e iluminar o sol com uma lanterna ou com uma tocha. Eu era mais tola do que seria aquele que quisesse fazer isso,

Quando eu estimei algo que n√£o se pode dizer

e me vi presa pela escuta dessas palavras.

mas assim tomei meu curso,

para vir em meu socorro,

ter minha mais elevada coroa,

do estado que falamos

que é o da perfeição.

Quando a Alma permanece no puro nada, sem pensamento; e n√£o antes disso

(Porete, 1986, pp. 30-47).

 

Para além das marcas autorais encontradas em O Espelho e que são reveladoras de um eu que se reconhece como tal e que vê no seu livro algo de importante, ao ponto de literalmente morrer por ele, a escrita poretiana também contribuiu para o desenvolvimento das literaturas vernáculas, como os livros de tantas outras mulheres medievais contribuíram. Ainda, quando se lê o livro poretiano, nele se reconhece sua autora e escritora, não somente porque muitas vezes ela fala em primeira pessoa, mas também, ou principalmente, porque revela a sua subjetividade (Cf. Forcades, 2011; Dronke, 1986). 

Por fim, Marguerite Porete √© um ser consciente e reflexivo da inst√Ęncia do seu discurso, e veicula seu nome ao seu texto e seu texto ao seu audit√≥rio (ela v√°rias vezes chama a aten√ß√£o para os ‚Äúouvintes do seu livro‚ÄĚ). O eu de Porete tem um valor referencial sobre o plano do seu discurso, tanto que ela foi condenada √† morte exatamente pelo discurso que fazia e este mesmo discurso/texto serviu para outras condena√ß√Ķes de outros sujeitos na Idade M√©dia. Apesar da condena√ß√£o, seu Espelho vive, e com ele as reflex√Ķes de uma mulher que conscientemente resistiu para que suas ideias sobrevivessem e para que se pudesse pensar, qui√ß√°, que h√° outras formas de se fazer filosofia/teologia, ou seja, aquela em que a Raz√£o seja conduzida por Amor.

 

Referências Bibliográficas

 

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Para outras edi√ß√Ķes e estudos: https://www.arlima.net/mp/marguerite_porete.html



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