As Bruxas da Recessão

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O Financial Times cita uma explicação, ou pelo menos, um fator para a febre de caça às bruxas na Idade Média: a economia.

Em particular, como o historiador Wolfgang Behringer sugeriu em 1999, a “Pequena Idade do Gelo” em que a temperatura média caiu até um grau, com suas conseqüências para as safras de alimentos, teria em seus anos mais severos influenciado movimentos sociais, como a caça às bruxas.

Em 2004, a economista Emily Oster, mais conhecida por trabalhos como o que traçou a correlação entre a hepatite B e “100 milhões de mulheres a menos” no mundo, abordou a hipótese com maior rigor e… a correlação estava lá.

Entre 1520 e 1770, décadas mais geladas acompanharam uma intensificação da perseguição às bruxas. E, talvez ainda mais interessante, Oster menciona as caças às bruxas que se estendem até hoje na África e Ásia, em países talvez não por coincidência miseráveis.

Estes trabalhos ecoam algo das idéias de Jared Diamond sobre a influência do ambiente sobre a história humana. E parecem mais do que razoáveis.

Referências
Climatic change and witch-hunting : The impact of the Little Ice Age on mentalities;
Witchcraft, Weather and Economic Growth in Renaissance Europe (PDF).

Discussão - 1 comentário

  1. Andréia Tschiedel disse:

    No geral, este tipo de movimento se reveste de uma desculpa religiosa para mascarar razões econômicas e políticas. Não se pode esquecer que a maioria dos tribunais inquisitoriais europeus davam o direito do juiz se apropiar dos bens do réu considerado culpado.
    E em tempos difíceis, nada mais “normal” que isso acontecer com mais frequência e com menos opositores, pois as emergências parecem sempre justificar as exceções.

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