Hildegarda de Bingen

(1098 Р1179) 

por Maria Cristina da Silva Martins,

Professora associada do Departamento de Letras Cl√°ssicas e Vern√°culas da UFRGS – Lattes

e Edla Eggert,

Professora da Escola de Humanidades da PUCRS – Lattes

PDF – Hildegarda de Bingen

Pintura de Santa Hildegarda, localizada em sua abadia, em Eibingen

Vida 

Hildegarda de Bingen, abadessa beneditina alem√£, viveu numa √©poca conhecida como o ‚ÄúRenascimento do S√©culo XII‚ÄĚ, de enorme progresso no campo cultural. Como abadessa, escritora e compositora fez parte de uma minoria de mulheres medievais que deixaram escritos liter√°rios, cient√≠ficos e art√≠sticos. Nasceu em Bermersheim, em 1098, e faleceu em Rupertsberg, em 1179. Foi contempor√Ęnea de Herrade de Landsberg (1125-1195), Helo√≠sa de Argenteuil (1079-1142) e Elisabeth de Sch√∂nau (1129-1164), tamb√©m abadessas de grande erudi√ß√£o, que igualmente deixaram escritos. Esta √ļltima endere√ßou √† Bingen cartas muito comoventes, nas quais relatou suas vis√Ķes, √™xtases e sofrimentos. Santa Hildegarda, por sua vez, respondeu √† abadessa de Trier, encorajando-a.

A Profetisa do Reno ou Sibila do Reno, como tamb√©m √© conhecida, destaca-se na literatura latina medieval pela quantidade e diversidade de sua produ√ß√£o escrita, que inclui, entre outros campos, cosmologia, medicina e m√ļsica, disciplinas nas quais raramente contamos com a contribui√ß√£o de mulheres.¬†

D√©cima e √ļltima filha de uma fam√≠lia nobre, foi oferecida a Deus como d√≠zimo, e confiada, aos oito anos de idade, aos cuidados de Jutta Sponheim, madre superiora (magistra) do mosteiro beneditino misto de S√£o Disibodo, que havia sido fundado recentemente. Jutta ocupou-se de sua educa√ß√£o at√© o momento em que morreu, em 1136, ano em que Hildegarda de Bingen foi eleita democraticamente para assumir esse posto. A partir do momento em que se tornou magistra, Bingen recebeu complementos para sua forma√ß√£o, por meio do monge Volmar, seu novo magister.

N√£o contamos com muitas informa√ß√Ķes sobre os primeiros anos de vida e de forma√ß√£o educacional da abadessa de Bingen. Uma obra an√īnima, cujo t√≠tulo √© Vita domnae Iuttae inclusae [Vida da reclusa senhora Jutta] cita o nome de Hildegarda de Bingen. Refere-se a esta como uma disc√≠pula fiel que, por meio de uma revela√ß√£o, afirmou que Jutta foi acolhida por um grupo de anjos quando deixara o seu corpo (Paz, 1999). √Č a partir da d√©cada de 1140 que contamos com mais dados sobre sua vida, quando ela come√ßou a escrever suas obras e passou a inserir dentro delas informa√ß√Ķes autobiogr√°ficas.¬†

O livro Vita Sancte Hildegardis [Vida de Santa Hildegarda], conhecido sobretudo como Vita, é sua principal fonte biográfica. Foi escrito por dois monges, Godofredo de Disibodenberg e Teodorico de Echternach, entre 1173 e 1175, enquanto a abadessa ainda estava viva. Godofredo escreveu a primeira parte dessa obra, e Teodorico de Echternach assumiu a tarefa de terminá-la, concluindo-a em 1190, após a morte de Hildegarda de Bingen e de Godofredo. Entretanto, em Vita encontram-se fragmentos autobiográficos que foram publicados e comentados por Peter Dronke, em Women Writers in the Middle Ages [Mulheres escritoras na Idade Média, 1984, reimpr. 1991]. O livro Vita foi publicado pela CCCM (Corpus Christianorum Continuatio Mediaevalis, Brepols, 1993). 

Em Vita, denomina√ß√£o pela qual, na Antiguidade, costumava-se denominar uma biografia, destaca-se a passagem em que a pr√≥pria Hildegarda de Bingen afirma ter vivenciado e experimentado vis√Ķes desde os tr√™s anos de idade. Uma passagem autobiogr√°fica bastante significativa √© esta:

‚ÄúNesta mesma vis√£o compreendi os escritos dos profetas, dos Evangelhos e de outros santos, assim como de alguns s√°bios pag√£os, sem ter recebido nenhum ensinamento humano; e expliquei alguns deles, ainda que tivesse um escasso conhecimento das letras, pois eu tinha sido educada por uma mulher inculta. E tamb√©m produzi, sem nenhum ensino humano, cantos com melodia para louvar a Deus e aos santos, e os cantei, ainda que nunca tivesse aprendido nem as notas musicais nem as regras do canto‚ÄĚ. (Vita (ed. Peter Dronke), 1991, p.232, apud Paz, 1999, p.20.)

Nessa passagem, Hildegarda de Bingen refere-se √† sua mestra Jutta como uma indocta mulier ‚Äúuma mulher inculta‚ÄĚ. A atitude de desqualifica√ß√£o pessoal encontra-se tamb√©m em Hildegarda de Bingen, que se declara como “n√£o s√≥ como pobrezinha figura feminina, mas tamb√©m inculta no magist√©rio humano” (et ego paupercula feminea forma et humano magisterio indocta, conforme a Patrologia Latina de Migne, coluna 1055). O descr√©dito no potencial feminino est√° presente igualmente em outras mulheres de grande prest√≠gio social e intelectual da Antiguidade Tardia, tais como Santa Paula, Santa Marcela (Martins, 2022) e Eg√©ria (Martins, 2017). Ao nosso ver, essa conduta era adotada apenas para que elas fossem aceitas, com base na cultura da √©poca, que levava em conta os preceitos de Paulo de Tarso, entre outros pensadores da Igreja, sobre o papel social das mulheres e a conduta de comportamento que deveriam seguir.

O s√©culo XII foi um tempo de in√ļmeras constru√ß√Ķes importantes, sobretudo as das catedrais g√≥ticas, na Fran√ßa. De fato, esse s√©culo ficou conhecido como o s√©culo das catedrais, do desenvolvimento das cidades e das Universidades. Hildegarda de Bingen nasceu nesse s√©culo que tamb√©m foi marcado pelo final da Primeira Cruzada e in√≠cio da Segunda Cruzada, entre os anos de 1147-1150, tempos de reafirma√ß√Ķes institucionais e reordenamentos doutrinais.¬†

Os mosteiros orientavam-se de forma muito semelhante √†s regras de obedi√™ncia hier√°rquica dos castelos, ocupando a nobreza, obviamente, uma posi√ß√£o privilegiada. Assim, os mosteiros precisavam prestar contas √† nobreza de toda a sua estrutura, funcionamento e servi√ßos prestados √† comunidade. Suas constru√ß√Ķes possu√≠am uma estrutura similar √†s cidades muradas, ou seja, havia uma estrutura de est√°bulos, moinhos, fornos, espa√ßos para produ√ß√£o de vinho e cerveja, oficinas para insumos agr√≠colas, escola, biblioteca, casa para h√≥spedes, hortas (uma para consumo de alimentos e outra para fins medicinais), igreja, hospital e cemit√©rio.¬†

Entre 1147 e aproximadamente 1150, um grande empreendimento estava em andamento no cora√ß√£o dessa mulher autointitulada fr√°gil e, simultaneamente, vigilante: ela planejava buscar um lugar exclusivo para suas monjas. Tratava-se de uma ordem divina e, para o espanto dos seus correligion√°rios monges, a voz dos c√©us lhe anunciava que deveria sair do mosteiro misto de S√£o Disibodo e rumar para Rupertsberg, um lugar pr√≥ximo que ficava no cruzamento do rio Reno com o rio Nahe, perto do porto de Bingen, um lugar de grande circula√ß√£o. Essa mudan√ßa foi requisitada atrav√©s de cartas que a abadessa dirigiu ao Papa Eug√™nio III. Desde que esse Papa legitimou o texto do Sciuias para que a abadessa prosseguisse com sua escrita, passou tamb√©m a incentiv√°-la em seus empreendimentos. A sa√≠da do mosteiro de Disibondenberg foi agitada, pois os monges sabiam que perderiam prest√≠gio com a partida de Hildegarda de Bingen. Em Vita (apud Pernoud, 1986, p.25), consta que, em meio √†s controv√©rsias e negativas, ela adoeceu e assim permaneceu at√© que foi informada que o abade Arnold tinha autorizado o traslado das monjas para Rupertsberg. Segundo Feldmann (2009), imediatamente a abadessa se recuperou, como se estivesse esperando a not√≠cia positiva. Segundo esse mesmo autor, vinte monjas acompanharam-na para a constru√ß√£o do mosteiro e l√° trabalharam arduamente para erguer a igreja de S√£o Ruperto (ou Roberto) e outras instala√ß√Ķes, com a ajuda financeira da nobreza local. Hildegarda de Bingen escreveu a biografia de S√£o Ruperto e de S√£o Disibodo, respectivamente os santos padroeiros do primeiro mosteiro fundado por ela, assim como o do mosteiro misto do qual se retirou.

¬†Foi durante os anos de 1158 a 1163, quando o mosteiro de Rupertsberg j√° estava devidamente instalado, que a abadessa seguiu o chamado apost√≥lico de viajar e pregar durante cinco anos, por meio de tr√™s grandes excurs√Ķes. Viajou pelos rios Reno e Meno com paradas em v√°rios mosteiros e em catedrais como as de Col√īnia e Trier (Tr√©veris). Suas prega√ß√Ķes eram muito concorridas tanto entre os nobres como tamb√©m entre a popula√ß√£o campesina.

No ano de 1165, tamanha era a prosperidade do mosteiro de Rupertsberg em Bingen que Hildegarda de Bingen desejou fundar um segundo mosteiro, em Eibingen. Este existe até hoje, e é conhecido como Abadia de Santa Hildegarda, enquanto que o de Bingen foi destruído em 1632, durante a guerra dos Trinta Anos.

Mosteiro de Rupertsberg antes de sua destruição durante a guerra dos Trinta Anos. Gravura de cerca de 1620 (Fonte: Hildegarde de Bingen: sites historiques. Regenburg: Verlag Schnell & Steiner, 2014. ISBN 978-3-7954-8070-7)
Atual abadia de Santa Hildegarda em Eibingen (Fonte: https://abtei-st-hildegard.de/fran_abbaye/)

Detalhamento de algumas obras

O nome de Hildegarda de Bingen come√ßou a ser mais difundido a partir da publica√ß√£o de suas obras (quase) completas na Patrologia latina (PL), organizada por J. P. Migne. Essa publica√ß√£o deu-se em 1855, ocupando as colunas de 1125 a 1352, do volume 197. Toda a sua obra, que abrange v√°rios dom√≠nios do saber, foi escrita em latim. Segundo declarou a santa, tudo lhe foi revelado pela Luz Divina, √† exce√ß√£o das obras cient√≠ficas e m√©dicas, as quais a abadessa n√£o diz ter recebido do alto; por√©m, n√£o cita as suas fontes. No entanto, reconhecemos uma grande quantidade de leituras (de autores cl√°ssicos, neoplat√īnicos, tradu√ß√Ķes de √°rabes, etc) que teriam embasado o seu conhecimento (Moulinier, 1995).

Podemos dividir seus escritos pelos seguintes temas: (i) hagiografia: Vita Sancti Disibodi [‚ÄúVida de S√£o Disibodo‚ÄĚ], Vita Sancti Ruperti [‚ÄúVida de S√£o Ruperto‚ÄĚ]; (ii) trabalhos exeg√©ticos: Solutiones triginta octo quaestionum [‚ÄúDecomposi√ß√Ķes de trinta e oito quest√Ķes‚ÄĚ], Explanatio Regulae Sancti Benedicti [‚ÄúExplica√ß√£o da Regra de S√£o Bento‚ÄĚ], Explanatio Symboli Sancti Athanasii [‚ÄúExplica√ß√£o do Credo de Santo Atan√°sio‚ÄĚ], Expositiones Evangeliorum [‚ÄúExposi√ß√Ķes dos Evangelhos‚ÄĚ]; (iii) obras teol√≥gicas e m√≠sticas: Scivias (abrevia√ß√£o de Scito vias Domini [‚ÄúConhe√ßa os caminhos do Senhor‚ÄĚ], Liber Vitae Meritorum [‚ÄúLivro dos M√©ritos da Vida‚ÄĚ], Liber Divinorum Operum [‚ÄúLivro das Obras Divinas‚ÄĚ]; (iv) medicina e ci√™ncias naturais: Physica [‚ÄúF√≠sica‚ÄĚ] e Causae et curae [‚ÄúCausas e curas‚ÄĚ]; (v) m√ļsica e poesia: Symphonia Harmoniae Caelestium Revelationum [‚ÄúSinfonia da Harmonia das Revela√ß√Ķes Celestes‚ÄĚ] em 77 pe√ßas, Ordo Virtutum [‚ÄúA ordem das Virtudes‚ÄĚ], auto sacro musicado; (vi) lingu√≠stica: Lingua Ignota [‚ÄúL√≠ngua Desconhecida‚ÄĚ]; (vii) epistolografia: Litterae [‚ÄúCartas‚ÄĚ] (Martins, 2019).

Como vemos, as obras escritas por Santa Hildegarda abrangem v√°rias √°reas do conhecimento: teologia, hagiografia, m√ļsica, poesia, lingu√≠stica, ci√™ncias naturais e medicina. Faremos refer√™ncia, neste momento, com um pouco mais de detalhamento, √†s obras de ci√™ncias naturais de Hildegarda de Bingen, uma vez que estamos no processo de tradu√ß√£o do livro Physica (Martins, 2019, 2020, 2022 (no prelo)). Atualmente, apenas uma de suas obras encontra-se traduzida para o portugu√™s por uma editora comercial. Trata-se do livro Scivias, cuja tradu√ß√£o foi realizada a partir da l√≠ngua inglesa.¬†

  1. Scivias

Scivias faz parte de um tr√≠ptico vision√°rio, constitu√≠do por essa obra, e seguida por Liber Vitae Meritorum [Livro dos M√©ritos da Vida] e Liber Divinorum Operum [Livro das Obras Divinas]. Nelas a autora fez um relato de suas vis√Ķes, recebidas do plano espiritual pela ‚ÄúLuz Viva‚ÄĚ, que lhe ordenou para que escrevesse tudo o que lhe seria transmitido: ‚Äúescreve com base n√£o na linguagem do homem, n√£o na intelig√™ncia da inven√ß√£o humana, n√£o na vontade humana de organiza√ß√£o, mas, com base no fato de que v√™s e ouves o que vem l√° do alto, do c√©u e das maravilhas de Deus (Pr√≥logo do ‚ÄúLivro das Obras Divinas‚ÄĚ, apud Vannier, 2015, p.18). Scivias, porta de entrada de suas vis√Ķes, redigida durante dez anos, de 1141 a 1151, √© a obra atrav√©s da qual lhe foi conferido o t√≠tulo de ‚Äúprofetisa‚ÄĚ. Na verdade, as vis√Ķes da abadessa foram comparadas √†s dos profetas do Antigo Testamento, principalmente Isa√≠as, como sendo express√Ķes de um dom e de uma linguagem para com Deus. Estamos de acordo com Zatonyi (2012, apud Vannier, 2015) que Hildegarda de Bingen prop√īs, nessa trilogia, uma esp√©cie de coment√°rio das Escrituras, atrav√©s da narrativa e da explica√ß√£o de suas vis√Ķes.

A reda√ß√£o de Scivias n√£o ocorreu sem dificuldade. Al√©m disso, a autenticidade de suas vis√Ķes teve de ser reconhecida para que a abadessa pudesse continuar a escrita da obra. Seu grande padrinho foi o monge cistenciense Bernardo de Claraval, que reconheceu a veracidade de suas vis√Ķes. Respondendo a uma carta que ela havia lhe enviado, ele assegurou que ‚Äún√£o deveria ser permitido que uma l√Ęmpada t√£o not√°vel fosse obscurecida pelo sil√™ncio, e que seria necess√°rio confirmar essa grande gra√ßa que o Senhor quis manifestar em seu tempo‚ÄĚ (apud Vannier, 2015, p.18). Depois disso, Bernardo de Claraval submeteu Scivias √† aprova√ß√£o no Conc√≠lio de Trier e, em seguida, ao Papa Inocente III. Ambas as autoridades identificaram o car√°ter genu√≠no das vis√Ķes de Hildegarda de Bingen. Assim, a partir do momento em que obteve permiss√£o para escrever, ela produziu sem parar, at√© o momento de sua morte, aos 81 anos.

Resumidamente, faremos refer√™ncia ao conte√ļdo das obras que comp√Ķem a trilogia teol√≥gica da profetisa do Reno. Scivias fala da bondade de Deus na cria√ß√£o, da queda do homem, da rela√ß√£o entre o homem e o cosmos (da vis√£o 1 √† vis√£o 6); da interven√ß√£o do Salvador e dos caminhos para a salva√ß√£o, que s√£o os sacramentos (da vis√£o sete √† vis√£o treze); e, finalmente, da hist√≥ria da salva√ß√£o. De maneira pedag√≥gica, antes de represent√°-las iconograficamente, Hildegarda de Bingen narra as suas vis√Ķes, propondo em seguida uma explica√ß√£o para elas. Nenhuma das iluminuras que acompanham as obras vision√°rias √© de autoria santa. Admite-se, entretanto, que as ilustra√ß√Ķes de Scivias teriam sido supervisionadas por ela.¬†

O ‚ÄúLivro dos M√©ritos da Vida‚ÄĚ (Liber Vitae Meritorum), escrito durante seis anos, entre 1158 e 1163, √© uma obra pr√°tica, considerada de psicologia crist√£, e desenvolvida a partir de seis vis√Ķes que ela recebeu. Nela, a abadessa d√° conselhos para transformar trinta e cinco v√≠cios em trinta e cinco virtudes. Por exemplo, o v√≠cio da ‚Äúpetul√Ęncia‚ÄĚ pode ser transformado na virtude da ‚Äúdisciplina‚ÄĚ, atrav√©s de ora√ß√Ķes espec√≠ficas, emprego do tempo com a observ√Ęncia do lema da Ordem de S√£o Bento ora et labora (‚Äúora e trabalha‚ÄĚ), alimenta√ß√£o adequada, pr√°ticas de medita√ß√£o com m√ļsica, exerc√≠cios f√≠sicos e uso de ervas e de pedras.

O √ļltimo livro do tr√≠ptico prof√©tico de Hildegarda de Bingen √© o ‚ÄúLivro das Obras Divinas‚ÄĚ (Liber Vitae Meritorum), redigido entre 1163 e 1173. Baseia-se em dez vis√Ķes que foram ilustradas em dezoito imagens. O √ļnico manuscrito ilustrado desta obra, do s√©culo XIII, encontra-se em Lucca, na It√°lia. As vis√Ķes descritas no ‚ÄúLivro das Obras Divinas” organizam-se em tr√™s registros: a Trindade, a antropologia ‚ÄĒ que situa o homem como a medida de todas as coisas no interior da Trindade ‚ÄĒ, e a salva√ß√£o.¬†

  1. Physica

As obras de ciências naturais de Santa Hildegarda que chegaram até nós com os nomes de Physica e Causae et Curae faziam parte de uma só obra cujo título era Liber subtilitatum diuersarum naturarum creaturarum [Livro das diversas sutilezas das criaturas naturais]. Esta revelação está contida em uma carta de 1170, de seu secretário Volmar, e ainda num livro de profecias atribuídas a ela, de 1220.

A obra Physica foi escrita entre 1150 e 1158 e √© composta de nove livros, cuja sequ√™ncia √© esta: De plantis, De elementis, De arboribus, De lapidibus, De piscibus, De auibus, De animalibus, De reptilibus, De metallibus [‚ÄúDas Plantas‚ÄĚ, ‚ÄúDos Elementos‚ÄĚ, ‚ÄúDas √Ārvores‚ÄĚ, ‚ÄúDas Pedras‚ÄĚ, ‚ÄúDos Peixes‚ÄĚ, ‚ÄúDas Aves‚ÄĚ, ‚ÄúDos Animais‚ÄĚ, ‚ÄúDos R√©pteis‚ÄĚ, ‚ÄúDos Metais].

Viriditas √© o termo que perpassa todas as obras de Santa Hildegarda. Este voc√°bulo, que √© derivado de viridis “verde”, n√£o foi criado por ela, porque j√° existia em latim cl√°ssico, significando, num sentido concreto, “vegeta√ß√£o” e “verdor” e, em sentido figurado, “flor da idade” e “vigor” (Gaffiot, 1934, p. 1621). A abadessa, no entanto, expandiu o sentido de viriditas, visando englobar o vigor ou a energia vital derivada de qualquer elemento da natureza, que, por sua vez, √© obra de Deus. Para ela, as doen√ßas prov√™m do desequil√≠brio entre o corpo, a alma e o esp√≠rito, causado pela perda da viriditas, ou seja, pela ruptura com o estado de vigor original. Em suma, pode-se dizer que viriditas representa a energia da natureza, a for√ßa ou energia vital que existe em toda a cria√ß√£o. Esse termo engloba a concep√ß√£o de sa√ļde difundida pela santa, que abrange todos os aspectos da exist√™ncia do ser humano: o f√≠sico, o emocional e o espiritual. Hildegarda de Bingen trabalhou nessa perspectiva de religar o homem ao divino, estabelecendo v√°rios paralelos, entre eles, a compara√ß√£o do homem como um pequeno universo (microcosmo) sujeito √†s mesmas leis do universo (macrocosmo).¬†

Para promover a sa√ļde, prevenindo ou curando doen√ßas, a Profetisa do Reno empregava os elementos dos reinos animal, vegetal e mineral, al√©m de indicar exerc√≠cios f√≠sicos, boa alimenta√ß√£o, sono adequado, preces, medita√ß√Ķes e equil√≠brio com a natureza. Quando se estuda a sua vast√≠ssima obra, percebe-se o fio condutor que une todas elas, cujo objetivo √© aproximar o homem de Deus, trazendo-lhe amor, paz, harmonia, beleza e sa√ļde. Enfim, o ser humano em perfeito equil√≠brio de corpo e alma est√° junto de Deus e em comunh√£o com ele. Atualmente, as t√©cnicas utilizadas por Hildegarda de Bingen para promover sa√ļde s√£o muito semelhantes √†s que empregam a medicina ayurv√©dica e os terapeutas hol√≠sticos. Por isso a nossa santa vem sendo retomada com tanto entusiasmo. Os poderes curativos dos elementos da natureza indicam terapias alternativas para o tratamento de v√°rias doen√ßas. A obra Physica aconselha no Livro I (‚ÄúLivro de Plantas‚ÄĚ) e no Livro III (‚ÄúLivro de √Ārvores‚ÄĚ) o uso interno (atrav√©s de ch√°s, sucos, biscoitos, elixires preparados com vinho, etc.) e externo (folhas maceradas e unguentos fabricados com gordura animal e folhas trituradas) para a cura de v√°rias doen√ßas, tanto f√≠sicas, quanto mentais, emocionais e espirituais. J√° o Livro IV (‚ÄúLivro de Pedras‚ÄĚ) preconiza o emprego de gemas (como a esmeralda e o top√°zio) e o Livro IX (‚ÄúLivro de Metais‚ÄĚ) de minerais como ouro e prata (em p√≥, para serem ingeridos em pequenas quantidades junto com a comida ou bebida) para tratar v√°rios problemas de sa√ļde. A medicina hildegardiana est√° bastante difundida na Fran√ßa, B√©lgica e Alemanha, pa√≠ses onde h√° a forma√ß√£o de terapeutas hildegardianos. Nos Estados Unidos, existe igualmente uma quantidade n√£o negligenci√°vel de seguidores e de adeptos da medicina e do modus vivendi de Hildegarda de Bingen. No Brasil, estamos apenas no in√≠cio da descoberta desta grande santa medieval que nos mostra que na ‚ÄúIdade das Trevas‚ÄĚ tamb√©m houve muita luz. Legou-nos uma obra vasta, de grande sabedoria e profundidade, que est√° sendo estudada e colocada em pr√°tica nos dias atuais como se contempor√Ęnea. O conhecimento transmitido tanto em Physica quanto em Causae et Curae por Hildegarda de Bingen em rela√ß√£o √† medicina natural demonstra-se eficaz e constitui um verdadeiro instrumento de apoio para os tratamentos m√©dicos atuais.

  1. A Língua ignota

Dentro da enorme produ√ß√£o intelectual de Hildegarda de Bingen, que n√£o somente foi de importantes escritos teol√≥gicos e cient√≠ficos, contamos tamb√©m com literatura e m√ļsica. Nessa perspectiva mais ligada √†s artes, a abadessa escreveu poesias (hinos e louvores), uma pe√ßa de teatro e v√°rias composi√ß√Ķes musicais (suas poesias e seu teatro tamb√©m foram musicados), e elaborou um alfabeto a partir do qual criou uma l√≠ngua, que chamou de ‚Äúdesconhecida‚ÄĚ (Lingua ignota).¬†

Publicada pela primeira vez no final do s√©culo passado por Roth, em 1880, a Lingua ignota, at√© o presente momento, permanece em dois manuscritos conhecidos, o Riesencodex e o manuscrito de Berlim. No f√≥lio 461v do Riesencodex l√™-se: Ignota lingua per simplicem hominem Hildegardem prolata [‚ÄúL√≠ngua desconhecida criada pelo simples ser humano Hildegarda‚ÄĚ].¬†

A ‚ÄúL√≠ngua desconhecida‚ÄĚ √© composta por cerca de mil palavras, criadas por meio deste alfabeto:¬†

(Riesencodex, fl. 464v. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Litterae_ignotae.png)

Alguns estudiosos, como Dumoulin (2012) e Newman (1988) consideram que a Lingua ignota foi criada para que a abadessa pudesse se comunicar secretamente com suas religiosas, e para proteger a comunidade dos ataques exteriores. Vannier (2015) sup√Ķe que a Lingua ignota tenha sido criada para dar conta de descrever algumas de suas vis√Ķes que seriam incapazes de serem descritas pela sua l√≠ngua materna ou pelo latim. Outros ainda cogitam que a Lingua ignota seria uma glossolalia, ou seja, uma l√≠ngua desconhecida, recebida quando a pessoa est√° em transe religioso. Hildegarda de Bingen, numa carta, diz ter recebido de Deus essa l√≠ngua, assim como todo o conhecimento presente em suas obras (Higley, 2007, p.22).

V√°rios estudos foram realizados na tentativa de descrever o conte√ļdo sem√Ęntico e a morfologia do vocabul√°rio criado por Hildegarda de Bingen. Um deles encontra-se no livro de Higley (2007) no qual, al√©m de estudos lingu√≠sticos sobre a obra, tamb√©m s√£o apontadas as diverg√™ncias filol√≥gicas entre os textos presentes nos dois manuscritos.¬†

Schnapp (1991) prop√īs uma classifica√ß√£o do vocabul√°rio da L√≠ngua ignota identificando os seguintes temas: I) Ordem sobrenatural (Deus, anjos, santos, o homem como ser espiritual); II) Ordem humana (parentesco, condi√ß√Ķes corporais permanentes, partes do corpo, doen√ßas da pele); III) A Igreja (hierarquia e of√≠cios, sacerd√≥cio, ensino e educa√ß√£o); IV) Vida mon√°stica (lugar de devo√ß√£o, tipos de estruturas eclesi√°sticas, arquitetura e equipamentos da Igreja); V) Hierarquia secular (cargos de autoridade, estados na vida: l√≠deres, artes√£os, trabalhadores, animadores indiv√≠duos moralmente deficientes, indiv√≠duos fisicamente deformados, membros de grupos de ca√ßa e posi√ß√£o no interior do dom√≠nio); VI) Tempo (ciclo do dia, semana, tempo e luz, unidades de tempo maiores, termos relacionais); VII) O dom√≠nio socioecon√īmico (vestu√°rio, fazenda, escrita e ilumina√ß√£o, costura e tecelagem, equipamento militar, ferramentas de artes√£o, fabrica√ß√£o de cerveja e vinho, lareira); VIII. o mundo natural (√°rvores, plantas, aves e insetos).¬†

Dentre todos esses temas, vale a pena chamar a aten√ß√£o para uma parte do vocabul√°rio da Lingua ignota que chocou Roth, descrevendo-o como absolutamente obsceno (“absolut obsz√∂n”), embora o pr√≥prio Roth reconhecesse que palavras dessa natureza j√° faziam parte de um gloss√°rio elaborado por Salom√£o III de Const√Ęncia (bispo de 890 a 919): na Lingua ignota creveniz designa o membro viril, e v√°rios termos s√£o usados para caracterizar os excrementos.

Laurence Moulinier (1989), por sua vez, destaca o car√°ter tril√≠ngue ‚ÄĒ em latim, alem√£o e na Lingua ignota ‚ÄĒ, para a denomina√ß√£o das plantas de Causae et Curae [As Causas e as Curas] (segundo volume da obra cient√≠fica de Hildegarda de Bingen). Al√©m disso, salienta a import√Ęncia do gloss√°rio elaborado por Pitra, em 1882, sobre o herbarium que pode ser constitu√≠do apenas com as plantas caracterizadas por meio da Lingua ignota, que Moulinier considera como uma caricatura amalgamada das duas l√≠nguas que Hildegarda de Bingen conhecia, o alem√£o e o latim. Efetivamente, um quarto do total de palavras da Lingua ignota √© dedicado ao mundo natural: s√£o cento e trinta entradas para ervas e plantas, quarenta e oito ‚Äč‚Äčpara √°rvores e sessenta para p√°ssaros, sem contar o vocabul√°rio do corpo ser humano e seus males (Moulinier, 1997). Al√©m disso, encontram-se muitos termos oriundos da Lingua ignota nos hinos e louvores de Santa Hildegarda, entre os quais O orzichs Ecclesia, em que orzichs significa ‚Äúimensa‚ÄĚ, √© dos mais conhecidos.¬†

Essa obra enigm√°tica levanta numerosas quest√Ķes, sendo que a principal persiste sem resposta: com que finalidade teria sido composto esse curioso l√©xico? Pretendemos aqui suscitar a curiosidade dos leitores para esse tema apaixonante e complexo. Temos a inten√ß√£o de abordar o tema de forma profunda e abrangente, em um trabalho espec√≠fico a ser desenvolvido posteriormente.

Os princípios da exegese feita por Hildegarda de Bingen

Assim como Bingen apresenta o conceito de Viriditas abrangendo uma compreens√£o ampla de sa√ļde integral, portanto reunindo corpo de esp√≠rito, √© poss√≠vel observar que, apesar da sua posi√ß√£o conservadora frente aos temas eclesi√°sticos que demandavam li√ß√Ķes para todos os crentes seguidores da f√© cat√≥lica, ela apresenta argumentos bastante criativos e uma boa parte deles relacionados com as experi√™ncias femininas.

Podemos afirmar que um dos princ√≠pios da sua exegese est√° no argumento do equil√≠brio. Segundo Martins (2022b, p.29), nas obras sobre a sa√ļde sua concep√ß√£o ‚Äúreunia bem-estar f√≠sico, emocional e espiritual, suas obras teol√≥gicas procuram igualmente estimular o homem a viver em harmonia com Deus, com a natureza e com o universo‚ÄĚ.

Considerando o nosso tempo n√£o a caracterizamos como uma mulher para al√©m do seu tempo, defensora das mulheres, uma feminista ou proto-feminista. Nos atrevemos a sinalizar que h√° ind√≠cios de uma ambiguidade que apresenta formas muito distintas de apresentar Deus, fazendo da sua linguagem uma proposi√ß√£o teol√≥gica mais feminina, desde lugares conhecidos das experi√™ncias das mulheres. Concordamos com Barbara Newman (2015, p.70) que Bingen apresenta virtudes femininas que desempenham import√Ęncia em sua teologia. Virtudes que oscilam entre qualidades humanas e luz brilhante, feito estrelas dadas por Deus. Ou ainda, podemos observar que Bingen n√£o questiona o poder dos homens perante as mulheres, mas simultaneamente ela inverte algumas interpreta√ß√Ķes, como no caso da responsabilidade imputada a Eva por sua desobedi√™ncia em comer do fruto do conhecimento do bem e do mal. Ou mesmo a pr√≥pria escolha de Deus para com ela, uma mulher e por isso uma pobre e humilde mulher, feita instrumento nas m√£os de Deus.¬†

Em mais de uma passagem no livro que temos atualmente para an√°lise em nossa l√≠ngua, o Scivias (2015), encontramos formas explicativas que remetem ao cotidiano das experi√™ncias das mulheres, bem como em cada um dos tr√™s livros que o Scivias cont√©m. Apesar do conte√ļdo estar voltado para advertir e ensinar o clero, em cada um deles h√° detalhamentos sobre o funcionamento dos corpos dos homens e das mulheres, a orienta√ß√£o para a boa conduta e uso dos corpos. Essa forma de Hildegarda de Bingen apresentar os an√ļncios de Deus possibilita a percep√ß√£o da mistura dos conhecimentos. Discernimento que demonstra uma compreens√£o integral entre corpo e alma. Ela defendeu uma interpreta√ß√£o conservadora frente √† organiza√ß√£o da escol√°stica, que se anunciava divisora e classificadora entre raz√£o e emo√ß√£o. Sinalizou sua cr√≠tica frente a essa nova estrutura de argumentos, demonstrando por meio das virtudes anunciadas por suas vis√Ķes, de um Deus que falava por meio de uma mulher pouco letrada e incauta, que retornassem todos √† humildade e √† rever√™ncia a ele.¬†

Perspectivas para futuros estudos 

Hildegarda de Bingen foi descrita como a mulher que marcou o medievo pela extens√£o e profundidade de suas obras, as quais, no Brasil, ainda carecem de tradu√ß√£o. Tudo o que sabemos de suas m√ļltiplas profiss√Ķes como poeta, musicista, te√≥loga, m√©dica/enfermeira, agr√īnoma, ecologista, cientista, gestora e cuidadora em sentido amplo (sa√ļde do corpo e do esp√≠rito) ainda est√° reduzido a um seleto grupo de pesquisadoras e pesquisadores e/ou curiosos autodidatas que buscam conhecer a autora, sobretudo nas publica√ß√Ķes internacionais.¬†

Santa Hildegarda tem sido reconhecida tanto no √Ęmbito religioso, quanto no cient√≠fico, em diversos lugares no mundo ocidental, em especial na Alemanha, B√©lgica e Fran√ßa (Martins, 2020). A contribui√ß√£o dessa religiosa polivalente para o estudo e o debate da tradi√ß√£o √©tica e moral da Igreja tem sua trilogia prof√©tica como eixo. O an√ļncio para que se conhe√ßa o caminho em dire√ß√£o a Deus e que se permane√ßa nele √© a chave das suas vis√Ķes e interpreta√ß√Ķes. Suas obras ligadas √† medicina e aos cuidados com o corpo, a alma e a natureza conduzem na dire√ß√£o da busca pelo equil√≠brio. Para ela, a perfei√ß√£o poderia ser alcan√ßada, dado que “Deus que n√£o criou nada impuro” (Feldmann, 2009).

O exerc√≠cio da leitura do livro Scivias requer um estudo introdut√≥rio sobre a teologia crist√£ nos tempos de Hildegarda de Bingen. A introdu√ß√£o de Barbara Newman comp√Ķe essa perspectiva, mas ainda h√° um longo caminho pela frente. √Č importante considerar os estudos de te√≥logas estrangeiras como os de Rosemary Ruether (1993) e Elizabeth Sch√ľssler Fiorenza (1992), e das brasileiras Ivone Gebara (2012), Ivoni Richter Reimer (2014), que analisam os vest√≠gios promulgados pelo cristianismo primitivo na dire√ß√£o oposta √† de Jesus, que tratava as mulheres em p√© de igualdade com os homens. Como se sabe, as mulheres tornaram-se cada vez mais obscurecidas com o fortalecimento da Igreja patriarcal. Tamb√©m nessa perspectiva interpretativa √© importante o entendimento que Maria Simone Marinho Nogueira e Ana Rachel G. C. de Vasconcelos (2022) apresentam sobre a maneira pela qual o cristianismo assimilou a filosofia grega e, portanto, subordinou-a √† teologia por um longo tempo. Aos poucos, a partir do s√©culo IX, √© que a filosofia constr√≥i argumentos de autonomia e, por meio da escol√°stica, estabelece cada vez mais sua diretriz. Essa constata√ß√£o √© importante, pois situa Hildegarda de Bingen no tempo da √™nfase teol√≥gica sobre a filosofia e, de certa forma, sua obra mant√©m essa ambiguidade. Ela n√£o nega a import√Ęncia do discernimento e da raz√£o, mas tamb√©m n√£o separa essas capacidades intelectuais da experi√™ncia nos campos vision√°rio e espiritual.¬†

Em seus escritos, Hildegarda de Bingen deixa expl√≠cito o receio que tinha sobre o perigo de a julgarem mal, por causa de suas vis√Ķes. N√£o podemos esquecer que o contexto em que viveu era extremamente agressivo √†s mulheres e √†s novas ideias. Ela faz uso de uma estrat√©gia que denominamos de ‚Äėregra preventiva‚Äô de apresenta√ß√£o de suas vis√Ķes. Essa postura trazia um argumento de humildade para “sustentar a posi√ß√£o prof√©tica” (Deploige, 1999, p. 86). Outra maneira de se interpretar essa atitude √© pela Ret√≥rica, que contemplava, dentro do ex√≥rdio, uma atitude de humildade para captar a benevol√™ncia do audit√≥rio (Lausberg, 1983, pp. 250-251, apud Paz, 1999, p. 19). Quando a monja falava em p√ļblico, ou admoestava seus ouvintes, sempre alertava que era ‚Äúuma fr√°gil mulher‚ÄĚ a servi√ßo do Rei dos Reis.

Por seu pensamento teológico, de um lado conservador e, de outro, ousado, podemos incluí-la atualmente como pensadora no campo filosófico. Na área das ciências naturais, Hildegarda de Bingen é criativa e mostra-se como verdadeira pesquisadora, descrevendo a natureza e o seu funcionamento (incluindo as diferenças entre homem e mulher, que às vezes lhe valem o rótulo de feminista) com uma metodologia que hoje chamamos de científica.

Com o objetivo de suprir uma lacuna no oferecimento de obras da santa para falantes de l√≠ngua portuguesa, est√° em andamento a tradu√ß√£o de Physica (Martins, 2019, 2020). O objetivo final √© a publica√ß√£o in√©dita em edi√ß√£o bil√≠ngue latim-portugu√™s de Physica e, em seguida, de Causae et Curae. Ao traduzirmos essas obras diretamente de sua l√≠ngua original, esperamos contribuir para a divulga√ß√£o das obras de ci√™ncias naturais de Santa Hildegarda, acreditando que ser√£o de interesse para professores de hist√≥ria, estudiosos de l√≠ngua latina, m√©dicos, terapeutas, te√≥logos, espiritualistas, religiosos e do p√ļblico em geral. Estamos engajados em um projeto que n√£o √© apenas de tradu√ß√£o, mas um projeto de vida. Que Santa Hildegarda nos aben√ßoe, nos d√™ sa√ļde e mente l√ļcida, a fim de que possamos interpretar corretamente seus ensinamentos, os quais nos foram transmitidos h√° quase um mil√™nio, com uma atualiza√ß√£o cient√≠fica a partir das bases lan√ßadas por ela. Esperamos ser dignas de realizar a tradu√ß√£o comentada de suas obras cient√≠ficas no mais alto grau de excel√™ncia que a santa merece. Assim, o p√ļblico de l√≠ngua portuguesa poder√° ler em sua l√≠ngua materna inicialmente as obras cient√≠ficas dessa impressionante mulher medieval, que contribuiu enormemente em diversas √°reas do saber.

Referências Bibliográficas:

Obras de Santa Hildegarda traduzidas para o português

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H√° dois livros de bolso com recortes de cartas e vis√Ķes de Hildegarda publicados por uma editora de Dois Irm√£os/RS.¬†

Bingen, H. de. (2020). Cartas Seletas. Tradução de Tiago Gadotti. Dois Irmãos: Minha Biblioteca Católica. 

Bingen, H. de. (2020). Vis√Ķes. Tradu√ß√£o de Roberto Mallet. Dois Irm√£os: Minha Biblioteca Cat√≥lica.¬†

Bingen, H. de. Physica – em processo de tradu√ß√£o por Maria Cristina Martins (UFRGS – Departamento de Letras Cl√°ssicas e Vern√°culas – Setor de Latim, UFRJ ‚Äď PPGLC ‚Äď Programa de P√≥s-Gradua√ß√£o em Letras Cl√°ssicas)

Livros traduzidos sobre Hildegarda de Bingen

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Literatura Secund√°ria

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Outros Materiais E Fontes

Filme

Vision. Direção de Margarethe von Trotta, 2009.

https://www.youtube.com/watch?v=2EH79p_YL6Q&ab_channel=RamonFernandezdelaCigonha

INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS. Vozes que desafiam. Hildegarda de Bingen, mística e doutora da Igreja (1098-1179). Disponível em: 

https://www.ihu.unisinos.br/591114-vozes-que-nos-desafiam-hildegard-de-bingen-mistica-e-doutora-da-igreja-1098-1179

Sites:

GRUPO GERMINA. Uma filósofa por mês: Hildegarda de Bingen. Disponível em:

https://germinablog.wordpress.com/maio-hildegarda-de-bingen/

Um site em espanhol dedicado à monja: http://www.hildegardiana.es/

Um site norte-americano sobre a medicina hildegardiana:

https://www.healthyhildegard.com/ 

Carta Apostólica: Santa Hildegarda de Bingen, Monja Professa da Ordem de São Bento, é proclamada Doutora da Igreja universal. (2012). Disponível em https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20121007_ildegarda-bingen.html

Um site em português sobre as obras de Hildegarda de Bingen:

 http://www.viriditasbingen.com/

Conferências online

Cirlot, V. ‚ÄúDe Hildegard von Bingen a Max Ernst‚ÄĚ. Dispon√≠vel em: https://youtu.be/Larf70Xclww

Martins, Maria Cristina da S. ‚ÄúAspectos da tradu√ß√£o comentada de Physica de Hildegarda de Bingen‚ÄĚ. Confer√™ncia proferida em 16 de setembro de 2020, no ‚ÄúSemin√°rio de Hildegarda de Bingen: rela√ß√£o entre teologia e ci√™ncia na Idade M√©dia‚ÄĚ, promovido pela PUCSP. Dispon√≠vel em: https://www.pucsp.br/pucplay/video/seminario-santa-hildegarda-de-bingen-relacao-teologia-e-ciencia-na-idade-media-0

Martins, Maria Cristina da S. ‚ÄúHildegarda de Bingen e a medicina natural‚ÄĚ Confer√™ncia – proferida em 19/10/2021, no IV Curso de Extens√£o promovido pelo LAPEHME (Laborat√≥rio de Pesquisa e Estudo de Hist√≥ria Medieval da Universidade do Pampa ‚Äď Campus Jaguar√£o). Dispon√≠vel em https://www.youtube.com/watch?v=0nt8lfYZqAg&ab_channel=CursosdeExtens%C3%A3o-Hist%C3%B3riaMedieval¬†

Martins, Maria Cristina da S. ‚ÄúHildegarda de Bingen e sua obra cient√≠fica: aspectos de tradu√ß√£o e de cr√≠tica textual‚ÄĚ. Confer√™ncia de abertura do V ENCULT e VI SEMP (Universidade Federal da Para√≠ba), proferida em 03/11/2021. Dispon√≠vel em: https://www.youtube.com/watch?v=JQrTrmkPL8U¬†

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