Physics News Update nº 873

POR DENTRO DA PESQUISA CIENTÍFICA ― ATUALIZAÇÃO DAS NOTÍCIAS DE FÍSICA

PHYSICS NEWS UPDATE

O Boletim de Notícias de Pesquisas do Instituto Americano de Física, n° 873 de 25 de setembro de 2008, por Philip F. Schewe, James Dawson e Jason S. Bardi

A MAIS DISTANTE COISA VISÍVEL.

Pela primeira vez na história você poderia ter visto até a metade do caminho da origem do universo a olho nu. Na noite de 19 de março de 2008 um telescópio montado no espaço observou um clarão vindo de um jato de raios gama, um objeto celeste extremamente explosivo, que estabeleceu diversos recordes. Primeiro, se você estivesse olhando naquela direção, você teria sido capaz de ver, com seus próprios olhos somente, algo a uma distância maior do que sete bilhões de anos-luz — mais longe do que qualquer ser humano já enxergou em toda a história.  Segundo, uma vez que olhar para o espaço é equivalente a olhar para trás no tempo (o tempo que leva para a luz vir desses objetos até a Terra é de muitos anos), você estaria testemunhando a coisa mais velha visível a olho nu.

Um novo relatório descreve as observações da explosão, feitas por um telescópio orbital chamado Swift e por alguns telescópios com base em Terra que entraram em ação assim que foram avisados pelo Swift. O Swift tem três detectores a bordo que observam, não a luz visível comum, mas a luz muito mais energética na forma de raios-x e raios gama. Uma das características da missão Swift é que, assim que ele vê qualquer coisa interessante, ele alerta controladores no solo, de forma que outros telescópios possam ser apontados naquela direção. Dessa forma a explosão, cujo nome oficial é GRB 080319B, pode ser seguida por telescópios sensíveis ao outros tipos de luz, tais como infravermelho e até ondas de rádio.

O evento de 19 de março é um exemplo de um jato de raios gama. Isto acontece quando certas velhas estrelas massivas esgotaram seu combustível interno. Quando uma estrela fica sem combustível, a força da gravidade faz com ela se contraia. Se este processo for suficientemente violento, a estrela pode explodir como uma supernova.  Em alguns casos especiais, o que resta é um buraco negro e ondas de choque que se propagam para fora e, quando se entrecruzam, podem criar um brilhante clarão de luz. Por algum tempo, essa luz é mais poderosa do que a proveniente de toda uma galáxia de estrelas. (sic)

O cone de energia que se espalha a partir da explosão pode ser bastante estreito, e forma que, para ser observado tão distante, como esse objeto foi, ele tem que estar exatamente alinhado de forma que o Swift possa vê-lo. Este jato de raios gama não foi o mais distante já observado com um telescópio, mas foi o mais brilhante em termos de energia liberada. Tão brilhante que, de fato, pode ser visto a olho nu em certas áreas das Américas do Norte e do Sul na noite de 19 de março, mesmo que por apenas cerca de 40 segundos. O clarão de luz que chegou á posição do Swift em sua órbita foi tal que dois dos três detectores do Swift ficaram temporariamente ofuscados.

Por sorte, diversos telescópios foram rapidamente colocado em posição e puderam estudar a explosão estelar se desenrolar. A essas alturas, o raios gama, a parte mais energética da explosão de luz, já tinham sumido. Mas outros tipos de luz continuaram a ser emitidos do local. De acordo com a cientista da Swift, Judith Racusin, uma astrônoma na Universidade Penn State, este se tornou o jato de raios gama melhor estudado e as observações já modificaram nosso modo de pensar acerca de como esses jatos funcionam.

Quando se olha para o céu noturno, cerca de 3.000 estrelas são visíveis. Tudo o que se pode ver à noite é um planeta de nosso Sistema Solar ou uma dessas estrelas, todas elas localizadas em nossa própria galáxia, a Via Láctea. A coisa mais distante que pode ser normalmente vista a olho nu — e com alguma dificuldade — é a galáxia de Andrômeda, que fica a cerca de 2,5 milhões de anos luz distante. Somente uma vez, em média, a cada século, uma supernova de outra galáxia mais distante fica visível. E, recentemente, já havia 400 anos desde que uma dessas tinha sido vista.

Isso torna o evento GRB 080319B mais impressionante ainda. Ele quebra o recorde do evento-mais-distante-observável-a-olho-nu por um fator de mil. Localizado na Constelação de Bootes (o Boiadeiro), o jato de raios gama fica a uma distância de 7 bilhões de anos-luz, o que significa que levou 7 bilhões de anos para a luz da explosão chegar à Terra. Isso significa que uma pessoa que tenha observado a parte visível da explosão, viu algo com metade da idade do universo, desde o “Big Bang”, quando, de acordo com a moderna cosmologia, começou o universo. Quando a explosão aconteceu, o Sol não tinha aparecido, ainda, muito menos a Terra, menos ainda a espécie humana. (Os resultados apareceram na revista Nature de 11 de setembro de 2008.)

PREDIZENDO (BEM… QUASE…) O RESULTADO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

Dois matemáticos bolaram o que eles dizem ser um processo “surpreendentemente eficaz” para predizer o resultado da eleição presidencial dos EUA, usando estatística de medianas com base nas pesquisas eleitorais.

Em um artigo no periódico Mathematical and Computer Modeling, Wes Colley, da Universidade do Alabama, Huntsville, e J. Richard Gott III, da Universidade de Princeton, disseram ter desenvolvido um sistema que usa as margens de vitória de cada candidato em cada uma das várias pesquisas realizadas durante o último mês. Essas margens são classificadas da maior para a menor, e o número do meio, ou mediana, é usado como o escore do candidato para cada estado em particular.  Colley é nacionalmente conhecido por seu sistema de modelagem em computador usado para estabelecer os rankings do futebol americano (universitário) pela NCAA, e seu novo sistema apresenta Barack Obama  na frente de John McCain.

“John McCain precisa mudar o resultado em vários estados para abrir seu caminho, enquanto que Obama pode se dar ao luxo de perder um ou dois e ainda ganhar as eleições”, declarou Colley. Antes que os partidários de Obama comecem a estourar o champanhe, entretanto, eles devem tomar conhecimento de novas pesquisas feitas pelo Instituto para Pesquisa de Operações e as Ciências de Administração (Institute for Operations Research and the Management Sciences = INFORMS), com sede em Maryland, a maior sociedade do mundo para profissionais de pesquisas de operações.

Usando uma metodologia que “aplica um modelo matemático aos dados das pesquisas estaduais, usando um algoritmo de programação dinâmico para predizer os resultados da eleição”, INFORMS diz que McCain está á frente por 27 votos no Colégio Eleitoral (282.8 votos para McCain, 255.2 para Obama). E aí aparece o fundador do Centro de Pesquisas da Universidade de New Hampshire e antigo editor-gerente do Instituto Gallup, David Moore, que revela em um novo livro que “pesquisas feitas pela mídia não são usadas para descobrir as vontades ou opiniões do público, mas, ao contrário, servem para fabricar uma ‘opinião pública’ que capture a atenção dos jornalistas e possa ser usada para ‘tampar buracos’ nos noticiários”. A metodologia usada pelas maiores pesquisas nacionais, diz ele, “dão falsas leituras sobre os candidatos preferidos pelos votantes e sobre o que o público quer”.

[Comentário do tradutor: o nosso velho “Barão de Itararé” já dizia que “existe a opinião pública e a opinião que se publica”]

ANÚNCIOS MULTILÍNGÜES.

No mundo, cada vez mais competitivo, do marketing global, como uma companhia multinacional, com base nos EUA, Bélgica ou Japão, deve decidir qual linguagem deve ser usada para anúncios na televisão para vender produtos na Índia?  Será melhor anunciar em Hindi, a linguagem nativa da Índia, ou inglês, a linguagem que a maior parte da população urbana da Índia também fala e compreende?

Pesquisadores das Universidades de Minnesota e Michigan descobriram que a resposta depende um bocado do produto que se quer vender. Produtos de luxo, tais como chocolates finos, vendem melhor em países bilíngües se usarem o inglês, mas produtos de primeira necessidade, tais como detergente, vendem melhor se anunciados na linguagem nativa, foi o que os pesquisadores descobriram. Porém a melhor escolha pode ser uma mistura das linguagens. “A questão dos consumidores bilíngües é cada vez mais crucial para as corporações multinacionais”, diz Rohini Ahluwalia, um pesquisador de marketing na Carlson School of Management de Minnesota. “Para alguém na Espanha, um anúncio de um item de luxo de uma firma estrangeira pode ter um maior impacto se for falado em inglês ou ‘espanglês’, do que se for falado em espanhol somente”, diz Ahluwalia.  “Ao contrário, se o produto anunciado for um item de primeira necessidade, a linguagem nativa é mais persuasiva”. Um estudo de Ahluwalia e o pesquisador de marketing da Universidade de Michigan, Aradhna Krishna, realizado na Índia revelou que a escolha da linguagem é carregada de simbolismo e escolher o que funciona é difícil. A linguagem Hindi foi associada com “familiaridade”, enquanto o inglês foi associado com “sofisticação”, dizem os pesquisadores. As implicações para os orçamentos multimilionários de propaganda podem ser sérias. Anúncios de companhias estrangeiras somente em inglês funcionam melhor do que anúncios na linguagem local que “podem sair pela culatra, causando ceticismo no consumidor”, declarou Ahluwalia. Porém, “o mais seguro é usar anúncios com linguagens misturadas”.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

[E que mal pergunte este mero tradutor: que raios publicidade tem a ver com física????]

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