Galbraith sobre a crise do mercado americano

O Washington Post de hoje tras um artigo de James K. Galbraith, intitulado: “A Bailout we don’t need”, esculachando a intervenção do governo americano na quebradeira dos bancos de investimentos.

Ele começa o artigo com uma verdade que o governo americano está tentando esconder atrás de filó:

Agora que todos os cinco grandes bancos de investimentos — Bear Stearns, Merrill Lynch, Lehman Brothers, Goldman Sachs e Morgan Stanley — desapareceram ou “morfaram” em bancos comuns, surge uma qustão.
Essa operação de salvamento fiança ainda é necessária? (Nota do tradutor: “to  bailout”, literalmente, quer dizer “baldear”, ou seja, tirar com baldes a água que entra em um barco que está afundando)[atendendo à correção feita pelo Daniel: “bailout” significa “libertar mediante pagamento de fiança”; se o significado original de “bail” = “fiança” tem correlação com “bail” = “balde”, ignoro. Eu devo ter sido induzido ao erro pela expressão “all hands to the bails!” que é usada para “baldear” um barco em dificuldades]

O objetivo dessa fiança é comprar ativos que não têm liquidez, mas não são sem valor. No entanto, os bancos comuns têm ativos como esses o tempo todo. Chamam eles de “empréstimos”.

Mais à frente, ele prossegue:

Com esta solução, a ameaça sistêmica às finanças deve desaparecer. Isso significa que a economia vai se recuperar rapidamente? Não. Infelizmente, ela não vai. Dois vastos problemas econômicos vão confrontar o próximo presidente imediatamente. Primeiro, a crise habitacional subjacente: Existem casas demais no mercado, casas demais vagas ou não vendidas, proprietários demais debaixo d’água. O crédito não vai começar a aparecer, como sugerem alguns, simplesmente porque a crise foi contida. Têm que haver tomadores de empréstimos e têm que haver fiadores. E não haverá o bastante.
(…)

A segunda crise está nos governos estaduais e municipais. (…) O cenário é o mesmo em todas as partes: escolas, corpos de bombeiros, delegacias de polícia, parques, bibliotecas e projetos de abastecimento d’água estão levando o machado, enquanto serviços essenciais de manutenção são postergados e importantes projetos de desenvolvimentos não são iniciados. Isso é pernicioso quando ataxa de desemprego está aumentando e quando temos todos os recursos que realmente necessitamos para preservar os serviços públicos e expandir os investimentos públicos. E é também desnecessário.

Em suma, Galbraith afirma que a crise não é do país Estados Unidos e que os governos não tem que sair correndo para cortar orçamentos: a crise está localizada em Wall Street, “onde a desregulamentação, ganância e fraude correram frouxas”. E sugere que deixem os prejuízos por conta dos investidores.
Ou, como sintetizou o Lula: “os lucros ficam nas mãos dos financistas… os prejuízos são repartidos entre a sociedade”.
Engraçado como, em véspera de eleição, os discursos da direita e da esquerda se tornam semelhantes…

Discussão - 2 comentários

  1. Oi Joao,
    Eu acho que o uso do termo “bailout”, aqui, se refere a outra coisa: “bail” significa “fiança” (aquela que vc paga pra sair da cadeia) e “bailout” é aquele cara que paga a fiança pro sujeito sair da cadeia (daí a formação do “phrasal verb” através de “bail” + “out”).
    Então, num sentido um pouco mais literal, “bailout” é “fiador”, o camarada que serve de “lastro” caso a coisa vá pro brejo. 🙂
    Não que o significado, no final das contas, seja muito diferente de salvar o navio a baldes… 😉
    []’s!

  2. Joaozao,
    Achei que esse link viria a calhar:
    Usos do termo ‘bail’.
    Me parece que “bail” eh o nome da alça usada num balde, nao do balde propriamente dito. Por outro lado, tambem se usa “bail” para designar o balde que se usa para remover agua dum barco (veja a especificidade do uso: nao eh qualquer balde, mas os usados pra remover agua de barcos! :-).
    Porem, um sinonimo comum para “bucket” eh “pail”. 😉
    Vai entender…
    []’s!

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