Judith Butler

(1956)

Por Carla Rodrigues

Professora adjunta do Departamento de Filosofia da  Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Lattes

PDF – Judith Butler

Judith Butler √© uma fil√≥sofa estadunidense nascida numa fam√≠lia judia, em Ohio, em 24 de fevereiro de 1956. Sua companheira √© a cientista pol√≠tica Wendy Brown (1955). Juntas, elas compartilham a parentalidade  de Isaac, homenageado em alguns de seus livros (a dedicat√≥ria de Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence, por exemplo, diz ‚ÄúPara Isaac, que pensa de outra forma‚ÄĚ). Cursou Filosofia na Universidade de Yale, hoje √© professora de Literatura Comparada no Departamento de Ret√≥rica da Universidade da Calif√≥rnia, em Berkley, onde tamb√©m √© fundadora do Critical Theory Program (Programa de Teoria Cr√≠tica) e do International Consortium of Critical Theory Programs (Cons√≥rcio Internacional de Programas em Teoria Cr√≠tica). √Č professora titular da c√°tedra Hannah Arendt na European Graduate School, Su√≠√ßa. Intregra diversas organiza√ß√Ķes sociais, como a American Philosophical Society, o Jewish Voice for Peace e o Center for Constitutional Rights

Butler √© reconhecida com in√ļmeros pr√™mios, destacando-se o Pr√™mio Adorno, recebido em Frankfurt, em 2012, pela contribui√ß√£o para o feminismo e a √©tica filos√≥fica, e o Pr√™mio Brudner, na Universidade de Yale, pelos estudos sobre homossexualidade, tema de uni√£o entre sua pesquisa e seu ativismo pol√≠tico em defesa dos direitos de pessoas gays, l√©sbicas e trans. Seu trabalho mais recente articula teoria cr√≠tica, √©tica, judaicidade e agudas cr√≠ticas √† viol√™ncia do estado de Israel contra o povo palestino. O in√≠cio do seu interesse por filosofia aconteceu em interlocu√ß√£o com o juda√≠smo. Na adolesc√™ncia, teve problemas na escola: no in√≠cio de Problemas de G√™nero: Feminismo e Subvers√£o da Identidade (Butler, 1990 [2003]), ela relata que desde a inf√Ęncia havia descoberto que, se problemas eram inevit√°veis, era melhor ter os problemas que criasse em vez dos que para ela fossem criados. Como uma puni√ß√£o por mau comportamento, sua professora sugeriu encaminh√°-la para um aconselhamento com o rabino da comunidade. O que era um incipiente interesse por filosofia cresceu e intensificou seu engajamento em movimentos sociais e pol√≠ticos at√© chegar √† Universidade de Yale, onde estudou com Seyla Benhabib e participou da Yale School of Deconstruction. Foi l√° que, em 1984, aos 28 anos, defendeu a tese de doutorado Subjects of Desire – Hegelian Reflections in Twentieth -Century France (Butler, 1987; 1999). 

 

Principais interlocutores/as filos√≥ficos/as  

Gosto de propor que Butler √© uma pensadora em tr√Ęnsito. Sua primeira pesquisa transita entre a Alemanha de Hegel e a Fran√ßa do in√≠cio do s√©culo XX, onde, a partir de 1930, fil√≥sofos como Jean Wahl, Alexandre Koyr√©, Alexandre Koj√®ve e Jean Hyppolite foram respons√°veis por novas interpreta√ß√Ķes e tradu√ß√Ķes de Hegel, notadamente da Fenomenologia do Esp√≠rito. Esta primeira gera√ß√£o de leitores franceses de Hegel influencia fil√≥sofos como Michel Foucault, Jacques Derrida, Jean Paul Sartre e a fil√≥sofa Simone de Beauvoir, objetos de sua pesquisa. Em Butler, a quest√£o do sujeito √© tribut√°ria de pelo menos duas fontes: na sua tese de doutorado, o sujeito do desejo, de Hegel, perturba o sujeito da raz√£o da tradi√ß√£o filos√≥fica; em sua interlocu√ß√£o com a ‚Äúvirada lingu√≠stica‚ÄĚ, o sujeito passa a ser compreendido como uma rede aberta a sucessivas interpreta√ß√Ķes. Butler transita novamente, desta vez entre idealismo e o p√≥s-estruturalismo do qual se aproximara em Yale, onde foi aluna de Jacques Derrida e Paul De Man. Argumento que h√° nela um estilo desconstrutivo, um modo de leitura dos textos que se vale dos autores para ir al√©m deles, posi√ß√£o de leitura resumida na cita√ß√£o de Gaiatry Spivak em uma das ep√≠grafes de Bodies that matter: On the Discursive Limits of ‚ÄúSex‚ÄĚ: 

Se entendo a desconstru√ß√£o, desconstru√ß√£o n√£o √© a exposi√ß√£o de um erro, certamente n√£o o erro de outros autores. A cr√≠tica, na desconstru√ß√£o, a mais s√©ria cr√≠tica na desconstru√ß√£o, √© a cr√≠tica de algo extremamente valioso, aquilo sem o qual n√£o se pode fazer nada (Spivak apud Butler, 1993, p. 27 [2019, p. 55]).   

Isso que, embora n√£o seja m√©todo, √© caracter√≠stica marcante na abordagem p√≥s-estruturalista, muitas vezes foi confundido, tamb√©m em outras autoras e autores, com destrui√ß√£o ou aniquilamento. O equ√≠voco chegou a situar Butler como ‚Äúm√° leitora‚ÄĚ de Beauvoir, por operar, a partir da leitura de O segundo sexo, uma desconstru√ß√£o do par sexo/g√™nero, supostamente desconsiderando que o conceito de g√™nero n√£o consta na obra da fil√≥sofa francesa (Femen√≠ias, 2012). No entanto, n√£o haveria radicalidade do pensamento de Butler sem um duplo gesto: ler Beauvoir com e contra ela. N√£o para critic√°-la ‚Äď no sentido vulgar ‚Äď mas para fazer da cr√≠tica filos√≥fica ponto de partida para formula√ß√Ķes pr√≥prias. Assim entendo a postula√ß√£o de Butler: ‚ÄúAparentemente, a teoria de Beauvoir trazia consequ√™ncias radicais, que ela pr√≥pria n√£o antecipou‚ÄĚ (Butler, 1990, p. 112 [2003, p. 163]).  

Mobilizada pela concep√ß√£o de sujeito no existencialismo, Butler estabeleceu um debate produtivo com Beauvoir na primeira parte de Problemas de G√™nero, publicado em 1990 e, desde ent√£o, um marco para a filosofia feminista. Uma das suas consequ√™ncias filos√≥ficas foi perturbar o conceito de g√™nero, sobre o qual teorias feministas pareciam estar assentadas mais ou menos confortavelmente at√© ali.  Embora pudesse parecer que as suas primeiras interroga√ß√Ķes se somassem aos discursos que anunciavam o fim dos movimentos feministas, os desdobramentos dos debates feministas revelam que este gesto inicial de Bulter se mostrar√° fundamental para a renova√ß√£o dos feminismos, com a proposi√ß√£o de que deixassem de ser feitos apenas em nome do sujeito mulher. Se compreendermos que o modo como Butler problematiza o conceito de g√™nero se insere em um debate filos√≥fico can√īnico ‚Äď a quest√£o do sujeito ‚Äď teremos a dimens√£o da sua contribui√ß√£o para a filosofia. 

Embora Problemas de G√™nero (Butler, 1990 [2003]) a tenha tornado uma celebridade acad√™mica, quando publicado nos EUA, h√° 30 anos, n√£o foi exatamente bem recebido. Butler se dedicou a dialogar com cr√≠ticos, respondendo √†s interpela√ß√Ķes recebidas. Desse empenho vieram tr√™s livros: Bodies that matter: On the Discursive Limits of ‚ÄúSex‚ÄĚ (Butler, 1993 [2019]), The Psychic Life of Power (Butler, 1997 [2017]), Excitable Speech: A Politics of the Performative (Butler, 1997). No primeiro, desenvolveu o argumento de que, embora o g√™nero seja performativo, os corpos importam nas formas de discrimina√ß√£o; no segundo, retomou o problema do sujeito, pensando estruturas de poder que moldam nossa vida ps√≠quica e sustentam  a heteronormatividade; no √ļltimo, explorou a performatividade da linguagem como pensada por J. Austin e relida por Derrida, origem da no√ß√£o de performatividade de g√™nero apresentada em Problemas de G√™nero. 

A interlocu√ß√£o com teorias feministas levou Butler a transgredir fronteiras disciplinares, transitando, novamente, entre diferentes campos. Antrop√≥logas feministas t√™m forte presen√ßa no pensamento de Butler. Gayle Rubin, por exemplo, √© fonte da cr√≠tica de Butler ao estruturalismo de L√©vi-Strauss e √† centralidade do complexo de √Čdipo, em Freud. Rubin escreveu o cl√°ssico The Traffic in Women: Notes on the ‚ÄúPolitical Economy‚ÄĚ of Sex (1975), onde, de um s√≥ golpe, recusa a antropologia de matriz tot√™mica na qual Freud baseia o Complexo de √Čdipo e a antropologia estruturalista de L√©vi-Strauss, influ√™ncia expl√≠cita na psican√°lise de Jacques Lacan. J√° as investiga√ß√Ķes sobre g√™nero da antrop√≥loga inglesa Marilyn Strathern (Strathern, 1992) comparecem em Antigone‚Äôs Claim: Kinship Between Life and Death (Butler, 2000 [2014]). Pr√≥xima da antropologia feminista, Butler refor√ßa suas cr√≠ticas a Jacques Lacan propondo, em certa medida, a possibilidade de diferentes psican√°lises a partir de outra concep√ß√£o de simb√≥lico. O leque de interlocu√ß√Ķes na psican√°lise se amplia e Butler convoca te√≥ricos como Julia Kristeva, Luce Irigaray, Jean Laplanche e Melanie Klein. Em 2003, a publica√ß√£o de Problemas de G√™nero no Brasil foi iniciativa do psicanalista Joel Birman, coordenador da cole√ß√£o ‚ÄúSujeito e Hist√≥ria‚ÄĚ em que o livro foi editado, impulsionando aqui um significativo di√°logo com a teoria psicanal√≠tica (Porchat, 2007; Greiner, 2016; Fidelis, 2018).  

Embora Hegel nunca perca relev√Ęncia, os conceitos de assujeitamento e biopol√≠tica em Michel Foucault se adensam, e ela se aproxima de autores ligados √† teoria cr√≠tica, como T. Adorno. A judaicidade ‚Äď apoiada em Emmanuel L√©vinas, Walter Benjamin, Hannah Arendt ou mesmo Derrida ‚Äď vai sendo constitu√≠da como elemento √©tico-pol√≠tico. Durante os 20 primeiros anos do s√©culo XXI, Butler agudiza sua cr√≠tica ao neoliberalismo, em grande medida em interlocu√ß√£o com a obra de Wendy Brown. Neste per√≠odo, publicou 11 livros ‚Äď n√£o contabilizando as organiza√ß√Ķes ‚Äď, sendo o mais recente The Force of Nonviolence: The Ethical in the Political (Butler, 2020).  

Outros autores aparecem de modo mais pontual ‚Äď como o soci√≥logo Erwing Goffman, influ√™ncia em Frames of War: When is Life Grievable? (Butler, 2009 [2015]), o pensador palestino Edward Said, em Parting Ways: Jewishness and the Critique of Zionism (Butler, 2012 [2017]) e o fil√≥sofo italiano Giorgio Agamben. Ela tamb√©m transita no pensamento p√≥s-colonial, em interlocu√ß√£o com Gaiatry Spivak, com quem publica Who signs the nation-state? Language, Politics, Belonging. (Butler; Spivak, 2007 [2017]). √Č leitora de Frantz Fanon, Homi Bhabha e Achile Mbembe. Sobre a cr√≠tica da viol√™ncia de Estado, incorpora muitos aspectos da filosofia de Arendt. Ao recuperar a proposi√ß√£o arentiana de binacionalismo (Butler, 2012 [2017]), prop√Ķe uma sa√≠da para a viol√™ncia do estado de Israel contra a Palestina e repete o duplo gesto feito em rela√ß√£o a Beauvoir: pensa com e contra Arendt a fim de retomar a fil√≥sofa alem√£, com quem discute a no√ß√£o de aparecimento ao pensar a performatividade corporal e as manifesta√ß√Ķes p√ļblicas de exposi√ß√£o da precariedade (Butler, 2015 [2018]). 

  

Temas e conceitos 

H√° leitores que se sentem mais confort√°veis em abordar a filosofia de Butler depois de dividir a sua obra em duas partes, deixando para tr√°s os problemas de g√™nero, como se, na virada do s√©culo XXI, depois do 11 de setembro, sua filosofia enfim se voltasse para quest√Ķes √©tico-pol√≠ticas. Na divis√£o, haveria o obst√°culo de compreender g√™nero como tema filos√≥fico. Recuso a ideia por consider√°-la carregada de pelo menos dois equ√≠vocos: 1) o abandono dos problemas de g√™nero em prol de uma filosofia pol√≠tica depende da compreens√£o do g√™nero como um tema menor; 2) seria preciso sustentar o argumento de que g√™nero √© um tema restrito √† teoria feminista, oposto do que prop√Ķe a autora. Na perspectiva que adoto, h√° pelo menos tr√™s movimentos em rela√ß√£o ao conceito de g√™nero. O primeiro ser√° rebaix√°-lo como categoria central da teoria feminista pela sua inevit√°vel liga√ß√£o com o binarismo da diferen√ßa sexual masculino/feminino. Ela apontar√° para a heteronormatividade como operador cr√≠tico das diversas formas de discrimina√ß√£o, ampliando a teoria feminista para outros marcadores, como coer√™ncia corporal, escolha de objeto de desejo, al√©m de ra√ßa, em uma interlocu√ß√£o com as feministas negras contempor√Ęneas a ela que estavam formulando a proposi√ß√£o de interseccionalidade (Crenshaw,1989). Em um segundo movimento, Butler cria problemas com o conceito de g√™nero ao perceber que, embora as teorias feministas tivessem deslocado o fundamento da identidade do sexo para o g√™nero, ainda era preciso oferecer a um corpo nascido mulher a garantia da passagem ao g√™nero feminino. Tornar-se mulher fechava, assim, a abertura proposta pela filosofia de Beauvoir. O terceiro e √ļltimo gesto que caber√° discutir aqui ser√° a perman√™ncia do conceito de g√™nero ‚Äď como categoria central na discuss√£o √©tico-pol√≠tica sobre que vidas importam.  

Depois do 11 de setembro, a obra de Butler ganha novos contornos. Se for verdade que a filosofia nasce do espanto, do trauma, pode ter valor de hip√≥tese a ideia de que, assim como as grandes guerras na Europa tiveram imenso impacto na filosofia, sobretudo na Alemanha e na Fran√ßa, o 11 de setembro produziu efeito semelhante em fil√≥sofos/as contempor√Ęneos/as. Butler, em di√°logo com quest√Ķes pol√≠ticas do seu tempo, n√£o ficou indiferente √† guerra dos EUA contra o Iraque e o Afeganist√£o, nem tampouco poderia ter ignorado as consequ√™ncias das a√ß√Ķes violentas do governo. Assim, se nos anos 1990 tematizou a aus√™ncia de direito ao luto para a popula√ß√£o gay, v√≠tima do HIV/Aids, e o  descaso em rela√ß√£o a essas perdas, a partir de 2001 o tema do luto se expandiu, ganhando densidade e se constituindo como fio condutor em seu pensamento (Rodrigues, 2017). 

Como a maioria dos autores/as, Butler desenvolve vocabul√°rio pr√≥prio, ressignificando termos herdados da tradi√ß√£o, ou se valendo de conceitos existentes e promovendo certas tor√ß√Ķes que permitir√£o a costura de um pensamento original. Alguns termos da sua gram√°tica filos√≥fica indicam seu tr√Ęnsito entre diferentes √°reas e quest√Ķes, como pretendo sugerir a seguir. Diante da impossibilidade de abarcar toda a complexidade da obra, trata-se de apresentar algumas escolhas.  

 

Desejo e reconhecimento 

No pref√°cio para Subjects of desire, Butler apresenta sua pesquisa como ‚Äúquestionamento sobre o percurso do desejo, os trajetos de um sujeito desejante, sem nome e sem g√™nero em virtude de sua universalidade abstrata‚ÄĚ (Butler, 1987, p. xix). Era uma indica√ß√£o da sua trajet√≥ria acad√™mica: uma investiga√ß√£o permanente do problema filos√≥fico e pol√≠tico da concep√ß√£o de um sujeito universal abstrato, sem g√™nero, corporalidade, sexualidade, ra√ßa, etnia, religi√£o, local de nascimento, idade e quantos outros tantos marcadores for preciso adicionar para compreender que a categoria existe apenas para produzir o apagamento de todas as formas de vida que n√£o alcan√ßam o estatuto da universalidade. Nesse percurso, Hegel, lido como aquele que introduziu o desejo como problema filos√≥fico, ter√° protagonismo inicial. O sujeito da Fenomenologia do esp√≠rito, argumenta Butler, quer conhecer a si mesmo e encontrar no ‚Äúeu‚ÄĚ a totalidade de seu mundo exterior. De maneira interessada, ela vai √† recep√ß√£o francesa de Hegel para localizar o momento em que o desejo √© tomado como ponto de partida e de reformula√ß√£o cr√≠tica. No pref√°cio √† segunda edi√ß√£o de Subjects of Desire, ela rev√™ a apresenta√ß√£o do pr√≥prio trabalho, agora definido como ‚Äúuma indaga√ß√£o cr√≠tica da rela√ß√£o entre desejo e reconhecimento‚ÄĚ (Butler, 1999, p. viii). Aqui, creio que Butler nos autoriza a sustentar esta articula√ß√£o entre desejo e reconhecimento que encontramos numa camada de interpreta√ß√£o de Problemas de G√™nero (BUTLER, 1990 [2003]) nem sempre percebida por leituras, por vezes apressadas ou mesmo interessadas em situ√°-lo como exclusivamente voltado a criticar a teoria feminista e, em substitui√ß√£o, inaugurar a teoria queer (Rodrigues, 2019).  

A hip√≥tese que defendo √© que o ponto central de sua interpela√ß√£o aos feminismos est√° ecoando a quest√£o do sujeito,  desestabilizado pelo desejo e, com isso, desestabilizador da universalidade abstrata do sujeito da raz√£o; sujeito cuja sustenta√ß√£o ontol√≥gica se enfraquece diante da alteridade, problema √©tico-pol√≠tico a perpassar a trajet√≥ria de Butler. Trata-se, portanto, de quest√£o de natureza filos√≥fica, cujas formula√ß√Ķes se entrela√ßam √† sua abordagem hegeliana e aos desdobramentos do que chama de ‚Äúquest√Ķes p√≥s-hegelianas‚ÄĚ (Butler, 2005, p. 26). O problema do reconhecimento se modifica, sendo pensando agora em outra chave: o que determina a condi√ß√£o de possibilidade do reconhecimento? A esta indaga√ß√£o se soma o conceito foucaultiano de assujeitamento, incidindo no debate pol√≠tico sobre os fatores sociais, culturais e econ√īmicos que permitem o aparecimento de determinados sujeitos e n√£o de outros. √Č importante mencionar aparecimento como um termo tomado da leitura de Hannah Arendt.  

Desejo e reconhecimento s√£o termos que comparecer√£o principalmente no debate inicial de Problemas de G√™nero, notadamente no cap√≠tulo 1, ‚ÄúSujeios do sexo/g√™nero/desejo‚ÄĚ, onde est√° o endere√ßamento √† teoria feminista e o questionamento das ‚Äúmulheres‚ÄĚ como sujeito do feminismo. Tratava-se de pensar os limites de fazer o feminismo em nome da mulher como categoria universal abstrata, retomando um problema caro √† teoria feminista: lutar por incluir a mulher como parte do sujeito universal abstrato ou pelo reconhecimento da mulher como sujeita, ou seja, marcada por sexo e g√™nero, abrindo espa√ßo para a emerg√™ncia de outros sujeitos de direitos? (Scott, 1988; 1999).  Butler segue Beauvoir muito de perto na percep√ß√£o cr√≠tica de que o sujeito universal abstrato esteve colapsado ao masculino (Butler, 1990, p. 15-16 [2003, p.31). Na mobiliza√ß√£o do tema do desejo em Problemas de G√™nero, este comparece de modo amb√≠guo, tanto desfazendo o binarismo do par sexo/g√™nero quanto servindo √† cr√≠tica da coer√™ncia entre sexo biol√≥gico, g√™nero social e desejo sexual. A tr√≠ade funciona para incluir o desejo ‚Äď elemento de desestabiliza√ß√£o ‚Äď na configura√ß√£o dos sujeitos.  

 

Identidade e performatividade de g√™nero  

Se o sujeito do desejo √© aquele que n√£o cabe numa identidade est√°vel, e se o que interessa a Butler √© o ponto deste abalo, ali onde h√° uma fenda aberta para a rela√ß√£o com a alteridade, ent√£o seu modo de pensar a identidade estar√° afetado pela quest√£o que enuncia em Subjects of desire: ‚Äúqual √© a rela√ß√£o entre desejo e reconhecimento e a que se deve que a constitui√ß√£o do sujeito suponha uma rela√ß√£o radical e constitutiva com a alteridade?‚ÄĚ (Butler, 1999, p. xiv). O problema √© dirigido √†s teorias feministas e a dificuldade de estabilizar a mulher numa categoria de sujeito universal abstrato. Havia, argumentava Butler, um paradoxo em preconizar a liberdade das mulheres em nome da alteridade e, ao mesmo tempo, exigir que, para obterem reconhecimento, fossem configuradas numa identidade est√°vel e universal (Riley, 1988).  

Assim, Butler articula dois problemas: a pol√≠tica feminista centrada no conceito de g√™nero estaria condenada a se manter presa √† diferen√ßa sexual do binarismo masculino/feminino, que apenas substituiria o par homem/mulher; o g√™nero estaria  destitu√≠do, assim como o sexo, do fundamento ontol√≥gico da identidade, j√° que a substitui√ß√£o de sexo natural por g√™nero constru√≠do seria apenas uma transfer√™ncia da natureza para a cultura. Butler pretende recuperar atributos como instabilidade, expropria√ß√£o e deslocamento, que perturbam a pretensa estabilidade da identidade (de g√™nero). Emerge da√≠ a proposi√ß√£o de performatividade de g√™nero, desdobramento da radicaliza√ß√£o da ruptura de Beauvoir com o essencialismo biologizante: ‚ÄúN√£o se nasce mulher, torna-se‚ÄĚ ganha em Butler novos contornos (Rodrigues, 2020). A performatividade de g√™nero seria ent√£o o deslocamento da identidade de g√™nero, sendo a primeira indica√ß√£o de elementos inst√°veis e artificiais que nos constituem, e a segunda exig√™ncia de elementos est√°veis e naturais atrelados √† compreens√£o metaf√≠sica do humano. Com a proposi√ß√£o de performatividade de g√™nero, h√° o que chamo, ainda que provisoriamente, de ‚Äúvirada normativa‚ÄĚ, a partir da qual as normas sociais, inclusive as de g√™nero, ficam esvaziadas de sua fundamenta√ß√£o na natureza (homem/mulher) ou na cultura masculino/feminino).   

O paradigma da artificialidade da liga√ß√£o entre sexo anat√īmico biol√≥gico e identidade de g√™nero ser√° a drag queen. Ao performatizar um g√™nero feminino, ela representa elementos tidos como femininos, artificializ√°veis em qualquer corpo. A aus√™ncia de fundamento natural para o g√™nero deu margem √† compreens√£o da sua performatividade como mero ato de vontade individual, equivocada e oposta ao modo como Butler critica o g√™nero. Para ela, o ‚Äúproblema do g√™nero‚ÄĚ √© tom√°-lo como elemento que previamente definiria a exist√™ncia, que mesmo n√£o estando mais  determinada pelo sexo, passaria a estar ‚Äúdecidida pelo g√™nero‚ÄĚ (Butler, 1993, p. x [2018, p. 11]).  

H√° um ponto crucial: estamos submetidos √†s normas de g√™nero, escritas e n√£o escritas. Se, pensando com Foucault, o sujeito depende da obedi√™ncia √† norma para se assujeitar; pensando com a releitura p√≥s-estruturalista da teoria da performatividade da linguagem, as normas dependem do ato performativo para serem reiteradas. Uma vez que  sexo e g√™nero n√£o podem mais ser fundamentos para a identidade, e as normas s√£o uma repeti√ß√£o estilizada de atos, o gesto pol√≠tico que interessa destacar em Butler √© o esvaziamento do fundamento da norma:  nem natureza, nem cultura. Ou ainda, a admiss√£o de que a transgress√£o da norma est√° inscrita na sua concep√ß√£o.  

Foram muitas cr√≠ticas √† performatividade de g√™nero: 1) seria  mero ato de vontade do indiv√≠duo liberal, e portanto sem pot√™ncia de transforma√ß√£o pol√≠tica (Braidotti, 2006); 2)  seria uma forma de ignorar a materialidade dos corpos, quest√£o que que vem tanto do pensamento materialista quanto das teorias sociol√≥gicas de g√™nero, mesmo aquelas que, n√£o necessariamente tribut√°rias do materialismo, entendem que o argumento do sexo anat√īmico biol√≥gico pesa sobre os corpos das mulheres como fator de limita√ß√£o das suas possibilidades sociais, pol√≠ticas, econ√īmicas e sexuais; 3) a perfomatividade de g√™nero estaria esvaziando a identidade de g√™nero e a reivindica√ß√£o identit√°ria na pol√≠tica; 4) a performatividade seria  acess√≠vel apenas √† drag queen e a outras formas de encena√ß√£o, confundindo performance com performatividade (Preciado, 2014). Como consequ√™ncia, a  materialidade dos corpos tornou-se ponto de partida para o desenvolvimento de uma interseccionalidade radical na sua concep√ß√£o de  corpo. Butler rebaixa a centralidade da categoria g√™nero como instrumento de cr√≠tica √†s discrimina√ß√Ķes na vida social, cultural e econ√īmica, propondo a heteronormatividade como elemento que constr√≥i, orienta, oprime e constrange essa materialidade. A vulnerabilidade, a precariedade do corpo, assujeitado a diversas formas de poder, se desdobrar√° em outros conceitos, sem que suas suas formula√ß√Ķes √©tico-pol√≠ticas abandonem o g√™nero como categoria √ļtil de an√°lise.  

Luto e precariedade 

A primeira investida de Butler na distribui√ß√£o desigual do luto p√ļblico √© uma breve men√ß√£o, em Problemas de G√™nero, ao n√£o reconhecimento, pelo servi√ßo de sa√ļde nos EUA, do valor das vidas de homens gays v√≠timas do HIV/Aids no in√≠cio dos anos 1980. No mesmo livro, come√ßa um debate com as concep√ß√Ķes de luto em Freud, desenvolvido posteriormente no cap√≠tulo ‚ÄúViolence, Mourning, Politics‚ÄĚ de Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence (Butler, 2004; 2019), com imensa import√Ęncia nas formula√ß√Ķes sobre a resposta b√©lica dos EUA depois do 11 de setembro. O tema do luto se abre em duas dire√ß√Ķes: 1) o luto como condi√ß√£o do despossu√≠do (dispossessed), condi√ß√£o comum a todo corpo vivente marcado pela experi√™ncia de finitude e de perda; 2) o direito ao luto como pol√≠tica de reconhecimento, direito que divide os corpos entre os que importam e os que pesam, separa vidas viv√≠veis e vidas mat√°veis.  

Sobre o luto como experi√™ncia de despossess√£o, observo que a fil√≥sofa se vale da ambiguidade do termo dispossessed: despossu√≠do √© quem n√£o tem posses, perde o direito √† terra e est√° obrigado a vender sua for√ßa de trabalho para sobreviver. O despossu√≠do est√° √† margem, destitu√≠do das condi√ß√Ķes m√≠nimas de sobreviv√™ncia. A estes significados Butler acrescenta a despossess√£o como perda de si, articulada com a instabilidade provocada pelo desejo na forma√ß√£o do eu: ‚ÄúSomos desfeitos uns pelos outros. E, se n√£o o somos, estamos perdendo alguma coisa. Esse parece claramente ser o caso com o luto, mas s√≥ porque j√° era o caso com o desejo‚ÄĚ (Butler, 2004, p. 23 [ 2019, p. 44]). A condi√ß√£o de despossu√≠do opera como fundamento negativo para o restabelecimento de uma universalidade n√£o excludente, n√£o mais marcada por qualquer elemento a partir do qual se possa voltar a fechar o universal apenas para uns poucos.  

J√° a abordagem do luto como um direito √© tribut√°ria tamb√©m do modo como Butler interpreta Ant√≠gona, trag√©dia de S√≥focles em que a personagem reivindica cumprir rituais f√ļnebres para o irm√£o, Polinices, a quem Creonte havia proibido o enterro por ter lutado contra Tebas. Butler percebe que o clamor de Ant√≠gona implicava um duplo gesto: reconhecer o valor da vida do irm√£o e ser reconhecida na p√≥lis. A condi√ß√£o de enlut√°vel que nos separa entre humanos e inumanos ganha ainda mais import√Ęncia em Frames of War (Butler, 2009; 2015), articulando-se com a condi√ß√£o de precariedade dos viventes. Vida e morte ser√£o compreendidas como categorias relacionais e o valor atribu√≠do a uma vida est√° diretamente ligado ao modo como a enlutamos.  

 

Por fim, a precariedade ser√° um elemento central na sua cr√≠tica √† racionalidade neoliberal, reunindo a materialidade dos corpos com a vida  ps√≠quica  do  poder,  a  reivindica√ß√£o de condi√ß√Ķes  materiais  com  o  confronto √†s formas de sujei√ß√£o.  Se todo sujeito est√° exposto √† morte, a precariedade √© condi√ß√£o de possibilidade da vida e  induzida por pol√≠ticas de discrimina√ß√£o, que funcionam separando a vida natural sem valor da vida simb√≥lica com valor. A distribui√ß√£o desigual do luto p√ļblico √© compreendida, assim, como um sintoma ‚Äď nem todas as vidas s√£o iguais ‚Äď e como uma pol√≠tica de indu√ß√£o de precariedades a certas formas de vida em que operam marcadores interseccionais que fundamentam discrimina√ß√£o, opress√£o e viol√™ncia. 

 

Bibliografia 

Principais obras e tradu√ß√Ķes dispon√≠veis 

ATHANASIOU, Athena; BUTLER, Judith. (2013) Dispossession: The Performative in the Political. Cambridge: Polity Press. 

BUTLER, Judith. (1987). Subjects of desire: Hegelian reflections in twenty-century France. New York: Columbia University Press. 1a. edi√ß√£o. (1999, 2a. edi√ß√£o).  

______________. (1990). Gender trouble: feminism and the subversion of identity. New York: Routledge. 1a. Edi√ß√£o 2a. Edi√ß√£o 1999. [(2003). Problemas de g√™nero: feminismo e subvers√£o da identidade. Tradu√ß√£o Renato Aguiar. Revis√£o t√©cnica Joel Birmann. Rio de Janeiro: Civiliza√ß√£o Brasileira.] 

_____________. (1993). Bodies that matter: On the Discursive Limits of ‚ÄėSex‚Äô, London: Routledge. [(2019) Corpos que pesam. Tradu√ß√£o Veronica Daminelli e Daniel Yago Fran√ßoli. Revis√£o t√©cnica Daniel Yago Fran√ßoli, Carla Rodrigues e Pedro Taam. S√£o Paulo: N-1 Edi√ß√Ķes.] 

______________. (1997) Excitable Speech: A Politics of the Performative. New York: Routledge. 

______________. (1997) The Psychic Life of Power: Theories in Subjection. California: Stanford University Press. [(2017) A vida ps√≠quica do poder: teorias da sujei√ß√£o. Tradu√ß√£o Rogerio Bettoni. Belo Horizonte: Aut√™ntica Editora.] 

______________. (2000) Antigone‚Äôs Claim: Kinship Between Life and Death. New York: Columbia University Press. [(2014) O clamor de Ant√≠gona: parentesco entre a vida e a morte. Tradu√ß√£o Andr√© Checinel. Florian√≥polis: Editora da UFSC.] 

______________. (2004) Precarious Life: The Power of Mourning and Violence. London: Verso. [ (2018) Vida prec√°ria. Tradu√ß√£o Andreas Lieber. Revis√£o t√©cnica Carla Rodrigues. Belo Horizonte: Aut√™ntica Editora.] 

______________. (2005) Giving an Account of Oneself: a critique of ethical violence. New York: Fordham University Press. [(2015) Relatar a si mesmo: cr√≠tica da viol√™ncia √©tica. Tradu√ß√£o Rogerio Bettoni. Belo Horizonte: Aut√™ntica Editora.] 

______________. (2009) Frames of War: When Is Life GrievableNew York: Verso. [(2015) Quadros de Guerra: quando a vida √© pass√≠vel de luto? Tradu√ß√£o S√©rgio Lamar√£o e Arnaldo Cunha. Revis√£o t√©cnica Carla Rodrigues. Rio de Janeiro: Civiliza√ß√£o Brasileira.] 

______________. (2012) Parting Waysjewishness and the critique of Zionism. New York: Columbia University Press. [(2017) Caminhos divergentes: judaicidade e cr√≠tica do sionismo. Tradu√ß√£o Rogerio Bettoni. S√£o Paulo: Boitempo.] 

______________. (2014) Undoing gender. New York: Routledge. 

______________. (2015) Notes Toward a Performative Theory of Assembly. London: Harvard University Press. [(2018) Corpos em alian√ßa e a pol√≠tica das ruas: notas sobre uma teoria performativa de assembleia. Tradu√ß√£o Fernanda Miguens. Revis√£o t√©cnica: Carla Rodrigues. Rio de Janeiro: Civiliza√ß√£o Brasileira.] 

______________. (2015) Senses of the Subject. New York: Fordham University Press.  

______________. (2020) The Force of Nonviolence: the Ethical in the Political London: Verso 

BUTLER, Judith; SPIVAK, Gaiatry. (2007) Who Sings the Nation-State? Language, Politics, Belonging. Chicago: Chicago University Press. [(2017) Quem canta o Estado-Na√ß√£o? L√≠ngua, pol√≠tica, pertencimento. Tradu√ß√£o Vanderlei J. Zacchi e Sandra Goulart Almeida. Bras√≠lia: Editora da Universidade de Bras√≠lia.] 

 

Literatura secund√°ria  

BAKKER, Thais de. (2017) O estado-na√ß√£o a partir da filosofia de Judith Butler: Reflex√Ķes sobre processos de congrega√ß√£o e segrega√ß√£o. Mestrado Filosofia. Orienta√ß√£o Carla Rodrigues. UFRJ, Rio de Janeiro.  

BEAUVOIR, Simone de. (1949) Le deuxieme sexe: Les faits et les mythesParis: Gallimard.  

BENHABIB, Seyla; BUTLER, Judith; CORNELL, Drucila; FRASER, Nancy. (2018) Debates feministas ‚Äď um interc√Ęmbio filos√≥fico. Tradu√ß√£o Fernanda Ver√≠ssimo. S√£o Paulo : Unesp. 

BENTO, Berenice. (2006; 2014) A reinven√ß√£o do corpo: g√™nero e sexualidade na experi√™ncia transexual. Garamond, Rio de Janeiro; EDUFRN, Natal.  

BRAIDOTTI, Rosi (2006), Transpositions: On Nomadic Ethics. Cambridge: Polity Press. 

BUTLER, Judith. (2019) Entrevista para a revista Margem Esquerda. Margem Esquerda, n. 33.  S√£o Paulo, Boitempo Editorial. 

_________. (2019) Precisamos parar o ataque a ideologia de g√™nero. Observat√≥rio de Sexualidade e Pol√≠tica SPW. Tradu√ß√£o: Sonia Corr√™a e Carla Rodrigues. <http://twixar.me/j9VK

BUTLER, Judith; FRASER, Nancy. (2017) Meramente Cultural. Tradu√ß√£o Al√©xia Bretas.  Id√©ias, 7(2), 227-248. [ (1997) Merely Cultural. Social Text, vol. 15, n. 3-4, p. 265-277. ]  

CRENSHAW, Kimberl√© W. (1989) Demarginalizing the intersection of race and sex; a black feminist critique of discrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. University of Chicago Legal Forum, pp. 139-167.  

DEMETRI, Felipe. (2018) Corpos despossu√≠dos: vulnerabilidade em Judith Butler. Mestrado Psicologia. Orienta√ß√£o Maria Juracy Toneli. UFSC, Santa Catarina.  

FEMEN√ćAS, Mar√≠a Luisa (2012). A cr√≠tica de Judith Butler a Simone de Beauvoir. Revista Sapere Aude , vol. 3, n. 6, Belo Horizonte. pp.310-339.  

FRASER, Nancy. (2009) Feminism, capitalism and the cunning of history. New Left Review, n. 56. [O feminismo, o capitalismo e a ast√ļcia da hist√≥ria. Tradu√ß√£o Anselmo da Costa Filho e S√°vio Cavalcante. Media√ß√Ķes, Londrina, v. 14, n. 2, p. 11-33, jul./dez.] 

FIDELIS, KAIO (2018). A carta/letra entre Derrida e Lacan. Disserta√ß√£o de Mestrado em Psicologia. Orienta√ß√£o Angela Vorcaro, co-orienta√ß√£o Alice Serra. UFMG, Minas Gerais.  

GREINER, Christine (organizadora). (2016) Leituras de Judith Butler.  S√£o Paulo : Annablume.  

PRECIADO, Paul B.  (2014) Manifesto contrassexual. Pr√°ticas subversivas de identidade sexual. Tradu√ß√£o Maria Paula Gurgel Ribeiro. S√£o Paulo : N-1 Edi√ß√Ķes. 2a. edi√ß√£o 2017. 

PORCHAT, Patr√≠cia. (2007) G√™nero, psican√°lise e Judith Butler: do transexualismo √† pol√≠tica. Doutorado Psicologia. Miriam Debieux Rosa. USP, S√£o Paulo.  

RILEY, Denise. (1988) ‚ÄúAm I that name?‚ÄĚ Feminism and the Category of ‚ÄúWo-men‚ÄĚ in History. Basingstoke, UK: Macmillan. 

RODRIGUES, Carla. (2012) Ant√≠gona: lei do singular, lei no singular. Sapere Aude. V. 3, 32-54. < http://periodicos.pucminas.br/index.php/SapereAude/article/view/3500> 

______________. (2012) Performance, g√™nero, linguagem e alteridade: J. Butler leitora de J. Derrida. SexualidadSalud y Sociedad ‚Äď Revista Latinoamericana. Num. 10, 140-164.  < https://doi.org/10.1590/S1984-64872012000400007> 

______________. (2017) A fun√ß√£o do luto na filosofia pol√≠tica de Judith Butler. In: Adriano Correia, Rafael Haddock-Lobo, C√≠ntia Vieira da Silva. (Org.). Deleuze, desconstru√ß√£o e alteridade. S√£o Paulo: Anpof, v. 1, p. 329-340. 

______________. (2019) Para al√©m do g√™nero: anota√ß√Ķes sobre a recep√ß√£o da obra de Butler no Brasil. Em Constru√ß√£o – Arquivos de Espistemologia Hist√≥rica e Estudos da Ci√™ncia. Vol. 5., 59-72. < https://doi.org/10.12957/emconstrucao.2019.40523>  

____________. (2020) Ser e devir: Butler leitora de Beauvoir. Cadernos Pagu no.56 Campinas  2019,  Epub, 2020. <https://doi.org/10.1590/18094449201900560005>  

RODRIGUES, Carla, LOBATO, Emilia. (2020) Os feminismos e seus sujeitos. Princ√≠pios ‚Äď Revista de Filosofia. V. 2, 43-65. 

RUBIN, Gayle. (1975) The Traffic in Women: Notes on the ‚ÄúPolitical Economy‚ÄĚ of Sex. New York: Monthly Review Press.  

SANTOS, Djamila Ribeiro. (2015) Simone de Beauvoir e Judith Butler: aproxima√ß√Ķes e distanciamentos e os crit√©rios da a√ß√£o pol√≠tica.Mestrado em Filosofia. Unifesp, S√£o Paulo. Orienta√ß√£o Edson Teles.  

SCOTT, Joan. (1988). The Sears case. In. Gender and the politics of history. New York: Columbia University Press.‚ÄĮ 

__________. (1999). The conundrum of equality.‚ÄĮInstitute for Advanced Study, Princeton. School of Social Science (2005) O enigma da igualdade. Tradu√ß√£o de J√≥ Klanovicz e Susana Born√©o FunckRev. Estud. Fem.‚ÄĮ[online].  vol.13, n.1, pp.11-30. <https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2005000100002/7778>  

STRATHERN, Marilyn. (1992) Reproducing the Future: Anthropology, Kinship, and the New Reproductive Technologies. New York: Routledge. 

TORRANO, Luisa Helena.‚ÄĮ(2010) O campo da ambival√™ncia. Poder, sujeito, linguagem e o legado de Michel Foucalt na filosofia de Judith Butler.  Mestrado em Filosofia, USP, S√£o Paulo. Orienta√ß√£o Vladimir Safatle.  

WITTIG, Monique. (1993) One is not born a woman. In: Abelove, H.; Barale, M. A.; Halperin, D. The lesbian and gay studies reader. Routdlege,  Nova York, pp.103-115. 

 

Outras refer√™ncias 

AGAMBEN, Giorgio; BUTLER, Judith. Eichmann, Law and Justice ‚Äď EGS. [https://www.youtube.com/playlist?list=PL26C9B3E2F04B71E2] Acesso em 28/02/2020. 

BUTLER, Judith. Judith Butler e a Teoria Queer. [https://www.youtube.com/watch?v=TyIAeedhKgc&amp;t=2270s] Acesso em 28/02/2020. 

BUTLER, Judith. Caminhos divergentes (Confer√™ncia completa). [https://www.youtube.com/watch?v=hfSH4lAbyq4] Acesso em 28/02/2020. 

BUTLER, Judith; TAYLOR, Sunaura. Examined Life. [https://www.youtube.com/watch?v=k0HZaPkF6qE] Acesso em 28/02/2020. 

FRATESCHI, Yara. (2018) Butler, Davis e Fraser: feminismo e democracia. [https://www.youtube.com/watch?v=R5Z9srVsCaU] Acesso em 28/02/2020.