Psico-história e pesquisas eleitorais

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“Hari Seldon desenvolveu a psico-história modelando-a na teoria cinética dos gases. Cada átomo ou molécula em um gás se move aleatoriamente, de forma que não podemos saber a posição ou velocidade de qualquer um deles. Ainda assim, usando estatística, podemos descobrir as regras governando seu comportamento coletivo com grande precisão. Da mesma forma, Seldon quis descobrir o comportamento coletivo das sociedades humanas ainda que as soluções não se aplicassem ao comportamento de seres humanos individuais”. – Isaac Asimov

Pensando aqui com meus botões sobre como meu “voto útil” tem sido influenciado pelas pesquisas eleitorais, lembrei da psico-história, conceito central da série “Fundação” de Asimov. Somos mais de 135 milhões de eleitores, em um país que se aproxima de 200 milhões de habitantes. Pesquisas eleitorais com amostras de um punhado de milhar são uma aproximação razoavelmente confiável da manifestação coletiva de centenas de milhões de pessoas. Fãs de Asimov podem se revoltar, mas Ibope, Datafolha, CNT/Sensus são uma espécie de pré-Fundação.

Na série de ficção científica, claro, mesmo o escritor de enormes costeletas explicava que a psico-história só começa a funcionar realmente quando as sociedades humanas chegam a muitos bilhões. Mais do que isso, o escritor que será lembrado por criar estes conceitos fabulosos como a própria psico-história ou as leis da robótica, as explorava justamente para desafiá-las, uma vez que ao final todas suas maiores histórias lidavam com problemas e dilemas nestes conceitos.

Mas mesmo isso é um paralelo com o que vivemos. Pesquisas eleitorais influenciam a intenção de voto que pretendem medir, elemento que pode e é usado deliberadamente. São pré-psico-historiadores tentando mudar o futuro… com previsões do futuro. Aos que leram a série Fundação, o paralelo talvez se torne mais claro.

É um tanto bizarro exercer amanhã um direito tão importante, pelo qual se lutou tanto, ao mesmo tempo em que se sabe que seu voto isolado pouco deve influenciar um resultado prenunciado. Já vivemos em um mundo sonhado há muito, e o mais impressionante talvez seja que feitos fabulosos como a previsão da vontade coletiva de 135 milhões de pessoas acabem se tornando razão para apatia. No dia em que Hari Seldon previr o destino do Império Galáctico, poderemos não nos importar em tentar mudar algo uma vez que as pesquisas psico-históricas já indicam um futuro inevitável.

Serpentes

A sugestão de infinitos anéis entrelaçados, percorridos por três Serpentes, na última gravura do artista holandês M.C. Escher, revisitada em uma animação tridimensional de Cristóbal Vila.

Depois de mergulhar na versão digital, confira como Escher criou originalmente a obra há quatro décadas, gravando em madeira os blocos que imprimiriam o círculo completo em três partes idênticas – cada uma delas com três cores, preto, marrom e verde.

O vídeo do artista criando estas obras desafiando a precisão manual, sempre com a sugestão da perfeição geométrica, é imperdível.

Não por coincidência, o próprio Escher era um admirador da arte abstrata e geométrica que adornava a arquitetura islâmica, tema de outros vídeo de Vila, Isfahan:

Vila talvez seja mais conhecido por um outro vídeo recente sensacional associando a sequência de Fibonacci a formas da natureza.

Benoit Mandelbrot (1924-2010)

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No último dia 14 de outubro, faleceu aos 85 anos o matemático Benoit Mandelbrot. Uma das figuras mais influentes na área nas últimas décadas, Mandelbrot se tornou conhecido como pai da geometria fractal, termo que cunhou e popularizou.

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O amigo girino oferece um tutorial sobre fractais com ênfase em seu aspecto matemático e computacional. O Osame também havia escrito um texto para leigos sobre Fractais: Uma nova visão da natureza.

[Imagens: Mandelbrot recursivo; conjunto de Mandelbrot]

Sinédoque: o oceano dentro de nós

O soluço pode ser um mistério e uma pista. Mistério, porque não se sabe realmente para que o soluço serve, se é que é de alguma utilidade. E pode ser uma pista, porque em “Uma hipótese filogenética para a origem do soluço” (inglês, PDF), Straus et al sugerem que ele seria o remanescente do reflexo respiratório de nossos ancestrais anfíbios.

Pequenos girinos, por exemplo, fecham a glote e forçam músculos respiratórios para ventilar água pelas suas guelras. E uma indicação de que o soluço poderia ser um reflexo ancestral – e não um mero curto circuito no sistema respiratório – é que mesmo antes de inspirar ar pela primeira vez, enquanto ainda fetos, já exibimos alguns soluços. É curioso imaginar que a cada “hic” estaríamos tentando ventilar guelras que já não temos há muito.

A ideia de preservarmos certos atavismos de nossa história aqui se relaciona com um conceito clássico e mesmo anterior à evolução de Darwin, o de que “a ontogenia recapitula a filogenia”. Enquanto nos desenvolvemos, cada um de nós desde um punhado de células até a forma de pequenas criaturas com cara de joelho recapitularia no ventre materno todas as principais formas de nossos ancestrais por centenas de milhões de anos, um conceito adorável que já penetrou mesmo em filmes de Hollywood onde desafortunados protagonistas “devoluem” a formas primitivas.

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Adorável como seja, a ciência moderna revela que a ontogenia não recapitula a filogenia tão perfeitamente – não nos tornamos realmente peixes ou répteis em nossas primeiras semanas de vida – mas em termos gerais sim carregamos em nosso desenvolvimento traços de nossa história evolutiva. O mais evidente deles talvez sejam as caudas, que manifestamos como fetos e se retraem para formar o cóccix. Ou possivelmente os soluços, que segundo Straus seriam lembranças motoras primitivas da respiração por guelras.

Nossos ancestrais vieram do oceano, das águas primordiais onde a vida teria surgido até os primeiros anfíbios que conquistaram a terra firme. Como a ontogenia recapitulando a filogenia, isto é, ilustrando a continuidade da evolução, de certo modo ao conquistar a terra nossos ancestrais não abandonaram realmente o mar: eles o trouxeram consigo. Mesmo em nosso corpo, resultado de milhões de gerações de animais vivendo em terra firme, ainda podemos encontrar algo deste oceano, com a concentração de sais e minerais dentro da mesma ordem de grandeza. Todos trouxemos o oceano conosco.

O humor aquoso transparente que preenche o interior de seu globo ocular, através do qual você enxerga estas mesmas imagens, é uma amostra muito similar à água que você encontraria no oceano de onde viemos, ou inclusive no mar que encontramos hoje. A má notícia aos náufragos é que a semelhança não é identidade, e nosso corpo é particularmente sensível a pequeníssimas variações na concentração destes sais e minerais – motivo pelo qual não se deve beber água do mar, uma vez que o corpo despende mais água do que a ingerida para se livrar do excesso de sais, efetivamente se desidratando.

Esse dilema é finalmente o tema principal deste texto, como parte do Blog Action Day 2010 sobre a água. Quase um bilhão de pessoas não possui acesso a água potável. O pequeno oceano que carregamos dentro de nós precisa ser constantemente renovado em um delicado equilíbrio, uma homeostase onde a água que nos compunha ontem é diferente da que nos compõe hoje. Somos, ainda pensando em metáforas, um frágil rio afluente de um oceano ancestral em constante renovação, vulnerável a qualquer problema em suas fontes.

Foi apenas no século 19 que o médico inglês John Snow fundaria a ciência da epidemiologia ao descobrir como uma fonte de água contaminada na Broad Street seria a origem de um surto de cólera, capaz de interromper abruptamente o curso de muitos destes “rios afluentes”. Água contaminada ainda mata hoje quase 38.000 crianças toda semana.

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A beleza do conhecimento científico associando a vida e sua origem à água já havia sido vislumbrada por cosmogonias antigas, como as primeiras concepções da origem do mundo por sumérios que viam nos oceanos a fonte de tudo. Estavam certos na percepção intuitiva de que vida e água são indissociáveis.

A urgência do reconhecimento da importância de acesso a fontes adequadas de água limpa é bem mais recente, e é um problema sócio-econômico. Em apenas duas décadas conseguimos distribuir quas
e 5 bilhões de telefones celulares em todo o planeta, mas em mais de um século não fomos capazes de garantir acesso segura a água a todo ser humano com que partilhamos o legado deste oceano ancestral.

No Brasil, segundo a ONG “Trata Brasil”, mais de 100 milhões de brasileiros não dispõem de rede de coleta de esgoto sanitário e 13 milhões não têm sequer banheiro em casa. Todos os dias, sete crianças brasileiras morrem em consequencia da falta de saneamento. Para zerar o déficit de saneamento básico e oferecer acesso universal à coleta e ao tratamento de esgoto, o Brasil precisa de investimentos anuais de R$ 10 bilhões nos próximos 20 anos.

É bastante dinheiro, mas os prejuízos causados pela falta de investimento em saneamento são ainda maiores. Cada R$ 1,00 investido em saneamento representa uma economia de R$ 4,00 em gastos com saúde. E, apesar da saúde ser a principal preocupação dos brasileiros, o saneamento básico é apenas a oitava maior preocupação. Como tal, foi deixado de lado nas eleições. Falta a consciência do que John Snow descobriu há mais de um século.

Ao soluçar, lembre-se da curiosidade que o espasmo pode ser lembrança de que já tivemos guelras, que viemos do oceano. Beba um copo d’água, limpa, pode melhorar o soluço. Não seria fabuloso se todos, no Brasil e no mundo, pudessem fazer o mesmo?

Gaiola das Cabeçudas

Foucault, Sivuca, dança do Aa, Maurice Béjart, Fernando Pessoa, Kant, Guimarães Rosa, Rodin, Einstein, Machado de Assis, Aleijadinho, Proust, Picasso, Dali.

Eclipses Antropocêntricos

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O cone de sombra lançado pela Lua encobrindo o Sol se desfaz, de forma particularmente destacada, enquanto um eclipse total chega ao seu fim. Uma imagem de tirar o fôlego, até porque é uma criação digital de nethskie. Mas não desanime: uma visão tão bela pode sim ser vista de verdade em latitudes mais altas, onde a penumbra de nosso satélite se alonga obliquamente por centenas de quilômetros.

A fotografia abaixo, capturada por Daniel Fischer, é do mundo muito real da Patagônia.

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Enxergar que o cone de sombra de um eclipse é em verdade pequeno deve ser uma experiência que inspire reflexão e mesmo humildade. Nossos antepassados, de culturas das mais diversas em diferentes pontos do globo, viam eclipses como presságios e maus agouros cósmicos. Afinal, o Sol estava sendo tomado por escuridão. Que espécie de feitiçaria ou caprichos divinos responderiam por essa escuridão em pleno dia? Que garantia havia de que a escuridão não duraria eternamente?

Apenas registros astronômicos estendendo-se por gerações permitiriam descobrir que os eclipses não eram arbitrários. Muito pelo contrário, eles obedecem a uma regularidade tão previsível e confiável que através deles podemos estabelecer que na tarde de 28 de maio de 585 AC, Aliates, rei da Lídia, batalhava com Ciáxares, rei de Média. É o evento histórico mais antigo conhecido com tal precisão justamente porque esta “Batalha do Eclipse” foi interrompida pelo escurecer do céu, cuja data pode ser determinada com base na regularidade astronômica.

Há mais de dois milênios, os reis ficaram tão impressionados com o fenômeno, interpretado como um sinal dos deuses, que após anos de guerra estabeleceram a paz da forma antiga: a filha de Aliates casou-se com o filho de Ciáxares, e seus territórios foram divididos no rio Hális que dividia seu campo de batalha. Registrado por Heródoto, foi sorte de lídios e medas que a Turquia não se situasse em uma latitude alta como a Patagônia, pois então os reis talvez percebessem que o eclipse era um fenômeno local e passageiro.

Porque afinal eclipses solares são fenômenos locais e passageiros, durando no máximo pouco mais de sete minutos e vistos em um mesmo momento apenas de uma pequena faixa da superfície do planeta. Salvo um fantástico cataclismo interplanetário altamente improvável que tirasse a Lua ou a Terra de suas órbitas da maneira exata, eclipses solares sempre serão locais e passageiros, sempre obedecerão a uma regularidade que permite conhecer todos os eclipses estendendo-se em eras passadas e futuras com enorme precisão. Nada há de sobrenatural e os presságios que trazem são meramente de movimentos celestes.

A natureza local de um eclipse fica ainda mais evidente quando se vê o cone de sombra do espaço, algo que lídios, medas e mesmo habitantes da Patagônia não poderiam apreciar, mas astronautas na Estação Espacial Internacional sim. A mancha escura sobre o planeta abaixo é a sombra de um eclipse.

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Quão apropriado não é que esta imagem de um eclipse solar vista do espaço tenha um cone de sombra próximo da mesma Turquia onde Aliates e Ciáxares batalharam há um par de milênios. E quanta reflexão e sobretudo humildade esta imagem não deve inspirar: enquanto os reis guerreiros do passado pensaram que os deuses escureciam o Sol por causa de sua batalha, o Sol em verdade brilhava ininterruptamente há bilhões de anos.

Apenas uma fugaz conjunção geométrica entre a posição do verdadeiro astro-rei, a Terra e seu satélite é que gerava uma pequena mancha escura movimentando-se rapidamente sobre o planeta. Aqueles no meio da sombra pensariam que o Sol foi engolido por um disco negro, mas no mesmo instante pessoas fora do cone de sombra não notariam nada de mais. Qualquer observador mais distante do planeta talvez nem percebesse o minúsculo ponto de sombra na pequena esfera azul.

Eclipses são fenômenos astronômicos, mas sua apreciação é inteiramente antropocêntrica. Humanos sobre o planeta se fascinam com os rápidos momentos de escuridão e por milênios pensaram que toda a ordem do Universo havia sido violada. Pensavam, como muitos ainda pensam, que todo o Universo e todos os fenômenos verdadeiramente fabulosos em todo o Cosmos giravam em torno de si mesmos.

Estavam somente um pouco obscurecidos.

30 anos de Cosmos: uma viagem humana


“Nós somos uma forma do Cosmos conhecer a si mesmo”.

Quando a Humanidade deu seu grande salto na Lua em 1969, em torno de meio bilhão de pessoas assistiram empolgadas em pequenas TVs em preto e branco dois astronautas pisarem em outro mundo. O evento marcou toda uma geração e continua sendo um dos maiores feitos de nossa espécie, mas apenas três anos depois, quando os astronautas da Apollo 17 deram o último adeus ao nosso satélite natural, o interesse popular pela exploração espacial já não era tão grande. Faltava algo mais básico para continuar a alimentar o grande interesse público além da novidade de pisar na Lua.

Foi neste contexto que um cientista espacial que continuava a explorar outros mundos com sondas robóticas renovaria a fascinação de centenas de milhões. Através da mesma telinha, agora a cores e com efeitos especiais e um roteiro quase poético, ele relembraria e para muitos apresentaria pela primeira vez o que realmente significava aquela pegada no solo lunar – e tanto mais além desta façanha.

Desde as verdadeiras dimensões do Universo em que vivemos até a magnífica aventura do conhecimento que levou um pequeno punhado de macacos pelados a se estender por todo um planeta e, com o poder fantástico do método científico, viajar ainda mais longe. À vastidão em que ainda não tocamos, com uma “nave da imaginação” modelada à imagem de uma semente de dente-de-leão ao vento, ele nos levaria cruzando a galáxia por anos-luz.

Quando finalmente retornarmos à Lua depois de um longo afastamento, ou quando visitarmos Marte e os infinitos mundos que nos aguardam pelo espaço, talvez nosso interesse e excitação como um todo dure um tanto mais porque nos lembraremos de sua grande e bela visão.

Falamos, é claro, da série televisiva “Cosmos: Uma Viagem Pessoal” do astrônomo Carl Edward Sagan, cujo primeiro episódio foi ao ar pela TV americana em 28 de setembro de 1980. Toda uma geração, incluindo este que escreve estas linhas, já nasceu e cresceu não sob a sombra, mas sob a luz e inspiração de uma obra ao mesmo tempo popular e imensamente inteligente, sóbria e profundamente atraente.

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Três décadas depois, é surpreendente como muito da visão de Sagan do Cosmos seria largamente validada, transformando especulação otimista em fato científico. Um destes elementos mais empolgantes envolve o primeiro planeta fora do sistema solar, que só seria confirmado como descoberta científica quase uma década depois que Sagan despertasse milhões às tantalizantes possibilidades da multiplicidade de mundos.

Pois desde o primeiro exoplaneta em 1988, quase 500 exoplanetas já foram confirmados. Os nove, ou melhor, oito planetas de nosso sistema solar são hoje poucos em comparação com as centenas de outros corpos orbitando estrelas longínquas. E a viagem da imaginação aos fatos não parou aí.

Os dados iniciais de um novo satélite, o Kepler, como parte continuada da exploração do Cosmos, podem mais do que dobrar este número em poucos meses de observação, levando à sugestão de que planetas sejam não só quase onipresentes pela Galáxia, como que até 100 milhões de planetas como a Terra populem a Via Láctea. Por sua vez, apenas uma das centenas de bilhões de galáxias pelo Universo.

Na mesma semana de aniversário de Cosmos, o mais forte candidato a exoplaneta potencialmente habitável, chamado Gliese 581 g, foi anunciado com grande animação. A beleza disto é que sendo esta a ciência, a descoberta pode ou não ser confirmada, mas sendo esta a ciência e particularmente uma área que assistiu a enormes avanços nas últimas décadas, é uma questão de tempo até que dezenas, centenas, milhares e quem sabe mesmo milhões de planetas como a Terra sejam comprovados em nossa galáxia.

São números que mesmo o homem dos grandes números, com quem o apresentador Johnny Carson brincava sobre os “bilhões e bilhões”, tomaria como uma estimativa muito otimista. O amanhã em que vivemos hoje trata de confirmá-la como fato.

Em meio à viagem pelas estrelas, e entre os milhões de planetas como a Terra que podem existir, Sagan também se preocupou muito em abordar as questões muito humanas que enfrentávamos em nosso único e pálido ponto azul. No início da década de 1980, a Guerra Fria começava a se reaquecer enquanto EUA e União Soviética acumulavam dezenas de milhares de ogivas nucleares, um número grande que o cientista espacial se dedicou obstinadamente a diminuir. Poucos anos depois de Cosmos, Carl Sagan seria um dos descobridores do Inverno Nuclear, destacando ainda mais o perigo de extinção que enfrentávamos como espécie.

Igualmente superando suas mais otimistas expectativas, alguma lucidez tomou conta de líderes de ambos os lados, que passaram a diminuir seu arsenal, até que em 1989 a União Soviética implodiu sem o disparo de nenhuma bomba nuclear. Se superamos a maior urgência deste desafio, por outro lado, perigos sobre os quais Sagan também alertou e que há trinta anos pareciam menores hoje se tornam prioridade, como as mudanças climáticas e todo o impacto que o nosso próprio sucesso descomunal em habitar todos os continentes e contar com um número cada vez maior de confortos exerce sobre o pálido ponto que pode em breve tomar uma cor diferente e menos hospitaleira que o azul.

Vivemos em um fabuloso amanhã, com novos conhecimentos e novos desafios de uma geração somando-se à enorme jornada de milhares de ancestrais explorada em Cosmos. Lamentavelmente, vivemos também sem a companhia de Sagan, que nos deixou cedo apenas 16 anos depois de comover um mundo com a beleza e mesmo a espiritualidade que pode ser encontrada na busca pelo conhecimento através da ciência.

Se Sagan teve uma visão por vezes profética de descobertas futuras, também podemos profetizar com grande segurança que é mera questão de tempo até que um membro da geração sob a luz de Cosmos ganhe um prêmio Nobel. E ele – ou ela – será apenas o primeiro de muitos, enquanto Carl Sagan deve ter o mérito de ter inspirado diretamente mais do que qualquer outra pessoa um número gigantesco de jovens a seguir uma carreira científica e ajudar o Cosmos a conhecer a si mesmo.

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O legado de Sagan vive como uma porção particularmente brilhante de conhecimento, e como tal só deve se multiplicar enquanto novas mentes continuarem sendo inspiradas a buscar saber mais sobre “tudo que existe, tudo que existiu e tudo que existirá”.

É parte da frase com que Carl Sagan iniciou seu primeiro episódio às “margens do oceano cósmico” há três décadas.

E é como definiu o próprio Cosmos.

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Em homenagem aos 30 anos de Cosmos, iniciamos um perfil no Twitter dedicado exclusivamente a divulgar a obra de Carl Sagan, confira @saganismos. Para acompanhar o perfil no Twitter e indicar melhor sua obra, também iniciamos através do projeto HAAAN um novo sítio on-line para agregar informações sobre as obras do astrônomo: saganismos.haaan.com.

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