A “Síndrome de Pôncio Pilatos”


Association for Psychological Science

Limpeza pode comprometer julgamento moral

Da  próxima vez que você tiver que tomar uma decisão difícil sobre algum aspecto moral, pense duas vezes em refletir sobre o assunto enquanto toma um banho

Uma nova pesquisa, publicada em Psychological Science, uma publicação da Association for Psychological Science, descobriu que a noção física de limpeza reduz seriamente a severidade de julgamentos morais, o que mostra que a intuição, mais do que o raciocínio lógico, pode influenciar nossa percepção sobre o que é “certo” e o que é “errado”. A pesquisadora chefe, Simone Schnal, explica a relevância das descobertas para o dia-a-dia: “Quando fazemos um julgamento moral, nós acreditamos estar tomando uma decisão consciente e racional, porém esta pesquisa mostra que nós somos subconscientemente influenciados pelo quanto nos sentimos “limpos” ou “puros”.

“Por exemplo, na situação de um membro de um juri, ou na de um eleitor — se o membro do juri tiver lavado suas mãos antes de dar seu veredito, ele pode julgar um crime com menos severidade.”

“Da mesma forma, se pode ser mais tolerante com algum pequeno ‘deslize’ político, se, antes de votar, se realizar uma ação que faça a pessoa se sentir ‘limpa’ antes de votar”.

A pesquisa foi realizada através de duas experiências com estudantes universitários. No primeiro, eles tinham que completar uma frase misturada, usando 40 conjuntos de 4 palavras cada. Sublinhando três palavras quaisquer, se formaria uma frase. Para criar a condição neutra, os conjuntos continham 40 conjuntos de palavras neutras, porém para criar a condição de “limpeza”, metade dos conjuntos continha palavras tais como “puro, lavado, limpo, imaculado e impecável”. Os participantes foram, então, chamados a avaliar uma série de dilemas morais, tais como guardar o dinheiro encontrado em uma carteira perdida, incluir dados falsos em um currículo e matar um sobrevivente mortalmente ferido de uma queda de avião para evitar a inanição.

Na segunda experiência, os estudantes tinham que assistir um filme curto “repulsivo”, antes de avaliar os mesmos dilemas morais. No entanto, metade do grupo tinha que lavar as mãos antes.

As descobertas de ambas as experiências demonstraram que aqueles que tinham sido submetidos a sentimentos cognitivos de “limpeza”, eram menos severos em seus julgamentos morais do que suas contrapartes.

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Para maiores informações, por favor contatar: Simone Schnall (simone.schnall@plymouth.ac.uk)


O tradutor ia tecer alguns comentários, mas achou melhor calar a boca, por enquanto… (sim, eu acabei de tomar um banho 😉 )

Discussão - 2 comentários

  1. Igor Santos disse:

    Eu acho engraçado como esse exemplo do sobrevivente canibal sempre aparece em testes de “moral”.
    A resposta “certa” sempre me pareceu tão óbvia…

  2. João Carlos disse:

    A mim também… E o mais engraçado é que as principais objeções vêm de grupos religiosos, notadamente Cristãos. No entanto, seu principal “Sacramento”, a “Comunhão”, é um “canibalismo ritual simbólico”.

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